sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Opinião: O Livro dos Mosquetes, de Emílio Miranda

O Livro dos Mosquetes
de Emílio Miranda
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 368
Editor: Saída de Emergência
Resumo:
Em pleno século XVI, quando o Império Português atingia o seu auge, um junco com marinheiros portugueses naufraga numa praia desconhecida. Sem o saberem, acabam de confirmar a existência de uma terra que só existia nas lendas: a Terra do Sol Nascente, o Japão. Deste inesperado contacto resulta a descoberta de um mundo tão diferente que parece arrancado dos sonhos: um mundo ordeiro e magnificamente belo, habitado por um povo cujos guerreiros - os samurais - superam em dignidade e crueldade, tudo quanto os portugueses haviam visto até então.
Depois do junco português ser reparado, parte de novo para o Mar da China. Mas nada voltará a ser igual, nem para os marinheiros que partem com a notícia para o rei português, nem para João Boavida, o marinheiro que, apaixonado pelo Japão e por uma misteriosa mulher, decide ficar.
Mas a maior mudança será para a própria Terra do Sol Nascente que, enfeitiçada pelos mosquetes que os portugueses trazem, nunca mais será a mesma.

Rating: 3,8/5 (desculpem mas 4 é muito alto e 3,5 é muito baixo!)


Comentário:
Gostaria de começar por dizer que a minha única e grande crítica a este livro vai para o diálogo. E digo-o porque este tem alturas em que passa de fluído e natural para autênticas lições de história, o que o torna não necessariamente massador e mas sim irrealista. 
Sei que na altura as pessoas eram mais instruídas que hoje, ora se a memória não me falta houve um jesuíta italiano que levou para a China mais de 50 livros dentro da sua cabeça, completamente memorizados e chegando lá os escreveu. Com isto quero dizer, que havia um certo nível de excelência que era requisitado às pessoas que se faziam ao mar com o intuito de descobrir mais sobre os povos. No entanto, João dá-nos a entender que, e apesar de ter sido educado pelo tio que era padre, recebeu uma educação muito superior ao normal. Esta educação acaba por não incluir, necessariamente, uma educação religiosa mas lhe dá capacidade para falar e dar opinião sobre vários temas, que talvez fossem de difícil compreensão para um português normal. Assim sendo, pareceu-me um pouco irrealista quando ele começa a explicar tudo, em japonês, à sua amada quando ela lhe faz perguntas.
De resto, o livro é genial, é um livro de época que faz justiça à cultura japonesa e mesmo as falas dos mesmos, estando em português, tem os seus maneirismos, como o "né", tornando-as mais realistas. Toda a atmosfera foi também muito bem descrita e creio que o povo foi capturado na sua essência. Algo que é raro encontrar, visto que os autores tendem a fantasiar as culturas orientais conferindo-lhes uma certa magia e encantando, perpetuando com isso estereótipos.
A verdade é que os portugueses foram os primeiros ocidentais a chegar ao Japão e na realidade, este ano fazem 450 anos desde a chegada dos portugueses ao porto de Kochinotsu. Foi por isso uma grande sorte este livro ter sido lançado este ano, foi na realidade, talvez o ano ideal e fico muito feliz de o ter lido nesta data tão especial.
Apesar de todo o romance em torno de João Boavida ser especulativo a verdade é que foi muito bem encaixado no contexto histórico e é deveras realista. Tenho que felicitar o autor pela sua pesquisa que sem dúvida deve ter sido intensiva e pela sua prosa que tão bem misturou romance e factos. Um livro que sem dúvida despertará a atenção dos curiosos em relação ao oriente.
Por curiosidade acabo este comentário com uma foto das celebrações dos 450 anos da "nossa" chegada ao porto de Kochinotsu. Nesta foto os japoneses vestem trajes típicos e carregam espingardas japonesas, que deduzo sejam de época.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Atenção Escritores: Colectânea "Beijos de Bicos"

Mais uma colectânea Encruzilhados! Há que pegar nas penas e começar a escrever! Boa sorte a todos.

A Pastelaria Studios Editora volta a apostar na divulgação de Novos Autores.
Consideramos que melhor forma de vos dar a conhecer é publicar os vossos trabalhos e divulgá-los, nos nossos meios de divulgação.
Por isso criamos as nossas (já famosas) Colectâneas.
O nosso trabalho vai crescendo, evoluindo e aperfeiçoando.
Queremos mostrar o vosso trabalho, mesmo que nos dê muitíssimo trabalho!
E a pedido de tanta gente, aqui vai o tema tão solicitado – O AMOR - em todas as suas formas, vivências e definições – tudo o que seja amor!
O Lançamento será no pino do Inverno, quando já nos apetece enrolarmos-nos em mantas, junto a lareiras de fogo brilhante.


