segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Convidada a sair

Gostaria de começar o artigo de hoje dizendo que até ao momento [ainda] só fui convidada a sair de um sítio: a estação do Rossio. Porquê? Porque a Cláudia se atrasou e eu estava a pé há já bastante tempo, com um saco pesado em mãos e já não aguentava mais. Tinha de me sentar! 
Imagino que se questionem do porquê de eu ter sido convidada a sair só porque não me aguentava em pé, ora bem, tudo se deu ao facto de, cansada e sem poder aguentar mais um segundo em pé, me ter sentado nos degraus da estação, os ao lado das escadas rolantes. E pelos vistos, caso não saibam fica a informação, é proibido uma pessoa sentar-se nesses degraus, e por isso, o segurança da estação convidou-me a sair. (Podia ter-me dito que existiam bancos no primeiro piso, mas parece-me que a informação não era pertinente.)
Conto-vos esta história porque recentemente me deparei com pessoas que já foram convidadas a sair  de livrarias por estarem a ler no interior das mesmas. Devo confessar que ler em livrarias é dos maiores prazeres que tenho, especialmente quando estou à espera de alguém ou quando tenho o meu dinheiro contado e sei que apenas posso levar um livro de determinado valor comigo.
Em Portugal, a Fnac e a Bertrand tem inclusivamente, assim como a Wook parece-me, sofás para que os seus clientes se possam sentar no interior a ler confortavelmente livros que poderão ou não adquirir. Em Inglaterra a Waterstones tem no seu interior o Costa Coffe (do género Starbucks) e normalmente tem também uma área infantil onde as crianças podem brincar enquanto os pais bebem o seu café e leem os livros que poderão ou não comprar. Imaginam por isso o meu espanto ao saber que pessoas foram expulsas de livrarias por estarem a execer uma actividade que é encorajada pelas grandes cadeias.
Não pertendo defender ninguém nesta questão até porque percebo perfeitamente ambos os lados da mesma. Afinal uma livraria não é uma biblioteca e se eu for comprar um fogão ninguém me deixa usá-lo na loja para fazer uma lasanha a ver se o forno funciona. Por outro lado, se eu efectivamente vou adquirir o livro devia ter direito a ler umas páginas, afinal se for comprar o fogão também vou abrir a porta do mesmo olhar lá para dentro e ver os botões e os bicos. Em ambos os casos até me facilitam a troca se eu mudar de ideias.
Qual é a diferença entre ler um livro na livraria não gostar pousar e escolher outro, ou levar o livro para casa não gostar, tornar à livraria e pedir para trocar porque afinal já se tem um igual? Em qualquer um dos casos os meus direitos de troca estão asegurados.
Será que é tudo uma questão de sorte face ao funcionário que apanhamos de serviço? Será política das empresas? Ou será que há pessoas que simplesmente abusam do seu direito de ler nas livrarias? Que pensam disto Encruzilhados? Ah e já agora, alguma vez foram convidados a sair de algum sítio?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Opinião: A Year in the Merde - Um Ano em França, de Stephen Clarke


Edição/reimpressão: 2005
Páginas: 256
Resumo:
Uma sátira sagaz e incisiva à cultura francesa, num livro cintilante, cheio de humor, que se tornou um sucesso literário internacional!
A Year in the Merde relata a hilariante desmistificação dos lugares-comuns com que nos iludimos ao idealizar Paris e a França em geral. Os leitores que têm lido este livro não resistem ao humor que ele irradia. Nem os próprios franceses resistem às «farpas» que o autor lhes lança ironicamente. A história que Stephen Clarke nos conta começa com um jovem britânico, Paul West, que aceita uma proposta de trabalho de um empresário francês, para lançar uma cadeia de salões de chá ingleses. Fascinado pelo lado romântico de trabalhar no país do «charme», apercebe-se rapidamente de como lhe é difícil sobreviver emocionalmente às idiossincrasias dos franceses. Mesmo assim, o nosso herói sucumbe ao pitoresco daqueles tiques tão irritantes! A favor disso jogam a maneira fácil como se pode manobrar por entre a falta de espaço habitacional parisiense, quando a filha do patrão é estudante universitária e sexualmente liberalíssima! Sem esquecer a suavidade da lingerie francesa e o gosto do amour francês que ele irá provando junto das sucessivas namoradas. E já que falamos de gosto, como não se deliciar com a cuisine francesa e outras artes sofisticadas? Quando Paul, literalmente, consegue assentar os pés na terra sem escorregar, descobre o que afinal se esconde por detrás da fachada que o emérito empresário montou, fachada essa da qual Paul acaba por fazer parte... Este é sobretudo um magnífico livro para os que descobrem nele uma outra maneira de olhar o mundo.

