segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Resultado do Passatempo: "O Tempo dos Milagres"


Bom dia caros Encruzilhados!

E depois de mais um fantástico passatempo com a chancela da Civilização Editora está na altura de revelar o resultado.
Agradecemos a vossa participação que como sempre supera as nossas expectativas, infelizmente só pode haver um vencedor, mas como a Cláudia já anunciou teremos novidades em breve, por isso se ainda não foi desta estejam atentos!
Dito isto, o vencedor é:
 
[58] - Mónica (...) da Silva - Juncal;

Parabéns! Receberá em breve um email para confirmação dos dados submetidos no formulário. Boa terça-feira para todos e boas leituras!

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue, de Moira Young

Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Resumo:
Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina.
(Podem ler um excerto no site da Editora clicando aqui. Para verem o livro no site da editora cliquem no título ou aqui)
 
Rating: 3,5/5

Comentário: 
Assim que comecei a ler Estrada Vermelha, Estrada de Sangue arrependi-me da minha decisão. O texto tinha uma pontuação esquisita e parecia repleto de erros gramaticais e de tradução. Ao fim de dez página senti-me desesperar e pousei o livro sem saber o que fazer ao certo. Era impossível um livro ter saído com tanto erro da editora, por isso, decidi fazer uma pequena pesquisa sobre o livro. Afinal estávamos a falar de um livro que vencera um prémio, ainda para mais, o Costa Children's Book Award.
Depois de uma pequena pesquisa descobri que a Stacey, a review britânica da qual já vos falei, tinha lido o livro e lhe tinha dado 4 estrelas. Como os nossos gostos são parecidos, questionei-me sobre o que se estaria a passar. Quando li a review dela todo o problema da gramática desapareceu, apesar de talvez ser perceptível para maior parte dos leitores, eu não me apercebi que a personagem principal falava com sotaque e que o livro é uma transcrição fiel de tudo aquilo que ela pensa e diz. Quase como se um processador de texto se tivesse ligado por magia ao cérebro da heroína e registasse tudo o que esta pensa.
Quando tornei a pegar no livro, já com isto em mente, descobri que me conseguia adaptar facilmente ao texto e as coisas ao início que me pareciam abomináveis tornaram-se divertidas. Por exemplo, alguém me sabe dizer o que é um "safado auto-convencido"? Apenas mais um regionalismo da personagem creio, como toda uma vasta gama de palavreado que ela usa ao longo da história e que contribuem para uma autenticidade do ambiente.
Apesar de ser classificado como uma leitura distópica, a verdade é que Estrada Vermelha, Estrada de Sangue não segue a imagem da típica distopia controlada pelo governo, e sim algo mais vago, uma simples sociedade futurista onde o caos, mais que um poder regente, impera. Tal como o resumo diz, Saba vive uma vida "feliz" no deserto com a sua família até que um dia tudo muda.
Esta é uma história sobre a amizade e o amor entre irmãos e até onde estamos dispostos a ir para os salvar. Este amor platónico que temos aos nossos irmãos, e que partilhamos com Saba, dá-nos força para fazermos coisas que antes acharíamos impossíveis. Apesar de não ter um irmão gémeo, tenho irmãos mais novos, o que tornou a minha relação com Saba difícil, principalmente devido à maneira como ela trata Emi, a sua irmã mais nova.
Se no início tinha um pouco de receio de encontrar uma relação do estilo Katniss-Prim fiquei destroçada ao ver a maneira horrorosa como a nossa heroína tratava a irmã mais nova. Infelizmente, para mim, em termos de contextualização da história a relação tem os seus motivos de ser e eu tive que aprender a ver Saba da maneira que ela era. Afinal nenhuma personagem é perfeita, tal como as pessoas, e todas tem os seus defeitos e qualidades que as torna únicas.
Apesar de ser um livro cru e frio, não creio que seja muito mais violento que Os Jogos da Fome, poderia mesmo dizer que estão ao mesmo nível. Com uma ou outra situação mais sangrenta mas que continuam a não enojar o leitor. É um livro com muita acção sem dúvida e que, também ao contrário do habitual, não tem capítulos (o que ajuda a formar a ideia de uma acção continua), possui pequenos espaçamentos entre as cenas e está dividido em sete partes, uma para cada zona que Saba visita. Começamos em Silverlake, casa de Saba, e vamos por esse mundo fora.
Na minha opinião este livro é um bom companheiro das horas vagas e um fantástico romance de estreia de Moira Young, que este ano já lançou o segundo volume desta saga (Dust Lands) que espero que seja continuada pela Editorial Presença. Um livro que leva um sólido 3,5 na minha escala.

