domingo, 25 de novembro de 2018

Passatempo: Uma História Negra, de Antonella Lattanzi


 Boa noite! Há muito tempo que não oferecíamos um livro por aqui, e como recebemos este thriller que parece bastante intrigante, mas fora da nossa área de gosto pessoal, optámos por sorteá-lo no blogue. 

O passatempo vai estar no ar até 15 de Dezembro e as regras são as do costume.

Deixamos desde já o nosso agradecimento à Suma de Letras Portugal e desejamos-vos boa sorte!



Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 15 de Dezembro de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) Todos os dados pessoais guardados para efeitos de passatempo serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.

Sinopse: Roma, um agosto quente. A seguir à festa de aniversário da sua filha mais nova, Vito Semeraro desaparece sem deixar rasto.

Carla e Vito casaram-se muito novos. Foram o grande amor um do outro. Amavam-se muito, mas o amor de Vito era obsessivo e violento. Um sorriso no rosto de Carla ou um vestido curto eram o suficiente para fazê-lo perder a cabeça e levantar-lhe a mão.
Assim que os filhos mais velhos, Nicola e Rosa, saem de casa, Carla consegue divorciar-se e muda-se com Mara, a filha mais nova, para um bairro nos subúrbios. No entanto, Vito continua a atromentá-la, a persegui-la e a ameaçá-la. No terceiro aniversário de Mara, cedendo à insistência da filha, Carla convida Vito para o jantar. Depois de muito tempo a família está reunida e a noite corre surpreendentemente bem. Na sequência, Vito desaparece...


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Opinião: Os Provocadores de Naufrágios, de João Azambuja



Os Provocadores de Naufrágios
João Nuno Azambuja
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Guerra e Paz
  




 
Sinopse: 
Baseada em factos reais, esta é a história de Klaus Kittel, um alemão portuense que combateu na Segunda Guerra Mundial. Um homem mergulhado numa época de pesadelo, de guerra, morte e ditaduras. Uma Europa destroçada, de onde surge uma história improvável, mas verdadeira, feita de viagens e fintas ao destino.
Kittel foi sempre perseguido pela crueldade humana. Em criança, expulsaram-no de Portugal. Em adulto, viveu os bombardeamentos aliados e fugiu ao Exército Vermelho. Passou pela grande depressão, assistiu à ascensão de Hitler e discursou para a elite do Partido Nazi. Depois da guerra, é preso. Sobrevive aos campos de prisioneiros, onde milhares de homens encontraram a morte. Mas consegue fugir, com o que talvez seja uma misteriosa ajuda de Álvaro Cunhal.
Foi escravo, soldado, marido. Um romance escrito pela pena de uma das mais promissoras vozes das Letras portuguesas, vencedora do Prémio Literário UCCLA, sobre a qual disse o poeta Fernando Pinto do Amaral ser «capaz de exprimir um intenso sentido de revolta em face do mundo contemporâneo»..

Rating: 3.5/5
Comentário: Hoje em dia já me começo a questionar se o interesse crescente da sociedade do séc. XXI perante a 2ª Guerra Mundial se prende com a necessidade de conhecimento e reconhecimento do nível de maldade até onde as pessoas podem ir ou se é puro voyeurismo da desgraça alheia e degradação do ser humano. Julgo que inadvertidamente acabámos por cair num meio termo, e daí a crescente no mundo literário de ficção e não ficção sobre a temática, que nunca passa de "moda", mas que peca por incidir precisamente nas mesmas análises, nos mesmos níveis de desgraça e calamidade, sem aprofundar ou obedecer minimamente a um espírito crítico que vá para além da emissão de um juízo de valor ou outro, já muito pobre e gasto.
Nesse sentido, obrigo-me a ter um olhar mais crítico e a realizar uma selecção mais cuidada sobre o que pretendo ler sobre este período (embora, e mea culpa me confesso, ainda me deixe resvalar na outra direcção quando um romance ou outro me puxam pela sinopse). Acima de tudo, o que procuro são abordagens diferentes, leituras diferentes, e uma leitura da realidade segundo uma manta de retalhos mais vasta.
Em seguimento dessa análise, "Os Provocadores de Naufrágios" pareciam-me uma leitura indicada.
Ao fim ao cabo, não é todos os dias que enveredamos na história de um alemão que ingressa na guerra sem necessidade e por sentido patriótico, patriotismo esse acerbado pelas raízes saudosistas e familiares de uma história não vivida. O que em última instância nem é assim tão verdade, já que para todos os efeitos, Klaus Kittel cresceu e viveu em Portugal, sendo mais português do que alguma vez foi alemão, mas é arrastado por força das circunstâncias para um momento em que não é considerado pelos seus pares nem uma coisa nem outra: nem tão português que seja bem-vindo nos seus circuitos familiares enquanto a nação que lhe deu origem ocupa lentamente toda a Europa, nem tão alemão que se reveja em funcionalismos culturais criados por um povo longe do qual sempre viveu.
Este livro é escrito em jeito de reconto memorial, com alternâncias entre um período em que Klaus se encontra como prisioneiro de guerra na Alemanha e posteriormente em França, com momentos episódicos da sua vida, e que compõem o seu tecido cronológico. É acima de tudo o relato de uma vivência de um homem real, com inspiração em pedaços de uma memória relatada em diário, e imaginados por João Azambuja de forma a compor todo o seu historial.
Daí advém a aplicação de vários provérbios populares, de uma sensatez e ligação às raízes muito portuguesa e também de um certo distanciamento - quase observacional e não vivencial - na descrição de momentos que seriam muito difíceis de superar e observar. Não há de facto um reforço empático ao nível das emoções, porque toda a narrativa é tida como um relato algo distanciado, mas torna-se um troféu quase que corriqueiro e esperado de um homem em final de vida, que não se sente vítima do que viveu e aceita-o em pleno como um momento da sua História. É uma abordagem peculiar e original de um relato que poderia ser algo polémico, mas também muito humana e sensível, atenta aos detalhes e à representação do ser humano no seu todo.
Não me senti comovida, porque não é esse o sentimento que o livro incute, mas fui agradavelmente surpreendida pela narrativa. "Os Provocadores de Naufrágios" revelou-se uma leitura peculiar mas que me deu bastante prazer.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Opinião: Passagem para o Ocidente, de Mohsin Hamid



