segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Opinião: O Clube dos Ténis Vermelhos, de Ana Punset




O Clube dos Ténis Vermelhos
de Ana Punset
 
Edição/reimpressão: 2015 Páginas: 360 / Editor: Nuvem de Tinta
  
Resumo: 
Um livro sobre a amizade entre raparigas. Lúcia, Rita, Bia e Marta são amigas inseparáveis desde sempre e para sempre. Um dia Marta traz uma má notícias: ela e a família vão mudar de casa para Berlim! As quatro amigas decidem criar O CLUBE DOS TÉNIS VERMELHOS, para ficarem juntas para sempre e provarem que a verdadeira amizade é mais forte que a distância.


O Clube dos Ténis Vermelhos- Amigas para Sempre
de Ana Punset

Edição/reimpressão: 2015 / Páginas: 280 / Editor: Nuvem de Tinta
  
Resumo: 
As quatro amigas já só pensam nas férias de Verão e no momento em que voltarão a estar todas juntas. Por isso, quando Rita lhes diz que não poderá ir com elas acampar nesse Verão as amigas ficam devastadas! Inconformadas, decidem que não será isso que impedirá o grande reencontro d’O CLUBE DOS TÉNIS VERMELHOS.

Comentário: Para vos ser franca, optei por não escrever uma opinião no sentido lato para estes livros. Não me parece justo até porque a análise já não é não objetiva. Atendendo a que não lido com jovens e adolescentes diariamente, o nível de satisfação com estes pequenos livros poderá apenas ser avaliado na perspetiva de quem gosta de ler e quem no passado, se se tivesse cruzado com eles, poderia ou não gostar destas leituras. "O Clube dos Ténis Vermelhos" é uma coleção simpática que relata as vivências e amizades de um grupo de 4 amigas, que descobrem nos pequenos desafios da adolescência e dos preâmbulos da vida adulta dos pais obstáculos a superar, especialmente se vierem de um esforço coletivo. É um apanhado levezinho mas enternecedor da inocência de acreditar que o mundo muda num segundo, desde que a união faça a força, sempre com espaço para dúvidas e anseios, romance, compras e dramas familiares, desavenças e pequenos conflitos, assim como espaço para novas amizades. No fundo, é promovido e divulgado junto do género feminino até aos 13 anos sensivelmente, embora dê para qualquer género, desde que se tenha em conta que a temática é sem dúvida abordada de uma perspetiva muito feminina. Num mundo muito digital, a presença desses elementos é uma novidade para os livros deste género temático. Há fotos tiradas no momento para enviar por email, há conversas de grupo em chat, há sms a torto e a direito, e sinceramente essa é a grande diferença dos muitos livros que possa ter lido enquanto adolescente que mais se aproximassem do conteúdo deste clube.

Vamos em breve ter um passatempo com um exemplar de cada um destes livros, por isso fiquem atentos/as!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Opinião: Fala-me de um Dia Perfeito, de Jennifer Niven



Fala-me de um Dia Perfeito
de Jennifer Niven
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 360
Editor: Nuvem de Tinta
  




Resumo: 
Violet Markey vive para o futuro e conta os dias que faltam para acabar a escola e poder fugir da cidade onde mora e da dor que a consome pela morte da irmã. Theodore Finch é o rapaz estranho da escola, obcecado com a própria morte, em sofrimento com uma depressão profunda. Uma lição de vida comovente sobre uma rapariga que aprende a viver graças a um rapaz que quer morrer. Uma história de amor redentora
Rating: 5/5

