terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Prémio Literário Blogosfera

Bom dia Encruzilhados e Encruzilhadas!
 
Temos novidades! O Encruzilhadas Literárias juntou-se a uma iniciativa levada a cabo pelo Blog Livros e Marcadores, que dará os primeiros passos já em 2013 - Prémio Literário da Blogosfera.
 
Como se sabe, existem vários blogues, existem várias opiniões, muitas vezes até partilhadas por fóruns e grupos no facebook. No entantom, não existia uma participação conjunta mais assumida pelos vários intervenientes da Blogosfera.
 
Desta forma, procurou-se juntar o maior número de interessados em aderir a este projecto, e desta forma premiar, dentro da área da ficcção, o melhor livro do ano (nesta primeira iniciativa, referente aos editados em 2012). Estão a votos vários géneros literários, sendo que poderão contar com premiados nonas categorias do Romance, Romance Erótico, Romance Histórico, Fantástico e Policiais.
 
A primeira edição deste prémio conta com 27 blogues nacionais participantes, que desenvolvem projectos onde promovem e divulgam a sua paixão pela literatura ficcional. Pretende-se desta forma criar uma opinião mais homogénea junto dos leitores, o que ao fim ao cabo, se traduz numa sugestão de leitura mais fundamentada.

Podem aguardar por novidades em breve, ainda assim, acompanhem a evolução do processo através do Blogue do Projecto, assim como da Página do Facebook.


Rubrica: Ler devia ser proibido

"A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido. 
Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Dom Quixote e Madame Bovary.
O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram.
Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos. Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por trás das nuvens.
Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas realidades cruas.
Não, não dêem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição, violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as pessoas lêem por razões utilitárias: para compreender formulários, contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas, um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um livro para que todos se vissem magicamente transportados para outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de pirlim-pim-pim, a máquina do tempo.
Para o homem que lê, não há fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos ou manuais. Seja em filas, em metros, ou no silêncio da alcova. Ler deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores e alegrias, tantos outros sentimentos. A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano."
~ Autor desconhecido

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Opinião: Rubrica: Memórias de uma Gueixa, de Arthur Golden

Edição/reimpressão: 1999
Páginas: 488
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Quioto, anos 30. Sayuri tem olhos cor de espelho e é uma das mais famosas gueixas do Japão. Acompanha cidadãos japoneses abastados, enverga deslumbrantes quimonos de seda mas tem de pagar pela sua própria liberdade até conhecer um danna que a sustente e pague todas as suas despesas. Na sua vida, tal como na de todas as gueixas, não há lugar para o amor, mas Sayuri apaixona-se... Um romance ímpar e contagiante que demorou dez anos a escrever. 
Rating: 4/5
Comentário:
 Os agradecimentos estragaram tudo. Sim, acho que é uma bela forma de começar esta crítica!  
As Memórias de uma Gueixa começaram por ser uma pequena curiosidade desde que me foi falado. Primeiro, porque não sabia o que era uma Gueixa (e só o soube quando comecei a ler) e segundo porque continha uma mulher, lindíssima, na capa! 
Quando abri o livro e li a Nota Introdutória fiquei logo com a certeza de que este livro seria, sem dúvida, adquirido para a minha biblioteca pessoal! Pessoalmente, gosto imenso de livros que retratem a sociedade e a maneira de viver de alguém que, por norma, nunca tenha sido muito valorizado. As Gueixas, sempre foram vistas pelo aspecto e não pelo interior. Os homens nunca chegavam a conhecer verdadeiramente a mulher que se escondia por detrás de tanta maquilhagem (salvo as excepções, ou seja, mulheres que acabavam por deixar a vida de Gueixa para se juntarem com alguém). 
Como tal, era ignorado a quantidade de sofrimento, de suor, de lágrimas, de lutas e de conflitos pessoais que uma Gueixa continha desde que tinha iniciado a sua vida como criada e posteriormente o seu treino de Gueixa para se tornar uma mulher de renome. 
Neste livro, podemos ver como a vida de Sayuri não foi, de longe, uma vida fácil de se viver. Sayuri perde a família enquanto ainda é uma criança e acaba por ser vendida para se tornar Gueixa. Vê todos os seus sonhos a desmoronar e todas as suas esperanças a caírem por um precipício rochoso. 
Este livro dá-nos esperança e força para lutarmos contra tudo e todos, contra o mundo e os céus, sem que haja qualquer tipo de limites, porque não podemos viver uma vida que nos foi escrita e entregue por outrem, mas sim por nós próprios! 
Gostei imenso e aconselho a todos!


Alexandre.
Sobre o nosso convidado:

Alexandre Borges, composto por todas as letras e todos os sonhos do mundo. Gosta de atingir limites e de os ultrapassar. Atravessa mundos com os livros nas mãos e um sorriso na cara. Sites pessoais, já teve muitos, mas estes são os correntes.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Cabaz de Natal - Passatempo


Boa noite Encruzilhados e Encruzilhadas!
Como sabem, o Natal está a chegar e desta forma quisemos mimá-los com uma série de surpresas. Por aqui, não é só o Pai Natal que dá prendas, e algumas editoras, assim como autores, decidiram aliar-se a nós.

