segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Opinião: Virus Mortal, de James Dashner





Virus Mortal
de James Dashner
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 126
Editor: Editorial Presença 
  



Resumo:
Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade.

Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal. Ninguém parece ser imune. Porém, Mark e Trina estão convencidos de que existe uma maneira de travar a pandemia e estão determinados a encontrá-la. O futuro dos sobreviventes pode estar nas suas mãos…

Vírus Mortal é a prequela de Maze Runner e um livro indispensável para todos os fãs da série.

Rating: 3/5

Comentário: Quem lê uma trilogia de que goste muito, invariavelmente não quer sair dela. E por isso sempre que nos surgem prequelas, novelas e estórias adicionais, qualquer fã lhes salta em cima. Foi o que aconteceu com "Vírus Mortal", de James Dashner. Tendo ficado rendida à trilogia Maze Runner devido ao segundo livro da mesma, tinha muita curiosidade com este volume, especialmente tratando-se de uma narrativa de antecede em vários anos os acontecimentos que nos são apresentados no primeiro volume da trilogia. Após uma leitura frenética e bastante rápida (uma vez que a escrita do autor continua fluída, corrente e intuitiva como sempre), tenho a dizer-vos que pode ser necessário reajustar as expectativas perante este volume.
A verdade é que toda a estrutura se aproxima mais de uma novela do que de um livro no sentido apropriado, pelo que a abordagem das temáticas é por vezes breve e superficial, assim como a estrutura não é a mais eficaz e complexa. Por esse motivo, este é um livro extremamente focado nas suas personagens principais, dando-lhes nuances mas nunca aprofundando como esperado, através das quais experimentamos o mundo envolvente (sendo esse o único ponto de contacto com a contextualização criada). Existem alguns momentos que, embora perceptíveis para o leitor sobre o que poderá ter acontecido, ficam de certa forma em aberto, o que num livro com uma construção ditada para tal, não aconteceria também.
Neste cerco, gostava de ter obtido uma visão mais clara do mundo de Mark e Trina, uma vez que fica claro que mesmo antes dos Fulgores e de tudo o que aconteceu, a realidade base não é semelhante à do nosso mundo atual, faltando uma contextualização que o justifique e/ou pelo menos explique de forma mais fundamentada.
Ainda assim, as passagens em prolepse foram bastante pertinentes para o enquadramento desde o aparecimento dos Fulgores até ao momento corrente corrente da narrativa, criando um bom complemento.
Não obstante, é um livro que constitui uma narrativa interessante à luz do que já conhecemos como respeitante à trilogia, e que obriga o leitor a todo o instante a procurar os tais elementos de ligação que justiquem/ enquadrem as conexões já existentes ou que possam vir a existir entre esta prequela e o universo da trilogia.
Quanto às persoangens, Mark e Trina são dois adolescentes que já passaram por muito. As sua interligação, a forma como interagem com outros semelhantes e que passaram pelas mesmas situações ou outras parecidas é bem interligada. Demonstram preocupações de quem já passou por muito e que encara a realidade simultaneamente como um milagre mas possivelmente uma maldição, atendendo à falta de respostas, motivações e razões para que um mar de desgraças constantes os tenha levado a reagir nos últimos tempos. Os poucos elementos do acampamento que também acabamos por conhecer assim o demonstram, não esquecendo no entanto que continuam a ser adolescentes e que, como tal, a maturidade emocional e a inteligência por vezes a esta associada possa não ser das mais desenvolvidas. No entanto, são estas dúvidas da adolescência que de alguma forma apoiam a necessidade de estabelecer a normalidade no caos, que os torna mais humanos e capazes, e que atribui a esperança de um futuro mais risonho.
No fundo, Virus Mortal é um bom livro de entretenimento quando visto segundo a perspetiva atrás indicada. Não considero que seja preponderante ou necessário para a leitura da trilogia, mas os seus fãs poderão querer dar-lhe uma vista de olhos.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Passatempo Novo com Apoio da Penguim Random House Portugal!

