segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Sorrisos de Bombaim, de Jaume Sanllorente

 



Edição/reimpressão: 2010 
Páginas: 168
Editor: Sextante Editora,Lda
 
 
"Depois de conhecer um pequeno orfanato que se prepara para fechar as suas portas colocando quarenta crianças na rua e nos prostíbulos da cidade de Bombaim, Jaume Sanllorente toma a decisão que mudará o resto da sua vida. E, em consequência disso, mudará as vidas de muitas outras pessoas. O seu destino está agora inscrito nas paredes de Bombaim. Uma lição de amor, entrega, sacrifício e esperança que nos convida a percorrer o caminho para um mundo melhor."



Enganem-se os que lêem a sinopse deste livro. É tudo o que está lá escrito mas é muito mais e muito mais apaixonante. Mas primeiro, o porquê da sua escolha. Aqui há um mês, em conversa sobre projectos de voluntariado e de intervenção social, falaram-me deste livro. Quando começaram a referir a obra do seu autor, lembrei-me que já o conhecia, e mais!, já conhecia o seu trabalho. Tive a oportunidade de assistir a uma intervenção nas Conferências Anuais de Voluntariado da Galiza em Novembro e lembro-me que durante uma hora fiquei arrebatada a ouvir Jaume contar o seu projecto. A sua presença em palco e optimismo, a paixão e o arrebatamento que a sua apresentação causava fez-me desligar os phones de tradução e ouvi-lo falar na sua língua-mãe, no catalão, já que metade da sua mensagem perdia-se pela voz do tradutor.

Foi então com expectativa que comecei este livro e fiquei apaixonada. Não o julguem pelo tamanho diminuto ou por uma narrativa que pode soar ligeira ao inicio porque todo o seu seguimento marca, faz-nos parar e pensar, faz-nos meditar e avaliar o que afinal sabemos nós sobre uma realidade tão adversa como a Índia. E o que sabemos nós sobre dedicação ao próximo sem o fazer por caridade mas por inspiração, por missão.

Ao longo de cada página, Jaume tenta captar o leitor para a realidade e fazer-se passar invisível, mas felizmente para quem o lê, a sua humildade e amor à causa não passam despercebidos e ainda bem. Porque o que ele relata, todo o fantástico projecto dos Sorrisos de Bombaim a si se deve.

A índia não é fácil, pelo menos a que fica para lá dos postais turísticos, e ainda que ele a traga viva para os nossos olhos, fá-lo sempre com uma lição maior que ele e nós. Dei por mim muitas vezes a imaginar este homem com vinte e poucos anos a deparar-se com estas realidades adversas, com histórias de vida difíceis; e a compará-lo com a pessoa que vi comunicar há uns meses, questionando-me como é que era possível que aquela energia e optimismo se suplantassem a nove anos de uma índia burocrática e geralmente nada solidária. É um feito pessoal imenso, ao qual se juntam capacidades de um jornalista perspicaz, que nos leva numa direcção sem ser paternalista, discriminatório ou ofensivo, mas que obriga à reflexão interna de cada um.

Li-o numa tarde mas aconselho que o façam com mais tempo, já que a força da sua narrativa apela a uma leitura cuidada e a momentos de reflexão.

Adorei, e se pudesse o que sei hoje sobre todo o processo que ele desencadeou, acreditam que o meu entusiasmo com a sua presença na Corunha não poderia ser menor.

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