quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Opinião. Rebel Belle, de Rachel Hawkins

Rebel Belle
de Rachel Hawkins
Edição/reimpressão: 2014
Páginas: 352
Editor: Putnam Juvenile
Resumo:
Harper Price, peerless Southern belle, was born ready for a Homecoming tiara. But after a strange run-in at the dance imbues her with incredible abilities, Harper's destiny takes a turn for the seriously weird. She becomes a Paladin, one of an ancient line of guardians with agility, super strength and lethal fighting instincts.

Just when life can't get any more disastrously crazy, Harper finds out who she's charged to protect: David Stark, school reporter, subject of a mysterious prophecy and possibly Harper's least favorite person. But things get complicated when Harper starts falling for him--and discovers that David's own fate could very well be to destroy Earth.

 
Rating: 3/5

Comentário:
Quem leu Hex Hall e gostou da escrita de Rachel Hawkins gostará de saber que a autora lançou outro livro no qual volta com uma personagem que lutará com Sophie pelo coração dos leitores.
Harper Price, uma típica Southern Belle nem imagina o que o destino lhe reserva quando no baile de finalistas se apercebe que se esqueceu do lip gloss e tem que ir à casa de banho aplicar o da sua melhor amiga. Numa reviravolta inesperada Harper vê-se a herdar poderes fantásticos com os quais terá de proteger David Stark, o rapaz que lhe faz a vida num inferno. O que só em si é receita para o desastre.
Tal como em Hex Hall a escrita de Rachel Hawkins é leve, divertida e cheia de detalhes contemporâneos que nos aproximam das personagens do livro. Sendo esta a segunda saga da escritora devo confessar que temi que Rebel Belle se revelasse uma cópia de Hex Hall, no qual as personagens apenas mudassem de nomes e aparências. E apesar de temer no início que Harper fosse muito parecida com Sophie, ou ao contrário muito apagada em comparação, a verdade é que a escritora soube alcançar um meio termo. Ou seja, Harper consegue ter a sua personalidade bem distinta de Sophie, na qual apesar de ser irónica é mais prática do que Sophie e mais cuidadosa também.
Feitas as contas achei Rebel Belle um livro digno de Rachel Hawkins. Divertido, com acção, paranormal e contemporâneo. No entanto não me cativou o suficiente para querer ler o resto da saga.



Ki
(Catarina)
Sobre a autora:

Bibliófila assumida e escritora de domingo. Gosta de livros e tudo o que esteja relacionado com eles, tem a mania que tem opiniões sobre coisas e gosta de as expor no seu blog conjunto Encruzilhadas Literárias, tem também uma conta no GoodReads e é das melhores coisas que já lhe aconteceu.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

"À Luz do que Sabemos", de Zia Haider Rahman




À Luz do Que Sabemos
de  Zia Haider Rahman
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 744
Editor: Quetzal
  





Sinopse: 
Numa manhã de setembro, um investidor da banca, a rondar os quarenta anos, com a carreira em colapso e o casamento em queda-livre, recebe uma visita-surpresa na sua moradia de Londres. Após a dificuldade inicial em identificar uma figura pobremente vestida e de mochila às costas, acaba por reconhecer nela o amigo dos tempos da faculdade, um tipo brilhante que desaparecera anos atrás em circunstâncias misteriosas. Ao longo dos dias que se seguirão, Zafar contará a sua história.

À Luz do Que Sabemos é a epopeia de um homem e da sua desintegração psicológica - e uma peça extraordinária de uma nova literatura pós-colonial. Temas como a não-pertença, o deslocamento, a emigração e a migração voluntária e económica - e também a política, a história, a religião e a matemática. Uma história repleta de histórias e de personagens em movimento, com ecos de W.G. Sebald e de Teju Cole.

Uma ligação amorosa entre Zafar - o bem-sucedido filho de emigrantes do Bangladesh - e Emily, filha da elite aristocrática - atravessa toda a narrativa, que se desenrola entre Londres, Nova Iorque, Bangladesh e o Afeganistão. À Luz do Que Sabemos é um romance enciclopédico, mas é também um livro sobre tudo aquilo que não sabemos ou que não conseguimos saber.

