quarta-feira, 22 de maio de 2019

Review: I am Thunder, by Muhammad Khan


I am Thunder
by Muhammad Khan

Edition: 2018
Pages: 306 
Publisher: Macmillan Children's Books





Summary:
Fifteen-year-old Muzna Saleem, who dreams of being a writer, struggles with controlling parents who only care about her studying to be a doctor. Forced to move to a new school in South London after her best friend is shamed in a scandal, Muzna realizes that the bullies will follow her wherever she goes. But deciding to stand and face them instead of fighting her instinct to disappear is harder than it looks when there's prejudice everywhere you turn. Until the gorgeous and confident Arif shows an interest in her, encouraging Muzna to explore her freedom.

But Arif is hiding his own secrets and, along with his brother Jameel, he begins to influence Muzna with their extreme view of the world. As her new freedom starts to disappear, Muzna is forced to question everything around her and make a terrible choice - keep quiet and betray herself, or speak out and betray her heart?

A stunning new YA voice which questions how far you'll go to protect what you believe in.

Rating: 4/5

Review: 
I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

It's not easy to find me reading an YA book nowadays, but even I can't resist to a good premiss and surprise. 
Muhammad Khan is a Maths teacher in UK and he have decided to write "Thunder" following his own perceptions of what is happening around him and in conscience of how is important to discuss sensible matters in our society, because ignorance is the real danger.
I'm most interested to know how this book will behave on selling, but specially how it will be perceived by critics and youngsters, teachers and social workers.
It's even more easy today to get caught on the trap of making labels to everybody and in any kind of situation. The problem is when we can't perceive anything behind that frontpage and consider everybody who belongs to a community (social, religious, cultural or political one) the very same person.

In Thunter, Muhammad Khan show us how easy can be to young people be influenced by their surroundings, with all that costs. It means a young girl can start behaving differently due to being in love, a guy can obbey blindly a family member, since he is his major support; or even, a teenager can simply change ideias sharing thoughts and discussions with their friends.

All extremist and radicalisms are dangereous and should be identified and avoided as soon as possible. The obstacle starts when the changing is so suble that when visible, it's already too late.

The authors made his characters face huge moral challenges and had them discuss subjects that real matter to how present society, since unployed poor masses to religious rituals (or the absence of them as non mandatory to be a spiritual person).

Khan created a chess card, where everybody moves very fast and more than often, in the shadows. Muzna definietly has her own voice - even when clouded - and her definition as main character brought the reader the opportunity to accompany her journey to freedom. Or towards the thunder.






Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Opinião: A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta, de Gabri Ródenas



A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta

de Gabri Ródenas

 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 136
Editor: Editorial Presença





Sinopse: Doña Maru tem noventa anos e uma vida pacata em Oaxaca, México. Percorre diariamente de bicicleta uma longa distância para levar doces, alegria e o seu sorriso às crianças do orfanato. Criada, ela própria, num orfanato, no Chile, de onde fugiu com treze anos, sabe bem o que é estar só no mundo. A vida não foi fácil para ela, mas a velha senhora sempre manteve o caráter rebelde e ouviu os murmúrios do seu coração.
Quando descobre que tem um neto, em Veracruz, decide partir a galope no cavalo de vento? A sua velha bicicleta? Em busca do rapaz numa viagem reveladora do poder dos sonhos.
Com esta fábula cheia de magia, humor e espírito positivo, Gabri Ródenas convida-nos a abrir a caixa dos tesouros que a vida nos oferece - a esquecer o que nos entristece ou o que nos aborrece para abraçarmos uma existência mais emocionante, mesmo que de início isso nos possa parecer desconcertante e insólito. É um convite para vermos a realidade tal como a víamos nos longos verões da nossa juventude, em que tudo resplandecia e o mundo se revelava pleno de aventuras e oportunidades.

