sábado, 5 de outubro de 2013

Opinião: Fortunately, The Milk , de Neil Gaiman

Fortunately, The Milk ...
de Neil Gaiman; ilustração de Chris Riddell/ Skottie Young
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 160
Editor: BLOOMSBURY PUBLISHING PLC
Resumo:
"I bought the milk," said my father. "I walked out of the corner shop, and heard a noise like this: T h u m m t h u m m. I looked up and saw a huge silver disc hovering in the air above Marshall Road."

"Hullo," I said to myself. "That's not something you see every day. And then something odd happened."

Find out just how odd things get in this hilarious story of time travel and breakfast cereal, expertly told by Newbery Medalist and bestselling author Neil Gaiman and illustrated by Skottie Young

Rating: 4/5

Comentário: 
Fortunatly The Milk é o novo livro infantil de Neil Gaiman, que este ano se conseguiu redimir aos meus olhos. Apesar de gostar de algumas das obras do autor e estar curiosa em relação a outras, a verdade é que antes de ter lido The Ocean at the End of the Lane este verão os últimos livros que tinha lido do autor não tinham sido do meu agrado.
Contudo, após ter lido o The Ocean at the End of the Lane a minha fé no autor foi restaurada e quando soube que ele iria lançar em Setembro Fortunatly the Milk, uma história infanto-juvenil fiquei imensamente curiosa para a ler. As capas, tanto a britânica como americana eram engraçadas e toda a premissa do livro prometia aventuras. Devo confessar que apesar de tudo, gosto mais das ilustrações de Skottie Young, a ilustradora da versão americana. Há algo nas suas personagens que me lembra um pouco da animação Coraline, baseada numa obra também de Neil Gaiman, e que ajuda a criar uma certa sensação de continuidade.
A história é genial e parte de uma simples ideia: um pai que vai à mercearia comprar leite e que, por demorar eternidades a voltar, tem de se justificar aos filhos que esperavam pelo leite para tomarem os seus cereais. Ironicamente fiquei sem leite em casa no dia em que li este livro, por isso consegui sentir na pele o problema dos nossos pequenos heróis.
Encurralado pelos filhos, que querem à força toda saber o porquê da demora, o pai tenta, por entre balões dirigidos por dinossauros, piratas e wampiros justificar-se. É engraçado ver que as crianças, em vez de apontarem o dedo ao pai e o acusarem de mentir com quantos dentes tem na boca, apontam apenas para os buracos que o mesmo tem na narrativa. Por exemplo, a determinada altura o pai diz que ia saltar para um oceano infestado de tubarões e piranhas e a filha contesta que as piranhas são peixes de água doce e que não poderiam estar no mar.
É engraçado ver como as crianças autorizam que o pai as engane e entram na narrativa com correcções, perguntas e exclamações. A história é engraçada e de certeza que fará eco com certas alturas na nossa infância em que os nossos pais nos "tentaram" enganar com histórias que eram tão ridículas que sabíamos perfeitamente que não podiam ser reais.
Este foi um livro que apreciei bastante e que fiquei triste por ter arranjado em ebook, sem dúvida que irei comprar uma cópia física para a minha biblioteca. Saí das minhas mãos com 4 estrelas e o nosso selo de recomendação.

O Meu Blog é neutro em CO2, neutraliza o teu também!

Bom dia! 
Fomos contactadas recentemente pela Equipa Gesto Verde da Guiato sobre um projeto de promoção de práticas sustentáveis, através da colaboração de Blogs com a empresa, que se responsabilizará a plantar uma árvore por cada Blog que aderir à iniciativa.

Estas campanhas são sempre interessantes, e depois de uma rápida pesquisa pela Internet que confirmou a sua veracidade, decidimos aderir.

O que mais nos chamou a atenção no email foi a frase "E por conta disso gostaria de lhe contar uma coisa: Você sabia que um blog produz quase 3,6 kg de dióxido de carbono por ano?"


"De acordo com um estudo realizado pelo ambientalista e físico da Harvard University, Dr. Alexander Wissner-Gross, um internauta produz, em média, cerca de 0,02 gramas de CO2 por exibição de página.

Considerando que um blog geralmente recebe em torno de 15 000 visitas por mês, isso resulta em 3,6 kg de CO2 emitidos por ano. Este total é gerado principalmente pelo grande consumo de energia, devido à refrigeração necessária para o funcionamento de computadores e servidores.

Infelizmente não é possível saber quanto de CO2 uma arvore absorve exatamente. Pois isso vai depender da sua espécie, da sua exposição à luz, do tempo necessário para o seu crescimento, e de características locais, tais como o solo, recursos hídricos disponíveis e a latitude onde a árvore se encontra.

O que se pode dizer com certeza é que o plantio de uma árvore absorve uma média média de 5 kg de CO2 lançados na atmosfera por ano. Um blog normal emite anualmente cerca de 3,6 kg de CO2. Uma árvore é então capaz de neutralizar as emissões de CO2 de um blog. Já que uma árvore vive cerca de 50 anos, as emissões de CO2 do seu blog são totalmente neutralizadas durante este período."

