segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Opinião: A Resistência, de Gemma Malley

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
A Resistência é a obra que vem dar continuidade a O Pacto - o Crime de Ter Nascido, que a Presença publicou também nesta coleção. Continuamos no ano de 2140. A imortalidade foi alcançada, mas à custa de renunciar à descendência, através de um compromisso, o Pacto. Peter e Anna são dois Excedentes, duas crianças que não deviam ter nascido. Peter recebe a missão de desvendar o que se passa no programa secreto de Longevidade e é então que descobre uma verdade aterradora que o fará questionar tudo aquilo em que sempre acreditou. (Podem ler um excerto do livro aqui e podem ver o livro no site da editora clicando no nome do mesmo)
Rating: 4/5
Comentário: 
(Spoilers do primeiro volume)
Depois da aventura mirabolante na qual Peter e Anna conquistaram o seu direito a viver de uma maneira bastante dolorosa, o jovem casal casal enfrenta agora os olhares de um mundo que está envelhecido e que teme tudo o que é novo.
Encarregados de educar e criar o irmão mais novo de Anna, Peter decide enfrentar o seu avó, criador dos produtos de Longevidade e tentar descobrir o que se passa ao certo dentro do programa enquanto ganha dinheiro para os sustentar. Já Anna tem de lidar com uma escolha que até aí lhe parecia completamente impensável.
No mesmo tom de voz cruel e esperançoso com o qual escreveu O Pacto, Gemma Malley traz-nos agora A Resistência, um livro que vai abordar o grupo de resistentes que não tomam os comprimidos de Longevidade e que está contra o mesmos. Este é um livro também que falará de resistência pessoal e do que fazemos quando a tentação nos bate à porta. Afinal, quem não gostaria de viver para sempre? E para mais, livre de doença? Tudo só por assinar um papel a dizer que jamais se teria filhos.
Mas a teoria é muita bonita quando não há uma verdadeira opção, enquanto estavam presos, Anna e Peter sabiam o que queriam mas agora que a opção é verdadeira, que eles podem mesmo escolher será que esta se mantém? Além do mais, o jovem casal vai enfrentar vários problemas e até re-encontrar antigas personagens assim como novas. Diferentes pontos de vista lutam para chegar a um equilíbrio neste livro e a verdade, é que a vida de Anna e Peter nunca mais será a mesma.
Tal como o primeiro livro, este livro é uma leitura compulsiva, sendo quase impossível de pousar (mais uma vez fazendo jus ao nome da colecção) e à medida que as peças se vão encaixando o leitor quer saber o final desta história e como todo o problema se irá resolver.
Creio que esta saga é, como maior parte das distopias, uma óptima saga para obrigar as pessoas a pensar, discutir e partilhar ideias. Afinal, quem não gostaria de ser imortal? Mas será que isso está correcto? Impedir novas gerações de nascer e matar lentamente o planeta? Até que ponto seria a população sustentável? Será que passado uns anos, até os Imortais teriam de começar a desaparecer por já não haver comida e aquecimento?
O planeta Terra é limitado, não durará eternamente mas todos podemos fazer um esforço para tentar mantê-lo o máximo possível. No Pacto descobrimos através de Anna que até mesmo os Imortais estão sujeitos a senhas de racionamento para comida, gás, combustível, etc. O mundo está a acabar mas terá a Longevidade a ver com isso? Apesar de viverem para sempre, estes Imortais não são novos para sempre, muitos já não podem trabalhar, as poucas pessoas que podem trabalhar são jovens, filhos de altos cargos do governo, que ainda estão autorizados a ter filhos. Estes jovens não conseguirão sozinhos, manter o planeta ou manter os Imortais, parte destes jovens, são Peter, Anna, os resistentes e os excedentes.
Assustador, real e genial, A Resistência acaba por ser melhor que o primeiro volume, onde o enredo era previsível, e cresce um pouco mais dando pequenas twists no enredo e tornando as coisas menos preto e branca e mais cinzentas. Para completar esta trilogia temos o livro The Legacy, que ainda não saiu em Portugal e que, espero eu, nos mostre as consequências desastrosas da Longevidade.
Um livro que sem dúvida recomendo aos amantes de distopias.

  • Desta trilogia lemos o volume um : O Pacto - o Crime de Ter Nascido ;
  • De momento o terceiro e último volume ainda não foi publicado(22/10/2012) ;
  • Da colecção "Noites Claras" já lemos os seguintes volumes.

sábado, 20 de outubro de 2012

Apanhados a ler livros de menina!

