sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Opinião: Prisioneiros da Geografia, Tim Marshall




Prisioneiros da Geografia

de Tim Marshall

 Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 256
Editor: Desassossego






Sinopse:
Dez Mapas que lhe Revelam Tudo o que Precisa de Saber sobre Política Internacional

Todos os líderes mundiais enfrentam limitações geográficas. As suas decisões são condicionadas por montanhas, rios, mares e betão. Para compreender o que abala o mundo, é necessário possuir conhecimento das ideias, movimentos e povos – mas sem um conhecimento sólido de geografia, nunca conseguiremos abarcar a totalidade dos eventos.

Se alguma vez se questionou sobre a razão de Putin ter uma obsessão pela Crimeia, de a paz parecer impossível no Médio Oriente, de os EUA entrarem em tantos conflitos armados ou de o poder da China continuar a crescer em todo o mundo, irá encontrar essas e muitas outras respostas neste livro.

Em dez capítulos que cobrem Rússia, China, EUA, América Latina, Médio Oriente, África, Índia e Paquistão, Europa, Japão, Coreias e o Ártico, o autor faz uso de mapas, ensaios e da sua longa experiência de viagens pelo globo para oferecer uma perspetiva do passado, presente e futuro, ajudando-nos a descobrir como a geografia é um fator tão determinante para a história do mundo.

Rating: 4/5
Comentário:  Para quem é Geógrafa de formação, é impossível ignorar as façanhas da geopolítica à luz dos constrangimentos físicos do território. E por mais que estas sejam múltiplas e díspares, Tim Marshall revela com brio as que mais condicionam o Mundo na actualidade, numa análise de 10 mapas que explicam muitas das tomadas de decisão e reviravoltas que nos chegam pelas notícias diariamente.
Passando pela Rússia, Estados Unidos, China, América Latina. Europa Ocidental, Médio Oriente, Árctico, Índia e Paquistão, Japão e Coreia e África, e através de uma linguagem acessível, o autor evidencia as principais tensões (fronteiriças, ideológicas, económicas e de segurança), a maior parte baseada não só na disposição natural dos territórios e as consequentes barreiras à sustentabilidade e desenvolvimento económico, mas também pela riqueza e pobreza dos solos (e o quanto estas condicionam as relações diplomáticas e as decisões de defesa e relações externas ao longo do globo).
A principal valência da abordagem do autor passa pela evidência de que, embora num mundo que caminha ou procura caminhar para uma resolução não armada dos seus conflitos, não desiste de concessionar um plano B, revestindo-se de frotas, novas relações diplomáticas, pretensões sobre zonas-chave que possam fragilizar os seus territórios e uma eminente preparação para a Guerra que poderá não vir, desde que cada um faça a sua parte e não antagonize o outro em demasia.
Recorrendo sempre a mapas que demonstram com maior pormenor áreas determinantes para a explanação de cada capítulo, Tim Marshall demonstra as evidentes fragilidades de um território (ou de muitos) que se vêem bloqueados por um sistema de status quo, que os favorece em detrimento dos conflitos bélicos, mas que não resolve parte das suas contendas.
Embora não faça todo um enquadramento histórico, o autor evidencia para cada caso as acções de causa-efeito, muitas delas de pendência factual histórica, que trazem para a ribalta tensões e rivalidades territoriais, assentes e decisões tomadas pelas gerações antepassadas. Há uma constante demonstração do frágil equilíbrio sobre o qual subsiste a delineação das nações no Mapa-Mundi, tal como o conhecemos, e que assim se mantém à custa de uma enorme intervenção (seja esta justificada ou não) pelas potências de maior domínio  e do receio de que a continuidade de uma refutação intensa sobre a delimitação de uma barreira apenas a destrua, dando azo a consequências muito piores. 
É uma chamada de atenção contínua para um mundo que para os comuns mortais surge adormecido, mas que condiciona a vida dos cidadãos em pleno. O que Tim Marshall nos traz é uma análise objectiva dos porquês, com algumas sugestões e orientações que possam justificar as decisões tidas como incompreensíveis para o cidadão comum, alertando que as fronteiras poderão estar mais diluídas com o tempo, mas que certos conflitos e pretensões territoriais não desapareceram e continuam bem vigentes.
E é também uma lembrança, dura, mas representativa da intervenção de um povo ocidental à escala global, que não soube olhar para a geografia, para a etnografia da Terra, decidindo com regra e esquadro fronteiras artificiais que são hoje resultado de uma lotaria de sorte ou azar, mas quase sempre, causadoras de conflitos de maior ordem e da precariedade de nações que só o são somente de nome. 


