sexta-feira, 15 de junho de 2018

Opinião: A minha avó pede desculpa, de Fredrik Backman



A Minha Avó Pede Desculpa
de Fredrik Backman
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 336
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Elsa tem sete anos de idade, quase oito, e é diferente. Para já, tem como melhor - e única - amiga a avó de setenta e sete anos de idade, que é doida: não levemente taralhoca, mas doida varrida a sério, capaz de se pôr à varanda a tentar atingir pessoas que querem falar sobre Jesus com uma arma de paintball, ou assaltar um jardim zoológico porque a neta está triste. Todas as noites, Elsa refugia-se nas histórias da Avozinha, cujo cenário é o reino de Miamas, na Terra-de-Quase-Acordar, um reino mágico onde o normal é ser diferente.

Quando a Avozinha morre de repente e deixa uma série de cartas a pedir desculpa às pessoas que prejudicou, tem início a maior aventura de Elsa. As cartas levam-na a descobrir o que se esconde por detrás das vidas de cada um dos estranhíssimos moradores de um prédio muito especial, mas também à verdade sobre contos de fadas, reinos encantados e a forma como as escolhas do passado de uma mulher ímpar criam raízes no futuro dos que a conheceram.

A minha avó pede desculpa é uma belíssima história, contada com o mesmo sentido de humor e a mesma emoção que o romance de estreia de Fredrik Backman, o bestseller internacional Um homem chamado Ove.

Rating: 4,5/5
Comentário: Há livros que nos conquistam com as suas narrativas. Este foi um deles.
Elsa é uma miúda cheia de sorte. Porque teve uma avozinha como a sua. E a Avozinha teve o maior dos tesouros, por poder partilhar um mundo de magia e aprendizagens com a sua neta, a pessoa que mais amou em todo o Mundo.
É precisamente através desta menina, cheia de genica e garra, que apesar de vítima de bullying não baixa os braços e se estende à derrota, e encontra formas de resposta (mesmo que estas não correspondam ao por si esperado) que nos vamos ligando e derretendo perante o seu olhar narrativo, já que é através dela que conhecemos toda a história. E também por isso é necessário, mesmo com uma escrita bastante fluída e leve, ler com atenção os relatos desta criança, para quem não passem despercebidos os ciúmes e inseguranças com o irmão mais novo, o medo de rejeição do padrasto quando o novo irmão nascer, o não ter nunca mais uma parceira de brincadeiras, agora que a avó se foi...
Existe uma ternura inalienável nas relações de avós e netos, especialmente naquelas que são dotadas de uma série de códigos especiais, rituais de convivência e amor, segredos que nem se partilham entre pais e filhos  e toda uma mescla de movimentos identificativos que tornam estas relações tão especiais. A desta avó e neta ainda ganha um destaque maior pelo imaginário e universo criado para esta neta, pautado por histórias que compõem toda uma realidade alternativa, e que de uma forma que Elsa nem imagina, irá condicionar toda a narrativa. Porque estas histórias serão a chave para a condução da narrativa, cujo desfecho e enlace será traduzido com mestria, delicadeza e uma enorme sensibilidade.
Outro ponto muito forte nos livros de Fredrik Backman, já sentido com "Um Homem Chamado Ove" é a importância do espírito de comunidade, da partilha de vivências entre vizinhos e das necessidades de não nos isolarmos. A teia que une estas personagens, que surge na edificação de um prédio onde todos habitam, traz mais nas suas estruturas do que seria inicialmente esperado.
A forma como estas personagens se interligam, com as mais diversas e complicadas personalidades, tendo como fio condutor esta miúda destemida, é uma delícia de descobrir. 
Com muitas mensagens especiais sobre a vivência e a condição humana, que são apresentadas com delicadeza e de forma subtil, o autor traz-nos uma belíssima narrativa, uma história familiar, e a noção importante que os laços, quando fortes, perduram para lá da morte.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Os Altos e Baixos do Meu Coração, de Becky Albertalli




Os Altos e Baixos do Meu Coração
de Becky Albertalli
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 288
Editor: Porto Editora
  


 

Sinopse: 
Aos 17 anos, Molly sabe tudo o que há para saber sobre o amor não correspondido. É que a jovem já se apaixonou 27 vezes, mas sempre em segredo. E por mais que a irmã gémea, Cassie, lhe diga para ter juízo, Molly tem sempre cuidado. É melhor ter cuidado do que sofrer.
Quando Cassie se apaixona, a sua nova relação traz um novo círculo de amigos. Dele faz parte Will, que é engraçado, namoradeiro e um excelente candidato a primeiro namorado da Molly.
Mas há um problema: o colega de Molly, Reid, um cromo e fã incondicional de Tolkien, por quem ela jamais se apaixonaria… certo?
Uma história divertida e comovente sobre primeiros amores e a importância de sermos fiéis a nós mesmos.


