sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Os Dez Mandamentos (para uma vida de leituras honestas!)

Atenção: O presente artigo é uma tradução e adaptação do artigo  "The Ten Commandments of a Righteous Readerly Life" da blogger Dr B, que pode ser lido no seu original em inglês aqui.

E à medida que o Deus da Literatura (que apesar de tudo não se parece com a J.K.Rowling) desce dos céus numa nuvem composta por livros ainda por publicar de Ken Follet, e um novo volume para aquela saga que amamos mas que acabou, ele abençoa o nosso pequeno blog deixando-nos Os Dez Mandamentos para uma vida de leituras honestas.

10. Não estragar a leitura dos outros com spoilers.
Não te compete dizer a todos como o Snape dispensou o Dumbledore no fim da Saga de Harry Potter! Terás de fechar a boca e dar aos teus amigos a hipótese de o lerem por si mesmos ou serás considerado um mau amigo.

9. Não julgues ou serás julgado!
Que aquele que nunca cometeu um pecado literário lance a primeira pedra! A tua paixão secreta por Nora Roberts (e todos os seus pseudónimos) deveria parar a tua boca de fazer comentários petulantes sobre as leituras dos outros. E mais vale admiti-lo: o teu horror por a tua mãe ter lido As Cinquenta Sombras de Grey deve-se apenas ao facto dela ter gostado, maioritariamente, das partes sexys. Por isso cresce!

8. Não é a tua missão salvar esta humanidade de leitores deles mesmos.
Os teus gostos literários são teus e apesar de teres direito a os ter, não são tão preciosos e perfeitos ao ponto de os deveres impingir a todos. Aqueles que o tentarem fazer pensando que só lêem o melhor serão considerados parolos e os outros continuarão a ler o que quiserem. 

7. Não roubarás.
Mas empréstimos a longo prazo nos quais te esqueces completamente de devolver os livros não tem problema! (Lembrem-se: aquele que nunca cometeu um pecado...) No entanto, o Deus da Literatura acrescenta: devolve sempre os livros da biblioteca a tempo e paga as tuas multas, que existem pessoas em fila de espera para ler esse livro, desgraçado! 

6. Não cobiçaras a biblioteca do teu vizinho (ou a biblioteca da mulher do teu vizinho).
Fica alegre e não invejoso dos livros dos outros. E, quem sabe, o teu vizinho pode ter uma biblioteca fantástica e emprestar-te alguns livros nos quais poderás utilizar o mandamento número 7.

5. Podes escrever nos teus livros se assim o desejares, mas não podes escrever nos livros que pediste emprestado.
Além disso, não te stresses se as pessoas tratarem os seus livros de maneira diferente. Algumas pessoas poderão escrever neles, outras poderão dobrar os cantos das páginas, outras poderão usar marcadores gigantes que deixem marcas. Como não és o Deus da Literatura, relaxa!

4. O meio não é a mensagem.
Aquela colega que tem e-redear e te aborrece dizendo sempre que não vai voltar ao papel porque assim é mais prático, pode dar cabe do teu juízo mas não merece que a trates mal. Afinal será que os mandamentos escritos em pedra parecem mais verdadeiros do que os que lês no teu iPad? (Por favor não respondas a esta pergunta retórica.). Não julgues o meio, electrónico ou não, que as pessoas usam para ler, fica sim feliz por as pessoas lerem!

3. Poderás ter outros Deuses, além de mim!
A tua paixão pela Casa dos Segredos pode fazer-te parecer menos sério que os leitores que dizem não ver televisão mas hei! há uma hipótese de seres 64% menos aborrecido nas festas se tiveres outros temas de conversa.

2. Um livro e o seu filme são duas coisas diferentes, e poderás apreciar ambos se te mentalizares disso.
Que é como quem diz, já ninguém aguenta mais os teus posts chatos (seja no blog ou no facebook) a dizer que o livro é mil vezes melhor que o filme. Além de toda a gente já o saber, só o precisas de dizer uma vez por filme. 

