sexta-feira, 24 de maio de 2013

Opinião: Catarina, a Grande, de Silvia Miguens


Catarina, a Grande  
de Silvia Miguens
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 308
Editora: Casa das letras

Resumo:  Em 1762, o czar Pedro III é alvo de uma conspiração, acabando por morrer.
A sua mulher, Catarina, sucede-lhe como imperatriz tornando-se, aos trinta e três anos, «Sua Majestade, Catarina II, imperatriz única e soberana de todas as Rússias». O seu reinado revitalizou a Rússia, transformando-a numa das maiores potências europeias.
Os seus sucessos dentro da complexa política externa são sobejamente conhecidos assim como as represálias, por vezes violentas, aos movimentos revolucionários. Conferiu maior poder à nobreza e aos senhores da terra, constituindo o seu reinado o ponto alto da aristocracia russa. Poucas mulheres geraram tanta controvérsia em redor de si como Catarina, a Grande. Inteligente, culta, autoritária, sagaz, apaixonada, grande estratega e envolta em todos os tipos de conspirações da corte, a imperatriz que governou a Rússia com punho de ferro é, sem dúvida, um dos principais intervenientes na agitação política do século XVIII, que mudou a História do Mundo. Esta emocionante narrativa, que não deixa de fora o rigor histórico, revela as vivências e a intriga palaciana e pessoal da grande imperatriz, a sua peculiar e intensa vida sexual, os seus medos, as suas deficiências e os seus fracassos.

 Rating: 3/5


Comentário:  
Quando se lê esta sinopse, não esperamos iniciar este livro de Sílvia Miguens através da infância de uma das mais conhecidas, temidas e importantes figuras da História da Rússia e, porque não dizê-lo, da Europa, à luz do seu tempo. Figuens, como foi sempre tratada carinhosamente pela ama Babet ao longo de toda a vida (por sua insistência) deixou de ser rapidamente menina, à semelhança de muitas outras princesas, para conseguir adaptar-se e captar as influências de uma nova corte, estranha, um pouco temível, e gerida por um clima de instabilidade, que a arrancou dos braços da inocência para um casamento arranjado com um arqui-duque com comportamentos desprezíveis, à sua vista. É com a morte de Isabel II e com a subida ao trono do seu marido, que surgem uma série de oportunidades de reverter o quadro de infelicidade plena e de tomar as rédeas do poder (mas também da condução de um império desgovernado pelas loucuras de um Imperador que não quer nem sabe governar. Catarina irá fazer-se valer de aliandas poderodas, de correspondências com alguns dos maiores pensadores da Europa iluminista, e revolucionária (ainda que nem sempre concorde com eles) e ligar-se a uma série de amantes.

A composição semelhante à escritura de memórias jogou um pouco contra este livro. Acho que nunca consegui ver a personagem realmente como Catarina, a Grande, porque o tom inserido era sempre de grande ingenuidade, quase como se os diversos caminhos por ela tomados fossem obra do acaso e não de sua decisão e poder. Não passa para o leitor a mulher forte, desenvencilhada, culta e sedenta de saber, poder e controlo.
Por outro lado, se por vezes perdemos muito tempo junto das intrigas da vida palaciana, no seguimento de momentos que interessavam perceber, como conflitos europeus e nas estratégias diplomáticas tomadas em contexto geopolítico, perdem-se todos os momentos. São referidos de passagem, e teriam todo o sentido se o relato fosse contado a alguém da época ou com um enorme conhecimento da história do czarismo da Rússia. Para quem gosta de história, mas não a conhece de trás para a frente, por vezes a introdução destes elementos é confusa e atabalhoada ( várias vezes parei porque queria perceber realmente o contexto e o que tinha acontecido).
Temos também a introdução repentina de personagens, que logo saem de cena, porque houve uma evolução temporal, muito despachada. Estas localizações temporais são também dispersas. Lembro-me que a determinada altura Catarina, a Grande refere estar no seu país de acolhimento há 8 anos, embora para além dessa referência não há nada que o relate (pensamos até terem-se passado apenas uns meses após o seu casamento).
Ainda assim, acho que não foi uma questão de erro de escrita ou incapacidade da autora, mas mais uma jogada criativa. De facto, e lendo este livro (que não deixa de ser uma obra ficcional), é possível imaginar a Czarina, ou Mãezinha a redigi-lo, ela própria refere várias vezes que se deveria dedicar às memórias que numa fase inicial escrevia para um tio apaixonado, mas que a acompanharam para o resto da vida. E, em jeito de diário, ninguém faz uma referência enquadratória do contexto do seu quotidiano, simplesmente o que se viu, viveu e sentiu. E nesse aspecto, este livro cumpre com o seu objectivo.

