quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Novidade: Da Horta Para A Mesa – Boa Comida, Boa Vida, de Cláudia Sousa Villax

Da Horta Para A Mesa – Boa Comida, Boa Vida
de Cláudia Sousa Villax
Nº Pags: 240
Editora: Casa das Letras
Resumo:
Da Horta para a Mesa - Boa Comida, Boa Vida é uma iniciação ao prazer de cultivar, colher e cozinhar os nossos próprios legumes. Um livro que nos aproxima da terra e da natureza e que nos mostra como os ingredientes naturais requerem pouco esforço para serem transformados em pratos frescos, saborosos e autênticos. Encontramos aqui dicas de como cultivar uma horta biológica de verão, ideias para tirar o máximo partido dos legumes, receitas simples, leves e deliciosas preparadas com os produtos da estação e perfeitas para os dias mais quentes. Este livro surge de um projecto em que envolve uma pequena comunidade junto de Marvão, onde desenvolveram uma horta comunitária com a venda dos produtos biológicos aos amigos e vizinhos. A família da Cláudia Villax pouco ou nada sabia sobre o trabalho de campo e foram os “residentes mais idosos” que ensinaram tudo, desde a poda as árvores, as plantação dos legumes e colheitas dos mesmos. Por sua vez, a aurora com a sua experiência de trabalho encontrou formas de promover a zona e dar a conhecer os produtos da região.

Rúbrica: Namora uma rapariga que lê!

Texto retirado do blogue "Jardim Assombrado". Os créditos originais foram deixados intactos no fim do artigo.

  "Namora uma rapariga que lê. Namora uma rapariga que gaste o dinheiro dela em livros, em vez de roupas. Ela tem problemas de arrumação porque tem demasiados livros. Namora uma rapariga que tenha uma lista de livros que quer ler, que tenha um cartão da biblioteca desde dos doze anos.
Encontra uma rapariga que lê. Vais saber que é ela, porque anda sempre com um livro por ler dentro da mala. É aquela que percorre amorosamente as estantes da livraria, aquela que dá um grito imperceptível ao encontrar o livro que queria. Vês aquela miúda com ar estranho, cheirando as páginas de um livro velho, numa loja de livros em segunda mão? É a leitora. Nunca resistem a cheirar as páginas, especialmente quando ficam amarelas.
Ela é a rapariga que lê enquanto espera no café ao fundo da rua. Se espreitares a chávena, vês que a espuma do leite ainda paira por cima, porque ela já está absorta. Perdida num mundo feito pelo autor. Senta-te. Ela pode ver-te de relance, porque a maior parte das raparigas que lêem não gostam de ser interrompidas. Pergunta-lhe se está a gostar do livro.
Oferece-lhe outra chávena de café com leite.
Diz-lhe o que realmente pensas do Murakami. Descobre se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entende que, se ela disser ter percebido o Ulisses de James Joyce, é só para soar inteligente. Pergunta-lhe se gosta da Alice ou se gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar com uma rapariga que lê. Oferece-lhe livros no dia de anos, no Natal e em datas de aniversários. Oferece-lhe palavras como presente, em poemas, em canções. Oferece-lhe Neruda, Pound, Sexton, Cummings. Deixa-a saber que tu percebes que as palavras são amor. Percebe que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade – mas, caramba, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco com o seu livro favorito. Se ela conseguir, a culpa não será tua.
Ela tem de arriscar, de alguma maneira.
Mente-lhe. Se ela compreender a sintaxe, vai perceber a tua necessidade de mentir. Atrás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. Nunca será o fim do mundo.
Desilude-a. Porque uma rapariga que lê compreende que falhar conduz sempre ao clímax. Porque essas raparigas sabem que todas as coisas chegam ao fim. Que podes sempre escrever uma sequela. Que podes começar outra vez e outra vez e continuar a ser o herói. Que na vida é suposto existir um vilão ou dois.
Porquê assustares-te com tudo o que não és? As raparigas que lêem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Excepto na saga Crepúsculo.
Se encontrares uma rapariga que leia, mantém-na perto de ti. Quando a vires acordada às duas da manhã, a chorar e a apertar um livro contra o peito, faz-lhe uma chávena de chá e abraça-a. Podes perdê-la por um par de horas, mas ela volta para ti. Falará como se as personagens do livro fossem reais, porque são mesmo, durante algum tempo.
Vais declarar-te num balão de ar quente. Ou durante um concerto de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Pelo Skype.
Vais sorrir tanto que te perguntarás por que é que o teu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito. Juntos, vão escrever a história das vossas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos ainda mais estranhos. Ela vai apresentar os vossos filhos ao Gato do Chapéu e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos da vossa velhice e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto tu sacodes a neve das tuas botas.
Namora uma rapariga que lê, porque tu mereces. Mereces uma rapariga que te pode dar a vida mais colorida que consegues imaginar. Se só lhe podes oferecer monotonia, horas requentadas e propostas mal cozinhadas, estás melhor sozinho. Mas se queres o mundo e os mundos que estão para além do mundo, então, namora uma rapariga que lê.
Ou, melhor ainda, namora uma rapariga que escreve."

