segunda-feira, 11 de março de 2013

Opinião: Letal, de Sandra Brown

 
Letal
de Sandra Brown
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 456
 Resumo: Quando a filha de quatro anos lhe diz que está um homem doente no seu jardim, Honor Gillette corre a ajudá-lo. Mas esse «doente» revela ser Lee Coburn, o homem acusado de assassinar sete pessoas na noite anterior. Perigoso, desesperado e armado, ele promete a Honor que ela e a filha não irão magoar-se se ela fizer tudo o que ele lhe pedir. Honor não tem alternativa a não ser aceitar a sua palavra.
Em breve Honor descobre que nem as pessoas mais próximas de si são de confiança. Coburn afirma que o seu falecido marido possuía algo extremamente valioso que coloca Honor e a filha em perigo. Coburn está ali para levar consigo esse objeto - a qualquer custo. Dos escritórios do FBI em Washington, D.C. a um velho barco no litoral da Louisiana, Coburn e Honor fogem das pessoas que juraram protegêlos e desvendam uma teia de corrupção e depravação que os ameaça não só a eles, mas à própria sociedade.

Podem consultar o excerto das primeiras páginas aqui.

Para adquirem o vosso exemplar, passem pela livraria do Encruzilhadas no site da Leya.

Rating: 3.70/5


Comentário: 

Letal foi a minha estreia com Sandra Brown, apesar de já ter intenções de ler livros dela há muito tempo. Outras prioridades foram-se sobrepondo, como qualquer leitor com uma lista interminável de livros para ler sabe, mas a estreia deste último livro da autora em Portugal serviu como pontapé de saída para enveredar pelo mundo de crimes e suspense da autora.
Tida por muitos como uma das melhores autoras de romances policiais, onde predominam os thrillers e o suspense com uma visão feminina muito demarcada, o seu último romance tem sido referido como um dos melhores da sua autoria. Quanto a isso, não me posso pronunciar, mas foi de facto uma surpresa muito bem conseguida.
Começamos uma narrativa com um nível de acção já adiantado, de onde resulta a perseguição a um assassino em série que surge sem passado e do qual ninguém consegue saber o destino actual. O que aí se sucede, já nós conhecemos através da sinopse: insinua-se junto da família Gillette, precisando de descobrir algo na posse da viúva que o possa ajudar. Como? Só o descobriremos mais em diante. A acção encontra-se sempre ao rubro, e a entrada em cena de personagens secundárias faz por nos lembrar desse mesmo facto, já que a localização isolada da casa de Honor acaba por passar para o leitor, que se envereda nas interligações criadas entre o criminoso e a mulher e a sua filha e se esquece da caça ao homem. A introdução da menina é na verdade um dos pontos a favor para mim: nem sempre é fácil para os autores criarem personagens infantis que o sejam realmente - ou os discursos não se adequam, ou são demasiado forçados. Emily é uma miúda doce e com uma ingenuidade institiva que torna toda a narrativa mais interessante, até porque será sem dúvida um dos elementos cruciais para o desenrolar da narrativa. É fácil gostarmos dela, e torcermos pela sua segurança.
Quanto a Coburn, é uma personagem mistério que promete mais drama do que o que realmente traz à ribalta e o qual nunca ficamos a conhecer muito profundamente. Ainda assim, são as suas acções as principais promotoras dos momentos de acção e que nos deixam logo sempre ansiosos porque as consequências das mesmas geralmente só geram mais confusão. 
Desta primeira experiência com a autora, destaco a capacidade de criar um puzzle complexamente interligado, com uma série de reviravoltas completamente inesperadas. Na verdade, e sem adiantar nada que estrague a leitura, irá surgir uma personagem mistério que durante muito tempo não pensamos vir a descobrir de quem se trata, mas que inevitavelmene nos levará a fazer especulações. Não acredito que muitos acertem no desfecho da mesma, mas digo-vos que é completamente inesperado. Para assinalar destaco também a primeira reviravolta no decorrer da narrativa. Não esperava mesmo o que se passou e fiquei surpreendida, de qualquer forma a passagem do discurso para o ante/pós revelação acabou por ser algo brusco. De qualquer forma, acabou por criar elementos interessantes que nos fizeram olhar para as diversas personagens com outros olhos.

