Rating: 2/5
Comentário:
Ganhei este livro num passatempo e fiquei tão feliz na altura. A capa é apelativa, como aliás têm sido todas as das Edições ASA ultimamente, e tinha ouvido excelentes críticas ao mesmo.
Devo dizer que ao longo da leitura fui sempre sentindo uma certa familiaridade, que só consegui identificar já o livro ia a meio, o que explicarei depois.
À Procura de Alaska relata vivências de adolescentes e o mundo das experimentações. Do primeiro cigarro, do primeiro amor, da primeira experiência sexual, do constante consolo do álcool, misturado com uma dose de ingenuidade e inquietação típica de quem está a crescer e não sabe bem para onde.
Miles encontra no novo colégio interno uma certa integração que nunca antes tinha conhecido e como tal deixa-se levar pelas tentações apresentadas por novos amigos, que o são realmente, mas de uma forma muito peculiar.
Na verdade, este colégio privado assemelha-se a algo muito estranho, dado que seria supostamente uma escola de e para elites mas depois é muito parca em instalações e condições oferecidas aos estudantes. A própria estrutura da escola poderia ter sido mais explorada, a meu ver, já que enriqueceria a estória e ficaria bastante mais satisfeita.
No fundo, não existe propriamente um conteúdo, ou real objectivo no enredo, transmitindo-se mais através do discorrer de factos e momentos que compõem este enigma que é Alaska e a atenção que despertou sobre Miles.
O climax não é muito inesperado, a própria estrutura da obra para um leitor mais atento denuncia o que se passará em diante, apesar que de certo modo, continuarmos à espera de um factor surpresa que crie uma dinâmica contrária à esperada.
É aqui que entra a familiariedade. Apesar de uma estória diferente, com uma abordagem muito mais leve e despretensiosa, reparei a meio que encontrava alguns elementos de ligação entre
À Procura de Alaska e
A Lua de Joana, de Maria Teresa Maia Gonzalez. Antes que se escandalizem e critiquem já esta opinião, deixo claro que não são as obras que são parecidas, é a interligação dos discursos, da motivação da descoberta do mistério da vida, dos riscos despendidos sem preocupações inerentes, que me fizeram sentir num universo que de alguma forma se poderia interligar com o outro. É certo que John Green apresenta personagens com uma maior dimensão e peculiaridade, é certo que consegue ter pequenos elementos de diversão pelo meio e que também se lê bem e rapidamente. No entanto, e porque gostei de
A Lua de Joana na altura, acho que teria achado mais engraçado aqui há uns 5/6 anos atrás. Para o corrente e contínuo fluxo de admiração despendido com a obra, esperava algo mais.