Comentário:  Há livros que nos deixam sem palavras. Sem saber o que escrever ou como escrevê-las. Sem saber como é que se transpõem emoções, arrebatamentos e todo o desencaixe que só um livro sabe colocar numa singular opinião. "Fala-me de Um Dia Perfeito" teve esse dom em mim e confesso que ainda não me sei totalmente refeita para efetivamente o descrever como ele merece. Foi uma leitura que me deixou sem chão, e não há muito mais a acrescentar para além disso.
Com o nome original de "All the Bright Places",este volume foi um dos grandes vencedores dos prémios anuais do Goodreads em 2015, pelo que as expectativas sobre ele têm vindo a aumentar nos últimos tempos. Inicialmente achei que a capa portuguesa pudesse ser diferente para aligeirar o conteúdo, mas a verdade é que após percorrer todas estas páginas, considero-a bastante reveladora da estória.
Para mim, a leitura foi conduzida  pela sinopse que me deixou bastante curiosa. Que caminhos de desespero, angústia e perdição encaminham duas pessoas com percursos diferentes para o mesmo local, à mesma hora, e com a mesma intenção? Esta é a premissa, que embora não tão explícita no resumo da edição portuguesa, é apresentada na versão internacional. É esta versão, este olhar humano mas sem subterfúgios que ganhamos logo desde a primeira página e que nos persegue (sim, persegue e sem dó) até à última frase.
Violet é uma rapariga perdida, destroçada, a quem a perda de uma irmã roubou o sonho, a esperança e o mundo como o conhecia (muitas vezes visto através dos seus olhos), e que procura desaparecer, deixar de sentir e de se sentir só, contando os dias em que possa desaparecer do contexto que lhe causa suplício, sem querer admitir para si que qualquer lado em que esteja não a irá salvar, senão quando aceitar a dor que sente e aprender a viver com ela, libertando-se dessa forma.
Theodore é A personagem deste livro. Completo e complexo, cheio de nuances, cores, numa mescla constante de luz e sombra, é a dor e a redenção, a angústia e a procura incessante pelo dia melhor, é a luta demonizada consigo próprio e com o mundo em geral, e o motor, que coloca o universo deste livro a funcionar.
O momento em que estas duas personagens se encontram é transformador certamente, e o poder de as unir e da (não) transformação da realidade de cada um mostra como por vezes uma pessoa pode transformar a nossa vida, e que um minuto é o suficiente para que isso aconteça. A dicotomia entre as duas realidades, entre as suas ligações familiares e as amizades de cada um, onde a transposição de uma realidade acolhedora e reconfortante se altera com um sopro para um, enquanto é uma recusa para outra (porque de alguma forma lhe diminui a dor interior que esta se obriga a sentir) está montada com uma mestria que nos abana, agarra a cada página e dificilmente nos deixaria indiferentes. É impossível que o faça a alguém, sinceramente.
Ao longo de todas as páginas somos confrontadas/os com uma versão muito real do que é conviver com uma pessoa que sofra de uma doença mental (e que fique claro que obviamente, não considero que todos os comportamentos sejam semelhantes de individuo para individuo), que é enunciada na sinopse como depressão mas que em diante, e desculpem-me este pequeno spoiler que nada altera a vossa leitura mas que pode ajudar leitores que ou não tenham convivido de perto com pessoas que sofram desta doença ou que possam passar por ela, se revela como doença bipolar. Os adormecimentos e as fugas constantes desse estado de inércia que simultaneamente é um refúgio, o desenraizamento, as atitudes arrojadas e diferenciadas que nada são mais do que uma reinvenção de uma personalidade considerada estragada e um  grito (interior) para que o cérebro, o corpo, o organismo o processe como algo real, palpável e não iminente de ruir, o paradoxo de querer ajuda e simultaneamente recusá-la (porque ela não chega, porque ela não é adequada, porque ela não traz a sensação de realidade e vivência necessária e que por isso não poderá representar a fórmula final) são só alguns exemplos da abordagem exímia, avassaladora, sincera acima de tudo, e única - sem floreados e arabescos, que é concretizada ao longo do livro sobre esta doença. Com tanto pormenor, achei desde o início que esta recriação não poderia ter sido de alguém que não conhecesse de perto a doença (nem uma investigação traria uma visão tão apurada da mesma), pelo que não foi surpresa quando as notas de agradecimento da autora o denunciaram precisamente.
Mas não é um livro inteiramente clínico, até porque embora retrate esta realidade sem a mistificar, também não a impõe em cada frase, pelo que há espaço para o sonho, para a esperança, para o amor e para a descoberta, para o conforto e para a amizade, para a redenção e para segundas oportunidades, para a paixão e para o futuro. E para pensar e repensar o que é o futuro e o que é que ele pode fazer por nós e nós por ele, numa elaboração até poética com simplicidade e redescoberta.
O desfecho, que não irei naturalmente revelar, não foi uma surpresa para mim. Julgo que desde as primeiras páginas que vi a sua construção, e que embora compreendendo a condução a esse momento o fui processando como vendo um acontecimento em câmara lenta. Recusando a finalização, optando por aguardar por uma reviravolta, mas sabendo que a condição mais integra só poderia ser aquela. Talvez aí, nas páginas subsequentes, possa ter existido algum floreado. Mas a finalidade não é tanto de distrair ou obrigar o leitor e a leitora a sentir, porque estes já o faziam desde a primeira página, mas conduzir a uma alternância um pouco menos dura, ainda que pouco fantasista.
Violet e Theodore viveram em mim e comigo durante algum tempo após terminar neste livro. Não os esqueço, mas também fujo deles, porque embora envolventes e com uma história digna de contar, as marcas deixadas foram muitas.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Opinião: Eu, Earl e a tal Miúda, de Jesse Andrews