Não chega ao 4 em pontuação por dois motivos: A interligação constante entre todas as personagens saiu algo forçada. Dá-se o exemplo do elemento do FBI que partilha informação do caso que está a analisar com a mulher - acreditar-se-ia na existência de um brio que apelasse à confidencialidade e que ao encontrar-se num cargo de chefia soubesse minimamente o que estava a fazer. Numa segunda análise, e não sei se propositado ou devido à tradução, alguns momentos (principalmente os que dizem respeito a momentos de cariz sexual) trazem uma linguagem muito crua que surge completamente fora do contexto, soou-me estranha e não gostei de a ler assim. Quanto ao fim, foi apressado e com elementos desnecessários. Percebi a necessidade de criar um elemento que levasse ao final feliz, mas para isso não haveria a necessidade de incutir outro tipo de comportamentos às personagens, que às tantas pareciam sofrer se surtos bipolares. Mas foi apenas uma leve tendência. Não me arruinou a leitura, nem a surpresa, nem a curiosidade para ler o que se iria passar a seguir, de querer saber se os elementos de protecção seriam suficientes para salvar a vida de inocentes e se os criminosos seriam apanhados.
Outro ponto a favor é que não existem descrições horrendas (e capazes de vomitar) sobre os crimes ocorridos, o que tornou a leitura bastante prazerosa para mim. 
Em suma, gostei e irei mesmo procurar os restantes livros de Sandra Brown.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 9 de março de 2013

Médicos prescrevem livros

Esta notícia não é nova e já a divulgamos no nosso facebook com o link para a reportagem do The Guardian. No entanto, ainda não satisfeitas com isso, eu e a Cláudia decidimos ir em busca de mais para podermos dar a nossa opinião sobre o assunto.
Claro que nem vou tentar esconder que acho a ideia simplesmente genial, essa é a verdade, afinal para mim os livros sempre foram terapêuticos e são uma alternativa muito mais saudável que comprimidos.
Apesar da ideia ter sido posta em prática pela primeira vez em 2005 no País de Gales, graças a uma ideia do Psicólogo Clínico Prof. Neil Frude em 2003, só agora em 2012 chega a Inglaterra.
Assim, a Inglaterra junta-se ao País de Gales, Dinamarca e Nova Zelândia como um dos primeiros países nos quais os médicos receitam livros para doenças do foro psicológico como raiva, ansiedade, depressão, obsessão, compulsões, pânico, fobias e auto-estima.
A ideia nasceu de uma junção de situações entre as quais a alarmante verdade de que pelo menos seis milhões de pessoas, residentes no Reino Unido, sofrem de depressão e ansiedade e que desses seis milhões dois terços não recebem qualquer tipo de tratamento.
Quando testes sugeriram que os livros poderiam ser poderosos aliados na cura destas doenças mas ainda existiam muitas pessoas que desconheciam a existência destes livros ou simplesmente não tinham acesso aos mesmos. Frude diz que no fundo o que faltou foi a conexão  "os médicos já lá estavam, os livros já lá estavam e as bibliotecas também. Só necessitamos de os juntar.". E assim, em Gales onde a iniciativa começou, 30 mil livros de auto ajuda são requisitados todos os anos da biblioteca, e três e dez dos livros mais requisitados são de auto-ajuda.
Livros estes que também podem ser requisitados em Portugal das nossas bibliotecas, facto que eu desconhecia e fiquei a saber no inicio deste ano. Não sei porquê mas sempre achei que as bibliotecas não facultavam livros de auto-ajuda, talvez porque ache que maior parte das pessoas se sentem um pouco envergonhada quando é apanhada a lê-los, mas as Bibliotecas de Lisboa tem vários no seu catalogo, incluído Paul McKenna e Louise Hay. (Convido-vos a requisitarem livros de um e outro, para quem gosta são os melhores do género.)
Existe uma lista de 30 livros, para começar, que foi enviada já para as bibliotecas. Estes trinta livros não foram escolhidos ao acaso, e incluem os melhores livros de auto-ajuda actualmente disponíveis. Frude explica que nos Estados Unidos América, a classificação deste género de livro vai de cinco estrelas a "de espetar um punhal no peito", que é a classificação mais baixa que se pode atribuir a um livro deste género e que significa que o livro em vez de ajudar as pessoas está a fazer exactamente o contrário


