domingo, 22 de julho de 2012

Na cama com ainda mais livros

Em Maio deste ano escrevi um artigo chamado Na cama com livros, sabendo que obviamente não seria a única pessoa que levava um livro para a cama para o continuar a ler e até porque existem pessoas que tem das camas mais malucas do mundo só para terem os seus livros ao pé de si.
Neste exacto instante os únicos que tenho ao pé de mim são os que estão na mesinha de cabeceira e que tenho de ler. Já não faço montes aos pés da cama como fazia com os meus livros favoritos como se fosse uma rapariga pequena a empilhar peluches. Há hábitos que acabam eventualmente por nos deixar, este foi um dos meus, o hábito que ainda não deixei é o de ler na cama, o que, por vezes, dá aso a uma situação fora do comum.
Apesar de não ser particularmente recorrente, já me aconteceu algumas vezes acordar com um livro em cima do rosto, visto que é raro conseguir ler de costas muito tempo. A luz da mesinha de cabeceira ficou acesa, eu mal deitada e o livro, que eu devia estar a ler, está a descansar em cima da minha cara. É uma imagem sem dúvida caricata.
Quando estudava até tarde na faculdade, ou de tarde, por vezes acabava por acordar por cima dos manuais, tamanho era o meu cansaço. Posso portanto dizer que já partilhei cama com alguns livros que, apesar de serem interessantes, não levaram a melhor ao meu sono.
Lembrei-me desta situação porque vi num update de status alguém escrever que tinha adormecido em cima de um livro e o tinha babado, ainda por cima, na melhor parte. A culpa é do sono claro e das férias que tardam em chegar!
O Encruzilhadas vai para fora cá dentro mas isso já é matéria para outro artigo!


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre os mesmos e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 21 de julho de 2012

Opinião: A Casa dos Primatas, de Sara Gruen




A Casa dos Primatas
de Sara Gruen
Edição/reimpressão: 2012
Páginas:384
Editor: Edições ASA

Resumo: Sam, Bonzi, Lola, Mbongo, Jelani e Makena não são símios normais.
Estes bonobos, como outros membros da sua espécie, são capazes de raciocinar e de manter relacionamentos intensos. Mas, ao contrário da maioria dos bonobos, também conhecem a linguagem gestual.
Isabel Duncan, investigadora do Laboratório de Pesquisa da Linguagem dos Símios, não compreende as pessoas mas está perfeitamente à vontade com os animais, em especial com os bonobos…
Quando uma explosão abala o laboratório, ferindo gravemente Isabel e «libertando» os símios, a reportagem de interesse humano de John torna-se a reportagem da sua vida, que o fará pôr em risco a carreira e o casamento. É nessa altura que os bonobos desaparecidos são apresentados num reality show televisivo, emitido em circunstâncias misteriosas e capaz de se transformar no maior - e mais improvável - fenómeno da história da moderna comunicação social. Milhões de fãs ficam colados ao ecrã, a verem os símios a encomendar fast food cheia de gordura, a terem relações sexuais por tudo e por nada e a gesticularem a Isabel para os salvar.

