quarta-feira, 20 de abril de 2016

Opinião: A Felicidade é um Chá Contigo, de Mamen Sánchez



A Felicidade é um Chá Contigo
de Mamen Sánchez
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 284
Editor: Marcador
  




Resumo: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis.

Cinco mulheres desesperadas, um inglês desparecido, um inspector muito pouco seguro e muito chá, são apenas alguns dos ingredientes deste livro delicioso.
Em A Felicidade é Um Chá Contigo o inexplicável desaparecimento de Atticus Craftsman é o mote para uma intricada história de contornos dúbios e quase inenarráveis, com bruxedos, revistas literárias e muitas tapas.
O inspector Manchego está encarregue de desenredar esta trama na qual a comédia romântica se entrelaça com o drama mais ternurento, e a intriga policial dá lugar ao maior achado literário de todos os tempos. Aquilo que parece difícil acaba por ser tornar fácil e todos os problemas se afogam num mar de lágrimas… de tanto rir. Tudo isto para chegar à conclusão de que, aconteça o que acontecer, o amor consegue explicar tudo.
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf


Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Rating: 4/5

Comentário: Há muito tempo que não lia um livro tão bem-disposto como "A Felicidade é um Chá Contigo"! Não sou de me emocionar ou rir facilmente enquanto leio, mas o sentido de humor satírico e incoerente, pateta e atrevido neste livro foi de tirar o chapéu.
Confesso que o que me chamou inicialmente a atenção foi a capa (sim, não deveremos deixar-nos somente levar pelas capas, mas eu também gosto de capas bonitas!), seguida do aviso bem destacado de que este livro afectaria a tal visão pessimista da realidade. Algo que contrarie as precaridades mais cinzentas do quotidiano para mim será sempre bem-vindo e portanto fiquei a ansiar que chegasse cá a casa. E se juntarmos ao leque o facto de o enredo se centrar no mercado editorial, parecia-me uma aposta ganha. E não me enganei!
Mamen Sánchez traz-nos mais do que a promessa do livro divertido e da lufada de ar fresco, com uma nuance de paródia, construção caricata e enorme sentido de humor. Mas o que se inicia como uma mostra de pequenos clichês - ainda que muito bem encaixados - acaba por sobrelevar-se e transformar-se num romance que se supera a si mesmo, cheio de particularidades que nos agarram a cada linha e que tornam toda a leitura especialmente deliciosa.
Apesar de ser escrito por uma autora espanhola, senti um certo enraizamento de tendências provenientes de todos os romances escritos por autoras da América Latina que me acompanharam na adolescência. Por esse motivo aconselho-o a quem se deixa enaltecer pelas linhas redigidas por Isabel Allende ou Laura Esquivel. Não porque sejam iguais, mas porque se denota uma inspiração em algumas das suas linhas mais tradicionais, como o misticismo feminino (e a forma como a vida conspira contra ou a favor de mulheres diferenciais mas pujantes para uma narrativa emotiva, de força e uma certa conspiração), as sociedades matriarcais (mesmos nos ambientes onde se prevê a presença de um sexismo inegável) que tecem as respostas que às vezes o destino nega, uma certa sensualidade erótica insinuada em curvas e essências sem se tornar demasiado impositiva e um sentido expressivo e lírico, mesmo que no discurso coloquial de uma narrativa ligeira.
Mas é muito mais do que um romance feminino, embora seja o género que dita a narrativa. É divertido, insinuante, numa cadeia sucessiva de ações e consequências hilariantes e com personagens tão bonacheironas, insanas e tridimensionais (contrariando a primeira imagem criada) que não quis perder pitada até à última página.
Foi um bombom de Páscoa desembrulhado em dois dias e o livro que mais me satisfez nos últimos meses! A sério, procurem-no nas prateleiras das livrarias porque vale bem a pena!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Resultado do passatempo: O Título, de Thomas Bogg



Estavam ansiosos para saber quem foi o ou a feliz contemplado/a com o nosso último passatempo? "O Título", de Thomas Bogg já foi sorteado e após sorteio para o random.org podemos anunciar que ele se dirige para Torres Vedras! Parabéns Marco Silva! 

