terça-feira, 30 de julho de 2013

800 livros roubados para encontrar do sentido da vida!

Existem notícias estranhas Encruzilhados, aquele tipo de estranho que nos faz levantar o sobrolho e pensar "o que raio se passa com esta gente?". Existem notícias normais, daquelas que nos podem fazer resmungar ou sorrir e existem notícias que fazem todo o sentido. Na minha opinião roubar 800 livros para encontrar o sentido da vida é uma delas.
Antes de mais gostaria de dizer que não apoio o roubo mas que percebo o que este senhor estava a tentar fazer e para perceberem do que falo aqui fica o resumo da notícia:

Em Nanjing (creio que português se diz Nanking) na China, uma livraria pediu ajuda à polícia depois de se aperceber que vários dos seus livros estavam misteriosamente a desaparecer. Após uma investigação de três meses, a polícia acabou por prender um homem que discretamente roubava vários livros da biblioteca por dia. 
Nos seis meses em que roubou a livraria o culpado, a quem foi atribuído o pseudónimo de Lee (o equivalente ao nosso Silva ou Santos, isto é um apelido comum), roubou livros das mais diversas secções da livraria. Livros de história, poesia, psicologia entre outros foram encontrados em sua casa.
Quando questionado sobre o motivo dos seus actos, o Sr. Lee rapidamente admitiu que estava em busca do sentido da vida. Tendo lido mais livros que os seus colegas de faculdade, o Sr. Lee rapidamente se apercebeu que não estava a conseguir responder às "simples questões": quem, o quê e porquê a Humanidade existe.
Apesar de ter lido os mais de 800 livros roubados, o Sr. Lee diz não se sentir mais perto da resposta e que ainda não consegue compreender "o sentido da vida". (notícia original aqui)

Como leitora assídua e qui ça filosofa nos tempos livros, compreendo a busca do Sr. Lee pelo sentido da vida numa das melhores coisas que a humanidade criou, os livros. É nos livros que guardamos as nossas mais belas prosas e poesias, é nos livros que confessamos os nossos crimes mais horrendos e os nossos medos. Quem nunca foi salvo pelo livro certo, na altura certa?
Os livros falam connosco, já lá diz a frase de certo autor, e o nosso ser responde. São um diálogo incessante e que todos devíamos fazer. Os livros levam-nos a outras eras e lugares, os livros levam-nos em aventuras e ajudam-nos a conhecer pessoas que jamais conheceríamos de outra maneira.
Será por isso tão descabido pensar que algures nas páginas deles poderíamos encontrar o sentido, a verdade, sobre a humanidade. O poder da palavra é reverenciado desde sempre os desenhos nas cavernas contam histórias, os egípcios também deixaram informações valiosas nas suas paredes, e os chineses talhavam poemas em pedra para que os viajantes pudessem passar tinta e papel neles e levar uma "cópia carimbo" dos mesmos consigo.
As palavras estão ao nosso redor e contém a verdade e a mentira, a imaginação e a realidade, as palavras são o que nos ajuda a expressarmos-nos. Porque não conteriam o sentido da vida?

Deixem as vossas opiniões sobre este assunto nos comentários Encruzilhados!


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Passatempo: A Casa de Willow Street, de Cathy Kelly

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Caros Encruzilhados,

Como já devem ter apercebido andamos meio desaparecidas, como a Cláudia já mencionou num post no facebook. No entanto, o mês de Agosto vem cheio de surpresas e começamos já com este novo passatempo!!

Com a colaboração da Quinta Essência temos não um, mas dois exemplares de A Casa de Willow Street de Cathy Kelly para oferecer, de 29 de Julho a 4 de Agosto. As regras são as mesmas de sempre e podem revê-las abaixo. Para lerem o resumo do livro e descobrirem as respostas cliquem aqui.

Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 04 de Agosto de 2013.

