quinta-feira, 25 de abril de 2013

Opinião: São Todos os meus Preferidos, de Sam McBratney

São Todos os meus Preferidos
de Sam McBratney com ilustrações de Anita Jeram
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 36
Editor: Editorial Caminho
Resumo:
Era uma vez uma Mamã Ursa e um Papá Urso que diziam aos seus três bebés ursos que eram os ursinhos mais lindos do mundo inteiro. Mas um dia os três bebés ursos puseram-se a pensar de qual é que a mãe e o pai gostavam mais. Não podiam ser todos o preferido... ou podiam?
Dos autores do grande êxito Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti, uma nova história muitíssimo especial!

Rating: 4/5

Comentário: 
Desde pequena que leio, creio que a culpa disto deve ser embutida à minha mãe que sempre fez questão que eu tivesse bons livros para ler. Quer fosse A inveja da Xuxu ou um livro da Anita a minha mãe soube fazer a minha biblioteca de maneira a cativar-me e a "obrigar-me" a voltar para ler mais e mais.
A minha paixão por livros cresceu e quem nos segue sabe que gosto de comentar livros infantis que acho que poderão ser importantes para o desenvolvimento das crianças que os lêem (ou a quem os livros são lidos). Quando reparei que este livro estava na lista dos 20 Livros Infantis imprescindíveis a ter na biblioteca do seu filho da Imaginarium fiquei bastante surpresa porque não sabia que existia em português (eu li e tenho a versão inglesa) e decidi que mais pessoas deveriam saber da sua existência.
Sam McBratney é conhecido pelo seu livro Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti mas eu creio que São Todos os meus Preferidos é sem dúvida o melhor dos dois livros. Talvez por o primeiro ter uma mensagem que é mais comum de encontrar que é a do amor infinito que o pai/mãe tem pelo seu rebento mas este livro acaba por ir mais fundo.
Nele temos três irmãos, todos ursinhos e maravilhosamente desenhados por Anita Jeram, que ouvem os seus pais dizer que eles são os mais lindos do mundo. E até aí tudo muito bem mas, de certeza, que havia um deles que os pais gostavam mais. 
A Ursinha acha que os seus pais devem gostar mais dos irmãos por serem meninos, os Ursinhos por seu lado acham que os pais devem gostar mais da Ursinha por ser a única menina.O mais velho acha que os pais devem gostar do mais pequeno e o mais pequeno que os pais devem gostar do mais velho. A história acaba por ser bem contada por jogar com todas as inseguranças infantis, afinal, parece que todos os irmãos tem um trunfo uns sobre os outros. Mas quem terá o trunfo maior?
Claro que nenhum porque os pais gostam deles por igual e apesar desta ser uma mensagem já conhecida e repetida imensas vezes, às vezes lê-la, ou ouvir os nossos pais a lê-la numa história, pode ser o suficiente para lhe dar dimensão e transportar a sua mensagem para a realidade. Quantas vezes nos disseram a mesma coisa vezes sem conta e só quando, finalmente, ouvimos a pessoa certa a dizê-la percebemos o que nos queriam dizer ou acreditamos no que nos queriam dizer?
Para além da história ser querida e transmitir uma mensagem importante, o livro também está maravilhosamente ilustrado por Anita Jeram, o que sem dúvida contribui para uma melhor experiência de leitura.
E para terminar deixo-vos aqui a primeira página deste fantástico livro que sem dúvida deve estar presente nas estantes de todos os rebentos.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Novidades Maio: Quinta Essência

Perfume de Jasmim
de Jude Deveraux
Resumo:
Charleston, 1799: Catherine Edilean Harcourt não tem falta de pretendentes na Virginia, e espera realizar o seu sonho de casar e ter uma família. Mas o espírito aventureiro do Cay é despertado ao visitar o seu padrinho na Carolina do Sul. Acamado com uma perna partida, ele pede a Cay que o substitua numa missão urgente: a caminho de um baile de máscaras, ela deve entregar um cavalo selado ao filho de um velho amigo… que por acaso também é um fugitivo acusado de assassinar a mulher! Cay concorda com o plano, que não corre nada como planeado... e encontra-se em fuga com Alexander McDowell. Embora devesse temê-lo, Cay sente-se atraída para Alex e convence-se da sua inocência enquanto procuram refúgio nos Everglades da Florida. Será que confiar nele vai ser o pior erro da sua vida? Ou apaixonarem-se será a salvação que ambos procuravam? Com Perfume de Jasmim Jude Deveraux continua a série centrada em Edilean, que teve início com Jardim de Alfazema, Perfume da Paixão, Dias de Ouro e Desejos do Coração. A cidade de Edilean, na Virginia, tem sido palco de várias histórias… venha conhecer a de Cay Edilean Harcourt e de Alexander McDowell.  

