domingo, 11 de maio de 2014

Novidades Marcador

O Homem que Perseguia o Tempo
de Diane Setterfield
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 408
Editor: Marcador
Resumo:
Esta é a História de William Bellman, que começa no momento em que, ainda rapaz, brinca com os amigos no meio rural inglês.
William impressiona os companheiros ao matar uma gralha-calva com uma fisga. Os anos vão passando e William continua a impressionar. É um jovem de sucesso, tem jeito para os negócios, chega ao cargo mais elevado de uma fiação local, casa-se e tem quatro filhos inteligentes, e espera que a vida lhe continue a correr de feição.
É então que surge uma doença na sua localidade. William perde a mulher e três dos filhos. Em desespero, faz um pacto com um estranho vestido de negro. A sua filha mais velha é poupada, mas William muda-se para Londres, abre uma loja e dedica-se inteiramente ao trabalho, incapaz de reviver.
 
 
Óscar Wilde para Inquietos
de Allan Percy
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 144
Editor: Marcador
Resumo:
Oscar Wilde para inquietos é uma aula de filosofia extraída da vida e da obra do consagrado autor de O Retrato de Dorian Gray. Nas frases ditas por Wilde ou nas expressas pelas suas célebres personagens, encontramos uma ironia única e uma sabedoria imortal que refletem o brilhantismo de um homem que aproveitou ao máximo os prazeres da vida, sem deixar de a observar criticamente. "As riquezas vulgares podem roubar-se, mas nunca as riquezas de verdade. Na sua alma há coisas infinitamente preciosas que jamais alguém lhe poderá arrebatar." - Oscar Wilde
 

Opinião: A Guerra do Salavisa, de J. F. Matias

                                                 

 A Guerra do Salavisa
de J. F. Matias

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 268
Editora: Marcador 




Resumo: 
Na alvorada do século XX, Joaquim Salavisa é um adolescente valente, boémio, engenhoso e pinga-amor, sem qualquer inclinação para os estudos, e que se desdobra em brincadeiras e partidas por toda a Lisboa. Aos dezanove anos, um incidente rocambolesco, idêntico a tantos outros em que era useiro e vezeiro, corre mal e leva-o à prisão. Filho de boas famílias, o seu pai, para o safar do cárcere, alista-o no Corpo Expedicionário Português com destino à Flandres. Pensando livrá-lo depois através dos bons ofícios de um primo responsável pela mobilização. A mãe, porém, trata de que aconteça precisamente o contrário, na esperança de que a Grande Guerra faça o filho ganhar juízo e o torne um homem.

No epicentro de uma guerra, mas remetido para uma frente estabilizada, calma demais para o seu feitio, trava contacto com um francês e um alemão enquanto se dedica a caçar tordos numa terra de ninguém. À conta da fanfarrice de um deles, desencadeiam uma fuzilaria tremenda entre trincheiras que quase os mata. Refugiados num bosque, tornam-se amigos e entreajudam-se no regresso à segurança das respectivas linhas.

Muitos anos depois, o neto tem a sorte de poder aplicar na boémia e nos prazeres da vida a mesma dose de rebeldia e extroversão do avô. Entre memórias e heranças que o avô deixara para trás, percorre um caminho intricado que o fará erguer uma verdadeira ponte entre gerações.