2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.



sábado, 27 de julho de 2013

Opinião: Matilda, de Roald Dahl

Matilda
de Roald Dahl
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 264
Editor: Livraria Civilização Editora
Resumo:
O pai de Matilda Wormwood é um vigarista malvado e velhaco. E a mãe dela não passa de uma idiota. Os dois pensam que Matilda é uma maçadora que devia ver mais televisão e ler menos livros! Mas a menina Honey, a adorável professora de Matilda, considera-a um génio. Matilda tem alguns truques escondidos na manga, por isso, é melhor que estes pais horrorosos e a directora da escola, mais horrorosa ainda, tenham cuidado.
 
Rating: 4/5

Comentário: 
Aqui há uns anos li o livro As Bruxas de Roald Dahl com as minhas irmãs, naqueles tempos idos em que lia em voz alta para elas e lembro-me que me diverti e achei a história original. Por essa altura já tinha visto o filme Matilda, a espalha brasas mas não sabia que o mesmo era baseado num livro do mesmo autor d'As Bruxas. A vida, contudo, tem maneira de nos revelar estes pequenos segredos de uma maneira ou outra e eu dei por mim com a possibilidade de ler este livro e pensei para mim mesma porque não?
Apesar de ainda não ter muitos livros de Roald Dahl, já me apercebi que este escreve livros infantis que representam com uma certa singularidade os adultos: o autor representa-os como as crianças os vêem. Isto é, parvos, distraídos e sem paciência nenhuma para crianças. (Claro que existem excepções, como que lembretes para as crianças que nem todos os adultos são maus mas são raros.)
Isto acontece também na história de Matilda. Mais inteligente que a sua família desde a nascença, Matilda sente-se um autêntico alien entre os seus pais e irmão, a sua única fuga são os livros onde fantásticos heróis e heroínas salvam o dia. Mas Matilda não gosta só de livros infantis, após ter lido toda a biblioteca infantil Matilda segue para os livros de adultos.
Esta sua paixão por literatura vai manter o seu cérebro aceso e vai alimentar "os truques" que Matilda tem escondidos na sua manga tempo suficiente para ela não enlouquecer e encontrar por fim uma alma irmã na sua professora primária Miss Honey.
 Após uma infância de negligência (a mãe deixava-a sozinha em casa para ir jogar bingo) Matilda é enfiada na escola pelo seu pai e encontra a segunda adulta que a trata decentemente (sendo a primeira a bibliotecária), tal como a bibliotecária Miss Honey compreende rapidamente que Matilda não é uma criança comum e percebe que os seus dons devem ser alimentados para que ela possa ter uma vida melhor.
Infelizmente para Matilda, tanto a Directora da escola como os seus pais parecem ter planos diferentes para o seu futuro. Quando somos novos os adultos são aterradores, montanhas enormes que nos apontam o dedo, ralham e por vezes até dão sovas, se isto já é mau quando apenas achamos que estamos certos, imaginem a vida da pobre Matilda que sabe com certeza que está certa.
Num tom de voz original e divertido, Roald Dahl tece uma história improvável e mágica onde a nossa pequena heroína vai dar aos adultos uma lição que eles jamais esquecerão e talvez, quem sabe, conquistar o seu final feliz.
Book Trailer:

quarta-feira, 24 de julho de 2013

"Inferno" de Dan Brown nos cinemas em 2015!