Passagem para o Ocidente
Mohsin Hamid
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 208
Editor: Saída de Emergência




 
Sinopse: 
Num cenário de guerra, é possível o amor e a esperança.
A história do amor furtivo de Nadia e Saeed tem lugar numa cidade não nomeada cheia de postos de controlo e de bombas, um labirinto humano à beira da rutura. Quando a guerra civil rebenta, surgem estranhos rumores sobre a existência de portas clandestinas que levam a outros países. À medida que a violência aumenta, os dois jovens sabem que têm de deixar para trás a vida que sempre conheceram, embarcando numa viagem sem regresso, vertiginosa e cheia de surpresas.
Numa mistura singular de realismo e magia, Passagem para o Ocidente é um belíssimo romance sobre refugiados, que nos leva a questionar em que mundo queremos viver.

Rating: 3.5/5
Comentário:  Só me apercebi que "Passagem para o Ocidente" era o tão aclamado "Exist West" quando já ia a meio da narrativa, ainda que na capa estivesse bem explícito que este livro de Mohsin Hamid tinha sido nomeado para o Man Booker Prize.
Da minha parte, fiquei agarrada pela sinopse e queria redescobrir mais sobre esta relação num ambiente nada frutífero ao amor e ao despoletar das emoções humanas que associamos aos períodos em que estamos mais relaxados e em paz connosco.
Não podia deixar de começar por referir que Mohsin Hamid criou uma história muito humana e cheia de nuances, que tentou captar a essência do Ser Humano sem sem paternalista nem desonesto, sem dourar pílulas nem apimentar processos.
Embora em nenhum momento se diga que esta seria a realidade da Síria, nenhum leitor deixa de ajustar este país sem nome à realidade macabra que nos entrou em casa pelas televisões nos últimos 4 anos. E é também uma lembrança constante, agora que os media já não consideram notícia uma desgraça que é vigente e que infelizmente se tornou quase que estrutural da sociedade do séc. XXI e neste caso particular, da Europa - a crise dos refugiados.
O que o autor nos traz é de facto um romance que começa num período em que facções diferenciadas num país se começam a guerrear, obrigando a uma intervenção também não pacífica por parte do Estado.
A forma como as relações humanas se vão adaptando e reconstruindo com derivadas criadas pelo contexto social e político que se vive na posição geográfica onde as personagens se encontram é transmitida com enorme sensibilidade mas também sem receio de tocar na ferida.
Por sua vez, a condensação de emoções, sensibilidades, nuances narrativas tendo por base o objetivo de descrever o quanto uma guerra pode destituir as pessoas daquilo que são e têm sido até ao momento é poderosíssimo.
Com um toque alegórico e metafórico, quase que a roçar o fantástico, suplantam-se os processos de travessia associados às rotas de fuga dos refugiados. Mas este elemento insere-se no enquadramento geral com enorme mestria.
Outro dos pontos positivos pela narrativa é precisamente o facto de o autor não se assumir como defensor de uma outra situação quando o tratamento dos países ocidentais, optando por evidenciar as diversas áreas cizentas que circundam o espectro do certo e errado nestas situações. Tratando-se de personagens muito humanas, não poderiam deixar de existir momentos de tensão, defeitos e envolvimentos benéficos e várias óptimas de leitura para um mesmo acontecimento.
Mohsin Hamid não torna os refugiados num único grupo sem rosto nem cor, valorizando as suas personagens por aquilo que elas são e atribuindo-lhes a humanidade que elas merecem.
Mas também não desvaloriza as várias reacções e envolvimentos que são expectáveis e facilmente desenvolvidos nos países que passam a albergar milhares de migrantes resultantes de conflitos armados.
Com uma análise bastante real, assim como crua, o autor pretende não chocar nem sensibilizar mas contar as coisas pelo que elas são, repensando as respostas da Europa e dos Estados Unidos num modelo de resposta preditivo e funcional. "Passagem para o Ocidente é, no fundo, uma educação para os Direitos Humanos num contexto universal e complexo, sem análises dúbias e simplistas.
Vale a pena ler.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Opinião: O Silêncio da Chuva de Verão, de Dinah Jefferies



O Silêncio da Chuva de Verão
Dinah Jefferies
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 352
Editor: Topseller
  




 
Sinopse: 
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte do marido que a jovem inglesa Eliza vive para a fotografia. Determinada a estabelecer o seu nome, ela aceita um convite do governo britânico para retratar a vida da família real indiana no Estado de Juraipore, de forma a enaltecer a influência da Coroa Britânica.
No palácio real, Eliza conhece Jayant, irmão mais novo do marajá, que a leva a conhecer uma terra marcada por contrastes: de um lado, paisagens de beleza incomparável e uma cultura rica e vibrante, e do outro, a mais devastadora das misérias.
Durante a viagem, Eliza desperta Jayant para a pobreza do povo indiano, ao mesmo tempo que ele lhe mostra a face negra do domínio britânico na Índia. Até que, numa revelação quase kármica, os dois descobrem que estão profundamente ligados e apaixonam-se.
Mas com a família real e os britânicos a oporem-se à sua relação, conseguirão Eliza e Jayant libertar-se das obrigações e cumprir o seu destino?
Uma história sobre um amor genuíno que enfrentará o peso dos costumes e da tradição no coração da Índia colonial.
Primeiras páginas aqui.