Rating: 2/5
Comentário: Os que nos acompanham sabem que livros de auto-ajuda ou ficção com o mesmo intuito não tendem a ter espaço cá em casa. Na verdade, não passam de todo pelas minhas prateleiras. Mas quis ler "A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta" em lembrança um livro que li em adolescente (não me lembro qual ou qual o autor), que recordava através de fábulas ficcionais alguns valores morais a reter.
E este livro é precisamente uma pequena fábula, dotada de um certo surrealismo mágico e ternura, na quimera de uma avó que procura um neto desconhecido, para compensar os laços familiares perdidos com um filho problemático.
Os clichês são abundantes, as predominâncias deterministas do destino constantes, e as ligações do acaso com a certeza dominante de um percurso certo que poderia soar absurdo também.
No entanto, esta leitura acabou por não resultar para mim por dois motivos. O primeiro prende-se com a própria personagem, que tida como avozinha sábia se torna irritante, pelas constantes "lições de vida", especialmente para uma pessoa com uma vida pessoal tão mal resolvida (e que reconta a sua história mas não reflecte muito sobre ela). O outro motivo prende-se com o tom da escrita, bacoco e paternalista, que implementa forçosamente uma série de ditos e pensamentos do senso comum - mas que até poderiam ser relembrados sem causar mossa, não fosse o facto que serem inseridos continuadamente e em todas as páginas, e de uma forma pouco natural. Neste caso, em vez de serem as lições que se pretendem enunciar ao arrepio da narrativa, é a narrativa que segue em segundo plano perante as lições de moral constantes, o que acaba por desvirtuar a história que poderia ser inspiradora e se torna somente maçuda. As coincidências constantes acabam por tapar as incongruências narrativas, e até o mote principal da fábula, que é ensinar e colocar a reflectir através do entretenimento, acaba por sair defraudado pela forma como é conduzido.
Tenho pena, porque a premissa que surge como aliciante no início se perde no conjunto. No entanto, é um livro que poderá surpreender os leitores menos habituados a reflectir sobre si e sobre o mundo envolvente, e sobre qual o seu papel no meio desta trama vivencial.
 



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 30 de abril de 2019

Opinião: Porque Dormimos?, de Matthew Walker



Porque dormimos?

de Matthew Walker

 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 416
Editor: Desassossego





Sinopse: O que nos diz a ciência sobre o sono e os sonhos.
Sabia que dormir pode salvar a sua vida?
O sono é um dos aspetos mais importantes da nossa vida, mas também um dos mais incompreendidos. Questões tão essenciais como por que razão dormimos ou por que motivo as consequências para a saúde são tão devastadoras quando não dormimos só recentemente foram compreendidas.
Apresentando descobertas científicas revolucionárias e sintetizando décadas de investigação e prática clínica, Matthew Walker, um dos maiores especialistas mundiais sobre o sono, demonstra-nos que o sono está na base de tudo o que somos física e psicologicamente:

* Melhora a nossa capacidade para aprender, memorizar e tomar decisões lógicas
* Harmoniza as emoções
* Recarrega o sistema imunitário
* Regula o metabolismo e o apetite
* Cria espaço no cérebro para a criatividade
* Melhora o humor e os níveis de energia
* Previne o cancro, a doença de Alzheimer e a diabetes
* Abranda os efeitos do envelhecimento e aumenta a longevidade

Fascinante e acessível, Porque dormimos? é um livro fundamental, esclarecedor e extremamente acessível para nos compreendermos melhor à luz da ciência mais avançada.