Nada como começar a semana com oferta de livros para sarar a neura da segunda-feira! Como sabem, a Penguin Random House Portugal é responsável por diferentes chancelas em Portugal, o que nos possibilita oferecer-vos um pack muito diversificado! Com um thriller de arrepiar, e um interactivo para se libertarem de relações passadas, têm diversão para o serão inteiro.

Pura Coincidência, de Renne Knight - Suma de Letras 
E se de repente se apercebesse de que é o protagonista do aterrador romance que está a ler? Catherine tem uma boa vida: goza de grande sucesso na profissão, é casada e tem um filho. Certa noite, encontra na sua mesa-de-cabeceira um livro de título O perfeito desconhecido.






Vira a Página, de Rebecca Béltran -  Arena PT
Um caderno de actividades diferente e divertido para esqueceres o teu ex. Se precisas de esquecer uma relação que correu mal, se não encontras o teu lugar neste mundo e acreditas que nunca vais mais recuperar a alegria de viver, abre este livro e vira a página!






Para participarem basta preencherem o formulário em baixo e atentarem às regras, como costume!

 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 28 de novembro de 2015.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Opiniao: Peregrino, de Terry Hayes



Peregrino
de Tery Hayes

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 656
Editor: TOPSELLER






Resumo:  Uma corrida vertiginosa contra o tempo e um inimigo implacável.

Uma jovem mulher brutalmente assassinada num hotel barato de Manhattan.
Um pai decapitado em praça pública sob o sol escaldante da Arábia Saudita.
Os olhos de um homem roubados do seu corpo ainda vivo.
Restos humanos ardendo em fogo lento na montanha de uma cordilheira no Afeganistão.
Uma conspiração para levar a cabo um crime terrível contra a Humanidade.
E um único homem para descobrir o ponto preciso onde estas histórias se cruzam: Peregrino.

