quarta-feira, 10 de julho de 2013

Resultado do Passatempo "O Mercador de Livros Malditos", de Marcello Simoni



Boa noite caros leitores!

Pedimos novas desculpas pelo atraso na revelação dos vencedores. Bem sabem que não é costume, mas este ano tem sido um bocado atribulado para nós e estamos a tentar ao máximo continuar a mimar-vos como merecem!

Assim sendo, agradecemos novamente o apoio do Blog "Crónicas de Uma Jovem Atrapalhada" neste passatempo e, sem demoras, aqui fica o vencedor:

- Elsa [...] Ramos, de Albufeira.



Parabéns e óptimas leituras! Esperamos que se divirta!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Opinião: Mariana, de Susanna Kearsley







Mariana
de Susanna Kearsley
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 352
Editor: Edições ASA



 Resumo: Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Júlia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai-se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Júlia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera?
Rating: 4/5

Opinião:  Fiquei fã da Susanna Kearley com "O Segredo de Sophia" (já aqui comentado no Blog), e quando o vi na Feira do Livro de Lisboa não resisti.

Iniciamos esta história com Júlia, uma mulher que desde pequena se encantou com uma pequena casa numa vila de dimensões reduzidas, e com a qual sempre cruzou por acaso. A ligação ao espaço é intensa e avassaladora, o que se no caso de uma menina de 7 anos a leva a dizer-se proprietária da casa dos seus sonhos, como uma mulher de 29, fá-la perder a cabeça e acabar por adquiri-la. À semelhança do anterior livro da autora, achei que faltava um pouco de caracterização da vida apriori de forma mais fundamentada, mas nada que me tenha estragado a evolução do enredo.
Quem leu o livro anterior da autora, certamente terá algumas sensações de dejá vu, não porque a história seja igual, mas porque existem algumas similiaridades na condução da mesma.
Júlia irá adaptar-se rapidamente aos seus novos vizinhos e ao ar pacato da vila, sendo invandida por indícios de vidas passadas através do carácter histórico da sua residência e do solar Crofton Hall, mas também de mitos e de susperstições populares (que se calhar não estarão assim tão erradas quanto isso).
Enquanto tenta descobrir o verdadeiro segredo, o objectivo de toda a sua curiosidade, Júlia irá passar por alguns momentos algo caricatos (pelo menos se vistos exteriormente) e por uma série de emoções para as quais nem sempre estará preparada.
Gosto das várias personagens deste livro. Tornam-no numa leitura afável e doce, e compõem muito bem a narrativa. Os habitantes da vila contemporânea trazem-nos um lugar idílico onde não me importava de passar férias; com bastante hospitalidade, uma boa dose de intromissão e simpatia.
Tom, o irmão de Júlia, acaba por ser a minha personagem preferida. Um vigário com um sentido de humor afiado e peculiar, que continua a cuidar da irmãzinha e a zelar pela sua segurança e bem-estar.  A relação dos dois irmãos é, de resto, um dos pontos fortes do livro.
Já a vila de 300 anos antes é um local de intrigas, dramas políticos e relações proíbidas, como em parte já se esperava. As ligações entre o presente e o passado estão delineadas de forma inteligente, ainda que a meio do livro tenham sido algo apressadas, roubando-nos elementos da realidade, de qualquer uma delas aliás.
Por mim, e sem revelar nada que não possa, não concordo com o determinismo temporal que a autora quis atribuir ao desenvolver da história, quer quanto à interligação de personagens quer quando ao decorrer do tempo.
O fim foi algo apressado, e apesar de o ter aceite, não acho que tenha tido muito sentido. Mesmo que o desfecho final conduzisse naquele sentido, mais uma vez, o determismo imposto soou-me algo disparatado.
Em última instância, continuo a gostar da forma como a autora escreve e conduz as suas histórias, pelo que irei ficar deste lado a acompanhar próximas obras.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Opinião: Anna e o Beijo Francês, de Stephanie Perkins

 
Anna e o Beijo Francês
de Stephanie Perkins
 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas:288
Editora: Quinta Essência




Resumo:

Anna Oliphant tem grandes planos para o seu último ano em Atlanta: sair com a melhor amiga, Bridgette, e namoriscar com um colega no cinema onde trabalha. Por conseguinte, não fica muito contente quando o pai a envia para um colégio interno em Paris. As coisas começam a melhorar quando ela conhece Étienne St. Clair, um rapaz deslumbrante - que tem namorada. Ele e Anna tornam-se grandes amigos e as coisas ficam infinitamente mais complicadas. Irá Anna conseguir um beijo francês? Ou algumas coisas não estão destinadas a acontecer?

