sexta-feira, 31 de maio de 2013

Já conhecem o Bicaletras?



Olá Encruzilhados,

Por motivos que nos superam a poderosa Deusa da Literatura resolveu pregar-nos uma partida e esconder o poste no qual vos apresentávamos o Bicaletras. Por isso, aqui fica um pequeno remake da história do nosso passarinho!
O nosso caro Bicaletras nasceu quando o blogue nasceu há três anos atrás. No entanto como era muito pequenino, como todos os recém nascidos, esperamos até este ano quando o Alexandre nos ofereceu uma versão em tecido do mesmo para o apresentarmos. Um pouco ao estilo daqueles bailes de debutantes onde as moças vão para serem apresentadas à sociedade.
Como ainda não tínhamos nome para ele, procedemos a um passatempo, no qual depois de várias votações, a Mónica Silva tornou-se madrinha do Bicaletras!
O Bicaletras é um passarinho descontraído que ama ler. Normalmente pode ser encontrado a passear pelos banners do nosso blogue e da página do Facebook. Adora chapéus e tem uma colecção gigantesca e quem nos segue no FB de certeza que já o viu com alguns dos seus chapéus. Tal como todos os leitores ávidos que fazem noitadas, o Bicaletras tem uma paixão muito grande por bebidas quentes e não é difícil encontra-lo a beber café, chá ou chocolate quente!
No Natal o Bicaletras tem o "trabalho adicional" de adornar a árvore de Natal da Cláudia e de figurar no nosso postal de Natal. Como vêem o nosso amigo tem uma vida muito activa.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Opinião: A Confissão da Parteira, de Diane Chamberlain

    
A Confissão da Parteira

de Diane Chamberlain
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 392
Editor: Editorial Presença

Resumo: Quando Noelle, uma mulher dedicada, vibrante e querida por todos, decide pôr termo à vida, a pequena cidade de Wilmington, na Carolina do Norte, fica em estado de choque. A única pista para o sucedido é uma estranha carta que Tara e Emerson, duas das suas melhores amigas, encontram um dia em sua casa. À medida que um segredo de contornos dramáticos começa a ser desvendado, tudo o que sabem sobre Noelle terá de ser reavaliado à luz de uma nova perspetiva - de traição e engano, mas também de amor, compaixão e esperança.

Uma mentira salvará uma família. A verdade destruirá outra. Qual das duas escolheria?

«Para adquirirem este livro e consultarem outras novidades, consultem o site da Editorial Presença aqui»

Rating: 3.75/5 

Comentário:
Este livro deixou-me bem curiosa pela sinopse. Não adianta muito, para não dizer que não adianta nada, contrariamente ao que é habitual. Aliás, já muitos nos deparámos com livros em que a história toda é praticamente revelada numa sinopse mal redigida. Nesta novidade trazida pela Editorial Presença acontece-nos exactamente o oposto. Existe uma ideia, aloja-se uma semente suspeita sobre a temática, mas nada nos garante que é esse o núcleo do enredo (e já me explicarei em diante para os mais confusos).
Antes sequer de abrir a primeira página e debruçar-me sobre ela, apaixonei-me exactamente pela capa. É tão ternurenta que derrete qualquer pessoa e só apetece embalar (tornando-se uma tentação para quem está apenas a ponderar trazê-lo para casa)!
O enredo é uma surpresa; e Diane Chamberlain consegue mesmo trocar-nos as voltas. Na verdade, julguei a determinada altura ter descoberto o mistério, mas logo nas primeiras páginas é-nos denunciado que nada é exactamente o que parece. Um pouco como a própria vida, já que nos faz pensar até que ponto nos conhecemos realmente uns aos outros, até que ponto os que nos são próximos são tão transparentes como julgamos, e até que ponto aceitamos que a verdade por vezes é mais crua que a imagem fantaziada que temos de nós próprios e dos outros. A autora coloca-nos a pensar nestas questões à medida que as suas personagens se deparam com uma série de acontecimentos inesperados, autênticas reviravoltas e momentos dramáticos que nos levam a questionar a determinada altura o que mais lhes falta acontecer.
Este é para mim um dos pontos mais fragilizados da obra. Acho que foi criado um puzzle bastante interessante que entrecruza as várias realidades contadas,e nos desafia a tentar descobrir o grande segredo escondido. No entanto, a sucessão bastante rápida dos vários pontos de vista e dos seus dramas pessoais por vezes nem nos permite assimilar a fundo (e nem às personagens, pelo seguimento do enredo) a dimensão real do conjunto. Muitas vezes (e há que não esquecer o curto espaço de tempo que contempla a narrativa) logo a seguir ao levantar de uma ponta do véu, segue-se um momento ainda mais dramático. O que em última instância fez-me criar algum distanciamento das personagens (e acho que este é o principal elemento diferencial entre a autora e a Jodi Picoult - para quem se pergunta porque refiro esta autora, resulta da sugestão promocional que o livro é apropriado para fãs da Jodi, o que até comprovo. Embora com a Jodi a ligação emocional às personagens seja mais sentida). Por esse motivo, dei por mim a pensar em algumas alturas que ficaríamos a conhecer a fundo a forma como cada uma destas mulheres estava a reagir aos obstáculos que surgiam, mas que nunca chegaríamos a conhecer nenhuma delas.
Ainda assim, Diane Chamberlain foi bastante inteligente na construção da narrativa, e na composição fluída do discurso. Na verdade, ainda vai mais longe no que diz respeito aos pontos de vista das personagens. Não é a primeira vez que nos deparamos com um livro assim, mas uma leitura mais atenta repara nas diferenciações de discurso de personagem para personagem, nas interjeições linguísticas de Grace por exemplo, que enquanto adolescente tem a maturidade apropriada para a idade e que se ouve do lado de cá. O livro é realmente das personagens, e não da autora. E são essas mesmas personagens o ponto forte desta narrativa, onde o feminino predomina, onde os seus sonhos e vigências ditam o desenrolar da história, seja qual for a sua idade. Cada uma com força sobrenatural dentro de si, Tara, Emerson e Grace (filha de Tara) irão narrar-nos as várias camadas de uma história baralhada em segredos e traições. Para finalizar, gostaría de ter tido também presente a voz de Jenny (filha de Emerson), que à semelhança da amiga tem um papel importante para o desenrolar da acção.
Foi uma boa estreia com a autora. Aconselho para quem gosta de romances contemporâneos, com um ligeiro toque de mistério.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

