terça-feira, 6 de outubro de 2015

Opinião: Confissões de Catarina de Médicis, de G.W. Gortner


Confissões de Catarina de Médicis
de G.W. Gortner

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 400
Editor: Topseller





Resumo:  
Pela voz da própria Catarina de Médicis, C. W. Gortner relata-nos a extraordinária viagem de uma das mais amaldiçoadas, incompreendidas, mas também mais poderosas e controversas mulheres da História. Para uns ela foi uma rainha impiedosa que conduziu França através de uma era de violência sangrenta. Para outros foi uma salvadora apaixonada da monarquia francesa.
Última descendente legítima da ilustre linhagem dos Médicis, foi prometida ainda adolescente a Henrique, filho de Francisco I de França, e enviada de Itália para um reino desconhecido, onde foi ofuscada e humilhada pela poderosa amante do marido, Diana de Poitiers. Perseverante, Catarina lutou por criar o seu papel no reino que lhe pertencia por direito, com uma força e determinação inatas que a transformavam numa mulher notável. Além de uma forte personalidade, Catarina possuía ainda, segundo testemunhos, visões premonitórias, as quais, aliadas à orientação do clarividente Nostradamus, a ajudaram a traçar as linhas do seu destino e da sua família. Mas no seu 40.º aniversário, Catarina enviúva e é deixada sozinha, com seis filhos jovens, como regente de um reino dilacerado pela discórdia religiosa entre católicos e huguenotes e as ambições desmedidas de uma família traiçoeira de nobres, os Guise.
Confiando apenas na sua tenacidade, Catarina toma o poder para garantir o trono dos filhos. Mas para salvar França, ela terá de sacrificar os seus ideais, a sua reputação e os segredos mais profundos de um coração agrilhoado.
«Os fãs de Philippa Gregory vão devorar este livro.» - Booklist

Primeiras páginas aqui.
  
Rating: 4/5
Comentário: Catarina de Médicis é uma personalidade histórica que sempre me despertou curiosidade. Primeiro, pelo nome e impacto tão conhecido que a sua herança familiar causou um pouco por toda a Europa. Depois, pela diversas personificações em séries e filmes, que certamente lhe atribuiram uma humanização negada nos preâmbulos da História, mas ainda assim nem sempre muito verídica ou com verosimilhança suficiente para ser encarado como um quadro real e um desfecho digno para esta rainha francesa de origem italiana. 
Foi portanto com curiosidade que peguei no livro "Confissões de Catarina de Médicis", ainda que também com alguma relutância (por já me ter sentido defraudada com livros do género no passado...). 
Confesso que não fiquei nada desiludida! G. W. Gortner tem um estilo criterioso de introdução de elementos históricos e factuais, entrelaçando-os com suspiros ficcionais mas de extrema qualidade, não descurando um universo e outro numa ligeireza que revela práctica e enlevo. De facto, achei que fosse estranhar e até desgostar a apresentação do enredo através da primeira pessoa, num género de livro de memórias. No entanto, a voz de Catarina de Médicis é forte e o elemento principal, centrando em si o romance de tal forma que o leitor se abstém desse pormenor. Sem excesso de emoções, sem encenações recambolescas e com um enorme equilíbrio entre personagens e cenários, este é um livro incrivelmente bem escrito. 
A descrição de Catarina de Médicis foi ainda conseguida ao nível de abordagem, uma vez que visualizamos as suas várias facetas ao longo dos anos, desde a menina insegura à mulher destemida e batalhadora, mas também complexa e cheia de nuances como se espera a qualquer ser humano. Nesse sentido, subentende-se em diversos momentos o porquê de toda a fama que esta personalidade recolheu, assim como o motivo pelo qual ela foi adquirindo várias facetas junto da sociedade e o mundo que a recebeu à época, Porque no fundo, Catarina de Médicis é tudo o que dizem dela, mas também o que não dizem, é-o no todo e parcialmente, e a sua rede intercalada de contactos, tramas, aventuras, perdas e desesperos, filhos amados e traidores, amantes, inimigos e confidentes é enorme, repleta de momentos de descoberta, que cobrem uma recontagem esplêndida da estória e da história de uma mulher grande da História europeia.
Acho que passei a admirá-la e ao seu percurso, e pretendo ler outra informação de não-ficção sobre esta personalidade. 
G.W.Gortner sem dúvida surpreendeu-me com o seu rigor histórico e literário, e é um autor a acompanhar futuramente!





Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Informação: Concurso Literário Lugares e Palavras de Natal

E à semelhança de anos anteriores, divulgamos este projeto coordenado por Mª Eugénia Ponte e João Carlos Brito!

Para quem gosta de escrever e adora o Natal assim como de celebrá-lo, surge aqui uma oportunidade de serem parte integrante da colectânea "Lugares e Palavras de Natal". Podem participar com contos ou poemas, desde que tenham como pano de fundo a quadra natalícia.Os trabalhos deverão ser entregues até 15 de outubro e o regulamento poderá ser consultado aqui:https://www.facebook.com/events/955218297881829/

domingo, 20 de setembro de 2015

Resultado do Passatempo: Doce Tortura, de Rebecca James

Olá malta encruzilhada! Esta procura de resultados foi difícil mas finalmente conseguimos achar uma vencedora que de facto quer o livro! Doce Tortura, de Rebecca James foi lançado em Portugal pelo grupo Penguin Random House Portugal, através da chancela Suma de Letras. 

Com o seu apoio, iremos enviar um exemplar para Braga! Parabéns Sónia Faria.

Para os restantes, estejam atentos aos próximos passatempos que nunca se sabe quando é que a sorte bate à porta :D

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Opinião: Os Muitos Nomes do Amor, de Dorothy Koomson



Os Muitos Nomes do Amor

de Dorothy Koomson

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 472
Editor: Porto Editora



Resumo:  
Clemency Smittson foi adotada em bebé, e a única ligação à mãe biológica é um berço de cartão com borboletas pintadas à mão. Agora adulta, e em constante conflito com sentimentos de perda e rejeição, decide mudar drasticamente de vida e voltar a Brighton, a cidade onde nasceu.
Mas Clem não sonha que é lá que vai encontrar alguém que sabe tudo sobre a sua caixa das borboletas e a verdadeira história dos seus pais biológicos.
E quando percebe que nem tudo é o que parece, e que talvez tenha sido injusta com aqueles que mais a amam, haverá tempo para recuperar o que foi perdido?