Rating: 3/5 

Opinião: "A Guerra do Salavisa" leva-nos para um Portugal de época a sofrer transformações reestruturantes da sociedade portuguesa, contextualizando o crescimento espontâneo e estouvado de um menino, no início do livro já rapaz (mas ainda com a cabeça na lua típica dos que não se preocupam porque não têm essa obrigação). O fim da Monarquia, a instauração da I República são os cenários de fundo com os quais convivemos muito brevemente, apenas para contextualizar o desenvolvimento de carácter de Joaquim Salavisa, amado pelo pai que certamente revê no filhos os sonhos cumpridos/ por cumprir de uma juventude desgarrada, e preocupação de uma mãe, que quer educar um fruto da sua linha hereditária para ser um homem, consciente, sensato e pelo menos, com algum nível de decência.
A ida para a Grande Guerra quase passa despercebida, naquela frente de batalha que de batalha não tem nada, e que leva, tal como a sinopse indica, ao levantar de um acontecimento que criará laços de amizade entre Quim, Jean-Paul e Fritz. Esta parte do livro para mim foi a mais deliciosa. A relação entre os três, ainda que bastante breve, mostrou o quanto as barreiras e as composições das ideologias políticas escondem por vezes jovens resgatados para momentos com os quais não se identificam, e que no fundo, não fossem barreiras criadas por terceiros, os seus sonhos e interesses seriam os mesmos. Basta para isso ver a complexa família de Jean-Paul, que tanto atravessa um lado da barreira como se encontra da outra, e que em parte retractou a história de muitos outros na I Guerra Mundial.
Essas passagens são muito rápidas, trazendo Quim para outra nova realidade, onde cruzará caminho com diversas personagens, ocupando lugares distintos na Guerra a decorrer, e que finalmente trarão alguma luz e sensatez a este rapaz que se preocupa consigo e não com os problemas do mundo.
Quando a sinopse descreve a ponte de gerações, esperava que ela de facto tivesse ocorrido, e sinto que poderia ter sido melhor trabalhado. Senti que a passagem de avô para neto não só foi brusca como criou uma narrativa totalmente independente e confesso que me senti um pouco enganada, especialmente porque estava a gostar do desenvolvimento do enredo inicial.
A estória do neto é completamente diferente da levantada ao seu avô. Também boémia e cheia de ajudas, para permitir a existência de bons vivants que só se preocupam com o umbigo e as boas ofertas gastronómicas e culturais de uma vida com regalias, não senti evolução nesta personagem. Paradoxalmente, esta segunda parte apresenta por vezes breves rasgos mais filosóficos que puxam a um lado mais maduro da narrativa, ainda que nem sempre bem conseguidos. Até certa medida gostei de Marcel (seu amigo) e do criaram em sua volta, mas o enfoque acabou por se tornar um pouco forçado e cansativo em algumas partes. É já a última parte, que passa quase que ligeira e despercebida que me fez gostar mais do livro novamente, com a mistura dos vários mundos e a miscelânea de acontecidos resultantes da composição da vida de várias personagens numa única tela, onde o passado e o futuro se misturaram ao ponto de surgirem como uma única época.
O estilo literário do autor salvou este livro quando à criação de empatia com o leitor. Da minha parte, uma personagem corriqueira armada em Dandy que tem tudo o que cai do céu em cinco segundos não seria uma composição de que fosse gostar. Tantas cunhas e boa vida, facilidades que nem repara e sobre as quais não reflecte ou agradece soam-se aos chico-espertos que tudo querem e conseguem. No entanto, o estilo leve de J. F. Matias, solucionado numa mistura de brincadeira e tom irónico a um rectacto-tipo de uma sociedade portuguesa em estilo saudosista (e que infelizmente, em muitos casos correspondeu à realidade), acabam por criar uma ligação com o leitor que ainda que não se reveja nela conhece o seu país, o que inevitavelmente nos aproxima da estória que estamos a ler e, em parte, nos leva a desculpar os Salavisas, toda a sua linhagem, pelos defeitos de carácter que julgamos corrigidos neste narrador que reconta tempos idos.
E falando em Salavisa e para terminar esta opinião, este título surge então como uma analogia um pouco mais vasta aos acontecimentos bélicos decorridos entre 1914 e 1918, passando antes a ser resultado do conflito da emancipação e da entrada na idade adulta, da compreensão do mundo por estes avô e neto, e da consciência da importância de estar vivo e de fazê-lo com dignidade.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 10 de maio de 2014

Novidade: Lobos Cinzentos, de Robert Muchamore


Lobos Cinzentos
de Robert Muchamore
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 416
Editor: Porto Editora
Resumo: 
Primavera de 1941.

Os submarinos alemães patrulham o Atlântico Norte, afundando os navios carregados com a comida, o combustível e as armas de que a Grã-Bretanha necessita para sobreviver.

E, enquanto a Marinha Real perde a guerra no mar, seis jovens agentes terão de se infiltrar na Europa ocupada e sabotar uma base de submarinos na costa ocidental francesa.

Se os submarinos não forem travados, o povo britânico morrerá de fome.

Para efeitos oficiais, estas crianças não existem...