(Texto de Rosemary Urquico, encontrado no blogue de Cynthia Grow. Tradução “informal” de Carla Maia de Almeida para celebrar o Dia Mundial do Livro, 23 de Abril.)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Opinião: Como Dei com o Meu Psiquiatra em Louco, de Isabel Stilwell

Como Dei com o Meu Psiquiatra em Louco
de Isabel Stilwell
Edição/reimpressão: 2000
Páginas: 118
Editor: Editorial Notícias
Resumo:
Homicídios com queijo, duelos de faca e garfo, juízes que colocam os móveis em guarda conjunta, meias que fogem para a Terra das Meias, meninas cujo o cérebro se alojou no cotovelo e mulheres que dão alvíssaras a quem lhes encontrar a alma perdida. Respire fundo e mergulhe sem medo. Vai ver que estas histórias falam de si.

Rating: 3/5

Comentário:
Apesar de nunca ter lido os romances históricos de Stilwell tenho uma boa impressão sobre a sua escrita pois costumava acompanhar os seus editoriais quando ela escrevia para o Diário de Notícias (sei que ela agora escreve para um jornal gratuito mas é raro apanha-lo!).
Por isso quando ao navegar o catalogo da biblioteca de Lisboa apanhei este livro dela pensei para comigo que sempre era mais pequeno que os romances (além do mais a Cláudia assustou-me contado que as nossas rainhas foram todas umas infelizes!) e talvez fosse uma leitura engraçada.
Como dei com o meu Psiquiatra em louco é uma colectânea de histórias um pouco doidas mas que, tal como a autora diz, falam de nós. Através de metáforas e brincadeiras com trocadilhos a autora apresenta-nos, não os maiores segredos da psique humana, mas algumas situações caricatas que nos reportam para o surrealismo da nossa realidade.
Como disse várias vezes no GoddReads à medida que actualizava o número de páginas lidas, a história a que achei mais piada foi a dos móveis em guarda conjunta. Apesar de achar que estão todas engraçadas, apesar de não serem nada do outro mundo, a dos móveis fez-me rir porque me recordou de amigos que passaram uma situação quase idêntica.
Na história de Stilwell um casal sem filhos vê o juiz colocar os seus móveis numa guarda conjunta, quinze dias em casa de um, quinze dias em casa de outro. Na vida real são os filhos que andam a passear de um lado para o outro mas será que isso dá menos trabalho que levar os móveis da esquerda para a direita?
Em resumo as histórias são engraçadas e creio que todos encontraremos uma ou outra a que acharemos mais piada. Não sei se será o pior trabalho de Stilwell mas eu esperava um pouco mais, e nisto partilho a opinião da bibliotecária que me viu requisitá-lo: Não está mau, mas esperávamos melhor.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