  
Rating: 2,5/5
Comentário: Nem sei bem como falar deste livro ou o que escrever sobre ele. Há muito tempo que não me sentia tão abanada após uma leitura, sem saber como colocar em palavras os motivos pelo qual ele me encheu as medidas ou não correspondeu às expectativas. Com Peregrino, a leitura trouxe-me ambas percepções, ficando ainda com menos (e mais) para escrever esta opinião. 
Gosto do facto da sinopse não indicar muito e deixar o leitor ansioso pela descoberta. Peregrino prima pelo mistério e pela procura constante por novas respostas e soluções, impondo uma atenção constante ao leitor para não se perder numa trama que acontece cheia de dualidades e questões para desvendar. As frases curtas, dispersas e simples, contam muito mais do enredo do que pareceria à primeira instância. Pode relê-las neste momento, mas vai continuar sem perceber nada, acredite. 
Acho que o enredo começou com o tempo certo, com uma acção chamativa, imediata, bombástica e intensa que nos desperta logo para o que vai acontecer. Se nos dizem que ao quinto capítulo já vamos estar apanhados, eu considero que já o estava ao terceiro. Um crime perfeito e uma personagem mistério, que nos fala mas que não revela nada de si, foram tudo o que precisava para aceitar que iria mergulhar numa corrida vertiginosa. 
No entanto, acabei por ficar um pouco desapontada, porque o autor redirecionou-se para uma estrutura narrativa completamente diferente, especialmente assente na contagem de estórias. Basicamente, somos iniciados numa trama em media-res sendo que acabamos por mergulhar no passado desta personagem, com o relato de excessivos detalhes que apoiam a construção deste homem mistério, mas que não acrescentam nada à acção inicial. Deu por mim muitas vezes a pensar "mas quando é que retornamos ao presente?", até porque considerando que a composição da trama onde o elemento principal é um homem representativo do mundo de espionagem tem por base também o desvendar do mistério, este era desenredado lentamente, com perícia mas muita morosidade, acabando por me aborrecer em determinadas alturas. Não porque não fosse bastante interessante, uma vez que Terry Hayes tem o dom de provocar a dependência no leitor, mas porque não se adequava ao tipo de livro que esperava encontrar. 
Dessa forma, apesar de ir acompanhando com interesse o desenrolar das tramas paralelas e passadas senti que o elemento-chave e surpresa se fosse perdendo. 
A introdução do Sarraceno é brilhante, embora a ideia de que todo o seu percurso é do total conhecimento do Peregrino, quando em quase nenhuma parte da narrativa se refletem essas descobertas, fosse um bocadinho demais. 
Um anti-herói mas brilhante, sofrido mas conquistador de vitórias e de ideias, consegue pela primazia de apresentação até bater o nosso herói principal ao nível do brilhantismo e pelo intelecto. No entanto, e mais uma vez, toda a descrição do seu percurso que ocupa este livro torna-se excessiva em alguns momentos. 
Por esse motivo, é a partir da terceira e quarta parte do livro que o senti voltar à remessa inicial e ao prometido. A acção foi mais rápida, interligada, criando momentos expetantes e impulsionadores da acção em cada página. Nesse sentido, gabo a capacidade de Tery Hayes de reinvenção e de capacidade de recuperar a promessa perdida. Ainda sobre o enredo, no entanto, descobri algumas interligações forçadas e até sem sentido, mesmo que justificadas, que deram por mim perdida e a questionar-me em que direcção quereria o autor levar o livro, antes de o tornar em algo sem sentido. A verdade é que ele conseguiu dar a volta, de forma a deixar pontas soltas para o que muito suspeito ser uma continuação para um futuro livro, mas que neste primeiro exemplar não fez sentido nenhum senão encher páginas e fazer o leitor perder tempo. A ligação entre Nova Iorque e a Turquia, as personagens escorregadias que aparecem só para embelezar um livro que eventualmente beneficiaria mais da sua ausência deixaram-me algo confusa. 
Valeu-me este Peregrino, complexo e premeditado, ausente, ansioso, afectivo e apaixonado para desencadear um interesse inusitado pelo livro. Paradoxalmente e em total contraposição ao que referi anteriormente, as descrições de infância e dos familiares humanizaram esta narrativa, dando-me elementos pelos quais ansiar (ainda que na prática as duas narrativas constituam obras diferentes e que fariam todo o sentido em serapado).
No fundo, o livro até está magistralmente montado, mas falta a emoção secular e avassaladora que um livro deste género promete (e que não me deu de todo). Julgo que no fim o que ganha em toda a obra é o efeito surpresa constante. Pegando novamente no que escrevi no início, de facto toda a sinopse reflete este livro, mas de uma maneira que não é de todo esperada pelo leitor. E a única maneira de justificar esta afirmação é se pegarem no vosso exemplar e percorrerem estas quase 700 páginas.
De qualquer forma, o livro tem tido óptimas opiniões no mundo da blogosfera. Nesse sentido, recomendo-vos que leiam por vocês mesmo e que depois me venham contar o que acharam e (ou não) refutar esta minha opinião.


Cláudia
Sobre a autora:
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resultado Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)

Boa noite Encruzilhad@s,

Já temos os resultados do nosso passatempo em parceria com a Editorial Presença no qual sorteamos um exemplar de Vírus Mortal de James Dashner.

Depois de termos eliminado todas as respostas erradas e com a ajuda do Mr Random podemos dizer que a nossa vencedora desta vez foi a Daniela Gonçalves de Castelo Branco.

Parabéns! Os teus dados já seguiram para a editora e em breve receberás o livro em tua casa.

sábado, 17 de outubro de 2015

Opinião: Doce Tortura, de Rebecca James


 Doce Tortura
de Rebecca James

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 384
Editor: Suma de Letras






Resumo:  
Quando Tim Ellison encontra um quarto barato para alugar num dos melhores locais de Sydney, parece um golpe de sorte: estará perto do restaurante onde trabalha e ainda mais perto do seu lugar preferido para praticar surf. Mas há uma condição para que possa arrendar o quarto:
Tim terá de fazer todos os recados à misteriosa dona do quarto, uma mulher muito reservada e pouco amistosa, que nunca abandona a casa.