Rating: 3.5/5
Comentário: Sempre tive uma paixão enorme pela História e pelo Mundo em geral e dou por mim muitas vezes a ler ficção e relatos que abordem as vivências dos países colonizados e das contradições e contrastes entre ocupantes e ocupados. As sensibilidades culturais, as nuances narrativas e as ópticas de abordagem aos mesmos problemas, assim como a capacidade de envolvimento de pessoas de diferentes realidades mas com os mesmos valores e emoções é sempre uma descoberta e uma aprendizagem imensa. É especialmente por gostar de História que também tenho ciente que muitas vezes só surge uma compreensão de momentos e factos quando todas as versões são analisadas, porque as versões que perduram no tempo são sempre as dos vencedores ou dos mais hábeis a comunicar.
Estes foram alguns dos factores que me fizeram escolher "O Silêncio da Chuva de Verão". Já conhecia a autora desde "A Mulher do Plantador de Chá", e embora tenha sentido falta de um maior relato da vivência local do país onde passava a narrativa (naquele caso, o Ceilão) quis dar uma nova oportunidade à autora.
De facto, neste livro a Índia é também uma personagem por si, e ganha o destaque devido, onde não lhe falham as crenças e as idiossincrasias de um país que quer crescer mas também se vê subjugado a uma potência imperial que se julga e actua como superior. É um relato com cheiros, cor, magia e sons, misticismo e debates político-sociais, com apresentações dos dois lados da mesma moeda e das diferenças que uma coexistência forçada podem trazer.
Quanto ao enredo principal, não há como negar que se trata de um romance feito para deliciar e entreter os leitores, com toques certeiros entre mistério e paixão, descrições e momentos intensos, e que trazem uma história completa que balança obrigações familiares com vontades pessoais, necessidade de auto crescimento com obstáculos estruturais, tentativas de superação e compreensão do papel do Ser Humano no ecossistema global que gere as ligações entre Homem, Natureza, País e Crença.
Dinah traz-nos personagens interessantes, com profundidade q.b., que se completam através do meio em que vivem e no qual interagem, que as incorporam de maior significado.
Ainda assim, há espaço para o seu desenvolvimento de forma a que não representem só modelos societais, mas que se governem por personalidades individualizadas. Faltou espaço de crescimento de algumas, especialmente num ambiente rico como o do palácio, o qual não foi explorado devidamente. Mesmo a Índia, que se assume quase como um ser de vontade e força maior, é descrita e enunciada frequentemente, embora só seja explorada de forma ligeira com pequenas explorações pontuais por parte das personagens.
Um dos momentos mais idílicos que consta neste romance é precisamente o período da Monção, para o qual é despertado constantemente o interesse do leitor e das personagens e quando chega em pleno, ocupa espaço de narrativa que lhe é adequado. Faltava uma maior força das descrições para que a sua punjança fosse mais certeira, mas permitiu uma conjugação enternecedora e de desfecho.
Dinah Jefferies gosta de viajar pela Ásia e de abordar vários países que lhe falem ao coração. Sinto que a autor nos quer colocar a suspirar por aquele canto do Globo e que mesmo com algumas falácias pelo meio, vai conseguindo cativar o leitor para as paisagens, a vivência e os olhares que, não sendo seus, passam a brilhar também no seu imaginário.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião: A Ilha dos Segredos, Nadia Marks



A Ilha dos Segredos
Nadia Marks
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Clube do Autor (Noites Brancas)
  




Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.
Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.
A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.
«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

Rating: 2.5/5
Comentário: Este ano estive com um apetite imenso por livros de verão, e a capa da "Ilha dos Segredos" chamou por mim desde que a vi. Acabei por ler as primeiras páginas e achei que poderia ser uma leitura muito interessante.
Ia iniciar a minha leitura no momento em que se deu a tragédia dos incêndios florestais na Grécia, e senti-me inibida de aproveitar estas paisagens por prazer, sabendo a dor e a dificuldade que estavam a viver os gregos ao momento.
Nesse sentido, optei por esperar mais umas semanas até pegar nele. Infelizmente, as minhas esperanças saíram algo defraudadas, porque contrariamente ao esperado, este livro não se enquadra nada nos clichés (que geralmente pedem-se para ser evitados, mas que curiosamente os procurava desta vez).
Ao iniciar-se num de tom de reconto do passado, esperamos por uma redenção das personagens ao descobrirem novos caminhos e desafios para além dos que a vida já premeditou. Esperamos também que esse tom seja circunscrito à contextualização do inicio da história e permita espaço para as personagens crescerem. Infelizmente, Nadia Marks não o concretizou da melhor forma. Uma narrativa cheia de potencial ficou balizada por uma escrita que me pareceu quase infantil e mais facilmente encontrada no reconto das histórias e das lendas do que num romance que pretende intuir profundidade e criar empatia com o leitor. As histórias das personagens foram sobejamente tratadas com leviandade, até as que exigiam uma maior preocupação e análise por parte do leitor. Não consegui, por isso, entregar-me à narrativa em nenhum momento nem torcer ou sentir as dores de nenhuma delas.
Não obstante, dou pontos à autora ao tentar incutir uma lógica narrativa diferenciada, por querer trazer conteúdo e não validar o enredo somente como uma história de amor. E julgo que teria sido muito bem conseguida se esta a tivesse trabalho de melhor forma. Não o tendo feito, e por tratar e levar a história toda pela rama, senti que mais valeria manter-se no registo tradicional dos romances femininos e levar à conclusão de uma história envolvente e emocionante. Infelizmente, "A Ilha dos Segredos" não me encheu as medidas.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resultado do Passatempo: Nix, Fantasmas do Passado

Ainda bem que estão atentos e não deixaram escapar esta oportunidade de passar as férias a ler!

Sem mais demoras, queremos agradecer à Editorial Presença mais uma colaboração e parabenizar Nélia Rosa de Ponta Delgada por ter ganho um exemplar de "Nix - Fantasmas do Passado"! Boas leituras e muitos mergulhos!

