terça-feira, 6 de agosto de 2013

Resultado do Passatempo " A Casa de Willow Street" de Cathy Kelly.

Boa noite,

Ontem tivemos uns problemas técnicos que não nos permitiram seleccionar os vencedores, mas hoje está tudo resolvido. Desta forma, e para não variar, foram mais duas participantes no feminino a acertarem. 
 

Como temos não um, mas dois exemplares para oferecer, aqui ficam os resultados do passatempo. E sem mais demoras, damos os nossos parabéns a:

1 - Isalina Tavares - Mem-Martins
2 - Carla Neves - Santo Tirso

Esperamos que se divirtam a lê-lo, e para os que ainda não ganharam, não desistam! Temos mais dois passatempos a decorrer, nos quais podem participar ao clicar na barra do lado direito do Blog. Boa sorte!



Opinião: Lady Almina e a Verdadeira Downton Abbey






Lady Almina e a Verdadeira Downton Abbey
de Condessa de Carnarvon

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 264
Editor: Editorial Presença



Resumo: A verdadeira história do magnífico Castelo Highclere, que inspirou e onde tem sido filmada, a série de televisão de êxito mundial Downton Abbey. A quinta condessa de Carnarvon aqui retratada, Lady Almina, deu vida à ficcional Lady Cora Crawley e existem vários pontos de contacto entre personagens da série e pessoas reais que viveram no Castelo. A atual condessa, fascinada com o que foi descobrindo acerca do riquíssimo legado histórico de Highclere, decidiu escrever este livro extraordinário que resultou numa história empolgante que começa em 1895 e retrata tempos de mudança até à Primeira Guerra Mundial. Uma obra onde o biográfico e o histórico se mesclam num registo a que não faltam acontecimentos, proporcionando entretenimento e uma leitura aliciante.
Rating: 3,80/5

Trailer da Temporada 3 de Downton Abbey:
 

Opinião:  Para quem não sabe, por aqui somos ambas grandes fãs da série Downton Abbey. Deixei-vos o trailer em cima, a respeito da 3ª temporada só para abrir um cheirinho, enquanto não chega a próxima em Janeiro de 2014 (bolas, e como foi sofrida esta última!! Prefiro nem pensar em 2 ou 3 episódios para não ficar deprimida). Deste modo, foi impossível não ficar em pulgas quando vi este livro nas novidades da Editorial Presença. Claramente, a Feira do Livro foi um momento para cometer estragos, e não resisti a trazê-lo comigo.

Em primeiro lugar, acho que é importante dizer que este não é um livro para todos. Nem sequer para todos os que gostam da série (e que mesmo não achando muita piada a esta composição escrita podem sentir-se tentados a ler e gostar). Por mais que digam não o ser, é inegável que este livro é um romance biográfico. Não com a análise da vida de uma só pessoa, mas da existência de um Castelo e da vida das pessoas que nele habitaram. A pesquisa histórica efectuada pela autora foi bastante extensiva, por vezes rondando o exagero (por exemplo, na descrição dos vestuários adquiridos por Lady Almina, assim como da sua composição), mas demonstra o rigor que a actual Condessa de Carnarvon quis passar para o papel. Está bastante interessante, ensinou-se uma série de coisas que não sabia sobre o palácio (que foi muitas vezes parte central da obra) e dos seus moradores, substituídos a cada geração. O conceito de que a casa pertence ao actual Conde e não aos presentes moradores é bastante peculiar e uma pequena amostra do quadro social da época, que nos acompanhou diversas vezes ao longo de toda a obra.

Gostei que se mantivesse o interesse em criar a dicotomia "Upstairs/Downstairs", dado que é por causa dela que conhecemos melhor as histórias da equipa que integrou o chamado pessoal doméstico no período em análise. Tal como na série Downton Abbey, pôde-se conhecer um pouco sobre as histórias das duas vidas, das relações com os patrões do momento, e até entre si, contando-se aqui e ali um casamento, um nascimento...

As fotografias resgatadas dos arquivos históricos são lindíssimas e um óptimo tributo ao quadro criado pela narrativa deste livro. Tal como o título diz, Lady Almina terá um grande enfoque neste livro, sendo para mais, mais do que o retracto de uma Cora, uma versão moderna e despachada que engloba três personagens da série: Cora, Mary e Sybil. Mulher mimada que nunca aprendeu a ouvir um não, havendo-lhe uma certa prepotência por julgar que nenhum dos seus pedidos não poderia não ser atendido, é também uma imagem da proactividade feminina da época, especialmente durante o período da I Guerra Mundial, e que muito ajudou através da criação de unidades hospitalares para recuperação de feridos de guerra. Um pouco por vaidade, mas totalmente por vocação, Lady Alminha, à semelhança de outras com tanta força mas menor visibilidade junto dos Media, deve ter sido uma grande mulher para o seu tempo.

A vida do marido e dos filhos também ganha destaque, especialmente na fase final do livro, passando pelas constantes  expedições ao Egipto, e que em parceria com um amigo de longa data, levaram a uma das maiores descobertas de todos os tempos.