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Opinião: O Homem Mais Rico do Mundo, As Muitas Vidas de Calouste Gulbenkian, de Jonathan Conlin




O Homem Mais Rico do Mundo, As Muitas Vidas de Calouste Gulbenkian

de Jonathan Conlin

 Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 496
Editor: Objectiva






Sinopse:
Calouste Sarkis Gulbenkian morreu em Lisboa em 1955, aos 86 anos. Era, então, o homem mais rico do mundo.
Conhecido como «o senhor cinco porcento» pela sua participação na primeira companhia petrolífera a extrair petróleo no Irão, a sua vida privada é tão elusiva e bizantina quanto a sua forma de negociar. As mulheres de que se fazia acompanhar, os negócios com Estaline, a forma como usava a sua mulher, a encantadora Nevarte, para aprofundar relacionamentos e alianças, a sua paixão por arte.
Em Portugal e no mundo, o seu nome estará sempre associado ao mecenato e à maior e mais importante colecção privada de arte do país, exposta na Fundação Gulbenkian. Mas a fortuna que acumulou ao longo da sua vida tinha origem nos negócios do petróleo e acordos de alto nível que mediou entre governos e barões da indústria.

Jonathan Conlin enfrenta, neste livro, o caráter quase mítico de Calouste Gulbenkian, escrutinando a vida e os negócios de um dos homens mais influentes do seu tempo. Escrita com total acesso aos arquivos da Fundação Gulbenkian, esta é a biografia de um homem complexo no aniversário dos 150 anos do seu nascimento.

Rating: 4/5
Comentário: Alguém já foi ver a exposição sobre Calouste Gulbenkian à Fundação? Do lado de cá, decidi aguardar até escrever  opinião deste livro. Talvez por desconhecimento, as assunções que sempre tive por esta personalidade ,passavam pela arte e pelo conhecimento (e assim se vê o quão arreigado está o trabalho desenvolvido pela Fundação).
Foi por isso uma surpresa enveredar pela vida deste homem, de muitas vidas e mil caras, de trato suis generis, e uma forma muito arreigada de se mover pelo Mundo.

O trabalho desenvolvido pelo biógrafo explana a dificuldade que teve para recriar a vida deste homem nas várias esferas que o assistem. De facto, e pela reserva e individualidade como tratou da sua vida privada, há poucos registos escritos sobre o lado familiar. Registar todas as facetas de um homem neste livro revelou-se um desafio hercúleo para Jonathan Conlin o que justifica que por vezes as secções descritas com maior detalhe e nuance no livro sejam precisamente a de carácter profissional, que estarão devidamente documentadas. Embora tenha começado a leitura precisamente pelo interesse na composição de Gulbenkian enquanto homem, passei a apreciar e a interessar-me na dinâmica dos negócios por ele levados a cabo, precisamente por se tratar de uma esfera totalmente desconhecida para mim.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 25 de junho de 2019

Opinião: Magalhães, Gianluca Barbera



Magalhães

de

 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 240
Editor: Editorial Presença





Sinopse: Ano de 1519. Cinco carracas zarpam de Sevilha sob o comando de Fernão de Magalhães. A viagem durará três anos. Fernão de Magalhães confrontar-se-á com motins, tempestades, o gelo polar, doenças e contendas com tribos ferozes, na procura de uma passagem que, através da América do Sul, o conduza ao Oriente, em direção ao destino final: as fabulosas Ilhas das Especiarias. Os acontecimentos, porém, tomaram um rumo imprevisto.

Este romance é o relato da primeira viagem de circum-navegação da Terra, narrado pela voz de Juan Sebastián del Cano, um dos poucos homens que regressaram à pátria a bordo do único veleiro que se salvou. Sebastián del Cano irá atribuir a si próprio o mérito da empresa, manchando a memória de Fernão de Magalhães, que foi morto na desconhecida ilha de Mactan (no atual arquipélago das Filipinas) em circunstâncias dramáticas.

Magalhães é uma viagem não só real mas também da alma, descrita numa linguagem que parece tornar-se mais ancestral à medida que o relato da expedição prossegue rumo a terras cada vez mais ignotas e selvagens.