Opinião da Cláudia:
Ranting - 4,5/ 5

Há livros que demoram a despertarem-nos a atenção, e Anna e o Beijo Francês foi um deles (talvez por causa do nome). Já o conhecia, mas nunca me tinha interessado, até ter saído a edição portuguesa da Quinta Essência e ter ido ler melhor a sinopse. É caso para dizer que o terminei em menos de 24 horas.
Na segunda passada, os precalços dos serviços públicos portugueses obrigaram-me a uma espera inesperada de duas horas por Lisboa até à finalização de um serviço. Valeu-me este miminho estar dentro da mala, já que só metade do mesmo foi lido sôfregamente.
Acho que existia um receio inicial de que o discurso fosse demasiado juvenil. Não quer dizer que não leia livros dessa natureza, mas talvez exactamente por já ter lido tantos, pretendia algo diferente. E foi o que este livro se revelou.
Antes de entrar na narrativa em si, há que descrever os cenários exteriores. Estive em Paris há mais de 10 anos, pelo que Stephanie Perkins levou-me a revisitar vários lugares pelos quais me encantei e que gostava de voltar a ver. Desde os passeios largos cheios de vida artística junto ao Sena, à Catedral de Notre Dame, ao Ponto Zero de Paris, onde tantas vezes Anna e Étienne pedirão os seus desejos (e também eu pedi os meus).
Sem querer assoberbar-nos de pormenores e história, a autora faz-nos sentir em Paris, provando a gastronomia local, assimilando as texturas visuais, marcando com as sonoridades da língua francesa, num quadro conjunto que nos leva a viajar sem sair do lugar.

                                 in http://viverparis.blogspot.pt/2009/01/ponto-zero-de-paris.html

Quanto à temática principal, esta história começa quando Anna se vê literalmente arrastada pelos pais para ir viver em Paris, num colégio interno. Não sei porque é que as personagens nas histórias se mostram sempre tão contra estes estabelecimentos, porque ao longos dos anos vim a apaixonar-me por eles e acho que ainda hoje fico com pena de não ter estudado num (estranho, eu sei). No entanto, o colégio não é nada do que ela esperava. Para além de uma menor dimensão, de uma fácil ligação entre professores e alunos, de um serviço que por pouco não se assemelha a um hotel (pelo menos segundo a sua visão, habituada aos padrões das escolas públicas americanas), este revela-se um mundo de descobertas, onde não só as suas capacidades estarão sempre a ser desafiadas (e é quando saímos da zona de conforto que acabamos por crescer e evoluir) como Anna terá a oportunidade de aprender que é muito mais do que julgava. 
Naturalmente com medos e receios adequados a uma mudança drástica, Anna ver-se-á facilmente acolhida por um grupo de amigos que a farão sentir em casa em qualquer lugar, e ver que no fundo, o coração tem espaço para as novas e as velhas amizades. É uma menina doce a precisar de crescer e alargar os seus horizontes, e irá encontrar meios para fazê-lo nesta nova realidade. 
Claramente, uma experiência tão rica nunca nos deixa igual ao ponto de partida, pelo que não será apenas Anna a adaptar-se, como também os que a rodeiam ou com quem ela tem relações mais próximas. E são esses novos extractos de relações passadas e presentes que mais contribuem para o sucesso desta história.
Para ser sincera, e sem revelar demasiado, histórias de amor são o que não faltam no mercado. O ponto de viragem neste livro é que nos faz também a nós regressar à primeira vez que nos apaixonámos: a explorar os sintomas, a rever acontecimentos, a sorrir com lembranças que hoje são doces mas que anteriormente nos colocaram o coração às tiras. A sensação de antecipação de um momento esperado, da necessidade de validar um amor como correspondido, da possibilidade de vencer a barreira dos constrangimentos, do desejo reprimido e acima de tudo, da paixão a florescer, são os factores fortes que a autora nos traz. 
Este livro é como reabrir um baú de memórias, e relembrar a doçura que antecede o primeiro amor, o primeiro beijo, e mais do que isso, a concretização de um sonho há muito guardado dentro de nós.
É um miminho que derreterá corações, e que aconselho a qualquer pessoa que goste de romance (mesmo as que não se pelam por exageros - já que eu também não gosto).