Regulamento :
  • Envio do pequeno conto, em formato Word, para pastelarialivros@gmail.com até dia 30 de Novembro de 2012;
  • O tamanho da história: até 10 folhas (páginas) A4;
  • O vosso manuscrito deverá ser enviado num ficheiro word, com letra times new roman, tamanho 12pts;
  • A história deverá estar devidamente identificada;
  • Qualquer pessoa poderá participar, obedecendo ao tema sugerido;
  • A participação não obriga a nenhum compromisso monetário, por parte dos Autores, ou seja os autores participam gratuitamente;
  • Os Autores podem adquirir os exemplares que desejarem (com desconto de autor);
  • Todos os passos, até à publicação da obra, serão partilhados com os participantes seleccionados;
  • Tal como de costume todos os manuscritos que não obedeçam ao regulamento, não serão considerados.
Queremos ouvir os vossos “Beijos de Bicos”! Bom trabalho!

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Atenção Escritores: Colectânea "Lugares e Palavras de Natal"

Olá, olá Encruzilhados!
Voltamos a chamar escritores, desta feita para uma colectânea de contos de natal, a editar pela Lugar da Palavra Editora. Podem consultar o regulamento completo aqui mas aqui fica o essencial do mesmo:

1. O prazo inscrição para participação na coletânea LUGARES E PALAVRAS DE NATAL e envio de textos decorre até 15 de outubro de 2012.

2. Os textos devem ser enviados em suporte informático (tipo word) e remetidos para editora@lugardapalavra.pt.

3. Serão admitidos textos do género lírico (poemas) e narrativo (contos). 

4. Cada autor poderá participar com um ou vários textos, que pode(m) ocupar entre um mínimo de duas páginas e um máximo de três, sendo que cada página corresponde a um conjunto de 1700 caracteres (incluindo espaços) ou 1400 caracteres (sem espaços), para os contos, ou 30 linhas de verso (incluindo espaços de transição de estrofe e eventuais versos demasiadamente longos). 

5. A ordem de publicação obedecerá a um critério a definir, posteriormente, pela organização. 

6. Os autores podem utilizar pseudónimo, embora sejam obrigados a identificar-se e o seu nome ser incluído na breve biografia a constar do livro. 

7. Os autores devem enviar uma curta nota biográfica, que será publicada, com um máximo de 600 caracteres, incluindo espaços.

O tempo não é muito caros escritores! Mas com vontade tudo é possível!
Deixamos-vos umas palavras da coordenadora do projecto, a Sr.ª Maria Eugénia Ponte:

Lugares e Palavras de Natal
Coletânea de poemas e contos 2012 
A Lugar da Palavra Editora quer editar um livro memorável para este Natal.
E gostaria de contar consigo!
Participe!
Muito OBRIGADA, cumprimentos,
Maria Eugénia Ponte

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Resultado Passatempo: Antes do Futuro

Bom tarde caros Encruzilhados!

E depois da novidade fantástica que foi o nosso passatempo, em parceria com a Editorial Presença está na altura de revelar o resultado.
Após uma fantástica participação por parte de quem nos segue e lê frequentemente, chegámos ao vencedor, que receberá um exemplar do livro Antes do Futuro, da Editorial Presença!
Se ainda não tiver sido desta, teremos novidades em breve, por isso estejam atentos! 
Dito isto, o vencedor é: 

 44 - Joana [...] Ferreira, do Porto

Parabéns! Receberá em breve um email para confirmação dos dados submetidos no formulário. Boa terça-feira para todos e boas leituras!

Opinião: O Segredo de Sophia, de Susanna Kearley


O Segredo de Sophia,
de Susanna Kearley
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 512
Editor: Edições ASA

Resumo:
Carrie McClelland é uma escritora de sucesso a braços com o pior inimigo de qualquer artista: um bloqueio criativo. Em busca de inspiração, ela decide mudar de cenário e visitar a Escócia, onde se apaixona pelas belas paisagens e pelo Castelo de Slain, um lugar em ruínas que lhe transmite uma inexplicável sensação de pertença e bem-estar. Tudo parece atraí-la para aquele lugar, até mesmo o seu coração, que vacila sempre que encontra Graham Keith, um homem que acaba de conhecer mas lhe é, também, estranhamente familiar. Com o castelo como cenário e uma das suas antepassadas - Sophia - como heroína, Carrie começa o seu novo romance. E rapidamente dá por si a escrever com uma rapidez invulgar e com um imaginário tão intrigante que a leva a perguntar-se se estará a lidar apenas com a sua imaginação. Será a "sua" Sophia tão ficcional como ela pensa? À medida que a sua escrita ganha vida própria, as memórias de Sophia transportam Carrie para as intrigas do século XVIII e para uma incrível história de amor perdida no tempo. Depois de três séculos de esquecimento, o "segredo de Sophia" tem de ser revelado.

