domingo, 17 de junho de 2012

Parem de cuscar os meus e-books!

Um estudo mostrou recentemente que 58% dos britânicos que lêem através de e-readers fazem-lo para esconder os livros que estão a ler.
Harry Potter, erótica, livros juvenis e ficção-científica são os livros que os adultos que passeiam com e-readers na mão mais querem ler e ter a certeza que não são apanhados.
Há inclusivamente pessoas que apenas usam os seus e-readers para colocarem livros que de outra maneira teriam vergonha de ler em público. A própria colonista Wallace Yovetich admite que tem o seu e-reader cheio de livros juvenis que de outra maneira jamais veriam a luz do dia, quanto mais a parte de trás do autocarro onde vai todos os dias para o emprego. Assim creio que podemos afirmar com segurança que os e-readers vieram substituir o papel pardo que algumas pessoas usavam para embrulhar os livros, disfarçado assim o título e autor dos mesmos.
Apesar de não ter um e-reader apenas um fantástico pc onde instalei programas para ler e-books (como referi aqui) a verdade é que tenho dentro do mesmo vários livros que não andariam comigo na rua. É verdade, tenho de admitir que os meus e-books são todos muito chick-lit, algo que de outra maneira não me apanhariam a ler. De todo. Não num comboio, não na minha estante, não, não me apanhariam a ler chick-lit de maneira nenhuma. Mas a vantagem do e-book é que ninguém sabe o que estou a ler, é apenas uma página cheia de letras num portátil da marca xpto, ou no caso dos e-readers é apenas uma capa cinzenta. Isto torna-se imensamente vantajoso pois finalmente podemos ler aqueles livros que tanto queríamos e que tínhamos vergonha que nos apanhassem a ler.
Wllace Yovetich diz também que uma das coisas que mais odeia é que as pessoas peçam para ver o seu e-reader, isto pois acabam sempre por encontrar os livros que ela não queria que ninguém visse em primeiro lugar. Assim sendo ela aprendeu a dar uma visita guiada ao seu e-reader deixando as pessoas verem apenas aquilo que ela quer. Na realidade agora que penso nisto o meu primo fez-me exactamente o mesmo no natal passado quando me mostrou o seu kindle novo, o que me faz pensar com alguma curiosidade no género de livros que ele teria lá dentro.
Já a pasta que tenho no meu portátil é um pouco publica e a Cláudia, que é quem lida mais comigo e com e-books, já se serviu muitas vezes dela para cuscar o que leio. Ainda me lembro do seu berro de espanto quando viu que eu tinha o 50 Shades of Grey, ao que rapidamente respondi que o tinha arranjado antes de saber sobre o que a trilogia era. É a verdade. Talvez.
Esta acaba portanto por ser outras das funcionalidades fantásticas dos e-books que à medida que o tempo passa parecem converter cada vez mais leitores. E agora eu pergunto, também escondem os livros que lêem? Eu tenho uma amiga que diz que os põem em papel pardo para proteger a capa, embora eu não acredite, é no entanto a única que conheço que faz isso. Conhecem alguém que também o faça? Tem livros que nunca levam para fora de casa? Será que devemos ter vergonha do que lemos? (Ui! Sinto outro artigo a fervilhar...)


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O Espírito do Amor de Ben Sherwood


O Espírito do Amor
de Ben Sherwood
Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 248
Editor: Editorial Presença
Resumo:
O Espírito do Amor é o segundo romance de Ben Sherwood e conta a história de Charlie, um rapaz que aos 15 anos se depara com a morte do seu irmão mais novo, Sam. A amizade entre os dois irmãos é tanta e a dor da perda é tão grande que Charlie promete nunca abandonar o irmão e durante treze anos vivem numa espécie de limbo, onde ambos são felizes sem viverem plenamente. É então que o nosso protagonista conhece Tess, uma jovem navegadora por quem se apaixona e que o faz ver que existe muito mais para viver. Irá Charlie cumprir a promessa feita a Sam ou irá em busca do mundo desconhecido na companhia de Tess? Um romance apaixonante que avivará os sentimentos mais profundos do leitor.

