quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião: A Ilha dos Segredos, Nadia Marks



A Ilha dos Segredos
Nadia Marks
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Clube do Autor (Noites Brancas)
  




Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.
Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.
A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.
«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

Rating: 2.5/5
Comentário: Este ano estive com um apetite imenso por livros de verão, e a capa da "Ilha dos Segredos" chamou por mim desde que a vi. Acabei por ler as primeiras páginas e achei que poderia ser uma leitura muito interessante.
Ia iniciar a minha leitura no momento em que se deu a tragédia dos incêndios florestais na Grécia, e senti-me inibida de aproveitar estas paisagens por prazer, sabendo a dor e a dificuldade que estavam a viver os gregos ao momento.
Nesse sentido, optei por esperar mais umas semanas até pegar nele. Infelizmente, as minhas esperanças saíram algo defraudadas, porque contrariamente ao esperado, este livro não se enquadra nada nos clichés (que geralmente pedem-se para ser evitados, mas que curiosamente os procurava desta vez).
Ao iniciar-se num de tom de reconto do passado, esperamos por uma redenção das personagens ao descobrirem novos caminhos e desafios para além dos que a vida já premeditou. Esperamos também que esse tom seja circunscrito à contextualização do inicio da história e permita espaço para as personagens crescerem. Infelizmente, Nadia Marks não o concretizou da melhor forma. Uma narrativa cheia de potencial ficou balizada por uma escrita que me pareceu quase infantil e mais facilmente encontrada no reconto das histórias e das lendas do que num romance que pretende intuir profundidade e criar empatia com o leitor. As histórias das personagens foram sobejamente tratadas com leviandade, até as que exigiam uma maior preocupação e análise por parte do leitor. Não consegui, por isso, entregar-me à narrativa em nenhum momento nem torcer ou sentir as dores de nenhuma delas.
Não obstante, dou pontos à autora ao tentar incutir uma lógica narrativa diferenciada, por querer trazer conteúdo e não validar o enredo somente como uma história de amor. E julgo que teria sido muito bem conseguida se esta a tivesse trabalho de melhor forma. Não o tendo feito, e por tratar e levar a história toda pela rama, senti que mais valeria manter-se no registo tradicional dos romances femininos e levar à conclusão de uma história envolvente e emocionante. Infelizmente, "A Ilha dos Segredos" não me encheu as medidas.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resultado do Passatempo: Nix, Fantasmas do Passado

Ainda bem que estão atentos e não deixaram escapar esta oportunidade de passar as férias a ler!

Sem mais demoras, queremos agradecer à Editorial Presença mais uma colaboração e parabenizar Nélia Rosa de Ponta Delgada por ter ganho um exemplar de "Nix - Fantasmas do Passado"! Boas leituras e muitos mergulhos!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Opinião: Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno



Pecados SantosNuno Nepomuceno
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 448
Editor: Cultura Editora
  




Sinopse: 
Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu.
O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se.
Estarão ou não estes acontecimentos relacionados?
Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados?
As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado?

Rating: 4.5/5
Comentário: Já todos estão mais que cansados de ouvir de falar do Nuno Nepomuceno. Duvido até que ainda haja alguém que não tenha ouvido falar do fantástico "Pecados Santos".
É inegável que os novos livros, a forma de os escrever, a construção de enredos e personagens do Nuno Nepomuceno têm vindo a crescer a olhos vistos de obra para obra, e não há como negar que este último bate os restantes aos pontos.
É um livro de acção, com intriga e conhecimento ao estilo do Dan Brown, mas no registo próprio do autor.
A acção começa intrigante e cheia de simbolismo, que vai sendo explorado ao longo da trama. A intriga é palpável, e o enlace histórico conduzido de forma fácil de empreender, continuando a ser interessante e estimulante. Acho que o autor conseguiu ensinar e passar as mensagens principais de forma resumida, mas tocando nos elementos certos. Este é de já um dos pontos fortes que o Nuno tem sempre revelado, a pesquisa intensa e segura com que se baseia e o modo esquemático como a entrega sem torná-la maçuda mas acutilante. Não conhecia muitos dos fundamentos da religião judaica e senti-me como uma aluna a aprender, mas de forma didáctica.
Existem várias teias narrativas, algumas meio a subterfúgio e que podem passar despercebidas a um olhar mais incauto. Estas acabam por conduzir a diversos dilemas e a alguns enigmas para resolver (de resto, fiquei bastante orgulhosa por ter antecipado dois deles, sendo no entanto bastante surpreendida com o final).
Embora o Afonso Catalão seja um anti-herói ao qual se lhe foi dada nova roupagem mediante os contactos especiais que vai tendo a um segmento da sociedade portuguesa, esta personagem cresceu neste livro. A um outro nível, a ligação à sua cara metade permitiu abordar outras questões da vida pessoal de ambos e fortalecer os laços de uma ligação que achei apressada e corriqueira no último livro.
De qualquer forma, esta fadada versão de homem dominado pelos seus demónios, perdoem-me a redundância, não terá como ganhar forma novamente, porque existe um limite do que é passível de aceitar numa personagem. Se ela voltar a entrar em cena, prevejo e aguardo por uma mudança de linha de abordagem narrativa.
Quando à acção em si, o encadeamento é lógico e acho que todos os níveis foram largamente abordados e fizeram-me sentido.
Contudo, continuo a achar que há alguma fragilidade do enredo que se evidencia sempre no final dos livros do autor (pelo menos neste e no anterior), que são abruptos e algo apressados, e com a colocação de elementos que pretendem chocar e causar reviravoltas, mas que a meu entender saem por vezes algo débeis. As explicações que são tão bem contextualizadas no restante livro acabam por sair aqui meio de chofre. Cumprem o propósito e revelam todos os pormenores necessários, mas fica a faltar algo no meu entender.
De qualquer forma, é certamente um vira páginas e foi uma óptima leitura para banhos de sol e horas de almoço apressadas. Conto estar atenta aos próximos trabalhos do autor e acompanhá-lo nas redes sociais. É que um bom espião que se preze já sabe que o Nuno vai deixando pistas sobre cenários geográficos a entrar em livros futuros quando anuncia as viagens que faz. Resta saber para onde nos levará na próxima!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Opinião: Chama-me pelo Meu Nome, André Aciman



Chama-se Pelo Teu Nome
André Aciman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 284
Editor: Clube do Autor
  





Sinopse: 
Na idílica Riviera italiana nasce um romance intenso entre um rapaz de dezassete anos e o convidado dos pais, um estudante universitário que irá passar com eles umas semanas no verão.

