sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Opinião: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North


As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
de Claire North

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 432
Editor: Saída de Emergência




Resumo: Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?
A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.
Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.
Rating: 3,5/5

Comentário: O tempo é e tem sido desde sempre um dos grandes mistérios da vida. Procuramos conhecer o passado e sonhar com o futuro, aprender com os que já viveram e conjunturar sobre as inovações que nos trarão os homens e mulheres de amanhã. A literatura nunca se esqueceu desta caixa de pandora, e a imortalização de "A Máquina do Tempo" de H. G. Wells é um exemplo disso, marcando toda uma corrente literária que tem vindo a explorar a temática sob as mais diversas formas. Claire North seguiu a tendência e trouxe-nos uma abordagem diferenciada à ideia da viagem no tempo. Harry August não se movimenta no espaço temporal segundo a sua vontade, mas num ritmo cíclico marcado por uma mesma origem e vivência, se assim por si determinada (pelo menos esta última, uma vez que a sua âncora é precisamente o acto do seu nascimento).
A sinopse já me tinha deixado curiosa por diversas vezes, pelo que fiquei entusiasmada com a publicação deste livro em Portugal. E não estava à espera de gostar tanto, mas acabei agradavelmente surpreendida.
O tempo está no centro da acção deste livro, mas o enredo vai muito além disso e centra-se principalmente na vida (ou vidas) de Harry August. É portanto um livro para apreciadores e contadores de histórias, centrando-se no percurso existencial desta personagem, que se revela bastante rica, complexa, humana e com uma sensibilidade especial, limada ao longo de todas as vidas derivadas da sua experiência.
Nascimento na década de 1920 e tendo uma esperança média de vida que invariavelmente garante a sua morte por volta de 1990, a personagem acaba por se inserir num contexto histórico bastante interessante, juntando elementos de ficção histórica com ficção científica, de uma forma bastante equilibrada e envolvente, que transforma um movimento cíclico num percurso mais interessante para o leitor. 
Tratando-se de uma narrativa assente numa perpectiva singular, a estrutura do livro acaba por facilitar uma maior dinâmica, ao não nos ser apresentada uma versão linear da sua existência, intercalando acontecimentos e "vidas" consoante os assuntos de relevo a apontar, que se fundamentam com uma estrutura narrativa de base, que acompanha a acção principal, que acabará por ganhar uma maior força a partir do meio do livro.
Gostei especialmente da confluência de pequenas observações e elementos para a construção do puzzle final, para além dos registos filosóficos e de reflexão sobre as viagens do tempo e as suas implicações para a estrutura temporal. Por vezes, e ainda que seja um livro muito diferente dos que irei mencionar, senti alguns elementos que me relembraram de "O Mundo de Sofia" e "A Mulher do Viajante do Tempo". Acho que tem um pouco do espírito de ambos se atentarmos às análises frequentes sobre a representação e consequências destas viagens num sentido mais vasto (dando azo a pequenos momentos quase que filosóficos), mas também pela influência que várias personagens catalisadoras acabam por ter na construção da trama final e na "colagem" deste personagem de forma a que a sua identidade não se perca. A abordagem desta personagem ao passar do tempo é também bastante interessante, especialmente porque, se o leitor assim quiser e estiver com alguma atenção, conseguirá detectar pequenas reflexões que se adaptam ao nosso presente, acelerado, repentino e corrido, que por vezes não nos deixa com muito espaço para aproveitar experiências, consolidá-las e torná-las parte de nós.
Não obstante, em "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" contamos também com uma trama de mistério e acção, um exercício que pede para ser desvendado e que nos leva para um plano para além do conto do passado, puxando o leitor para o centro da movimentação e criando desejo de atingir o desfecho.
Acabou por ser uma abordagem diferente do que esperava, mas bastante completa, pormenorizada, e com poder de envolver o leitor na história de um homem que foi quinze diferentes e um só ao longo de 400 páginas.
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Opinião: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula", de Rita Vilela


Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula
de Rita Vilela


Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 432
Editor: Clube do Autor




Resumo:
Depois de muitas aventuras e descobertas protagonizadas pelo grupo que já conhecem dos livros Os Guardiães dos Manuscritos Mágicos, A Dama do Lago e Heróis do Mar, eis mais um desafio que transportará Lina e os seus três fiéis amigos para outras eras. Mas será que têm coragem para iniciar mais esta viagem?
Muitas são as surpresas que estão reservadas àqueles que invadem as terras do Conde Drácula em busca de respostas mas só os verdadeiros guerreiros serão capazes de seguir em frente.



Rating: 2,75/5

Comentário: Aventuras e adolescentes representam a fórmula mágica dos livros da minha infância, ou não me tivesse iniciado no mundo da leitura através d' Os Cinco. Uma Aventura, Clube das Chaves, Os Super Quatro, o Bando dos Quatro, Detective Maravilha, Viagens do Tempo.. li-os todos e todos engrandeceram muitas horas entre aulas e nas férias. E é por esse motivo que me entusiasmei por ver mais um livro de Rita Vilela publicado. O facto de haver continuadamente novas histórias a surgirem no mercado para os mais novos só pode ser benéfico, especialmente porque estas acompanham um toque de modernidade que as insere no seu tempo actual.
"A Lenda do Conde Drácula" é o quarto volume da colecção "Os descendentes de Merlin", que em cada volume acaba por abordar quase que uma aventura temática. Optei por lê-lo por altura do Halloween, exactamente quando este me chegou a casa, por não ter nada mais indicado para celebrar a ocasião.
Há uma série de pequenos elementos que me agradaram neste volume. Uma viagem atribulada que desmistifica uma Europa de há 20 anos para a presente, um grupo de miúdos com personalidade própria e diferenciada e curiosidades sobre diversas temáticas são os pontos fortes em que se baseia este exemplar. No entanto, julgo que a autora terá de acertar no discurso incutido à narrativa. Sendo juvenil, mas já com personagens na universidade a aproximarem-se da idade para o fazer, muitas vezes ouvi nas suas vozes jovens de 14 anos e essa discrepância fez-me alguma confusão na leitura do panorama geral. Há outros pequenos pormenores respeitante à narrativa que acompanha todos os livros e se mantém constante que por vezes se torna peculiar. Julgo que os jovens hoje em dia são cada vez mais difíceis de convencer, mesmo quando se trata do mundo fantástico e as respostas para as suas perguntas poderão ficar um pouco mais claras ao longo dos próximos volumes e à medida que se for desvendando o mistério. E julgo que os adultos terão de ter uma voz mais adequada futuramente, uma vez que surgem pouco credibilizados.
A narrativa do Drácula, ainda que confesso que não foi a que esperava, foi a que me divertiu ao longo de toda a narrativa, e o livro poderia ter sido somente dedicada a ela. Com um toque de mistério e aventura, despertou a curiosidade para o desenrolar da acção até ao fim e manteve-me atenta aos próximos procedimentos das personagens.
Julgo que estão plantadas as sementes que poderão reforçar uma narrativa de sucesso nos próximos volumes, e aguardo por ver estas personagens amadurecerem à medida que são confrontadas com os próximos desafios e o com o que eles possam ou não comprometer na protecção nos descendentes de Merlin!
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Passatempo: A Célula Adormecida, Nuno Nepomuceno (TopBooks)

Amuado/a com o final do feriado? Temos um bom remédio para torná-lo menos penoso ;)

O passatempo há muito prometido com a "A Célula Adormecida", de Nuno Nepomuceno finalmente vai dar entrada no blogue!

Quem por aqui anda há uns tempos já percebeu que temos um carinho especial por este autor, e que portanto não somos muito isentas no que lhe diz respeito (com excepção para as opiniões construtivas aos seus livros que possam ir surgindo aqui no blogue), porque ao longo destes últimos anos os contactos frequentes foram criando uma relação de proximidade entre nós e o autor que nos permite, mesmo sem que tenhamos algum mérito para o caso, ficar orgulhosas e muito felizes com o seu sucesso.
O seu novo romance foi uma surpresa completa, escrito a sete-chaves e muito bem recebido pela comunidade da blogosfera literária e livrólica mal ouvimos falar nele.

Esta "Célula Adormecida" é um sinal positivo de que a aposta em autores portugueses continua a crescer e que muitos estão atentos ao mundo contemporâneo e pretendem reflectir sobre ele. A primeira edição deste livro esgotou logo após 4 dias de publicação tamanha foi a procura e já se encontra uma nova em impressão. Se isto não é motivo para ficar curioso com este livro, a sinopse será certamente!:

"Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição"

E sem mais demoras, preencham o formulário e habilitem-se a ganhar um exemplar (que muito suspeitamos, estará autografado ;) )

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 11 de novembro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



domingo, 30 de outubro de 2016

Review: The Bear and The Nightingale by Katherine Arden

The Bear and The Nightingale 
by Katherine Arden
Edition: 2017
Pages: 480
Publisher: Random House UK, Ebury Publishing
Summary:
A young woman's family is threatened by forces both real and fantastical in this debut novel inspired by Russian fairy tales.
In a village at the edge of the wilderness of northern Russia, where the winds blow cold and the snow falls many months of the year, a stranger with piercing blue eyes presents a new father with a gift - a precious jewel on a delicate chain,intended for his young daughter. Uncertain of its meaning, the father hides the gift away and his daughter, Vasya, grows up a wild, willfull girl, to the chagrin of her family. But when mysterious forces threaten the happiness of their village, Vasya discovers that, armed only with the necklace, she may be the only one who can keep the darkness at bay. Atmospheric and enchanting, with an engrossing adventure at its core, 
The Bear and the Nightingale is perfect for readers of Naomi Novik's Uprooted, Erin Morgenstern's The Night Circus, and Neil Gaiman.