É um romance histórico, não garanto que todos possam gostar deste formato nesse contexto, mas não deixa de ser original.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Noite de Literatura Europeia

No dia 24 de Maio de 2013, entre as 18h30 e as 22h30, realiza-se em Lisboa a primeira Noite de Literatura Europeia. Oito locais emblemáticos, entre o Chiado e o Rato, dão a conhecer obras de oito escritores europeus contemporâneos. 

  • Nesse dia, a Editorial Presença, em parceria com o Goethe-Institut, promove a leitura do livro  Adeus, Berlim (Tschick), de Wolfgang Herrndorf, uma obra de culto,  vencedora do Prémio Nacional de Literatura Juvenil Alemã. 
  • Com direitos cedidos para 27 países,  Adeus, Berlim já vendeu cerca de um milhão de exemplares e foi comparado a obras como As Aventuras de Huckelberry Finn,  de Mark Twain e Uma Agulha no Palheiro, de J. D. Salinger.
 
 Sobre o livro:
Dois amigos. Um velho carro roubado. E um verão que mudará as suas vidas para sempre.
Maik Klingenberg ficou sozinho em casa naquelas férias e, sem nada para fazer, sente-se entediado. Tschick aparece num velho jipe roubado. Estudam ambos na mesma escola e na mesma turma mas, por razões diversas, são postos de parte pelos colegas. É então que decidem partir completamente à aventura para a Valáquia, no Sul da Alemanha. Ambos têm 14 anos e a sua busca é determinada pelo desejo de experimentarem uma liberdade absoluta.

Sobre o Autor:

Wolfgang Herrndorf nasceu em 1965, em Hamburgo, Alemanha. Formado em pintura, trabalhou como ilustrador para a editora Haffmans e, entre outras, as publicações de contracultura  Looke & Trooke e Titanic. Em 2002 lançou o seu romance de estreia, In Plüschgewittern e, em 2008, Diesseits des Van-Allen-Gürtels, ambos premiados.

O EVENTO NO ELÉTRICO Nº 28:
 
O ator Ulisses Ceia irá ler excertos de Adeus Berlim, no elétrico Nº 28. Serão efectuadas 8 viagens, de 30 em 30 minutos, com 20 lugares cada e com a duração aproximada de 20 minutos. A primeira viagem tem início às 18h30 no Largo Camões, e a leitura terá lugar ao longo do percurso (Largo Camões - Estrela - Largo Camões). A última viagem começa às 22 horas.

O evento Noites de Literatura Europeia foi iniciado em 2008 na cidade de Praga com o intuito de divulgar a literatura europeia de forma criativa e num formato invulgar. A primeira realização em Lisboa resulta de uma colaboração conjunta dos institutos culturais que integram a rede EUNIC Portugal, nomeadamente British Council, Camões – Instituto da Cooperação e da Língua, GoetheInstitut, Institut Français du Portugal, Instituto Cervantes, Instituto Cultural Romeno, Instituto IberoAmericano da Finlândia e Instituto Italiano de Cultura. O projeto é financiado com o apoio da Comissão Europeia.

Biblioteca Municipal de Toronto entra numa Realidade Alternativa!