E vira a capa!

Quem já é da casa já se deve ter apercebido que por aqui temos uma veia bastante feminista (não se preocupem, infelizmente não se pega) e essa veia chama-nos a atenção para situações que de outro modo nos passariam despercebidas. Desta vez foi Maureen Johnson que lançou um alerta sobre livros, autores e capas. Podem ver o artigo original dela onde este se baseia aqui. (E à direita temos uma possível capa para o livro A Culpa é das Estrelas se este tivesse sido escrito por Joahnne Green.)
A capa de um livro é, e não há segredo aqui, o cartão de visita do mesmo. Claro que todos estamos fartos de ouvir o fantástico ditado não julgues um livro pela capa mas sejamos sinceros, praticamente todos o fazemos. E há primeira vista, é a capa do livro que nos fará aproximar ou afastarmos-nos do mesmo.
E uma coisa que eu nunca me tinha apercebido (a Cláudia já mas ela é mais atenta a estas coisas que eu) mas que é verdade é que normalmente os livros escritos por mulheres recebem capas que se centram no romance e que tentam passar as suas histórias como algo light e divertido. Maureen Johnson diz mesmo já ter recebido correspondência de leitores que reclamam das capas enfemeninadas dos seus livros, dizendo que se as capas fossem mais masculinas ou neutras os leriam mas que assim até tem vergonha de serem vistos com eles. A Cláudia que comentou este artigo comigo diz que se cansa de ver sempre figuras femininas nos livros escritos por mulheres, como se não existisse mais nada. 
Eu compreendo o que ambas querem dizer, aliás, sei que muitas vezes as capas demasiado romanceadas dão aos livros efectivamente um ar "barato" e de literatura leve, a chamada literatura de cordel ou alguidar. O que é horrível, só porque um livro é escrito por uma mulher não significa que seja literatura leve ou que seja uma história de amor.
É aqui Encruzilhados que entra o feminismo. Porque tem os escritores homens direito a um género de capas que parece valorizar o seu trabalho, que o vende como um livro sério enquanto os livros escritos por mulheres são tomados levianamente? Oh é apenas mais uma mulher a escrever sobre sentimentos! (Lembro-me sempre da Jo March das Mulherzinhas que apenas viu o seu livro publicado porque o editor leu Joe March em vez de Jo.)
Johnson decidiu por isso desafiar os seus seguidores a re-criarem capas de livros se os mesmos tivessem sido escritos por pessoas do sexo oposto. Por exemplo, todos conhecemos a capa do livro A Culpa é das Estrelas é uma capa simples azul com duas nuvens, uma preta e uma branca, (em Portugal as Edições ASA foram mais imaginativas e tivemos uma capa mais interessante) mas se em vez de John Green o livro tivesse sido escrito por Joan Green a capa seria diferente, encontrei várias versões da capa ao pesquisar a net pela tag #coverflip e maior parte tinha uma das personagens principais na capa e tons claros que lhe davam a imagem de um romance feminino.
Reparem, a história não mudou uma única vírgula e alguns de nós já nem olhariam para a capa duas vezes. Eu pessoalmente se visse a primeira capa (a com o rapaz) acharia que este livro era um típico romance de cordel e não olharia para ele duas vezes, e contudo, este livro foi e é um dos livros preferidos do género YA.
A resposta foi imensa e os seguidores de Johnson uniram-se para recriar algumas das capas de grandes clássicos e de livros mais actuais. Para que tirem as vossas próprias conclusões Encruzilhados, aqui ficam as capas alteradas. Digam-nos o que pensam em relação a elas e se concordam com as alterações.








Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 25 de maio de 2013

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Opinião: Catarina, a Grande, de Silvia Miguens


Catarina, a Grande  
de Silvia Miguens
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 308
Editora: Casa das letras

Resumo:  Em 1762, o czar Pedro III é alvo de uma conspiração, acabando por morrer.
A sua mulher, Catarina, sucede-lhe como imperatriz tornando-se, aos trinta e três anos, «Sua Majestade, Catarina II, imperatriz única e soberana de todas as Rússias». O seu reinado revitalizou a Rússia, transformando-a numa das maiores potências europeias.
Os seus sucessos dentro da complexa política externa são sobejamente conhecidos assim como as represálias, por vezes violentas, aos movimentos revolucionários. Conferiu maior poder à nobreza e aos senhores da terra, constituindo o seu reinado o ponto alto da aristocracia russa. Poucas mulheres geraram tanta controvérsia em redor de si como Catarina, a Grande. Inteligente, culta, autoritária, sagaz, apaixonada, grande estratega e envolta em todos os tipos de conspirações da corte, a imperatriz que governou a Rússia com punho de ferro é, sem dúvida, um dos principais intervenientes na agitação política do século XVIII, que mudou a História do Mundo. Esta emocionante narrativa, que não deixa de fora o rigor histórico, revela as vivências e a intriga palaciana e pessoal da grande imperatriz, a sua peculiar e intensa vida sexual, os seus medos, as suas deficiências e os seus fracassos.

 Rating: 3/5


Comentário:  
Quando se lê esta sinopse, não esperamos iniciar este livro de Sílvia Miguens através da infância de uma das mais conhecidas, temidas e importantes figuras da História da Rússia e, porque não dizê-lo, da Europa, à luz do seu tempo. Figuens, como foi sempre tratada carinhosamente pela ama Babet ao longo de toda a vida (por sua insistência) deixou de ser rapidamente menina, à semelhança de muitas outras princesas, para conseguir adaptar-se e captar as influências de uma nova corte, estranha, um pouco temível, e gerida por um clima de instabilidade, que a arrancou dos braços da inocência para um casamento arranjado com um arqui-duque com comportamentos desprezíveis, à sua vista. É com a morte de Isabel II e com a subida ao trono do seu marido, que surgem uma série de oportunidades de reverter o quadro de infelicidade plena e de tomar as rédeas do poder (mas também da condução de um império desgovernado pelas loucuras de um Imperador que não quer nem sabe governar. Catarina irá fazer-se valer de aliandas poderodas, de correspondências com alguns dos maiores pensadores da Europa iluminista, e revolucionária (ainda que nem sempre concorde com eles) e ligar-se a uma série de amantes.

A composição semelhante à escritura de memórias jogou um pouco contra este livro. Acho que nunca consegui ver a personagem realmente como Catarina, a Grande, porque o tom inserido era sempre de grande ingenuidade, quase como se os diversos caminhos por ela tomados fossem obra do acaso e não de sua decisão e poder. Não passa para o leitor a mulher forte, desenvencilhada, culta e sedenta de saber, poder e controlo.
Por outro lado, se por vezes perdemos muito tempo junto das intrigas da vida palaciana, no seguimento de momentos que interessavam perceber, como conflitos europeus e nas estratégias diplomáticas tomadas em contexto geopolítico, perdem-se todos os momentos. São referidos de passagem, e teriam todo o sentido se o relato fosse contado a alguém da época ou com um enorme conhecimento da história do czarismo da Rússia. Para quem gosta de história, mas não a conhece de trás para a frente, por vezes a introdução destes elementos é confusa e atabalhoada ( várias vezes parei porque queria perceber realmente o contexto e o que tinha acontecido).
Temos também a introdução repentina de personagens, que logo saem de cena, porque houve uma evolução temporal, muito despachada. Estas localizações temporais são também dispersas. Lembro-me que a determinada altura Catarina, a Grande refere estar no seu país de acolhimento há 8 anos, embora para além dessa referência não há nada que o relate (pensamos até terem-se passado apenas uns meses após o seu casamento).
Ainda assim, acho que não foi uma questão de erro de escrita ou incapacidade da autora, mas mais uma jogada criativa. De facto, e lendo este livro (que não deixa de ser uma obra ficcional), é possível imaginar a Czarina, ou Mãezinha a redigi-lo, ela própria refere várias vezes que se deveria dedicar às memórias que numa fase inicial escrevia para um tio apaixonado, mas que a acompanharam para o resto da vida. E, em jeito de diário, ninguém faz uma referência enquadratória do contexto do seu quotidiano, simplesmente o que se viu, viveu e sentiu. E nesse aspecto, este livro cumpre com o seu objectivo.

É um romance histórico, não garanto que todos possam gostar deste formato nesse contexto, mas não deixa de ser original.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.