Eu, o Earl e a tal Miúda
de Jesse Andrews
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 304
Editor: Topseller
  



Resumo: 

O mais divertido livro sobre a morte que os jovens alguma vez vão ler.
Esta é a história criativa e comovente de Greg, um finalista do secundário cujo único objetivo é manter-se completamente anónimo e evitar quaisquer relações profundas.
Para ele, essa é a melhor estratégia de sobrevivência no verdadeiro campo de minas social que é a vida de um adolescente. Juntamente com Earl, Greg faz curtas-metragens parodiando filmes clássicos, o que os torna mais colegas de trabalho do que propriamente amigos.
Tudo corria bem até ao dia em que a mãe de Greg insiste com ele para passar algum tempo com Rachel, uma miúda da sua turma que acabou de ser diagnosticada com cancro. Lentamente, Greg descobre que um pouco de amizade não faz mal a ninguém.
Tão tocante quanto divertido, o livro de estreia de Jesse Andrews inspirou o filme aplaudido pela crítica e duplamente premiado no prestigiado Festival de Cinema de Sundance 2015. Uma história capaz de partir o coração sem roubar uma só gargalhada.

Rating: 2/5

Comentário: Eu, Earl e a Tal Miúda é aquele livro de que todos já ouvimos falar, que despertou mais ou menos interesse, e que a adaptação cinematográfica e um trailer bem conseguido acaba por despertar um enorme interesse sobre si.
Este foi pelo menos o meu percurso com este livro, que me despertou muitas expectativas, embora me tenha acabado por deixar algo desiliudida.
Quando dizem que este não é um livro sobre cancro, não o é mesmo, pelo que se esperam uma abordagem à lá "A Culpa é das Estrelas", talvez não seja uma boa aposta. Foi mesmo pela procura desse cunho original e da abordagem não focada mas que não ignora a doença que me fui aproximando deste livro. Ao fim ao cabo, é também o que a sinopse nos vende. Esta é certamente garantida pelas páginas da obra, embora com até alguma negligência. Rachel tem cancro, mas podia ter hepatite, esperar um transplante de coração ou até mudar-se para o Alasca. O que fica patente em todos os momentos é que esta se encontra a passar por uma fase fragilizada e que o seu desaparecimento do universo ao qual temos acesso acontecerá a qualquer instante. No entanto, ela quase que nunca está efetivamente presente, vivendo de referências de personagens secundárias que a transportam para o assunto principal e que ajudam a construir um puzzle, ainda que tangente, que abarque este lado da narrativa.
Greg e Earl são personagens peculiares também, muito adolescentes mas também caricaturas exageradas (embora não menos reais por isso), mas que infelizmente se esforçam tanto por fugir aos clichês e para serem modernos, que tendem a recair nas abordagens habituais do que é uma visão da adolescência por vezes um pouco rude, numa tentativa vã de se aproximar à realidade de uma forma bonacheirona e/ou diferente.
Ter o Greg como personagem principal trouxe um lado genuíno, onde sobressai o egocentrismo, a auto-depreciação constante e a desilusão com a vida como características típicas da adolescência, mas também uma série de mecanismos de defesa que reforçaram a necessidade constante de indiferença e de proteção com o mundo em geral e com o que pode causar mágoa. As suas diligências e a própria relação tanto com Earl como com Rachel são sinónimos deste comportamento.
