quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Sustos de Halloween!

Chegamos a Outubro, Encruzilhados! E com Outubro vem uma tradição que apesar de não ser portuguesa se tem infiltrado na nossa cultura graças a Hollywood. Falo, obviamente, do Halloween.
Aqui por terras de sua majestade já comecei a tratar de arranjar uns efeitos e estou seriamente a pensar assustar o meu colega de casa com aranhas que brilham no escuro. (Arrisco-me é a passar a noite na rua, por isso tenho de avaliar bem se valerá a pena a brincadeira!)
Contudo depois de uma rápida conversa com a Cláudia, esta comentou comigo que após os nossos posts sobre que livros não oferecer no dia da mãe e clássicos de natal, faria todo o sentido criarmos um post com os livros mais aterrorizadores a ler no já famoso Dia das Bruxas. 
Sou sincera Encruzilhados, os livros mais assustadores que já li foram os Arrepios. Isto porque foram os únicos livros de terror que já li. O terror não é um género que me fascine e depois das emoções fortes que passei na juventude com os Arrepios e a Estrada do Terror, decidi afastar-me do género.
Tudo isto tornou a busca pelos livros mais assustadores mais complicada mas hoje em dia com a internet nada é impossível. E é por isso, Encruzilhados, que após uma vasta pesquisa que vos garanto não incluiu a Wikipédia, vos deixo os cinco livros mais votados para se ler no Halloween. 

1) Drácula, de Bram Stoker
Drácula, o sinistro conde da Transilvânia, só pode ser morto por uma estaca espetada em pleno coração. Até que alguém consiga fazê-lo, porém, continuará a alimentar-se do sangue de inocentes, e estes, tornados mortos-vivos, passarão também a sofrer da insaciável sede de sangue. Mas como se conseguirá preparar uma armadilha a um monstro com vastos poderes e com a sabedoria dos séculos?


2) A Luz, de Stephen King
Jack Torrance vê-se forçado a aceitar um trabalho como zelador de Inverno do Overlook, um enorme hotel nas montanhas do Colorado, um lugar que queda absolutamente isolado pela neve entre Novembro e Março. Embora a vida nessas condições de isolamento não pareça fácil, para Jack é uma oportunidade perfeita para reconquistar a sua mulher Wendy e o seu filho Danny, e para retomar o seu trabalho de escritor. Mas a família não está exactamente sozinha no Overlook. Os terríveis acontecimentos que sucederam no hotel no passado vão-se assenhorando lentamente do presente dos seus novos ocupantes até os levar a uma situação aterradora, da qual talvez nenhum deles possa escapar...

3)Frankenstein, de Mary Shelley
Frankenstein conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante, que a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais consegue dar vida a um monstro que se revolta contra a sua triste condição e persegue o seu criador até à morte.

Frankenstein foi adaptado inúmeras vezes ao cinema, mas a mais memorável imagem do monstro foi encarnada pelo actor Boris Karloff, em 1931, fazendo ainda hoje parte da cultura popular.

4)Antologia de Contos e Poemas, de Edgar Allan Poe
Nesta edição comemorativa dos 200 anos do nascimento de Edgar Allan Poe, o leitor poderá conhecer melhor, através desta pequena antologia de contos e poemas, a dimensão do génio literário deste mestre do macabro e do terror. Os contos escolhidos obedecem à ordem em que são referidos no estudo crítico inédito de D. H. Lawrence que os antecede. No seu estilo muito próprio, e numa perspectiva inovadora, o escritor inglês analisa os contos de Poe, como Ligeia, Eleonora ou Berenice, enquanto "histórias de amor". Baudelaire, além de ter traduzido Poe e acusado a sua influência, contribuiu para o seu reconhecimento em França e, por arrasto, nos Estados Unidos. Daí que se reproduza também aqui o seu texto sobre a vida e obra do americano, onde se pode ler como Baudelaire sentiu e deplorou a existência do infortunado poeta. A escolha dos poemas - três dos quais são traduzidos por Fernando Pessoa - não obedecem a outro critério senão ao de dar a conhecer ao leitor os que trouxeram maior notoriedade ao poeta, principalmente O Corvo, que surge aqui ilustrado pelo prodigioso Gustave Doré.

