domingo, 11 de maio de 2014

Opinião: A Guerra do Salavisa, de J. F. Matias

                                                 

 A Guerra do Salavisa
de J. F. Matias

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 268
Editora: Marcador 




Resumo: 
Na alvorada do século XX, Joaquim Salavisa é um adolescente valente, boémio, engenhoso e pinga-amor, sem qualquer inclinação para os estudos, e que se desdobra em brincadeiras e partidas por toda a Lisboa. Aos dezanove anos, um incidente rocambolesco, idêntico a tantos outros em que era useiro e vezeiro, corre mal e leva-o à prisão. Filho de boas famílias, o seu pai, para o safar do cárcere, alista-o no Corpo Expedicionário Português com destino à Flandres. Pensando livrá-lo depois através dos bons ofícios de um primo responsável pela mobilização. A mãe, porém, trata de que aconteça precisamente o contrário, na esperança de que a Grande Guerra faça o filho ganhar juízo e o torne um homem.

No epicentro de uma guerra, mas remetido para uma frente estabilizada, calma demais para o seu feitio, trava contacto com um francês e um alemão enquanto se dedica a caçar tordos numa terra de ninguém. À conta da fanfarrice de um deles, desencadeiam uma fuzilaria tremenda entre trincheiras que quase os mata. Refugiados num bosque, tornam-se amigos e entreajudam-se no regresso à segurança das respectivas linhas.

Muitos anos depois, o neto tem a sorte de poder aplicar na boémia e nos prazeres da vida a mesma dose de rebeldia e extroversão do avô. Entre memórias e heranças que o avô deixara para trás, percorre um caminho intricado que o fará erguer uma verdadeira ponte entre gerações.

Rating: 3/5 

Opinião: "A Guerra do Salavisa" leva-nos para um Portugal de época a sofrer transformações reestruturantes da sociedade portuguesa, contextualizando o crescimento espontâneo e estouvado de um menino, no início do livro já rapaz (mas ainda com a cabeça na lua típica dos que não se preocupam porque não têm essa obrigação). O fim da Monarquia, a instauração da I República são os cenários de fundo com os quais convivemos muito brevemente, apenas para contextualizar o desenvolvimento de carácter de Joaquim Salavisa, amado pelo pai que certamente revê no filhos os sonhos cumpridos/ por cumprir de uma juventude desgarrada, e preocupação de uma mãe, que quer educar um fruto da sua linha hereditária para ser um homem, consciente, sensato e pelo menos, com algum nível de decência.
A ida para a Grande Guerra quase passa despercebida, naquela frente de batalha que de batalha não tem nada, e que leva, tal como a sinopse indica, ao levantar de um acontecimento que criará laços de amizade entre Quim, Jean-Paul e Fritz. Esta parte do livro para mim foi a mais deliciosa. A relação entre os três, ainda que bastante breve, mostrou o quanto as barreiras e as composições das ideologias políticas escondem por vezes jovens resgatados para momentos com os quais não se identificam, e que no fundo, não fossem barreiras criadas por terceiros, os seus sonhos e interesses seriam os mesmos. Basta para isso ver a complexa família de Jean-Paul, que tanto atravessa um lado da barreira como se encontra da outra, e que em parte retractou a história de muitos outros na I Guerra Mundial.
Essas passagens são muito rápidas, trazendo Quim para outra nova realidade, onde cruzará caminho com diversas personagens, ocupando lugares distintos na Guerra a decorrer, e que finalmente trarão alguma luz e sensatez a este rapaz que se preocupa consigo e não com os problemas do mundo.
Quando a sinopse descreve a ponte de gerações, esperava que ela de facto tivesse ocorrido, e sinto que poderia ter sido melhor trabalhado. Senti que a passagem de avô para neto não só foi brusca como criou uma narrativa totalmente independente e confesso que me senti um pouco enganada, especialmente porque estava a gostar do desenvolvimento do enredo inicial.
A estória do neto é completamente diferente da levantada ao seu avô. Também boémia e cheia de ajudas, para permitir a existência de bons vivants que só se preocupam com o umbigo e as boas ofertas gastronómicas e culturais de uma vida com regalias, não senti evolução nesta personagem. Paradoxalmente, esta segunda parte apresenta por vezes breves rasgos mais filosóficos que puxam a um lado mais maduro da narrativa, ainda que nem sempre bem conseguidos. Até certa medida gostei de Marcel (seu amigo) e do criaram em sua volta, mas o enfoque acabou por se tornar um pouco forçado e cansativo em algumas partes. É já a última parte, que passa quase que ligeira e despercebida que me fez gostar mais do livro novamente, com a mistura dos vários mundos e a miscelânea de acontecidos resultantes da composição da vida de várias personagens numa única tela, onde o passado e o futuro se misturaram ao ponto de surgirem como uma única época.
O estilo literário do autor salvou este livro quando à criação de empatia com o leitor. Da minha parte, uma personagem corriqueira armada em Dandy que tem tudo o que cai do céu em cinco segundos não seria uma composição de que fosse gostar. Tantas cunhas e boa vida, facilidades que nem repara e sobre as quais não reflecte ou agradece soam-se aos chico-espertos que tudo querem e conseguem. No entanto, o estilo leve de J. F. Matias, solucionado numa mistura de brincadeira e tom irónico a um rectacto-tipo de uma sociedade portuguesa em estilo saudosista (e que infelizmente, em muitos casos correspondeu à realidade), acabam por criar uma ligação com o leitor que ainda que não se reveja nela conhece o seu país, o que inevitavelmente nos aproxima da estória que estamos a ler e, em parte, nos leva a desculpar os Salavisas, toda a sua linhagem, pelos defeitos de carácter que julgamos corrigidos neste narrador que reconta tempos idos.
E falando em Salavisa e para terminar esta opinião, este título surge então como uma analogia um pouco mais vasta aos acontecimentos bélicos decorridos entre 1914 e 1918, passando antes a ser resultado do conflito da emancipação e da entrada na idade adulta, da compreensão do mundo por estes avô e neto, e da consciência da importância de estar vivo e de fazê-lo com dignidade.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 10 de maio de 2014