Hoje enquanto navegava no meu feed do GoodReads, entrei no perfil da escritora Shannon Hale, autora do livro Academia de Princesas, após ter lido o título "Concurso Fotográfico: Rapazes a lerem livros de raparigas!". Piscando os olhos intrigada, tive, obviamente, de descobrir o que se estava a passar. Clicando com o rato no link fui levada até uma página no blog da autora onde esta mostrava vários rapazes a lerem livros de raparigas e alguns deles liam mesmo livros da autora! Incluindo a sequela do livro Academia de Princesas, Palácio de Pedra (traduzido literalmente).
Achei imensa piada à ideia e apesar de serem fotos de pose não deixam de estar bastante engraçadas. Assim sendo quero deixar-vos aqui algumas para que possam como eu, sorrir em face desta ideia.

de 
Academia de Princesas: Palácio de Pedra, de Shannon Hale
As Mulherzilhas, de Louise May Alcott
As Serviçais. Academia de Princesas. Ella Encantada. Ramona, the Pest.
Para verem mais fotos deste passatempo cliquem aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Evento: Sveva Casati Modignani dá autógrafos na Bulhosa de Oeiras

Boas novas Encruzilhados!
Portugal parece estar na moda para a vinda de autores estrangeiros (e não estava já na altura mesmo?)
Desta vez, é a escritora italiana Sveva Casati Modignani que vai estar, já este domingo, 21 de outubro, às 11h30, na Bulhosa de Oeiras para uma sessão de autógrafos, aproveitando o lançamento do seu mais recente romance com a chancela da Porto Editora, Um Dia Naquele Inverno
Por isso, peguem nos vossos livros, e vão em busca da vossa edição autografada.

Opinião: Os Cães não Dançam Ballet, de Anna Kemp

Os Cães não Dançam Ballet
de Anna Kemp com ilustrações de Sara Ogilvie
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 32
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
Este cão não é como os outros: não faz coisas de cão, como fazer chichi nos postes, coçar-se ou beber água da sanita. Não, este cão gosta do luar, de música e de dançar na ponta dos pés. Este cão pensa que não é um cão, mas sim uma bailarina. Um livro fabuloso e engraçado sobre um cão pequeno com uma grande personalidade e sonhos ainda maiores.

Rating: 4/5

Comentário:
Apesar de adorar a dupla que realizou o livro Mamã Maravilha, Orianne Lallemand  e Elen Lescoat, tenho de confessar a dupla Anna Kemp e Sara Ogilvie é, de momento, a minha favorita. A diferença entre as duplas é óbvia, pois enquanto Lallemand e Lescoat escrevem e ilustram livros para "se lerem aos filhos", Kemp e Ogilvie criam livros para "se ler com os filhos" ou para as crianças lerem sozinhas. São livros mais complexos e com uma história mais "composta".
Começando pelo material utilizado na confeção da capa e das folhas do livro, que é igual ao do livro Uma Pior Princesa, este livro está replecto de cores cuidadosamente escolhidas e é acompanhado de uma história sobre coragem e persistência para correr atrás dos nossos sonhos.
 Há medida que fui crescendo fui encontrando cada vez mais pessoas contra os contos de fadas, pessoas que me disseram abertamente que essas histórias eram estúpidas pois enchiam a cabeça das crianças com noções e ideias que já não se adaptavam ao mundo de hoje. Ainda o ano passado encontrei três crianças que nunca tinham ouvido a história do Patinho Feio, o sorriso no rosto das mesmas quando acabei de lhes contar a história foi algo que nunca esquecerei.
Talvez a tradição oral se perda, talvez hoje em dia os pais não tenham tempo para contar histórias e os avós estejam demasiado ocupados mas existirão sempre livros que terão o maior prazer em nos revelar estas histórias se os deixarmos.
Assim sendo, este livro acaba por se revelar um resistente à tendência de deixar a magia para trás. E pode ser considerado um dois em um, pois além de agradável à vista tem uma lição poderosa no seu interior. A tradução está bem feita, mal se dá por ela, como se o livro tivesse sido escrito em português. Toda a aventura de Biff e da sua dona é divertida e infantil mas consegue colocar um sorriso no rosto de qualquer pessoa, porque e sejamos sinceros, onde já se viu um cão de tutu a dançar ballet? Mas Biff está disposto a agarrar a oportunidade de se mostrar, cativar uma audiência e seguir o seu sonho, mesmo após várias respostas negativas.
Este é um livro que sem dúvida cativará adultos e crianças e fará a hora "da leitura do conto" muito mais divertida. Por fim, leva umas sólidas quatro estrelas, dando razão às pessoas que fizeram deste livro um bestsller internacional.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Livraria flutuante

Como os nossos caros leitores sabem, normalmente água e livros não são uma boa mistura. Isto posso-vos eu confirmar visto que uma vez uma irmã minha se esqueceu de um livro meu à chuva e eu tive de o secar página a página e mesmo assim ele nunca mais foi o mesmo. 
No entanto, isso não impede a Logos Hope de ser a maior livraria flutuante do mundo. Carregando mais de 5000 livros e medido mais de 430 pés de comprimento, a Logos Hope é gerida por uma organização de caridade alemãe tem como missão levar livros e educação por todo o mundo.
Nos últimos 8 anos, a Logos Hope visitou mais de 42 países ficando por várias semana em cada porto, permitindo que a sua tripulação faça trabalho voluntário e que várias pessoas o visitem (o navio suporta até 450 visitantes de cada vez).
Parte da missão deste navio é levar livros a preços muito baixos a países onde estes não sejam fáceis de arranjar, mas providenciar livros (abaixo de preço de custo) para bibliotecas escolares, orfanatos e outras organizações solidárias.
Desde 2004 o Logos Hope distribuiu mais de 3 milhões de livros e teve mias de 2,5 milhões de visitantes a bordo. De momento está no porto de Subic Bay, nas Filipinas e a 30 de Novembro navegará até Hong Kong onde ficará por um mês.
Podem ver mais fotos abaixo e ver os próximos portos do Logos Hope clicando aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.