terça-feira, 3 de maio de 2016

Opinião: Perdida, de Carina Rissi



Perdida
de Carina Rissi
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 352
Editor: Topseller
  
Leiam as primeiras páginas aqui. 


Resumo: E se o amor da sua vida apenas existisse no século XIX?
Perdida é uma história divertida, apaixonante e intensa, que vai querer devorar até à última página.
Sofia é uma jovem de 24 anos que vive numa grande cidade e está habituada à sua vida independente e moderna. Divertida, mas solitária, Sofia não acredita no amor, convencida de que os únicos romances da sua vida são aqueles que os livros lhe proporcionam.
Porém, após comprar um telemóvel novo, algo misterioso acontece e Sofia descobre que está perdida no século XIX, sem saber como ou se poderá voltar para sua casa, para o «seu» século. Enquanto tenta encontrar uma solução, é acolhida pela família Clarke, à qual, à medida que os dias passam, se afeiçoa cada vez mais.
Com a ajuda do prestável e lindo Ian Clarke, Sofia embarca numa busca frenética e acaba por encontrar pistas que talvez a ajudem a regressar à sua vida.
O que ela não sabe é que o seu coração tem outros planos, e que a ideia de deixar o século XIX pode vir a tornar-se angustiante?
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Rating: 3/5

Comentário: Carina Rissi é uma autora brasileira que se estreia agora em Portugal com "Perdida", pela mão da Topseller. Em primeiro lugar, desde o pequeno vídeo de apresentação do livro à pequena nota introdutória que ela dedicou aos leitores portugueses, tenho de ressalvar a simpatia da autora. Não é todos os dias que nos deparamos com estes pequenos gestos de atenção, mesmo que seja para nos convencer a comprar e ler um livro. Já sobre o exemplar em causa, "Perdida" unia todos os factores para me agarrarem à narrativa e não me enganei, o livro acabou por se tornar um agradável "guilty pleasure".
Adoro narrativas que envolvam viagens no tempo e as mesclas temporais entre passado/presente, e por vezes futuro também. Por esse motivo fiquei empolgada com a premissa que a sinopse nos trazia. A construção para o universo alternativo foi apressada, mas os poucos elementos fornecidos nas primeiras páginas tornaram-se suficientes para compreender a realidade de onde provinha uma personagem como Sofia e compreender melhor a sua estrutura, uma vez que a passagem para outro elemento temporal só sairia mais beneficiada quando avaliadas as transformações de realidade, expectativas e necessidades desta personagem, juntando às alternações de época e elementos caracterizadores disponíveis.
Já a transposição para o mundo alternativo foi entusiasmante,embora parca para mim. A História é um dos meus grandes interesses, e como tal precisava de mais alguns elementos temporais, que não proviessem somente da crónica de costumes. Naturalmente não era objectivo do livro narrar exaustivamente elementos da História do Brasil mas umas referências aqui e ali teriam sido bem-vindas. Não digo que não as haja de todo, mas são muito discretas.
Sofia é uma personagem sem papas na língua, cuja caricatura é pojada de humor (especialmente se atendermos como é tida como recatada numa época e extremamente ousada na outra), embora pudesse ter mais um elemento ou outro que tornasse a sua personalidade mais tridimensional (especialmente por serem realizadas referências sobre a sua vida pessoal que poderiam ou ter sido exploradas, ou expostas na sua personalidade). Já Ian Clarke é o cavaleiro galante, típico destes enredos, mas nem por isso menos enternecedor.
Valem também as personagens secundárias que trazem uma narrativa mais multidimensional, com apontamentos de ironia e humor, para além de uma enorme panóplia de costumes sociais que daria para explorar só por si.
"Perdida" é aquele livro ligeiro, divertido, atrevido mas delicioso de ler num final de dia complicado e um bom remédio para o stress. Foi uma leitura bem agradável e bastante boa dentro do género.
Julgo que poderia ter evitado o excesso de cliché da última parte do livro, em que um excesso de dramatismo retirou o prazer ligeiro que o acompanhou até então, mas encaro-o como um mal menor.
Para os e as fãs do género, este é o primeiro livro de uma trilogia, que eventualmente poderá vir a ser publicada na totalidade em Portugal, pelo que podem ficar descansados/as que a narrativa da Sofia e do Ian não termina por aqui. No entanto, não há propriamente uma necessidade de os continuar, porque o final deste livro nos traz um fecho da narrativa contada. Julgo que para mim a história destes dois personagens termina por aqui, mas não percam a oportunidade de os conhecer.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projecto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Opinião: Jonathan Strange & o Sr. Norrell, de Susanna Clarke



