sábado, 3 de agosto de 2013

Opinião "O Diabo dos Anjos", de Liliana Lavado


O Diabo dos Anjos

O Diabo dos Anjos
de Liliana C. Lavado

 Edição/reimpressão: Ainda não publicado
Páginas: 288
Editor: /







Resumo: Amigos de infância, Henrique e Amanda nada têm em comum para além de uma paixão por livros e uma amizade que ambos já deram como perdida.
Depois de vários anos de silêncio, ele é um estudante finalista de Literatura Inglesa que olha com receio os dias fora das paredes seguras da Universidade e ela uma aspirante a escritora que se esvanece no tumultuo de um grupo de amigos problemático.
 
Numa viagem a Itália que tem tudo para ser perfeita, um Livro transforma-se num desastre que traz anjos à Terra, um gato com estranho senso de humor, novas dores de cabeça a Henrique e mais loucura a Amanda.
A inesperada aventura volta a juntar-lhes o caminho para uma missão celestial que é apenas o início dos problemas para ambos.

Henrique e Amanda podem ter encontrado um no outro o pretexto que tanto procuravam para adiar decisões e contornar o futuro, mas em troca, recebem também o que não pediram e aprendem que o futuro é inevitável.
Rating: 3/5

Opinião: 
 Não sei se já ouviram falar do projecto Leitores-Beta da Liliana C. Lavado, autora de “Inverno de Sombras” (podem comprá-lo na Editora Marcador ou no site da Editorial Presença). Há uns meses, a autora disponibilizou uma versão ainda não final alguns livros seus para um conjunto de leitores selecionados, que ficaram responsáveis por lhe dar uma opinião o mais sincera e isenta possível, fazendo com que o primeiro impacto junto de um leque de leitores variado lhe desse o feedback necessário para corrigir uma coisa ou outra  necessitar de ser afinada antes de serem publicados.
 

No mês passado surgiu a segunda fase deste projeto, quando a Liliana propôs que os interessados se candidatassem a uma segunda leitura do livro “O Diabo dos Anjos”, antes de seguir para a editora. Claro que tive de me candidatar, entusiasticamente, e felizmente fui aceite. Deixo deste modo a minha opinião, fazendo saber que o livro lido ainda poderá estar sujeito a alterações e a opinião remete-se apenas para a data actual.

“O Diabo dos Anjos” foi uma surpresa. Não sei ao certo o que esperava quando li a sinopse, mas não era bem isto. E gosto de ser agradavelmente surpreendida, pelo que este é um ponto a favor. Como personagens principais temos Amanda e Henrique, que nos trarão uma série de camadas para compor um puzzle complexo de relações humanas, acções perdidas, e arrependimentos guardados dentro de si durante anos. A eles juntar-se-ão outras tantas personagens que irão compor um enredo que nos faz querer saber mais. 

Na verdade, para mim, mais do que a grande temática, as personagens são o ponto forte do livro. E ainda mais as secundárias do que as principais. Não se enganem, que elas trazem muito à história, mas mais do que simpatizar com elas, por vezes queremos identificar-nos, ou reconhecer pessoas que fazem parte das nossas vidas em partes de outras criadas no papel. E isso aconteceu-me mais rapidamente com algumas delas.

Gosto do Pedro e da relação dele com Henrique, a camaradagem é bem visível e só fiquei com pena de ainda não passarmos mais tempo com eles. É divertido, carismático e com sentido de humor. Já Bia tem aquela tendência sarcástica de dizer tudo o que quer, e que nem sempre todos percebem, o que só demonstra o grau de inteligência nas escolhas que faz. Ri-me por vezes com algumas coisas que ela dizia. É impossível ficar mal disposta quando ela aparece.

Pelo facto de todo o quadro estar composto, este livro quase que nem precisava da fantasia urbana, mas sendo essa a temática principal, temos de abordá-la. Esperava algo mais complicado neste campo, ou que me obrigasse a não querer largar o livro atendendo ao nível de suspense e de acção. Embora tenha achado a leitura agradável, não o senti dessa forma, pelo que acho que falta algum trabalho na conexão dos dois mundos: o dito normal e o sobrenatural. 

Ainda assim, gosto da forma da Liliana escrever. É actual, identificamo-nos com espaços que não conhecemos e com realidades não vividas, mas que em parte são parecidas à nossa ou à de tantos outros que conhecemos. É bom sentirmo-nos parte de um livro e não meros leitores, pelo que ela está de parabéns por isso. O humor e os momentos dramáticos tiveram o seu peso e medida e foi impossível ficar indiferente ao desfecho das últimas 20 páginas, onde uma série de eventos encadeados e alucinantes desvendou um cenário que não achámos possível.