No entanto, e na igual medida em que por vezes compreensão e paciência não chegam para lidar com jovens mais intensos, estar na mente deste personagem acabou por se tornar cansativo, aborrecido e irritante em igual medida, não existindo hipótese de fuga para o leitor. Os comentários depreciativos constantes sobre si e sobre o mundo deixam de ter piada após terem sido emitidos pelas quarta ou quinta vez, reforçando só a necessidade de despertar a atenção a este miúdo de que há mundo para lá dele mesmo e que a vida não acaba na escola ou em todas as situações que este considera embaraçosas ou potencialmente esmagadoras do equilíbrio de sobrevivência por si criado. E atendendo que todos os jovens passam por isto, acho que o ponto de discórdia passa pelo facto deste rapaz ter estado constantemente com um discurso demasiado irascível neste aspecto (a título de exemplo, enunciava a torto e a direito querer dar um murro na sua cara - que ele achava totalmente merecedor - por dá cá aquela palha). No meio disto tudo, não deixa de ser uma personagem algo plana e sem todas as nuances que poderiam ter tornado este livro muito bom. Do livro todo, destaco Earl, que poderia ter sido a personagem se melhor limado, com menos placidez no que respeita aos seus diálogos e postura, atendendo a todas as intervenções certeiras que fez.
Por outro lado, julgo que é válido referir que por vezes o simbolismo tem maior impacto e pode ser transformador. Esperava corroborar esta afirmação já perto do fim do livro, atendendo a uma iniciativa conjunta do Earl e do Greg, mas até essa ficou propositadamente distorcida (e embora percebendo a intenção do autor, tanto neste momento como ao longo de todo o livro, não consegui retirar prazer dessa sensação frustrada).
Por fim, julgo ser importante referir que o cunho da originalidade também se demonstrou pela forma de condução da narrativa, com várias nuances onde se incluía a escrita em versão de guião, e o livro em si, como se percebe pelas últimas páginas (embora essa descoberta só tenha tornado a leitura anterior um processo um pouco mais desgastante, irrealista e frustrante).
Embora conseguindo perceber o sucesso que está por detrás do livro, pela junção de vários componentes que até acabam por resultar no conjunto, Eu, Earl e a Tal Miúda acabou por não se revelar como o meu tipo de livros.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Vencedores dos últimos passatempos!

Boa noite Encruzilhados/as!,

Como sabem, andamos a meio gás, pelo que os resultados dos nosso últimos passatempos só agora estão a vir à luz do dia.



Em sorteio no blog durante o mês passado tivemos 3 livros. "Hora Solene" de Nuno Nepomuceno é o fim da trilogia Freelancer e um livro que será certamente muito acarinhado pelos fãs do autor. Este exemplar já tem casa e será enviado para Celina Rodrigues, do Bombarral!



Com a Penguin Random House Portugal, tivemos em sorteio dois livros, "Pura Coincidência" de Renée Knight (Suma de Letras Portugal) e o caderno interativo "Vira a Página - Actividades para te livrares do teu Ex", de Rebecca Béltran (Arena PT). A grande vencedora foi Maria Martinho, de Caneças!

Aos que ainda não conseguiram desta vez, não desanimem. Podemos ter mais passatempos em breve!