Achei bastante informativo, esclarecedor e minucioso, e com uma clara dedicação em passar para o papel todos os factos históricos mais relevantes.

No entanto, tenho que concordar com algumas críticas feitas ao enredo, especialmente na parte final, em que o desfecho da vida de Almina é despachado e colocado em segundo plano. Tendo toda a obra abordado os vários momentos da vida dela, esperava-se um maior cuidado a rematar as pontas soltas. O mesmo digo para o Castelo, que embora tenha tido a sua vivência bem retractada, sobre a própria edificação ou composição peca um pouco, valorizando-se mais as renovações de decoração de Almina, esbanjadoras e oponentes, do que a caracterização das suas raízes.

Ainda assim, aprendi imenso, foi uma leitura bastante esclarecedora e fiquei agradavelmente surpreendida.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 4 de agosto de 2013

Novidades Civilização Editora

Sombras Passadas

de Mark Mills
Páginas: 336
Resumo:
França, 1935. Nos confins da Riviera fica Le Rayol, um refúgio para artistas, expatriados e refugiados. Aqui, longe dos rumores de um continente prestes a entrar em guerra, Tom Nash reconstruiu a sua vida após uma tumultuosa carreira nos Serviços Secretos.
Mas o seu passado não parece querer abandoná-lo. Quando um intruso tenta assassiná-lo durante a noite, Tom sabe que é apenas uma questão de tempo até tentarem de novo.
Todos os seus entes mais queridos estão reunidos em Le Rayol para passar o verão, incluindo Lucy, a sua adorada afilhada. A custo, Tom começa a acreditar que um deles o terá traído. Para sobreviver, Tom tem de eliminar o seu inimigo. Mas a que preço - para si e para aqueles que ama?
   
Não Olhes para Trás
de S. B. Hayes
Páginas: 360
Resumo:
Durante toda a sua vida, Sinead foi atormentada por Patrick, o seu irmão manipulador. Agora ele desapareceu; no entanto, não parou de a perturbar. Quando a sua mãe autoritária a obriga a ir à procura do irmão, Sinead encontra uma série de pistas sinistras que sabe terem-lhe sido deixadas por Patrick. Essas pistas levam-na a Benedict House, um lugar onde o tempo parou e onde nada é o que parece. É aí que conhece James, que também procura respostas para o seu passado atribulado. Juntos, James e Sinead irão descobrir verdades aterradoras, que irão pô-los à prova até ao limite. Porque Benedict House não pertence aos que estão vivos, e Patrick não olhará a meios para os derrotar…
    Ponto a Ponto
de Emily Golden Twomey
Páginas: 64
Resumo:
Une os pontos e descobre os desenhos loucos e divertidos escondidos em cada página! De animais a extraterrestres, passando por bolos e carros, este livro repleto de desenhos para completar e colorir, com vários níveis de dificuldade, é perfeito para entreter durante muito tempo rapazes e raparigas de todas as idades. Um jogo clássico que continua extremamente popular!


Porque escreveria uma muggle sobre feitiçeiros?

Como escritora, mesmo que seja de horas vagas, há coisas que me incomodam, uma dessas coisas, senão a principal é ver o estado a que os nossos meios de comunicação chegaram. Não falo dos programas que passam na TV porque acho que o comando é de cada um e cada um vê o que quer, falo efectivamente da qualidade de entrevistas e das palavras usadas para divulgação de informação.

Para vos mostrar do que falo deixo-vos o seguinte twitt:
 
Antes de se atirarem ao pobre Sr. Khuhro quero explicar que ele é uma de muitas vozes que se elevaram contra uma entrevista a um escritor que passou na Fox News.
Lauren Green, uma pivô de telejornal, convidou o estudioso e escritor Reza Aslan para o seu noticiário na FoxNews.com, na sexta, de modo a falarem sobre o novo e controverso livro do mesmo Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth.
Até aqui não há de novo, o único problema é que Lauren Green passou a entrevista toda a salientar e a dizer que como muçulmano não fazia sentido Reza Aslan escrever sobre Jesus Cristo. O que como sabemos é a mesma coisa que dizer que J.K.Rowling não pode escrever sobre feiticeiros porque é uma muggle. 
Reza Aslan tentou defender o seu caso dizendo que era mestrado em quatro religiões, e que na realidade o estudo das religiões era a sua profissão, além do mais estudava o cristianismo há mais de 20 anos.
Infelizmente isto pareceu não dissuadir a jornalista que continuou a atacar Reza Aslan durante o resto da entrevista.  (Podem ler a historia original aqui.)
Diz-se que a internet não perdoa e este foi mais um caso que gerou uma onda de indignação no twitter onde várias pessoas decidiram usar a ashtag #foxnewslitcrit com perguntas que ecoam com as da jornalista da Fox News.
Desde a perguntas ao escritor do Grinch que era judeu (e portanto que sabia ele do natal) a perguntas a Shakespeare sobre se de facto ele teria ido a Veneza, a tag #foxnewslitcrit ficou recheada de frases, twitts e retwitts que revelam o estado da qualidade das nossas fontes de informação.
Em baixo deixo-vos alguns dos meus twits favoritos sobre a questão (podem ver a tag toda aqui). Algum que queiram acrescentar? 