Anna e o Beijo Francês
de Stephanie Perkins
Resumo:
Anna Oliphant tem grandes planos para o seu último ano em Atlanta: sair com a melhor amiga, Bridgette, e namoriscar com um colega no cinema onde trabalha. Por conseguinte, não fica muito contente quando o pai a envia para um colégio interno em Paris. As coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz deslumbrante - que tem namorada. Ele e Anna tornam-se grandes amigos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Irá Anna conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer? 

O ano passado lemos "Anna e o Beijo Francês" em inglês. Podem ver a nossa opinião aqui.

Todos os Teus Beijos
de Laura Lee Guhrke
Resumo:
Todos conhecem Dylan Moore — o seu brilhante talento e a sua busca pelo prazer — mas ninguém sabe o tormento que esconde. Apenas uma mulher se apercebe da força que impele a alma de Dylan, uma mulher que o persegue em sonhos e desperta nele paixões que nenhuma outra despertou. Desgraçada e agora muito pobre, Grace Cheval nada quer ter com o sedutor que a deseja. Quando Dylan lhe oferece o emprego de precetora para a filha que há pouco encontrou, sabe que as suas intenções não são honradas. Porém, é-lhe difícil resistir a este homem tão carismático e devolve-lhe os beijos apaixonados com todo o ardor. Atrever-se-á Dylan a esperar que esta beldade orgulhosa e intrépida derreta o gelo que envolve o seu coração? Em vinte anos de carreira, Dylan Moore escreveu 19 sinfonias e 10 óperas. O seu talento trouxe-lhe fama, fortuna e muitas conquistas femininas. Mas tinha apenas a música. Afetado por uma perda auditiva após uma terrível queda de um cavalo, Dylan não consegue voltar a compor. Sem conseguir aguentar mais, uma noite prepara-se para cometer o irreparável quando uma jovem violinista o impede. No entanto, o verdadeiro milagre foram as notas fugazes que ele pensou ter ouvido naquele momento, no limiar da consciência. Cinco anos mais tarde, Dylan continua à procura da desconhecida...

World Book Night 2013

A World Book Night é uma celebração anual que visa distribuir o amor pela leitura. Já o ano passado vos falamos dela, todos os anos dia 23 de Abril, data do nascimento de Shakespeare, em vários países milhares de pessoas distribuem meio milhão de livros gratuitos pelas cidades onde moram.
Seja deixando livros em autocarros, entregando-os em mão, ou por qualquer outro meio, o objectivo é chegar ao nicho de pessoas que não lêem e dar-lhe uma boa experiência de leitura. Por isso, todos os anos a lista de livros a ser distribuída neste dia varia. O ano passado alguns dos livros entregues foram Orgulho e Preconceito, de Jane Austen e A Rapariga que Roubava Livros, de Markus Zusak, este ano alguns dos livros que chegaram à lista final foram A Rainha Branca, de Philippa Gregory e A Ilha, de Victoria Hislop.
A World Book Night é uma organização sem fins lucrativos e vive do apoio de livrarias, livreiros, doadores de livros e outras organizações que acreditam na sua causa. Esta causa é recente e tem as suas raízes no Reino Unido em 2011, em 2012 este evento foi celebrado nos E.U.A., no Reino Unido, na Irlanda e na Alemanha. 
Podem ver o site oficial aqui.




Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 20 de abril de 2013

Opinião: Alma Rebelde, de Carla M. Soares


Alma Rebelde
de Carla M. Soares
Edição/reimpressão: 2012
Páginas:288
Editor: Porto Editora

 Resumo: No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.
Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.
Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.
Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

Rating: 3.75/5 

Comentário: Quando li a sinopse deste livro, quis muito lê-lo, e apenas adiei a sua leitura porque me inscrevi na lista do Clube Blog Ring, o qual já referi aqui uma vez. Por outro lado, quando surgiu a campanha de promoção da eWook, aproveitei para adquiri-lo mas a formatação apresentada não foi das mais agradáveis para a leitura por isso vim a adiar até recentemente. Claro que algum dia a vontade de lê-lo iria superar os pequenos obstáculos e finalmente chegou a altura.

Aqui há uns tempos, disse a propósito da minha opinião a "Esmeralda Cor-de-Rosa" de Carlos Reys, que ler um livro de um autor lusófono é o mesmo que regressar a casa. Digo isto porque, embora hoje em dia nos deparemos com traduções fantásticas, a língua mãe é diferente, e independentemente da capacidade e estilo literário de cada autor, existe uma sensibilidade muito própria na Língua Portuguesa que é reconhecida e sentida com um enorme carinho. Ler Alma Rebelde, de Carla M. Soares, trouxe-me novamente essa essência, vincadamente lusitana e poética. Na verdade, a autora ainda foi mais longe, com uma delicadeza e cuidado aprimorados na construção literária deste livro. A língua portuguesa é rica, multifacetada, complexa e composta pela conjugação de pormenores, e foi sem dúvida explorada de forma muito inteligente neste livro, deixando-me saudosa de outros tantos livros de autores portugueses que já me passaram pelas mãos, do presente século e não só. Só por esse motivo, vale a pena saboreá-lo.

O discurso que nos acompanha ao longo de quase 300 páginas tem uma tendência melancólica, ao estilo bem português, com um tom reconfortante que nos abre portas para o séc. XIX, mas sendo muito presente. Compõe um padrão de época, com várias personagens interessantes, ainda que se centre principalmente em Joana e Santiago. De facto, e não soubesse de antemão tratar-se de um romance de época e não de um romance histórico, a sinopse poderia ter-me induzido em erro. Desta forma, não acho que haja uma carência de elementos históricos, embora que, gostando bastante do género, esperasse algo mais. Não foi de tudo impeditivo da leitura, que se centra essencialmente nas pessoas, sendo o cenário de época um passepartout para o resto do enredo.

Quanto às personagens, é sem dúvida o casal e as suas vivências que predominam no enredo. Mas não caí de amores pela sua história. Joana é uma menina ingénua, fragilizada pela situação que está a viver, um pouco dramática (o que é aceitável atendendo à época onde vivia e à composição da sociedade, pelo que não choca), mas não a considero uma verdadeira alma rebelde, mais uma alma a rebelar-se. É afável, algo céptica com a realidade que a rodeia, e na generalidade generosa. Já Santiago assemelha-se ao herói latino, e a impressão inicial é de alguém que diz ser flexível, mas não admite que algo se passe de forma contrária ao que espera, que impõe a sua presença a Joana, só porque se impressiona (e que não me permitiu assimilar o porquê da paixão que a rapariga começa a sentir). Os seus ataques repentinos e as variações de humor, ainda que justificados, não facilitaram a criação de uma grande empatia com a personagem. É o evoluir da situação, e em parte (tal como aconteceu a Joana), a opinião das pessoas da casa que lhe dão o benefício da dúvida, e posteriormente, o poder de torcer pela sua sorte.

Depois do dito choque inicial, à semelhança da sua futura noiva, acabamos por nos adaptar e compreendê-lo, valorizando um pouco o seu esforço para reverter situações retrógradas e confusas criadas pelo seu pai, valorizando a moral, os valores humanos, acima de qualquer título a ser prezado.

O romance acaba por ser amoroso (desculpem o trocadilho), e nesse seguimento, a autora dotou o livro de um toque de classe (que para quem acompanha o seu blog, sabe que é já um cunho da sua escrita) e delicadeza que nem sempre se vê. Para mim, a leve sugestão da noite de núpcias acabou por ser mais ternurenta e enquadrada no decorrer da obra.