Rating: 3/5
Comentário: A julgar pelas opiniões que tenho lido sobre este livro, este insere-se na categoria dos extremos: ou se ama, ou se odeia. Curiosamente, julgo ter obtido uma reacção mais equilibrada e posso evidenciar muitas secções de interesse, em detrimento de outras que julgo terem-se estendido para além do necessário (e criando alguns momentos de leitura mais lentos e algo aborrecidos).
Voltemos ao início. "À Luz do Que Sabemos" reflecte uma gestão básica da condição humana: agir em conformidade com as nossas dúvidas, angustias e necessidades mediante o que sabemos nesse exacto momento. É um livro que aborda longamente as reflexões mundanas e intelectuais, assim como filosóficas do que é estar vivo e em que circunstâncias.
A outro nível, conduz paralelamente uma história contada em momentos avulsos sobre a existência de Zafar, demarcando várias ocasiões da sua vida como uma retrospectiva constante, algo periclitante, e com incidência em variâncias que tanto elucidam o leitor com novos momentos que compõem a narrativa, como servem somente como elementos do mosaico global.
A composição discursiva é estranha e pode dificultar a leitura a um olhar mais distraído, exige concentração e foco, dado que a estrutura está montada como num discurso real: com interrupções, desvio para contar outras histórias, retorno ao ponto de origem como se nada se tratasse, divagações em profundidade sobre determinadas temáticas, interrupções de parte a parte.
Fez-me alguma confusão a identidade desconhecida, o nunca pronunciarmos ou tornar claro quem é o narrador, que acaba por se tornar o leitor, embora nunca o sendo porque acrescenta momentos episódios  à sua nova posição.
Não é fácil gostar de nenhuma das personagens, e talvez este seja um dos maiores entraves para muitos leitores. Pertencem a uma elite, algo snob e pouco dada à compaixão e com crises existenciais que não se adequam, em primeira instância, ao mundo real. Mas não deixam de transmitir uma humanidade que as torna difíceis de decifrar mas com um interesse contínuo e latente.
A relação contínua entre os vários intervenientes do enredo começará por evidenciar uma série de contrariedades e fossos só levemente enunciados, e que mediante a exploração de quem são estas personagens ao longo da narrativa, elas vão perdendo o seu ADN translúcido e tornando-se bastante mais palpáveis, menos perfeitas e com enormes falhas. E à luz do que vamos sabendo, a nossa percepção de cada uma, o nosso posicionamento sobre os valores, a identidade e a veracidade de cada uma, vai-se constantemente alterando.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Inês, de Maria João Fialho Gouveia



Inês
de Maria João Fialho Gouveia
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 416
Editor: Topseller
  