A Biblioteca da Escola

Quando eu era nova, algures no tempo dos dinossauros, o meu dia favorita era a sexta-feira por um motivo diferente daquele que pensam. A sexta era o meu dia favorito porque era o dia em que a minha professora primária levava a turma à biblioteca da escola.
Fechada durante o resto da semana e escondida como um segredo, a biblioteca da minha escola primária era uma sala pequena, mas tão pequena que a minha turma de vinte e poucos alunos não cabia lá toda, tendo que ir em grupos de doze.
E mesmo indo doze, entravamos na sala aos seis de cada vez, devolvíamos os livros que tínhamos levado para casa e levávamos outros. No princípio, quando a meio do primeiro período do segundo ano a professora nos levou à biblioteca pela primeira vez não podíamos levar os livros para casa. A primeira tarde era passada em leitura na sala de aula e no fim, antes de irmos para casa, devolvíamos os livros à professora.
A biblioteca era por isso um lugar para "gente crescida", os meninos do primeiro ano não podiam lá entrar e tínhamos de ter os livros bem cuidados para podermos tornar a requisitá-los. Como devem imaginar maior parte destes livros era rico em imagens e tinha pouco texto. As cores nas lombadas ajudavam-nos a ter uma melhor percepção do que íamos levar. Os livros era catalogados por anos, sabíamos que certas cores significavam livros muito avançados, algo que só os meninos do quarto ano liam.
Mas eu era corajosa e cheguei muitas vezes a requisitar livros gordos e complicados. A minha professora primária sorria e lá me deixava andar, convencida que talvez a minha mãe (que também é professora) me explicasse o que eu não percebesse ou que talvez eu guardasse as minhas dúvidas para mim.
Na realidade as histórias sempre me fascinaram e ainda hoje sou capaz de largar tudo para ouvir alguém contar uma história, seja de vida, seja inventada, seja de moral. Que posso fazer? As histórias mexem comigo.
Será por isso de estranhar que quando mudei de escola e fui para o quinto ano o primeiro local que tenha procurado tenha sido a biblioteca? Quando a encontrei lembro-me de ter ficado maravilhada, a sala era muito maior e tinha televisão e tudo, que era ligada durante os intervalos para os alunos poderem ver o Dragon Ball (única altura em que a vi cheia), era também nesta sala que anualmente era realizada a feira do livro. Esta segunda biblioteca foi a biblioteca onde requisitei o livro A História Interminável três vezes, e apesar de o ter feito, nunca o consegui acabar de ler. Até hoje não tornei a pegar nele para não quebrar a mística.
Quando troquei de escola para o oitavo ano encontrei uma biblioteca ainda maior, onde ganhei o prémio de leitora assídua e um vale para gastar na Fnac. No secundário também passei bons momentos na biblioteca quer fosse só a ler, quer fosse a pesquisar livros entre as estantes.
A única biblioteca que nada me disse foi a universitária por só ter livros de estudo. Ainda por cima como o meu curso era especial não tinham material de estudo para mim, por isso, ao contrário da turma que estudava toda lá, eu estudava em casa. Aquela era uma biblioteca que me partia o coração.
Foi algures por aí que me comecei a afastar das bibliotecas que sempre tinham estado perto do meu coração. Depois disso comecei a comprar todos os livros que lia ou a pedir emprestado a amigos e familiares, como todos sabiam que gostava de ler, ia recebendo livros nos anos e no natal e a minha pilha do para ler lá ia crescendo.
Quando fiquei desempregada tive de cortar nas minhas compras de livros, mas a vontade de ler continuava lá. Foi aqui que voltei para as bibliotecas, a medo, como se elas pudessem cheirar em mim as livrarias e me julgassem, devagarinho, sem já saber muito bem como se usa uma biblioteca, mas a Cláudia empurrou-me e puxou-me até me fazer entrar numa, até me relembrar do quanto eu amava as bibliotecas.
E sabem que mais? As bibliotecas não me julgaram, não me puseram fora e não me desiludiram. Creio que todos devíamos ter uma biblioteca perto de nós, para aqueles dias mais calmos, para aquelas alturas em que a nossa alma de se cansa e para aquecer o coração. Afinal as bibliotecas estão cheias de histórias e é para isso mesmo que as histórias servem.


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre livros e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e diz que é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Vencedor Passatempo "Depois"


Boa tarde caros Encruzilhados!

E depois de mais um fantástico passatempo com a chancela da Civilização Editora está na altura de revelar o resultado.
Agradecemos a vossa participação que como sempre supera as nossas expectativas. No entanto, desta vez tivemos  mais respostas erradas do que o habitual, pedimos que tenham mais atenção da próxima vez porque como sabem as respostas erradas anulam automaticamente a vossa participação.

Dito isto, o vencedor é:

[129] - Ângela (...) Vaz, da Póvoa do Varzim.

Parabéns! Receberá em breve um email para confirmação dos dados submetidos no formulário. Se ainda não foi desta relembramos que ainda podem entrar no passatempo "Cartas que Falam" até ao fim do mês.