Rating: 4/5

Comentário:  
A Casa dos Primatas foi a minha estreia com Sara Gruen, autora do tão aclamado Água para Elefantes. Foi uma surpresa interessante que se traduziu num livro de ficção leve e fluído, mas com conteúdo. Não sou das maiores amantes de animais, mas sou contra as injustiças e sigo os valores de respeito pelo próximo, perante qualquer ser vivo. Ao longo dos anos, a National Geographic foi-me fazendo ganhar um carinho especial para com uma ou outra espécie, resultado de reportagens bem conseguidas, pelas imagens estonteantes e pelos textos apaixonados. Sara Gruen fez o mesmo com este livro, fazendo-se sentir, de certa forma, em casa.
 Todo o enredo se prende com a vida de seis primatas, mais tarde sete, e pela forma como uma série de personagens se correlacionam com a sua existência, assumindo um papel em sua defesa ou uma atitude de desprezo e crueldade capaz de levantar as maiores críticas. Isabel Ducan é investigadora no Laboratório de Pesquisa da Linguagem dos Símios e dedicou os últimos 10 anos da sua vida àqueles que considera a sua família. Contrariamente a outros primatas, estes exprimem-se numa aproximação quase humana, comunicando com a equipa que os acompanha por linguagem gestual. São sensíveis e têm uma opinião própria, criando uma empatia e dinamismo que os que se cruzam com eles pela primeira vez não podiam esperar. O mais interessante quanto a este assunto é a veracidade de alguns diálogos estabelecidos pelos bonobos com a personagem, que foram introduzidos na obra pela autora, ao contactar com uma realidade semelhante, o que muito pode surpreender o leitor.
É então que acontece o inimaginável e vemo-los a serem retirados à força do local que conhecem como lar para que se dê origem a uma exploração gananciosa por mentes menos intencionadas, de uma nova faceta dos bonobos: o seu à vontade e liberdade sexual, do qual resultam diversas interacções entre os elementos da família.
Isabel decide então partir num empreendimento do qual não saberá o resultado, mas que garanta a luta pela segurança dos seus, sejam eles os símíos que teve a cargo até recentemente, sejam as novas amizades que vão surgindo, e que irão criar elementos de suporte que a ajudam a aguentar momentos inesperados.
Por outro lado, John é um jornalista que se interessou pela história destes animais peculiares e não se consegue esquecer da força e do poder de interacção que os mesmos tiveram consigo. Quando se depara com problemas profissionais com o jornal para o qual trabalha, decide partir à aventura, e principalmente acompanhar a sua mulher que muito precisa de si, mesmo quando não o demonstra.
Gostei bastante do enredo e acompanhei rapidamente o desenrolar da história. Como pontos negativos, destaco o desenvolvimento de algumas linhas de narrativa que para mim não tiveram sentido. Se a relação de John com a mulher por vezes já me soava fora do contexto, a insinuação de um possível triângulo amoroso logo ao início começou por me desagradar. O desenvolvimento de algumas histórias do passado ou a imiscuição da família do casal também. Tirando isso, foram um par agradável, à procura de descobrir como ultrapassar as suas diferenças e continuarem pelo caminho explorado do casamento.
A exploração da temática do mau trato e abuso dos animais pode ser educativa sem pecar pelo excesso, criando uma afectividade maior entre o leitor e os simpáticos e descontraídos bonobos, que nos acompanham com as suas peripécias e teimosias ao longo de toda a obra.
É acima de tudo uma história de coragem: de não ter medo de ultrapassar obstáculos que se julgavam impossíveis de ultrapassar, de ver além do óbvio, de pedir ajuda quando necessário, e de confiar sem perder o rumo. Aconselha-se a leitura para quem gosta de animais, e para quem quer começar a gostar.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Ouvir Audio-livros?

Depois do nosso artigo sobre e-books, achei que seria de uma certa relevância falar de audiobooks. A linha de pensamento era lógica e até pensei que o artigo que pudesse vir dela fosse interessante, contundo havia um pequeno problema: nunca tinha ouvido um e foi isso que me pus a fazer esta semana.
Depois de fazer uma pequena pesquisa no google descobri que existem dois tipo de livros audio, os chamados palavra-a-palavra, nos quais o locutor apenas lê o livro e os chamados dramatizados, nos quais poderá haver todo um elenco e sons de fundo que dão uma certa magia à audição.
Devo confessar que os livros palavra-a-palavra não me cativaram e dei por mim a perder o interesse rapidamente ignorando a voz que falava enquanto fazia outras tarefas. Quando numa noite de insónia me pus a ouvir um audio livro dramatizado os meus olhos abriram-se em choque e foi como se acabasse de ter uma epifania. Comparado a uma autêntica radio novela, os livros audio dramatizados conseguem ser autênticas séries de tv sem imagem.
São portas que chiam, personagens que bebem café, sons de teclado e de bicicletas, nós conseguimos ouvir tudo e a nossa mente preenche os vazios rapidamente. Subitamente, tal como num livro escrito, visualizamos as personagens na nossa mente e seguimo-las. Como as versões dramatizadas tem vários locutores, temos de estar mais concentrados e torna-se tudo também um certo desafio, eu pelo menos sinto que sim pois tenho alguma dificuldade em diferenciar vozes por vezes.
O desafio criado por estas vozes e sons também ajuda a que nos concentremos mais no livro e permite que desfrutemos mais do mesmo. Creio que deve ser por lembrar menos uma palestra da escola do que os livros que são lidos palavra-a-palavra. 
Para quem começar a ouvir estes fantásticos livros, tenho a dizer que esta semana "li" o livro "Quando Sopra o Vento Norte" de Daniel Glattauer (crítica a sair em breve) e que foi dramatizado pela BBC 4. Estou, de momento, a meio de uma colectânea de histórias sobre mulheres detectives, também dramatizada pela BBC 4 que também dramatizou os livros Hobbit e O Senhor dos Anéis, conseguindo reviews extremamente positivas.
Os livros de Harry Potter, disponíveis na loja do Pottermore, tem também críticas positivas, a trilogia dos Mundos Paralelos, maior parte dos livros de Stephen King e Terry Parchett assim como os estúdios The Big Finish, tem grande parte dos votos para melhores dramatizações.
Digam-me caros leitores, já pensaram na possibilidade de ouvir um livro audio? Acham que gostariam ou nem por isso? Será que fazem falta no mercado livros audio em português?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

