terça-feira, 31 de julho de 2012

Quando sopra o vento norte, de Daniel Glattauer

Quando sopra o vento norte
de Daniel Glattauer
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 224
Editor: Porto Editora
Resumo:
"Escreva-me Emmi. Escrever é como beijar, mas sem lábios. Escrever é beijar com a mente."
Quando sopra o vento norte é um romance divertido, animado e irresistivelmente cativante, cheio de reviravoltas, sobre um caso de amor vivido exclusivamente por e-mail.
Tudo começa por acaso: Leo recebe por engano alguns e-mails de uma desconhecida chamada Emmi. Educadamente, responde-lhe e Emmi retribui.
Esta troca de e-mails desperta uma curiosidade intensa entre os dois e, quase de imediato, Emmi e Leo  começam a partilhar confidências e desejos íntimos.
A tensão entre ambos aumenta, e o encontro parece iminente. Mas Emmi e Leo adiam o momento. Porque, afinal de contas, Emmi é casada e feliz.
Serão os sentimentos que nutrem um pelo outro suficientemente profundos para sobreviver a um encontro real? E, depois desse momento, o que os espera?  

Rating: 4/5

Comentário: 
No outro dia, enquanto via a estatísticas do nosso pequeno blog, reparei que várias pessoas pesquisavam pela nossa opinião face a este livro e a sua sequela. Ora, quando posso fazer a vontade aos meus leitores, não me importo nada de a fazer e assim sendo decidi partir em busca deste livro misterioso que era "Quando sopra o vento norte".
Após ter descoberto o livro e ter começado a ler não consegui parar. Foi sem dúvida uma leitura compulsiva e com a qual é fácil uma pessoa conseguir relacionar-se. Nesta Era Digital de facebooks, blogs, twitters e tudo o mais, as redes sociais e os relacionamentos on-line são frequentes, a ideia de que duas pessoas poderia começar a trocar e-mails por engano e continuar por prazer é perfeitamente verídica e se calhar tão misteriosa quanto mensagens em garrafas.
A história desenvolve-se a um bom ritmo, ao ritmo de e-mails trocados para trás e para a frente e por vezes parece que só poderia ter sido mais rápida se em vez de e-mails, Emmi e Leo estivessem a falar via chat. É estonteante a rapidez com que nos apegamos a estes personagens e começamos a torcer pelo seu felizes para sempre! Se tivesse que cronometrar o que digo, diria que demorei mais ou menos 10m a apaixonar-me por esta história e que a recomendo sem dúvida a todas as pessoas que gostem de um bom romance.
A maneira como Emmi e Leo acabam por se abrir um com o outro e relatar os seus problemas é tocante. Vemos realmente duas pessoas que se encontraram e apreciam mesmo a companhia uma da outra, mesmo que apenas virtual, pois de algum modo as ajuda a combater uma solidão nas suas vidas que não sabiam ter.
Apesar desta ideia de uma pessoa se apaixonar por outra via net se me ser um pouco estranha, pois eu gosto bastante de observar os pequenos gestos das pessoas,sei que é verdadeira pois tenho uma amiga que vai, em breve, casar e que conheceu o seu grande amor via net. É caso de nos perguntarmos, quão diferente é a internet de um encontro casual no parque?
Divertido, leve e diferente "Quando sopra o vento norte" é um livro sem dúvida a ler e que tenho recomendado a várias amigas minhas.
  • Podem ler as primeiras páginas aqui;
  • O livro tem uma sequela chamada Emmi e Leo - A Sétima Onda;
  • Há uma adaptação audio do livro chamada "Love Virtualy" feita pela BBC4 e que pode ser ouvida no youtube.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Cantos de leitura

Na realidade não se tratam simplesmente de estantes, em inglês chamam-lhes book nooks, e são cantinhos de leitura. 
Estes nooks existem em vários tamanhos e feitios e são feitos com a maior das imaginações. O seu objectivo é serem um pequeno refúgio para que os leitores possam ler confortavelmente. 
Quem não gostaria de ter um destes? Parece-me uma opção bastante divertida e confortável ao sofá, além do mais, podemos ter os nossos livrinhos todos bem arrumados. Contudo, no meu caso, este quadrado aqui ao lado teria de ser ligeiramente maior, ou eu só lhe poderia por os meus livros favoritos e mesmo assim, não sei se caberiam todos.
Provavelmente este book nook era um armário que foi reaproveitado para zona de leitura. Sem dúvida uma ideia genial!
Onde costumam ler caros leitores? Eu sei que a Cláudia tem uma perdição por ler transportes públicos e eu sou mais de ler nas filas de espera. Depois disso, ambas lemos em casa obviamente, quer seja no sofá ou na cama. E vocês?