Rating: 4/5 stars

Review:
I received this ARC from Netgalley in exchange for a honest review.

If you only read a YA fantasy book in 2017 make it The Bear and the Nightingale. Why? Because this book has it all; for a start it’s a fairytale retelling (which gives it bonus points), it’s a Russian fairytale, it involves a “war” between church and pagan beliefs (triple points) and it’s whimsicaly written. 
So if this has captivated you already I am sure you will like Vasya’s story. A brief on-line search will tell you that the fairytale in question is commonly known as Vasilia the brave (or beautiful it depends) and that Catherynne M.Valente has already re-told it in her book Deathless (which is in my to-read pile). So when I first requested it I was unsure if I had made the right decision, I have read Valente’s work before and though that it might have been a better idea to just read her retelling. However I also wanted to try new authors and had read very good reviews of The Bear and the Nightingale so I though it was worth the risk. 
 I have to say that I was lucky and this book was so worth the risk. Wonderfully written and full of promise this is one of the few books I have ever read that lives up to expectation. As we follow Vasya from her birth to her adventurous teenage years we create a very close relationship with her that keeps the readers engaged in the story. Even though sometimes it seems like a slow burn I think the long look at Vasya’s formative years actually helps us understand better where she comes from and why she does/ reacts the way she does. 
 As I had never read the original fairytale I had no idea where the story was going or who the characters were. The author also choose to leave Russian words for the entities and places which helps set the mood and it was easy to find myself in the northern Russian forest. I think it also helped that I started to the read the book as the seasons where changing and autumn weather was becoming winter weather as the chill that was felt really help set the mood. 
 I used to read the book before going to bed but after part 3 I had to stop doing it as I was getting scared. The book takes a turn and becomes slightly darker with things roaming in the night and whispering in the shadows. Strange knocks on doors and blood splattered in the white snow. I have to admit I was not ready for it but it kept me engaged (even if with all my lights on). 
 The Bear and the Nightingale leaves the blog with a five star review and the certainty that it was one of the bets books I read in 2016.
 Cat / Ki
Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Review: Pretending to Be Erica by Michelle Painchaud

Pretending to Be Erica
by Michelle Painchaud
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 272
Editor: Viking Books for Young Readers
Resumo:
We Were Liars meets Heist Society in a riveting debut!

Seventeen-year-old Violet’s entire life has revolved around one thing: becoming Erica Silverman, an heiress kidnapped at age five and never seen again.
Violet’s father, the best con man in Las Vegas, has a plan, chilling in its very specific precision. Violet shares a blood type with Erica; soon, thanks to surgery and blackmail, she has the same face, body, and DNA. She knows every detail of the Silvermans’ lives, as well as the PTSD she will have to fake around them. And then, when the time is right, she “reappears”—Erica Silverman, brought home by some kind of miracle. 
But she is also Violet, and she has a job: Stay long enough to steal the Silverman Painting, an Old Master legendary in the Vegas crime world. Walking a razor’s edge, calculating every decision, not sure sometimes who she is or what she is doing it for, Violet is an unforgettable heroine, and Pretending to be Erica is a killer debut.

Rating: 3.5/5

Review:
I will start by confessing that it was the comparison with Heist Society that drew me to this book, that and the fact that I like a good con books. (It's not by change that Leverage is one of my favorite TV shows ever!)
I read a lot of bad reviews about this book but I have to say that I enjoyed it and loved the way that the author keep Erica "present" throughout the book. I do understand why some people were disappointed as this isn't much of a con book as it could be but I think it was an interesting dive into the mind of a young con artist and what goes through a person's mind when she has to pretend to be someone she is not to everyone else; and how though that can be when you encounter people you truly connect with, people you never though you would ever meet. 
I loved the way the author kept giving you insights about how Violet was struggling with being Erica even though she had been trained her whole life to do so. After all Violet had been trained with very little and almost completely off the grid, so she had a very basic phone and almost no access to the internet or social media. So she is discovering herself as teenager not only as Violet but also as Erica.
Violet is a very interesting character and her relationships are also interesting as she tries to keep Erica group of friends but also finds a group of friends of her own.
For me this was a very interesting and sometimes intense book and the ending was unexpected and made the book linger which is always a plus. If the con bit had been better it would have reached easily the 4 star mark.

You can get a copy of this book here..

 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.