Este post servirá para falar dos livros que não nos sabem a nada, afinal todos falamos dos livros que nos marcaram, maus ou bons, mas nunca falamos daqueles livros que lemos e nos deixam uma sensação de apatia.
Sabem a que livros me refiro? Aqueles que parece que o autor se esqueceu de lhes deitar sal e a história não nos sabe a nada, as personagens parecem completamente ireais e, apesar de não ser necessariamente uma
hate read, acabamos por ler o livro até ao fim, ou não, apenas para nos esquecermos completamente que o lemos.
O que depois dá aso a situações como esta:
Amigo: Olha já leste o livro "Isto não é um título" pelo escritor João Maria?
Nós: Não... Acho que não...
Amigo: Olha acontece uma cena assim e assado e depois...
Nós: Isso soa-me familiar...
Amigo: Oh! Tu lês tanto se calhar leste algo parecido...
Nós: Talvez...
Amigo: Leva lá o livro e lê!
Se for uma edição diferente da que lemos ainda somos capazes de a levar para casa e começar a ler, às vezes até sendo a mesma edição e passadas umas quantas páginas pousamos o livro e damos por nós mesmos a pensar "Espera aí! Eu já li isto!" e é aí subitamente que nos apercebemos que sim, já lemos este livro e que não nos lembrávamos.
Será que consideramos estes livros maus? Livros que não gostamos? Porque, e sou sincera, eu lembro-me dos livros que odiei! Daqueles que só me apetecia entrar lá para dentro e bater em tudo e todos, autor incluído, a ver se acordava tudo para a vida mas estes livros são tão sem sabor que uma pessoa até se esquece que eles existem.
Não tem necessariamente a ver com género ou autor, qualquer pessoa pode escrever um livro destes, até porque ao lermos interpretamos o livro à nossa maneira logo aquele que para nós é o maior livro de todos os tempos pode ser para a nossa melhor amiga o pior livro alguma vez escrito.
Normalmente deparo-me com estes livros quando eles veem com aquelas publicidades fantásticas do género: "O próximo Tolkien da literatura!" (confesso que fujo destes porque não sou grande fã de Tolkien), "Finalmente a herdeira de Judy Blume!" ou "Sem dúvida o próximo Harry Potter!". Creio que isto se justifique com uma simples palavra: expectativa.
Caras editoras, se eu quiser ler Harry Potter eu vou ler Harry Potter e se eu quiser ler Tolkien tenho vários livros por onde posso escolher muito obrigada. Percebo que o que estão é fazer é uma mera comparação mas a verdade é que estão a colocar uma enorme responsabilidade em cima do autor e uma expectativa enorme em cima do leitor e por vezes quando tudo isto se junta a leitura acaba por saber a pouco.
Afinal por muitos livros sobre magia que eu leia nenhum vai ser Harry Potter, porque esse só há um, mas serão sem dúvida as suas próprias pessoas, estou a lembrar-me em particular da Yelena Zaltana, uma heroína mágica que tem a sua própria trilogia e que sem dúvida está no meu top de heroínas. Se ela fez asneiras? Fez. Foi educada por uns brutamontes? Sim. Alguém a quer morta? Sim. Foi para uma escola de magia? Sim. Professor duvidosos? Podem confirmar isso também. Melhores amigos? Obviamente.
E no entanto a Yelena Zaltana, personagem de "Estudos sobre Veneno", no Brasil (Poison Study no original) não tem nada haver com Harry Potter e se me tivessem posto uma faixa enorme no livro a dizer que sim, provavelmente teria passado ao lado ou pelo menos não teria apreciado a leitura do mesmo como apreciei.
Gostaria de me lembrar de um livro sem sal para vos dar o exemplo mas, ironicamente, não consigo. E vocês caros leitores, lembram-se de algum livro sem sal? Também odeiam as publicidades comparativas? (Não me façam entrar no "Troque Os Maias pela Meyer" da Fanc que até me pêlo e não gostei d'Os Maias).
Ki
(Catarina)
Sobre a autora:
Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também
uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.