quarta-feira, 3 de junho de 2015

Opinião: A Rapariga no Comboio, de Paula Hawkins


A Rapariga no Comboio
de Paula Hawkins
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 320
Editor: Topseller






Resumo:  
O êxito de vendas mais rápido de sempre. O livro que vai mudar para sempre o modo como vemos a vida dos outros.

Todos os dias, Rachel apanha o comboio...
No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia...
Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.
De leitura compulsiva, este é o thriller do momento, absorvente, perturbador e arrepiante. 
A Rapariga no Comboio tornou-se imediatamente um verdadeiro fenómeno mundial, com mais de 2 milhões de livros vendidos em apenas 3 meses e já em processo de adaptação ao cinema pelos estúdios Dreamworks.

Rating: 4/5
Comentário: Já tive oportunidade de dizer anteriormente, mas volto a reforçar, que fico sempre um pouco de pé atrás quando surgem comparações entre livros ou sugestões do género "para fãs de...". 
A "Rapariga do Comboio" tem sido bastante recomendada a quem gostou de "Em Parte Incerta" de Gillian Flynn, livro que não me cativou de todo. De qualquer forma, continuava curiosa com a sinopse apresentada, pelo que não pude deixar de aproveitar a oportunidade criada pela Topseller, que cedeu ao blog um exemplar avançado para leitura e opinião honesta antes do lançamento oficial do livro (gesto pelo qual estamos gratas!).
Terminada a leitura, posso dizer que este livro é de facto para os fãs da Gillian, mas também para os que não gostaram das suas obras. Melhor que isso, "A Rapariga no Comboio" é para os fãs da Paula Hawkins!
Para quem realiza diariamente viagens mundanas de comboio, é perceptível o fascínio com este modo de transporte e para a certa nuance mágica que lhe surge associada. Foi também esse embalo inicial que criou uma ligação de empatia com Rachel, a personagem que me acompanhou ao longo de mais de 300 páginas. 
Esta personagem é bastante peculiar, pelo grau de complexidade que lhe é atribuído mas também pela facilidade de acesso às diversas camadas que a compõem, e que vão sendo reveladas em diversos momentos da obra, intercalados de forma engenhosa para inebriar o leitor e deixá-lo com várias suspeitas e muito poucas certezas. 
Perdida, com instintos acertados, vários questionamentos justificados e uma série de momentos que até poderiam ser considerados hilariantes, não fosse uma clara análise individual e social da sua condição, esta Rapariga que viaja diariamente de Comboio foi uma surpresa constante e pela qual dei por mim a torcer, mesmo nos momentos em que ela não merecia. Aliás, estava tão concentrada nela nas primeiras páginas que só ao fim de quatro capitulos me apercebi que o livro é contado sob dois pontos de vista, pelas mãos de Rachel e Megan (obrigando-me a recomeçar para me posicionar correctamente). 
Parecendo uma enorme distração da minha parte, a verdade é que as histórias diferenciadas sobrepõem postos de construção. As duas personagens confluem na sua essência em algumas coisas, pelo que criam uma voz comum entre ambas, sem lhes negar uma personalidade forte e vincada. As duas estão condoídas com preâmbulos da vida, fragilizadas, marcadas por arrependimentos e cenários mais cinzentos, e procuram qualquer coisa, mesmo que não saibam que o fazem ou o que pretendem de facto. São muito vívidas, destacando-se pela forma transformadora como se envolvem com as restantes personagens secundárias e que criam uma rede de tensões, suspeita, suspense e mistério que agarra qualquer leitor até à última página. 
A acção está enquadrada de uma forma engenhosa, apoiando-se num estilo de escrita bastante lúcido, que se entranha, e que nos faz querer avançar para a próxima página, descobrindo as consequências de cada passo dado pelas personagens (de forma acertada ou não) ao longo de um jogo de incerteza e porque não, de sobrevivência.
Rachel e Megan levam-nos para uma viagem constante entre o presente o passado, pelo constraste do mundo idealizado e das transformações aparentes que podem acontecer com um piscar de olhos (ou com um comboio parado ao pé de um sinal por breves minutos). A análise que estas mulheres proporcionam ao leitor está sempre em mutação, seja pela apresentação de detalhes singulares, por uma frase dita aparentemente sem significado, por uma revelação inesperada ou pela necessidade constante de o colocar a tentar adivinhar os seus próximos passos.
É essencialmente um jogo intelectual, à altura de um thriller de mão cheia, que se entranha na mente de quem o lê até que todas peças encaixem e façam sentido novamente. E embora não componha um cenário tão perturbador como o prometido, numa lógica de constrastes visuais, "A Rapariga no Comboio" faz-nos certamente pensar se a parte mais arrepiante das nossas vidas não será o facto de nunca conseguirmos conhecer/prever realmente o comportamento de alguém. Nem o do vizinho do lado, nem das pessoas com quem partilhamos laços afectivos, nem de quem nos vê do outro lado do espelho.