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Opinião: Pecados Santos, de Nuno Nepomuceno



Pecados SantosNuno Nepomuceno
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 448
Editor: Cultura Editora
  




Sinopse: 
Um rabino é encontrado morto numa das mais famosas sinagogas de Londres. O corpo, disposto como num quadro renascentista, representa o sacrifício do filho de Abraão, patriarca do povo judeu.
O caso parece ficar encerrado quando um jovem professor universitário a lecionar numa das faculdades da cidade é acusado do homicídio.
Mas é então que ocorrem outros crimes, recriando episódios bíblicos em circunstâncias cada vez mais macabras. E as dúvidas instalam-se.
Estarão ou não estes acontecimentos relacionados?
Porque insistirá a sua família em pedir ajuda a um antigo professor, ele próprio ainda em conflito com os seus próprios pecados?
As autoridades contratam uma jovem profiler criminal para as ajudar a descobrir a verdade. Mas conseguirá esta mente brilhante ultrapassar o facto de também ela ter sido uma vítima no passado?

Rating: 4.5/5
Comentário: Já todos estão mais que cansados de ouvir de falar do Nuno Nepomuceno. Duvido até que ainda haja alguém que não tenha ouvido falar do fantástico "Pecados Santos".
É inegável que os novos livros, a forma de os escrever, a construção de enredos e personagens do Nuno Nepomuceno têm vindo a crescer a olhos vistos de obra para obra, e não há como negar que este último bate os restantes aos pontos.
É um livro de acção, com intriga e conhecimento ao estilo do Dan Brown, mas no registo próprio do autor.
A acção começa intrigante e cheia de simbolismo, que vai sendo explorado ao longo da trama. A intriga é palpável, e o enlace histórico conduzido de forma fácil de empreender, continuando a ser interessante e estimulante. Acho que o autor conseguiu ensinar e passar as mensagens principais de forma resumida, mas tocando nos elementos certos. Este é de já um dos pontos fortes que o Nuno tem sempre revelado, a pesquisa intensa e segura com que se baseia e o modo esquemático como a entrega sem torná-la maçuda mas acutilante. Não conhecia muitos dos fundamentos da religião judaica e senti-me como uma aluna a aprender, mas de forma didáctica.
Existem várias teias narrativas, algumas meio a subterfúgio e que podem passar despercebidas a um olhar mais incauto. Estas acabam por conduzir a diversos dilemas e a alguns enigmas para resolver (de resto, fiquei bastante orgulhosa por ter antecipado dois deles, sendo no entanto bastante surpreendida com o final).
Embora o Afonso Catalão seja um anti-herói ao qual se lhe foi dada nova roupagem mediante os contactos especiais que vai tendo a um segmento da sociedade portuguesa, esta personagem cresceu neste livro. A um outro nível, a ligação à sua cara metade permitiu abordar outras questões da vida pessoal de ambos e fortalecer os laços de uma ligação que achei apressada e corriqueira no último livro.
De qualquer forma, esta fadada versão de homem dominado pelos seus demónios, perdoem-me a redundância, não terá como ganhar forma novamente, porque existe um limite do que é passível de aceitar numa personagem. Se ela voltar a entrar em cena, prevejo e aguardo por uma mudança de linha de abordagem narrativa.
Quando à acção em si, o encadeamento é lógico e acho que todos os níveis foram largamente abordados e fizeram-me sentido.
Contudo, continuo a achar que há alguma fragilidade do enredo que se evidencia sempre no final dos livros do autor (pelo menos neste e no anterior), que são abruptos e algo apressados, e com a colocação de elementos que pretendem chocar e causar reviravoltas, mas que a meu entender saem por vezes algo débeis. As explicações que são tão bem contextualizadas no restante livro acabam por sair aqui meio de chofre. Cumprem o propósito e revelam todos os pormenores necessários, mas fica a faltar algo no meu entender.
De qualquer forma, é certamente um vira páginas e foi uma óptima leitura para banhos de sol e horas de almoço apressadas. Conto estar atenta aos próximos trabalhos do autor e acompanhá-lo nas redes sociais. É que um bom espião que se preze já sabe que o Nuno vai deixando pistas sobre cenários geográficos a entrar em livros futuros quando anuncia as viagens que faz. Resta saber para onde nos levará na próxima!



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Opinião: Chama-me pelo Meu Nome, André Aciman



Chama-se Pelo Teu Nome
André Aciman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 284
Editor: Clube do Autor
  





Sinopse: 
Na idílica Riviera italiana nasce um romance intenso entre um rapaz de dezassete anos e o convidado dos pais, um estudante universitário que irá passar com eles umas semanas no verão.

A mansão sobre as falésias é povoada por um conjunto de personagens excêntricas, com um gosto especial pela boa vida. Mas nenhum dos jovens está preparado para as consequências da atração, que, durantes essas apaixonadas semanas de calor, mar e vinho, faz crescer entre eles o fascínio e o desejo, sentimentos que não conseguem suprimir, apesar de todas as proibições e dos perigos.

Divididos entre o receio das consequências e o fascínio que não conseguem esconder, avançam e recuam movidos pela curiosidade, o desejo, a obsessão e o medo, até se deixarem levar por uma paixão arrebatadora e descobrirem uma intimidade rara que temem nunca mais encontrar. 

Chama-me Pelo Teu Nome não é só uma história intemporal, é também uma análise franca, bela e dura sobre a paixão – como agimos, pensamos e sentimos. Uma elegia ao amor e um livro inesquecível.