Novidade: Lobos Cinzentos, de Robert Muchamore


Lobos Cinzentos
de Robert Muchamore
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 416
Editor: Porto Editora
Resumo: 
Primavera de 1941.

Os submarinos alemães patrulham o Atlântico Norte, afundando os navios carregados com a comida, o combustível e as armas de que a Grã-Bretanha necessita para sobreviver.

E, enquanto a Marinha Real perde a guerra no mar, seis jovens agentes terão de se infiltrar na Europa ocupada e sabotar uma base de submarinos na costa ocidental francesa.

Se os submarinos não forem travados, o povo britânico morrerá de fome.

Para efeitos oficiais, estas crianças não existem...

Novidade: Quando Aqui Estavas, de Daisy Whitney

Quando Aqui Estavas
de Daisy Whitney; Tradução: Inês Castro
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 248
Editor: Edições Asa
Resumo: 
A mãe de Danny perdeu a batalha de cinco anos contra o cancro, três semanas antes de ele acabar o secundário - o dia porque ela mais esperara.
Agora Danny fica sozinho, apenas com as suas memórias, o seu cão, e a ex-namorada que lhe destroçou o coração. Não sabe o que fazer com a casa, o que dizer no da formatura, e muito menos como viver ou ser feliz.
Então uma carta de uma amiga da mãe em Tóquio fá-lo largar tudo e viajar até ao outro lado do mundo para descobrir os segredos da mãe - e perceber por que motivo os seus últimos meses foram tão cheios de alegria. Porém, não é capaz de encontrar as respostas ou de fugir às complexidades da sua relação com Holland apenas por atravessar o oceano. Porém, entre as flores de cerejeira, os templos e as multidões da cidade de néon, e com a ajuda de uma jovem japonesa amiga da mãe, começa a ver que talvez não tenha sido a magia antiga ou os tratamentos místicos que faziam a mãe regressar ao Japão. Talvez o segredo de como viver resida na forma como ela morreu. E como amou.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Opinião: A Lei do Deserto, de Wilbur Smith


A Lei do Deserto
de Wilbur Smith

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 575
Editora: Editorial Presença 

Resumo: 
Hazel Bannock é proprietária de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Bannock Oil. Durante uma viagem através do oceano Índico, o seu iate é sequestrado por piratas somalis. Nele viajava a filha de Hazel, de 19 anos, Cayla, e o resgate que os piratas pedem para a libertarem é exorbitante. Hazel recorre ao major Hector Cross, cuja empresa foi contratada pela Bannock Oil para proteger as suas instalações e pessoal. Juntos, Hazel e Hector estão dispostos a tudo para salvar Cayla, mesmo que isso signifique fazer justiça pelas próprias mãos…
  