Rating: 3,5/5

Comentário:
Meu Deus, o que foi isto? Foi o único pensamento que me ocorreu quando acabei este livro!
Este ano quando estive no Reino Unido falei com uma colega de faculdade da minha irmã que estava a ler o segundo livro desta saga, entre risos e citações a Alannah explicou-me que este livro a estava a fazer rir como nunca tinha rido de outro povo. Os franceses são mesmo doidos, dizia-me sempre que me via e eu sabia que ela estava a fazer progressos na sua leitura.
Entretanto voltei para casa e esqueci-me completamente desta saga até que por acaso ao passar pela biblioteca o encontrei numa prateleira. Divertida pensei para mim mesma que talvez fosse engraçado tentar ler este livro, o que se revelou uma óptima ideia.
Toda a história de Paul tem um cariz sarcástico, desde a sua fácil contratação até à descoberta da sua equipa de  trabalho que quer tudo menos trabalhar. Os inconvenientes que Paul encontra tão diferentes dos que espera e toda a burocracia envolvida na busca de autorizações que ele precisa para obter algo tão simples como o seu visto de trabalho dão aso a gargalhas soltas e genuínas por parte dos leitores que já se viram a mãos com os mesmos trabalhos.
Creio que a minha primeira ligação ao Paul, se não contarmos a aventura que é viver num país estrangeiro, é mesmo o facto de., como ele, ter encontrado "paredes burocráticas" que me soaram irreais e situações que chegaram a marcar a história se não do mundo, pelo menos da minha calma e pacata vida.
Assim como um dia eu descobri os britânicos e os chineses, o Paul partiu em busca dos franceses e nem tudo foi croissants e lingerie mas também nem tudo foi uma merde como o diz o título do livro.
Não vou dizer que o livro é de "descascar a rir" porque não o achei, mas achei que tinha boas tiradas de humor e que efectivamente caracterizava bem os franceses (não todos obviamente) mas os franceses e os seus costumes em geral. Tive inclusivamente a opinião de algumas pessoas que já viveram em França e que  se confessaram solidárias com Paul (quando lhes contei as desventuras deste) pois lembravam-se de ter passado por situações semelhantes.
Infelizmente no meio do seu carris satírico o livro tem também assuntos recorrentes que são um pouco nojentos, como o facto do nosso caro Paul estar sempre a pisar cocó de cão (daí o nome do livro) e de fazer questão de o referir sempre que isso acontece. Chegamos a ter Paul a desesperar com cães que fazem as suas necessidades à porta do seu prédio e de as donas não tratarem de limpar nada.
Temos também uma família portuguesa no livro com a qual o Paul interage. Foi engraçado ver o Paul a tentar dar-se com os portugueses sendo que a personagem com quem mais fala e que até gosta dele, é a matriarca da família que é porteira no prédio onde Paul vive. Nas palavras de Paul a porteira adora-o porque ele é o único que não finge que ela é inexistente e a cumprimenta sempre que a vê. A porteira e a sua família também irão ajudar Paul em algumas situações e foi giro ver a interacção entre eles.
De resto o livro tem um travo que me pareceu um pouco machista com o Paul a dormir com várias raparigas, apesar de se tentar manter fiel (embora sem sucesso) mas não é algo que seja profundamente insuportável e no fundo respeita inclusivamente a personagem britânica que o Paul é.
Um livro satírico que leva umas sólidas 3,5 estrelas.




quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Vencedores do Passatempo de Natal!