5) Salem's Lot, de Stephen King
Something strange is going on in Jerusalem's Lot ... but no one dares to talk about it. By day, 'Salem's Lot is a typical modest New England town; but when the sun goes down, evil roams the earth. The devilishly sweet insistent laughter of a child can be heard echoing through the fields, and the presence of silent looming spirits can be felt lurking right outside your window. Stephen King brings his gruesome imagination to life in this tale of spine tingling horror.



E após tudo isto, impõem-se uma pequena pergunta: Doçura ou Travessura?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Opinião: Uma Casa de Família, de Natasha Solomons

                                  Uma Casa de Família
 de Natasha Solomons

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 416
Editora: Edições ASA

Resumo:
Na primavera de 1938, a ameaça nazi paira sobre a Europa.
Em Viena, a família Landau vê desaparecer muitos dos seus amigos e teme pela sua segurança. Decidem fugir do país mas não poderão partir juntos. Elise, a filha mais nova, é enviada para Inglaterra, onde a espera um emprego como criada de uma família aristocrática. É a única forma de garantir a sua segurança. Para trás deixa uma vida privilegiada.
Em Tyneford, ela tenta encontrar o seu lugar na rígida hierarquia da casa. É agora uma das criadas, mas nunca antes trabalhou. Tem a educação e os hábitos da classe alta, mas não pertence à aristocracia. Enquanto areia as pratas e prepara as lareiras, usa as magníficas pérolas da mãe por baixo do uniforme. Sabe que deve limitar-se a servir, mas não consegue evitar o escândalo ao dançar com Kit, o filho do dono da casa. Juntos vão desafiar as convenções da severa aristocracia inglesa numa história de amor que tocará todos os que os rodeiam.
Em Tyneford, ela vai aprender que é possível ser mais do que uma pessoa. Viver mais do que uma vida. Amar mais do que uma vez.

 Rating: 4/5 

Opinião: Confessem lá que já tinham saudades das minhas opiniões! Em primeiro lugar, tenho de agradecer à Mafi, co-autora do Blog Algodão Doce para o Cérebro (se gostam de romance, têm de lá ir espreitar), porque foi ela que me fez realmente olhar para este livro. Já o tinha visto nas novidades, quando ele surgiu, mas não tive muito interesse, até ler a opinião dela (ainda bem que o fiz!) e ir detalhadamente a sinopse.

Para quem gosta de estórias de vida com mesclas de romance, e o devido sabor agridoce do período da II Guerra Mundial, este livro é para vocês. Apresenta-se uma época ainda antes do fatídico dia de 1939 que determinou o começo oficial de um conflito há muito flagelado. Quando Elise se muda para Tyneford, espera-a uma realidade desconhecida, para a qual ela não está minimamente preparada, ou sequer consciente das consequências da mudança. Pela alusão da capa a Downton Abbey, esperava algo diferente, mas o livro não segue a linha de raciocínio da série, e ainda bem. Gostei das constantes reviravoltas do enredo, e do facto da estória nos obrigar a colocar de parte qualquer hipótese de previsão da resolução das questões apresentadas.

"Uma Casa de Família" é uma nova perspectiva dos horrores da II Guerra Mundial sobre os que não a combateram directamente, mas cujas vidas ficaram transformada para sempre. Desde à família de judeus desestruturada, aos processos de racionamento de alimentos e outros produtos, do movimento de resistência disseminado um pouco por toda a Grã-Bretanha, com especial enfoque nos britânicos a residirem em locais costeiros. As personagens locais de Tyneford são todas bastante humanas, mesmo quando trespassam as páginas muito levemente, deixando marcas de uma época por muitos não vivida, e que deixou traços na condução das relações humanas e na ocupação do território britânico.

Elise é a personagem principal que iremos acompanhar, a qual mesmo que não fosse apreciada por todos os leitores (alguns podem achar algumas das suas características algo irritantes) não deixa de gerar uma empatia absorvente, ao ser colocada numa realidade dura e pouco afável à sua condição, mas particularmente insuportável pela separação forçada dos restantes elementos da família. Talvez algumas das suas acções não sejam particularmente compreensíveis para o leitor, mas lembrança da sua idade tenra não nos abandona, pelo que se torna mais fácil assumir-lhe os percalços e os desajustes à realidade vivida, através de uma composição musical sonhada e há muito perdida.

