terça-feira, 12 de junho de 2018

Os Altos e Baixos do Meu Coração, de Becky Albertalli




Os Altos e Baixos do Meu Coração
de Becky Albertalli
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
  


 

Sinopse: 
Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.
Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.
Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?
Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.


Rating: 4/5
Comentário: Becky Albertalli, quem me dera que tivesses escrito estes livros quando eu era adolescente. Porque acredita, teriam feito toda a diferença.
Estou a escrever-vos esta opinião com a companhia dos Florence and The Machine, aproveitem para os ouvir quando lerem este livro, porque é decididamente a sua banda sonora (vão descobrir porquê).
Li "Os Altos e Baixos do Meu Coração" num ápice, durante a tarde de hoje, porque precisava de uma leitura descontraída depois de umas semanas algo tumultuosas. Quando o acabei, fiquei cheia de vontade de partilhar convosco o porquê de não poderem perderem este livro (no caso de serem fãs de YA), e podem crer que me deito com o coração quentinho.
Julgo que nem a sinopse original nem esta fazem jus ao enredo. Porque sim, é sobre a Molly e sobre o seu coração palpitante; mas é muito mais do que isso. Porque todos os livros desta autora se debruçam essencialmente sobre uma necessidade primária de todos: a aceitação e a inclusão, seja ela resultante de que factor estiver em causa.
Não me vou debruçar sobre o conceito inclusivo, porque tal como a autora não lhe dá evidência (porque é uma coisa banal, é suposto ser uma coisa banal, estamos em pleno século XXI para os mais distraídos), também não o vou fazer. Um casal de mães, filhos por procriação assistida ou famílias judias e interraciais? São coisas que deveriam estar assentes nos nos alicerces societais. Por isso todos estes elementos são contextualizações para quem são a Cassie e a Molly, mas não os assuntos em destaque.
Então o que é que discute aqui? A aceitação. A auto-induzida e a vinda do mundo exterior, que muitas vezes é o principal factor a deixar-nos desconfortáveis na nossa pele, mesmo quando achamos que estamos bem e não precisamos de "arranjos".  A idade encarrega-se de nos ensinar estas coisas, mas a adolescência é um período especialmente difícil e todos os factores que nos fazem sentir desconectados, pertencentes a uma outra realidade, incapazes de assentar e fazer parte da maioria levam o ser humano mais confiante a colocar-se em causa.
Molly aborda muitas destas questões na forma como se sente: não descontente com o seu corpo, mas com o que os outros esperam dela por causa disso, não descontente com quem é, mas com medo que isso não chegue para não ser rejeitada pelos alvos do seu afecto, feliz pelo sucesso da irmã, mas incapaz de lidar com o seu pouco à-vontade nas situações onde ela é rainha (e na verdade não é, sendo tão frágil e sensível como a sua gémea), não descontente com os seus talentos, mas que lhe parecem tão banais ao pé de tantos jovens mais artísticos, destemidos, desenvolvidos e com objectivos claros.
Há vários assuntos que esta autora aborda, e que nunca vi abordados desta forma em nenhum livro YA que tenha lido até ao momento. Dou-vos como exemplo as dúvidas que podem assolar os adolescentes quando se vêem alvo de afecto, mas também inspirando-se no afecto que vêm no outro que não encaixa no dito padrão que a sociedade aceita. Para além do risco de abrir o coração e de ter a hipótese de o quebrar, se alguém escolhe como alvo de afecto "um falhado", um "elemento fora da caixa", o que é que isso diz de si? Serão também "falhados"?
Não se tratando de uma questão certa ou errada, o que a autora faz é relembrar-nos da fragilidade e exposição que a adolescência nos deixou/ deixa a todos e o quanto o mundo envolvente pode ser cruel (mesmo quando é bem intencionado) ao ditar-nos padrões aos quais não podemos ou não devemos escapar. E que para além disso, mesmo quando não queremos ou não somos os mais indicados para os seguir, nos perseguem precisamente por evidenciarmos a diferença.
E se existem jovens a ler este texto, vou deixar clara a mensagem da Becky: não há nada errado convosco. Se o mundo não vos aceita, o problema é dele, não vosso. Hão-de encontrar as pessoas certas que vos respeitem tal e qual já são, porque elas também já andam à vossa procura.
Não me revi nesta adolescente, mas sim em muitos dos seus pensamentos quando tinha a sua idade. É uma das características da Becky Albertalli: lembrar-nos que também um dia já fomos adolescentes (ou no caso dos leitores ainda o serem, de que há por aí outros iguais). Molly é intensa, e com um coração enorme, amada e capaz de reagir nos momentos indicados aos problemas que lhe assistem, mas também nervosa, insegura, ciumenta, engraçada, melhor amiga, irmã, filha, namorada. Mas é essencialmente a Molly.
Claro que não posso descurar ou passar em branco o romance. A autora sabe sempre tocar-nos no ponto fraco e trazer histórias ternurentas e cheias de palpitações, sonhos, agitação e desejo. Desejo que seja desta que a personagem tenha o seu final feliz, que dê tudo certo, que a vulnerabilidade dê recompensa. Que prevaleça a coragem, o amor, a amizade e o respeito mútuo. Que os adolescentes aprendam com bons exemplos. Que se revejam nos seus pares. E a Molly, no seu percurso lento, estudado, arriscado, e sempre sonhador, traz-nos todas as boas sensações sobre o que é estar apaixonado e ser-se correspondido, mesmo que o seu coração ande aos altos e baixos. Só me apetece relê-lo de novo. Como já disse ao início, deito-me de coração cheio.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O que fazemos com os seus dados?