Jonathan Strange & o Sr. Norrell
de  Susanna Clarke
 
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 736
Editor: Casa das Letras
  




Sinopse: 
Há séculos, quando a magia habitava Inglaterra, houve um mago que se distinguiu entre todos os outros. Chamou-se Rei Corvo, foi criado por fadas e, como nenhum outro, soube conjugar a sabedoria desses seres com a razão humana. Só que tudo se alterará a partir do momento em que um rei louco e alguns poetas mais arrojados fazem com que a Inglaterra deixe de acreditar na magia. O que acontecerá até meados do século xix, quando o solitário Senhor Norrell, de Hurtfew Abbey, que faz andar e falar as estátuas de catedral de York, acredita que poderá ajudar o governo de Sua Majestade na guerra contra Napoleão.
Já em Londres, Norrell encontrará Jonathan Strange, um jovem, rico e brilhante (mas também arrogante), que descobre por acaso que é um mago, tornando-se seu discípulo. Os feitos de ambos haverão de maravilhar a velha Inglaterra. Até ao momento, no entanto, em que a parceria, que parecia destinada ao sucesso, virará rivalidade. É que, fascinado pela figura sombria do Rei Corvo e atraído pela sua «insensata busca» por magias há muito esquecidas, Jonathan haverá de pôr em causa tudo o que Norrell mais estimava.
Jonathan Strange e o Sr. Norrell é, pois, um romance «elegante, mordaz e absolutamente arrebatador», envolvido em grande mistério e beleza, e que agarra o leitor até à última página.

Rating: 3,5/5
Comentário: Susanna Clarke levou anos até finalizar "Jonathan Strange & Mr Norrell. O que se compreende pelo tamanho e complexidade de história que ela construiu. Talvez por isso também tenha dado por mim a terminá-lo somente ao fim de alguns meses.
Ao finalizar este livro consegui perceber porque é já considerado um dos clássicos da literatura moderna. A autora não nos traz uma história mas um completo universo, com variantes paralelas, numa mescla constante entre o realismo mágico, o mundo espiritual e o fantasmagórico, sempre associado a alegorias, morais, valores, segredos e intrincadas diplomacias do que é viver num Reino Unido conservador, mas com acesso a um mundo mágico premente, em desuso e pouco explorado.  Nem o Mr Norrell nem Jomathan Strange (ou para ser honesta, qualquer uma das personagens) são gostáveis, mas a ligação entre entre ambos é o motor de ignição para uma trama minuciosa e, porque não dizer, algo vertiginosa.
A acção decorre também numa dimensão histórica, com elementos da História da Europa e do Mundo que constam em qualquer manual escolar, e por esse motivo, e pela forma como está escrito, denuncia uma realidade que não é a nossa mas que o parece.
Mais para mais, esta é uma das particularidades mais interessantes do romance, já que aliando a esse facto, a autora escreve o livro como se tratasse de uma crónica documental da vida destas personagens, apelando a uma veracidade que não existe mas que não nos convence.
É aliás, a existência de várias notas de rodapé (que por vezes ocupam metade das páginas, se prolonga para as seguintes, e contam notas paralelas), que ajudam a intrincar a teia que compõe este romance.
Quando aos elementos mágicos, eles têm algo de sinistro e macabro, assim como ameaçador. Esperaria que o Rei da Magia fosse um tipo diferente de vilão (se é que ele se enquadra bem no seu papel), mas a sua personagem ajuda a compor este mundo de brumas e incerteza, sendo também a ponte para se criarem as metáforas necessárias para chamar a atenção dos comuns mortais que, tudo o que advenha com facilidade traz custos (alguns elevados) que têm de ser bem medidos antes de qualquer tomada de decisão e iniciativa.
É uma leitura densa, as personagens não são simples, mas vale a pena o investimento.
As descrições são bastante reais, os detalhes explorados com vigor e a relação de cada peça do puzzle montada com a subtileza necessária para criar vários enlaces e nos demonstrar como seria o nosso mundo se nele existisse a magia do Sr. Norrell e do Jonathan Strange.



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Opinião: A Felicidade é um Chá Contigo, de Mamen Sánchez



A Felicidade é um Chá Contigo
de Mamen Sánchez
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 284
Editor: Marcador
  




Resumo: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis.

Cinco mulheres desesperadas, um inglês desparecido, um inspector muito pouco seguro e muito chá, são apenas alguns dos ingredientes deste livro delicioso.
Em A Felicidade é Um Chá Contigo o inexplicável desaparecimento de Atticus Craftsman é o mote para uma intricada história de contornos dúbios e quase inenarráveis, com bruxedos, revistas literárias e muitas tapas.
O inspector Manchego está encarregue de desenredar esta trama na qual a comédia romântica se entrelaça com o drama mais ternurento, e a intriga policial dá lugar ao maior achado literário de todos os tempos. Aquilo que parece difícil acaba por ser tornar fácil e todos os problemas se afogam num mar de lágrimas… de tanto rir. Tudo isto para chegar à conclusão de que, aconteça o que acontecer, o amor consegue explicar tudo.
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf

Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf


Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Aviso aos leitores: Este romance pode afetar gravemente a sua perceção pessimista da realidade. Provoca gargalhadas e a vontade imparável de mais e mais. Os seus personagens são como os filhos: quanto mais disparates fazem, mais gostamos deles. Cuidado com os corações: podem começar a sentir estranhas vontades incontroláveis. - See more at: http://marcador.com.pt/conteudo/309-a-felicidade-e-um-cha-contigo#sthash.g2jMvJ7t.dpuf
Rating: 4/5

Comentário: Há muito tempo que não lia um livro tão bem-disposto como "A Felicidade é um Chá Contigo"! Não sou de me emocionar ou rir facilmente enquanto leio, mas o sentido de humor satírico e incoerente, pateta e atrevido neste livro foi de tirar o chapéu.
Confesso que o que me chamou inicialmente a atenção foi a capa (sim, não deveremos deixar-nos somente levar pelas capas, mas eu também gosto de capas bonitas!), seguida do aviso bem destacado de que este livro afectaria a tal visão pessimista da realidade. Algo que contrarie as precaridades mais cinzentas do quotidiano para mim será sempre bem-vindo e portanto fiquei a ansiar que chegasse cá a casa. E se juntarmos ao leque o facto de o enredo se centrar no mercado editorial, parecia-me uma aposta ganha. E não me enganei!
Mamen Sánchez traz-nos mais do que a promessa do livro divertido e da lufada de ar fresco, com uma nuance de paródia, construção caricata e enorme sentido de humor. Mas o que se inicia como uma mostra de pequenos clichês - ainda que muito bem encaixados - acaba por sobrelevar-se e transformar-se num romance que se supera a si mesmo, cheio de particularidades que nos agarram a cada linha e que tornam toda a leitura especialmente deliciosa.
Apesar de ser escrito por uma autora espanhola, senti um certo enraizamento de tendências provenientes de todos os romances escritos por autoras da América Latina que me acompanharam na adolescência. Por esse motivo aconselho-o a quem se deixa enaltecer pelas linhas redigidas por Isabel Allende ou Laura Esquivel. Não porque sejam iguais, mas porque se denota uma inspiração em algumas das suas linhas mais tradicionais, como o misticismo feminino (e a forma como a vida conspira contra ou a favor de mulheres diferenciais mas pujantes para uma narrativa emotiva, de força e uma certa conspiração), as sociedades matriarcais (mesmos nos ambientes onde se prevê a presença de um sexismo inegável) que tecem as respostas que às vezes o destino nega, uma certa sensualidade erótica insinuada em curvas e essências sem se tornar demasiado impositiva e um sentido expressivo e lírico, mesmo que no discurso coloquial de uma narrativa ligeira.
Mas é muito mais do que um romance feminino, embora seja o género que dita a narrativa. É divertido, insinuante, numa cadeia sucessiva de ações e consequências hilariantes e com personagens tão bonacheironas, insanas e tridimensionais (contrariando a primeira imagem criada) que não quis perder pitada até à última página.
Foi um bombom de Páscoa desembrulhado em dois dias e o livro que mais me satisfez nos últimos meses! A sério, procurem-no nas prateleiras das livrarias porque vale bem a pena!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Resultado do passatempo: O Título, de Thomas Bogg