Não percam a oportunidade de lançar a mão a este livro, que será editado em Portugal a 8 de Junho pela Topseller (edição: o lanlçamento foi adiantado para 5 de junho)!
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 31 de maio de 2015

Opinião: O Espião Português, de Nuno Nepomuceno

 
 O Espião Português
de Nuno Nepomuceno
 
Edição/reimpressão: 2012
Páginas: 376
Editor: Book.it /ASA (ou TopBooks)
  



Resumo:
André Marques-Smith é um bom rapaz. Dedicado à família e aos amigos, é o mais jovem funcionário do Ministério dos Negócios Estrangeiros português a assumir a tão desejada direcção do Gabinete de Informação e Imprensa. Uma dedicação profissional que esconde um coração partido. Freelancer é o nome de código de um espião da Cadmo, uma organização semigovernamental internacional. A par do MI6 e da CIA, a Cadmo age nos bastidores da política mundial, moldando o mundo tal como o conhecemos. Freelancer é metódico e implacável, um dos seus operacionais mais cotados. André e Freelancer são uma e a mesma pessoa. De Lisboa a Estocolmo, Londres, Roma ou Viena, as suas muitas faces desdobram-se, as missões sucedem-se. Uma delas reserva-lhe uma surpresa. Nas suas mãos, está uma descoberta que pode mudar o mundo e pôr em causa toda a sua vida. Mas, para o melhor e para o pior, ele não está sozinho…

Rating: 3,8/5
Comentário: Já há muito que adiava a leitura de "O Espião Português", de Nuno Nepomuceno. Tinha curiosidade em lê-lo, até porque o ganhei há uns anos num passatempo e tive a oportunidade de conhecer o autor na Feira do Livro de Lisboa na mesma altura. Com a saída do "A Espia do Oriente" para o mercado no passado mês, tive o empurrãozinho que faltava para pegar nele.
"O Espião Português" surpreendeu-me pela positiva, não só pela frescura e equilíbrio da narrativa, mas por estar a ler um livro ditamente comercial e bem escrito, sem qualquer tentativa de almejo de um lirismo português em exagero. É um livro que existe para ser lido com gosto, curiosidade e envolvimento mas também com o intuito de descontrair o/a leitor/a e tornar um momento o mais aprazível possível. 
Tratando-se de um livro de espionagem, não poderia faltar um ritmo acelerado, surpresas constantes, acções repentinas e também uma dose de romance (e neste campo o autor garantiu que iria primar pela diferença).
André não é uma personificação do típico herói que geralmente surge neste género literário. De facto, é totalmente o oposto, sem o ser na totalidade. Parece confuso, mas não é. 
A análise da obra não é feita sob a leitura da fachada do espião, mas do seu humano complexo, emotivo, danificado por acontecimentos transformadores do passado mas também do seu lado corajoso e em parte destemido. Com André habituamo-nos a não ver uma figura robotizada e pronta a entrar em acção em qualquer circunstância, mas um jogo constante de valores, interesses, responsabilidades e sensibilidades que tomam forma com bastante genuinidade. Ainda assim, julgo que por vezes o autor possa ter pecado um pouco pelo excesso neste contexto, uma vez que embora acompanhando as suas missões e os desafios inerentes ao cargo, que surgem constantemente ao longo da narrativa, nem sempre consegui encarar esta personagem principal como o que em última esta representava: um espião, um português com vida dupla paralalelamente à laia de um organismo governamental e de uma instituição internacional oculta.
Por esse motivo, o balanço com os aspectos mais pessoais e característicos da personagem transpiraram para as restantes páginas,  especialmente na sua relação com familiares e amigos, o que atribuiu à acção alguma densidade e um conteúdo bastante surpreendente; especialmente relativamente a um grande segredo fechado a sete chaves até quase ao fim. Gostei da leveza de Sara, apreciei respectivamente o jeito protector do pai e a proactividade doce da mãe de André, assim como as aventuras dos amigos casmurros e daqueles que proventura não se revelaram o inicialmente esperado.
Tenho algumas questões com uma certa leveza na abordagem do mundo da espionagem, que terei certamente possibilidade de abordar diretamente com o autor para não vos dar nenhum spoiler, não pela ausência de detalhes e minuciosidade, mas pela forma como foram apresentadas ao longo do livro.
Gostei especialmente que a acção intricada tivesse deixado algumas questões por serem resolvidas no ar, espicaçando a curiosidade do leitor para o próximo lançamento, volume no qual estou desejosa de colocar as mãos e iniciar a leitura. 
"O Espião Português" soube colocar o/a leitor/a a ansiar por mais, e é mais um autor português no qual vale a pena apostar!