A mansão sobre as falésias é povoada por um conjunto de personagens excêntricas, com um gosto especial pela boa vida. Mas nenhum dos jovens está preparado para as consequências da atração, que, durantes essas apaixonadas semanas de calor, mar e vinho, faz crescer entre eles o fascínio e o desejo, sentimentos que não conseguem suprimir, apesar de todas as proibições e dos perigos.

Divididos entre o receio das consequências e o fascínio que não conseguem esconder, avançam e recuam movidos pela curiosidade, o desejo, a obsessão e o medo, até se deixarem levar por uma paixão arrebatadora e descobrirem uma intimidade rara que temem nunca mais encontrar. 

Chama-me Pelo Teu Nome não é só uma história intemporal, é também uma análise franca, bela e dura sobre a paixão – como agimos, pensamos e sentimos. Uma elegia ao amor e um livro inesquecível.

Rating: 3/5
Comentário: Independentemente de gostarem ou não deste livro, é daqueles que de entranha na pele e todos o comentam. Confesso que já o terminei há algum tempo mas precisei de o processar para escrever uma opinião articulada. Como disse, as reacções tendem a ser antagónicas, mas quando o terminei senti que não estava para o oito, nem para o oitenta (e como tal, compreendia o porquê do livro ser acarinhado mas concordava também com os argumentos de quem não ficou fascinado pelo mais recente livro de André Aciman publicado em Portugal). Por isso mesmo senti necessidade de procurar um e outro lado da fasquia para discuti-lo.
"Chama-me pelo Meu Nome" recolhe-nos para os verões em Itália na década de 80, e é em parte uma personificação do idílico de verão que todos tivemos um dia (se é que ainda não o mantemos): os ares mediterrânicos, a praia e a gastronomia, o prazer de comer enquanto se sente o sol na pele, o enrolado do idioma italiano saboreado numa terra pequena, onde a familiaridade permite o aconchego do regresso mas é também um policiamento de condutas (contrariadas pelos nichos das falésias na praia e recantos junto a arvoredos e pomares). Sente-se o calor, o "dandismo",  o calcorrear despreocupado que só o verão pode pedir.
A isto acrescente-se o facto da família de Elio, o protagonista de 17 anos, pertencer ao mundo académico das Humanidades. Esta camada traz-nos todas as nuances da arte, da exploração dos idiomas, do conhecimento de escritores, filósofos, pintores e escultores, da música e da História, tudo inter conectado em conversas debaixo de lua pelo serão fora. Conseguem recriar a imagem?
É neste contexto que Elio nos apresenta quem é, como interage com o seu ambiente e quais são as angústias, tão adolescentes mas também adultas, que convulsionam o seu bem-estar.
Antes de enveredar pela análise do enredo principal, queria abordar o estilo do autor. É extremamente sensorial e cheio de nuances, apelando a todos os sentidos que temos através do canal da imaginação. Em algumas passagens achei-a quase que poética, lírica, e dedilhada com minúcia e delicadeza.
Dei por mim várias vezes enlevada, a seguir o raciocínio do autor quase que desligada da realidade. O problema é quando esse embalar era quebrado por algum calão pontual ou pelos pensamentos do Elio, que repentinamente se tornavam retorcidos para mim e até a meu entender desnecessários para o construir da narrativa.
Como a sinopse já subentende, vamos falar de amor, ou é essa a intenção de Aciman. Pegando no pressuposto que duas pessoas diferentes e de idades diferentes podem encontrar-se no momento certo e desenvolver um momento apoteótico e de enorme respeito e amor entre si, o autor traz-nos o desenrolar da relação de Elio e de Oliver, um académico convidado pelos pais do rapaz para passar uma temporada na sua casa e progredir o seu projecto de doutoramento.
Apesar de todo este nível de abertura, não é possível esquecer que o enquadramento temporal é a década de 80 em Itália, e numa Itália rural apesar de todos os pressupostos mais boémios e culturais que possam estar associados  à sua casa, mas que não seguem os padrões da comunidade local. O que perfaz que ao mesmo tempo que o discurso  impute uma incitação à liberdade, à descoberta da paixão e da sensualidade, também existe um elemento castrador, até imposto pelo próprio Elio.
Em muitas passagens, pela forma quase venérea como é escrito, deu-se-me muitas vezes a sensação de estar a ler uma fantasia reprimida, autobiográfica, uma paixão não realizada do autor. A não ser verdade, a intensidade da narrativa só revela ainda mais mestria.
Mas se tudo é positivo, qual o motivo porque disse entender as opiniões menos boas? Porque me apaixonei por tudo no livro, menos pelo que lhe dá forma - o romance, que para mim tem tudo menos romance.
Não sei se o desalento tenha a ver com estar na cabeça de um rapaz de 17 anos, ou se porque sempre fui uma pessoa mais de amores maduros e duradouros do que de paixões avassaladores e vorazes. Provavelmente teria preferido muito mais ouvir a voz do Oliver e conhecer os seus dilemas interiores porque as nuances que nos são transmitidas da sua personalidade despertam o interesse. Já Elio revela-se somente obcecado, de uma forma de ronda ali uma enorme instabilidade que não me convence como um comportamento normal ou padronizado de um adolescente da sua idade.
Senti falta da construção da relação, dos momentos passados a dois a estabelecer a intimidade, já que esses são referidos como factos mas não explorados ao momento, deixando em evidência a entrega à paixão e à vida sexual, mas de uma forma pujante que inibe o restante universo. O que não seria um problema tratando-se de um caso de verão, mas a história é sempre vendida pelo autor e pelas suas personagens como um amor, que com os seus contornos se prolongou para a vida, à sua maneira.
É precisamente por causa disso e de uma certa imiscuição no texto de um tom de incumprimento, frustração e saudosismo de um momento perdido ou que nunca aconteceu, que revejo uma vontade do autor em encontrar algo perdido, um voto de retratação com o passado. Talvez por isso não tenha dado tanto espaço na narrativa para os momentos do quotidiano e da sua vivência em férias, uma vez que os factos vividos já encaixam no seu puzzle interior, evidenciando as peças soltas que lhe faltavam para terminar a sua narrativa interior. Quer tenha sido um projecto de auto conhecimento e introspecção ou não, a história por si não me convenceu.
De qualquer forma, todos me dizem que o livro é um bom complemento ao filme (embora geralmente devesse ser o contrário) pelo que aguardo vê-lo em breve e ver se já me rendo mais à história de Elio e Oliver.







Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Opinião: Guerra - E se fosse aqui?, de Janne Teller



Guerra - E se fosse aqui?
de Janne Teller
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 64
Editor: Bertrand
  





Sinopse: 
Janne Teller faz uma experiência provocadora: vira do avesso a atual crise de migrantes e faz de nós os refugiados. Faz-nos ver como se sente alguém que é obrigado a fugir do seu país, a ser exilado e a lutar pela sobrevivência num país estrangeiro.

Neste conto, a Europa desintegrou-se devido à guerra e o único ponto do globo que está em paz e é acessível é o Médio Oriente. Seguimos a fuga de uma família comum e vemos a sua vida de refugiados através do seu filho de 14 anos.

Rating: 3/5
Comentário: No passado dia 11 tive a oportunidade de conhecer a autora Janne Teller, numa iniciativa conjunta com a Bertrand Editora (aos mais atentos, sorteámos a oportunidade de se juntarem a nós e de ganharem um exemplo assinado pelas mãos da própria autora).
Não há como falar de "Guerra" sem enunciar a vida e as experiências profissionais da autora. Jane é uma assaz activista pelos Direitos Humanos e conta com passagens pelas Nações Unidas e a União Europeia, Moçambique, Tânzania e Bangladesh, sempre relacionada com a questão da resolução de conflitos.
O contacto com populações em fuga, com necessidades de protecção, as faltas de meios suficientes, o desenraizamento forçado e a dor presencial facetada em todos os momentos terão tido certamente preponderância na redacção deste livro.
A premissa é interessante (e mais ainda, importante): pretende criar empatia para a questão dos refugiados ao abordar a história de um jovem de 14 anos nessa situação. A forma de chamar a atenção? Personificando a narrativa para cada país. Neste caso, o jovem visado é português e lida com uma guerra na Europa que de alguma forma o puxa de na direcção do norte de África à procura da tão almejada paz.
O livro tem frases curtas, directas, descritivas, factuais. Pretende obedecer mesmo a uma lógica de relato curto e seco sobre o que seria viver num Portugal devastado pela guerra. Enuncia ainda as milícias, as dificuldades de sobrevivência, o mal estar físico e colectivo, a falta de esperança.
E tudo escrito num livro com menos de 100 páginas, editado segundo a forma de um passaporte, com ilustrações apropriadas e que se encaixam na esquemática seleccionada. É ainda necessário acrescentar que até a capa tem pequenas variâncias, consoante o país, provavelmente numa tentativa gráfica de expressar o mais aproximado possível a concretização de um passaporte nas nossas mãos.
Como disse, falar deste livro implica referir a autora.
Ao longo da nossa conversa, Jane Teller confidencionou-nos de que todos os seus livros são escritos como forma de dar resposta às suas questões e dúvidas internas. E que mesmo essas nunca ficam respondidas na totalidade até ao contacto com o público, cujas sensibilidades e realidades acabam por traduzir em diferentes percepções da obra.
Este livro, que inicialmente era um pequeno ensaio publicado há uns anos numa revista, tem tido diferentes recepções. Se na Dinamarca, um político proeminente evidenciou que nunca se passaria nada semelhante no seu país, na Hungria foi encarado como uma provocação. A intenção nunca foi nem uma coisa nem outra, mas simplesmente colocar este assunto na ordem do dia, porque assuntos tabu não são discutidos e como tal, não são procuradas soluções para lidar com os desafios do dia a dia.
Perguntei-lhe se já tinha tido algum tipo de retorno por parte de refugiados, ao que ela nos indicou que sim, muitos deles sentindo-se gratos por finalmente terem um testemunho tão aproximado da realidade sobre as suas experiências, o que poderia ajudar amigos e conhecidos a compreender melhor o que é ser refugiado (muitos sentindo-se também bastante espantados por se depararem com uma mulher caucasiana como a autora desta obra).
Resta-me acrescentar que embora o grupo presente não tenha chegado a acordo, encaro esta obra como um livro para ser lido por todos, especialmente por jovens adultos, já que o mesmo pode ser um óptimo ponto de partida para discutir um dos grandes temas do século XXI. A vaga de refugiados que já está, e irá continuar a alterar o nosso modo de estar e ver o mundo, assim como o da sociedade europeia. Recomendo por isso a todos, sendo uma leitura com um carácter especialmente educativo.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Passatempo: Nix- Fantasmas do Passado, de Nathan Hill


Com a colaboração da Editorial Presença, temos para oferecer um dos exemplares do livro "NIX - Fantasmas do Passado", de Nathan Hill. 

Este foi um dos livros mais falados no mundo literário dos Estados Unidos e chegou a Portugal em Maio. Para se habilitarem a ganhar um exemplar, basta que preencham o formulário em baixo com os dados solicitados. 

Sinopse: Estamos em 2011. Há décadas que Samuel Andresen, professor universitário e escritor falhado, não vê Faye, sua mãe. Mas eis que ela reaparece, depois de ter cometido um crime que não só captou a atenção dos media mas que veio incendiar um país politicamente dividido. Faye é descrita como uma hippie radical com um passado sórdido. 