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sábado, 3 de agosto de 2013

Opinião "O Diabo dos Anjos", de Liliana Lavado


O Diabo dos Anjos

O Diabo dos Anjos
de Liliana C. Lavado

 Edição/reimpressão: Ainda não publicado
Páginas: 288
Editor: /







Resumo: Amigos de infância, Henrique e Amanda nada têm em comum para além de uma paixão por livros e uma amizade que ambos já deram como perdida.
Depois de vários anos de silêncio, ele é um estudante finalista de Literatura Inglesa que olha com receio os dias fora das paredes seguras da Universidade e ela uma aspirante a escritora que se esvanece no tumultuo de um grupo de amigos problemático.
 
Numa viagem a Itália que tem tudo para ser perfeita, um Livro transforma-se num desastre que traz anjos à Terra, um gato com estranho senso de humor, novas dores de cabeça a Henrique e mais loucura a Amanda.
A inesperada aventura volta a juntar-lhes o caminho para uma missão celestial que é apenas o início dos problemas para ambos.

Henrique e Amanda podem ter encontrado um no outro o pretexto que tanto procuravam para adiar decisões e contornar o futuro, mas em troca, recebem também o que não pediram e aprendem que o futuro é inevitável.
Rating: 3/5

Opinião: 
 Não sei se já ouviram falar do projecto Leitores-Beta da Liliana C. Lavado, autora de “Inverno de Sombras” (podem comprá-lo na Editora Marcador ou no site da Editorial Presença). Há uns meses, a autora disponibilizou uma versão ainda não final alguns livros seus para um conjunto de leitores selecionados, que ficaram responsáveis por lhe dar uma opinião o mais sincera e isenta possível, fazendo com que o primeiro impacto junto de um leque de leitores variado lhe desse o feedback necessário para corrigir uma coisa ou outra  necessitar de ser afinada antes de serem publicados.
 

No mês passado surgiu a segunda fase deste projeto, quando a Liliana propôs que os interessados se candidatassem a uma segunda leitura do livro “O Diabo dos Anjos”, antes de seguir para a editora. Claro que tive de me candidatar, entusiasticamente, e felizmente fui aceite. Deixo deste modo a minha opinião, fazendo saber que o livro lido ainda poderá estar sujeito a alterações e a opinião remete-se apenas para a data actual.

“O Diabo dos Anjos” foi uma surpresa. Não sei ao certo o que esperava quando li a sinopse, mas não era bem isto. E gosto de ser agradavelmente surpreendida, pelo que este é um ponto a favor. Como personagens principais temos Amanda e Henrique, que nos trarão uma série de camadas para compor um puzzle complexo de relações humanas, acções perdidas, e arrependimentos guardados dentro de si durante anos. A eles juntar-se-ão outras tantas personagens que irão compor um enredo que nos faz querer saber mais. 

Na verdade, para mim, mais do que a grande temática, as personagens são o ponto forte do livro. E ainda mais as secundárias do que as principais. Não se enganem, que elas trazem muito à história, mas mais do que simpatizar com elas, por vezes queremos identificar-nos, ou reconhecer pessoas que fazem parte das nossas vidas em partes de outras criadas no papel. E isso aconteceu-me mais rapidamente com algumas delas.

Gosto do Pedro e da relação dele com Henrique, a camaradagem é bem visível e só fiquei com pena de ainda não passarmos mais tempo com eles. É divertido, carismático e com sentido de humor. Já Bia tem aquela tendência sarcástica de dizer tudo o que quer, e que nem sempre todos percebem, o que só demonstra o grau de inteligência nas escolhas que faz. Ri-me por vezes com algumas coisas que ela dizia. É impossível ficar mal disposta quando ela aparece.

Pelo facto de todo o quadro estar composto, este livro quase que nem precisava da fantasia urbana, mas sendo essa a temática principal, temos de abordá-la. Esperava algo mais complicado neste campo, ou que me obrigasse a não querer largar o livro atendendo ao nível de suspense e de acção. Embora tenha achado a leitura agradável, não o senti dessa forma, pelo que acho que falta algum trabalho na conexão dos dois mundos: o dito normal e o sobrenatural. 

Ainda assim, gosto da forma da Liliana escrever. É actual, identificamo-nos com espaços que não conhecemos e com realidades não vividas, mas que em parte são parecidas à nossa ou à de tantos outros que conhecemos. É bom sentirmo-nos parte de um livro e não meros leitores, pelo que ela está de parabéns por isso. O humor e os momentos dramáticos tiveram o seu peso e medida e foi impossível ficar indiferente ao desfecho das últimas 20 páginas, onde uma série de eventos encadeados e alucinantes desvendou um cenário que não achámos possível.

Esperemos pela revisão final e pelo seu lançamento!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.