Esperemos pela revisão final e pelo seu lançamento!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Passatempo: "Morte em Pemberley", de P. D. James

Queridos Encruzilhados,

Hoje temos um fantástico passatempo em colaboração com a Porto Editora. Porquê fantástico? Porque esta obra faz referência a uma das obras favoritas deste blog Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.  (Mais da Cláudia que da Catarina que ainda tem de ler o livro, mas mesmo assim favorita.)
Podem ver a capa e resumo do livro abaixo, sigam para o questionário e boa sorte!
Tem até dia 9 de Agosto para participar!


Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: Porto Editora
Resumo:
1803. Elizabeth Bennet e Fitzwilliam Darcy, o famoso par de Orgulho e Preconceito, casados há já seis anos e com dois filhos, não podiam estar mais felizes na imponente propriedade rural de Pemberley. Até ao dia em que Lydia, uma das irmãs Bennet, chega à mansão gritando que o marido foi assassinado na floresta.

Em Morte em Pemberley, P. D. James combina as suas duas maiores paixões: a literatura policial e a obra de Jane Austen. O romance é uma clara homenagem à grande autora novecentista, mas faz justiça também às melhores histórias de assassinato, seguindo a tradição dos grandes romances de mistério sobre a aristocracia inglesa. Ou não fosse P. D. James a grande senhora do crime nas terras de Sua Majestade... 

Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 09 de Agosto de 2013.
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.



 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Opinião: Departamento 19, de Will Hill




Departamento 19
de Will Hill

Edição/reimpressão: 2013
Páginas:416
Editor: TopSeller




 Resumo: Jamie Carpenter tem 16 anos e perdeu o pai há pouco tempo. No mesmo dia em que descobre que a sua mãe foi raptada por um vampiro, é salvo por uma criatura gigante que diz chamar-se Frankenstein e que o leva para o Departamento 19, a agência supersecreta do governo. Conhecida também por Luz Negra, esta agência foi fundada há mais de um século por Van Helsing e outros sobreviventes de Drácula para combater as forças do sobrenatural. Com a ajuda da agência, de Frankenstein e de uma jovem vampira por quem se apaixona, Jamie vai fazer tudo para salvar a sua mãe, mesmo sabendo que terá de enfrentar um exército de vampiros sedentos de violência, sangue e destruição.
Rating: 4/5

Opinião:  Se a Catarina é a embaixadora do James Patterson no Encruzilhadas Literárias, então eu vou tornar-me na embaixadora do Will Hill!!

 Escrever livros com vampiros na actualidade é um desafio dificilmente rebatido, pelo que exige uma composição certa, que englobe a dose necessária de inovação e acção. Mais do que isso, há a necessidade de fugir ao clichê do que já foi criado pelas últimas histórias e livros para jovens adultos que surgiram em volta da temática nos últimos 10 anos. Will Hill traz-nos uma boa dose de mistura entre os mais clássicos vampiros da história, com a modernidade que só um livro de adolescentes poderia ter (fazendo valer às suas raízes e histórias geracionais o poder das novas tecnologias e do mundo que avança à pressão do momento). Para quem gosta de filmes do género, acho que este livro se enquadra perfeitamente na mesma paginação do Van Helsing e do Hell Boy, com um ligeiro toque mais juvenil, apelando a uma conjugação de acção e mistério com as crises da adolescência.
Jamie Carpenter é um rapaz que não tem lidado bem com alguns factos do seu passado mais recente, o que contribui para o seu afastamento do resto da sociedade e preocupação constante da mãe. Nada mais natural em um adolescente, não fosse o facto de Jamie não ser um rapaz normal....ainda que não o saiba.
É quando se depara com novas questões de uma realidade submersa que se apercebe do quanto não sabe da própria vida e da sua história familiar. Lidar com isso será sempre mais complicado do que parece, perante o questionamento do encaixe de uma realidade fantasista com as verdades sublimes e sólidas que julgou conhecer até então. Será preciso uma dose de coragem constante para vencer o desconhecido, e descobrir novas partes de si mesmo, à medida que acompanha as mudanças constantes do mundo, que ultimamente parece transformar-se à velocidade da luz.
 Adorei os flashbacks, compuseram a acção com uma certa dose de classe e originalidade que tornaram o livro mais interessante.  É um livro cheio de acção, ainda que com uma ou outra cena mal conduzida, mas que são facilmente contornadas pelo restante enredo.
As novas componentes encaixam bem na ideia que o autor pretendeu criar, sem soar forçado, o que por si só já não era muito fácil. Ainda assim, a história é simples, diverte, faz-nos ficar em alerta até ao fim e quero muito ler os próximos livros!! Fico só com pena que o principal factor de suspense tenha sido facilmente desvendado por mim, pelo que queria ali uma reviravolta que acabou por não aparecer.
Para quem gosta de livros com acção, e que aliem o sobrenatural a tecnologia de ponta, o Departamento 19 é para vocês!