Opinião da Ki: 
Rating - 4/5
Escrito na primeira pessoa, seguimos Anna, uma jovem americana que vai estudar para Paris.
Como também estudei no estrangeiro, consegui identificar-me rapidamente com os sentimentos de saudade e ao mesmo tempo de curiosidade que invadem uma pessoa quando tomamos consciência que vamos ter de viver numa cidade diferente.
A história andou a bom passo e acho que a Anna é uma personagem bem construída e uma das principais causas disso é a sua obsessão por limpezas e o facto de ambientes sujos a fazerem sentir mal. É algo que não é comum as personagens terem mas que é bastante real, eu tenho uma conhecida assim que consegue ser ainda pior que a Anna visto que arruma na casa dela e fora da casa dela. De qualquer modo, os medos de Anna e as suas peculiaridades tornam-na humana e criam uma personagem com a qual é fácil criar empatia.
O mesmo se pode dizer dos novos colegas de Anna. St. Clair é um rapaz divertido mas prestável, Merth é a artista e a simpática vizinha, o casal de namorados, Ramish e Josh, discutem por vezes mas acabam sempre por fazer as pazes. Apesar de Anna estar num colégio e se sentir um pouco dessa atmosfera, não deixa de estar no secundário e há emoções a fervilhar por todo o lado quer nos corredores da escola, quer nas ruas de Paris.
Ultimamente tenho apanhado muitas críticas sobre personagens odiáveis e compreendo perfeitamente que se um personagem não está bem construído ou mesmo estando se não conseguimos criar empatia com ele é extremamente difícil conseguir apreciar a história. No caso de Anna no entanto, creio que qualidades e defeitos foram generosamente balançados e é possível apreciar a trama da história,
A trama em si poderá não ser nada de novo, mas já alguém dizia há uns tempos que já não existem histórias originais, apenas bons contadores de histórias e Stephanie Perkins revela-se como sendo uma fantástica contadora de histórias.
Além de Anna e o Beijo Francês, é também autora do livro Lola and the boy next door, traduzido à letra por Lola e o rapaz da porta ao lado, um livro que se passa no mesmo universo de Anna apesar de não ser focado nas mesmas personagens e já tem agendado um terceiro livro, também do universo de Anna, chamado Isla and the happily ever after, traduzido por Isla e o Felizes para sempre.
Anna e o Beijo Francês é o livro que andou de boca em boca e tem tirado críticas de cinco estrelas da boca de maior parte dos jovens, chegando a ter no GoodReads uma classificação de 4,28 estrelas com quase 25mil votos, o que sem dúvida quer dizer algo.

BookTrailer:

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Tentando o voluntariado...

Se já nos seguem à algum tempo, já devem ter reparado por vários comentários e artigos que o Encruzilhadas Literárias é agora internacional. 
Há três meses atrás munida de armas e bagagens mudei-me para o Reino Unido e por aqui tenho andando. De loja de livros em segunda mão em loja de caridade, do estágio para o centro de emprego, da chuva para o sol, a minha vida tem seguido a um ritmo louco e tenho-me sentido um pouco afastada das pessoas por isso decidi ir à minha biblioteca local tentar o voluntariado.
Sim, à biblioteca, afinal livros são das coisas que mais amo porque não haveria de aproveitar a oportunidade de trabalhar com eles?
Depois de uma rápida pesquisa descobri que existiam várias oportunidades de voluntariado na minha zona, as duas que me chamaram mais a atenção envolviam a leitura em voz alta.
Uma das opções era fazer parte de um grupo que recebe crianças na biblioteca lê para elas e faz com elas trabalhos manuais baseados nas histórias. Como adoro crianças e trabalhos manuais pareceu-me que uma junção de ambas mais a adição de livros seria interessante! (Além do mais a descrição do voluntariado falava também em fantoches!)
A outra opção envolvia visitar pessoas doentes, ou de mobilidade reduzida, e levar-lhes livros e/ou ler para elas. A descrição deste voluntariado dizia também que devíamos falar com os leitores, perceber os seus gostos, aconselhar-lhes livros e fazer-lhes um pouco de companhia. Verdade seja dita, e isto a minha mãe sempre me disse, tenho tendência a dar-me bem com pessoas de idade. Eu creio que isto acontece porque as acho fascinantes, elas viveram num mundo que apesar de ser o meu pareceu, por vezes, um planeta diferente e adoro sentar-me a ouvir as suas histórias. Por isso, esta possibilidade também me pareceu bastante interessante.
Como imaginam acabei por me inscrever nas duas opções porque acho que me daria bem em qualquer uma mas subitamente pus-me a pensar e se de repente me apanho a ler Noras Roberts a uma velhinha no hospital? O que vou fazer quando chegar às cenas de sexo escaldante?
Ideias, Encruzilhados?