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Resultado Passatempo: Serpentina, de Mário Zambujal (Exemplar Autografado)

Boa noite Encruzilhados,

Depois de alguns contratempos heis que finalmente chegamos com o tão aguardado resultado do passatempo Serpentina. Relembramos a todos os participantes que as regras são para ser seguidas e um dos atrasos que tivemos a sortear um vencedor foi o facto de termos tido que anular várias participações que não cumpriam os requisitos solicitados.

Mas e sem mais demoras queremos felicitar a nossa vencedora Marilina Fernandes de Cascais!
Parabéns receberás em breve o teu exemplar autografo!

Até ao próximo passatempo!

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Passatempo: A Espia do Oriente, de Nuno Nepomuceno

Boa noite Encruzilhad@s,

Voltamos com mais um passatempo, e desta vez um bastante especial. O Encruzilhadas Literárias faz questão de divulgar sempre que pode o trabalho de alguns autores nacionais. Seguindo essa lógica, o autor Nuno Nepomuceno já é conhecido da casa, e até já contámos com a sua colaboração em passatempos anteriores, quando o lançamento do "O Espião Português". Com a chegada do segundo volume da trilogia, "A Espia do Oriente", chega-nos mais um passatempo em parceria com o autor, que gentilmente cedeu um exemplar para os leitores do blog. Para se habilitarem a ganhar este livro basta lerem as regras e responderem às perguntas. Boa sorte!


Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 29 de Maio de 2015.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor Nuno Nepomuceno não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Opinião: Uma Fortuna Perigosa, de Ken Follett


Uma Fortuna Perigosa
de Ken Follett
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 568 
Editor: Editorial Presença 
  





Resumo:
Inglaterra, 1866. O verão anuncia-se quente e, numa tarde de maio, um jovem morre afogado numa pedreira inundada de água. O incidente ocorre em Windfield School, uma escola frequentada por rapazes oriundos de classes abastadas, permanece encoberto em mistério conduzindo a uma trágica saga de amor, poder e vingança que envolve sucessivas gerações de uma família de banqueiros.

A história decorre entre a riqueza e a decadência de uma Inglaterra vitoriana, entre a City londrina e colónias distantes. O leitor acompanha a família Pilaster durante o período áureo do império britânico. Ken Follett inspirou-se num caso real de bancarrota ocorrido no século XIX para escrever este romance extraordinário.
Críticas de imprensa
«Um livro fascinante que prende o leitor da primeira à última página... pleno de emoção… grande rigor histórico... suspense permanente.»
Los Angeles Times

«Intrigas políticas e amorosas, assassínios a sangue-frio e crises financeiras… entretenimento genuíno!»
San Francisco Chronicle

«Um livro que deixa o leitor sem fôlego... verdadeiramente cativante.»
The New York Times