Antes de mais tenho de pedir desculpa aos fãs de ficção cientifica se os entusiasmei demais é que, apesar de a biblioteca ter mesmo entrado numa Realidade Alternativa ela é apenas um jogo. 
Todos os anos em Abril a biblioteca municipal de Toronto realiza o seu programa "Keep Toronto Reading, que se traduz por "Mantendo Torronto a ler". O objectivo deste programa é fazer com que a comunidade de Toronto leia o mesmo livro durante o mês do programa. Que é como quem diz, Toronto transforma-se no maior Clube de Leitura de sempre e faz uma fantástica leitura conjunta que une amigos e vizinhos na paixão pela leitura.
Contudo este ano o programa teve um twist, de modo a cativar ainda mais os leitores. Pela primeira vez os leitores podem interagir com a realidade onde se passa o livro. E como se isso não fosse fascinante o suficiente, o livro escolhido para a leitura conjunta de 2013 foi "Fahrenheit 451" de Ray Bradbury, uma história que se passa num futuro distópico onde os livros tem de ser destruídos.
Neste "jogo" os leitores tem de ligar para um número de telefone onde uma das personagens do livro fala com eles dando-lhes os dados da sua primeira missão. Desta forma as pessoas acabam por se juntar à "Resistência Literária" e além de lerem um bom livro acabam por se divertir num Jogo de Realidade Alternativa.
Algumas das missões envolvem visitar a biblioteca mais perto da área de residência, aceder à biblioteca digital de Toronto e interagir com o facebook da biblioteca. A primeira missão consiste em visitar a biblioteca, requisitar um livro a gosto e ler ao telefone um paragrafo do mesmo. A Biblioteca de Toronto espera mais tarde usar estas gravações numa criação que não quis revelar.
Para terminar deixamos-vos o resumo do livro e um link para que possa ler mais sobre este programa clicando aqui.

O sistema era simples. Toda a gente compreendia. Os livros deviam ser queimados, juntamente com as casas onde estavam escondidos...

Guy Montag era um bombeiro cuja tarefa consistia em atear fogos, e gostava do seu trabalho. Era bombeiro há dez anos e nunca questionara o prazer das corridas à meia-noite nem a alegria de ver páginas consumidas pelas chamas... Nunca questionara nada até conhecer uma rapariga de dezassete anos que lhe falou de um passado em que as pessoas não tinham medo. E depois conheceu um professor que lhe falou de um futuro em que as pessoas podiam pensar. E Guy Montag apercebeu-se subitamente daquilo que tinha de fazer...

De implicações assustadoras, a forma como reconhecemos o nosso mundo naquele que é retratado em Fahrenheit 451 é impressionante.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Novidades Junho: Quinta Essência

A Rapariga de Olhos Azuis
de Tara Moore
Lançamento: 4 de junho
Resumo:
Ela não é o que parece… Anya Keating adora seu trabalho como assistente de Macdara Fitzgerald, dono da deslumbrante propriedade Lismore e dos seus cavalos de corrida. Macdara é um patrão indulgente e generoso e Anya tem muito carinho por ele. Mas quando Macdara a pede precipitadamente em casamento, a amizade de ambos - e a posição dela – fica ameaçada, e Anya sente-se dividida entre a sua lealdade para com Macdara e os seus sentimentos pelo neto dele, Fergal, o belo treinador de cavalos. Eis que aparece Orla Fitzgerald, neta distante de Macdara. Orla pode ter deixado Lismore em criança, mas voltou uma mulher sofisticada e bonita. Tão bonita, de facto, que a maioria dos homens ficam encantados por ela - e Anya vê com crescente apreensão enquanto Orla tecer a sua magia em redor de Fergal. No entanto, Orla pode não ser a rapariga de olhos azuis que os outros julgam. Há mistérios sombrios na vida da propriedade. O passado de Orla contém uma tragédia, e ela está determinada a reivindicar o seu direito de primogenitura, independentemente de quem se atravessar no seu caminho.

