quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Opinião: Os Adivinhos, de Libba Bray

Os Adivinhos
de Libba Bray
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 580
Editor: Edições Asa
Resumo:
Evie O'Neill foi exilada da sua monótona e pacata cidade natal e enviada para as agitadas ruas de Nova Iorque - e fica radiante! Nova Iorque é a cidade dos bares clandestinos, das compras e dos cinemas! Pouco depois, Evie começa a andar com as glamorosas «Ziegfield Girls» e com atraentes carteiristas. O único problema é que Evie tem de viver com o seu tio Will, curador do Museu Americano de Folclore, Superstição e Ocultismo - também conhecido como «O Museu dos Arrepios», homem com uma pouco saudável obsessão pelo oculto.

Evie receia que ele descubra o seu segredo mais sombrio: um poder sobrenatural que até ao momento só lhe causou problemas. Porém, quando a polícia encontra uma rapariga morta que tem um estranho símbolo gravado na testa e Will é chamado ao local, Evie percebe que o seu dom pode ajudar a apanhar o assassino em série.

Quando Evie mergulha de cabeça numa dança com um assassino, outras histórias se desenrolam na cidade que nunca dorme. Um jovem chamado Memphis é apanhado entre dois mundos. Uma corista chamada Theta anda a fugir do seu passado. Um estudante chamado Jericho esconde um segredo chocante. E sem que ninguém saiba, algo sombrio e maligno despertou. 
Rating: 3,75/5

Comentário: 

Confesso que até ao fim deste livro não soube o que escrever sobre o mesmo. O livro Os Adivinhos é uma obra complexa que tem tanto de young adult como de policial, tanto de terror como de realidade e creio que foi isso que me atraiu no livro e me fez continuar a lê-lo apesar de não ser do género que mais leio.
As notas subtis de algo sobrenatural e as vidas pacatas e comuns das personagens misturam-se num emaranhado de histórias e de diferentes pontos de vista que nos acompanha pelas mais de quinhentas páginas do livro.
Pessoalmente e sem saber, acabei por escolher o meu livro para o Halloween deste ano, quando o seleccionei há dias como próxima leitura. Afinal, poderá haver algo mais aterrorizador do que ler sobre um fantasma assassino quando todo o país se prepara para o Halloween (há que não esquecer onde me encontro agora) e andamos todos a ver fantasmas pelos cantos? E então nesta casa onde estou agora que é velhita e range por todos os lados, e onde as portas abrem com o vento, nem vos consigo explicar quantos saltos já dei.
O que torna um livro assustador? Um toque de ocultismo? Personagens que parecem reais? A presença de fantasmas? Um ambiente realista?  
Os Adivinhos tem isto tudo e mais o que possam imaginar. Evie, a nossa personagem principal, é enviada para viver com o seu tio solteirão depois de uma “partida” numa festa da sociedade. Contrariamente ao que os seus pais pensam, Evie abraça a oportunidade de braços abertos e fica feliz por finalmente sair da pequena cidade onde vive e aproveitar a cidade de Nova Iorque em plenos anos 20 (onde tudo é cor, luz e possibilidades).
Claro que num livro destes nem tudo poderia ser magia e felicidade, e é aqui que os assassinatos e ocultismo entram com toda a sua força, criando um ambiente de mistério e terror. Este livro é o primeiro mais assustador que leio desde a Crónica de uma Serva, de Margaret Atwood; e apesar de não ter deixado uma marca tão grande como o livro de Atwood, sem dúvida que me assustou o suficiente.
A escrita de Libba Bray é diferente do que esperava num livro young adult integrado na Colecção 1001 Mundos. Apresenta-se com uma forma de escrita que soa a gente crescida, quase como um romance para adultos, e creio que essa é a maneira de Bray dizer que só porque se está a escrever um livro para pessoas mais novas, isso não quer dizer que a audiência seja parva. Assim sendo, Bray brinda-nos com um pouco de tudo, desde referências sexuais, clubes subterrâneos, máfia, gargantas degoladas e classes superiores que se acham sempre acima de tudo e todos.
 Este é um livro que nos brinda com o mundo; e é por isso que, na minha opinião acaba por nos meter medo. O mundo descrito por Libba Bray é criado de ambientes que nos são familiares, onde revemos as nossas cidades, as nossas ruas e os nossos vizinhos. As personagens que o povoam são humanas e lutadoras, e é fácil para o leitor relacionar-se com elas. Gostei bastante de Theta e do seu irmão Henry, os jovens que trabalham no mundo do espétaculo e que só se têm um ao outro para se manterem a salvo (a sua história e a sua dinâmica são bem interessantes).
Resumindo: é um livro diferente do normal, nomeado a prémio, e que está a captar a atenção de leitores um pouco por todo o mundo.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Neil Gaiman: O nosso futuro depende das bibliotecas, da leitura e de sonharmos acordados