Rating: 4/5
Comentário: Há muito que Ken Follett se tornou um dos escritores da minha eleição. Com enredos de encher as medidas e encantar, o autor consegue transportar-nos para os mundos que recria com genialidade, atenção ao pormenor, capacidade de envolvência do leitor e acima de tudo, imaginação pura e com o toque de realismo que atribui aos momentos agridoce das suas estórias a essência da vida. E da ausência de contos de fadas plenos.
Em meses de tremenda ocupação profissional, o tempo e disponibilidade mental para ler andam em baixo. A aproximação a uma dita "ressaca literária" revelava-se a olhos vistos até que "Uma Fortuna Perigosa" me passou pela mão. Afinal, Ken Follett tem o dom de pegar no leitor mais letárgico e de fazê-lo envolver-se nas páginas de um mundo intricado de personagens sedutoras, enredos atrativos e sonhos, muitos sonhos refletidos em rostos e em estórias familiares a desvendar. Um dos grandes pontos fortes de Ken Follett é sem dúvida a sua capacidade de criar personagens com fundamento real, com aspirações e desejos, ambições e crueza, vontade de mudança e paixões, numa constante mistura acre e sedutora, que reforça a natureza cinzenta que alberga o bem e o mal, e que não caracteriza na totalidade ninguém.
Em "Uma Fortuna Perigos", deparei-me com um enredo espectacular, rico, cheio de intriga e de malhas de actuação, com esquemas e romance, crime e suspeita, ganância e poder misturados num único cenário digno de avaliar.
As personagens são como sempre o ponto forte deste livro. Acompanhando as várias gerações de uma família sem se perder pelos caminhos intricados dos saltos temporais, Ken Follet traz-nos uma coexistência de carácteres e vontades que decorrem ao longo de mais de 20 anos, sem que estes se tornem enfadonhos no livro. As diversas passagens temporais também foram assinaladas com classe, de forma que a progressão temporal ainda que registada, não é vista como um momento retorcido. Foram realizados os apanhados necessários para contextualizar o enredo sem repetir elementos temporais, fazendo com o que o avanço de várias décadas ao longo de 500 páginas fizesse sentido e não soasse apressado.
Ao nível do universo de composição, o autor traz-nos dois verdadeiros vilões como já não encontrava há muito! Não porque o seu nível de maldade ultrapasse o que poderia ser considerado minimamente aceitável, mas porque só o olhar atento e pouco pretensioso do leitor ou de uma personagem demasiado perspicaz para sua previdência são capazes de denotar.
Galanteadores, envolventes, dinamizadores e criadores de pólos de atração, estes lobos vestidos de cordeiro trouxeram um elemento-chave ao enredo capaz de manter o leitor agarrado a cada página com um certo fascínio, questionando-se quanto mais tempo uma certa dose de sorte se iria prolongar, querendo simultaneamente vê-los triunfar e falhar.
As restantes personagens secundárias são um doce. Lutadoras, destemidas, com coragem para enfrentar parentes e ambições possivelmente difíceis de alcançar, com a dose certa de força, charme e de ausência do que perder, vemo-las percorrer caminhos íngremes, frágeis, por vezes momentâneos em que só a preserverança e o apego aos valores morais com que foram educadas as tornam mais resilientes às peripécias da vida.
Adorei Hugh, até nos momentos em que algumas construções da sua personagem me pareceram algo forçadas só para atingir os momentos de exaltação certos. Ainda assim, foi uma daquelas personagens facilmente gostáveis, com humor e carisma, e pelas quais torcemos até ao fim. A sua evolução ao longo do livro, acompanhando o decorrer dos tempos e o crescimento do menino franzino e tranquina para um homem adulto de família é deliciosa de ler. As personagens femininas que o acompanham, desde a mãe continuadamente viúva à irmã dócil e fácil de agradar, passando por uma mulher interesseira e por um amor de adolescência são pontos fortes de contrabalanço num livro onde a presença masculina é dominante, ainda que não dominadora.
É um livro que cativa e prende a atenção exactamente pela essência extraordinária que cada uma das personagens transmite. É uma estória bem contada, envolvente e capaz de nos levar pelas mágicas mãos de Ken Follet ao Reino Unido do séc. XIX. Gostei muito e recomendo a leitura!
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.