Aos restantes, se ainda não foi desta vão-se mantendo atentas ao blog. Pode ser que sejam o vencedor ou a vencedora do próximo passatempo!

sábado, 2 de abril de 2016

Opinião: A vida é fácil, não te preocupes


A vida é fácil, não te preocupes
de Agnès Martin-Lugand
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 232
Editor: Suma de Letras Portugal
  



Resumo: 
É em "Pessoas felizes lêem e bebem café", o seu refúgio, que Diane conhece Olivier. É simpático, atencioso e, sobretudo, compreende e aceita a sua recusa em ser mãe de novo. No entanto, um acontecimento inesperado muda tudo: as certezas de Diane, as suas escolhas, pelas quais tanto lutou, vão entrar em colapso, uma após a outra. Será que tem a coragem necessária para aceitar um outro caminho?
Rating: 1,5/5

Comentário:  "A Vida é Fácil, Não te Preocupes" é a continuação de "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café", livro que teve alguma visibilidade no mercado nacional devido a algumas campanhas publicitárias na televisão. Apesar deuma sequela, não acho que seja necessário a leitura do livro antecedente atendendo que são realizadas várias alusões ao passado que incluem os elementos necessários para acompanhar este enredo.
O livro é pequenino, a escrita ligeira e o enredo encadeado de forma fluída, pelo que a leitura se torna fácil de acompanhar. Estes aspectos são aqueles que consigo apontar como positivos, atendendo a que este não é, de todo, um livro para mim.
Foi-me difícil ganhar afinidade com Diane, e a sua relação desencadeada com Olivier foi inverosímel, apressada e pouco sentida na minha percepção, especialmente atendendo às minhas suspeitas desde o início da trama e que só vieram a ser confirmadas. Mais do que isso, a falta de uma construção sólida fez-me torcer o nariz por diversas vezes, tornando o conteúdo seguinte irrelevante.
As relações entre as personagens pareceram-me bastante ocas, os diálogos despropositados, os momentos de maior tensão dramatizados em excesso ou pouco explorados, e a ausência de um elemento unificador (que deveria ser representado pela Diane e pela sua história) foi gritante, pelo que o encadeamento de cenas foi marcado explicitamente para dar origem ao final previsível. Valeu-me o papel de uma personagem infantil que criou alguns elementos de ternura (e que mesmo sendo mais uma vez forçados, possibilitaram que fechasse os olhos temporariamente às falhas constantes), levando-me a querer saber um pouco mais sobre ela durante alguns minutos. De resto, confesso que foi uma leitura frustrante que quis terminar brevemente, e que explicará que não vos consiga dar senão uma opinião suscinta, de forma a não revelar aspectos do enredo a quem queira acompanhar a evolução (a existir) destas personagens.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Passatempo: O Título, de Thomas J. Bogg

Boa noite Encruzilhados!!

Há muito tempo que não vos trazíamos um passatempo e portanto decidimos voltar com novidades. O autor Thomas J. Bogg contactou-nos recentemente para nos dar conta do seu livro prestes a ser editado pela Chiado Editora. É um género diferente dos livros que tivemos até então aqui em oferta, pelo que aproveitem a novidade. Para participar, basta preencherem as informações solicitadas no formulário e torcer para serem o feliz contemplado ou a feliz contemplada. Boa sorte!
 



«O Título ainda não é um livro. É uma colecção de escritos à procura da sua leitura possível e, consequentemente, à espera deste leitor pronto a realizá-la. Talvez nunca virá a ser um livro, pois, talvez, na sua forma presente, esteja a reconhecer, e a chamar por, o futuro errado. De qualquer modo, se pela concentração da nova verdade, ou por uma demonstração do erro contínuo de certo pensamento humano, está na intenção desta obra fazer parte do trabalho de trabalhar o próximo. Ainda que seja, para já, um princípio partido.»