Contudo, tanto quanto Samuel sabe, Faye era uma rapariga comum que casou com o namorado do seu tempo do liceu. Que versão da sua mãe será a verdadeira? Mas duas coisas são evidentes: ela enfrenta acusações graves e precisa da ajuda de Samuel. 

Para a salvar, ele terá de embarcar na sua própria viagem, à descoberta de segredos há muito enterrados sobre a mulher que ele julgava conhecer - segredos que se arrastam ao longo de gerações e que têm origem na Noruega. À medida que empreende essa viagem, Samuel irá confrontar não só as perdas de Faye, mas também o seu próprio amor perdido, e irá reaprender tudo o que julgava saber sobre a mãe e sobre si próprio.

Desde o Midwest suburbano até à cidade de Nova Iorque e aos motins de 1968 que abalaram Chicago e outras cidades norte-americanas, Nix - Fantasmas do Passado explora - com um humor subtil e uma grande sensibilidade - a resiliência do amor, mesmo num tempo de mudanças radicais.

Bestseller do New York Times, vencedor do Los Angeles Times Book Prize para primeira obra de ficção e Finalista do National Book Critics Circle Award. Considerado o LIVRO DO ANO pelos principais meios de comunicação social internacionais. Meryl Streep e J.J. Abrams associam-se à Warner Bros TV na produção de uma série de TV baseada neste livro.

Primeiras Páginas aqui.

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 30 de julho de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.




«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Opinião: Ginástica Facial, de Sónia dos Santos



Ginástica Facial
de Sónia dos Santos
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 192
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
O aspeto da pele do rosto, as rugas de expressão, os sinais de flacidez e envelhecimento, com os efeitos do sol e da poluição diária, são algumas das preocupações que temos com o nosso rosto. O primeiro impulso é comprar cremes, caros e pouco indicados para a nossa pele, que não surtem o efeito desejado. 

E se lhe dissermos que bastam dez minutos por dia para ginasticar o seu rosto e trabalhar todos os músculos da face de forma a conseguir uma pele mais luminosa, elástica e jovem?

Em Ginástica facial, Sónia dos Santos, especialista em estética avançada, traz-lhe 31 exercícios de ginástica facial que vão transformar o seu rosto. Exercícios simples e rápidos, para fazer em casa, sem gastar dinheiro e com efeitos visíveis em pouco tempo. Inclui ainda receitas de máscaras faciais naturais, massagens para o rosto e conselhos de nutrição para alimentar bem a sua pele.


Rating: 4/5
Comentário: Quanto a vocês não sei, mas desde que passei a fasquia dos 25 que passei a ouvir a os célebres comentários a propósito da pele. De como ela vai encontrar-se com o poder da gravidade no futuro, de como os hormonas irão alterar a sua flexibilidade e capacidade de regeneração, que deveria começar a aplicar alguns cremes anti-idade adequados à minha faixa etária para atenuar rugas ou traços de expressão, que inevitavelmente iriam surgir.
Nestas coisas, acho que a experiência alheia é boa conselheira, e aconselhei-me junto de quem sabe para que no futuro não ficasse a chorar sobre o leite derramado. Mas sentia sempre falta de uma intervenção mais activa, que os cremes não mostram e não aparentam, especialmente quando me deparava com a zona das bochechas e do pescoço. Por essas e por outras, quando vi o lançamento da Manuscrito em Junho passado, cheguei à conclusão que era mesmo de um guia destes de que andava à procura.
Se exercitamos o cérebro, os músculos das pernas, coxas e barriga, porque não os da face? Este é o mote da Sónia Santos para nos demonstrar que com pouco esforço mas persistência podemos cuidar de nós e de um dos órgãos mais importantes que temos: a pele.
Se dizem que os olhos são o espelho da alma, a pele é sem dúvida o espelho do nosso organismo muitas vezes. Se não acreditam, não bebam água suficiente durante uns dias e durmam poucas horas por noite, encham-se de açúcar e fiquem em salas de fumo e vejam o que ela vos conta no dia seguinte!
Em "Ginástica Facial", a autora apresenta um guia cuidado, sucinto, esclarecedor e fácil de acompanhar. Era inevitável começar um livro deste género e não abordar questões relacionadas com  a pele em si. Recorrendo a esquemas e explicações breves, a autora explica a estrutura e o funcionamento da pele, a influência de várias fases da nossa vida sobre o orgão e o que podemos fazer para proteger a pele o melhor que pudermos.
Achei este capítulo inicial importante e pertinente, não só numa lógica de transmissão de conhecimento, mas também de identificação das nossas mazelas e potenciais causas. Acima de tudo, permitiu também aproveitar os exercícios mais indicados para a situação que queria corrigir.
A explicação dos exercícios está feita de uma forma bastante intuitiva, e sai facilitada pela divisão dos mesmos por faixas etárias, representações esquemáticas que evidenciam os movimentos a adoptar e o uso de fotografias da própria autora a executá-las.
Estive a experimentar alguns exercícios nos últimos meses e posso dizer que: a) fazer caretas ganha toda uma nova dimensão; b) se algumas "expressões"/exercícios acabam por ser algo desconfortáveis pelo tempo solicitado para os executar, à semelhança dos glúteos, tudo se trabalha e acaba por se tornar mais fácil, c) aliado a uma correcta hidratação e tratamento da pele, sinto que este plano de exercícios tem aumentado a sua elasticidade.
Finalmente, a pergunta que todos querem saber: se irá ajudar a atenuar o aparecimento de rugas? A autora, formada e especialista em pele, diz que sim e é essa a intenção. Mas naturalmente não as fará desaparecer ou não aparecer de todo. De qualquer forma, ofereço-me para regressar daqui a 10 anos com comentários mais pertinentes sobre esta ginástica facial!

Aproveito também para partilhar uma entrevista da autora sobre o assunto aqui.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 8 de julho de 2018

Passatempo: Meet&Greet com a autora Janne Teller

Boa tarde Encruzilhad@s,

Para alegrar o vosso Domingo temos um passatempo relâmpago!

Gostavam de ganhar o novo livro de Janne Teller, "Guerra"? Estão disponíveis para conhecer a autora dia 11 de Julho em Lisboa? Então este passatempo é o passatempo que estavam à procura.