Rating: 4/5
Comentário: Sendo uma das milhentas pessoas pelo mundo fora que trata os problemas de sono por tu, Matthew Walker não poderia ter falado mais comigo. De facto, o autor apresenta-nos uma compilação suscinta, mas bastante completa, sobre todo o fantástico processo que é dormir.
Quem já não terá pensado um dia na quantidade de horas que passará a dormir ao longo de uma vida, e do quão esse montante de minutos e segundos se assemelha a uma perda de tempo. A verdade é que, e tal como a sinopse já enuncia, dormir é muito mais do que estar deitado em relaxamento. É dar a oportunidade do nosso organismo se regenerar e trazer uma dose de saúde física e psicológica elementar para o nosso bem-estar, não só a curto mas principalmente a longo prazo.
 O autor organizou o livro de uma forma muito sapiente. Estruturado por temáticas, é possível enveredar pela leitura numa descoberta do que é o sono e o acto de dormir, no verdadeiro sentido da palavra. Posteriormente, sobrepõe-se a necessidade de analisar os benefícios de dormir (assim como vários métodos adoptados na actualidade para colmatar falhas nos ciclos de sono) e finalmente, disserta-nos uma explanação que trata o sonho como objecto, desde a necessidade reparadora à criatividade do mundo onírico.
Com um discurso simples, adequado, e reflector da temática em análise, o autor valida a sua informação com recurso a gráficos/esquemas e fontes bibliográficas, reforçando o valor do seu discurso, segundo um formato que revela tratar-se de um livro com o intuito efectivo de esclarecer e não somente de entreter/informar casualmente o leitor.
Com recurso a noções de biologia, várias referências e a metáforas que facilitam o visionamento do leitor, Walker conseguiu trazer um livro completo e completamente esclarecedor, intuitivo e com a profundidade adequada para que leigos na matéria tenham uma leitura instrutiva acompanhada de uma vertente lúdica.
Debrucei-me especialmente sobre os capítulos que relatam a importância do sono e a análise do processo de sonhar. Para além de interessantes e esclarecedores, foram muitíssimo instrutivos e sinto que aprendi imenso. Recomendo especialmente a leitura destas secções e, naturalmente, do livro no seu todo.

Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 23 de março de 2019

Opinião: Sono, de Haruki Murakami



Sono

de Haruki Murakami

 
Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 96
Editor: Casa das Letras




Sinopse: «Há dezassete dias que não durmo.» Assim tem início a história que Haruki Murakami imaginou e escreveu sobre uma mulher que, certo dia, deixou de conseguir dormir. Pela calada da noite, enquanto o marido e o filho dormem o sono dos justos, ela começa uma segunda vida. E, de um momento para o outro, as noites tornam-se de longe mais interessantes do que os dias... mas também, escusado será dizer, mais perigosas.

Rating: 4/5
Comentário: O idílico de um período de sono satisfatório é um dos celeumas da sociedade moderna. Ou não existissem clínicas especializadas em ensino e tratamento do sono. Haruki Murakami soube pegar  na questão e criar uma novela alegórica e surrealista que valida a dormência causada pelo quotidiano e a desconexão ao mundo real, enquanto simultaneamente joga com o mistério da noite para consolidar a narrativa.
Partindo das maleitas de uma noite mal resolvida, de um pesadelo que nada mais é do que um grito de ajuda para a superação da inoperância do dia-a-dia, "Sono" é uma canção escrita às sombras do que somos e do que poderíamos ser. É também uma vontade de valorizar o que nos é mais importante, especialmente a essência única que nos compõe e que fica perdida entre as responsabilidades e constantes papéis que devemos assumir. Esquecendo o mais importante, que é a nossa identidade.
É também uma chamada de atenção para o que temos diante de nós e que acaba por passar despercebido. Pela necessidade de realmente olhar para as pessoas que temos defronte de nós e vê-las por inteiro. E eliminar distracções que inibam o reconhecimento da presença do outro.
Simultaneamente, apresenta um lado mais pragmático ligado precisamente aos aspectos físicos e biológicos da privação de sono. Que acabam precisamente por ter um papel de extrema importância para o desfecho da narrativa.
Todas as realizações são acompanhadas de ilustrações lindíssimas, que só por si contam uma história própria, e cujas nuances e fluidez reforçam e fazem crer que a vida é movimento e continuidade, seja em formato for.