Estavam ansiosos para saber quem foi o ou a feliz contemplado/a com o nosso último passatempo? "O Título", de Thomas Bogg já foi sorteado e após sorteio para o random.org podemos anunciar que ele se dirige para Torres Vedras! Parabéns Marco Silva! 

Aos restantes, se ainda não foi desta vão-se mantendo atentas ao blog. Pode ser que sejam o vencedor ou a vencedora do próximo passatempo!

sábado, 2 de abril de 2016

Opinião: A vida é fácil, não te preocupes


A vida é fácil, não te preocupes
de Agnès Martin-Lugand
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 232
Editor: Suma de Letras Portugal
  



Resumo: 
É em "Pessoas felizes lêem e bebem café", o seu refúgio, que Diane conhece Olivier. É simpático, atencioso e, sobretudo, compreende e aceita a sua recusa em ser mãe de novo. No entanto, um acontecimento inesperado muda tudo: as certezas de Diane, as suas escolhas, pelas quais tanto lutou, vão entrar em colapso, uma após a outra. Será que tem a coragem necessária para aceitar um outro caminho?
Rating: 1,5/5

Comentário:  "A Vida é Fácil, Não te Preocupes" é a continuação de "As Pessoas Felizes Lêem e Bebem Café", livro que teve alguma visibilidade no mercado nacional devido a algumas campanhas publicitárias na televisão. Apesar deuma sequela, não acho que seja necessário a leitura do livro antecedente atendendo que são realizadas várias alusões ao passado que incluem os elementos necessários para acompanhar este enredo.
O livro é pequenino, a escrita ligeira e o enredo encadeado de forma fluída, pelo que a leitura se torna fácil de acompanhar. Estes aspectos são aqueles que consigo apontar como positivos, atendendo a que este não é, de todo, um livro para mim.
Foi-me difícil ganhar afinidade com Diane, e a sua relação desencadeada com Olivier foi inverosímel, apressada e pouco sentida na minha percepção, especialmente atendendo às minhas suspeitas desde o início da trama e que só vieram a ser confirmadas. Mais do que isso, a falta de uma construção sólida fez-me torcer o nariz por diversas vezes, tornando o conteúdo seguinte irrelevante.
As relações entre as personagens pareceram-me bastante ocas, os diálogos despropositados, os momentos de maior tensão dramatizados em excesso ou pouco explorados, e a ausência de um elemento unificador (que deveria ser representado pela Diane e pela sua história) foi gritante, pelo que o encadeamento de cenas foi marcado explicitamente para dar origem ao final previsível. Valeu-me o papel de uma personagem infantil que criou alguns elementos de ternura (e que mesmo sendo mais uma vez forçados, possibilitaram que fechasse os olhos temporariamente às falhas constantes), levando-me a querer saber um pouco mais sobre ela durante alguns minutos. De resto, confesso que foi uma leitura frustrante que quis terminar brevemente, e que explicará que não vos consiga dar senão uma opinião suscinta, de forma a não revelar aspectos do enredo a quem queira acompanhar a evolução (a existir) destas personagens.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.