Em parceria com a Editora Bertrand temos um exemplar do livro de "Guerra" de Janne Teller para oferecer assim como a oportunidade de conhecer a autora.


As condições deste passatempo são diferentes das habituais. Para se habilitarem a ganharem uma cópia deste livro terão de estar disponíveis para conhecer a autora em Lisboa dia 11 de Julho às 19 horas. Será no Meet&Greet que receberão o livro.

Se estão disponíveis no dia e hora acima estipulados preencham o formulário abaixo e boa sorte!

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 10 de Julho de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O/A vencedor/a compromete-se a estar presente no Meet&aGreet com a autora Janne Teller onde receberá a cópia do livro. O Meet&Greet será em Lisboa, em local a designar, dia 11 de Julho às 19 horas. Se por algum motivo o/a vencedor/a não poder comparecer o livro não será enviado por correio. 
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.
8) Para a participação ser válida os participantes tem de pôr um "gosto" na página de Facebook do Encruzilhadas Literárias e da Bertrand Editora.


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Opinião: Segredos de Uma Alimentação Saudável, Michel Lallement





Segredos de Uma Alimentação Saudável
de Michel Lallement
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 256
Editor: Guerra & Paz


  



Sinopse: 
Agora sim! Um médico oncologista que nos ensina de forma simples, a prevenir e combater as doenças que mais nos afectam.
que têm em comum o cancro, o Alzheimer, a diabetes, a fibro­mialgia, a artrose, a osteoporose e a obesidade? Além de estarem a afectar cada vez mais pessoas, estas e outras doenças têm origem numa inflamação crónica das nossas células, cujas causas es­tão muitas vezes associadas ao consumo de alimentos tóxicos e a intolerâncias alimentares.
Em Segredos da Alimentação Saudável, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico,  explica e mostra-nos como funcionam na prática os mecanismos por meio dos quais intoxicamos o nosso organismo com uma alimentação inadequada e ensina-nos a escolher o que comemos, invertendo o caminho que nos pode levar ao encontro de algumas das piores doenças dos nossos dias. 

Rating: 3,5/5
Comentário: Acho que para falar sobre "Segredos de Uma Alimentação Saudável", terei de começar por abordar a experiência do autor enquanto profissional. Isto porque na atualidade proliferam livros sobre alimentação saudável, ou sustentável, ou para emagrecer, etc. No entanto, na medida em que este livro aborda a questão das doenças e a forma como estas duas temáticas se correlacionam, não estaria ao alcance de cada um criar um livro de referência sobre a temática.
"Confrontado durante duas décadas com o feroz aumento da incidência de cancro nos seus pacientes cada vez mais jovens, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico, dedicou muitos anos de trabalho e pesquisa para determinar o grau de influência dos factores nutricionais neste fenómeno. Desde 1991 envolvido no combate ao cancro, o Dr. Lallement propôs aos seus pacientes compilar toda a informação sobre os seus hábitos de alimentação, e foi com base nos resultados obtidos da análise desse dossiê, munido ao mesmo tempo dos mais recentes e avalizados estudos de outros médicos e investigadores desta área, que conseguiu chegar às impressionantes conclusões apresentadas em Comer Saúde, um êxito de vendas em França. Actualmente, o Dr. Lallement dedica-se à prevenção e acompanhamento terapêutico de doenças degenerativas. (Guerra & Paz)"É precisamente pela questão da inflamação e das inflamações crónicas que Michel Lallement começa este livro. Toda a parte introdutória do livro se dedica na abordagem ao processo inflamatório (o que é, potenciais causas e consequências, como é que a inflamação se relaciona com as doenças cancerígenas e qual o impacto da mesma na casualidade de progredirem para o aparecimento de cancros no futuro), sempre, claro, criando paralelos com a alimentação.
Evidenciando desde a primeira página que não pretende ser um livro de recomendação médica, mas de esclarecimento, o autor determina por diversas vezes a necessidade do leitor contactar outro colega de profissão em caso de necessidade.
É evidente que o livro foi pensado no mercado para o qual foi escrito, pelo que há diversas estatísticas que dizem respeito a França, mas é possível equacionar os valores correspondentes para o território nacional pelos artigos e reportagens que vão saindo sobre as temáticas abordadas de tempos a tempos.
Julgo que foi precisamente esta a abordagem que tornou a leitura mais fácil, mas também interessante e fresca, diferente do que tenho lido até então sobre as temáticas. Naturalmente abordas os alimentos e a alimentação pelo todo, focando-se mais nas propriedades e nas evidências científicas da aplicação de mais nutrientes ou proteínas provenientes de um leque da pirâmide alimentar em detrimento de outro.
Todo o discurso é realizado dentro da lógica do carácter consultivo e não dogmático, sem insistências, abordagens decisivas para que mudemos de vida ou geradores de culpa por falta de capacidade de correspondência. Acima de tudo, coloca disponível para o leitor o maior número de informação possível, seguindo os preceitos de que, no que respeita a médicos e a doenças, mas também aos livros o/a paciente é que sabe.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Opinião: A minha avó pede desculpa, de Fredrik Backman



A Minha Avó Pede Desculpa
de Fredrik Backman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 336
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