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Opinião: Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2], de James Dashner

Maze Runner - Provas de Fogo [Maze Runner 2]
de James Dashner
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 368
Editor: Editorial Presença
Resumo:
 Atravessar o Labirinto devia ter sido o fim. 
Acabar-se-iam os enigmas, as variáveis e a fuga desesperada. Thomas tinha a certeza de que, se conseguissem fugir, ele e os Clareirenses teriam as suas vidas de volta. Mas ninguém sabia realmente para que tipo de vida iriam regressar... 
O segundo volume da série Maze Runner ameaça tornar-se um clássico moderno para os fãs de títulos como Os Jogos da Fome.
Rating: 4,5/5

Opinião da Ki:
(Se ainda não leram a nossa opinião ao primeiro volume podem fazê-lo aqui)
 Meu Deus, que viagem! É impossível não amar um livro que nos fez perder a cabeça ao ponto de o atirarmos contra a parede. Depois do epílogo do primeiro volume que nos deixou a chorar por mais agora é a vez do segundo volume nos fazer "sofrer".
Thomas e os Clareirenses estavam convencidos que atravessar o labirinto se revelaria o fim das suas turbações. No entanto, nada podia estar mais longe da verdade e o porto seguro onde pensavam estar, rapidamente se transforma noutra casa de partida para o jogo de CRUEL.
Segredos, traições e momentos inesperados aguardam-nos em cada canto deste livro. Os seus mais de cinquenta capítulos passam a voar e deixam-nos com vontade de ler mais e descobrir mais sobre o que efectivamente se está a passar com Thomas e os seus amigos.
Quanto à escrita e evolução da história podemos encontrar a mesma voz a que James Dashner nos habitou no primeiro volume. Thomas está numa luta constante entre a sua mente e as evidências em frente aos seus olhos. Porque trabalhou para a CRUEL? Qual é a sua missão? Qual é o papel de Teresa em tudo o que se está a passar?
Uma das coisas que mais gosto na personagem de Thomas é a sua capacidade de raciocínio. Apesar de Tom ser um adolescente e sentir as emoções com a violência típica de um, ele também tem cabeça e obriga-se a parar de tempos a tempos para tentar fazer sentido do que está a viver. Mas como podemos fazer sentido de uma vida que está sempre a ser vigiada por cientista malucos?
Maze Runner é uma das melhores distopias que já li, temos todos os factores que nos levam numa aventura contra tudo e contra todos e temos um herói que apesar de perdido se sente confiante de que está a fazer a coisa certa. Além do mais, Tom é um negociador nato e apesar de não ter necessariamente um dom especial com as palavras, sabe quando chega a altura de abrir o jogo e dizer as verdades.
O que achei deste livro? Que foi um filme de acção que se desenrolou na minha cabeça e me fez berrar, ficar nervosa e desejar saber cada vez mais sobre o que se está a passar nesta trilogia. Porque se o primeiro volume nos trouxe perguntas, o segundo apenas nos trouxe algumas respostas e mais perguntas ainda. O que é efectivamente a CRUEL? Porque é que Thomas e os Clareirenses foram os escolhidos para este projecto? Qual é a doença que está a matar a humanidade? E quais são os seus efeitos?
Uma sequela que sem dúvida não desaponta e que abre caminho para o último volume da trilogia.