1. Não matarás o prazer da leitura nos outros.
Expulsarei da nossa fé aqueles que lutarem para que todos vejam os seus livros só e apenas só do seu ponto de vista. Livros são arte aberta a interpretações variadas. Todos a devem apreciar à sua maneira.

Assim será escrito. Assim será lido. Assim será feito.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Novidade: Morte com Vista para o Mar, de Pedro Garcia Rosado

Morte com Vista para o Mar
de Pedro Garcia Rosado
N. Páginas: 320
Editora: TopSeller
Lançamento: 20 de Fevereiro
Sinopse:
Nas traseiras de uma moradia isolada nas Caldas da Rainha, um professor de Direito reformado aparece morto à machadada. Patrícia, inspetora-coordenadora da Polícia Judiciária, pede ajuda ao ex-marido Gabriel Ponte, antigo inspetor da PJ, que assim regressa ao mundo da investigação criminal. Meses antes, o professor tinha contactado Patrícia, sua antiga aluna e amante, para denunciar a existência de um esquema de corrupção e de lavagem de dinheiro em torno do projeto de um empreendimento turístico gigantesco nas falésias da costa atlântica. As primeiras provas apontam para que este homicídio seja resultado de um affaire com uma mulher casada, mas poderá o professor ter sido assassinado por saber demais?

 Morte com Vista para o Mar é a primeira história de uma nova colecção e podem ler os primeiros capítulos deste novo livro clicando aqui, cortesia da TopSeller! O segundo volume da colecção Morte na Arena: Descida aos Infernos será lançado ainda este ano em Setembro.

Sobre o Autor:

Morte com Vista para o Mar é o oitavo thriller de Pedro Garcia Rosado, o primeiro de uma nova série a publicar na Topseller (chancela da 20|20 Editora), depois de Crimes Solitários, Ulianov e o Diabo, A Guerra de Gil (ed. Temas e Debates), O Clube de Macau (ed. Bertrand) A Cidade do Medo, Vermelho da Cor do Sangue e Triângulo (ed. Asa).
Escritor e tradutor profissional, Pedro Garcia Rosado elegeu o policial como o seu género de eleição, sendo o único autor português de thrillers a publicar um livro por ano na área da literatura policial. As suas narrativas vibrantes e contemporâneas têm conquistado os leitores portugueses que gostam de adrenalina e de enredos repletos de mistério e suspense. Pedro Garcia Rosado foi jornalista em O Diário, O Jornal e no Diário de Notícias, colaborador no Expresso e na Grande Reportagem(1.ª série). Foi ainda crítico de cinema no Se7e e JL.

Assistam ao lançamento deste livro dia 2 de Março às 18h no Rivoli Teatro Municipal, terceiro piso no Porto, e dia 7 de Março às 18h30m na Fnac do Chiado em Lisboa.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Fechem as bibliotecas!

Numa reviravolta jamais antecipada pela impressa, Terry Deary, o autor dos livros História Horrível, falou contra as bibliotecas na sua última entrevista ao The Guardian, dizendo que as mesmas estão a prejudicar a industria editorial e os autores.