Rating: 3/5
Comentário: Magalhães é o homem do momento, ou da polémica do momento, se assim o quiserem designar. É também um dos grandes empreendedores do seu tempo, e um visionário para além dos interesses dos países. Ainda assim, a vontade de levar em diante a grandeza dos portugueses ficou ofuscada por um rei que lhe negou a dignidade requerida a um homem das descobertas que traria o país mais uma vez para a vanguarda das oportunidades económicas. Apesar de tudo, é também um homem de mistério, cuja glória hoje assinala se perdeu nos anais do tempo, dado que  o navegador faleceu durante a empreitada.
Pegando nos elementos históricos conhecidos, Gianluca Barbera tenta recriar o que poderá ter sido esta viagem de circum-navegação do globo, narrada na primeira pessoa, mas não pela voz de Fernão Magalhães.
Independentemente de se encarar o processo como descobrimentos ou redescoberta, navegação ou aventura, a passagem deste grupo de espanhóis liderados por portugueses deixou marcas no território, ou não fossem os Patagões assim designados desde a passagem da armada pelo território.
Em determinadas partes do Mundo, Magalhães tem mais evidência e reconhecimento do que em qualquer parte de Portugal e Espanha, e numa região que hoje em dia me escapa, pensaram até criar um museu em honra desta viagem, no local onde um dos seus navios afundou.
Explorando essa dinâmica, era expectável que Gianluca nos desse em parte esse sentido de pertença e aventura de um facto histórico conhecido mas cuja realização empática ainda estava aquém.
Não negando o processo de investigação realizado, o qual está patente nas primeiras páginas do livro (em que as descrições são precisas, completas e bastante elucidativas), falta-lhe um equilíbrio no segmento da narração da viagem, onde não só se repetem os momentos e passagens, como em última instância, também o carácter distinto que delimita esta viagem das restantes.
Há uma representação do que seria a vida a bordo, assim como a definição das várias dificuldades remetentes ao processo de ser um portugueses a comandar uma armada espanhola, fiel à coroa mas não a este homem, cujo feito irascível também não facilitava o ganho do respeito dos seus homens.
Julgo não estar enganada, mas é premente que a secção da viagem propriamente dita, salvo raros apontamentos biográficos sobre Magalhães, é composta totalmente por ficção. Ficção essa que acaba por se tornar aquém do esperado, e criando um certo desequilibro narrativo.
Ainda assim, retirei proveito desta leitura porque esses apontamentos biográficos foram um ganho e mais valia para o pouco que conhecia sobre Fernão de Magalhães e o processo da viagem, ou sobre o facto do navegador não viver tempo suficiente para configurar o sucesso da empreitada.
Acaba por ser essencialmente um livro de entretenimento puro, tendo por base o enfoque semelhante ao das biografias, já que no imediato a ficção não é dotada de muitas intervenções ou momentos de acção que justifiquem a sua existência delimitada.
A conjugação entre o mundo da ficção e dos dados biográficos é gerida por Gianluca com alguma ginástica, através da qual o autor tenta atenuar dicotomias e fragilidades de cada dimensão.
Acabou por ser, naturalmente, um livro de aprendizagem, mesmo que esse não seja o seu intuito principal. 

 



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 22 de maio de 2019

Review: I am Thunder, by Muhammad Khan


I am Thunder
by Muhammad Khan

Edition: 2018
Pages: 306 
Publisher: Macmillan Children's Books





Summary:
Fifteen-year-old Muzna Saleem, who dreams of being a writer, struggles with controlling parents who only care about her studying to be a doctor. Forced to move to a new school in South London after her best friend is shamed in a scandal, Muzna realizes that the bullies will follow her wherever she goes. But deciding to stand and face them instead of fighting her instinct to disappear is harder than it looks when there's prejudice everywhere you turn. Until the gorgeous and confident Arif shows an interest in her, encouraging Muzna to explore her freedom.

But Arif is hiding his own secrets and, along with his brother Jameel, he begins to influence Muzna with their extreme view of the world. As her new freedom starts to disappear, Muzna is forced to question everything around her and make a terrible choice - keep quiet and betray herself, or speak out and betray her heart?

A stunning new YA voice which questions how far you'll go to protect what you believe in.

Rating: 4/5

Review: 
I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

It's not easy to find me reading an YA book nowadays, but even I can't resist to a good premiss and surprise. 
Muhammad Khan is a Maths teacher in UK and he have decided to write "Thunder" following his own perceptions of what is happening around him and in conscience of how is important to discuss sensible matters in our society, because ignorance is the real danger.
I'm most interested to know how this book will behave on selling, but specially how it will be perceived by critics and youngsters, teachers and social workers.
It's even more easy today to get caught on the trap of making labels to everybody and in any kind of situation. The problem is when we can't perceive anything behind that frontpage and consider everybody who belongs to a community (social, religious, cultural or political one) the very same person.