Gostava de ter tido um bocadinho mais dessas mesmas personagens secundárias e das que se apresentaram em terceiro plano. Na verdade, o surgimento de Alice não acrescentou nada ao enredo, e é o único ponto que acho que poderia ter sido evitado. O pai de Santiago também nos traz apenas uma amostra da sua personagem. Nunca senti o ar gelado e frio tantas vezes relatado porque as situações vividas foram muitas vezes descritas em analepses.

De resto, e como apontamentos finais (e que justificam o não chegar a quatro estrelas), custou-me imenso admitir a linguagem e o tratamento das personagens por na segunda pessoa do singular, talvez mais por falta de hábito que outra coisa. No entanto, todos os livros históricos ou de época que tenho lido até hoje, fazem essa pequena adaptação, independentemente da história a contar. Acho que por uma questão de proximidade à época teria sido mais agradável.

De qualquer forma, Carla M. Soares cativou-me pela sua forma sublime de escrever; e como diria Antoine de Saint-Exupéry em "O Princepezinho", cativar é criar laços. O que significa que estaremos por cá à espera da próxima obra.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Mais um encontro

Tal como prometido no artigo anterior hoje fui visitar a John Rylands Library que não só foi uma das atracções turísticas mais visitas do Reino Unido o ano passado, como faz parte da Universidade de Manchester.
Tornando agora este artigo um pouco massudo vamos entrar em nomes complicados e datas apenas relevantes para esta história.
A JRL abriu em 1900 ao público, pelas mãos de Enriqueta Augustina Rylands, em memória do seu falecido marido. Esta biblioteca já pertencia à Sr.ª Reynolds, que a encomendou em 1889 para ser um marco da sua vida em Manchester. Como quis que esta tivesse principalmente, pergaminhos religiosos toda a biblioteca foi construída num estilo neo-gótico e com semelhanças exterior a uma igreja. (Que podem confirmar na imagem abaixo)
A JRL juntou-se à Universidade de Manchester em 1972 e as colecções especiais de livros antigos de ambas as instituições foram arquivados na JRL em Deansgate (nome da rua onde fica a JRL). Acredita-se que a  colecção desta biblioteca  seja das maiores no Reino Unido e incluí manuscritos medievais repletos de iluminuras e vários exemplos das primeiras impressões europeias, incluindo uma Bibília de Gutenberg. A JRL possuí também aquele que é considerado uma das primeiras edições do Novo Testamento (o que provavelmente deixa a Sr.ª Dª Enriqueta Rylands muito feliz, esteja ela onde estiver.).
Na minha opinião a biblioteca é lindíssima e está fantasticamente preservada. Creio que um dos pontos a favor da biblioteca é o facto de não se entrar directamente nela e sim por um edifício ao lado que é extremamente moderno e vidrado. Daí, subimos umas escadas e subitamente começamos a ver pedra antiga e corredores misteriosos que lembram uma igreja vitoriano e é por aí que nos perdemos, escada acima e escada abaixo até que encontramos a sala de leitura (a que está na primeira foto) que fica no segundo andar (sim, segundo!) desta fantástica biblioteca.
Esta Sala de Leitura ainda é usada nos dias de hoje e os alunos da Universidade de Manchester podem usá-la para estudar e se levarem os seus portáteis podem aceder à net (não é necessário ser-se aluno para se entrar até porque a entrada é livre mas depois não se pode aceder à net). A Sala de Leitura tem vários nichos de estudo bastante interessantes onde os alunos podem estudar até às 17h.
Quando visitei a biblioteca, uma actividade da Páscoa ainda não tinha sido retirada e vários ovos de dragão estavam escondidos pelos recantos mais incríveis do edifício, o que contribuiu para dar uma atmosfera ainda mais mágica ao local. E para terminar a fotógrafa Gwen Jones estava a tirar fotografias a todos os visitantes da biblioteca e claro que não pude deixar de contribuir com a minha face para o seu projecto.
Assim e para terminar este artigo quero deixar-vos algumas fotos que tirei. Não estão nada de especial porque o telemóvel já é velhinho e não acho pilhas que entrem na minha máquina mas dá para terem uma ideia do que vi.







Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.