Emoções Proibidas
de Jess Michaels
Lançamento: 4 de junho
Resumo:
Noventa dias e noites de sensualidade
Durante vários verões Miranda Albright viu - horrorizada, mas vergonhosamente excitada – o seu perverso vizinho Ethan Hamon, o notório conde de Rothschild, «entreter» uma sucessão de amantes nos terrenos da sua propriedade. Agora que o pai dela morreu, deixando para trás uma montanha de dívidas, Miranda deve fazer o impensável. Ethan prometeu apoiar as suas irmãs mais novas, financeira e socialmente, por um preço escandalosamente caro: Miranda deve oferecer-se completamente ao conde durante três meses, sem remorsos e sem restrições.
Noventa dias e noites de sensualidade desenfreada esperam-na nos braços de um galã que vê a sua submissão como nada mais do que um grande jogo erótico. Porém, nem Miranda nem Ethan percebem que fogo arde por detrás de um rubor inocente. E assim que a paixão dela é desencadeada pelos lábios e pelo toque de Ethan, é a aluna que vai ensinar ao professor os caminhos do prazer proibido... e do amor.


Intriga em Monte Carlo
de Elizabeth Adler
Lançamento: 24 de junho
Resumo:
Elizabeth Adler transporta-nos para as águas cintilantes do Mediterrâneo numa história plena de romantismo, tramas e alguns diamantes raros.
Sunny Alvarez está farta de amar um homem que não se quer comprometer e o desejo de se afastar de tudo é mais forte do que nunca. Em Monte Carlo, espera encontrar descanso e tranquilidade; mas é apanhada numa teia de intrigas que envolvem uma série de roubos de joalharias elegantes. Será que Sunny pode confiar nos novos amigos que conhece naquele hotel glamoroso do Sul de França? A velha amiga de Sunny, a estrela de cinema Allie Ray, que possui uma vinha em França, vem em seu auxílio e tenta, ao mesmo tempo, transformar a vida e a aparência da sua velha amiga, Pru Hilson, com uma mudança de visual que altera não só o seu aspeto desleixado e com excesso de peso, mas converte também Pru numa detetive amadora.
Se Sunny não deslindar esta embrulhada, poderá acabar como cúmplice involuntária de roubo, chantagem e até homicídio. Quando o seu namorado, Mac Reilly aparece, vem preparado para fazer tudo para recuperar Sunny, não sendo de somenos ter de resolver os crimes e salvar-lhe a vida. Repleto de pormenores decadentes e com a escrita inconfundível que tem encantado a legião de fãs de Elizabeth Adler, Intriga em Monte Carlo é uma perfeita gema e uma perfeita evasão. A dupla mais sexy de detetives corre todos os riscos neste novo romance de Elizabeth Adler. Sunny está furiosa: Mac adiou mais uma vez a data do casamento. Desta vez, é de mais! Ela faz as malas, deixa o anel de noivado e uma carta a acabar tudo e voa para Monte Carlo. Para esquecer o patife, nada como descontrair um pouco no hotel e fazer algumas compras nas avenidas do principado. Longe do Mac, Sunny namorisca com todas as tentações: um brasileiro perturbador, um empresário sueco, mas também com os negócios um pouco misteriosos de Mara, uma designer de joias indiana pronta a levar a pobre Sunny num caminho muito perigoso... Felizmente, Mac está atento. Determinado a recuperar a sua amada, está pronto para voar em seu socorro. Irá o amor triunfar? Monte Carlo ainda não revelou todos os seus segredos...

terça-feira, 21 de maio de 2013

Opinião: Click to Subscribe, de L.M. Augustine

Click to Subscribe
de L.M. Augustine
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 252
Editor: Edição de Autor - livro apenas disponível em ebook
Resumo:
1,135,789. Este é o número de subsescritores que o vblogger de dezaseis anos, West Ryder, tem no seu vlog. Contudo ele só tem olhos para um deles. 