Opinião da Cláudia: 
Se tivemos opiniões divergentes realtivamente ao primeiro volume, "Maze Runner - Provas de Fogo" cala qualquer dúvida que eu pudesse ter relativamente a esta saga. E só para começar, digo-vos que a expressão "leitura de tirar o fôlego" ganha um significado bem realista com este segundo volume! Acho que até estou sem palavras suficientes para descrever a leitura arrebatadora, dinâmica, cheia de acção, intriga e mistério que James Dashner nos trouxe!!
Como bem diz o subtítulo da continuação desta trilogia, o Labirinto foi apenas o início. E se em Maze Runner - Correr ou Morrer, nem sempre percebíamos o que estávamos a ler, então este segundo volume tira-nos completamente os pés do chão: os twists são engendrados de forma que nos deparamos com eles à medida que as próprias personagens os vivenciam, as suas dúvidas são as nossas e o aparecimento de novos obstáculos deixa-nos tão sem forças como às personagens.
Estou prestes a dizer que o autor é brilhante. Em primeiro lugar, não é fácil criar um enredo de young adult segundo a temática dos mundos distópicos que realmente nos surpreenda na actualidade (e atenção que eu disse surpreenda, não que não gostemos de outros livros do género). A capacidade de construção de um mundo discuncional, pré-apocalíptico (e vou utilizar este termo porque não existe forma melhor de contextualizar a caracterização do mundo tal como a mesma nos é apresentada), onde o ser humano luta pela sobrevivência e apenas se quer ver livre do Fulgor (quem quiser saber o que é, terá de ler o livro) mostra-nos uma série de dimensões inesperadas. Esqueçam-se do Labirinto, esse foi mesmo o início. E se as regras do jogo mudaram, também a realidade onde se inserem. O exterior é diferente do que eles esperavam (a dada altura, julguei muitas vezes que aquele cenário não fosse o verdadeiro exterior). Muitas coisas não batem certo, mas nem temos tempo de questioná-las porque logo em seguida acontece algo igualmente surpreendente.
Tal como as personagens, quando achamos que já nada nos pode causar espanto, surge outro novo desafio, outro novo mistério e uma série de pistas que se interligam entre si, e para a qual a falta de memória de Thomas nos deixa (mas deixa-o principalmente a ele) fora de juízo. Cada rasgo de conhecimento é uma tentativa de perceber como vencer este desafio que ele e os Clareirenses enfrentam numa conjungação doentia de cobaias num ensaio científico (para o qual supostamente não acordaram entrar...mas quem sabe?).
Esta nova realidade traz também novos companheiros de viagem. Contrariamente a Thomas, desta vez terei de ficar do lado de Minho, e enunciar que uma ou outra me levantaram dúvidas. As quais vi em parte confirmadas, mas por outro lado, também não vi. Confuso? Talvez só lendo se entenda a real dimensão desta trilogia.
O autor foi bastante inteligente na construção deste enredo. Se por vezes senti algum vazio na ausência de explicações, de caracterizações de personagens (e até uma certa infantilidade de Thomas, provinda da necessidade de elevar o ego ao mostrar-se corajoso de forma pateta por vezes) no primeiro volume, este é denso, enriquecido de narrativas, descrições espectaculares que me fizeram viver a aventura ao mesmo nível que os seus executantes.
Por outro lado, foi revigorante (para variar) ter como personagens principais um grupo de rapazes. Adoro livros com personagens femininas fortes, mas Thomas, Minho, Newt e os restantes Clareirenses são seres espectaculares. São rapazes adolescentes com o desejo de vencerem, que não negam as suas emoções e o medo constante que sentem pelo preço a pagar pela sobrevivência.
Estou completamente rendida, e quero comprar toda a trilogia.

  • Este livro faz parte de uma trilogia, da qual já comentamos o primeiro volume;
  • Esta trilogia já foi toda publicada em inglês sendo o título do último volume The Death Cure;
  • Em 2012 o autor publicou uma prequela chamada "The Kill Order" (e que me parece ser bastante spoiler da série);
  • A 20 de Fevereiro de 2014 deverá estrear o primeiro filme.