Rating:3,5/5
Comentário: 
Devo começar por dizer que este título me lembra o filme Ghost e não este livro. Em inglês o título da obra é The death and life of Charlie St. Cloud, traduzido à letra por A morte e vida de Charlie St. Cloud, um nome que sem dúvida faz mais justiça ao livro.
Este foi um livro que entrou em Portugal em força com a versão cinematográfica a estrear nos cinemas e com o já conhecido Zac Efron no papel mediático do jovem Charlie. Tirando os detalhes de sempre e o facto de sabermos que milagres são complicados, creio que o filme até fez bastante justiça ao livro, o que é uma situação rara.
A história é bastante poderosa, principalmente para pessoas que já perderam alguém que lhes era próximo. Quem é que tendo a possibilidade de estar com o irmão que partiu não a agarraria com unhas e dentes? Será que efectivamente podemos culpar Charlie por este ter posto uma pausa na sua vida? Quantas vezes boicotamos a nossa vida por medo do que aí vinha?
Devo confessar que este foi um livro que me fez pensar imenso. Tive de pousá-lo várias vezes e tentar perceber Charlie, tentar perceber se eu faria o que ele estava a fazer, se eu conseguia perceber o que ele estava a passar. Todo o enredo é misterioso e único e o Charlie é uma personagem da qual é fácil gostar pois percebemos a dor pela qual ele está a passar e percebemos o como ele está a aprender a lidar com ela.
O trabalho de Charlie é também bastante interessante e a maneira como a temática é tratada está na minha opinião com o seu q.b. de originalidade. A história de amor é simples e bonita e relembra-nos que por vezes apesar de serem precisos grandes feitos, eles são mais fáceis de fazer do que aquilo que pensamos.
Extremamente bem escrito e com uma riqueza de sentimentos impressionante O Espírito do Amor é sem dúvida um romance a recomendar e que em alguns pontos me lembro inclusivamente do livro, e filme, Visto do Céu. Tal como o livro do filme A Branca de Neve e o Caçador este é um livro que se pode dispensar a leitura caso se tenha visto o filme pois efectivamente andam muito perto de mãos dadas.
Embora deva confessar que no livro há certas situações que me parecem menos óbvias e portanto este deixe mais a adivinhar, o que para quem gosta de mistérios é o ideal. Um leitura sem dúvida recomendada.

Book Trailer:

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Passatempo "A Trama da Estrela" - Vasco Ricardo

E chega-nos mais um passatempo, desta vez sob a tutela da Pastelaria Studios Editora. Temos para sortear um exemplar de "A Trama da Estrela", de Vasco Ricardo, o qual se podem habilitar ao responder correctamente a todas as perguntas que se seguem.  As respostas poderão ser encontradas aqui e aqui. Podem também consultar o trailer do livro em baixo.
Boa sorte a todos!

 

 ATENÇÃO: 
Regras do Passatempo: 

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 23 de Junho. 
2) Ser seguidor do Blog e do Facebook da Editora. 
3) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos. 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas). 
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail. 
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nos exemplares enviados.


Os livros que não sabem a nada

Quem leu o meu comentário ao livro O livro de feitiços de Deliverance Dane apercebeu-se de um pequeno pensamento meu a meio caminho do mesmo que deu origem a este post. 
Este post servirá para falar dos livros que não nos sabem a nada, afinal todos falamos dos livros que nos marcaram, maus ou bons, mas nunca falamos daqueles livros que lemos e nos deixam uma sensação de apatia.
Sabem a que livros me refiro? Aqueles que parece que o autor se esqueceu de lhes deitar sal e a história não nos sabe a nada, as personagens parecem completamente ireais e, apesar de não ser necessariamente uma hate read, acabamos por ler o livro até ao fim, ou não, apenas para nos esquecermos completamente que o lemos.
O que depois dá aso a situações como esta:
Amigo: Olha já leste o livro "Isto não é um título" pelo escritor João Maria?
Nós: Não... Acho que não...
Amigo: Olha acontece uma cena assim e assado e depois...
Nós: Isso soa-me familiar...
Amigo: Oh! Tu lês tanto se calhar leste algo parecido...
Nós: Talvez...
Amigo: Leva lá o livro e lê!
Se for uma edição diferente da que lemos ainda somos capazes de a levar para casa e começar a ler, às vezes até sendo a mesma edição e passadas umas quantas páginas pousamos o livro e damos por nós mesmos a pensar "Espera aí! Eu já li isto!" e é aí subitamente que nos apercebemos que sim, já lemos este livro e que não nos lembrávamos.
Será que consideramos estes livros maus? Livros que não gostamos? Porque, e sou sincera, eu lembro-me dos livros que odiei! Daqueles que só me apetecia entrar lá para dentro e bater em tudo e todos, autor incluído, a ver se acordava tudo para a vida mas estes livros são tão sem sabor que uma pessoa até se esquece que eles existem.
Não tem necessariamente a ver com género ou autor, qualquer pessoa pode escrever um livro destes, até porque ao lermos interpretamos o livro à nossa maneira logo aquele que para nós é o maior livro de todos os tempos pode ser para a nossa melhor amiga o pior livro alguma vez escrito.
Normalmente deparo-me com estes livros quando eles veem com aquelas publicidades fantásticas do género: "O próximo Tolkien da literatura!" (confesso que fujo destes porque não sou grande fã de Tolkien), "Finalmente a herdeira de Judy Blume!" ou "Sem dúvida o próximo Harry Potter!". Creio que isto se justifique com uma simples palavra: expectativa.
Caras editoras, se eu quiser ler Harry Potter eu vou ler Harry Potter e se eu quiser ler Tolkien tenho vários livros por onde posso escolher muito obrigada. Percebo que o que estão é fazer é uma mera comparação mas a verdade é que estão a colocar uma enorme responsabilidade em cima do autor e uma expectativa enorme em cima do leitor e por vezes quando tudo isto se junta a leitura acaba por saber a pouco.
Afinal por muitos livros sobre magia que eu leia nenhum vai ser Harry Potter, porque esse só há um, mas serão sem dúvida as suas próprias pessoas, estou a lembrar-me em particular da Yelena Zaltana, uma heroína mágica que tem a sua própria trilogia e que sem dúvida está no meu top de heroínas. Se ela fez asneiras? Fez. Foi educada por uns brutamontes? Sim. Alguém a quer morta? Sim. Foi para uma escola de magia? Sim. Professor duvidosos? Podem confirmar isso também. Melhores amigos? Obviamente.
E no entanto a Yelena Zaltana, personagem de "Estudos sobre Veneno", no Brasil (Poison Study no original) não tem nada haver com Harry Potter e se me tivessem posto uma faixa enorme no livro a dizer que sim, provavelmente teria passado ao lado ou pelo menos não teria apreciado a leitura do mesmo como apreciei.
 Gostaria de me lembrar de um livro sem sal para vos dar o exemplo mas, ironicamente, não consigo. E vocês caros leitores, lembram-se de algum livro sem sal? Também odeiam as publicidades comparativas? (Não me façam entrar no "Troque Os Maias pela Meyer" da Fanc que até me pêlo e não gostei d'Os Maias).