Rating: 3/5
Comentário: Independentemente de gostarem ou não deste livro, é daqueles que de entranha na pele e todos o comentam. Confesso que já o terminei há algum tempo mas precisei de o processar para escrever uma opinião articulada. Como disse, as reacções tendem a ser antagónicas, mas quando o terminei senti que não estava para o oito, nem para o oitenta (e como tal, compreendia o porquê do livro ser acarinhado mas concordava também com os argumentos de quem não ficou fascinado pelo mais recente livro de André Aciman publicado em Portugal). Por isso mesmo senti necessidade de procurar um e outro lado da fasquia para discuti-lo.
"Chama-me pelo Meu Nome" recolhe-nos para os verões em Itália na década de 80, e é em parte uma personificação do idílico de verão que todos tivemos um dia (se é que ainda não o mantemos): os ares mediterrânicos, a praia e a gastronomia, o prazer de comer enquanto se sente o sol na pele, o enrolado do idioma italiano saboreado numa terra pequena, onde a familiaridade permite o aconchego do regresso mas é também um policiamento de condutas (contrariadas pelos nichos das falésias na praia e recantos junto a arvoredos e pomares). Sente-se o calor, o "dandismo",  o calcorrear despreocupado que só o verão pode pedir.
A isto acrescente-se o facto da família de Elio, o protagonista de 17 anos, pertencer ao mundo académico das Humanidades. Esta camada traz-nos todas as nuances da arte, da exploração dos idiomas, do conhecimento de escritores, filósofos, pintores e escultores, da música e da História, tudo inter conectado em conversas debaixo de lua pelo serão fora. Conseguem recriar a imagem?
É neste contexto que Elio nos apresenta quem é, como interage com o seu ambiente e quais são as angústias, tão adolescentes mas também adultas, que convulsionam o seu bem-estar.
Antes de enveredar pela análise do enredo principal, queria abordar o estilo do autor. É extremamente sensorial e cheio de nuances, apelando a todos os sentidos que temos através do canal da imaginação. Em algumas passagens achei-a quase que poética, lírica, e dedilhada com minúcia e delicadeza.
Dei por mim várias vezes enlevada, a seguir o raciocínio do autor quase que desligada da realidade. O problema é quando esse embalar era quebrado por algum calão pontual ou pelos pensamentos do Elio, que repentinamente se tornavam retorcidos para mim e até a meu entender desnecessários para o construir da narrativa.
Como a sinopse já subentende, vamos falar de amor, ou é essa a intenção de Aciman. Pegando no pressuposto que duas pessoas diferentes e de idades diferentes podem encontrar-se no momento certo e desenvolver um momento apoteótico e de enorme respeito e amor entre si, o autor traz-nos o desenrolar da relação de Elio e de Oliver, um académico convidado pelos pais do rapaz para passar uma temporada na sua casa e progredir o seu projecto de doutoramento.
Apesar de todo este nível de abertura, não é possível esquecer que o enquadramento temporal é a década de 80 em Itália, e numa Itália rural apesar de todos os pressupostos mais boémios e culturais que possam estar associados  à sua casa, mas que não seguem os padrões da comunidade local. O que perfaz que ao mesmo tempo que o discurso  impute uma incitação à liberdade, à descoberta da paixão e da sensualidade, também existe um elemento castrador, até imposto pelo próprio Elio.
Em muitas passagens, pela forma quase venérea como é escrito, deu-se-me muitas vezes a sensação de estar a ler uma fantasia reprimida, autobiográfica, uma paixão não realizada do autor. A não ser verdade, a intensidade da narrativa só revela ainda mais mestria.
Mas se tudo é positivo, qual o motivo porque disse entender as opiniões menos boas? Porque me apaixonei por tudo no livro, menos pelo que lhe dá forma - o romance, que para mim tem tudo menos romance.
Não sei se o desalento tenha a ver com estar na cabeça de um rapaz de 17 anos, ou se porque sempre fui uma pessoa mais de amores maduros e duradouros do que de paixões avassaladores e vorazes. Provavelmente teria preferido muito mais ouvir a voz do Oliver e conhecer os seus dilemas interiores porque as nuances que nos são transmitidas da sua personalidade despertam o interesse. Já Elio revela-se somente obcecado, de uma forma de ronda ali uma enorme instabilidade que não me convence como um comportamento normal ou padronizado de um adolescente da sua idade.
Senti falta da construção da relação, dos momentos passados a dois a estabelecer a intimidade, já que esses são referidos como factos mas não explorados ao momento, deixando em evidência a entrega à paixão e à vida sexual, mas de uma forma pujante que inibe o restante universo. O que não seria um problema tratando-se de um caso de verão, mas a história é sempre vendida pelo autor e pelas suas personagens como um amor, que com os seus contornos se prolongou para a vida, à sua maneira.
É precisamente por causa disso e de uma certa imiscuição no texto de um tom de incumprimento, frustração e saudosismo de um momento perdido ou que nunca aconteceu, que revejo uma vontade do autor em encontrar algo perdido, um voto de retratação com o passado. Talvez por isso não tenha dado tanto espaço na narrativa para os momentos do quotidiano e da sua vivência em férias, uma vez que os factos vividos já encaixam no seu puzzle interior, evidenciando as peças soltas que lhe faltavam para terminar a sua narrativa interior. Quer tenha sido um projecto de auto conhecimento e introspecção ou não, a história por si não me convenceu.
De qualquer forma, todos me dizem que o livro é um bom complemento ao filme (embora geralmente devesse ser o contrário) pelo que aguardo vê-lo em breve e ver se já me rendo mais à história de Elio e Oliver.







Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Opinião: Guerra - E se fosse aqui?, de Janne Teller



Guerra - E se fosse aqui?
de Janne Teller
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 64
Editor: Bertrand
  





Sinopse: 
Janne Teller faz uma experiência provocadora: vira do avesso a atual crise de migrantes e faz de nós os refugiados. Faz-nos ver como se sente alguém que é obrigado a fugir do seu país, a ser exilado e a lutar pela sobrevivência num país estrangeiro.

Neste conto, a Europa desintegrou-se devido à guerra e o único ponto do globo que está em paz e é acessível é o Médio Oriente. Seguimos a fuga de uma família comum e vemos a sua vida de refugiados através do seu filho de 14 anos.

Rating: 3/5
Comentário: No passado dia 11 tive a oportunidade de conhecer a autora Janne Teller, numa iniciativa conjunta com a Bertrand Editora (aos mais atentos, sorteámos a oportunidade de se juntarem a nós e de ganharem um exemplo assinado pelas mãos da própria autora).
Não há como falar de "Guerra" sem enunciar a vida e as experiências profissionais da autora. Jane é uma assaz activista pelos Direitos Humanos e conta com passagens pelas Nações Unidas e a União Europeia, Moçambique, Tânzania e Bangladesh, sempre relacionada com a questão da resolução de conflitos.
O contacto com populações em fuga, com necessidades de protecção, as faltas de meios suficientes, o desenraizamento forçado e a dor presencial facetada em todos os momentos terão tido certamente preponderância na redacção deste livro.
A premissa é interessante (e mais ainda, importante): pretende criar empatia para a questão dos refugiados ao abordar a história de um jovem de 14 anos nessa situação. A forma de chamar a atenção? Personificando a narrativa para cada país. Neste caso, o jovem visado é português e lida com uma guerra na Europa que de alguma forma o puxa de na direcção do norte de África à procura da tão almejada paz.
O livro tem frases curtas, directas, descritivas, factuais. Pretende obedecer mesmo a uma lógica de relato curto e seco sobre o que seria viver num Portugal devastado pela guerra. Enuncia ainda as milícias, as dificuldades de sobrevivência, o mal estar físico e colectivo, a falta de esperança.
E tudo escrito num livro com menos de 100 páginas, editado segundo a forma de um passaporte, com ilustrações apropriadas e que se encaixam na esquemática seleccionada. É ainda necessário acrescentar que até a capa tem pequenas variâncias, consoante o país, provavelmente numa tentativa gráfica de expressar o mais aproximado possível a concretização de um passaporte nas nossas mãos.
Como disse, falar deste livro implica referir a autora.
Ao longo da nossa conversa, Jane Teller confidencionou-nos de que todos os seus livros são escritos como forma de dar resposta às suas questões e dúvidas internas. E que mesmo essas nunca ficam respondidas na totalidade até ao contacto com o público, cujas sensibilidades e realidades acabam por traduzir em diferentes percepções da obra.
Este livro, que inicialmente era um pequeno ensaio publicado há uns anos numa revista, tem tido diferentes recepções. Se na Dinamarca, um político proeminente evidenciou que nunca se passaria nada semelhante no seu país, na Hungria foi encarado como uma provocação. A intenção nunca foi nem uma coisa nem outra, mas simplesmente colocar este assunto na ordem do dia, porque assuntos tabu não são discutidos e como tal, não são procuradas soluções para lidar com os desafios do dia a dia.
Perguntei-lhe se já tinha tido algum tipo de retorno por parte de refugiados, ao que ela nos indicou que sim, muitos deles sentindo-se gratos por finalmente terem um testemunho tão aproximado da realidade sobre as suas experiências, o que poderia ajudar amigos e conhecidos a compreender melhor o que é ser refugiado (muitos sentindo-se também bastante espantados por se depararem com uma mulher caucasiana como a autora desta obra).
Resta-me acrescentar que embora o grupo presente não tenha chegado a acordo, encaro esta obra como um livro para ser lido por todos, especialmente por jovens adultos, já que o mesmo pode ser um óptimo ponto de partida para discutir um dos grandes temas do século XXI. A vaga de refugiados que já está, e irá continuar a alterar o nosso modo de estar e ver o mundo, assim como o da sociedade europeia. Recomendo por isso a todos, sendo uma leitura com um carácter especialmente educativo.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Passatempo: Nix- Fantasmas do Passado, de Nathan Hill


Com a colaboração da Editorial Presença, temos para oferecer um dos exemplares do livro "NIX - Fantasmas do Passado", de Nathan Hill. 

Este foi um dos livros mais falados no mundo literário dos Estados Unidos e chegou a Portugal em Maio. Para se habilitarem a ganhar um exemplar, basta que preencham o formulário em baixo com os dados solicitados. 

Sinopse: Estamos em 2011. Há décadas que Samuel Andresen, professor universitário e escritor falhado, não vê Faye, sua mãe. Mas eis que ela reaparece, depois de ter cometido um crime que não só captou a atenção dos media mas que veio incendiar um país politicamente dividido. Faye é descrita como uma hippie radical com um passado sórdido. 

Contudo, tanto quanto Samuel sabe, Faye era uma rapariga comum que casou com o namorado do seu tempo do liceu. Que versão da sua mãe será a verdadeira? Mas duas coisas são evidentes: ela enfrenta acusações graves e precisa da ajuda de Samuel. 

Para a salvar, ele terá de embarcar na sua própria viagem, à descoberta de segredos há muito enterrados sobre a mulher que ele julgava conhecer - segredos que se arrastam ao longo de gerações e que têm origem na Noruega. À medida que empreende essa viagem, Samuel irá confrontar não só as perdas de Faye, mas também o seu próprio amor perdido, e irá reaprender tudo o que julgava saber sobre a mãe e sobre si próprio.

Desde o Midwest suburbano até à cidade de Nova Iorque e aos motins de 1968 que abalaram Chicago e outras cidades norte-americanas, Nix - Fantasmas do Passado explora - com um humor subtil e uma grande sensibilidade - a resiliência do amor, mesmo num tempo de mudanças radicais.

Bestseller do New York Times, vencedor do Los Angeles Times Book Prize para primeira obra de ficção e Finalista do National Book Critics Circle Award. Considerado o LIVRO DO ANO pelos principais meios de comunicação social internacionais. Meryl Streep e J.J. Abrams associam-se à Warner Bros TV na produção de uma série de TV baseada neste livro.

Primeiras Páginas aqui.

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 30 de julho de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.




«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Opinião: Ginástica Facial, de Sónia dos Santos



Ginástica Facial
de Sónia dos Santos
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 192
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
O aspeto da pele do rosto, as rugas de expressão, os sinais de flacidez e envelhecimento, com os efeitos do sol e da poluição diária, são algumas das preocupações que temos com o nosso rosto. O primeiro impulso é comprar cremes, caros e pouco indicados para a nossa pele, que não surtem o efeito desejado. 

E se lhe dissermos que bastam dez minutos por dia para ginasticar o seu rosto e trabalhar todos os músculos da face de forma a conseguir uma pele mais luminosa, elástica e jovem?