Agradecemos desde já o apoio prestado pela Quinta Essência, Lua de Papel, Chiado Editora, Casa das Letras, Porto Editora, Editorial Presença, Civilização Editora, Pastelaria Studios Editora (com o apoio do autor Vasco Ricardo), Booksmile e da autora Maria Eugénia Ponte (com um livro editado pela Lugar da Palavra).

Terão até dia 24 de Dezembro para concorrer ao nosso passatempo, respondendo às perguntas sobre os livros. Como são muitos formulários, decidimos ser facilitadoras e colocar a sinopse directamente no mesmo post de cada livro em sorteio.  ATENÇÃO: Cada livro tem o seu próprio sorteio.

Temos ainda uma pergunta bónus, que contrariamente à selecção dos livros (que serão como sempre seleccionados pelo random.org) será escolhida consoante a resposta que mais gostarmos. Esta pergunta bónus terá atribuidos uns miminhos que não serão revelados para já, mas prometemos que vão gostar. Como vão reparar, a mesma pergunta existe igualmente para todos os passatempos. O que significa que poderão responder a ela mais do que uma vez, sem prejuízo de serem excluídos - apenas para esta pergunta.

Para já, não esperem mais e saltem para os livros em sorteio:



Opinião: O Clã da Loba [A Guerra das Bruxas - Livro 1], de Maite Carranza

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 328
Resumo:
 Desde que há memória, dois clãs de bruxas, as Omar e as Odish, vivem em permanente conflito, incapazes de conciliar as suas diferenças ancestrais. Apenas uma velha profecia deixa entrever alguma esperança de no futuro a eleita conseguir unir ambas as tribos. E agora todos os sinais confirmam que a chegada dessa eleita está próxima. Quando Anaíd, uma jovem de catorze anos, acorda uma manhã e verifica que a mãe desapareceu, pensa que lhe poderá ter acontecido todo o tipo de coisas, menos que a sua mãe é uma bruxa Omar e considerada por todas aquela de que a profecia fala…
(Podem ler um excerto aqui e consultar o livro no site da editora aqui)

Rating: 3,5/5

Comentário: 
Aqui há uns tempo falei de livros que não nos sabem a nada e de livros que prometem e não cumprem. Volto a falar disso, porque quando peguei neste livro, ele tinha uma frase do estilo "O novo Harry Potter" impressa na capa. Obviamente que a Editorial Presença não manda no Financial Times, nem decide o que os críticos devem ou não dizer mas, aviso que quem for no entanto atrás de um mundo mágico do estilo Potteriano vai ficar desapontado. Não vale a pena perderem o vosso tempo com este livro. No entanto, se procurarem um mundo com magia e com uma visão mais wiccana da mesma, façam o favor de lhe pegar, este é um bom livro para isso.
Com uma visão mais tradicional da magia, dos covens e da idade de transição de "menina para mulher". O Clã da Loba é certamente uma alternativa mais fiel à ideia de bruxas tradicionais (pelo menos à ideia que eu tenho) e que surpreende pela história da origem das bruxas e pelo amor ao feminino.
Esta é uma história de magia, profecia e misticismo onde os homens não tem lugar. A magia é das mulheres, sempre lhes pertenceu e continuará a pertencer. Creio que, e devido à história da origem da magia do inicio, aparecerão alguns feiticeiros mas por enquanto nem vê-los.
Apesar de Anaíd ser um pouco chata como personagem ao início temos de nos lembrar que ela apenas tem catorze anos e que a sua mãe desapareceu do nada. Creio que há medida que cresço que vou tendo um pouco menos de paciência para personagens mais novas e tenho de me re-lembrar que já fui adolescente e que eu também já tive medos e incertas (E a quem minto? Ainda tenho!) e que estas são coisas normais da idade e portanto normais em personagens com esta idade. O caso de Anaíd foi mais complicado porque, maior parte do tempo, ela parece ser mais velha do que aquilo que é e por isso quando uma "birra" surge é sempre um pouco inesperada.
De resto, as personagens que acompanham Anaíd são variadas e temos umas mais divertidas e outras mais misteriosas que contribuem à sua maneira para a criação deste mundo mágico, onde vários clãs de bruxas habitam e esperam a realização de uma profecia que irá decidir se serão as Omar ou as Odish a sobreviverem no nosso mundo.
Quanto a termos da trama em si não foi sempre original mas foi bem desenvolvida com uma ou outra reviravolta curiosa mas, infelizmente, a grande reviravolta não foi de todo inesperada o que também me chateou a meio da leitura, pois a determinada altura já me questionava quando é que finalmente todas as personagens se aperceberiam do mesmo que eu.
No entanto como este é um género que leio muito pode ter sido completamente óbvio para mim mas não tanto para outros leitores. Mesmo assim achei que a história tinha a sua graça e fiquei com um mínimo de curiosidade para acabar a trilogia. Este é um livro que na minha opinião leva umas sólidas 3,5 estrelas.