E falo de música porque a temática é uma constante nesta obra, seja pela correlação das personagens seja pela importância do som na construção dos cenários: os tiroteios, as valsas, os sons do mar, a ressonância das botas militares num chão feito para ser pisado por sapatos delicados. Para completar, foi incluída no final do livro uma pauta, que corresponde a uma composição criada propositadamente para este livro. Sei que está algures no Blog da autora, mas tão bem escondida que não a descubro novamente. No entanto, este trailer do livro utiliza-a como banda sonora, pelo que podem espreitar na mesma:



Afinal encontrei, aqui fica:  http://goo.gl/v7cqhJ
Vale mesmo a pena. Vão-se apaixonar. E os traços de inspiração semi-biográficos só irão selar ainda mais esse enternecimento.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Novidades: Quinta Essência

Disponíveis a 5 de Novembro:

Segredos do teu olhar
de Patricia Scanlan
Resumo:
A conclusão da trilogia começada com Tudo se Perdoa por Amor e Felizes para Sempre. Quando o amor esmorece, a vida conjugal pode ser um inferno. Com um bebé não planeado a caminho, uma filha recém-casada cujo casamento já está em apuros, uma adolescente que não quer comer e a esconderem segredos um do outro, Barry e Aimee vivem momentos difíceis. Quando o amor surge, as ex-mulheres podem causar uma série de problemas. E Marianna vai causar todos os problemas que puder para que o ex-marido não a substitua por outra. Famílias em crise, paixão, tragédia e os poderes curativos do amor - o brilhante e terno novo romance de Patricia Scanlan não o vai deixar indiferente.


O Barco Encantado
de Luanne Rice
Resumo:
Luanne Rice apresenta-nos o retrato caloroso, embora pungente, de três irmãs que vivem separadas e que regressam uma última vez a Martha`s Vineyard para se despedirem da casa de família. Recordações da avó, da mãe e do pai irlandês, que partiu de barco no ano em que Dar, a mais velha, fazia doze anos, vieram ao de cima e expuseram as ténues brechas no mito da família - especialmente quando cartas antigas, agora descobertas, revelam uma verdade que as faz percorrer a terra natal dos seus antepassados. Transpostas para um lugar desconhecido, cada irmã encara a vida, os sentimentos e os laços com a casa de família sob uma nova perspetiva. Mas como abrirem mão de um local que contém o amor complexo da sua imperfeita família? O romance encerra uma temporada em Martha`s Vineyard, uma missão à Irlanda, um elenco memorável de amigos, incluindo um místico extravagante, a paixão pelo surf e três irmãs muito diferentes com uma vida repleta de beleza, sofrimento e um amor profundo em que nunca tiveram a certeza de poder confiar. O Barco Encantado é um romance tão intemporal quanto o mar à volta do qual se desenrola e que tem Luanne Rice no seu melhor, capturando com o seu talento invulgar a família em toda a sua complexidade.


Disponível a 12 de Novembro:

Acasos do Amor
de Juliette Fay
Resumo:
A recém-divorciada Dana Stellgarten sempre foi delicada - até mesmo para com os operadores de telemarketing - mas agora está a esgotar-se-lhe a paciência. O dinheiro começa a faltar, os filhos ressentem-se da partida do pai e a sua sobrinha, uma adolescente gótica, acabou de lhe aparecer à porta. Quando Dana entra no turbilhão de um romance pós-divórcio e a abelha-mestra da cidade se torna sua amiga, descobre que a tensão entre manter-se fiel a si própria e gostarem dela não acaba na fase do ensino básico... e que, por vezes, precisamos de um verdadeiro amigo para nos ajudar a acolher a maturidade com toda a sua complexidade cheia de falhas.