Sim, calculamos que já deitem pelos olhos emails e notas informativas sobre a nova directiva europeia para a Protecção de Dados que entra e vigor amanhã. 

Apesar de geralmente não ser necessária nenhuma partilha de dados pessoais com o Encruzilhadas Literárias, acabamos por ter acesso a alguns dados pessoais quando provenientes de passatempos. Sendo assim, apesar de não termos uma Política de Privacidade formal, e porque queremos ser o mais transparentes possível com a parca informação que recolhemos, saibam que:

-Para efeitos de passatempo em formulário criado para o efeito, solicitamos apenas o nome completo, email e localidade.
-Aquando a selecção do vencedor/a, enviamos email a avisar a comunicar o resultado. Após confirmação do/a receptor/a, o formulário utilizado para o efeito é apagado. Não guardamos os seus dados pessoais para além do tempo estritamente necessário para apurar resultados.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados directamente pelo blogue - consta somente nos emails trocados com a quem se destinam os exemplares. Esses dados, embora expressos nos emails que guardamos para registo da nossa actividade, não são utilizados com qualquer outro propósito, nem partilhados com terceiros. A qualquer altura poderá solicitar que os apaguemos.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados pelas editoras - são reencaminhados pela gestão do blogue à pessoa responsável de contacto para que proceda ao envio. Cada editora, também sujeita à regulamentação GDPR apresenta na sua página uma secção dedicada à política de privacidade por eles exercida, a qual deve ser consultada directamente. Em qualquer momento, poderão solicitar que os dados em causa deixem de constar nas suas bases de dados, ou registo informático, devendo solicitar por escrito ao blogue a sua intenção, de forma a que a possamos comunicar directamente.

Qualquer dúvida ou esclarecimento necessário deverá ser remetido para o nosso contacto de email: encruzilhadas (@) gmail.com

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Porto Editora na Feira do Livro: Primeiras Novidades

 Os 20 anos do Nobel de Saramago, lançamentos de livros, atividades para toda a família e workshops são alguns dos destaques do espaço Autores Que Nos Unem


  
O Grupo Porto Editora volta a marcar presença em mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa que, este ano, decorre de 25 de maio a 13 de junho, no Parque Eduardo VII.