Novidade: Quando Aqui Estavas, de Daisy Whitney

Quando Aqui Estavas
de Daisy Whitney; Tradução: Inês Castro
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 248
Editor: Edições Asa
Resumo: 
A mãe de Danny perdeu a batalha de cinco anos contra o cancro, três semanas antes de ele acabar o secundário - o dia porque ela mais esperara.
Agora Danny fica sozinho, apenas com as suas memórias, o seu cão, e a ex-namorada que lhe destroçou o coração. Não sabe o que fazer com a casa, o que dizer no da formatura, e muito menos como viver ou ser feliz.
Então uma carta de uma amiga da mãe em Tóquio fá-lo largar tudo e viajar até ao outro lado do mundo para descobrir os segredos da mãe - e perceber por que motivo os seus últimos meses foram tão cheios de alegria. Porém, não é capaz de encontrar as respostas ou de fugir às complexidades da sua relação com Holland apenas por atravessar o oceano. Porém, entre as flores de cerejeira, os templos e as multidões da cidade de néon, e com a ajuda de uma jovem japonesa amiga da mãe, começa a ver que talvez não tenha sido a magia antiga ou os tratamentos místicos que faziam a mãe regressar ao Japão. Talvez o segredo de como viver resida na forma como ela morreu. E como amou.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Opinião: A Lei do Deserto, de Wilbur Smith


A Lei do Deserto
de Wilbur Smith

Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 575
Editora: Editorial Presença 

Resumo: 
Hazel Bannock é proprietária de uma das maiores companhias petrolíferas do mundo, a Bannock Oil. Durante uma viagem através do oceano Índico, o seu iate é sequestrado por piratas somalis. Nele viajava a filha de Hazel, de 19 anos, Cayla, e o resgate que os piratas pedem para a libertarem é exorbitante. Hazel recorre ao major Hector Cross, cuja empresa foi contratada pela Bannock Oil para proteger as suas instalações e pessoal. Juntos, Hazel e Hector estão dispostos a tudo para salvar Cayla, mesmo que isso signifique fazer justiça pelas próprias mãos…
  
Rating: 4/5 

Opinião: Sendo uma adepta de séries policiais e de thrillers e filmes de acção, não sei porque é que não leio livros deste género mais vezes. Ou melhor, sei: não posso fechar os olhos nas partes mais assustadoras/ nojentas/ violentas e fugir da estória. Wilbur Smith fez-me ver que se calhar tenho de voltar com mais frequência a este universo, e descobrir os segredos dos thrillers literários.
"A Lei do Deserto" surpreendeu-me e dei por mim a gostar bastante deste livro, e muito mais do que inicialmente esperava. Wilbur não perde tempo, salta logo para a acção que interessa, põe-nos as cartas na mesa, deixa-nos tocar-lhes e volta a baralhar-nos. É um livro cheio de acção, intenções, momentos de tensão e reviravoltas. E não é mesmo conversa fiada: a meio do livro questionei-me sobre o que é que o autor iria criar para mais 200 páginas porque o enredo parecia conduzir a um final próximo e ele trouxe-me a resposta meia dúzia de páginas depois, com todos os elementos que a comportavam: altercação de personagens, segredos desvendados, uma surpresa rápida, indolor, mas com variadas consequências para o seguimento da narrativa. É neste registo que Wilbur Smith brilha mais, criando um livro forte e agradável para um vasto público. 
As personagens principais (Hazel, a irritante Cayla e Hector Cross) são exactamente o que esperava delas: fortes, com o devido destaque, por vezes incomodativo mas continuando a agarrar-nos ao contante virar de páginas. As personagens secundárias foram cruciais, desde a família de Hazel aos elementos da equipa de Hector Cross e dos terroristas, que por vezes são quem menos pensávamos....
Irritou-me em alguns momentos a construção de determinadas personagens. Cayla, por exemplo, passa por evento tão dramático que eu esperava (adrenalina à parte) que isso se reflectisse na sua personalidade e essa ausência soo-me estranha e um pouco oca. As relações humanas não me parecem por isso o ponto forte do autor, pelo menos no que toca a sentimentos e interiorizações (que surgiram tantas vezes destoados da restante composição). No entanto, esse factor suplanta-se quando logo em seguida nos surge uma linguagem directa e pragmática e por vezes crua (em exagero) que nos obriga a pensar mais além e a saltar para o meio de cenas (quase como culpados), e a sermos um participante activo de toda a narrativa. 

Por outro lado, este autor é bem sentido no livro que criou. É inegável tratar-se de um autor masculino, com um posicionamento e uma perspectiva sobre as acções muito pessoal. Por vezes torci-lhe bem o nariz, até porque algumas descrições me pareceram algo duras e deixaram-me desconfortável  mas conseguimos fazer as pazes umas páginas depois (deixo de ante-aviso os interessados que há cenas de intenções de/ou de estupro) .
Acho que é uma grande aposta para leitores que gostam de acção sem descrições mórbidas em exagero, que procuram algo leve mas cheio de ritmo e que pretende partir para o mundo da ficção sobre um tema que, apesar de tudo, até é bastante real e actual como a pirataria marítima.



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Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.