sábado, 19 de outubro de 2013

A morte da leitura por gosto

Um estudo recente, revelado pelo jornal The Guardian em Julho deste ano, dá a conhecer uma verdade aterradora a todos os amantes da leitura. A vida moderna, com os seus horários apressados e cortes em orçamentos, está a matar a leitura por gosto e o seu alvo principal são as crianças.
O estudo revelou que após as crianças começarem a ler sozinhas, aos sete/oito anos, a maioria dos pais, 98%, pára de ler histórias aos filhos esperando que estes o façam por si. 
E se esta situação não é negra por si, 82% dos professores no Reino Unido queixa-se que devido às novas políticas os alunos vêem menos do seu tempo na sala de aula dedicado à leitura por gosto. Esta leitura que normalmente é aliciada pelos professores ao divulgarem vários tipos de livros e géneros literários, está a ser afectada por cortes no orçamento e no tempo que os professores podem dedicar aos livros nas salas de aula.
Outra situação que preocupa os professores é a quantidade de tempo que as crianças passam em frente a ecrãs, quer os mesmos sejam de televisão ou tablets, e que acaba por roubar tempo que poderia estar a ser gasto na leitura. A CBeebies, o cana infantil da BBC, diz que o número de acessos ao seu site feito atrás de tablets aumentou exponencialmente. A empresa diz que telemóveis com ecrãs táteis e tablets são bastante intuitivos para crianças e que as mesmas mexem nos mesmos com imensa facilidade. Na realidade o canal imagina que em 2018, as crianças acederão aos seus programas tanto via televisão como via tablet, o que obrigará a toda uma reformulação os programas e do site.
O fácil acesso a programas de animação e a falta de incentivo à leitura, junta-se num bolo amargo que afasta as crianças dos livros. Numa realidade em que apenas 2% dos pais lê aos seus filhos, com idade superior a sete anos, não é difícil imaginar que a percentagem de leitores por gosto de idade adulta poderá vir abaixar exponencialmente.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Novidade: Padeira de Aljubarrota, de Maria João Lopo de Carvalho

Depois do sucesso de  “Marquesa de Alorna”, em 2011, Maria João Lopo de Carvalho traz-nos um romance dedicado à heróica Padeira de Aljubarrota, que todos conhecem mas de cujos segredos e desejos poucos sabiam…até agora. Um livro dedicado uma mulher de armas que pode e deve servir de inspiração nos dias de hoje. 

Quando, a 22 de Outubro, chegar às livrarias o novo romance de Maria João Lopo de Carvalho baseado na agitada vida da Padeira de Aljubarrota, a percepção dos portugueses sobre uma das suas maiores heroínas vai, necessariamente, mudar. A lenda de Brites de Almeida, cuja acção terá contribuído para combater o invasor Castelhano em finais do século XIV, ganha outra dimensão. A autora leva-nos a descobrir uma mulher extraordinária, corajosa e forte mas também uma mulher com desejos e sonhos, para quem o relacionamento com os homens foi bem mais do que um pormenor. Ao episódio de bravura que a História consagrou juntam-se muitos outros de sedução, sensualidade, aventura e romance, dando origem a uma história de amor, traição e coragem em tempos de crise, condição que o povo português, afinal, sempre viveu de perto.

Muitas histórias correram sobre a humilde mulher que, em 1385, numa aldeia perto de Alcobaça, pôs a sua extrema força e valentia ao serviço da causa nacional, ajudando assim a assegurar a independência do reino, então seriamente ameaçada por Castela. É nos seus lendários feitos e peripécias, contados e acrescentados ao longo dos tempos, que se baseia este romance, onde as intrigas da corte e os tímidos passos da rainha-infanta D. Beatriz de Portugal se cruzam  com os caminhos da prodigiosa padeira de Aljubarrota, Brites de Almeida, símbolo máximo da resiliência e bravura de todo um povo.
 
Este é o romance nunca feito sobre a maior heroína da nossa história, cruzando a voz de Brites de Almeida com a voz de D. Beatriz de Portugal. Asas e Raízes, imaginação e rigor histórico no período mais conturbado que Portugal viveu na época medieval. 600 anos depois do seu feito heróico, a enorme popularidade da padeira e a sua figura inspiradora permitiram a Maria João Lopo de Carvalho criar um romance com outro ritmo, bem ao jeito do leitor que aprecia as peripécias de uma lutadora e corajosa mulher do povo que marcou a diferença num tempo em que sangue, suor e lágrimas não faltavam por terras de Portugal. E que melhor exemplo de bravura para os portugueses num período de lutas tão complexas como as que travamos todos nós nos dias de hoje?