Rating: 4/5 

Opinião: Sendo uma adepta de séries policiais e de thrillers e filmes de acção, não sei porque é que não leio livros deste género mais vezes. Ou melhor, sei: não posso fechar os olhos nas partes mais assustadoras/ nojentas/ violentas e fugir da estória. Wilbur Smith fez-me ver que se calhar tenho de voltar com mais frequência a este universo, e descobrir os segredos dos thrillers literários.
"A Lei do Deserto" surpreendeu-me e dei por mim a gostar bastante deste livro, e muito mais do que inicialmente esperava. Wilbur não perde tempo, salta logo para a acção que interessa, põe-nos as cartas na mesa, deixa-nos tocar-lhes e volta a baralhar-nos. É um livro cheio de acção, intenções, momentos de tensão e reviravoltas. E não é mesmo conversa fiada: a meio do livro questionei-me sobre o que é que o autor iria criar para mais 200 páginas porque o enredo parecia conduzir a um final próximo e ele trouxe-me a resposta meia dúzia de páginas depois, com todos os elementos que a comportavam: altercação de personagens, segredos desvendados, uma surpresa rápida, indolor, mas com variadas consequências para o seguimento da narrativa. É neste registo que Wilbur Smith brilha mais, criando um livro forte e agradável para um vasto público. 
As personagens principais (Hazel, a irritante Cayla e Hector Cross) são exactamente o que esperava delas: fortes, com o devido destaque, por vezes incomodativo mas continuando a agarrar-nos ao contante virar de páginas. As personagens secundárias foram cruciais, desde a família de Hazel aos elementos da equipa de Hector Cross e dos terroristas, que por vezes são quem menos pensávamos....
Irritou-me em alguns momentos a construção de determinadas personagens. Cayla, por exemplo, passa por evento tão dramático que eu esperava (adrenalina à parte) que isso se reflectisse na sua personalidade e essa ausência soo-me estranha e um pouco oca. As relações humanas não me parecem por isso o ponto forte do autor, pelo menos no que toca a sentimentos e interiorizações (que surgiram tantas vezes destoados da restante composição). No entanto, esse factor suplanta-se quando logo em seguida nos surge uma linguagem directa e pragmática e por vezes crua (em exagero) que nos obriga a pensar mais além e a saltar para o meio de cenas (quase como culpados), e a sermos um participante activo de toda a narrativa. 

Por outro lado, este autor é bem sentido no livro que criou. É inegável tratar-se de um autor masculino, com um posicionamento e uma perspectiva sobre as acções muito pessoal. Por vezes torci-lhe bem o nariz, até porque algumas descrições me pareceram algo duras e deixaram-me desconfortável  mas conseguimos fazer as pazes umas páginas depois (deixo de ante-aviso os interessados que há cenas de intenções de/ou de estupro) .
Acho que é uma grande aposta para leitores que gostam de acção sem descrições mórbidas em exagero, que procuram algo leve mas cheio de ritmo e que pretende partir para o mundo da ficção sobre um tema que, apesar de tudo, até é bastante real e actual como a pirataria marítima.



«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
«Aquira o seu exemplar aqui


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Bibliotecas! - Parte I

Está na hora de vos falar de bibliotecas!

Pelo Encruzilhadas temos falado destes grandes equipamentos culturais desde sempre, não só porque apoiamos o trabalho lá desenvolvido mas porque fazem parte do nosso quotidiano. A Catarina acabou de descobrir as vantagens de percorrer esses corredores literários mais vezes desde que se mudou para o Reino Unido, não porque não as valorizasse antes, mas porque a oferta perto da sua casa anterior não era muito vasta. E basta pensar que vários daqueles livros que estamos ansiosos por ler ou foram recentemente cá editados já circulam pelos leitores das bibliotecas de uma certa região de Inglaterra há algum tempo. Da minha parte, as bibliotecas sempre foram um centro de visita habitual, especialmente porque só comprava livros no meu aniversário e no Natal, o que me obrigava a procurar novas soluções.

Por esse motivo, por aqui sempre as temos defendido, e têm sido as companheiras de muitas horas. Foi nelas que descobri livros fantásticos como "A Rapariga Que Roubava Livros" ou "A Queda dos Gigantes", ou que encontrei aquele livro que precisava mesmo para estudar, onde fiz vários trabalhos de grupo e conheci colegas para além da imagem de sala de aula, onde me frustrei por nunca haver uma secção destinada à Geografia (e me obrigar a percorrer todas as estantes das Ciências Sociais e de Arquitetura/Urbanismo quando elas existiam), mas encontrar outras destinadas ao Cinema, à História e à Sociologia, onde me aventurei só pelo prazer de lá entrar e descobri novas publicações mensais de interesse.