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Passatempo: Não me Roubes a Alma, de Inês Santos

 
Colecção: Mais Que Mil Palavras
Páginas: 178
Data de publicação: Maio de 2013

O livro "Não me Roubes a Alma” conta as histórias de vários dos momentos fotografados pela própria e mostra um outro olhar através dos textos de 31 figuras públicas. Porque há olhares e rostos de crianças que Inês jamais esquecerá, 50% dos lucros de venda deste livro revertem para o Instituto de Apoio à Criança e para a Associação de Apoio à Criança de Guimarães.

Fotografias comentadas por:
Manuela Ramalho Eanes, Herman José, Helena Isabel, José Raposo, Leonor Poeiras, Zé Manel (Darko), Nuno Lobito, Rui Zink, Sandra Cóias, João Gil, Heitor Lourenço, Andreia Dinis, Ricardo Ribeiro, Nelson Rosado, Sónia Araújo, José Carlos Pereira, Laurinda Alves, Margarida Pinto Correia, Tânia Ribas de Oliveira, Luís Figo, José António Tenente, Júlio Magalhães, Catarina Furtado, José Carlos Malato, FF (Fernando Fernandes), Sara Tavares, Oceana Basílio, Rita Mendes, Jorge Gabriel, Sérgio Rosado e Manuel Serrão.


Mais uma vez, o Encruzilhadas Literárias alia-se à Chiado Editora para vos trazer mais um fantástico passatempo. Está em jogo um exemplar do livro "Não me Roubes a Alma" de Inês Santos. Para se habilitarem a este exemplar, basta participarem entre 1 e 7 de Agosto preenchendo correctamente o formulário.

Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 7 de Agosto de 2013.

2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.

terça-feira, 30 de julho de 2013

800 livros roubados para encontrar do sentido da vida!

Existem notícias estranhas Encruzilhados, aquele tipo de estranho que nos faz levantar o sobrolho e pensar "o que raio se passa com esta gente?". Existem notícias normais, daquelas que nos podem fazer resmungar ou sorrir e existem notícias que fazem todo o sentido. Na minha opinião roubar 800 livros para encontrar o sentido da vida é uma delas.
Antes de mais gostaria de dizer que não apoio o roubo mas que percebo o que este senhor estava a tentar fazer e para perceberem do que falo aqui fica o resumo da notícia:

Em Nanjing (creio que português se diz Nanking) na China, uma livraria pediu ajuda à polícia depois de se aperceber que vários dos seus livros estavam misteriosamente a desaparecer. Após uma investigação de três meses, a polícia acabou por prender um homem que discretamente roubava vários livros da biblioteca por dia. 
Nos seis meses em que roubou a livraria o culpado, a quem foi atribuído o pseudónimo de Lee (o equivalente ao nosso Silva ou Santos, isto é um apelido comum), roubou livros das mais diversas secções da livraria. Livros de história, poesia, psicologia entre outros foram encontrados em sua casa.
Quando questionado sobre o motivo dos seus actos, o Sr. Lee rapidamente admitiu que estava em busca do sentido da vida. Tendo lido mais livros que os seus colegas de faculdade, o Sr. Lee rapidamente se apercebeu que não estava a conseguir responder às "simples questões": quem, o quê e porquê a Humanidade existe.
Apesar de ter lido os mais de 800 livros roubados, o Sr. Lee diz não se sentir mais perto da resposta e que ainda não consegue compreender "o sentido da vida". (notícia original aqui)

Como leitora assídua e qui ça filosofa nos tempos livros, compreendo a busca do Sr. Lee pelo sentido da vida numa das melhores coisas que a humanidade criou, os livros. É nos livros que guardamos as nossas mais belas prosas e poesias, é nos livros que confessamos os nossos crimes mais horrendos e os nossos medos. Quem nunca foi salvo pelo livro certo, na altura certa?
Os livros falam connosco, já lá diz a frase de certo autor, e o nosso ser responde. São um diálogo incessante e que todos devíamos fazer. Os livros levam-nos a outras eras e lugares, os livros levam-nos em aventuras e ajudam-nos a conhecer pessoas que jamais conheceríamos de outra maneira.
Será por isso tão descabido pensar que algures nas páginas deles poderíamos encontrar o sentido, a verdade, sobre a humanidade. O poder da palavra é reverenciado desde sempre os desenhos nas cavernas contam histórias, os egípcios também deixaram informações valiosas nas suas paredes, e os chineses talhavam poemas em pedra para que os viajantes pudessem passar tinta e papel neles e levar uma "cópia carimbo" dos mesmos consigo.
As palavras estão ao nosso redor e contém a verdade e a mentira, a imaginação e a realidade, as palavras são o que nos ajuda a expressarmos-nos. Porque não conteriam o sentido da vida?

Deixem as vossas opiniões sobre este assunto nos comentários Encruzilhados!


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.