 Ficámos realmente a pensar nessas implicações, e se pensarmos na eletricidade para fazer funcionar computadores e iluminação (porque sinceramente só temos tempo para escrever à noite), talvez não seja assim tão complicado de chegar a esse valor.

"É por isso que o Gesto Verde lançou o desafio inicial de plantar 500 árvores em prol da diminuição do impactado ambiental gerado pela sociedade e após conquistar a parceria de 500 sites/blogs o Gesto Verde lança um desafio ainda maior: plantar 1.000 árvores nativas no Brasil, e para isso precisamos da participação de 1.000 sites/blogs, sendo que cada post sobre a campanha é revertido em uma árvore plantada pelo IBF.Para participar são apenas 2 passos simples:
  1. Escrever um pequeno post no seu blog sobre o tema “Meu blog é neutro em carbono” e inserir uma chamada no final para outras pessoas participarem. A nossa sugestão de chamada é: “Meu Blog é neutro em CO2, neutralize o seu também. Saiba como.”
  2. Enviar um email para CO2neutro@guiato.com.br"
Nós acabámos de dar o nosso passo, fica a faltar o teu! Agora aguardamos fotografias das plantações de árvores para vos mostrar!

Novidade: Quando o Cuco Chama, de Robert Galbraith

Imagem retirada do facebook da Editorial Presença.
Cliquem aqui para serem redirecionados para o FB da editora.
Já ouviram o chamamento do Cuco?
Ele está quase a chegar!
A Editorial Presença tem revelado como um livro é tratado desde que chega às suas mãos através do seu facebook usando o livro Quando o Cuco Chama, de Robert Galbraith, pseudónimo de J.K.Rowling, para o demonstrar.

Apesar de o livro já estar para venda desde Abril em Inglaterra foi apenas quando uns meses mais tarde J.K.Rowling admitiu ter escrito o mesmo que o seu sucesso cresceu.

Agora, a Editorial Presença traz o livro para Portugal e podem adquirir o mesmo na vossa livraria habitual a partir de dia 15 de Outubro.


Sinopse: 
Quando uma jovem modelo cai de uma varanda coberta de neve em Mayfair, presume-se que tenha cometido suicídio. No entanto, o seu irmão tem dúvidas quanto a este trágico desfecho, e contrata os serviços do detective privado Cormoran Strike para investigar o caso. Strike é um veterano de guerra - com sequelas físicas e psicológicas - e a sua vida está um caos. Este caso serve-lhe de tábua de salvação financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrio tudo se torna - e mais se aproxima de um perigo terrível...

Envolvente e elegante, mergulhado na atmosfera de Londres, Quando o Cuco Chama é o aclamado primeiro romance policial de J. K. Rowling, escrito sob o pseudónimo Robert Galbraith.
«Para mais informações sobre o livro Quando o Cuco Chama, clique aqui
«Para mais informações consulte o site da Editorial Presença aqui.»

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Opinião: A Travessia, de WM. PAUL YOUNG

A Travessia
de WM. PAUL YOUNG
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 304
Editor: Porto Editora
Resumo:
Anthony Spencer é um empresário de sucesso, um homem orgulhoso e egocêntrico que não olha a meios para conseguir os seus objetivos. Um dia, o destino prega-lhe uma partida: um AVC deixa-o nos cuidados intensivos, em estado de coma.
Entre a vida e a morte, Anthony vê-se num mundo que espelha a dor e a tristeza que tem dentro de si. Confuso, sem compreender exatamente onde está e como foi ali parar, viaja pela sua consciência para compreender quem realmente é e descobrir tudo o que tem perdido ao longo da vida: a esperança, a amizade genuína e o amor verdadeiro, sentimentos que há muito o seu coração deixara de sentir.
Em busca de uma segunda oportunidade, Anthony fará uma jornada de redenção e encontro com o seu verdadeiro ser. 
Rating: 3/5