 A preparação decorre há vários meses e são muitos os autores convidados para este encontro anual com os leitores, sob o mote Autores Que Nos Unem . Lançamentos, sessões de autógrafos, atividades para crianças, tertúlias, showcookings , workshops e várias outras ações vão, tal como nas edições anteriores, levar milhares de leitores ao espaço Autores Que Nos Unem para conhecer os seus escritores portugueses e estrangeiros de eleição e celebrar o livro e a leitura.

 A programação será divulgada ao longo das próximas semanas através do site www.autoresquenosunem.pt , redes sociais e outros meios.

 Para celebrar os 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago , o espaço Autores que nos Unem vai ser palco de várias iniciativas e terá um pavilhão especial dedicado ao autor e à sua obra.

 Os leitores que visitarem o espaço Autores Que Nos Unem vão encontrar vários escritores portugueses, entre eles os que estão agora a lançar os seus livros mais recentes: Mário de Carvalho ( Burgueses somos nós todos ou ainda menos ), Richard Zimler ( Maria e Danilo e o Mágico Perdido ) e Jacinto Lucas Pires ( A gargalhada de Augusto Reis ) são alguns dos exemplos. Os visitantes vão também poder conhecer as novas obras e coleções da renovada Sextante Editora , que surgirá já este mês para uma nova década de bons livros. 

 No dia 4 de junho, o mestre espiritual brasileiro, Sri Prem Baba , estará na Feira para lançar Propósito e, a 13 de junho, será apresentada a obra António Variações: Entre Braga e Nova Iorque , assinada por Manuela Gonzaga .

Outras inicitivas:
  • Revisitação ao Caderno Diário da Memória com Mário Augusto (26 de maio e 2 de junho);
  • Sessão prática de Shinrin-Yoku (banhos de floresta), orientada por Alex Gesse, guia certificado da Shinrin Yoku Portugal (27 de maio);
  • Sérgio Godinho , José Riço Direitinho e Filipa Melo falam sobre Sexo na literatura , com destaque para as suas obras recentes dos autores (31 de maio);
  • Passeio noturno pela Lisboa desconhecida e insólita , guiado pelo autor, Anísio Franco (1 de junho);
  • O Poder dos seus gestos , workshop com a autora, Irina Golovanova (2 de junho);
  • Descãoplicar , ação pet friendly com o autor, Pedro Emanuel Paiva (10 de junho);
  • Evocação a Aquilino Ribeiro, com o lançamento de uma nova edição de Cinco Réis de Gente (10 de junho);
  • Sessões infantis com Luísa Ducla Soares (27 de maio e 2 de junho) e Álvaro Magalhães (3 de junho).

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Opinião: Reino de Feras, de Gin Phillips



Reino de Feras
de Gin Phillips

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 272
Editor: Suma de Letras Portugal
  


Sinopse: 
Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transforma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo – mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si – desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?