Para o próximo ano, a Books on Prescription espera chegar a crianças e jovens também. Uma lista de 30 livros já foi enviada para as bibliotecas que, ao abrigo do programa, serão obrigadas a disponibilizar os títulos para que os pacientes os possam levantar na sua biblioteca local.
Esta iniciativa acaba por ser benéfica para as bibliotecas também, especialmente em Inglaterra, onde várias bibliotecas municipais se encontravam em risco de fechar por não terem leitores e movimento suficientes. Os especialistas acreditam que esta medida irá dar nova vida às bibliotecas, o que já se provou ser verdade nos países onde este esquema já está implementado.
A meu ver estamos com uma solução fantástica em mãos que resolve dois problemas de uma vez: além de manter bibliotecas abertas, e quem sabe garantir a criação de mais, a Books on Prescription ajudará também as pessoas com doenças psicológicas mais leve a sentirem-se bem e acabará por evitar que os problemas se tornem mais complexos. Além do mais, já se sente uma onda de mudança nas pessoas em relação aos medicamentos, já existe um número considerável de pessoas contra a medicação, especialmente a forte, que sem dúvida acolherá este novo meio de tratamento.
Mesmo assim, o criador do projecto, o Prof. Frude já veio relembrar que este género de alternativa só é válida quando a doença é ainda muito leve e não em casos crónicos. Creio que contudo podemos também dizer que estes livros acabam por actuar também como prevenção, quando são lidos antes das pessoas sentirem os sintomas. É um género de literatura fantástica para a auto-descoberta e para a realização de exercícios práticos somos quem somos exactamente.
Fazendo as contas, tal como dizia no início, é uma iniciativa que apoio mas creio que há mais livros do que os de auto-ajuda que podem ajudar uma pessoa. Afinal, quem nunca encontrou uma mensagem profunda num livro considerado banal? É a maneira como o livro nos fala que nos chama a ouvir, e se há pessoas que precisam de ler A Cabana ou O Segredo para encontrar uma verdade interna há também quem o consiga fazer lendo livros como Irmãs de Sangue ou Harry Potter. Por isso, acredito que aumentar o leque de livros seleccionados seria, talvez numa segunda fase, uma óptima maneira de continuar o tratamento.

Curiosidades:

sexta-feira, 8 de março de 2013

Passatempo: Marcador Pedras do Bosque


Boa tarde, Encruzilhadas (e Encruzilhados)!

Hoje temos um sorteio especial! Não só por ser Dia da Mulher mas também porque é a primeira vez que vamos sortear um marcador. Este marcador é super-especial pois foi feito à mão pela Carla e tem uma coruja que é um animal que eu e a Cláudia gostamos muito. 

Para se habilitarem a levar para casa este fantástico marcador é muito fácil. Basta entrarem no vosso facebook (desculpem mas desta vez não fazia sentido ter um questionário no blogue) e entre 8 e 15 de Março partilharem esta foto, porem gosto na página da Carla (aqui Pedras do Bosque) e escreverem o vosso nome nos comentários. Boa sorte a todos! 

Atenção Apenas podem fazer partilhar uma vez e a partilha tem de ser pública para vos podermos "ver" quando sortearmos o vencedor.
As regras normais dos passatempos do Encruzilhadas Literárias aplicam-se e para quem é mais esquecido são as seguintes:

Regras do Passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 15 de Março de 2013.
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Carla/ Pedras do Bosque não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.

quinta-feira, 7 de março de 2013

quarta-feira, 6 de março de 2013

Opinião: O Labirinto Perdido, de Kate Mosse


 

  O Labirinto Perdido
de Kate Mosse
Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 680