E podia ficar por aqui a divagar sobre o que aprendi e vivi em bibliotecas até ao sol raiar, mas prefiro levar esta crónica noutro sentido. A primeira biblioteca que frequentei dentro de um x raio de km na minha área de residência foi a Biblioteca Municipal de Oeiras, e como tal esse tem sido desde então o meu ponto de referência (faz este mês 18 anos que bem merecem ser celebrados!), mas desde então aventurei-me pelas de Cascais e, mais tarde e já na faculdade, nas de Lisboa. Como tal, tenho o cartão de leitora dos três municípios e porque me tenho deparado com várias diferenças e coisas que gosto mais numas do que noutras, decidi fazer um conjunto de artigos de comparação e recomendação para quem nos segue na área da Grande Lisboa e pretende aventurar-se pelo mundo bibliotecário. E vamos começar nada mais nada menos do que pelo espaço.

ESPAÇOS

Bibliotecas Municipais de Cascais: Biblioteca Municipal Casa da Horta da Quinta de Santa Clara [*], Biblioteca Municipal São Domingos de Rana [*], Biblioteca Municipal Infantil e Juvenil [*] (mais informações aqui).

Bibliotecas Municipais de Oeiras:  Biblioteca Municipal de Oeiras [*], Biblioteca Municipal de Algés, Biblioteca Municipal de Carnaxide (mais informações aqui)

Bibliotecas Municipais de Lisboa: Biblioteca de Belém [*], Biblioteca da Penha de França, Biblioteca Por Timor, Biblioteca Camões, Biblioteca David Mourão-Ferreira, Biblioteca Maria Keil, Biblioteca Olivais (serviço Bedeteca), Biblioteca de São Lázaro, Biblioteca dos Coruchéus, Biblioteca Palácio Galveias [*], Biblioteca Orlando Ribeiro [*], Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Cidade Universitária), Biblioteca-Museu República e Resistência (espaço Grandella), Biblioteca-Quiosque Jardim da Estrela,
Bibliotecas Itinerantese (Mais informações aqui)

[*] - Espaços já visitados.

Como vêm pelos asteriscos, não visitei todos estes espaços, pelo que vou remeter o artigo apenas para a minha experiência pessoal e fico à espera das vossas opiniões relativamente aos restantes.

Oeiras Conversa-Biblioteca de OeirasA Biblioteca Municipal de Oeiras é a central do concelho e a primeira que eu conheci. Desde trabalhos de grupo no secundário a pesquisas da universidade, passei lá muito do meu tempo e é das minhas preferidas. Tem um espaço bastante amplo, luz espectacular (tanto natural como artificial), boas cadeiras para trabalhar e estantes que nunca mais acabam. Conta ainda com uma sala gigante para a secção infantojuvenil, uma recepção com sofás e cadeiras bastante simpática e uma sala de informática e audiovisuais. Se tiver de ficar por lá mais do que umas horas, é a minha preferida. Ponto desfavorável: apesar de próxima à linha ferroviária, localiza-se entre as estações de Santo Amaro e de Paço de Arcos. Não é que fique longe para percorrer a pé o caminho até lá, mas não é nada simpático de se fazer à noite (e até um bocado inseguro), e há que não esquecer que no Inverno escurece depressa...Outra alternativa que utilizava em tempos idos era apanhar o autocarro gratuito para o Oeiras Parque e descer o caminho todo até lá abaixo. Subir a colina no final do dia carregada de livros é que era pêra doce. Entretanto o transporte passou a ser pago, deixei de ter passe que me ligasse aos restantes modos de transporte no perímetro da biblioteca e por isso hoje vou lá menos vezes, com muita pena minha. Para os que se deslocam de automóvel, com prédios nas redondezas e lugares de estacionamento reservados às Águas de Oeiras, estacionar pode ser um pesadelo. (Fonte da imagem: Câmara Municipal de Oeiras).

As Bibliotecas de Cascais são as que melhor conheço porque mais facilmente as visito. Mas nem por isso passo mais tempo nelas. A Biblioteca Infantojuvenil é uma pequena casa engraçada no centro do Parque Marechal Carmona, e um dos verdadeiros espaços a visitar e a relaxar. Estando dedicada às faixas etárias mais novas mas podendo ser utilizada por todos, apresenta brinquedos e mobiliário adequado às idades dos seus principais utilizadores. Já para não falar que tem um parque de merendas mesmo ao lado e bancos à entrada que nos permitem ler ao mesmo tempo que ouvimos os galos, as rolas e os pavões como ruído de fundo. Ponto desfavorável: a ligação ao exterior passa despercebida para quem não a conhece. Precisa de ter a porta aberta mais vezes, e alguma coisa chamativa (na imagem abaixo vê-se uma construção de uma árvore do lado direito mas que não costuma lá estar) e uma tabuleta que lhe atribua maior visibilidade. Já a de São Domingos de Rana é relativamente recente. Faz 10 anos em 2015 e está enquadrada numa realidade de bairro, numa localidade que à partida teria menor afluência ao equipamento (desenganem-se que é bastante visitada), e que muita falta lá fazia. Dispõe de cafetaria, tem uma sala destinada ao infantojuvenil (mais pequena que a de Oeiras), uma sala como galeria de arte e um vasto espaço a ser utilizado. É um edifício que dá prazer em lá entrar e conta com um óptimo parque de estacionamento (para uma lotação média). Ponto desfavorável: A disposição interna não é das melhores. Há poucas mesas para trabalhar e não estão agrupadas da melhor maneira.