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O Livro de Feitiços de Deliverance Dane de Katherine Howe

O Livro de Feitiços de Deliverance Dane
de Katherine Howe
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 408
Editor: Editorial Planeta
Resumo:
Um romance cativante, maravilhosamente escrito, que se passa entre o nosso tempo e um dos mais fascinantes e conturbados períodos da história da América - os julgamentos das bruxas de Salem. Connie Goodwin, uma brilhante aluna de História na Universidade de Harvard vê-se obrigada a passar o Verão a pesquisar para a sua tese de doutoramento. Mas quando a mãe lhe pede para tratar da venda da casa abandonada da avó, perto de Salem, não tem como recusar. À medida que é arrastada de forma cada vez mais profunda para os mistérios da casa da família, Connie descobre uma chave antiga dentro de uma Bíblia do século xvii. A chave contém um fragmento de pergaminho amarelecido com um nome escrito: Deliverance Dane. Esta descoberta lança Connie numa demanda: descobrir quem foi essa mulher e conseguir desenterrar um raro artefacto de poder singular: um Livro de Feitiços, cujas páginas encerram um repositório secreto de sabedoria perdida. Quando as peças da pungente história de Deliverance começam a encaixar-se, Connie é assombrada por visões dos distantes julgamentos de bruxas e começa a temer que esteja mais ligada ao passado obscuro de Salem do que alguma vez pudera imaginar. Escrito com espantosa convicção, O Livro de Feitiços de Deliverance Dane viaja continuamente entre os julgamentos de bruxas nos anos de 1690 e a história de mistério, intriga e revelação de uma mulher moderna.

Rating: 3,5/5

 Comentário: 
Gosto bastante de livros como este de Katherine Howe por um simples motivo: Cumprem o que prometem. Prefiro que um livro comece com uma promessa simples e desenvolva para algo mais, do que aqueles livros que prometem mundos e fundos em relação às suas histórias (p.ex. o próximo Tolkien da escrita mundial!) e que depois lhes pegamos e aquilo não nos sabe a nada. (Ainda escreverei um artigo sobre isso... hmmm...)
Este livro é passado em duas linhas de tempo, o que é algo que eu normalmente aprecio, temos o ano de 1991, onde a nossa protagonista Connie está e o ano de 1690, onde Deliverance está. A história vive desta viagem constante entre estas duas datas e tenta revelar lentamente o seu enredo sem revelar o grande segredo final.
Para quem, como eu, gosta de histórias a  "duas vozes" e se contorce quando começa a perceber por onde a história está a ir, graças à parte do passado, e gostaria de poder dar um berro ou um estalo, às personagens do presente que sinceramente ás vezes parecem umas tolinhas, este livro é do ideal.
Em termos de descrições este livro é bastante visual e é daqueles que quase que conseguimos ver o filme na nossa cabeça. Isso acaba por manter uma pessoa distraída do facto de algumas coisas serem previsíveis e mantém a leitura bastante interessante.
Outra das grandes vantagens que tive foi saber muito pouco sobre as bruxas de Salem e por isso fui sendo surpreendida ao longo da narrativa por factos sobre as mesmas e sobre os julgamentos. Apesar de ter tido algum receio que a narrativa pudesse ser muito chocante esta manteve-se de bom tom. Creio que o facto da escritora ser descendente de duas das bruxas julgadas poderá ter ajudado ao caso.
Para o que esperava do livro, apesar de já estar há algum tempo para o ler, devo confessar que fiquei alegremente surpreendida. A história tem os seus mistérios e a relação de Connie com a mãe e a sua colega de quarto de universidade é simples e divertida. A história de amor não é surpreendente mas chega a deixar uma pessoa um pouco com com coração nas mãos, principalmente quando a parte das bruxas e o enredo se começam a descortinar.
Resumindo um livro interessante que se aconselha principalmente para quem gosta de um pouco de "magia" nas suas histórias.


Book trailer: