sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Desafios de Leitura: sim ou não?



Quem nos segue por aqui já deve ter reparado que não somos de aderir ou realizar Desafios de Leitura. Não tenho nada contra eles, mas leituras controladas a mim aborrecem-me, e o sentido de obrigação que acaba inerente ao processo constringe-me. Mesmo escolhendo dentre das temáticas, quando se calhar não me apetece ler nada que se enquadre nas mesmas, soa-me a leitura por castigo e retira-me o prazer de um dos passatempos que tem feito parte dos meus tempos livres desde sempre, Por isso mais surpreendidos ficarão ao saber que decidi juntar-me a dois desafios que me auto-propus.
A escolha de aderir a estes passatempos teve uma razão maior, e que decorre precisamente de querer aumentar a minha cultura geral e ter uma visão mais multidisciplinar do Mundo. Ainda assim, tanto uma como outra meta serão relegadas para um desafio para a vida, sem definições temporais ou pressões de continuidade.

Mas afinal a que desafios me proponho?

1. Ler um livro de cada um dos laureados e laureadas com o Nobel da Literatura. Não me quero tornar entendida em literatura, mas cultura geral nunca é demais e o reconhecimento dado aos au tores e autoras dentro deste género comprovam uma validade de conteúdo enriquecedor que ainda não me passou pelas mãos.

2. Ler um livro de cada país do Mundo. Mais ou menos. Conhecem o projeto "A Year Reading the World"? Vi esta conversa no Ted Talk no ano passado e achei um projeto super curioso. Deste modo, decidi que também eu iria iniciar uma rota literária internacional, passando numa primeira fase por ler um livro de um autor de cada nacionalidade, e posteriormente, um que decorra geograficamente em casa país da mesma lista. 
Confesso que tive aqui alguma preguiça e adoptei como listagem final aquela desenhada pela Ann Morgan, para me poupar a alguns dramas geopolíticos.


Depois, e a propósito deste video da Mel do Literature-se, fui ver as minhas estatísticas de leitura de 2015. Por muito que me considere feminista, não sinto que deva ler mais livros de mulheres do que homens, a não ser pelo enredo. É uma sinopse que me faz escolher um livro, não o género do seu criador ou sua criadora. De qualquer forma, fiquei agradada por saber que tinha lido 52% de livros escritos no feminino, porque partindo ainda do pressuposto de uma experiência de leitura mais enriquecedora, ter um balanço de género, de visões que querendo ou não acabam por ser diferenciadas. Cheguei também à conclusão que vi autores de mais nacionalidades do que as que estimava, incluindo diversos australianos, 
Voltando ao projecto do ler o mundo, a verdade é que a minha contabilização no final de 2015 dava-me autores de um total de 18 nacionalidades, mais do que as que achava ter lido, mas do que as lidas inicialmente pela autora do projeto, E isso, em muito se deve ao nosso pequeno mas diversificado mercado editorial. É um ponto positivo a apontar-lhe, se não analisarmos para além desta referência.

Entretanto, descobri também o Book Riot Read Harder Challenge 2016, o qual estou a seguir mas não aderi, porque tem das categorias mais originais que já vi até agora. Acho que no final do ano passarei por lá para ver se li algo que se encaixe no desafio, mas não vou realizar o exercício inverso.




E vocês, a que tipo de desafios aderem e quais estão a cumprir? Boas leituras!

 Cláudia
Sobre a autora:

Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Quando os livros são mais do que livros: «Arquipélago» de Joel Neto dá nome a unidade de turismo local na ilha Terceira


"Um empresário da ilha Terceira, nos Açores, decidiu baptizar uma nova unidade de turismo local com o nome Casa do “Arquipélago”, em homenagem ao romance homónimo de Joel Neto (Marcador, 2015). A unidade abre ao público esta segunda-feira, 1 de Agosto, e proporciona dois quartos sobre o mar, com piscina privada e varanda para o Monte Brasil, geografia recorrente no romance.

“Os Açores sempre foram uma terra de grande literatura, mas há décadas que não saía destas ilhas um livro com a importância de 'Arquipélago'. Voltámos a ocupar um espaço central a nível nacional. Achei que devia fazer-lhe esta singela homenagem”, justifica Carlos Meneses, o fundador.