Deixei para último lugar a Biblioteca Casa da Horta (como eu lhe chamo para encurtar o nome que nunca mais acaba) porque das três é a que visito com mais frequência. É um edifício antigo recentemente alvo de renovação, com elevador e boas instalações sanitárias (são as maiores diferenças que sinto no espaço para o que era anteriormente). As salas são de pequena dimensão devido à estrutura do edifício, pelo que não me apela a passar lá muito tempo, até porque sentimos sempre estorvar os que estão, os que vão, os que passam nos corredores logo ao lado. No entanto, é um edifício amoroso, bem no centro de Cascais, com uma sala dedicada à informática e outra (um pouco mal aproveitada) para os livros infantojuvenis.
O espaço de eleição é o jardim, amoroso, com várias mesas de apoio que muitos utilizam para almoçar mas também para trabalhar. Basta ver a época de exames a chegar e a quantidade de jovens que o utilizam (é preciso é ter cuidado com as pinhas, gigantes por sinal, que já não é a primeira vez que alguma cai ao ponto de quase deitar um buraco na cabeça de alguém). Ponto desfavorável: Tendo espaços tão fechados, precisava de mais formas de renovação do ar, ou de ter mais janelas abertas. Há dias, especialmente os de chuva e com muita afluência, em que cheira demasiado a gente (Fonte das imagens: Câmara Municipal de Cascais).



Quanto às de Bibliotecas de Lisboa, apesar de já ter visitado mais, aquela que frequentei com maior assiduidade e que, portanto, me deixou com maior capacidade para analisá-la é a Biblioteca Central do Palácio das Galveias. Ainda assim, não posso deixar de dizer que a Biblioteca Municipal de Belém está localizada num sítio espectacular, mesmo próximo aos jardins e perto das tentações do Starbucks e dos Pastéis de Belém. O edifício é pequeno mas bastante agradável. Estive lá durante o dia e parece-me um local bastante calmo e bom para se estudar.
Já a Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, que para quem não sabe foi um grande geógrafo, não poderia faltar nas minhas visitas. Acho o local onde se encontra simpático e a biblioteca é bastante grande. Tem uma secção só para os trabalhos de Orlando Ribeiro e um óptimo espaço para trabalhar, para ler mais descontraidamente e uma vista para os jardins de fazer inveja.
No entanto, a menina dos meus olhos é a Biblioteca Central das Galveias. Primeiro, porque ficava tão próxima da minha faculdade que podia lá ir todos os dias se quisesse (e tivesse tempo, que foi o que mais me faltou para ler nessa altura). Localizada quase defronte o Campo Pequeno, o edifício é lindo e antigo (foi uma das antigas residências dos Távora, pertencendo a meados do séc. XVII, e que mais tarde pertenceu aos condes de Galveias - fonte) e dá gosto lá entrar só por esse motivo. Por outro, porque tem estantes que nunca mais acabam, uma sala só dedicada a livros de áreas científicas de forma detalhada (vi lá categorias que não encontrei em mais nenhuma) e condições relativamente agradáveis para trabalhar. Tem uma sala considerável dedicada ao universo infantojuvenil, outra dedicada à história, e uma subrecepção com dicionários, as obras de saramago e outros grandes autores de língua portuguesa e umas estantes antigas espectaculares. Entrem, vejam os azulejos que a decoram e aproveitem o jardim onde costumam passear dois pavões. Ponto desfavorável: As instalações sanitárias deixam muito a desejar, pelo que ir passar lá o dia inteiro pode ser um problema. Chegar lá ao fim da tarde é esperar um milagre para nos sentarmos a trabalhar. (Fonte das imagens: Câmara Municipal de Lisboa).










 

 No próximo artigo vou falar-vos dos horários e da qualidade do atendimento. Fiquem atentos!

(Nota: Todas as imagens são apresentadas por ordem de relato)

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.