Sendo um dos video bloggers mais prestigiados da internet, West fala sobre as relações no secundário através do pseudónimo "Sam Green". Tanto quando ele sabe ninguém da sua escola, nem a sua melhor amiga Cat, sabem da existência destes vídeos. E o que mantém West a filmar é a sua seguidora Harper Knight que comenta os seus vídeos todos os dias exactamente às 2:02 da tarde. Ele não sabe nada sobre ela além de uma ou outra mensagem que eles trocaram filosoficamente sobre a pizza ser deliciosa mas, e por mais ridículo que isto seja, ele sente-se a apaixonar-se por ela. Por isso quando eles finalmente decidem encontrar-se frente a frente, West espera que o romance floresça. Contudo as suas esperanças são destruídas quando no dia e hora marcada é a sua melhor amiga Cat que aparece ao encontro usando a mesma t-shirt que Harper prometera trazer...

Rating: 2,5/5

Comentário:
Achei este e-book enquanto passeava pelo GoodReads e como tinha um resumo fofinho, e uma personagem com o mesmo nome que eu, resolvi dar-lhe uma oportunidade. Não me arrependo de o ter feito, até porque de vez em quando sabe bem descobrir novos escritores, principalmente os auto-publicados mas infelizmente o livro tinha demasiados plotholes.
Em favor de L.M.Augustine tenho a dizer que o livro me pareceu revisto. E se tem erros ortográficos e gramaticais não os vi, o que é fantástico, visto que esse é um dos maiores pecados dos e-books de edição de autor. A capa também está engraçada e apesar de ter um fundo branco não creio que este a desfavoreça.
Mas e de volta ao que me aborreceu neste livro. Apesar de ter um pouco de drama a mais, este nem é o que mais me incomoda na história toda. Compreendo perfeitamente que a autora tenha querido dar um passado semi-dramático a West para o fazer virar-se para os seus vídeos e até acho bonita a simbologia que West usa para os mesmos. Os e-mails entre ele e Harper são engraçadíssimos e quem tem um melhor amigo sem dúvida que se pode rever nas cenas passadas na gelataria entre West e Cat. Acho que a autora consigo captar as relações humanas de uma maneira bastante realista.
O que a autora não conseguiu foi dar consistência ao que escrevia e daí o surgimento de plot holes. Para mim o mais aborrecido ainda foi o suposto trabalho de West. West diz-nos a determinada altura no livro que trabalha no Starbucks durante a noite, suponho que no aeroporto visto que os Starbucks não estão abertos 24h mas isso nem foi o que mais me aborreceu, o que mais me aborreceu é que ele nunca vai trabalhar. Sim, nunca, leram bem. Durante as 252 páginas deste livro West menciona uma vez que trabalha mas nunca vai trabalhar ou menciona que o vai fazer/acabou de regressar do mesmo.
Este buraco está a par com o buraco da avó de West que, convenientemente, manda dinheiro para que ele e o pai não passem fome mas nunca aparece na casa deles ou telefona. Também me questiono porque é que West não faz dinheiro dos seus vídeos, afinal com tantos seguidores o youtube de certeza que já lhe pagaria pelas visualizações.
Talvez sejam coisas ridículas mas acabam por dar um toque irrealista à história. A ideia com que fiquei foi que a autora quis contar a história de West e Cat e de como um rapaz traumatizado pode dar um salto de fé e tentar ser feliz. E acho isso muito bem, mas também acho que para quem apenas queria contar isso, ela acabou por inserir variáveis que não fazem sentido, West e Cat não tem mais amigos nenhuns, ninguém na escola fala com eles. West tem um milhão de seguidores no vblog mas nenhum é da escola dele e ninguém o conhece (imagino que na escola privada dele ninguém tenha acesso à internet e o starbucks também não).
Feitas as contas era um livro do qual eu queria gostar e quem tem umas boas piadas precisava no entanto de ter tido um reality check. Saí daqui com 2,5 estrelas pela amizade entre West e Cat e as piadas por e-mail.