A inauguração contou com a presença do escritor, que se disse “honrado e comovido”. Nascido e criado na Terceira, Joel Neto viveu 20 anos em Lisboa e regressou à ilha em 2012. Desde 2000, editou mais de uma dezena de livros, dos quais “A Vida no Campo” (2016), também com chancela Marcador, é o mais recente.

“Arquipélago”, lançado na Primavera de 2015 e agora imortalizado na dita unidade turística (disponível nomeadamente na plataforma Airbnb), chegou à quarta edição ao fim de outros tantos meses e mereceu o elogio da crítica e dos pares. “Excepcional”, escreveu João de Melo. “Obras de tão superior qualidade não acontecem todos os dias. Nem todos os anos. Notável.”"






Opinião: A Livraria dos Finais Felizes, de Katarina Bivald



A Livraria dos Finais Felizes,               de Katarina Bivald

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 528
Editor: Suma de Letras
  





Resumo: Se a vida fosse um romance, o da Sara certamente não seria um livro de aventuras. Em vinte e oito anos nunca saiu da Suécia e nenhum encontro do destino desarrumou a sua existência. Tímida e insegura, só se sente à vontade na companhia de um bom livro e os seus melhores amigos são as personagens criadas pela imaginação dos escritores, que a fazem viver sonhos, viagens e paixões. Mas tudo muda no dia em que recebe uma carta de uma pequena cidade perdida no meio do Iowa e com um nome estranho: Broken Wheel. A remetente é uma tal Amy, uma americana de 65 anos que lhe envia um livro. E assim começa entre as duas uma correspondência afetuosa e sincera. Depois de uma intensa troca de cartas e livros, Sara consegue juntar o dinheiro para atravessar o oceano e encontrar a sua querida amiga. No entanto, Amy não está à sua espera, o seu final, infelizmente, veio mais cedo do que o esperado. E enquanto os excêntricos habitantes, de quem Amy tanto lhe tinha falado, tomam conta da assustada turista (a primeira na história de Broken Wheel), Sara decide retribuir a bondade iniciando-os no prazer da leitura. Porque rapidamente percebe que Broken Wheel precisa de um pouco de aventura, uma dose de auto-ajuda e, talvez, um pouco de romance. Em suma, esta é uma cidade que precisa de uma livraria. E Sara, que sempre preferiu os livros às pessoas, naquela aldeia de poucas gente, mas de grande coração, encontrará amizade, amor e emoções para viver. E finalmente será a verdadeira protagonista da sua vida.




Rating: 3/5

Comentário: Este livro deixou-me curiosa. A capa era engraçada, a sinopse prometia uma narrativa divertida, sobre livros e pessoas, e a descoberta do mundo através das páginas e além delas.
Pareceu-me uma óptima leitura de verão e para desanuviar a cabeça de stresses e preocupações.
De todas as opiniões que li sobre ele, após término da leitura, há algo que é comum a todas: o facto de que existe uma espécie de divisória narrativa, que cria duas abordagens diferencias ao enredo.
Sarah é a condutora de ambas e permite definir uma imagem mais complementar sobre si, ainda que para isso se descure dos restantes em algumas situações que mereciam um detalhe mais atento. Mesmo que tratando-se de um livro para enternecer, a partir do momento em que se colocam elementos correspondentes a narrativas secundárias com alguma necessidade de profundidade, deixá-las ao abandono não é de todo uma boa solução.
A primeira parte do livro centra-se nesta estranha amizade interrompida, entre Sarah e Amy, cujas cartas colocadas no início de capítulo deram uma nuance muito pessoal e aconchegante, Quem nunca, enquanto leitor, vibrou com a possibilidade de discutir e sugerir livros, mesmo que com alguém que só conhecemos à distância? É esse o ponto de partida de uma deliciosa aventura, à qual Sarah se propõe não sem hesitar e com receio.
Embora perceba a construção da narrativa em volta desta personagem ao início, assim como o seu isolamento e refúgio algo exacerbado nos livros, confesso que em parte me irritou, porque me senti por vezes mais na presença de uma caricatura do que é um leitor do que o resto. Tudo o que é demais enjoa, assim também se aprende ao longo destas páginas, mas para alguém que adora livros como eu (ou não tivesse criado um blogue literário), a ideia de que eles dominem completamente a nossa vida, em que percamos a nossa identidade em detrimento de personagens e  aventuras, parece-me exagerado e pouco saudável. E até certas situações, que eu como leitura também vivo, apresentadas pelos olhos completamente (vidrados e) literários da Sarah me pareceram ridículos. Mais uma vez, não se trata da análise de amor e paixão por um hobby, mas que esse amor e paixão nos torne num ser uni dimensional.
Depois, esse amor por livros leva-a muitas vezes a fazer referências a outros - muitos clássicos - mas revelando-nos o enredo, e acabando por estragar a leitura a muitas pessoas que ainda não os leram. O facto de estarem publicados há dezenas ou centenas de anos não justifica ainda assim a enxurrada de spoilers por si trazidos.
Em continuidade, a segunda parte da narrativa revelou-se para mim mais interessante. Em primeiro lugar, porque finalmente temos acesso privilegiado a uma série de personagens secundárias diferentes que contribuem para a caricatura local e tornam o livro extremamente bem-disposto e divertido. Em segundo, porque ocorrem maiores interacções entre personagens, e porque vemos uma cidade florescer aos olhos de uma narrativa cómica e bem-disposta, onde tudo não é o que parece, mas que no seu conjunto folclórico, irrealista e até por vezes disparatado, vemos surgir um conjunto de pequenas histórias que se interligam mais ou menos, mas que demonstram que naquela cidadezinha decrepita, ignorada pelos seus pares, existem abelhinhas solitárias que divagam sobre sonhos e futuros, e que reafirmam que ainda que com um ar meio abandonado, Broken Wheel não está assim tão danificada que não fervilhe de vida, mesmo que seja sob a superfície.
Claro que o romance que se lhe juntou foi rápido, incoerente e irrealista, mas também não tenta ser outra coisa e sendo esse o objectivo deste livro, está extremamente bem conseguido, No fundo, é o famoso filme de domingo à tarde em versão literária, que contribui para colocar um sorriso no rosto e para fugir de uma realidade por vezes pouco luminosa.
Para finalizar, há que regressar à temática dos livros, uma vez que Katarina Bivald volta a uma teoria que acho mais do que interessante, uma das que apoio com certeza: o facto de que nem todos têm de gostar de ler, mas que muitos não gostam porque não acharam o seu nicho literário ainda. E que esse nicho não tem género ou idade, desde que nos satisfaça a curiosidade e desperte prazer. Foi portanto especial ver vários elementos da comunidade a descobrirem os seus livros, os seus géneros, e a quebrar barreiras e preconceitos sobre o que é que devemos ou não ler. Em última instância, um livro sobre livros nunca poderia ser mau!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Review: Time Travelling with a Hamster by Ross Welford

Time Travelling with a Hamster
by Ross Welford
Edition: 2016
Pages: 335
Editor: HarperCollins Publishers UK
Summary:
“My dad died twice. Once when he was thirty nine and again four years later when he was twelve. The first time had nothing to do with me. The second time definitely did, but I would never even have been there if it hadn’t been for his ‘time machine’…”
When Al Chaudhury discovers his late dad’s time machine, he finds that going back to the 1980s requires daring and imagination. It also requires lies, theft, burglary, and setting his school on fire. All without losing his pet hamster, Alan Shearer…

Rating: 5/5

Review:
I received an ARC copy from NetGally in exchange for an honest review.

Hands down one of the best book of 2016! It's funny, it's witty and it's heartbreaking and heart warming at the same.
Even though I got very weird looks out of people when they asked me what I was reading I have to admit that the title captured people's attention and imagination and when they asked about the premises their interest grew.
Our hero Al Chaudlhury grandfather is Indian and his grandmother is white British, this accounts for an interesting background story and a mix of traditions and customs. This also makes him a POC hero which is always needed in YA/Children's books, Al is also funny and has his heart up his sleeve. He is living with his mother and stepfather after his father died at 39. However in a twist of fate Al is given an amazing opportunity when he discovers that his father invented a time traveling machine. Of course no adventure is complete without a loyal sidekick, which in Al's case is his hamster Alan Shearer.
Traveling through time has its pro and cons as Al rapidly discovers and the following is a mix of adventures and misadventures as Al finds his father and tries to save him from an untimely death. I really enjoyed the way Ross Welford presented the time traveling issue and specially human relationships. Sometimes authors keep things simple or make their characters a bit hollow, however in this case I could really connect with Al and I could understand his pain and suffering. As he time travels and interacts with his father it's really heart warming to see them bond with one another.
Al is also very protective of animals and this is an aspect of his personality that comes up multiple times and it's a great message to send out to young readers. There also theme like bullying and family and doing what's right even if it's not what you want to do.
As in every time traveling tale there as twists and dead ends and Al has a very complex adventure layered out in front of him. I wish I could say more but I am afraid I would reveal the plot.
It stands as one of the best books of the year and I easily give it 5 stars.