Opinião da Cláudia: 
Este livro não se enquadra geralmente no meu tipo de leitura, mas aceitei o desafio da Porto Editora. Quando saiu "A Cabana" em Portugal foi impossível não ver pessoas agarradas a um exemplar nos transportes públicos, na praia, nas compras, etc. Ainda ontem, em plena fisioterapia, a senhora da maca ao lado transportava o exemplar dela. Esse rápido interesse só mostra o quanto o livro surpreendeu os portugueses. Deste modo, e quando li a sinopse de "A Travessia", fiquei curiosa e quis lançar-me ao desafio.
O tipo de escrita de Wm. Paul Young não permite uma leitura leve. Não porque ele complique ou seja complexo a escrever, mas porque é necessário entrar na mesma sintonia que o autor e assim receber a história em pleno. Implica alguma concentração para captar todas as mensagens e saber interpretá-las. E a interpretação é sem dúvida um dos pontos fortes deste livro. Mas já lá vamos.
Tony não é uma personagem fácil, e a sua breve apresentação antes do AVC também não nos garante uma maior abertura para a personagem. É um homem isolado, amargurado, desiludido com a vida que tem, embora se ache no seu auge. Até ao momento da narrativa.
Essa caracterização da personagem é propositada. É através do processo de autodescoberta, a que a personagem se submete em parte, que começamos a definir uma imagem clara no meio do cinzento que o rodeia. Meio esse criado por si, no seu íntimo, e do qual Tony passou anos a fugir. Ao longo "da viagem", vamos acompanhando e descobrindo partes de si que o mesmo desconhecia ou das quais foi descartando ao longo dos anos. O que lhe parece insólito torna-se cada vez mais real, principalmente quando ganha consciência da sua plenitude, e reforça um olhar diferente sobre a sua personalidade.
É uma narrativa que visa, sobretudo, a redenção. Cada linha, mesmo a mais banal, acaba por ser uma metáfora para uma qualquer situação que já tenhamos vivido, experimentado. Acho sinceramente que este livro terá interpretações diferentes para cada um que o ler. E nem a propósito, existe uma passagem do texto que o elucida de forma clara: "-Senhor, está a falar metaforicamente e eu estou a ter alguma dificuldade em compreender o que me diz - confessou Tony. [...] - E é precisamente por isso que não compreendes o que te estou a dizer [...]. Não recorri a uma única metáfora, como tu tantas vezes fizeste. Como continuas a viver e a acreditar nas tuas metáforas, não consegues ver aquilo que é verdadeiro."

Muitas vezes, a travessia de Tony não é mais do que a nossa travessia. Não porque o livro é religioso ou espiritual (pode sê-lo considerado por muitos, mas não por mim porque não sou uma coisa nem outra, e me consegui identificar com o livro), mas porque é uma compilação de reflexões e memórias pessoais. Sendo assim, o Tony é a personagem principal, mas apenas até certo ponto. Não acho que cada leitor faça uma travessia como a sua, mas antes uma vistoria dos últimos grandes acontecimentos da sua vida, se estiver virado para uma leitura para reflexiva e percepcional. Senão, será uma leitura fácil, mas talvez não tão interessante, até porque a narrativa segue uma linha muito linear e bastante simples.
Para finalizar, um dos pontos que menos apreciei foi a dicotomia da personagem antes do coma e após o coma. Não estou a falar do processo de transformação mas da orientação inicial. Se por um lado ganhamos uma primeira visão muito escura e complexa de Tony, mal se encontra em coma torna-se por vezes demasiado frágil e assustadiço, contrariando a conceção que fomos criando. Embora perceba que a ideia seja demonstrar que nem sempre o que demonstramos é o que somos, que o nosso inconsciente guarda um sem número de inseguranças e segredos que o mundo exterior não poderá obter, gostaria de o ter encontrado mais irascível ao início do processo, para que a transformação tivesse mais impacto.


Opinião da Ki:
Depois do êxito que foi o livro A Cabana confesso que fiquei curiosa para ler o mesmo. Contudo, outras leituras foram surgindo e A Cabana ficou perdida no tempo e no espaço até que A Travessia foi lançada. Confesso que mergulhei de cabeça no livro, tamanha era a antecipação. A ideia do livro era entusiasmante e eu esperava algo do mesmo estilo de A Princesa que Acreditava em Contos de Fadas ou O Cavaleiro da Armadura  Enferrujada, um livro com uma escrita leve, fluída e cativante.
Talvez seja irónico dizer que me sinto um pouco advogada do diabo, a Cláudia ter a apreciado a leitura do livro mas eu não gostei da minha tanto como esperava. Tony, a nossa personagem principal, é completamente odiável nas primeiras páginas e questionei-me por várias vezes como iria fazer a transição. Quando a meio do primeiro capítulo me cria uma lista de pessoas em quem confia tive de revirar os olhos. Ouve algo na personagem que não fez clique em mim e a própria escrita de Young não me ajudou a entrar no mundo de Tony.
No entanto, há medida que a narrativa avança os diálogos começam a tornar-se interessantes. Gostei principalmente do diálogo que Tony tem com Jake sobre o que é Verdadeiro e o que é Real e a diferença entre ambos. Na realidade achei Jake uma personagem fascinante e sobre o qual gostava de saber mais.
Para mim o livro alternou entre partes interessantes e partes completamente mortas. Creio que a melhor maneira de o pôr em palavras é dizer que a viagem de Tony se assemelha um pouco com o andar entre grupos à conversa num convívio. Há conversas que nos despertam mais o interesse e conversas nas quais não queremos participar.
Mesmo assim o meu maior desapontamento com este livro deve-se sem dúvida ao facto de o ter idealizado, imaginado de outro modo e o livro se ter revelado algo de diferente. Estas ideias pré-concebidas que pomos na nossa cabeça conseguem ser terríveis e não é a primeira vez que me estragam uma leitura.
Para concluir gostava de dizer que Young consegue ter uma escrita interessante e apreciei algumas das metáforas utilizadas. Este é um livro diferente com uma abordagem interessante sobre a vida, a morte e Deus.