In Thunter, Muhammad Khan show us how easy can be to young people be influenced by their surroundings, with all that costs. It means a young girl can start behaving differently due to being in love, a guy can obbey blindly a family member, since he is his major support; or even, a teenager can simply change ideias sharing thoughts and discussions with their friends.

All extremist and radicalisms are dangereous and should be identified and avoided as soon as possible. The obstacle starts when the changing is so suble that when visible, it's already too late.

The authors made his characters face huge moral challenges and had them discuss subjects that real matter to how present society, since unployed poor masses to religious rituals (or the absence of them as non mandatory to be a spiritual person).

Khan created a chess card, where everybody moves very fast and more than often, in the shadows. Muzna definietly has her own voice - even when clouded - and her definition as main character brought the reader the opportunity to accompany her journey to freedom. Or towards the thunder.






Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Opinião: A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta, de Gabri Ródenas



A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta

de Gabri Ródenas

 
Edição/reimpressão: 2019
Páginas: 136
Editor: Editorial Presença





Sinopse: Doña Maru tem noventa anos e uma vida pacata em Oaxaca, México. Percorre diariamente de bicicleta uma longa distância para levar doces, alegria e o seu sorriso às crianças do orfanato. Criada, ela própria, num orfanato, no Chile, de onde fugiu com treze anos, sabe bem o que é estar só no mundo. A vida não foi fácil para ela, mas a velha senhora sempre manteve o caráter rebelde e ouviu os murmúrios do seu coração.
Quando descobre que tem um neto, em Veracruz, decide partir a galope no cavalo de vento? A sua velha bicicleta? Em busca do rapaz numa viagem reveladora do poder dos sonhos.
Com esta fábula cheia de magia, humor e espírito positivo, Gabri Ródenas convida-nos a abrir a caixa dos tesouros que a vida nos oferece - a esquecer o que nos entristece ou o que nos aborrece para abraçarmos uma existência mais emocionante, mesmo que de início isso nos possa parecer desconcertante e insólito. É um convite para vermos a realidade tal como a víamos nos longos verões da nossa juventude, em que tudo resplandecia e o mundo se revelava pleno de aventuras e oportunidades.

Rating: 2/5
Comentário: Os que nos acompanham sabem que livros de auto-ajuda ou ficção com o mesmo intuito não tendem a ter espaço cá em casa. Na verdade, não passam de todo pelas minhas prateleiras. Mas quis ler "A Avó que Percorreu o Mundo de Bicicleta" em lembrança um livro que li em adolescente (não me lembro qual ou qual o autor), que recordava através de fábulas ficcionais alguns valores morais a reter.
E este livro é precisamente uma pequena fábula, dotada de um certo surrealismo mágico e ternura, na quimera de uma avó que procura um neto desconhecido, para compensar os laços familiares perdidos com um filho problemático.
Os clichês são abundantes, as predominâncias deterministas do destino constantes, e as ligações do acaso com a certeza dominante de um percurso certo que poderia soar absurdo também.
No entanto, esta leitura acabou por não resultar para mim por dois motivos. O primeiro prende-se com a própria personagem, que tida como avozinha sábia se torna irritante, pelas constantes "lições de vida", especialmente para uma pessoa com uma vida pessoal tão mal resolvida (e que reconta a sua história mas não reflecte muito sobre ela). O outro motivo prende-se com o tom da escrita, bacoco e paternalista, que implementa forçosamente uma série de ditos e pensamentos do senso comum - mas que até poderiam ser relembrados sem causar mossa, não fosse o facto que serem inseridos continuadamente e em todas as páginas, e de uma forma pouco natural. Neste caso, em vez de serem as lições que se pretendem enunciar ao arrepio da narrativa, é a narrativa que segue em segundo plano perante as lições de moral constantes, o que acaba por desvirtuar a história que poderia ser inspiradora e se torna somente maçuda. As coincidências constantes acabam por tapar as incongruências narrativas, e até o mote principal da fábula, que é ensinar e colocar a reflectir através do entretenimento, acaba por sair defraudado pela forma como é conduzido.
Tenho pena, porque a premissa que surge como aliciante no início se perde no conjunto. No entanto, é um livro que poderá surpreender os leitores menos habituados a reflectir sobre si e sobre o mundo envolvente, e sobre qual o seu papel no meio desta trama vivencial.
 



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.