Rating: 4,5/5
Comentário: Há livros que nos conquistam com as suas narrativas. Este foi um deles.
Elsa é uma miúda cheia de sorte. Porque teve uma avozinha como a sua. E a Avozinha teve o maior dos tesouros, por poder partilhar um mundo de magia e aprendizagens com a sua neta, a pessoa que mais amou em todo o Mundo.
É precisamente através desta menina, cheia de genica e garra, que apesar de vítima de bullying não baixa os braços e se estende à derrota, e encontra formas de resposta (mesmo que estas não correspondam ao por si esperado) que nos vamos ligando e derretendo perante o seu olhar narrativo, já que é através dela que conhecemos toda a história. E também por isso é necessário, mesmo com uma escrita bastante fluída e leve, ler com atenção os relatos desta criança, para quem não passem despercebidos os ciúmes e inseguranças com o irmão mais novo, o medo de rejeição do padrasto quando o novo irmão nascer, o não ter nunca mais uma parceira de brincadeiras, agora que a avó se foi...
Existe uma ternura inalienável nas relações de avós e netos, especialmente naquelas que são dotadas de uma série de códigos especiais, rituais de convivência e amor, segredos que nem se partilham entre pais e filhos  e toda uma mescla de movimentos identificativos que tornam estas relações tão especiais. A desta avó e neta ainda ganha um destaque maior pelo imaginário e universo criado para esta neta, pautado por histórias que compõem toda uma realidade alternativa, e que de uma forma que Elsa nem imagina, irá condicionar toda a narrativa. Porque estas histórias serão a chave para a condução da narrativa, cujo desfecho e enlace será traduzido com mestria, delicadeza e uma enorme sensibilidade.
Outro ponto muito forte nos livros de Fredrik Backman, já sentido com "Um Homem Chamado Ove" é a importância do espírito de comunidade, da partilha de vivências entre vizinhos e das necessidades de não nos isolarmos. A teia que une estas personagens, que surge na edificação de um prédio onde todos habitam, traz mais nas suas estruturas do que seria inicialmente esperado.
A forma como estas personagens se interligam, com as mais diversas e complicadas personalidades, tendo como fio condutor esta miúda destemida, é uma delícia de descobrir. 
Com muitas mensagens especiais sobre a vivência e a condição humana, que são apresentadas com delicadeza e de forma subtil, o autor traz-nos uma belíssima narrativa, uma história familiar, e a noção importante que os laços, quando fortes, perduram para lá da morte.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Os Altos e Baixos do Meu Coração, de Becky Albertalli




Os Altos e Baixos do Meu Coração
de Becky Albertalli
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
  


 

Sinopse: 
Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.
Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.
Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?
Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.


Rating: 4/5
Comentário: Becky Albertalli, quem me dera que tivesses escrito estes livros quando eu era adolescente. Porque acredita, teriam feito toda a diferença.
Estou a escrever-vos esta opinião com a companhia dos Florence and The Machine, aproveitem para os ouvir quando lerem este livro, porque é decididamente a sua banda sonora (vão descobrir porquê).
Li "Os Altos e Baixos do Meu Coração" num ápice, durante a tarde de hoje, porque precisava de uma leitura descontraída depois de umas semanas algo tumultuosas. Quando o acabei, fiquei cheia de vontade de partilhar convosco o porquê de não poderem perderem este livro (no caso de serem fãs de YA), e podem crer que me deito com o coração quentinho.
Julgo que nem a sinopse original nem esta fazem jus ao enredo. Porque sim, é sobre a Molly e sobre o seu coração palpitante; mas é muito mais do que isso. Porque todos os livros desta autora se debruçam essencialmente sobre uma necessidade primária de todos: a aceitação e a inclusão, seja ela resultante de que factor estiver em causa.
Não me vou debruçar sobre o conceito inclusivo, porque tal como a autora não lhe dá evidência (porque é uma coisa banal, é suposto ser uma coisa banal, estamos em pleno século XXI para os mais distraídos), também não o vou fazer. Um casal de mães, filhos por procriação assistida ou famílias judias e interraciais? São coisas que deveriam estar assentes nos nos alicerces societais. Por isso todos estes elementos são contextualizações para quem são a Cassie e a Molly, mas não os assuntos em destaque.
Então o que é que discute aqui? A aceitação. A auto-induzida e a vinda do mundo exterior, que muitas vezes é o principal factor a deixar-nos desconfortáveis na nossa pele, mesmo quando achamos que estamos bem e não precisamos de "arranjos".  A idade encarrega-se de nos ensinar estas coisas, mas a adolescência é um período especialmente difícil e todos os factores que nos fazem sentir desconectados, pertencentes a uma outra realidade, incapazes de assentar e fazer parte da maioria levam o ser humano mais confiante a colocar-se em causa.
Molly aborda muitas destas questões na forma como se sente: não descontente com o seu corpo, mas com o que os outros esperam dela por causa disso, não descontente com quem é, mas com medo que isso não chegue para não ser rejeitada pelos alvos do seu afecto, feliz pelo sucesso da irmã, mas incapaz de lidar com o seu pouco à-vontade nas situações onde ela é rainha (e na verdade não é, sendo tão frágil e sensível como a sua gémea), não descontente com os seus talentos, mas que lhe parecem tão banais ao pé de tantos jovens mais artísticos, destemidos, desenvolvidos e com objectivos claros.
Há vários assuntos que esta autora aborda, e que nunca vi abordados desta forma em nenhum livro YA que tenha lido até ao momento. Dou-vos como exemplo as dúvidas que podem assolar os adolescentes quando se vêem alvo de afecto, mas também inspirando-se no afecto que vêm no outro que não encaixa no dito padrão que a sociedade aceita. Para além do risco de abrir o coração e de ter a hipótese de o quebrar, se alguém escolhe como alvo de afecto "um falhado", um "elemento fora da caixa", o que é que isso diz de si? Serão também "falhados"?
Não se tratando de uma questão certa ou errada, o que a autora faz é relembrar-nos da fragilidade e exposição que a adolescência nos deixou/ deixa a todos e o quanto o mundo envolvente pode ser cruel (mesmo quando é bem intencionado) ao ditar-nos padrões aos quais não podemos ou não devemos escapar. E que para além disso, mesmo quando não queremos ou não somos os mais indicados para os seguir, nos perseguem precisamente por evidenciarmos a diferença.
E se existem jovens a ler este texto, vou deixar clara a mensagem da Becky: não há nada errado convosco. Se o mundo não vos aceita, o problema é dele, não vosso. Hão-de encontrar as pessoas certas que vos respeitem tal e qual já são, porque elas também já andam à vossa procura.
Não me revi nesta adolescente, mas sim em muitos dos seus pensamentos quando tinha a sua idade. É uma das características da Becky Albertalli: lembrar-nos que também um dia já fomos adolescentes (ou no caso dos leitores ainda o serem, de que há por aí outros iguais). Molly é intensa, e com um coração enorme, amada e capaz de reagir nos momentos indicados aos problemas que lhe assistem, mas também nervosa, insegura, ciumenta, engraçada, melhor amiga, irmã, filha, namorada. Mas é essencialmente a Molly.
Claro que não posso descurar ou passar em branco o romance. A autora sabe sempre tocar-nos no ponto fraco e trazer histórias ternurentas e cheias de palpitações, sonhos, agitação e desejo. Desejo que seja desta que a personagem tenha o seu final feliz, que dê tudo certo, que a vulnerabilidade dê recompensa. Que prevaleça a coragem, o amor, a amizade e o respeito mútuo. Que os adolescentes aprendam com bons exemplos. Que se revejam nos seus pares. E a Molly, no seu percurso lento, estudado, arriscado, e sempre sonhador, traz-nos todas as boas sensações sobre o que é estar apaixonado e ser-se correspondido, mesmo que o seu coração ande aos altos e baixos. Só me apetece relê-lo de novo. Como já disse ao início, deito-me de coração cheio.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O que fazemos com os seus dados?