O autor britânico, Neil Gaiman, fez recentemente o discurso anual da The Reading Agency sobre a importância das bibliotecas e da leitura e defendeu que o nosso futuro depende das mesmas.
Conhecido em todo o mundo pelos seus livros Coraline, Neverwhere e Sandman, o autor de 52 anos, fez um discurso no qual invoca memórias da sua infância, fala de dados estatísticos sobre a leitura e diz que fechar bibliotecas agora para poupar dinheiro é criar uma factura que terá de ser paga pelas próximas gerações.
Começando o seu discurso de forma divertida alegando que a sua opinião como escritor presente em muitas bibliotecas o torna um pouco suspeito, Gaiman referiu que na realidade é a sua opinião como leitor que o torna defensor das bibliotecas.
Apresentando as bibliotecas como locais de refúgio, conforto e encontro, Gaiman explica que as bibliotecas de hoje vão muito além do simples empréstimo de livros. As bibliotecas são também locais onde pessoas sem internet a podem usar gratuitamente e onde podemos encontrar pessoas, isto é os bibliotecários, que nos podem ajudar a encontrar a informação que precisamos.
Na realidade, o autor salienta que as bibliotecas são exactamente isso, fontes de informação e num mundo onde a informação é tudo e onde a cada dois dias criamos mais informação do que toda aquela que criamos desde que começamos a escrever até 2003, as mesas deviam ser mantidas e não fechadas.
Apesar de o discurso ser longo é, como maior parte dos seus discurso, uma leitura fantástica e que sem dúvida põem as bibliotecas e os leitores em perspectiva. Se quiserem ler o discurso na integra em inglês podem fazê-lo clicando aqui.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Opinião: A Ilha, de Victoria Hislop


A lha
 de Victoria Hislop

Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 408
Editora: Civilização Editora

Resumo:
Num momento em que tem que tomar uma decisão que pode mudar a sua vida, Alexis Fieldings está determinada a descobrir o passado da sua mãe. Mas Sofia nunca falou sobre ele, apenas contou que cresceu numa pequena aldeia em Creta antes de se mudar para Londres. Quando Alexis decide visitar Creta, a sua mãe dá-lhe uma carta para entregar a uma velha amiga e promete que através dela, Alexis vai ficar a saber mais. Quando chega a Spinalonga, Alexis fica surpreendida ao descobrir que aquela ilha foi uma antiga colónia de leprosos. E então encontra Fotini e finalmente ouve a história que Sofia escondeu toda a vida: a história da sua bisavó Eleni, das suas filhas e de uma família assolada pela tragédia, pela guerra e pela paixão. Alexis descobre o quão intimamente ligada está àquela ilha e como o segredo os une com tanta firmeza.