Boas leituras (e toca a juntar estas sugestões às compras de Natal)!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Opinião: Um Desejo por uma Estrela, Trisha Ashley



Um Desejo por uma Estrela
de Trisha Ashley
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 468
Editor: Quinta Essência
  




Resumo: 
A vida de Cally, mãe solteira, gira em torno da filha Stella. Já se conformou com o facto de que o único romance que vai viver é o das comédias românticas a que assiste. Com o trabalho que a mantém bastante ocupada, e com a filha, não tem tempo para sequer pensar sobre o amor. Mas a vida torna-se bastante difícil quando Stella adoece. Tentar conciliar o seu trabalho como escritora de receitas com o ter cuidar de Stella é muito desgastante e, quando Cally conhece o belo pasteleiro Jago, a última coisa que quer é apaixonar-se, especialmente depois de ter ficado bastante escaldada com um Príncipe Encantado do seu passado. Conseguirá o descontraído e charmoso Jago abrir o coração gelado de Cally e ajudá-la a encontrar o verdadeiro amor?
Rating: 3/5

Comentário: A primeira vez que Trisha Ashley me passou pelas mãos, também foi na altura do Natal. "Noite de Reis" é dos livros de época natalícia mais enternecedores que já li até hoje e transpira o espírito da quadra por todas as páginas. Foi nessa busca por um momento de descontração aconchegante, festivo, docinho e bem recheado de momentos quentinhos que procurei por "Um Desejo por uma Estrela".
Este livro começa precisamente na quadra natalícia e julguei que fosse continuar nesse registo mas, e desculpem-me o pequeno spoiler,  foi e veio com tanta rapidez que quase que nem dei por ela. Fiquei um bocadinho contrita mas decidi dar-lhe uma oportunidade. Cally e Jago são sem dúvidas personagens simpáticas, daquelas a quem desejamos o melhor - não só porque a vida possa estar a ser ingrata com algum mas porque pessoas boas merecem coisas boas. A forma como estes se entrecruzam também tem a sua piada e construção da sua relação faz-se de forma natural e sem preâmbulos de paixões assolapadas, ganhando aqui pela originalidade. Faltava no entanto um desenvolvimento de personagens menos arrastado, porque algumas situações tornaram-se inverosímeis e até totalmente despropositadas, fazendo que a relação perdesse credibilidade durante a leitura e que o seu desfecho se tornasse desinteressante. Os clichês e as coincidências excessivas também trouxeram algum cansaço, pelo que poderiam ter sido melhor lapidados.
Outro dos pontos fortes de Trisha são as personagens secundárias, sempre múltiplas, sempre com acrescentos únicos para o enredo principal, numa colorida manta de retalhos que traz magia e (bem dito truque) distrai os/as leitores/as das falhas da narrativa principal. Há personagens deliciosas, desde o responsável religioso local, à senhora de idade que vive na casa de repouso. Todos são únicos e os rasgos de história e das suas estórias que acabam por brilham vários pontos da narrativa trazem um novo alento.
No entanto, o livro foi pautado por diálogos por vezes desenxabidos e forçados, que nada atribuíam ao enredo. A repetição constante também me começou a maçar a determinada altura. Já não podia mais ouvir falar de macarrons, e crouquembouches, que página sim página não eram referidos umas quatro ou cinco vezes.
Relativamente à gastronomia, ela está presente, mas não brilha nada apesar de ser constantemente falada. Parece um paradoxo mas não é. Os romances que geralmente abordam estas temáticas não devem tornar-se livros de culinária mas é importante que o amor pelos alimentos acabe por passar para o/a leitor/a e não sinto que tenha sido conseguido neste caso.
Ainda assim, a vila onde se localiza maioritariamente o enredo é deliciosa e cheia de peculiaridades, a Stella uma miúda amorosa (com muitas respostas e diálogos que nunca seriam atribuídos a uma miúda de 3 anos, mas ainda assim um doce) e todo o envolvimento da aldeia um doce para ser servido de bandeja no Natal.
E o Natal regressa à localidade!: aí sim, finalmente, vive-se o espírito de convívio, paz e união necessários para esta quadra. Feliz Natal a todos e a todas!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.