Rating: 4/5

Comentário: Antes sequer de entrar pelo enredo, não posso deixar de referir esta capa. Embora para algumas pessoas possa parecer algo apagada pela escolha de cores claras, eu considero-a harmónica e foi um dos motivos pelos quais me apaixonei por este livro primeiramente. Transmite uma certa delicadeza que cativa e a própria imagem meio apagada da rapariga, mas com um olhar atento e desafiador, consegue sem dúvida agarrar-nos a atenção.
E agarrar-nos a atenção é algo que "O Segredo de Sophia" consegue fazer desde a primeira página, sem sombra de dúvida.
Carrie é uma mulher que vive assombrada pelos seus personagens, e não o digo num mau sentido. Não sei se têm amigos escritores, mas é bastante comum que as suas personagens passem mais tempo convosco do que eles mesmos, por vezes.  Ou que demos por nós a falar de personagens como se fossem um amigo conhecido. Para quem não está habituado pode parecer estranho, mas é a mais plena verdade que as personagens de um escritor por vezes ganham vida própria e são elas que comandam a própria estória, no qual quem as escreve não passa de um mero intermediário para as fazer chegar à luz do dia. A Catarina que vos diga a quantidade de vezes que temos conversa deste género. O que por sua vez tornou bastante engraçado o início deste livro para mim, dado que me identifiquei bastante com o que estava a ler. E se não me era estranho para mim, muito menos o era para Carrie e para a sua melhor amiga e agente. O que ela não esperava era que Slain lhe apresentasse uma composição diferente e que algumas personagens acabassem por ser mais reais do que outras...
Não quero entrar muito no enredo, como já vem sendo habitual nas minhas opiniões, mas não posso deixar de referir que este é um livro adorável. Achei piada ao conceito do livro dentro do livro e de ir realmente acompanhando a vida de Sophia e de todos os que a rodeiam. Certamente, tornou todo o livro mais rico e interessante. No entanto, e exactamente devido ao enfoque atribuído ao livro, a vivência de Carrie perdeu-se ao ponto dela se tornar uma personagem secundária. Não sei se esta foi a intenção inicial de Susanna, mas se assim o era não haveria necessidade de criar pequenas peças de um enredo a explorar, como a relação dela coma família Keith, que acaba por ser feita muito pela rama. A própria relação dela com a amiga e confidente perde-se e conclui-se em três rápidos momentos do livro. Todas as vezes que nos deparamos com Carrie, ou está a dormir sobre uma mesa, ou a conversar à porta de casa com alguém ou à procura de moedas para manter a electricidade.. No fim, acho que gostava de a ter conhecido, o que não me parece que o tenha feito; assim como gostava que tivesse sido mais explicado o motivo e o porquê de ter decorrido o que a fez chegar tão perto da sua personagem...
Concentrando-de então em Sophia e nessa segunda parte da história, apesar do enquadramento da estória e da própria sinopse o apresentar como um romance histórico, para mim enquadra-se mais num romance de época. A abordagem às questões históricas que estruturam acção acabam por se resumir a pequenos momentos, sendo que é a personagem feminina, a sua vida e as relações pessoais que possui aquelas nas quais a maior parte do livro se centra. Sophia não é uma personagem marcante, mas a sua doçura acaba por se alastrar até nós. Os seus sonhos e desejos, apesar de adaptados à época, podem em última instância ser considerados intemporais. Fiquei contente com o fim dela, sendo que até às últimas 30 páginas não achei possível que o enredo nos levasse naquela direcção.
No fundo, não vos consigo dizer claramente porque gostei deste livro. As pequenas falhas ao longo na narração assim como as partes omissas acabam por não ser essenciais para a narrativa, dado que esta personagem acaba por demarcar-se e centrar a nossa atenção nela. Talvez esse seja o verdadeiro segredo de Sophia. Adorei lê-lo e certamente que irei voltar a fazê-lo no futuro.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.