segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Novidade: O Voluntário de Auschwitz, Witold Pilecki

Hoje, 27 de Janeiro, comemora-se o do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto. A escolha do dia não surge por acaso, uma vez que foi a 27 de Janeiro de 1945 que os soviéticos libertaram Auschwitz, o maior e o mais mortífero centro de extermínio do III Reich

Emre Kertész, escritor húngaro de religião judaica, sobrevivente do holocausto, e laureado com o Nobel da Literatura em 2002, afirmou: «O problema de Auschwitz não é o de saber se devemos manter a sua memória ou metê-la numa gaveta da História. O verdadeiro problema de Auschwitz é a sua própria existência e, mesmo com a melhor vontade do mundo, ou com a pior, nada podemos fazer para mudar isso”.
Foram muitas as obras literárias que tentaram recriar o pesadelo que viveram milhões de judeus, vítimas da gigantesca e cruel máquina criminal nazi. Mas nenhuma é tão “crua” e real como O Voluntário de Auschwitz: O herói que se deixou capturar para contar ao mundo a terrível verdade sobre os campos de concentração nazis. Já à venda em todo o país, este livro é um documento histórico único e extraordinário. 

A sua adaptação ao cinema está já confirmada, e chegará ao Grande Ecrã pelas mãos de Samuel V. Franco e David Aaron Gray, produtores de World War Z. Vai ser, pela força da história, um dos filmes de 2015. E terá, garantidamente, tanto ou mais impacto como A Lista de Schindler. Declarações dos produtores aqui.

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Em O Voluntário de Auschwitz, Witold Pilecki refere-se com minúcia, num texto racional mas emocionalmente duríssimo, a tudo o que encontrou em Auschwitz:
·         A estrutura, o funcionamento e a evolução do campo; As hierarquias e funções nos comandos nazis; As condições de vida desumanas dos prisioneiros, e a solidariedade possível entre eles; As ações terríveis dos militares alemães e dos prisioneiros polacos dissidentes que colaboravam com oTerceiro Reich; A exponenciação, a partir de 1942, da brutalidade e dos crimes praticados no campo; A tentativa de organização dos prisioneiros em grupos de resistência; As estratégias tomadas para as fugas esporádicas do campo e a transmissão de informação para o exterior; A relativa inação dos Aliados perante os relatórios enviados por Pilecki. 
A história deste herói, desconhecida até agora, vai marcar todos os leitores, amantes de todos os géneros literários. Afinal, trata-se de um relato que podia ter mudado o curso da História.  

Witold Pilecki, capitão do Exército do Estado clandestino polaco, fez algo que mais ninguém teve a coragem de repetir: voluntariar-se para ser preso em Auschwitz, o mais violento e mortífero campo deconcentração nazi, e, dessa forma, relatar os horrores ali praticados pelo Terceiro Reich.

A missão, realizada entre 1940 e 1943, tinha dois objectivos: informar os Aliados sobre as práticas nazis nos seus campos de concentração, dos quais se conheciam, então, apenas algumas informações esparsas, mas muito preocupantes; e organizar os prisioneiros em grupos de resistência contra as forças alemãs, na tentativa de controlar o campo.

Sobrevivendo a muito custo a quase três anos de fome, doença e brutalidade, Pilecki foi bem-sucedido na sua missão, conseguindo evadir-se do campo de concentração em Abril de 1943. O Voluntário de Auschwitz é o relatório mais extenso do capitão Witold Pilecki, completado em 1945, no exílio. Escondido pela ditadura comunista na Polónia durante mais de 40 anos, este documento único na história e na literatura sobre Auschwitz, a Segunda Guerra Mundial e o Holocausto é agora publicado pela primeira vez em português.

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A Vogais disponibiliza os primeiros capítulos para leitura imediata, aqui.

sábado, 25 de janeiro de 2014

E a minha resposta é: Será que os filmes de acção são mau para raparigas adolescentes?

Hoje enquanto passeava pelo site do The Guardian dei comigo a olhar feita parva para uma das suas notícias. Com o título Is teen romantic fiction bad for boys? o artigo, que podem ler aqui, explora a ideia que os romances para adolescentes são "maus" para os rapazes normais porque transformam todos os rapazes em modelos que, obviamente, estão em contacto com os seus sentimentos, são ricos e bem sucedidos. Isto faz com que os rapazes que são mais pesados, usem aparelho ou, de alguma forma, não se enquadrem nesta imagem se sintam mal consigo mesmos e que isso os poderá levar a acreditar que "nunca encontrarão ninguém".
A repórter acaba o artigo perguntando se os romances nos criam uma perspectiva errada dos homens ou se são uma maneira de afogarmos as mágoas por eles não serem assim?
Ora bem Encruzilhados, seguindo esta lógica eu pergunto: Será que os filmes de acção são mau para raparigas adolescentes? Ou até mesmo comédias românticas? Porque sejamos sinceros, por muito feia que eles queiram pôr a actriz principal ela nunca está tão feia quanto isso (não pelo menos na minha opinião) e mesmo que ela esteja feia há sempre maneira de a fazer bela e deslumbrante. E se queremos falar de actrizes pesadas em papéis principais, vamos a levantar duas mãos para as contar e mesmo assim acredito que nos sobrem dedos. E querem falar da representação oca de maior parte das mulheres nos filmes?
Compreendo que a repórter tenha querido chamar a atenção para um assunto que na realidade é importante, a imagem que os média projectam nos adolescentes e o peso que isso acarreta na sociedade de hoje mas a verdade é que as raparigas são muito mais danificadas pelas imagens projectadas dos mídia do que provavelmente os rapazes pelas imagens dos livros.
Que pensam, Encruzilhados? Será que estou completamente louca ou há alguma razão no que digo?


Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Novidade: Ofélia, de Julieta Arroquy

Ofélia
de Julieta Arroquy
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 96
Editor: Clube do Autor

O universo feminino com humor e perspicácia

A nova heroína do mundo das histórias de banda desenhada
finalmente em português

A Ofélia é uma mulher confiante, insegura, doce, sarcástica, apaixonada, descrente, sonhadora, pessimista, doce, corrosiva. No fundo, um poço de contradições.
No fundo, como todas nós.
 
Ana Garcia Martins, autora do blogue A Pipoca Mais Doce
 
Ofélia é um livro que navega pelo tão analisado e explorado universo das mulheres, sem evitar o campo minado de clichês como se fossem uma praga, mas reflectindo sobre esses lugares comuns com desenvoltura e tranquilidade.

Ofélia é para reler quando estamos tristes ou desanimadas, para partilhar com uma amiga, para deixar em cima da mesa da sala para delícia das visitas. É um livro cheio de ideias, de vivacidade, de verdades que todas pensamos, mas que nem sempre sabemos como dizê-las. É, antes de mais nada, um livro feliz. Um livro bonito e cheio de esperança. Necessário. Carinhoso. Amável para os olhos. Um livro que leva para o papel um hábito esquecido tanto nos blogues como nas prateleiras das livrarias: ler com um sorriso. Carolina Aguirre, guionista e escritora argentina

Vencedores do Passatempo "2363", de Y. N. Daniel

Boa noite!

O passatempo acabou há uns dias mas não nos esquecemos de vocês. Ultimamente andamos ambas com falta de tempo, pelo que a ginástica matinal pelo Encruzilhadas tem andado meio suspensa. Sendo assim, e depois de solicitar a colaboração do fantástico Random.org, aqui ficam os tão esperados vencedores:

António Silva, de Avanca
Horácio Teles, de Alverca

Mais uma vez, muitos parabéns! Para quem ainda não conseguiu ser premiado pelo nosso Blog, não se esqueçam que estão a decorrer 4 passatempos de aniversário até 30 de Janeiro. Participem!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Opinião: Oska Pollock - A Inesperada, de Anne Plichota e Cendrine Wolf



 Oska Pollock - A Inesperada
 de Anne Plichota e Cendrine Wolf

Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 460



Resumo: Com treze anos de idade, Oksa Pollock descobre que tem poderes especiais. Quando conta à avó o que se está a passar, é-lhe revelado o segredo das origens da sua família e a incrível missão que, apesar da sua pouca idade, lhe está destinada! A família Pollock vem de Edéfia, um mundo invisível e mágico, oculto algures no planeta Terra, que foi palco de um violento combate. Parte dos habitantes veio viver entre os humanos, incluindo Ocious, que é extremamente ambicioso e deseja tonar-se o senhor de Edéfia e do resto do mundo. E é sobre os jovens ombros de Oksa que recai agora a responsabilidade de salvar o seu povo. Ela é a sua última esperança...

 Rating: 3,5/5 

Opinião: Os livros infantojuvenis são sempre muito especiais para mim, pois foi através deles que me fascinei pela leitura e quis descobrir o mundo dos livros. Geralmente não gosto destas conotações entre uns sucessos literários e outros, não só porque criam expectativas desajustadas, como não são justas para nenhuma das obras em causa. Neste caso, não concordo que Oska seja um "Harry Potter" francês, mas merece todo o mérito e consideração pelo livro que é.
Com uma linguagem nitidamente orientada para um público mais novo (é necessário ter isso em mente se quisermos na mesma lê-lo), Oska traz-nos um novo mundo de descobertas, com seres estranhos e enigmáticos, feitiços e palavras mágicas, associadas a uma complexa rede de traições, descobertas inusitadas e segredos de família que nunca mais acabam! As criaturas mágicas são muito diversas, cada uma bastante presente ao longo do livro, e bastante peculiares.
Acompanhada por um grupo de amigos bem-disposto e uma família excêntrica, mas bastante unida, Oska vai-se ver desafiada por um leque de desafios que não terminarão tão cedo, e cujas notas introdutórias ficamos a conhecer neste primeiro livro.
Após descobrir a natureza de certos acontecimentos, ver-se-á direccionada para um mundo novo, onde o seu papel é preponderante, e mesmo que quisesse, não teria como escapar a toda uma dinâmica determinada anos antes.
Acho que a estória está bem construída, com um enredo credível e desperta a curiosidade (especialmente aos mais novos que pegarem neste livro). Sinto que o mundo fantástico poderia estar um pouco melhor trabalhado, e que as nomenclaturas resultantes desse universo perderam-se um pouco com a tradução, tornando-se infantis em demasia, o que era escusado, até atendendo que adolescentes com 12/13 anos gostam que não lhes lembrem que ainda podem ser considerados crianças. Tirando isso, a linguagem até é bastante recorrente e adaptada, com um discurso coerente e corrente, e que me deu imenso prazer em ler.
Oska é uma miúda cheia de forma, e com todas as fragilidades da idade, que gosta de ser social, e se unir à família e aos amigos para ser uma pessoa sociável e saudável. É por ter esta base de apoio tão forte, que consegue ir vencendo as adversidades, recuperando após cada erro cometido, admitindo as suas fraquezas, e recuperando as energias perante o optimismo de Gus, o amigo de todas as horas. Mais um livro de aventuras a não perder!

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e ler nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.