 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Review: Harry Potter and the Cursed Child


Harry Potter and the Cursed Child
de J.K.Rowling, John Tiffany, Jack Thorne
Edição/reimpressão: 2016 
Páginas: 352
Editor: Little Brown UK

Resumo: 
The Eighth Story. Nineteen Years Later.
Based on an original new story by J.K. Rowling, Jack Thorne and John Tiffany, a new play by Jack Thorne, Harry Potter and the Cursed Child is the eighth story in the Harry Potter series and the first official Harry Potter story to be presented on stage. The play will receive its world premiere in London’s West End on July 30, 2016. It was always difficult being Harry Potter and it isn’t much easier now that he is an overworked employee of the Ministry of Magic, a husband and father of three school-age children. While Harry grapples with a past that refuses to stay where it belongs, his youngest son Albus must struggle with the weight of a family legacy he never wanted. As past and present fuse ominously, both father and son learn the uncomfortable truth: sometimes, darkness comes from unexpected places. .

Rating: 3.5/5

Comentário:
Depois de ter andado desaparecida por uns tempos, volto ao blogue com uma crítica livre de spoilers ao último livro de J.K. Rowling.
Este livro, que na realidade é um texto dramático, trata-se do guião da peça que está de momento em cena em Londres. E, tal e qual como a sinopse anuncia, é uma continuação da saga Harry Potter. Uma aventura extra por assim dizer, na qual vamos encontrar o nosso trio favorito na casa dos quarenta anos e com filhos. Infelizmente para Harry, nem tudo é um mar de rosas, e os leitores são convidados a mais uma aventura.
Cursed Child é o livro que está a dividir os fãs, se por um lado uns pedem a J.K. Rowling que pare de escrever, outros parecem não resistir à nostalgia que os livros trazem. Pessoalmente acredito que haja "demais de uma coisa boa" e apesar de Cursed Child ter tido uma boa evolução/crescimento de personagens secundários, como Ginny e Draco, teve também uma deterioração de outros personagens como Harry.
Confesso que eu sou uma das nostálgicas, e se por um lado não me conformo com algumas partes do enredo, outras houve que me deixaram satisfeita. Ainda que alguns fãs tenham sentido que J. K. Rowling não escreveu esta peça (devido a certos eventos na mesma) e apenas emprestou o nome, eu acho que este guião evoca um sentimento "potteriano".
Senti que foi uma história divertida, apesar de ter as suas falhas, e que por esse motivo, infelizmente, por vezes soa a fanfiction (sabem do que falo? Aquele tipo de fanfiction que escrevemos quando estamos a entrar no reino da escrita e ainda não temos experiência.).
A primeira parte do livro cria todo o ambiente e parece não avançar muito depressa: voltamos imediatamente ao fim do último livro e a história pega daí. Rose e Albus seguem para Hogwarts onde a aventura começa. Depois, lentamente, o enredo começa a compor-se e temos acção até ao fim!
Apesar de nem tudo se ter resolvido como eu queria e certas partes terem sido estranhas, sinto que gostei deste livro no geral. Apesar disso, sinto também imensa vontade de ir ler fanfiction de qualidade.
Sai da minha estante para a da Cláudia, até porque o livro é dela e ela carinhosamente mo emprestou, com a classificação de 3.5 na qual 1.5 valores, senão dois, são mesmo só por causa de todas as cenas com os Granger-Weasley.


Aqui ficam algumas das minhas fotos favoritas da peça. Não escondo o favoritismo pelos Granger-Weasley!