quinta-feira, 28 de novembro de 2013

O livro é fantástico, o escritor não...

Uma obra prima da literatura nem sempre revela um escritor com uma personalidade impecável e ontem quando andava a passear pela internet encontrei provas disso mesmo.
Num artigo ao jornal The Guardian, um leitor e fã de uma saga de ficção científica desde criança ficou destroçado ao saber que o escritor que era o seu herói desde sempre é homofóbico. Sendo homosexual o leitor em questão estava de coração partido, mais agora que a sua filha estava na idade de começar a ler a dita saga, ele não sabia o que fazer, deveria ou não dar-lhe os livros a ler? E se os desse deveria dizer-lhe que o escritor não gostava de pessoas como ele?
Toda a questão de livros/escritores é muito complicada principalmente quando a obra nos é querida e a sombra do escritor longa. Lembro-me bem do meu horror quando descobri que o Terry Deary era contra as bibliotecas, uma vontade súbita de nunca mais comprar um livro dele e vender todos os que tinha nasceu em mim com uma força nunca antes vista. Mas depois da onda vermelha ter passado dei por mim a questionar a decisão, claro que por um lado todos temos os nossos valores e ao comprarmos um livro estamos a apoiar o seu autor, por outro lado a obra dos autores não tem necessariamente que reflectir a sua opinião.
A verdade é que todos somos humanos e se um autor for contra uma causa que nos é querida, ou contra o nosso modo de vida será que podemos mesmo fingir de conta que não vemos? Por aqui as opiniões dividissem, se a Cláudia diz que há coisas que não perdoa e que se quisesse mesmo ler o livro o faria usando uma biblioteca para não beneficiar o autor, já eu não sei bem se me impediria de o comprar. Quanto ao facto de dar o livro a ler aos nossos filhos, cremos que tudo tem de ter peso e medida. Nada impede as crianças de apreciarem uma boa história, e assim fomentarmos o seu hábito pela leitura, mas podemos também explicar-lhes que nem todos pensam como nós e que devemos ser compreensivos com todos.
Como sabemos, autores como Tolkien e C.S.Lewis, que nos trouxeram O Senhor dos Anéis e As Crónicas de Narnia não eram perfeitos e tinham as suas visões do mundo, sendo que Narnia é uma história de inspiração católica incontestável. Contudo esses "defeitos" não impedem que todos os anos novos leitores se apaixonem pelas suas obras. Será que o tamanho da sombra importa, ou é a nossa maneira de ver o mundo?
Que pensam, Encruzilhados? Devemos impedir-nos de ler certos livros se não gostarmos dos seus autores? Ou devemos apenas olhar para a qualidade do livro?



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Resultado do Passatempo: "Acasos do Amor" de Juliette Fay + Compota Little Gifts

Boa noite!

É com prazer que anunciamos o resultado de mais um passatempo, e o último antes do grande passatempo de Natal. Este miminho literário, editado em Portugal pela Quinta Essência, assim com a compota biológica de abóbora já encontraram nova casa.





A feliz contemplada foi a Carla Inácio, de Lagoa. Muitos Parabéns!

Para os restantes, podem já marcar na Agenda o dia 12 de Dezembro. Através da nossa página do Facebook vão conhecendo os parceiros desta iniciativa e quem sabe, arranjar a lembrança ideal para este Natal! Não deixem de investigar ;)

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Opinião: O Silo, de Hugh Howey



O Silo
 de Hugh Howey

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 528

Resumo:

Num mundo pós-apocalíptico, encontramos uma comunidade que tenta sobreviver num gigantesco silo subterrâneo com centenas de níveis, onde milhares de pessoas vivem numa sociedade completamente estratificada e rígida, e onde falar do mundo exterior constitui crime. As únicas imagens do que existe lá fora são captadas de forma difusa por câmaras de vigilância que deixam passar um pouco de luz natural para o interior do silo. Contudo há sempre aqueles que se questionam... Esses são enviados para o exterior com a missão de limpar as câmaras. O único problema é que os engenheiros ainda não encontraram maneira de garantir que essas pessoas regressem vivas. Ou, pelo menos, assim se julga...


 Rating: 4/5 

Opinião: Ora bem, ainda antes de começar a opinião em si vou já falar do ponto negativo deste livro, contrariamente ao que é habitual, e que passa por ter descoberto, já a meio do livro (e a gostar dele) que me enfiei em mais uma saga por percalço, e tenho mais 7 livros de continuação pela frente (espero que a Editorial Presença os edite nos próximos anos, quem sabe ainda a termine antes dos 30..)!! E qualquer leitor regular sabe a praga que as trilogias e sagas se tornaram nos últimos anos, até porque eu já nem faço ideia de quantas estórias tenho a meio (e sobre as quais sempre se almejo o fim). Em diante.

Editado: Acabei de descobrir que afinal fui enganada pelo Goodreads. O autor auto-publicou este livro em 5 partes, pelo que o que surge como cinco livros corresponde ao primeiro editado pela Editorial Presença. No fundo, e em discussão com outras meninas por lá, cheguei à conclusão que será mais uma trilogia.