  • Para verem mais livros distópicos que comentamos cliquem aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gostas de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Insólito Literário II

Depois do nosso primeiro Insólito Literário tenho hoje de partilhar convosco um segundo. (Começo a achar que as professoras de Língua Portuguesa são as que mais tem para contar.)
Contou-me esta professora que no inicio do semestre pediu aos seus alunos que comprasse os livros obrigatórios, mas um em especial tinha de ser lido até Novembro, altura em que o começariam a estudar.
Como de costume para mais de metade dos alunos a mensagem entrou por um ouvido e saiu por outro. Houve no entanto uma reacção interessante e que merece ser divulgada.
Uma aluna que pediu à mãe para lhe comprar o livro teve de dizer à professora que a mãe se recusara a comprá-lo. Quando questionada do porquê da mãe se recusar a aluna respondeu o seguinte:
- Ontem quando cheguei a casa a minha mãe disse-me "Fui ver quanto custava o livro que pediste. E sabes que mais? Custa 22€! Quantas vezes estás a pensar lê-lo?" e eu respondi "Uma." ao que a minha mãe respondeu "Não vou gastar 22€ para leres o livro apenas uma vez!", por isso professora a minha mãe não me compra o livro...
E daqui que cada um de nós tire as suas conclusões. Embora verdade seja dita que maior parte dos livros que lemos, lemos apenas uma vez...

sábado, 1 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Cidades de Papel, de John Green

Cidades de Papel
de John Green
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 320
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quentin Jacobsen e Margo Roth Spiegelman são vizinhos e amigos de infância, mas há vários anos que não convivem de perto. Agora que se reencontraram, as velhas cumplicidades são reavivadas, e Margot consegue convencer Quentin a segui-la num engenhoso esquema de vingança. Mas Margot, sempre misteriosa, desaparece inesperadamente, deixando a Quentin uma série de elaboradas pistas que ele terá de descodificar se quiser alguma vez voltar a vê-la. Mas quanto mais perto Quentin está de a encontrar, mais se apercebe de que desconhece quem é verdadeiramente a enigmática Margot. Um romance entusiasmante, sobre a liberdade, o amor e o fim da adolescência.

Rating: 4/5

Comentário:
(Review da versão inglesa pois a 1/12/2012 ainda não existia em português)
Paper Towns foi o terceiro livro que li de John Green. Depois de ter lido A Culpa é das Estrelas e À Procura de Alaska, não podia deixar de ler todo o reportório deste autor fantástico.
Quando vi que a história rodava de novo à volta de um rapaz que se apaixona pela rapariga, percebi que Green não foge muitos ao tema nos seus livros. No entanto pelo título fiquei bastante curiosa para saber o que eram ao certo estas “paper towns”.
A personagem mais forte e a minha preferida deste livro é sem dúvida a rapariga, a enigmática Margo Roth Spiegelmen (apesar de a sua personalidade ser parecida em alguns aspectos com Alaska para quem já leu À Procura de Alaska), com o seu carácter aventuroso, despreocupado e carismático, que tem sempre algo em mente que não conseguimos bem compreender. Ela é o amor de Quentin Jacobsen, um rapaz simples e pouco popular, que Margo ignora desde os seus momentos de infância.
A parte que me fez gostar mais deste livro é o início, quando Margo entra pela janela do quarto do surpreendido Quentin, e o leva numa aventura genial pela noite dentro, feita de partidas hilariantes, com o objectivo de vingança aos seus “melhores” amigos.
A nossa curiosidade começa a crescer quando no dia seguinte Margo desaparece sem aparente rasto, deixando Quentin desesperado por encontrá-la.
O resto do livro vai centra-se numa “road trip”, em busca de Margo, com base numa série de pistas que Quentin acredita terem-lhe sido deixadas pela sua amada. Sempre na companhia dos seus dois melhores amigos, Ben e Radar, a viagem toma um caminho divertido, sempre com piadas cómicas por parte de Ben, outra das minhas personagens favoritas. À medida que se aproximam de Margo o conceito de “paper towns” vai tomando o seu sentido e faz-nos até refletir sobre a nossa vida real.
No entanto, na minha opinião esta viagem começa muito bem, mas acaba por se tornar um pouco aborrecida, quando parece que poucos avanços se passam e a busca de Margo não passa apena das lamúrias de Q, sobre o facto de achar que nunca mais vai encontrá-la.
No geral gostei do livro, especialmente por toda a criatividade que Green mete no conceito de “paper towns”, mas confesso que, sendo um livro deste autor, estava à espera de mais, especialmente o final, que sem revelar o que acontece, soube-me a pouco.