Em Ginástica facial, Sónia dos Santos, especialista em estética avançada, traz-lhe 31 exercícios de ginástica facial que vão transformar o seu rosto. Exercícios simples e rápidos, para fazer em casa, sem gastar dinheiro e com efeitos visíveis em pouco tempo. Inclui ainda receitas de máscaras faciais naturais, massagens para o rosto e conselhos de nutrição para alimentar bem a sua pele.


Rating: 4/5
Comentário: Quanto a vocês não sei, mas desde que passei a fasquia dos 25 que passei a ouvir a os célebres comentários a propósito da pele. De como ela vai encontrar-se com o poder da gravidade no futuro, de como os hormonas irão alterar a sua flexibilidade e capacidade de regeneração, que deveria começar a aplicar alguns cremes anti-idade adequados à minha faixa etária para atenuar rugas ou traços de expressão, que inevitavelmente iriam surgir.
Nestas coisas, acho que a experiência alheia é boa conselheira, e aconselhei-me junto de quem sabe para que no futuro não ficasse a chorar sobre o leite derramado. Mas sentia sempre falta de uma intervenção mais activa, que os cremes não mostram e não aparentam, especialmente quando me deparava com a zona das bochechas e do pescoço. Por essas e por outras, quando vi o lançamento da Manuscrito em Junho passado, cheguei à conclusão que era mesmo de um guia destes de que andava à procura.
Se exercitamos o cérebro, os músculos das pernas, coxas e barriga, porque não os da face? Este é o mote da Sónia Santos para nos demonstrar que com pouco esforço mas persistência podemos cuidar de nós e de um dos órgãos mais importantes que temos: a pele.
Se dizem que os olhos são o espelho da alma, a pele é sem dúvida o espelho do nosso organismo muitas vezes. Se não acreditam, não bebam água suficiente durante uns dias e durmam poucas horas por noite, encham-se de açúcar e fiquem em salas de fumo e vejam o que ela vos conta no dia seguinte!
Em "Ginástica Facial", a autora apresenta um guia cuidado, sucinto, esclarecedor e fácil de acompanhar. Era inevitável começar um livro deste género e não abordar questões relacionadas com  a pele em si. Recorrendo a esquemas e explicações breves, a autora explica a estrutura e o funcionamento da pele, a influência de várias fases da nossa vida sobre o orgão e o que podemos fazer para proteger a pele o melhor que pudermos.
Achei este capítulo inicial importante e pertinente, não só numa lógica de transmissão de conhecimento, mas também de identificação das nossas mazelas e potenciais causas. Acima de tudo, permitiu também aproveitar os exercícios mais indicados para a situação que queria corrigir.
A explicação dos exercícios está feita de uma forma bastante intuitiva, e sai facilitada pela divisão dos mesmos por faixas etárias, representações esquemáticas que evidenciam os movimentos a adoptar e o uso de fotografias da própria autora a executá-las.
Estive a experimentar alguns exercícios nos últimos meses e posso dizer que: a) fazer caretas ganha toda uma nova dimensão; b) se algumas "expressões"/exercícios acabam por ser algo desconfortáveis pelo tempo solicitado para os executar, à semelhança dos glúteos, tudo se trabalha e acaba por se tornar mais fácil, c) aliado a uma correcta hidratação e tratamento da pele, sinto que este plano de exercícios tem aumentado a sua elasticidade.
Finalmente, a pergunta que todos querem saber: se irá ajudar a atenuar o aparecimento de rugas? A autora, formada e especialista em pele, diz que sim e é essa a intenção. Mas naturalmente não as fará desaparecer ou não aparecer de todo. De qualquer forma, ofereço-me para regressar daqui a 10 anos com comentários mais pertinentes sobre esta ginástica facial!

Aproveito também para partilhar uma entrevista da autora sobre o assunto aqui.
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

domingo, 8 de julho de 2018

Passatempo: Meet&Greet com a autora Janne Teller

Boa tarde Encruzilhad@s,

Para alegrar o vosso Domingo temos um passatempo relâmpago!

Gostavam de ganhar o novo livro de Janne Teller, "Guerra"? Estão disponíveis para conhecer a autora dia 11 de Julho em Lisboa? Então este passatempo é o passatempo que estavam à procura.

Em parceria com a Editora Bertrand temos um exemplar do livro de "Guerra" de Janne Teller para oferecer assim como a oportunidade de conhecer a autora.


As condições deste passatempo são diferentes das habituais. Para se habilitarem a ganharem uma cópia deste livro terão de estar disponíveis para conhecer a autora em Lisboa dia 11 de Julho às 19 horas. Será no Meet&Greet que receberão o livro.

Se estão disponíveis no dia e hora acima estipulados preencham o formulário abaixo e boa sorte!

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 10 de Julho de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O/A vencedor/a compromete-se a estar presente no Meet&aGreet com a autora Janne Teller onde receberá a cópia do livro. O Meet&Greet será em Lisboa, em local a designar, dia 11 de Julho às 19 horas. Se por algum motivo o/a vencedor/a não poder comparecer o livro não será enviado por correio. 
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.
8) Para a participação ser válida os participantes tem de pôr um "gosto" na página de Facebook do Encruzilhadas Literárias e da Bertrand Editora.


sexta-feira, 29 de junho de 2018

Opinião: Segredos de Uma Alimentação Saudável, Michel Lallement





Segredos de Uma Alimentação Saudável
de Michel Lallement
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 256
Editor: Guerra & Paz


  



Sinopse: 
Agora sim! Um médico oncologista que nos ensina de forma simples, a prevenir e combater as doenças que mais nos afectam.
que têm em comum o cancro, o Alzheimer, a diabetes, a fibro­mialgia, a artrose, a osteoporose e a obesidade? Além de estarem a afectar cada vez mais pessoas, estas e outras doenças têm origem numa inflamação crónica das nossas células, cujas causas es­tão muitas vezes associadas ao consumo de alimentos tóxicos e a intolerâncias alimentares.
Em Segredos da Alimentação Saudável, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico,  explica e mostra-nos como funcionam na prática os mecanismos por meio dos quais intoxicamos o nosso organismo com uma alimentação inadequada e ensina-nos a escolher o que comemos, invertendo o caminho que nos pode levar ao encontro de algumas das piores doenças dos nossos dias. 