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 10 de abril de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada,
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.


sexta-feira, 25 de março de 2016

Opinião: Nós os Dois, de Andy Jones



Nós os Dois
de Andy Jones
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 368
Editor: Suma de Letras Portugal
  


Resumo: 
Fisher e Ivy vivem uma relação idílica durante dezanove dias, durante a qual são inseparáveis. Os dois sentem intimamente que estão destinados a ficar ligados para sempre. E o facto de saberem tão pouco um sobre o outro é apenas um pormenor. Nos doze meses seguintes, período em que as suas vidas mudam radicalmente, Fisher e Ivy vão perceber que apaixonar-se é uma coisa, mas manter uma relação é outra completamente diferente.
Nós os Dois é um romance muito honesto e transparente sobre a vida, o amor e a importância de não se tomar nada nem ninguém por garantido.

Rating: 2,5/5

Comentário: A premissa de "Nós os Dois" é sem dúvida pertinente e interessante. Muitas vezes dei por mim a pensar no depois, das séries, dos filmes, das estórias pelas quais nos fazemos acompanhar de forma ininterrupta até que nos deparamos com o fatídico fim. Os obstáculos, os momentos atribulados de superação, a pesquisa e procura de alternativas para a tão almejada felicidade são os elementos essenciais de qualquer enredo que envolva um casal como protagonista. Por isso mesmo, a ideia de poder desvendar o véu e ver para além do cenário idílico de conquista foi um chamativo para mim. Contudo, a relação de dezanove dias anunciada já na sinopse acaba de alguma forma por diferir da construção mental das minhas divagações.
O relacionamento de Fisher e Ivy é uma lua de mel finalizada à qual não temos bem acesso nem ganhamos a percepção do afecto, intimidade ou do extâse de um amor recém-descoberto. A ausência de pequenos indícios não só descritos mas também percepcionados por parte do leitor são preponderantes para que exista uma certa dificuldade em que o leitor se reveja ou aproxime destas personagens de uma forma imediata. A ideia de que este casal se percepciona a ficar junto de forma duradoura é lançada mas não realmente presenciado por quem os acompanha e cria alguma estranheza.
Ainda assim, a reviravolta que cria as expectativas de desenvolvimento do enredo principal é alimentada de uma forma cuidada, sensível e bem articulada que perpetua uma situação em que vários casais já se terão encontrado, abrindo caminho para uma série de hipóteses ramificadas em consonância com o nível de compromisso e objectivos do mesmo. As abordagens de Fisher e a sua perspectiva dos acontecimentos (sobre a qual o livro é contado) demonstram uma série de tendências que nos levam a pensar no desfecho que poderá estar a construir-se, ainda que sem muita certeza. Esta personagem ganha ainda maior relevo porque, mesmo deparando-se com um cenário pouco expectável, demonstra mais sentido, angústia, determinação e vontade do que outros em casos semelhantes. Acompanhar de perto este homem, em detrimento de Ivy conferiu um toque de frecura, embora tornasse esta personagem muito inalcansável. Posso até afirmar que só a meio do livro senti algum apego a ambos, embora não o suficiente para realmente me preocupar com o destino de cada um.
A um outro nível, este livro tem uma abordagem realista, natural e pouco encantada aos desafios do quotidiano e da construção de uma vida a dois, com espaço para o desencanto e a descoberta do conforto e da cumplicidade existente entre um casal, sem esquecer as frustrações, as dúvidas, as obsolescências de uma comunicação ineficaz que podem destruir uma relação.
É também rico e diverso, demonstrando várias relações, vários tipos de amor, de compromisso, de cumplicidade e desafios, mantendo a abordagem crua mas sincera, com um ligeiro toque de delicadeza quando é necessário. Estes ajudaram a compor um quadro mais completo do dito mundo real, sem cair nos clichés habituais. São acima de tudo abordagens sensíveis ao romance na vida adulta, sem floreados mas sem um cinismo ou crítica que poderiam ser esperados.
Ainda assim, a ausência de elementos de conectividade com os leitores, o ruído constante de histórias paralelas que criaram distanciamento entre as personagens principais (ainda que propositado) tornaram os momentos felizes um pouco ocos e sem um grande impacto, pelo que ainda que curiosa com o desfecho (o qual não fui capaz de adivinhar) não senti grande ligação com o enredo, causando-me um certo aborrecimento e cansaço pelo esforço de os acompanhar.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.