Inferno, de Dan Brown, o quarto livro da série protagonizada por Robert Langdon, superou já as expectativas por parte da Bertrand Editora quanto a vendas efectivas. A provar este sucesso de vendas logo no arranque, está a posição que ocupa nos tops das principais cadeias livreiras e outros agentes de venda de livros: o primeiro lugar é unânime.
Entretanto, chega-nos a notícia de que Inferno será adaptado ao cinema, pela mão da Sony. À semelhança de Código Da Vinci e Anjos e Demónios Ron Howard realizará o filme, com argumento de David Koepp Tom Hanks assegura mais uma vez o papel de Robert Lagndon. 
A produtora anunciou a estreia para o dia 18 de Dezembro de 2015, segundo a notícia que pode ser lida no site do The Telegraph.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Opinião: Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

Eleanor & Park
de Rainbow Rowell
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 336
Editor: ORION PUBLISHING CO
Resumo:
Contada ao longo de um ano escolar em 1986, Eleanor and Park é a história de dois jovens enamorados que são demasiado espertos para saberem que o primeiro amor não é eterno mas que são corajosos e desesperados o suficiente para tentarem. 
 (Aviso contém k-7's e walkmans!)

Rating: 3/5

Comentário:
Depois de A Culpa é das Estrelas, de John Green, Eleanor & Parks, de Rainbow Rowell é o livro mais comentado e amado pelos jovens cibernautas. Quando andava pela net e via perguntas como qual foi o melhor livro que leste o ano passado, as respostas pareciam sempre oscilar entre as culposas estrelas e a o casal dos phones e foi assim que lentamente ele começou a captar a minha atenção.
Apesar de ter A Culpa é das Estrelas por ler, a verdade é que John Green não me impressionou muito com o primeiro e único livro seu que li até hoje (na realidade já me semi-contentei com o facto de que gosto dele como pessoa mas não como autor) e como nunca tinha lido nada de Rowell decidi ver como era a sua escrita.
Após algumas citações que me deixaram curiosa resolvi ler a sinopse. Quando esta não pareceu revelar muito decidi arriscar e ir em busca do livro para o ler.
Para mim foi fácil perceber a realidade de Eleanor & Parks, apesar de ser muito pequena em 1986, a verdade é que algumas das coisas que eles fazem como trocar k-7s e ler banda de desenhada fizeram parte da minha vida e foi engraçado encontrar um eco dessa existência. O facto da história se passar em 1986 também torna tudo mais interessante na minha opinião, o que eu me ri quando estes jovens discutiam o preço das chamadas telefónicas entre os seus telefones de casa. Este livro acaba por ser um bombom neste género de situações que nos evocam uma realidade que não está tão longe quanto isso.
Infelizmente tenho a dizer que não creio que a autora tenha feito uma boa distribuição da história. Apesar de começarmos a uma boa velocidade pareceu-me que ela simplesmente empancou no meio por mais ou menos 100 páginas só para depois dar um final a correr que nos deixa sem perceber muito bem o que se passou depois.
É o género de final aberto que nos diz tudo mas ao menos tempo não nos diz nada e nos deixa a pensar em todas as possibilidades enquanto resmungamos sobre o facto dela não ter posto a ideia final a meio do livro ganhando assim a possibilidade de a desenvolver mais.
(Gostei desta imagem dos personagens e resolvi partilhá-la, cliquem nela para seguirem para o tumblr da autora.)
No entanto, para quem gosta de ler livros com sabor a realidade, Eleanor & Parks poderá, sem dúvida, ser um título a considerar. Sei que sou suspeita porque nunca gostei de livros como A Lua de Joana e Os Filhos da Droga mas, e apesar deste livro não conter drogas, é-me mais fácil perceber a situação conturbada da família de Eleanor e identificar os seus problemas. 
Creio que o grande factor que nos faz gostar/simpatizar com a Eleanor é ela ser ela própria e o facto dela não poder fugir à família que tem. Afinal quem em adolescente não se sentiu preso? A Eleanor pode ser puxada e empurrada mas é uma personagem que sabe tomar conta de si (ou pelo menos acha que sim) e que vai sabendo mais ou menos o que quer, o que a torna uma adolescente credível.
Feitas as contas foi um livro que por vezes me mexeu com os nervos, principalmente nas partes de bullying, mas que não me arrependo de ter lido. No entanto, não conto tornar a lê-lo.
Saí daqui com a classificação de três estrelas.