Terry Deary, autor britânico de mais de 200 livros que venderam mais de 25 milhões de cópias em pelo menos 40 línguas, manifestou-se este mês contra as bibliotecas numa entrevista que deu ao The Guardian
Deary explica que o conceito das bibliotecas está desactualizado e a prejudicar a industrial editorial e autores. Como nos últimos 150 anos [a lei que aprovou a criação de bibliotecas no Reino Unido foi instaurada em 1850] as pessoas puderam ler livros gratuitamente, o autor acredita que as pessoas tomam esta situação como um direito adquirido, o que acaba por prejudicar editoras e autores que, obviamente, não criam os livros de forma gratuita, assim como os contribuintes que com os seus impostos ajudam a pagar as bibliotecas.
Recordando ainda que já não estamos na época Vitoriana, Deary afirma que já não temos o dever de levar a literatura às camadas mais pobres da sociedade, pois pagamos às escolas para o fazerem (creio que de deve referir aos livros de leitura obrigatória).
As pessoas tem de escolher comprar livros [afirma Deary] as pessoas comprarão alegremente um bilhete de cinema para ver o filme Matilda mas esperarão ler o livro de Roald Dahl de graça. Não faz sentido. Os livros não são propriedade pública, e os escritores não são a Enid Blyton, mulheres de classe média que tem o pequeno hobbie de escrever. Temos de ganhar a vida. Autores, livrarias e editores precisam de comer, ninguém espera que nos desloquemos a uma cantina onde nos darão comida de graça. [...] As bibliotecas não fazem nada pela indústria dos livros. Elas dão e não esperam nada de volta, enquanto as livrarias estão a vender os livros, o que acaba por pagar às editoras e aos autores, o que é o correcto. Que outros tipos de entretenimento esperamos receber gratuitamente?
O autor continua o seu discurso e podem ler a sua entrevista completa clicando aqui, mas creio que dá para se ter uma boa ideia do que ele quer dizer, visto que se repete com exemplos diferentes. Mas o que nos quer Deary dizer exactamente com esta cruzada contra as bibliotecas?
Confesso que fiquei abismada com esta entrevista, Deary é um dos mais famosos autores de livros infanto-juvenis graças à sua série História Horrível, publicada em Portugal pela Europa-América, e sem dúvida um dos que mais vende graças a esta mesma colecção. Os seus livros são divertidos e instrutivos o que é bom tanto para as crianças como para os pais que querem incentivar a leitura mas ao dispensar as bibliotecas, Deary está a colocar os seus livros fora do alcance de muitos leitores. (Eu costumo ler os livros dele requisitando-os da biblioteca de Lisboa!)
Concordo que já não estamos na época vitoriana, desculpem fãs do Steampunk mas temos de nos render às evidências, mas o que tem isso a ver com o acesso gratuito aos livros? O que de bom virá em fechar as bibliotecas e tornar os livros artigos de luxo? Porque não é isso no fundo o que fechar as bibliotecas implica, principalmente face ao preço a que os livros estão hoje em dia e à nossa conjuntura económica?
A minha mãe, leitora assídua, tem cinco filhos, todos leitores e cada um com um género de leitura favorito diferente. Segundo o senhor Deary ela não nos devia levar à biblioteca, deveria comprar todos os livros que nós lêssemos para "ajudar os escritores a comer". E atenção que contra mim falo, na opinião de Deary, porque sou escritora também. Mas a pergunta que faço é a seguinte, como era suposto a minha mãe dar-nos a todos de ler?
Claro que não lemos todos à mesma velocidade, nem lemos todos tanto, o meu irmão deve ler uns dois livros por ano, a minha irmã mais nova uns cinco por mês nas férias (ou mais, ainda o mês passado leu a saga The Iron Fae toda de uma assentada), eu uns dez livros por mês durante todo o ano.
Vamos fazer contas? São pelo menos 120 livros meus, mais 2 do meu irmão, mais 5 da minha irmã que lê romances históricos, mais 20 da minha irmã que só lê fantasia, mais 50 da minha irmã mais nova, isto dá um brilhante total de 197 livros ano (acrescentemos uns 3 para fazer número certo e porque a minha mãe também lê e compra os livros dela também). Duzentos livros por ano, vezes dezassete euros o livro (uma média, visto termos livros a mais de vinte euros e uns abaixo de quinze euros, mais aqueles que apanhamos nas promoções) dá um fantástico total de três mil e quatrocentos euros.
Alguém deveria explicar ao Sr. Deary que numa família de classe média, três mil e quatrocentos euros é um exagero para se gastar em livros por ano e que é por isso que existem as bibliotecas. Obviamente que em minha casa se compram livros, na realidade eu compro muito mais do que o que requisito mensalmente da biblioteca mas a biblioteca permite-me descobrir novos autores e ter acesso a clássicos que já não são publicados em Portugal.
A biblioteca permitiu-me, quando fiquei desempregada, poder continuar a ler e a viajar com a minha imaginação em vez de ficar deprimida a ver televisão o dia todo. A biblioteca deu-me o meu primeiro herói da adolescência, Júlio Verne e os seus fantásticos livros nos quais fui à lua e ao fundo do mar. A biblioteca, e sejamos sinceros maior parte das bibliotecas compra os livros, é no fundo também uma cliente da indústria editorial, só que depois é amiga e empresta sem exigir nada em volta (tal como os nossos amigos nos emprestam livros, pergunto-me se não serão eles a causa desta "crise editorial"?).
Num mundo onde em média cada pessoa lerá cinco livros por ano (dizem eles), não são com certeza as bibliotecas que estão a falir os autores, na realidade muitos autores são a favor de bibliotecas e alguns chegam mesmo a doar livros seus para as mesmas. Afinal as bibliotecas realizam um serviço público indispensável que é o acesso à cultura. (E qual é o escritor que não quer que os seus livros se leiam? Não é para isso que escrevemos? Para sermos lidos?)
Claro que poderemos discutir que o cinema também é cultura e que se pagam bilhetes para ir ao cinema, e contra isso não há melhor facto do que a realidade que é o aumento dos downloads ilegais de filmes. Podemos falar também, como o autor fala na sua entrevista, que ninguém requisita gratuitamente Porches ou relógios de marca, mas há um motivo pelo qual esses artigos são artigos de luxo, porque são perfeitamente dispensáveis enquanto a leitura não o é.
Na realidade podemos ficar aqui eternamente a discutir o porquê das bibliotecas serem importantes ou não, podemos mesmo discutir se Deary tem ou não razão no que está a dizer mas parece-me a mim que as bibliotecas estão para ficar e que devem ficar. Querem partilhar as vossas opiniões, Encruzilhados?

