domingo, 10 de novembro de 2013

Opinião: Regresso ao Suez, de Stevie Davies



Regresso ao Suez
 de Stevie Davies

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 400
Editora: Civilização Editora

Resumo:
Regresso ao Suez é um drama humano e político envolvente, passado no período pós-guerra quando a Grã-Bretanha, o vencedor falido da Segunda Grande Guerra, tentou assumir-se como potência imperial num mundo totalmente alterado. O romance tem lugar imediatamente antes da Crise do Suez, que acabou por ser um modelo das futuras invasões do Iraque e do Afeganistão.
Nesta história comovente, a tragédia de Joe é a de um trabalhador comum da sua geração: é um homem encantador, bem-humorado e sentimental em quem a dose comum de racismo e misoginia ganha proporções doentias e dolorosas. Ailsa, inteligente, curiosa e ansiosa por explorar a realidade do Egito a que acaba de chegar, conhece, na viagem, Mona, uma palestiniana que a incentiva a desejar um mundo que está para lá dos seus horizontes.
Quando o melhor amigo de Joe é assassinado por terroristas egípcios, a relação entre Joe e Ailsa entra numa espiral de tragédia. Apesar de tudo, o amor resiste. Na velhice, a sua filha Nia recorda o passado e segue o rasto dos pais, atravessando o Canal do Suez acompanhada da agora idosa Mona. Foi dito a Nia que o seu pai era um herói da guerra: agora ela irá encarar uma dolorosa verdade.

 Rating: 3/5 

Opinião: "Regresso ao Suez" é um livro difícil de classificar, assim como de explicar. Não porque seja mau, ou não tenha qualidade, mas porque não é um livro para todos os leitores; e mesmo para os que poderão gostar, não é um livro para todas as alturas.
Antes de entrar na análise do conteúdo, gostava de dizer que gosto bastante da capa e da nuance do conteúdo que ela cria, com tons sépsia a cheirar memórias longínquas à procura de serem descobertas.
O enredo leva-nos para uma Grã-Bretanha distante, onde a realidade da guerra ainda se impõe, e condiciona a vida de uma jovem Ailsa, ainda solteira e sem destino, e que descobrirá que a independência em períodos mais complicados pode não ser tão apetecível, se circundada pela solidão.
Após o prefácio mais demorado saltamos logo para o Egipto e é neste país tão longínquo (ainda mais atendendo à época em questão, em que as comunicações, ainda que circulando a uma maior velocidade, não tinham o alcance que existe na actualidade) que se desenrola a acção que nos trará a verdadeira essência desta mulher.
A estória desenrolou-se de uma forma que não esperava, pelo que gostei dos contornos surpreendentes até certo ponto, e que conseguiram despertar a minha atenção até à última página, apesar da estrutura algo confusa, e que abordarei em diante. O enfoque nas personagens principais permitiu uma exploração soberba tanto de Ailsa como de Joe, e até de Nia, que como criança teve um destaque algo inesperado mas bastante enriquecedor da acção. Não sei se por vezes não lhe achei o discurso mental muito adulto quando comparado com a reprodução dos seus diálogos, mas as suas aventuras tornaram este livro seguramente mais interessante.
Quanto ao casal principal, é bastante interessante analisar a dualidade de opiniões e valores, dos interesses comuns (ou da sua inexistência), da análise perceptiva que é realizada ao contexto envolvente, e que trará as suas consequências no futuro. Resta dizer, e sem me alongar muito, que a sua interação é díspar, por vezes inusitada e algo incompreendida, mas que de alguma fará sentido no fim da narrativa. A grande questão surge no facto de que, ainda que nenhuma destas personagens possa ter uma conducta clara de preto no branco, por vezes vemo-nos a compadecer daquela que em circunstâncias normais iríamos repudiar.
Mona é o género de pessoa que não podemos ignorar, nem que queiramos, porque ela ocupa toda a página, conseguindo até ser demasiado intrusiva e arruinar a paciência ao mais compreensivo leitor. Não é má nem apresenta uma conduta errada, mas funciona como ponto magnético que faz desaparecer toda a envolvente, tornando a leitura algo cansativa por vezes, sendo naturalmente a desencadeadora de uma série de momentos ao longo da obra.
Vivendo numa comunidade britânica onde residiam os diversos militares em serviço no país (com as respectivas famílias) não posso facilmente esquecer as mais diversas personagens secundárias que até gostaria de ter visto mais exploradas, já que algumas das suas relações se subentendem por ilações do leitor mas nunca são clarificadas.
A condução da narrativa e o conteúdo deste livro irá sem dúvida causar surpresa, e duvido muito que um número elevado de leitores facilmente depreenda o enlace final.
O verdadeiro motivo que me leva a ficar algo reticente com este livro é a própria estrutura interna e a composição de Stevie Davies. É a primeira vez que leio algo da autora, pelo que não posso tirar ilações no sentido de perceber se esta condução da escrita perfaz o seu estilo habitual ou está apenas afecto a este livro, mas muito embora a sua atividade profissional ligada à escrita criativa naturalmente a leve para redações menos tradicionais, a estruturação deste livro acabou por se tornar confusa e incoerente para um olho menos atento.
Na verdade, o livro apresenta vários universos temporais, que supostamente estão divididos por três partes identificadas no livro. O que resultaria em teoria, não fosse o facto de no interior de cada área saltitarmos de época para época, sem qualquer tipo de identificação, tendo como única divisória o parágrafo e por vezes um elemento espacial. Torna-se confuso para um leitor menos atento, até porque as personagens mudam, ou por vezes continuam as mesmas, com pelo menos 50 anos a dividi-las da narrativa anterior.
As personagens são maioritariamente representadas pelas suas reflexões e pensamentos, que no entanto se intercalam sem identificação com a descrição de acontecimentos. Muitas vezes dei por mim a ler uma frase que julgava ser um raciocínio de uma personagem para acabar por descobrir a resposta de outra personagem em discurso habitual. Ou seja, as linhas de transição entre as várias componentes são bastante difusas, o que torna a leitura mais demorada, ou exigindo pelo menos uma maior atenção.
E quanto ao fim, a relação de certas personagens fica suspensa, falta um sentido de conclusão que ultrapasse o desvendar dos segredos do passado, e crie uma interligação com o presente, que foi sempre algo estranho e desconexo.
No fundo, as personagens e as suas relações são um dos pontos fortes desta narrativa, que nos fazem continuar e querer desvendar as suas conexões. Gostei, apesar de esperar algo diferente, e só gostava realmente que o livro tivesse outro tipo de composição, de forma a chegar mais facilmente a todo o tipo de leitores.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 9 de novembro de 2013