Sim, calculamos que já deitem pelos olhos emails e notas informativas sobre a nova directiva europeia para a Protecção de Dados que entra e vigor amanhã. 

Apesar de geralmente não ser necessária nenhuma partilha de dados pessoais com o Encruzilhadas Literárias, acabamos por ter acesso a alguns dados pessoais quando provenientes de passatempos. Sendo assim, apesar de não termos uma Política de Privacidade formal, e porque queremos ser o mais transparentes possível com a parca informação que recolhemos, saibam que:

-Para efeitos de passatempo em formulário criado para o efeito, solicitamos apenas o nome completo, email e localidade.
-Aquando a selecção do vencedor/a, enviamos email a avisar a comunicar o resultado. Após confirmação do/a receptor/a, o formulário utilizado para o efeito é apagado. Não guardamos os seus dados pessoais para além do tempo estritamente necessário para apurar resultados.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados directamente pelo blogue - consta somente nos emails trocados com a quem se destinam os exemplares. Esses dados, embora expressos nos emails que guardamos para registo da nossa actividade, não são utilizados com qualquer outro propósito, nem partilhados com terceiros. A qualquer altura poderá solicitar que os apaguemos.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados pelas editoras - são reencaminhados pela gestão do blogue à pessoa responsável de contacto para que proceda ao envio. Cada editora, também sujeita à regulamentação GDPR apresenta na sua página uma secção dedicada à política de privacidade por eles exercida, a qual deve ser consultada directamente. Em qualquer momento, poderão solicitar que os dados em causa deixem de constar nas suas bases de dados, ou registo informático, devendo solicitar por escrito ao blogue a sua intenção, de forma a que a possamos comunicar directamente.

Qualquer dúvida ou esclarecimento necessário deverá ser remetido para o nosso contacto de email: encruzilhadas (@) gmail.com

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Porto Editora na Feira do Livro: Primeiras Novidades

 Os 20 anos do Nobel de Saramago, lançamentos de livros, atividades para toda a família e workshops são alguns dos destaques do espaço Autores Que Nos Unem


  
O Grupo Porto Editora volta a marcar presença em mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa que, este ano, decorre de 25 de maio a 13 de junho, no Parque Eduardo VII.

 A preparação decorre há vários meses e são muitos os autores convidados para este encontro anual com os leitores, sob o mote Autores Que Nos Unem . Lançamentos, sessões de autógrafos, atividades para crianças, tertúlias, showcookings , workshops e várias outras ações vão, tal como nas edições anteriores, levar milhares de leitores ao espaço Autores Que Nos Unem para conhecer os seus escritores portugueses e estrangeiros de eleição e celebrar o livro e a leitura.

 A programação será divulgada ao longo das próximas semanas através do site www.autoresquenosunem.pt , redes sociais e outros meios.

 Para celebrar os 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago , o espaço Autores que nos Unem vai ser palco de várias iniciativas e terá um pavilhão especial dedicado ao autor e à sua obra.

 Os leitores que visitarem o espaço Autores Que Nos Unem vão encontrar vários escritores portugueses, entre eles os que estão agora a lançar os seus livros mais recentes: Mário de Carvalho ( Burgueses somos nós todos ou ainda menos ), Richard Zimler ( Maria e Danilo e o Mágico Perdido ) e Jacinto Lucas Pires ( A gargalhada de Augusto Reis ) são alguns dos exemplos. Os visitantes vão também poder conhecer as novas obras e coleções da renovada Sextante Editora , que surgirá já este mês para uma nova década de bons livros. 

 No dia 4 de junho, o mestre espiritual brasileiro, Sri Prem Baba , estará na Feira para lançar Propósito e, a 13 de junho, será apresentada a obra António Variações: Entre Braga e Nova Iorque , assinada por Manuela Gonzaga .

Outras inicitivas:
  • Revisitação ao Caderno Diário da Memória com Mário Augusto (26 de maio e 2 de junho);
  • Sessão prática de Shinrin-Yoku (banhos de floresta), orientada por Alex Gesse, guia certificado da Shinrin Yoku Portugal (27 de maio);
  • Sérgio Godinho , José Riço Direitinho e Filipa Melo falam sobre Sexo na literatura , com destaque para as suas obras recentes dos autores (31 de maio);
  • Passeio noturno pela Lisboa desconhecida e insólita , guiado pelo autor, Anísio Franco (1 de junho);
  • O Poder dos seus gestos , workshop com a autora, Irina Golovanova (2 de junho);
  • Descãoplicar , ação pet friendly com o autor, Pedro Emanuel Paiva (10 de junho);
  • Evocação a Aquilino Ribeiro, com o lançamento de uma nova edição de Cinco Réis de Gente (10 de junho);
  • Sessões infantis com Luísa Ducla Soares (27 de maio e 2 de junho) e Álvaro Magalhães (3 de junho).

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Opinião: Reino de Feras, de Gin Phillips



Reino de Feras
de Gin Phillips

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 272
Editor: Suma de Letras Portugal
  


Sinopse: 
Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transforma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo – mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si – desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?