Novidades: Presença 2ª Quinzena

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 248
Resumo:
Paul Krugman faz uma análise de grande amplitude sobre a maior crise da economia mundial desde a Grande Depressão de 1929, examinando aspetos determinantes e apontando caminhos para contrariar os seus efeitos. Para ele é claro que a ênfase deve ser colocada no retorno rápido aos níveis normais de produção, o que exige pôr em prática aquilo que se aprendeu com crises passadas. Especialmente interessantes são capítulos relacionados com a moeda, em geral, e o euro e a crise da dívida europeia, em particular. Acabem com esta Crise Já! é uma obra fundamentada, de leitura acessível para um público vasto e que não deixará de interessar também os leitores especializados.


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 204
Resumo:
Deepak Chopra centra-se nas quatro principais áreas da nossa vida - relacionamentos, saúde e bem-estar, sucesso e crescimento pessoal -, e, ao responder às perguntas que lhe são colocadas por leitores de todo o mundo, proporciona-nos valiosos insights e mostra-nos como alcançar o estado de expansão da consciência, o estado em que não existem problemas, só soluções.
Deepak Chopra tem inspirado milhões de pessoas a mudar as suas vidas. É autor de mais de sessenta livros, traduzidos em mais de oitenta e cinco línguas, muitos dos quais bestsellers. Médico e professor, fundou The Chopra Center for Wellbeing em Carlsbad, na Califórnia. É considerado um dos grandes instrutores espirituais da filosofia oriental no Ocidente. 


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 320
Resumo:
«Duas são as sentinelas que vigiam o mar, caprichosas, tremendas, de lanças a postos. Três os amigos que as podem enfrentar,mas a nenhum, cuidado, ofereçam os rostos.» De acordo com o primeiro manuscrito, Ulysses Moore é provavelmente não só um mestre de línguas, linguagens e códigos, mas também um físico mais genial que o próprio Albert Einstein. Ou se calhar é um mentiroso exímio!  


Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 200
Editor: Marcador
Resumo:
«O Vento dos Outros» é um relato apaixonante de uma viagem à América do Sul. Uma viagem exterior e interior na escrita de Raquel Ochôa, autora vencedora do Prémio Agustina Bessa-Luís. Os seus livros anteriores foram muito bem recebidos pela crítica e atingiram os top's nacionais de vendas.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A Casa dos Sonhos, de Liz Fenwick