Soffs
Sobre a nossa convidada:

Sofs, sonhadora compulsiva, gosta de viajar por mundos novos através dos livros. Aspirante jornalista. Tem o estranho gosto pelo cheiro das páginas de um livro. Não sai de casa sem as suas leituras na mala.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

An Abundance of Katherines por John Green

An Abundance of Katherines
de John Green
Edição/reimpressão: 2008
Páginas: 229
Editor: Speak 
Resumo:
No que diz respeito a relações amorosas Colin Singleton tem uma queda por raparigas chamadas Katherine. E no que diz respeito a raparigas chamadas Katherine, o Colin está sempre a ser deixado. E das 19 vezes que namorou com Katherines foi abandonado por elas 19 vezes.
De coração partido Colin decide iniciar uma viagem sem destino para recuperar de mais uma relação falhada. E é assim que esta criança prodígio, viciada em anagramas, se apanha na estrada com dez mil dólares no seu bolso, um javali sangrento atrás de si, e um obeso melhor amigo, viciado no programa de tv "Judge Judy", mas sem uma única Katherine à vista. 
Colin está decidido a provar que o Theorem of Underlying Katherine Predictability, no qual se propõem a conseguir prever toda e qualquer relação, funciona e espera que deste modo ele o permita finalmente ganhar a rapariga dos seus sonhos... 

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Este livro foi uma prenda muito querida da minha boa amiga Cláudia que odeia que eu escreva agradecimentos nos meus comentário mas neste vai deixar porque é muito querida.

Estava curiosa em relação a John Green há já algum tempo e este livro, por ter o meu nome em inglês, tinha-me chamado particularmente a atenção. Afinal, gosto bastante de ler livros em que as personagens tem o mesmo nome que eu e imagino que não seja a única.
A história é simples, Colin tem uma particularidade em relação às raparigas com quem namora, todas se chamam Katherine. Tal como há homens que preferem morenas, Colin prefere Katherines e atenção que tem de ser com "K" senão nada feito. Todas estas Katherines acabam, infelizmente, por o deixar, e quando a décima nona Katherine o deixa, o coração de Colin não aguenta mais e este decide usar o dinheiro que ganhou em concursos para génios para fugir da sua vida.
Além da sua obsessão por Katherines, Colin é obcecado por anagramas (facto que estará presente várias vezes ao longo do livro) e por tentar encontrar lógica no mundo e nas pessoas. Decidido a provar que mais que sobre dotado, é um génio, Colin decide criar um teorema matemático que permita antecipar se uma relação amorosa vai ou não fracassar usando todas as Katherines com quem já namorou como cobaias.
É através deste teorema que vamos conhecendo as 19 namoradas de Colin e conhecemos as suas histórias. É também através destas que percebemos como Colin foi magoado e espezinhado e como nunca lutou por si. Tendo a história momentos de acção e momento mais parados que se vão contrabalançando entre o presente e as memórias de Colin em relação às suas antigas namoradas.
A escrita de Green revelou-se um pouco diferente do que aquilo que eu espera. Um pouco mais pesada que o normal em livros young adult mas ainda a bater nos limites do aceitável. Descobri também que este não é dos livros mais amados dele mas como não tenho outro livro para comparar não posso dizer se o acho melhor ou pior que os outros.
Apesar de ter gostado da história, a escrita de Green não me deixou apreciá-la na totalidade e eu fiz mesmo um enorme esforço para gostar do livro. O problema a meu ver nem está na história, e sim na maneira como por vezes é contada. A ideia com que fiquei é que Green utiliza sensações verdadeiramente americanas nos seus livros, neste temos concursos, rodtrips e caçadas. Temos pequenas terras à beira das autoestradas e corações partidos que tem de ser quebrados.
Apesar de não ser um livro que recomende vivamente não deixa de ser um livro que apreciei ler e que tenho a certeza que fará as delícias dos seus leitores.
  • Este livro ainda não está disponível em português (30/11/2012)