Espresso Book Machine

Uma nova máquina de vendas automática está a dar que falar, Encruzilhados.
Trata-se da Espresso Book Machine e a "magia" desta máquina é que pode imprimir qualquer livro em minutos. De momento a Espresso tem acesso a 500,000 livros diferentes, o equivalente a 23,6 milhas de espaço em prateleiras.
A Espresso imprime aproximadamente 100 páginas por minuto e em seguida corta-as, juntas e aplica-lhes uma lombada e capa. Feitas as contas, a Espresso é tão rápida que consegue imprimir o livro Crime e Castigo em apenas nove minutos. 
O modo de uso não poderia ser mais simples, os leitores escolhem o livro do catalogo, pagam-no e esperam que o mesmo seja impresso.
De momento a máquina mais perto de Portugal fica no Reino Unido, mais precisamente na Blackwell Books em Londres. Esta é sem dúvida uma maneira diferente de ter um livro novo!



Podem ver o artigo original aqui.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Passatempo: O Jogo Final, de Orson Scott Card

Boa tarde Encruzilhad@s!

No dia 5 de Novembro, a Editorial Presença relançou o livro O Jogo Final, da autoria de Orson Scott Card, uma das obras de ficção científica mais premiadas. A adaptação cinematográfica, com Harrison Ford e Ben Kingsley, estreia hoje nas salas portuguesas.
Para celebrar o relançamento do livro, a Editorial Presença realiza mais um passatempo em parceria com o Encruzilhadas Literárias.
Para se habilitarem a ganhar este livro, basta responderem correctamente ao formulário até dia 17 de Novembro e começarem a fazer figas.
Boa sorte!