Para verem mais estantes e nooks podem consultar o site BookShelf Porn. Não se deixem enganar pelo nome, o site é completamente inofensivo, apenas tem fotografias de prateleiras e vídeos com livros.
Desde as típicas estantes a estantes muito mais complexas. Um site onde se podem perder muitas horas a ver aquilo que mais gostamos: livros e prateleiras.




Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 28 de julho de 2012

Nem tudo são filmes

Todos sabemos que todos os anos vários livros são transformados em filmes. Sabemos também que os autores estão mais ou menos envolvidos no processo da transformação dos seus livros em filmes. O que não nos dizem é que alguns autores não aprovam, nem de perto, nem de longe o que a industria cinematográfica fez com os seus filmes.
J.K.Rowling, a autora de Harry Potter, e Stephanie Meyer, a autora de Twilight, estão entre alguns dos escritores que gostaram do que o cinema fez das suas sagas. A prova disso é que todos os seus livros foram transformados em filmes e há todos um merchandizing em torno dos mesmos.
Os fãs de Roal Dalh, autor de Charlie e a Fábrica de Chocolate, no entanto, sempre se questionaram do porquê da sequela do livro, Charlie e o Elevador de Vidro, nunca ter chegado às salas de cinema. A verdade é que o autor odiou a interpretação do actor escolhido para representar Willie Wonka, a maneira como a história foi contada e não autorizou a que a sequela fosse transformada em filme.
Ursula Le Guin, a autora do Ciclo de Terramar, escreveu um pedido de desculpa aos fãs pelo que os produtores da mini-série de Terramar fizeram à mesma. Nas suas palavras "Se soubesse que iriam fazer isto, jamais teria vendido os direitos para a criação de uma série". Desde uma distorção da história à raça dos personagens, a mini-série fica a quilómetros dos livros originais parecendo quase um trabalho independente.
Até que ponto poderão os fãs de um livro, e os autores, perdoar as adaptações dos cinematógrafos? Até que ponto é aceitável a mudança de raça, sexo ou comportamento de uma personagem para o filme ser mais suave e hollyodesco? 
É interessante ponderar estas questões pois um dos motivos pelos quais o director dos filmes Senhor dos Anéis, Peter Jackson, quis para que o seu nome aparecesse junto ao título foi para dar a entender aos fãs que aquela era sua visão da saga e que a mesma não seria 100% fiel ao livro. Mesmo nas caixas dos dvd's se pode ser Peter Jackson's Lord of the Rings. A visão de Jackson sobre a obra de Tolkien e não uma adaptação da mesma.
Por isso e se alguma vez se questionaram o porquê do livro x ou y nunca ter chegado ao grande ecrã, a culpa pode ser de um realizador algures que assustou de morte o escritor com uma má interpretação dos seus livros. Ou pode ser apenas um medo do escritor de que a sua mensagem não seja bem transmitida.

Para verem mais livros que viraram filmes odiados pelos escritores cliquem aqui. E já agora digam-nos, há algum livro que virou filme que vos fez pensar no que o pobre do escritor estaria a sofrer?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Passatempo Civilização Editora: "A Arca"


E é com imenso gosto que anunciamos o nosso primeiro passatempo sob a tutela da Civilização Editora

Temos para sortear um exemplar de "A Arca", de Victoria Hislop, ao qual se podem habilitar ao responder correctamente a todas as perguntas que se encontram no questionário. As respostas poderão ser encontradas neste post e aqui. 
Boa sorte a todos!


A Arca
de Victoria Hislop
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 416
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
Tessalonica, 1917. No dia em que Dimitri Komninos nasce, um incêndio devastador varre a próspera cidade grega, onde cristãos, judeus e muçulmanos vivem lado a lado. Cinco anos mais tarde, a casa de Katerina Sarafoglou na Ásia Menor é destruída pelo exército turco. No meio do caos, Katerina perde a mãe e embarca para um destino desconhecido na Grécia. Não tarda muito para que a sua vida se entrelace com a de Dimitri e com a história da própria cidade, enquanto guerras, medos e perseguições começam a dividir o seu povo.
Tessalonica, 2007. Um jovem anglo-grego ouve a história de vida dos seus avós e, pela primeira vez, apercebe-se de que tem uma decisão a tomar. Durante muitas décadas, os seus avós foram os guardiões das memórias e dos tesouros das pessoas que foram forçadas a abandonar a cidade. Será que está na altura de ele assumir esse papel e fazer daquela cidade a sua casa?