Raramente gosto das comparações a outras grandes obras. Na contracapa de "O Silo", o Daily Express descreve-o como «Emocionante, provocador e inesquecível... uma obra-prima de ficção distópica comparável a 1984, de George Orwell, e Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley.» É realmente isso tudo, excepto no que diz respeito a essa ligação aos dois clássicos, um que por acaso ainda não li senão excertos e outro não me deixou muito fã. Na minha opinião, e para além do óbvio que levou a esta equiparação, tanto 1984 como Admirável Mundo Novo centram-se principalmente no impacto das vivências colectivas nos indíviduos, criando experiências intensamente sensoriais. Já O Silo é uma grande obra de ficção, focada no entanto na aventura, na acção, na sucessão de factos que de forma infalível nos levaram na direcção de um final inesperado.
A introdução ao mundo em questão é feita de forma muito sublime, sem se tornar voraz em pormenores, e que nos cativa e prende a atenção. Colocando-nos numa situação in media res que nos capta logo o interesse, sem nos fazer sentir perdidos, vamos acompanhando as consequências da tomada de decisão de uma personagem. E ainda que o desfecho dessas não seja o esperado, parte dela irá acompanhar-nos ao longo do livro.
Somos espicaçados nos momentos certos. Este livro faz-nos questionar a situação que nos é apresentada assim como a sua contextualização. Queremos saber mais, compreender o funcionamento do Silo, tanto a nível de estruturas como do ponto de vista legislativo e populacional. Queremos saber mais sobre os sorteios de procriação e sobre as formas de subsistência, assim como da capacidade de gestão de electricidade. Queremos conhecer melhor as personagens, conviver mais tempo com elas, embora o constante subir e descer dos pisos intermináveis nem sempre nos possibilite. E ainda que queiramos isso tudo, não nos sentimos defraudados, ou com falta de informação suficiente que permita a compreensão do enredo de forma alargada.
E por falar em personagens, o grupo que nos é apresentado está totalmente à altura do acontecimento. São diversas, interessantes, cativantes e bem construídas, mesmo quando só temos acesso a pequenas nuances suas, e que dificilmente servem para descrever uma personagem por completo. Não nos sentimos enganados, conseguimos relacionar-nos com o que estamos a ler e queremos sempre saber mais e ir mais longe. A sensação de continuidade e paralelismo da acção é bem conseguida, e fará ainda mais sentido a partir do meio da narrativa, quando existirem mais pormenores sobre o contexto envolvente. A sensação de que estamos perante uma estrutura complexa vai aumentando ao longo da narrativa, especialmente quando a verdade deixa de o ser e a mentira passa a ser esperada. A visão descritiva é muito global, ainda que se foque em perspectivas individuais, dando-nos o melhor de dois mundos.
O que é que ficou a faltar? Um verdadeiro inimigo, uma força contrária mais eficaz ou que, pelo menos, nos fizesse sentir a sua presença mais imediata. Porque apesar de estarmos ao corrente de qual o elemento causador de todos os momentos climax, a sua presença ainda é muito distante e pouco controladora (o que seria de esperar numa obra deste género, até pela composição que nos é apresentada).
Ainda assim, sendo o livro introdutório, fica a pairar a reflexão de que este é só um esboço, um rascunho ainda mal composto de toda a acção que por aí vem. Nesse sentido, estou plenamente satisfeita, quero mesmo continuar a seguir esta saga e completá-la, e fico ansiosamente à espera do próximo.

«Estas e outras novidades da Editorial Presença aqui»


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Novidade: Aprenda a Dizer Não Sem Se Sentir Culpado, de Jacqui Marson

 Jacqui Marson é uma das mais conhecidas e reputadas psicólogas no Reino Unido. É frequentemente convidada para participar em programas de televisão e rádio, de forma a partilhar, entre outros temas, conselhos sobre parentalidade e relacionamentos, e escreve artigos para os umais conhecidos jornais britânicos.

Jacqui Marson é também bastante requisitada para dar worshops em todo mundo, nomeadamente sobre temas como  team-building e desenvolvimento pessoal. Agora, e com o livro Aprenda a Dizer Não Sem Se Sentir Culpado  (Editora Nascente), Jacqui Marson vai também partilhar as suas ideias com os leitores portugueses. 

SINOPSE

«Com vastos anos de experiência como psicóloga clínica, Jacqui Marson estudou uma realidade que afeta muita gente, e que pode estar a afetá-lo a si. Se se sente preso, sufocado, oprimido por estar sempre a dizer SIM aos outros, este livro vai ajudá-lo a libertar-se e a determinar como deve viver. Estar sempre a agradar aos outros não faz de si mais feliz.

Há tantas pessoas cujos relacionamentos, carreiras e bem-estar são corroídos pela crença de que, para serem apreciadas, amadas e aceites, têm de limitar-se aos comportamentos que acreditam serem os que os outros aprovam. Isso significa ser sempre educado, agradável, útil, charmoso, divertido, nunca dizer não, evitar conflitos, e sobretudo: colocar as necessidades dos outros à frente das suas próprias necessidades. Por isso, ponha as suas necessidades em primeiro lugar.

Descubra como modificar os seus comportamentos e APRENDA A DIZER NÃODeixe o sentimento de culpa para trás. Este livro, prático e motivacional, diz-lhe como quebrar a verdadeira maldição que é dizer sempre SIM, libertando-o das expetativas sufocantes dos outros para que possa viver uma vida mais completa e satisfatória. Mais feliz e sem se sentir culpado.»