A Casa dos Sonhos
de Liz Fenwick
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 432
Editor: Quinta Essência
Resumo:
Poderá uma casa sarar um coração destroçado?
Quando a artista Maddie herda uma casa na Cornualha, logo após a morte do marido, ela espera que isso seja o novo começo de que ela e enteada Hannah precisam desesperadamente.
Trevenen é linda, mas negligenciada, uma casa rica em história. Maddie está encantada com ela e determinada a saber o máximo sobre o seu passado. Quando descobre as histórias das gerações de mulheres que viveram lá antes, Maddie começa a sentir que a sua vida está de alguma forma ligada àquelas paredes.
Mas o sonho de Maddie de uma vida tranquila no campo está muito longe da realidade que enfrenta. Ainda a lutar com a sua dor e com Hannah, Maddie é incapaz de encontrar inspiração para a sua pintura e percebe que pode enfrentar a perspectiva de ter de vender Trevenen, agora que começou a amá-la.
E enquanto Maddie e Hannah desvendam o passado de Trevenen, a casa revela segredos que ficaram ocultos durante gerações.
Um livro maravilhoso cheio de romance e mistério.

Rating: 2,5/5

Comentário:
Gosto de livros com mistérios! Adoro livros com histórias em duas linhas tempo, como acho que já referi, gosto da maneira como os escritores conseguem interligar ambas as linhas tempo fazendo com que estas quase se toquem sem efectivamente se tocarem. É preciso um certo cuidado para conseguir que tudo fique na proporção certa. 
Eu e este livro não nos entendemos muito bem. Houve algo que faltou para mim, nem sei bem o quê ao certo, creio que foi o grande potencial que ficou por explorar. A casa, Tervenen, tinha tantos quartos e tantas possibilidades que creio que a acção escolhida por Fenwick, apesar de ter sido original, ficou um pouco aquém do impacto que podia ter causado.
Isso aliado a um pára e arranca que me lembrou o IC19 em hora de ponta, tornou a leitura do livro muito mais complicada. O enredo podia ter sido melhor explorado embora as personagens tenham, na sua maioria, uma vida muito própria e realista que segura a história.
Mesmo assim, a personagem de Hannah foi a mais mal trabalhada na minha opinião. Apesar de ter as suas manias de adolescente, chega a ser um pouco confuso, pois tanto está a insultar a madrasta como na linha seguinte já está preocupada com a mesma. Para mim foi bastante confuso, apesar de perceber que a autora quis mostrar que Hannah estava magoada com toda a situação, deu-lhe uma pseudo-raiva que tanto está instalada como adormecida que confunde o leitor. Se Hannah fosse uma jovem de doze anos, se ela fosse mais nova do que aquilo que na realidade é, talvez fosse compreensível pois podíamos dizer que era pequena e não sabia bem o que sentir. Contudo, Hannah é mais velha e a certa altura os seus ataques de raiva apenas acabaram por me irritar e levar Maddie a um desespero profundo.
Depois de Hannah, outra das coisas que mais me aborreceu no livro, foi a sensação que algo estava prestes a acontecer para logo a seguir termos o tapete puxado debaixo dos pés e, infelizmente, foi algo que aconteceu mais que uma vez. O leitor tem a sensação que subitamente algo fabuloso e completamente inesperado vai acontecer apenas para algo se por na frente e a história dar dois passos para trás, como se Fenwick quisesse transmitir realismo para o livro a toda a força. 
Na vida real nada é linear, as pessoas levam o seu tempo a juntarem, levam o seu tempo a recuperar e levam o seu tempo a viver e a tomar decisões. Um livro, contudo, deve ser mais rápido, especialmente se não tiver sequelas, há várias maneiras de fazer o tempo passar, que não são de todo desconhecidas de Fenwick, e que ajudam a manter a acção interessante. Creio que um uso melhor das mesmas poderia ter encurtado o livro sem se perder partes da história.
Gostaria também de dizer que o que nos mantém interessados, apesar do passo lento da história, é a escrita da autora. É uma escrita leve e fluída que nos faz abrir os olhos admirados ao ver que já lemos vinte páginas sem nos apercebermos. Deixo aqui um aviso para quem gosta de ler devagar, tenham cuidado que a escrita de Fenwick engana! Terão muita dificuldade em ler este livro devagarinho.
Foi uma leitura agradável mas devo confessar que já li melhor, assim sendo dou-lhe um dois e meio, em grande parte pela escrita tão agradável da autora e não tanto pelo enredo.