Boa noite caros Encruzilhados! 
Após uma fantástica participação por parte de quem nos segue e lê frequentemente, chegámos aos vencedores do nosso passatempo natalício!
Sem mais demoras deixamos-vos com os onze felizardos que ganharam um mimo extra do Pai Natal este ano:

  • Entrega Total - Joana [...] Lopes Frazão; 
  • Catarina, a Grande -  Ana Andreia [...] Damião;
  • Desistir Não é Opção - Raquel [...] Martins;
  • Um Dia Naquele Inverno - Clarinda [...] Henriques;
  • A Luz entre os Oceanos - Manuela Leitão;
  • Abelha Zena, a Rainha Serena - Marlene Pimenta;
  • Governo Sombra - Nuno [...] Santos;
  • O Diplomata - Dália [...] Antunes;
  • O Primeiro Amor - Daniela Pereira;
  • Princesa Poppy - Surpresa de Natal - Patrícia Dias.

Parabéns a todos os vencedores! Dentro em breve receberão um e-mail a solicitar as vossas moradas para as enviarmos para as editoras.
Quanto à segunda parte do nosso passatempo, e como sabem, tínhamos uma prenda extra para a melhor frase que completasse o nosso desafio "O Natal é...".
Podemos dizer que recebemos respostas inspiradoras, divertidas e tivemos uma grande dificuldade em escolher uma única resposta. Mesmo assim, a reposta vencedora foi a da :
  • Joana [...] Freitas Nunes

Parabéns! Ainda no espírito de partilha do natal gostaríamos de vos revelar o que é o natal para a nossa vencedora. Estas foram as palavras que ela escolheu para ilustrar esta quadra:
[O Natal é...] uma época de amor, alegria e família. O Natal é chocolates, bacalhau e aletria. O Natal é o pinheirinho, as prendas e o sapatinho. O Natal é quente e frio, debaixo do azevinho.
Quanto à prenda vamos fazer surpresa até ao fim. E só quando a vencedora a receber vos vamos revelar o que foi que a mesma ganhou!
Tornamos a agradecer todo o vosso entusiasmo e esperamos ter alegrado um pouco o vosso natal. Desejamos-vos um próspero 2013 cheio de leituras!

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Passatempo de Natal - Pack 6 - Publicações Europa-América & Truska

Para o último pack em sorteio no Passatempo de Natal, contámos com a colaboração da Publicações Europa-América e da página Trüska. A Cláudia conheceu o trabalho da Trüska no verão passado e rendeu-se aos trabalhos espectaculares, com uma originalidade totalmente portuguesa que eles inspiram. Surge agora este passatempo para que também a conheçam, porque vale a pena. O marcador para oferta é lindíssimo e existem outras variedades na página que vão mesmo querer espreitar.
O livro em sorteio é Perdida de Mo Hayder e esta colaboração com a Publicações Europa-América resulta de uma nova parceria do Encruzilhadas Literárias, pelo que irão passar a ver informação sobre a editora por aqui. Fiquem atentos. Para já, respondam às perguntas em baixo e sigam todas as regras! As respostas podem ser encontradas aqui. Façam figas e boa sorte!



Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



Passatempo de Natal - Pack 5 - Design em Branco

Este Pack N.º 5 é diferente dos outros e por causa disso, chamamos já a atenção que este é apenas para quem lê e gosta de ler em inglês. Como sabem, a Catarina está desde o início deste ano a viver em terras de Sua Majestade e descobriu algo fantástico nas bem-ditas lojas de caridade britânicas: 5 livros em segunda mão por 1 libra. Onde é que encontramos algo do género por cá? ;)
Os livros que escolhemos foram Eat, Pray, Love de Elizabeth Gilbert, Public Confessions of a Middle Age Woman, de Suw Townsend e Wrapped up in You de Carole Matthews.

A juntar a estes três livros, surge uma parceria com a página Design em Branco, que é gerida por pessoas extremamente talentosas (comprovámos pessoalmente) e que fazem trabalhos espectaculares. Sendo assim, estará em sorteio um postal ilustrado, seja numa das modalidades apresentadas ou na outra. Na imagem estão exemplos do que poderão escolher se ganharem. O vencedor só terá posteriormente de enviar uma fotografia para a página, dizer qual das versões escolheu, e esperar por receber o seu postal personalizado em casa! Façam figas e boa sorte!










Já conhecem as regras, mas nunca é demais lembrar:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 25 de Dezembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Para concorrer, deverão fazer gosto (que deverá ser público) nas páginas de Facebook de todos os parceiros deste Pack: 
4) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e os parceiros não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados
    pelos CTT nas encomendas enviadas.