ATENÇÃO: 
Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 4 de Agosto. 
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos. 
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas). 
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail. 
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nos exemplares enviados.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Romance na Toscana, de Elizabeth Adler

Romance na Toscana
de Elizabeth Adler

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 336
Editor: Quinta Essência
Resumo:
Sinta a magia do Verão na Toscana neste fantástico romance
Gemma Jericho é uma médica nova-iorquina a braços com uma filha adolescente que não lhe dá um minuto de descanso e uma mão que se preocupa com o facto de ela não ter vida própria. Por isso, quando a mãe, Nonna, recebe uma carta informando-a de que recebeu uma misteriosa herança na Toscana, Gemma, a donzela de gelo, arrisca: as três deixam para trás as precauções e partem para Itália em busca de um sonho e de uma nova vida.
Mas o que as três encontram no paraíso da Toscana não é exactamente o que haviam sonhado. Afinal, a herança de Nonna, uma bela villa a necessitar de obras, pode pertencer a um americano, Ben Raphael. Entre Gemma e Ben surge de imediato uma forte atracção, mas a relação amorosa é abalada pela intensa disputa imobiliária.
Será o amor de ambos suficientemente forte para resistir a todas as provações? Ou prevalecerá a força dos laços que ligam Gemma, Nonna e Livvie? Gemma terá de escolher entre o homem que ama e a herança da família. E a sua vida nunca mais será a mesma...
Romance na Toscana é uma história de amor arrebatadora, marcada pela beleza daquela região italiana, onde, afinal, todos os sonhos são possíveis.

Rating: 3/5
Comentário: Há livros dos quais se gosta muito, há outros em que os odiamos, há os casos em que temos uma relação mútua e por fim, surgem aqueles dos quais nem sabemos muito bem onde os localizar na nossa escala "De Amor ao Ódio".

Para mim, "Romance na Toscana" de Elizabeth Adler encontra-se nesta última categoria. Começando pela contextualização, quem me conhece e nos acompanha há um tempo sabe que vibro com literatura de viagens. Itália é e sempre foi um dos meus destinos de sonho, e ainda mais quando apelamos à cultura histórica, gastronómica e da terra. Quase todos os livros que abordam a referência ao território em causa sabem que têm de apelar pelos sentidos, especialmente pela capacidade visual e do paladar (que nunca sentimos mas está sempre presente).
Passando-se numa localidade mais pequena, esses sintomas aprimoram-se e ganham novas formas, onde existe uma amabilidade imensa, uma força de um povo e a bondade de uma geração que não esquece o poder da amizade, até mesmo com o desconhecido.
Quanto às personagens principais, as três mulheres desta obra criam-nos a oportunidade de nos rirmos. Gemma é aquela mulher forte e independente que perante o sexo masculino só se mete em alhadas, conseguindo sair delas com muito estilo.  É uma mulher danificada pela vida e por algo que a atormenta e lhe faz colocar em causa que possa voltar a ser feliz. A mãe e filha conseguem levá-la à loucura mas são em última instância o seu suporte emocional. Não deixam por isso de ser uma irmandade e é impossível não lhes achar piada nas inúmeras idas às compras, nos desabafos mãe/filha (seja qual delas for), no revirar dos olhos constante e nos abraços dos momentos necessários.
Ben é um homem interessante, que sabe despertar atenções e irá criar confusões ao nível da vivência da aldeia apenas pela sua presença. O que torna tudo muito mais divertido, atendendo que a sua presença por aquela região já vem a ser recorrente.
Adoro as descrições de cidade e localidades, de pessoas e de momentos, em que se inspira e vive Itália no seu esplendor. Cada canto tem a sua história e cada palavra hospitaleira conta parte dos seus momentos, que se encontram registado por todas as paredes e terras dos lugares.
Por tudo isto poderia ficar a adorar o livro, mas surgem aqui algumas coisas que por vezes me provocaram comichões irritantes. Como sabem, não sou muito fã de romances femininos, e é-me difícil ser cativada por um. Uma coisa que me fez confusão foram as passagens de ponto de vista, que até aprecio porque contribuem para enriquecer a narrativa, mas as constantes passagens da 1ª para a 3ª pessoa tornavam-se irritantes, e relegavam Ben para uma categoria secundária. Por outro lado, alguns desfechos foram previsíveis, desnecessários e algo despropositados para mim, como a cena da prisão, que só me fez revirar os olhos ou a história que envolveu a mãe de Gemma. As cenas mais íntimas, se necessárias, por vezes acabaram por roubar espaço à construção da relação de Gemma e Ben que tanto se conhecem como de repente estão caídos nos braços um do outro. Para mim, faltou ali algo que não permitiu resultar até ao fim. De qualquer forma, o resto que descrevi inicialmente permitiu compor uma história bonita, com  um nível de entretenimento assegurado, e desta forma, umas horas bem passadas (ainda que por vezes me apetecesse fechar o livro).

  • Aconselha-se a quem gosta dos restantes livros de Elizabeth Adler, de Dorothy Koomson e outros autores do género.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.