Rating: 3/5
Comentário: Este livro é daqueles que têm como função dividir águas e grupos, com muitas opiniões diversificadas, o que para um primeiro romance para adultos (a autora é maioritariamente conhecida pelos seus livros infantis) é o melhor chamariz possível.
Depois de ter tido a oportunidade de o discutir com leitoras bem mais rápidas do que eu, tive curiosidade de saber o que esta leitura faria por mim, mesmo sabendo de antemão um ou outro pormenor.
Como enuncia a sinopse, Joan encontra-se no Jardim Zoológico com o seu filho Lincoln, quando se depara com o inesperado e se vê obrigada a esconder-se para proteger a sua vida e a do seu filho.
Com a infeliz frequência com que se vão sucedendo casos de tiroteios e sequestro pelos Estados Unidos, Gin Phillips poderia dar-nos uma visão resultante de uma fórmula que continua a ser frequente mas ainda assim aterradora. No entanto, vai mais longe e enuncia-nos uma caçada inexplicável e incoerente, que me relembrou o massacre de Anders Behring Breivik na Noruega em 2001. As razões do mesmo não são muito exploradas para além de umas breves nuances em jeito de explicação, mas cumprem o propósito de denotar que existe uma multiplicidade na perversidade alheia, que não se termina nos casos mais conhecidos; até porque também o fanatismo tem várias tonalidades de cinzento.
O cenário seleccionado é precisamente alvo dessa intenção premeditada e através de alguns momentos onde a abordagem se direcciona para um dos atiradores, conseguimos ter acesso a essa alegoria.
De qualquer forma, precisamente por se tratar de um jardim zoológico, senti que faltavam duas coisas: a primeira passa pela criação de um desenho esquemático em género de planta do Zoo, porque nem sempre foi fácil construir uma imagem mental para as deslocações dos personagens. Do ponto de vista do próprio espaço, a narrativa é pautada por muitos silêncios. Embora seja explicado em parte o motivo dessa ausência de ruído, estando num lugar repleto de animais, seria de esperar que uma situação avessa causasse não só um enorme impacto nos bichos, como estes se tornassem também imprevisíveis e mais um elemento de perigo.
A abordagem narrativa leva-nos em várias direcções, ao termos como companhia não só Joan e o seu filho, como um dos assassinos e algumas personagens secundárias. Estes permitiram que fosse tendo acesso a outros elementos da acção, de forma a compor um cenário mais exigente do que as narrativas individuais transmitiam ao longo da leitura.
Por falar em ritmo narrativo, admito que para os habitué no mundo do thriller este romance possa não parecer muito dinâmico, já que são somente dois ou três elementos a pontuar os momentos de maior acção, que nunca chega a ser verdadeiramente vertiginosa. Ainda assim, a acção faz sentido, o contexto está explicado e existe capacidade de encaixe e curiosidade para perceber o desvendar do conflito.
Relativamente às personagens, nem Joan nem o filho são companhias fáceis de suportar, ele porque sendo criança tem necessidades constantes, ela porque nem sempre é a mais inteligente nas decisões que toma. Ainda assim, é o facto de passarmos o tempo maioritariamente com eles que evidencia o real ponto forte da narrativa: o poder do amor maternal e todas as vertiginosas correntes que ele acarreta. Talvez esse amor não se evidencie tanto pelas acções mas pelas considerações que a personagem vai fazendo sobre o seu papel enquanto mãe e o crescimento do filho, quase que numa lembrança constante de que aquele menino terá de sair vivo daquela situação porque tem muito por viver e desenvolver.                           
É aqui que surge a controvérsia, por duas ou três decisões tomadas pela personagem. Posso dizer-vos que todas pessoas que são mães com quem falei deste momento, torceram o nariz à credibilidade do enredo e questionaram se a autora seria mãe na vida real. Não tendo acesso a essa informação, e não sabendo portanto se é isso que nos divide, uma vez que não tenho filhos também, a verdade é que uma das acções de Joan, por muito que chocante ao início (e algo que eu julgo nunca ser capaz de fazer), acabou por fazer sentido: a verdade é que o acompanhamento do raciocínio dela tornou-a plausível, especialmente porque também a personagem não está em paz com o seu comportamento, e isso em parte"desculpa-a".
Quanto à representação do mal, a análise das motivações primordiais deste grupo é algo fugidia para permitir grandes considerações, mas o tipo de discurso do elemento com o qual temos contacto, levou-me a crer que talvez se tratasse de alguém com algum défice de aprendizagem, o que traria uma abordagem bastante interessante sobre o perigo de reunir vários elementos explosivos no mesmo cocktail (especialmente pela capacidade de manipulação e promoção da maldade por parte do mundo exterior) .
O desfecho não foi surpreendente, mas cumpriu o seu propósito na totalidade. Algumas pontas são deixadas soltas ou por resolver, o que no contexto de um livro não traz grande nível de satisfação para o leitor. Da minha parte, tendo estado maioritariamente no papel de Joan, porque esta é a companhia mais regular da narrativa, optei por considerar que o facto desta decorrer ao momento, fez com que a personagem tivesse exactamente as mesmas dúvidas, as quais só veria esclarecidas posteriormente ao último momento do livro.
No geral, não é de todo um romance de ritmo acelerado. Muitas das situações relatadas foram provocadas de forma algo incisiva somente para que se pudessem desencadear os elementos perfeitos de uma perseguição de risco, levando o leitor sempre a crer que na ausência de uma decisão pouco inteligente, talvez nenhuma das personagens como potenciais vítimas fosse ameaçada.
Ainda assim, o facto que os pormenores estarem lá (mesmo que mais ou menos explorados), da escrita ser fluente e estar estruturada de forma interessante, leva-me a crer que Gin Phillips poderá trabalhar melhor os seus pontos fracos e trazer-nos um thriller em cheio muito em breve. Li-o em dois dias e quis muito conhecer o desfecho desta história. Podendo não ser o que os fãs do género procuram, é uma boa porta de entrada para leigos e curiosos do thriller.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.