  
Rating: 4/5
Comentário: Dorothy Koomson já nos habituou repetidas vezes com enredos ricos no universo feminino. Mas apesar de contemplar sempre mulheres como personagens principais, a autora não se restringe a uma análise banal e atribui-lhes histórias ricas, complexas e cheias do mínimo detalhe, criando uma composição única e que de banal não tem nada.
De volta ao Reino Unido, desta vez pela mão de Clemency, a autora aborda no novo livro todas as constantes e contrastes do amor nas suas variadas vertentes, desde o respeito pelo próximo e a dor da perda, passando pelos laços da amizade, pela cumplicidade de anos de encontros e partilhas, pelo abdicar de decisões de benefício próprio em prol do outro.
De todos os livros da autora que já li, julgo que "Os Muitos Nomes do Amor" tem um cunho mais introspectivo e de espelho reflectivo para o leitor. De facto, e fugindo aos clichés habituais, Dorothy Koomson explora neste livro as relações humanas em todos os seus níveis trazendo surpresas e fazendo-nos reflectir não só sobre se tomaríamos o mesmo tipo de decisões que Clemency leva em diante em alguns momentos-chave, mas também sobre todas as pessoas da nossa vida que de alguma forma se poderiam associar por características comportamentais a algumas das personagens apresentadas. 
Senti também tratar-se de um livro muito mais íntimo, de análise das repercussões das decisões tomadas em momentos de necessidade, mas com uma abordagem delicada e muito humana. 
Clemency é uma mulher de quarenta anos assombrada pelo sabor da rejeição, nunca ultrapassado nem pela adopção numa família maioritariamente acolhedora nem pela aproximação dos que de lhe têm respeito e carinho. Algumas decisões menos ortodoxas de quem a rodeia, os olhares enviesados por parte de estranhos perante a apresentação da sua filiação, assim como a abordagem indelicada perante o assunto da adopção tornaram-na num patinho deslocado, esperando (pelo menos interiormente) que ou se esqueçam da sua presença ou que o processo de transformação num cisne ocorra depressa. 
Apesar de nem sempre matura ou com comportamentos ditos adequados para a sua idade, Clemency representa ao longo das várias páginas todas as avaliações menos delicadas que lhe fizeram ao longo dos anos, assegurando que por vezes, pequenos momentos têm repercussões imensas e variadas na definição do carácter de cada um. 
Achei bastante interessante a relação que a personagem tinha com a mãe (que sendo única e especial, representava também a necessidade extenuante de corresponder a expectativas, de saber lidar com um amor muito pessoal e por vezes possessivo - especialmente devido ao medo da perda - mas que em última instância expressava sacrifico e falhas de comunicação), que variadas vezes representou a relação entre várias mães e filhas representadas em muitas páginas de livros e ecrans de cinema, sendo certamente fundamentadas por momentos pitorescos da vida real.
A relação com o marido também foi digna de nota, especialmente por ter seguido um percurso diferente do habitualmente definido pela autora nos livros dela, mas também por abordar com um tacto especial o deslevo da mentira ou da traição, que nem sempre é o que parece, mesmo não deixando de o ser. 
Senti que o encontro com a família biológica foi muito inicial e abrupto, sem existir ainda uma condução real para o desenlace, que mas esse atropelo temporal foi propositado, de forma a que a cada página fosse lançado um novo pedaço de uma construção para o climax de uma emancipação planeada, desejada e necessária para o transformar do enredo. 
A um outro nível, em vários momentos do livro são introduzidos alguns emails, sempre do mesmo remetente para o mesmo receptor, que ainda que querendo introduzir outro ponto de vista no enredo, não me forneceram assim tantos detalhes que não pudessem ter seguido o percurso do restante livro. Apesar de não os achar particularmente inúteis, o facto de ser um contacto unilateral, mesmo quando nos apercebemos que existe um certo tipo de resposta da voz ausente, acaba por não fazer muito sentido na minha opinião, quebrando até por vezes o ritmo da história. 
Tirando esse pormenor, é mais um livro cheio, repleto de maneirismos típicos da autora que já marcam o seu registo, mas ainda assim como condão que incutir alguma originalidade na narrativa. 
Em última instância, "Os Muitos Nomes do Amor" é um livro de redenção, em que os afectos falam mesmo mais alto, mesmo quando não compreendidos, quando explorados por alguém indevido ou quando na sua posse, não existe domínio próprio que indique o que fazer com eles. Desde o mesmo da dádiva, à exploração do desconhecido e à compaixão pelo próximo, Dorothy Koomson traz-nos todas as cores do perdão, da redenção, do amor desmedido e da força dos laços, que familiares ou não, biológicos ou não, definem os próximos passos da vida de cada um de nós.

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Opinião: Ondas de Calor, de Richard Castle



Ondas de Calor

de Richard Castle
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 280




Resumo:  
No meio de uma vaga de calor, Nikki tem um desafio pela frente: desenredar o nó que lhe permitirá desvendar os segredos dos mais poderosos e decidir o que fazer perante a faísca escaldante que surgiu entre ela e Rook, o jornalista presunçoso e bem-parecido com a mania de que é polícia, que a acompanha nesta investigação.
  