Editora: Dom Quixote

 Resumo: Uma empolgante história de coragem, destino e traição passada na Carcassonne medieval e contemporânea.
Em Julho de 1209: em Carcassone, uma rapariga de dezassete anos recebe do pai um livro misterioso que ele afirma conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não consiga perceber as palavras e os estranhos símbolos no seu interior, sabe que o seu destino é protegê-lo. Será necessário sacrifício e fé para manter em segurança o segredo do labirinto - um segredo que remonta a milhares de anos e tem origem nos desertos do Antigo Egipto... Em Julho de 2005: Alice Tanner descobre dois esqueletos durante uma escavação arqueológica nas montanhas perto de Carcassonne. No interior da sepultura onde se encontram os ossos, ela pressente uma avassaladora sensação de malevolência e constata assustada que, por mais impossível que pareça, é capaz de compreender as misteriosas palavras antigas que estão gravadas na rocha. Alice apercebe- se demasiado tarde que desencadeou uma assustadora sequência de acontecimentos que é incapaz de controlar e que o seu destino se encontra inexplicavelmente ligado ao dos cátaros, oitocentos anos antes.

Rating: 4/5

Comentário:
Perto do Natal ouvi falar de uma mini-série que ia estrear no TVSéries, e que se referia a uma aventura tanto no presente como no passado, no tempo das cruzadas, e numa demanda pelo Graal - um romance histórico com a dose certa de acção e mistério portanto. Curiosamente deixei passar mas lá a conseguir resgatar e ao fim das 4 horas de exibição, quando fiquei a saber que era baseado num romance, decidi que tinha mesmo de ir à procura do livro. Trouxe-o da biblioteca recentemente e foi exactamente o que estava à espera!
Confesso que a um primeiro nível que foi dificil entrar no enredo, como muitas vezes acontece quando vemos uma série/filme que teve alteração de cenas para que se pudesse encaixar numa sessão cinematográfica. Neste caso, porque adoro a actriz que representou Alais senti a personagem inicialmente fraca e não tão desafiadora como o esperava. A partir do momento em que ignorei a série e entrei no livro a fundo, fiquei rendida. 
O estilo de Kate pareceu-me algo entravado ao início. Muias frases curtas, muitas descrições, muitos pontos finais que cortavam uma certa fluidez esperada à obra, o que me colocou de pé atrás porque quase 700 páginas daquilo seriam um pesadelo. No entanto, acho que passado o trauma de iniciar o livro começou a ganhar força e levou-nos a bom porto.
Kate traz-nos uma série de personagens brilhantemente entrecruzadas, aliando pormenores históricos e outros tantos ficcionais de uma forma bastante subtil, implementando uma estória com suspense, que nos fez sempre querer acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.
Não sei porquê, mas neste género de livros tenho sempre tendência a render-me principalmente às partes narradas no tempo mais antigo e neste caso não foi excepção. As partes dedicadas ao século XIII conseguiram então levar a melhor de mim, não tanto por causa da vida de Alais ou do segredo que o seu pai lhe encarregou de guardar, mas pela aventura de um tempo já passado, assim como pelas considerações históricas em torno dos Cátaros, e do que eles tiveram de encarar em plena altura das Cruzadas, quando foram acusados de heresia e chacinados pelos grupos que actuariam em primeira mão na Terra Santa.
A autora soube ainda criar de forma bastante inteligente as interligações entre o passado e o presente. Não nos trouxe lições de História que o tornassem maçudo mas cobriu-o com os pormenores certos para nos captar a atenção até ao fim. Quanto ao tempo presente, Alice é uma rapariga esperta, com um enorme sentido de autopreservação (ainda bem!), o que lhe valeu a minha consideração. Ao acompanharmos o seu percurso iremos deparar-nos com um sem número de inimigos que farão de tudo para a apanhar e resgatar parte do segredo que agora lhe pertence. Mas que segredo é esse realmente? E o que é que significa a demanda do Graal? Poderia contar-vos mas não teria piada. De qualquer forma, à medida que a acção prossegue vamos captando as suas nuances e percebendo qual a ligação que move estas duas mulheres com 800 anos de separação, e o quanto as suas atitudes serão ou não promotoras do desenrolar da acção.
O sem número de inimigos é intenso, deixa-nos sem fôlego e expectantes de um momento para simplesmente respirar. Fez-me vibrar e fará a qualquer pessoa que goste de mistério, acção e História. Aconselho que vejam a série e leiam o livro, ou vice-versa. Vale a pena.

Aqui fica o trailer para os interessados:




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.