Tim esforça-se cada vez mais por conhecer melhor a figura inquietante de Anna. A princípio muito reservada, ela começa a revelar-se aos poucos: a sua história, a sua tristeza, os seus medos paralisantes.
É então que começam a acontecer coisas estranhas na casa: golpes a meio da noite, figuras inexplicáveis nas sombras, mensagens sinistras nas paredes. Tim assusta-se porque, ao mesmo tempo que o seu desconforto em relação àquela casa vai aumentando, crescem também os seus sentimentos pela bela e misteriosa dona da casa.

Que tipo de pessoa será Anna London: alguém que merece compaixão, alguém para amar ou alguém para temer?
  
Rating: 3,5/5
Comentário: Bem, esta sinopse certamente promete! Quando recebi este livro de surpresa para leitura e opinião da Penguin Random House Portugal, fiquei naturalmente contente com o gesto mas torci o nariz quando li do que se tratava. A verdade é que gosto de thrillers, mas este aparentemente puxava ao sobrenatural, o que não é de todo a minha praia.
De qualquer forma, parti de mente aberta para a estória, uma vez que nunca se sabe se não nos deixamos envolver por personagens ou pelo estilo dos autores. 
Rebecca James tem, afinal, uma escrita muito fluída e envolvente, misturando doçura com um toque de acutilância que nos prende às páginas e faz querer continuar a leitura. A envolvência do leitor nasce página a página, contemplando personagens apresentadas sob mistério enevoado, com suspeitas e peças a saltar de forma cíclica, criando um novelo fixador de atenção e curiosidade.
Seguindo essa linha, é credível que o enredo tenha sido uma surpresa, não só por tender numa direção que não esperava, mas porque, tal como as suas muitas personagens, muitos dos acontecimentos pareciam desajustados de uma forma bastante confortável, mas paradoxalmente fazendo todo o sentido. Os momentos de dor, de angústia e de paranóia, as imersões num mundo inabalado (ou muito abalado, conforme as perspetivas), as invasões de espaços íntimos, memórias e lembranças mas também as redescobertas dos pequenos prazeres que constituem a vida humana são abordados por Rebecca James com perícia, embrenhando-nos num mundo que de facto não conhecemos, mas que estranhamente vai fazendo sentido. 
Não deixo de considerar pequenos momentos do enredo algo forçados e até despropositados, ficando no fim a certeza de que algo não encaixa na totalidade (da mesma forma que as personagens não encaixam na mansão), mas que ainda assim acaba por ser o fim que esperamos. No fundo, a autora consegue incutir a estranheza das suas personagens e do enredo ao leitor, ficando certo de que não existirá uma abordagem certa a este livro. 
E por falar em abordagem, colocar Tom e a sua voz descontraída mas que nunca deixa de indagar e o seu lado bonacheirão e desacompassado (com uma sensibilidade e acutilância) como voz principal, foi uma aposta ganha neste livro. A sua vida relaxada (ainda que com questionamentos) foi a confrontação ideal para Anna e a sua frágil redoma de receios, permitindo que estes desajustes se imiscuíssem numa fachada estanque, mas num desejo único de mudar. 
Penso ter sido interessante também ver o livro contado a duas vozes, especialmente quando uma delas é totalmente opaca para o leitor quando tida numa das perspetivas, embora se pudessem ter evitado algumas repetições de construções de uma para outra. 
O final foi também um pouco apressado, pelo menos na construção final. Era esperado, mas gostava de o ver mais desenvolvido, uma vez que o climax que nos chega não é causa imediata para os resultados elaborados nas últimas páginas. Faltou-me mais da Anna e do Tim nelas, para além das transformações óbvias na vida de ambos. Faltava alguma profundidade, alguma explicação para certas construções que foram sendo colocadas ao longo do livro como chamarizes e também um sentido de conclusão (mesmo que tendo um final aberto) que me pudesse soar mais favorável.
Ainda assim, foi um livro de uma frescura incrível, pelo menos atendendo às minhas leituras este ano, o que acabou por me surpreender pela positiva. 
Uns tempos passados da leitura, já não sei precisar se as 3,5 estrelas são atribuídas ao livro pela qualidade, se pelo prazer de leitura, mas sendo uma ou outra, tenho a dizer que esta Tortura foi sem dúvida, muito Doce (mas não é melosa, não se preocupem!).

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.