Rating: 3/5
Comentário: Este livro é daqueles que têm como função dividir águas e grupos, com muitas opiniões diversificadas, o que para um primeiro romance para adultos (a autora é maioritariamente conhecida pelos seus livros infantis) é o melhor chamariz possível.
Depois de ter tido a oportunidade de o discutir com leitoras bem mais rápidas do que eu, tive curiosidade de saber o que esta leitura faria por mim, mesmo sabendo de antemão um ou outro pormenor.
Como enuncia a sinopse, Joan encontra-se no Jardim Zoológico com o seu filho Lincoln, quando se depara com o inesperado e se vê obrigada a esconder-se para proteger a sua vida e a do seu filho.
Com a infeliz frequência com que se vão sucedendo casos de tiroteios e sequestro pelos Estados Unidos, Gin Phillips poderia dar-nos uma visão resultante de uma fórmula que continua a ser frequente mas ainda assim aterradora. No entanto, vai mais longe e enuncia-nos uma caçada inexplicável e incoerente, que me relembrou o massacre de Anders Behring Breivik na Noruega em 2001. As razões do mesmo não são muito exploradas para além de umas breves nuances em jeito de explicação, mas cumprem o propósito de denotar que existe uma multiplicidade na perversidade alheia, que não se termina nos casos mais conhecidos; até porque também o fanatismo tem várias tonalidades de cinzento.
O cenário seleccionado é precisamente alvo dessa intenção premeditada e através de alguns momentos onde a abordagem se direcciona para um dos atiradores, conseguimos ter acesso a essa alegoria.
De qualquer forma, precisamente por se tratar de um jardim zoológico, senti que faltavam duas coisas: a primeira passa pela criação de um desenho esquemático em género de planta do Zoo, porque nem sempre foi fácil construir uma imagem mental para as deslocações dos personagens. Do ponto de vista do próprio espaço, a narrativa é pautada por muitos silêncios. Embora seja explicado em parte o motivo dessa ausência de ruído, estando num lugar repleto de animais, seria de esperar que uma situação avessa causasse não só um enorme impacto nos bichos, como estes se tornassem também imprevisíveis e mais um elemento de perigo.
A abordagem narrativa leva-nos em várias direcções, ao termos como companhia não só Joan e o seu filho, como um dos assassinos e algumas personagens secundárias. Estes permitiram que fosse tendo acesso a outros elementos da acção, de forma a compor um cenário mais exigente do que as narrativas individuais transmitiam ao longo da leitura.
Por falar em ritmo narrativo, admito que para os habitué no mundo do thriller este romance possa não parecer muito dinâmico, já que são somente dois ou três elementos a pontuar os momentos de maior acção, que nunca chega a ser verdadeiramente vertiginosa. Ainda assim, a acção faz sentido, o contexto está explicado e existe capacidade de encaixe e curiosidade para perceber o desvendar do conflito.
Relativamente às personagens, nem Joan nem o filho são companhias fáceis de suportar, ele porque sendo criança tem necessidades constantes, ela porque nem sempre é a mais inteligente nas decisões que toma. Ainda assim, é o facto de passarmos o tempo maioritariamente com eles que evidencia o real ponto forte da narrativa: o poder do amor maternal e todas as vertiginosas correntes que ele acarreta. Talvez esse amor não se evidencie tanto pelas acções mas pelas considerações que a personagem vai fazendo sobre o seu papel enquanto mãe e o crescimento do filho, quase que numa lembrança constante de que aquele menino terá de sair vivo daquela situação porque tem muito por viver e desenvolver.                           
É aqui que surge a controvérsia, por duas ou três decisões tomadas pela personagem. Posso dizer-vos que todas pessoas que são mães com quem falei deste momento, torceram o nariz à credibilidade do enredo e questionaram se a autora seria mãe na vida real. Não tendo acesso a essa informação, e não sabendo portanto se é isso que nos divide, uma vez que não tenho filhos também, a verdade é que uma das acções de Joan, por muito que chocante ao início (e algo que eu julgo nunca ser capaz de fazer), acabou por fazer sentido: a verdade é que o acompanhamento do raciocínio dela tornou-a plausível, especialmente porque também a personagem não está em paz com o seu comportamento, e isso em parte"desculpa-a".
Quanto à representação do mal, a análise das motivações primordiais deste grupo é algo fugidia para permitir grandes considerações, mas o tipo de discurso do elemento com o qual temos contacto, levou-me a crer que talvez se tratasse de alguém com algum défice de aprendizagem, o que traria uma abordagem bastante interessante sobre o perigo de reunir vários elementos explosivos no mesmo cocktail (especialmente pela capacidade de manipulação e promoção da maldade por parte do mundo exterior) .
O desfecho não foi surpreendente, mas cumpriu o seu propósito na totalidade. Algumas pontas são deixadas soltas ou por resolver, o que no contexto de um livro não traz grande nível de satisfação para o leitor. Da minha parte, tendo estado maioritariamente no papel de Joan, porque esta é a companhia mais regular da narrativa, optei por considerar que o facto desta decorrer ao momento, fez com que a personagem tivesse exactamente as mesmas dúvidas, as quais só veria esclarecidas posteriormente ao último momento do livro.
No geral, não é de todo um romance de ritmo acelerado. Muitas das situações relatadas foram provocadas de forma algo incisiva somente para que se pudessem desencadear os elementos perfeitos de uma perseguição de risco, levando o leitor sempre a crer que na ausência de uma decisão pouco inteligente, talvez nenhuma das personagens como potenciais vítimas fosse ameaçada.
Ainda assim, o facto que os pormenores estarem lá (mesmo que mais ou menos explorados), da escrita ser fluente e estar estruturada de forma interessante, leva-me a crer que Gin Phillips poderá trabalhar melhor os seus pontos fracos e trazer-nos um thriller em cheio muito em breve. Li-o em dois dias e quis muito conhecer o desfecho desta história. Podendo não ser o que os fãs do género procuram, é uma boa porta de entrada para leigos e curiosos do thriller.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 31 de março de 2018