Para lerem mais opiniões sobre esta entrevista de Terry Deary, podem seguir para o BookRiot onde uma blogger respondeu à entrevista de Terry Deary apenas com gifs da Scarlett, pessoalmente achei divertido. A escritora Julia Donaldson, a terceira autora mais requisitada das bibliotecas em Inglaterra o ano passado, respondeu à entrevista de Deary também no The Guardian, dizendo que não conhecia nenhum livreiro que se queixasse que as bibliotecas lhe roubavam clientes, podem ver a sua entrevista aqui.




Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Novidade: O Leitor de Cadáveres, de Antonio Garrido


O Leitor de Cadáveres
de Antonio Garrido
Editora: Porto Editora
Tradutor: Helena Pitta
Págs: 504
Resumo:
Na antiga China, só os juízes mais sagazes atingiam o cobiçado título de «leitores de cadáveres», uma elite de legistas encarregados de punir todos os crimes, por mais irresolúveis que parecessem. Cí Song foi o primeiro.
Inspirado numa personagem real, O Leitor de Cadáveres conta a história fascinante de um jovem de origem humilde que, com paixão e determinação, passa de coveiro nos Campos da Morte de Lin’an a discípulo da prestigiada Academia Ming. Aí, invejado pelos seus métodos pioneiros e perseguido pela justiça, desperta a curiosidade do próprio imperador, que o convoca para investigar os crimes atrozes que ameaçam aniquilar a corte imperial.
Um thriller histórico absorvente, minuciosamente documentado, onde a ambição e o ódio andam de mãos dadas com o amor e a morte, na exótica e faustosa China medieval.

Podem ler as primeiras páginas do livro aqui, cortesia da Porto Editora.