Sinopse: 
Esta é a história de Inês de Castro, a bela aia galega que arrebatou o coração do príncipe D. Pedro, futuro rei de Portugal. Bisneta ilegítima do rei D. Sancho IV de Castela, chegara a Portugal no séquito de Dona Constança, futura mulher do príncipe, que viu o coração do noivo incendiado pela sua própria dama de companhia. Perdidamente apaixonado, o casal viveu um amor proibido, até que, após a morte de Dona Constança, passou a partilhar o mesmo tecto.
Dando largas à paixão que por tanto tempo haviam escondido, Pedro e Inês viveram dias idílicos, de paço em paço, até se instalarem em Coimbra, já casados e com três filhos.
Esta ligação desagradou ao rei D. Afonso IV, pai de D. Pedro. As intrigas políticas com que os conselheiros reais o sobressaltavam, alegando que os irmãos de Inês alimentavam pretensões à coroa portuguesa, contribuíram para que o rei não descansasse enquanto não libertasse, da forma mais trágica e terrível, o filho da influência da bela galega.
O amor de Pedro e Inês foi maior do que a vida, sendo  outrora, como hoje, o símbolo da paixão em Portugal. Primeiras páginas aqui.
Rating: 3/5
Comentário: A história de Pedro e Inês, que se confunde entre História e Mito, sonho e tragédia factual, há muito que fascina toda uma nação. Se o que é destacado quase que por obrigação é o grande amor (algo doentio, diriam alguns), a dor egoísta e a desfaçatez da vingança imputada por D. Pedro, já enquanto rei, aos que não aceitaram D. Inês, em vida, a verdade é que esta história de amor foi também (e essencialmente) política.
Engane-se quem achar que estamos a lidar com um rei desagradado per si, e julguem alguém toda uma cadeia de interesses e especulações que saía muito do âmbito do país e das fronteiras tão arduamente defendidas por D. Dinis, avô de D. Pedro I. A verdade, é que o real conhecimento deste acontecimento infame exige conhecer as trocas e guerrilhas políticas ocorridas na Península Ibérica até duas gerações antecedentes, de forma a compreender a intrincada e frágil dança efectuada entre os reinos de Portugal, Castela e Aragão.
No entanto, resumir esta história ao jogo político é retirar poder e personificação a um amor, forte como os poucos que ficam registados na História. É principalmente inibir a análise da fuga à regra, do amor que não foi só político, pelo menos aos olhos de D. Pedro I. E embora toda a gente fale de Inês (do poder sedutor, da família ambiciosa, da intromissão na vida do príncipe herdeiro), ninguém fala realmente sobre ela. Esta foi a proposta de Maria João Fialho Gouveia quando nos trouxe mais uma abordagem romanceada a um período histórico visitado pela mão de uma das mulheres com maior destaque nos anais da História de Portugal (independentemente de ter ou não feito algo para isso).
Este livro começa precisamente pela apresentação de uma árvore genealógica, sem a qual também a narrativa pudesse ser mais confusa. E a narrativa pretende também acompanhar um processo evolutivo ao colocar Inês inicialmente desde jovem sob o olhar do leitor. A ideia é precisamente humanizar esta personagem e torná-la mais real e palpável para quem pretende conhecê-la.
Apesar de já não estar habituada aos diálogos exemplificados em registo dito histórico, e por esse motivo me ter custado a entrar na leitura, retirei prazer da narrativa  e foi uma oportunidade de mergulhar num outro tempo e retirar pormenores (que ainda desconhecia) para o meu leque de aprendizagens. Julgo que ninguém fará indiferente a esta jovem, que de um percurso tranquilo e límpido, foi arrastada para um furacão de desavenças, inveja, tragédia e superação.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Passatempo: As Trevas de Baltar, de Henrique Anders

Boa noite comunidade literária!

Como prometido, trazemo-vos um novo passatempo, mesmo a tempo do Natal. Fomos contactadas pelo autor Henrique Anders que não poderia estar mais entusiasmado com a sua experiência enquanto autor publicado. E quis presentar um leitor ou uma leitora de fantasia ao oferecer um exemplar autografado de  "As Trevas de Baltar" para ofertarmos no blogue. Como tal, metam os dedinhos a mexer, que após preencherem o formulário estarão mais próximos de serem o felizardo ou felizarda.


Sinopse:

EMBARQUE NESTA AVENTURA E DESCUBRA UM MUNDO ONDE TER ESPERANÇA É O MAIOR PECADO E ESTAR VIVO A PIOR DAS MALDIÇÕES.
Os antigos doze Reinos há muito colapsaram e as terras eram agora regidas por um novo soberano que decidiu destruir tudo e todos. Movido por vingança e sede de sangue, Baltar rodeou-se de poderosas forças negras e construiu-se a si mesmo. Sem misericórdia, transformou a fé e a esperança em lamentos e descrença e mergulhou o mundo no mais opaco breu. Porém, os dias e as noites são cheios de segredos e até no meio da escuridão e da secura uma vida pode nascer. Os desígnios dos deuses são misteriosos e Dutsan nasceu com algo especial.

Para protegê-lo, a sua família foi obrigada a fugir e ele cresceu no meio dos Canimatas, uma raça conhecida por não gostar de humanos e a quem chamavam de os guardiões de dragões. O jovem Dutsan terá de enfrentar os seus medos e descobrir as suas próprias verdades. Na companhia dos seus amigos estranhos vai embarcar numa aventura que poderá mudar as suas vidas.


Voltaremos depois do Natal para vos trazer os resultados! As regras são as do costume:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 26 de dezembro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

Vencedor: Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo



Estavam a aguardar o resultado deste passatempo tão ansiosamente como nós? 

Depois do blogger nos tramar durante uns dias, finalmente conseguimos cinfirmar a nossa lista de seguidores e verificar se o random.org tinha acertado na mouche! Assim sendo, vamos tornar o Natal mais colorido no Lavradio. Parabéns Pedro Reis! Vai receber um exemplar autografado muito em breve.