Opinião: Boneca de Trapos, de Daniel Cole



Boneca de Trapos
de Daniel Cole

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 472
Editor: Suma de Letras Portugal
  




Sinopse: 
O teu nome está na lista. Conseguirás salvar-te?

William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. se encontra com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar.

 

Rating: 4/5
Comentário: Todos sabem que a melhor parte dos policiais e dos thrillers é a tensão crescente e a necessidade de adivinhar o que é que vai acontecer a seguir. É por isso que os leio pouco, nunca aguento e fico maluca enquanto os leio. Adoro assistir séries e filmes do género, mas é certo que uma vez ou outra escondo a cara entre os dedos em antecipação. É uma tontice, mas que uma leitura impossibilita porque temos de ler todas as linhas para que o enredo faça sentido. Isso não me impede de gostar do género, e de tanto em tanto tempo seleccionar uma história para descobrir.
Daniel Cole trabalhou na produção de séries de acção e policial como 24 e como tal, é perito em reunir os ingredientes necessários para criar uma trama que prenda o leitor. Mas também sem esquecer que as personagens devem ser carismáticas e que algumas deverão ter o condão de nos pautar com muito momentos humorísticos, mesmo que de humor negro, como acontece neste livro.
Julgo que foi fácil para o autor reunir todos estes ingredientes, porque de facto dei por mim por diversas vezes a visualizar a acção como num episódio televisivo.
Daniel Cole fornece-nos uma personagem principal com os seus próprios mistérios, várias personagens secundárias com protagonismo e histórias individuais (o que num enredo de um policial nem sempre é fácil de surgir, assim como de manter o equilíbrio) fornecidas em pequenos pormenores que abrem o apetite para saber mais, e um criminoso que parece sempre estar à frente do departamento da polícia e do leitor.
Os crimes são desenhados com mestria e surpresa e não dão indícios ao leitor de que os mesmos irão acontecer e no formato em causa. Por outro lado, um ponto alto deste livro para mim passa pela descrição dos crimes e dos actos do criminoso. São claros, bem distintos, mas sem excesso de pormenores e imagens gráficas, as quais eu dispenso de sobremaneira.
É bastante claro, desde início, que existe uma relação entre o momento inicial narrado e o caso que está a ser discutido posteriormente e que dá nome ao livro, e este quebra-cabeças acompanha o leitor e fá-lo tentar descortinar pistas ao longo de cada momento da narrativa.
Adorei a interacção das personagens, as piadas sarcásticas, a acção interrupta e o estilo corriqueiro que fizeram as páginas voar a um ritmo acelerado.
O desfecho é completamente inesperado e alguns pontos causaram estranheza, que se explica por este ser o primeiro livro de uma série, com elementos a serem explorados em próximos volumes.
No total, destaco principalmente esta equipa de polícias que para mim foi o ponto forte da narrativa, mais até do que o crime em causa, e cuja estrutura se assemelha mesmo à das séries televisivas.
Vou estar atenta aos próximos livros e desafios de Wolf, até porque gostaria de saber qual o ponto de partida de um próximo volume atendendo ao desfecho de "Boneca de Trapos".

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.