Se estiverem interessados, o livro está hoje em promoção na Leya com 30% de desconto. Aqui fica o link.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Opinião: A Última Ceia, de Nuno Nepomuceno


 
A Última Ceia
Nuno Nepomuceno
 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 360
Editor: Cultura Editora






Sinopse: Uma nota enigmática é encontrada junto a lascas de tinta e tela, e à moldura vazia de um quadro famoso. O ladrão deixou um recado. Promete repetir a façanha dentro de um ano. De visita à igreja de Santa Maria delle Grazie em Milão, uma jovem mulher apaixona-se por um carismático milionário. Mas quando alguns meses depois é abordada por um antigo professor, Sofia é colocada inesperadamente perante um dilema. Deverá denunciar o homem com quem vai casar-se, ou permitir tornar-se cúmplice deste ladrão de arte irresistível?

Enquanto a intimidade entre o casal aumenta, um jogo de morte, do gato e do rato, começa. E aquilo que ao início aparentava ser um conto de fadas, transforma-se rapidamente num pesadelo, enquanto um plano ousado e meticuloso é urdido para roubar a obra-prima de Leonardo da Vinci. Requintado, intimista, inspirado em acontecimentos verídicos, A Última Ceia transporta-nos até ao elitista mundo da arte. Passado entre Londres e Milão, habitado por uma coleção extraordinária de personagens, para as quais a ambição e fama sobrepõem-se a qualquer outro valor, este é um thriller sofisticado de leitura compulsiva. Uma viagem surpreendente ao centro de uma teia de intrigas, romances e traições.

Rating: 3/5
Comentário: É verdade, mais um livro do Nuno Nepomuceno a ser lido no Encruzilhadas Literárias. Acompanhar a carreira de um escritor é sempre interessante. Somos espectadores privilegiados do seu percurso e evolução, mas também detectamos quando os mesmos necessitavam de espaço para maturar um livro com maior cuidado, especialmente por já lhe conhecermos o estilo e a prosa. "A Última Ceia" é um dos livros que se encaixa na última categoria.
A sinopse denota que a trama tem tudo para dar certo. Obras de arte, criminosos, mistérios e vários actores, todos com propósitos e ambições diferentes.
Passando além fronteiras e reforçando os mecanismos do subterfúgio, "A Última Ceia" vai-nos transmitindo várias pistas que vão sendo desvendadas rapidamente, mas que ainda assim prendem o leitor à trama.
Por outro lado, a complementaridade do universo do Afonso Catalão surge algo forçada e desnecessária. Este livro sobrevivia sem esse elemento, vivendo como livro independente. Até porque os pontos de conexão que foram fornecidos sobre ele e a sua família poderiam ter sido mais explorados e eram bastante interessantes. Mereciam brilhar, num outro livro que não este.
As personagens deste enredo foram bem delineadas, precisando de ser consolidadas e ganhar maior dimensão. Para isso, contribuiria a eliminação de certos elementos descritivos que nada acrescentam à narrativa e ocupam espaço que poderia ser preenchido pelo desenvolvimento e esclarecimento de várias questões que surgem repentinas, pouco exploradas, desconectas do restante enredo e que são resolvidas sumariamente pela não resolução.
Senti o fim como algo apressado, especialmente pelo desaparecimento repentino de algumas personagens, de uma forma que não me fez muito sentido.
Por outro lado, e como o autor já nos vem habituando, o livro revela estudo (especialmente o de campo, o de análise directa), que atribui uma singularidade de posse à narrativa e nos transmite para o plano da deslocação in loco. Do ponto de vista do conhecimento em geral, aprendo sempre algo novo nos livros do Nuno, e este caso não foi excepção. Com uma forma leve, mas completa, o enredo tem sempre o reforço de um enquadramento, seja histórico ou conceptual, que valida a narrativa. Foi das partes mais interessantes do livro, para mim. E julgo que, apesar de encadeada por questões e factos acessórios, conseguiu brilhar e validar o título que dá nome a esta narrativa.
Não há como detalhar mais esta experiência de leitura sem revelar o enredo. Tratando-se de um thriller, é tudo o que menos se quer. Deste modo, fica o desejo de que este livro seja um dia reeditado, com outra abordagem, porque uma maturação mais lenta vai trazer ao de cima o sumo que pontifica uma narrativa ágil, intrincada e com diversas surpresas.




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.