Rating: 3,5/5
Comentário: Acho que para falar sobre "Segredos de Uma Alimentação Saudável", terei de começar por abordar a experiência do autor enquanto profissional. Isto porque na atualidade proliferam livros sobre alimentação saudável, ou sustentável, ou para emagrecer, etc. No entanto, na medida em que este livro aborda a questão das doenças e a forma como estas duas temáticas se correlacionam, não estaria ao alcance de cada um criar um livro de referência sobre a temática.
"Confrontado durante duas décadas com o feroz aumento da incidência de cancro nos seus pacientes cada vez mais jovens, o Dr. Michel Lallement, cirurgião oncológico, dedicou muitos anos de trabalho e pesquisa para determinar o grau de influência dos factores nutricionais neste fenómeno. Desde 1991 envolvido no combate ao cancro, o Dr. Lallement propôs aos seus pacientes compilar toda a informação sobre os seus hábitos de alimentação, e foi com base nos resultados obtidos da análise desse dossiê, munido ao mesmo tempo dos mais recentes e avalizados estudos de outros médicos e investigadores desta área, que conseguiu chegar às impressionantes conclusões apresentadas em Comer Saúde, um êxito de vendas em França. Actualmente, o Dr. Lallement dedica-se à prevenção e acompanhamento terapêutico de doenças degenerativas. (Guerra & Paz)"É precisamente pela questão da inflamação e das inflamações crónicas que Michel Lallement começa este livro. Toda a parte introdutória do livro se dedica na abordagem ao processo inflamatório (o que é, potenciais causas e consequências, como é que a inflamação se relaciona com as doenças cancerígenas e qual o impacto da mesma na casualidade de progredirem para o aparecimento de cancros no futuro), sempre, claro, criando paralelos com a alimentação.
Evidenciando desde a primeira página que não pretende ser um livro de recomendação médica, mas de esclarecimento, o autor determina por diversas vezes a necessidade do leitor contactar outro colega de profissão em caso de necessidade.
É evidente que o livro foi pensado no mercado para o qual foi escrito, pelo que há diversas estatísticas que dizem respeito a França, mas é possível equacionar os valores correspondentes para o território nacional pelos artigos e reportagens que vão saindo sobre as temáticas abordadas de tempos a tempos.
Julgo que foi precisamente esta a abordagem que tornou a leitura mais fácil, mas também interessante e fresca, diferente do que tenho lido até então sobre as temáticas. Naturalmente abordas os alimentos e a alimentação pelo todo, focando-se mais nas propriedades e nas evidências científicas da aplicação de mais nutrientes ou proteínas provenientes de um leque da pirâmide alimentar em detrimento de outro.
Todo o discurso é realizado dentro da lógica do carácter consultivo e não dogmático, sem insistências, abordagens decisivas para que mudemos de vida ou geradores de culpa por falta de capacidade de correspondência. Acima de tudo, coloca disponível para o leitor o maior número de informação possível, seguindo os preceitos de que, no que respeita a médicos e a doenças, mas também aos livros o/a paciente é que sabe.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Opinião: A minha avó pede desculpa, de Fredrik Backman



A Minha Avó Pede Desculpa
de Fredrik Backman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 336
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

Rating: 4,5/5
Comentário: Há livros que nos conquistam com as suas narrativas. Este foi um deles.
Elsa é uma miúda cheia de sorte. Porque teve uma avozinha como a sua. E a Avozinha teve o maior dos tesouros, por poder partilhar um mundo de magia e aprendizagens com a sua neta, a pessoa que mais amou em todo o Mundo.
É precisamente através desta menina, cheia de genica e garra, que apesar de vítima de bullying não baixa os braços e se estende à derrota, e encontra formas de resposta (mesmo que estas não correspondam ao por si esperado) que nos vamos ligando e derretendo perante o seu olhar narrativo, já que é através dela que conhecemos toda a história. E também por isso é necessário, mesmo com uma escrita bastante fluída e leve, ler com atenção os relatos desta criança, para quem não passem despercebidos os ciúmes e inseguranças com o irmão mais novo, o medo de rejeição do padrasto quando o novo irmão nascer, o não ter nunca mais uma parceira de brincadeiras, agora que a avó se foi...
Existe uma ternura inalienável nas relações de avós e netos, especialmente naquelas que são dotadas de uma série de códigos especiais, rituais de convivência e amor, segredos que nem se partilham entre pais e filhos  e toda uma mescla de movimentos identificativos que tornam estas relações tão especiais. A desta avó e neta ainda ganha um destaque maior pelo imaginário e universo criado para esta neta, pautado por histórias que compõem toda uma realidade alternativa, e que de uma forma que Elsa nem imagina, irá condicionar toda a narrativa. Porque estas histórias serão a chave para a condução da narrativa, cujo desfecho e enlace será traduzido com mestria, delicadeza e uma enorme sensibilidade.
Outro ponto muito forte nos livros de Fredrik Backman, já sentido com "Um Homem Chamado Ove" é a importância do espírito de comunidade, da partilha de vivências entre vizinhos e das necessidades de não nos isolarmos. A teia que une estas personagens, que surge na edificação de um prédio onde todos habitam, traz mais nas suas estruturas do que seria inicialmente esperado.
A forma como estas personagens se interligam, com as mais diversas e complicadas personalidades, tendo como fio condutor esta miúda destemida, é uma delícia de descobrir. 
Com muitas mensagens especiais sobre a vivência e a condição humana, que são apresentadas com delicadeza e de forma subtil, o autor traz-nos uma belíssima narrativa, uma história familiar, e a noção importante que os laços, quando fortes, perduram para lá da morte.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.