Rating: 3/5
Comentário:   
A opinião que se segue pode conter alguns spoilers (embora não o sejam de facto para os fãs da série)
Em primeiro lugar, agradecemos ao Clube do Autor o envio deste exemplar para leitura e opinião isenta!
Castle é uma das poucas séries que ainda vou tentando acompanhar na actualidade. Sendo uma série criminal, como habitualmente gosto, mas especialmente pautada por humor, o escritor-detective nas-horas-vagas conseguiu conquistar-me com a sua boa disposição e confesso que até é por causa das suas teorias mirabolantes e da relação com a família e com os colegas de trabalho que continuo a acompanhá-la com regularidade. 
Essa essência é passada sem tirar nem pôr para Ondas de Calor, o primeiro livro da colecção Nikki Read, o que lhe confere toda a essência Castle que seria possível captar.
Para facilitar esta opinião, vamos pressupor que Castle é um autor de carne e osso e tal e qual a personagem que nos entra em casa pelo ecran através do AXN e que este livro foi genuinamente escrito por ele. 
Nesse sentido, diria que a Detetive Kate o deveria processar, porque mais que musa inspiradora, as aventuras de Nikke Read são totalmente autobiográficas, com uma pontinha de ficção e de concretização das fantasias do autor. Se retirarmos uma filha e trocarmos a profissão de jornalista pela de escritos, Rook (Castle) é igual a ele próprio. Fanfarrão e com gosto pela ribalta, com um sentido de justiça e respeito pelo próximo, bon vivant e conhecedor dos prazeres da vida, mas também vontade de partir para a acção e deter conhecimento (vasto) sobre tudo o que se passa à sua volta (ou não fosse poder todo o seu conhecimento e contactos imprescindíveis). 
A relação com Nikki (pelo menos no que respeita às primeiras temporadas) e com os Roach (e as suas piadas são mordazes mas geniais) é exactamente igual à da série, o que se poderia tornar aborrecido, não fosse o  facto de para mim esse ser o ponto forte da série, e logo do enredo. Apesar de tudo, os diálogos não são replicáveis e correspondem unicamente ao livro e ao caso que está a ser analisado, pelo que a esse nível, facilita um certo desprendimento do original para que nos foquemos exclusivamente no livro diante de nós. 
Outros elementos também se repetem: o assassinato da mãe de Nikki, a mãe excêntrica e actriz de Rook, a médica-legista amiga de Nikki, entre outros pequenos pormenores, que criam a ponte entre ecrã e página.
No que respeita à acção principal, o crime que despoleta a acção ao longo do restante livro é maioritariamente um jogo de pistas e dispensa de suspeitos, ao estilo do cluedo. Com alguma acção, mas não o suficiente para para nos deixar sem fôlego, centra-se no intelecto do/a leitor/a e foca-se em fornecer elementos que possam formar o puzzle cujo resultado desvendará o mistério. Neste sentido, apesar de uma panóplia de potenciais suspeitos e das interligações existentes entre eles que criaram um enredo interessante, cheguei facilmente ao/à culpado/a (não quero revelar a verdadeira identidade de quem for e estragar a vossa leitura). Poderia ter sido melhor construído nesse sentido e criar um motivo mais plausível. No entanto, como muitas vezes até na série adivinho e não não é completamente possível disassociar os dois universos, não fiquei muito aborrecida. 
Por fim, a química entre Nikki e Rook é na minha óptica a frustração de Castle a funcionar, obrigando-o a criar mecanismos fantasistas mas que poderiam ser reais, onde a cumplicidade, a atracção e o magnetismo estão presentes em todas as páginas. Algumas cenas são até escusadas, mas imaginando quem as escreve e as alegorias utilizadas, torna-se até cómico. Ao fim ao cabo, é um homem apaixonado com o dom para a palavra mas que não as sabe colocar em seu favor para o que realmente lhe importa!
Ondas de Calor é por todos estes motivos um livro de entretenhimento para os fãs de Castle e da série, que pode ser lido por quem não a segue, embora não tenha certamente a piada completa dessa forma. É um livro indicado para o verão, uma leitura leve e bem-disposta e que se verá junto a várias toalhas de praia.  
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.