 Rating: 4/5 

Opinião: Nem sempre é fácil para um filho ou uma filha repensar a imagem dos seus pais à luz de uma pessoa dita normal. De esquecerem-se que antes de serem seus pais, as pessoas defronte de si já existiam, e que também elas têm memórias resguardadas, colhidas pelo manto da privacidade que em novos reclamamos para nós, mas que nem sempre concedemos a quem nos cria e educa.
Alexis Fieldings compreendeu essa existência, já que o manto que protegia Sofia, a sua mãe, havia-lhe sido vedado e apresentado como totalmente intransponível, obrigando a medidas extraordinárias para ultrapassá-lo.
E se poderiam levantar-se alguns questionamentos sobre a legitimidade de exposição de uma vida que não era sua para expor, a personagem demonstrou procurar fazê-lo pelas razões certas; libertando a mãe de uma caparaça que a afastava do mundo e até dos próprios filhos. É por esse motivo que ao ver-se na Grécia, não perdeu a oportunidade de procurar quem pudesse dar-lhe as respostas pretendidas, e tentar ajudá-la a compreender o porquê da mãe querer renegar o seu passado.
Sendo uma estória que aborda acontecimentos temporais, a dualidade do passado vs. presente é explorada, ainda que de forma irregular. O livro termina sem que desvende muito da vida de Alexis, da qual resgatamos apenas lapsos e factos inseridos esporadicamente. No entanto, eles não são de todo necessários, já que a riqueza da estória se remete para a vida da sua bisavó, assim como da geração seguinte, que irá desencadear através da coadunação constante de duas irmãs uma trama que nos trará para a situação vivida do presente. O que é caso para dizer que as raízes e tradições familiares, por mais que nos afastemos delas e não as tornemos completamente nossas, nunca nos abandonam, nem nos permitem esquecer de onde vimos. 
Apreciei especialmente a forma como foi abordada a questão da doença da lepra, e da relação das personagens que conviveram directamente com a situação. O preconceito e os juízos de valor, o medo de contágio e a generosidade de médicos temerários foram constantes e tornaram esta primeira leitura de Victoria Hislop bastante rica, multidimensional, e bastante sensorial. Mais do que isso, uma reprodução bastante humana, sem tender para o exploratório.
O contexto histórico, ainda que abordado levemente, traz várias componentes culturais, permitindo que nos consigamos localizar na Grécia da II Guerra Mundial, e sentir as percepções do povo grego daquela pequena aldeia, assim como resgatar os vários indícios de cultura e costumes para compor a grande manta de retalhos que é este livro.

Uma leitura que vale a pena!


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 27 de outubro de 2013

Novidade: O Golpe, de Janet Evanovich

Depois de Gula Perversa, Perseguição Escaldante e Sorte Explosiva, chega agora à livrarias O Golpe, um policial viciante, bestseller do New York Times.

Sinopse:

«Ela é uma detetive implacável. Ele é um vigarista procurado. Juntos são a arma secreta do FBI para investigar o golpe perfeito.

Kate O’Hare é uma das melhores agentes do FBI. Nick Fox é um vigarista genial, presente na lista dos Dez Mais Procurados do FBI. Ela raramente falhou um caso — a exceção é Nick, que sempre escapou à sua vigilância enquanto aplicava inacreditáveis golpes de alto risco a milionários. Eles sentem-se atraídos um pelo outro: ela é teimosa e exigente, ele é charmoso e imaginativo.

Juntos, e com uma equipa de vigaristas amadores reunida por Nick, vão montar um golpe genial para capturar um investidor corrupto que fugiu com 500 milhões de dólares e que se esconde numa das 17 mil ilhas da Indonésia.

Entre uma forte atração mútua, problemas de liderança e choques de personalidade, será que esta dupla improvável irá ser bem-sucedida?»

sábado, 26 de outubro de 2013

Uma visita à Paramount Books

Hoje, caros Encruzilhados, parti em busca de aventura, romance e mistério! O que é como quem diz, que fui à descoberta de uma nova livraria. Quando aqui há uns dias fui a festa de anos da minha prima não pude deixar de reparar, quando já regressava a casa no autocarro, na Paramount Books.
Esta livraria (que na realidade é um alfarrabista) está escondida numa rua atrás do Arnedale Shopping. E entalada entre ele e o terminal de autocarros, o que a torna numa espécie de porto de abrigo. Como se isso não fosse já encantador de si, antes mesmo de entrar na loja já estava a ser saudada por uma gravação em vinil de um concerto de ópera, que vinham de uma coluna em cima da porta, e quando entrei fui acometida pelo conhecido cheiro a "livros usados" que me fez viajar vários anos no tempo.
Tal como os alfarrabistas que vemos na TV, a Paramount Books parou no tempo, são livros de banda desenhada vintage, discos de vinil e postais antigos que nos olham de todos os cantos e recantos da loja.
Como se isto não bastasse, a loja tem um piano e sofá antigos no seu interior e o seu dono, com o qual falei durante um pouco, parece também ter fugido de uma dimensão paralela e a sua simpatia é igual ao seu exentricismo.
Para concluir a minha visita perdi-me nas prateleiras de livros infantis há muito esquecidos e trouxe uma cópia de "The Princess and the Goblin" que faz justiça ao post no qual falei das capas dos livros infantis.
Para se deliciarem como eu deliciei aqui ficam as poucas fotos que consegui tirar a socapa. O dono que me perdoe.


E para quem, como eu, anda pelas redondezas de Manchester e nos lê aqui fica a morada deste cantinho mágico Paramount Book Exchange, 25-27 Shudehill, M4 2AF.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.