«Para descobrirem as respostas deste passatempo, procurem a página do livro no site da Editora aqui»
«Estas e outras novidades da Editorial Presença aqui»

 
Regras do Passatempo: 
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 17 de Novembro de 2013.
2) Todos os dados solicitados devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal continental e ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT no exemplar enviado.


Divulgação: Como Apanhar uma Estrela!

Como Apanhar uma Estrela

Oliver Jeffers

Livraria Cabeçudos

Sábado | 9 Nov | 16h
OFICINA ★★★★★
Era uma vez um rapaz que gostava muito
de estrelas...
COMO APANHAR UMA ESTRELA?
1.º Ir à Livraria Cabeçudos, ouvir a história que o actor Diogo DeCalle vai contar; 2.º Pegar nas tintas, nos pincéis e nas velas (sim, velas!) e descobrir as estrelas escondidas;
3.º Degustar as estrelas do lanche. Alguém gosta de chocolate?;
4.º Ir para casa com ideias brilhantes!!

A ENTRADA É LIVRE E A SAÍDA TAMBÉM.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Review: Princesses Don't Get Fat, by Aya Ling

Princesses Don't Get Fat
by Aya Ling
Published in: 2013
Nr. Pages: 136
Summary:
Princess Valeria of Amaranta is fat, but she doesn’t care. All she wants to do is to eat and lead an idle life. When it becomes apparent she cannot get a husband, her mother decides to send her to the Royal Riviera Academy of Fighting Arts. For a chubby princess who has never picked up a sword, life at the Academy is torture. Worst of all, the food is terrible.

Valeria decides to improve Rivieran cuisine by sneaking into the palace kitchens and offering her expertise, never expecting the crown prince would take interest in her kitchen excursions. As they spend more time together, the princess must decide whether she should become thin or stay in the kitchens with her beloved desserts and remain fat.

Rating: 3,5/5

Review: 
A while ago I wrote a post about books with plus-size heroines that have skinny girls on their covers. This always struck me as strange; I mean who are this skinny girls? Why do they appear on the cover instead of the heroine? The questions went on and on with no end and after a while I stopped looking for books with plus-size heroines so I wouldn't have a fit every time I saw the covers.
A couple of days ago however I decided to check my recommendations on GoodReads and found myself looking at the book Princesses Don't Get Fat by Aya Ling. I have to admit the summary made the book seam funny and light but the main thing that made me curios about Princesses Don't Get Fat was the girl in the cover. Why? Because she is plus-size and she is rocking a green dress that would look awful on me.
So being said I decided to get the e-book and read it. If you are looking for a very deep book with politics and all those shenanigans that high fantasy books are made of you better step-back.  Princesses Don't Get Fat is 136 pages of fairytale delight about a princess who is actually fat and loves to it. It's even better when you understand that she doesn't mind being fat, she is perfectly happy eating her deserts and having her gowns stretched to fit her. Like most fairy tales the queen decides to intervene and sends the princess to a camp so she can lose some of her weight. This was the twist that I was most afraid of because when this happens normally our main characters suddenly decides she wants to get thin or gets thin because of the workout and then gets all happy that she is finally thin because inside her little heart she always wanted to be thin.
Now I have two things to say about this type of story line:
1) It's true, some girls really want to be thin inside their hearts, they pretend to be happy being fat but they aren't, unfortunately most lack the strength to do something about it (others due to medical conditions can't do a thing about it which is worse) and because stories like these are real there should be books about it.
2) I was getting sick of it, because they were all like this. Even poor Bridget Jones was constantly on a diet and truth being said I just wanted a fat girl that was happy to be fat and that remained fat. (So thank you Aya Ling, THANK YOU!) Why? Because that's a feeling I can relate to. Now I won't say I never did a diet but I do have to confess I did it for health reasons.
Another reason that draw me to this book was the title itself. I found it funny and witty, specially because you have a fat princess on the cover. The story is funny and charming and it does have a fairy tale sense to it. I liked Aya Ling's writing and will try to check her other e-books when I get the time.
All and all it was a funny, charming and witty book that will make you droll at the deserts, so do stock up in sweets when you read it.

Edit 13/11/2013: Podem fazer download oficial e gratuito do livro na SmashWords aqui.