Rating: 4/5
Comentário: Becky Albertalli, quem me dera que tivesses escrito estes livros quando eu era adolescente. Porque acredita, teriam feito toda a diferença.
Estou a escrever-vos esta opinião com a companhia dos Florence and The Machine, aproveitem para os ouvir quando lerem este livro, porque é decididamente a sua banda sonora (vão descobrir porquê).
Li "Os Altos e Baixos do Meu Coração" num ápice, durante a tarde de hoje, porque precisava de uma leitura descontraída depois de umas semanas algo tumultuosas. Quando o acabei, fiquei cheia de vontade de partilhar convosco o porquê de não poderem perderem este livro (no caso de serem fãs de YA), e podem crer que me deito com o coração quentinho.
Julgo que nem a sinopse original nem esta fazem jus ao enredo. Porque sim, é sobre a Molly e sobre o seu coração palpitante; mas é muito mais do que isso. Porque todos os livros desta autora se debruçam essencialmente sobre uma necessidade primária de todos: a aceitação e a inclusão, seja ela resultante de que factor estiver em causa.
Não me vou debruçar sobre o conceito inclusivo, porque tal como a autora não lhe dá evidência (porque é uma coisa banal, é suposto ser uma coisa banal, estamos em pleno século XXI para os mais distraídos), também não o vou fazer. Um casal de mães, filhos por procriação assistida ou famílias judias e interraciais? São coisas que deveriam estar assentes nos nos alicerces societais. Por isso todos estes elementos são contextualizações para quem são a Cassie e a Molly, mas não os assuntos em destaque.
Então o que é que discute aqui? A aceitação. A auto-induzida e a vinda do mundo exterior, que muitas vezes é o principal factor a deixar-nos desconfortáveis na nossa pele, mesmo quando achamos que estamos bem e não precisamos de "arranjos".  A idade encarrega-se de nos ensinar estas coisas, mas a adolescência é um período especialmente difícil e todos os factores que nos fazem sentir desconectados, pertencentes a uma outra realidade, incapazes de assentar e fazer parte da maioria levam o ser humano mais confiante a colocar-se em causa.
Molly aborda muitas destas questões na forma como se sente: não descontente com o seu corpo, mas com o que os outros esperam dela por causa disso, não descontente com quem é, mas com medo que isso não chegue para não ser rejeitada pelos alvos do seu afecto, feliz pelo sucesso da irmã, mas incapaz de lidar com o seu pouco à-vontade nas situações onde ela é rainha (e na verdade não é, sendo tão frágil e sensível como a sua gémea), não descontente com os seus talentos, mas que lhe parecem tão banais ao pé de tantos jovens mais artísticos, destemidos, desenvolvidos e com objectivos claros.
Há vários assuntos que esta autora aborda, e que nunca vi abordados desta forma em nenhum livro YA que tenha lido até ao momento. Dou-vos como exemplo as dúvidas que podem assolar os adolescentes quando se vêem alvo de afecto, mas também inspirando-se no afecto que vêm no outro que não encaixa no dito padrão que a sociedade aceita. Para além do risco de abrir o coração e de ter a hipótese de o quebrar, se alguém escolhe como alvo de afecto "um falhado", um "elemento fora da caixa", o que é que isso diz de si? Serão também "falhados"?
Não se tratando de uma questão certa ou errada, o que a autora faz é relembrar-nos da fragilidade e exposição que a adolescência nos deixou/ deixa a todos e o quanto o mundo envolvente pode ser cruel (mesmo quando é bem intencionado) ao ditar-nos padrões aos quais não podemos ou não devemos escapar. E que para além disso, mesmo quando não queremos ou não somos os mais indicados para os seguir, nos perseguem precisamente por evidenciarmos a diferença.
E se existem jovens a ler este texto, vou deixar clara a mensagem da Becky: não há nada errado convosco. Se o mundo não vos aceita, o problema é dele, não vosso. Hão-de encontrar as pessoas certas que vos respeitem tal e qual já são, porque elas também já andam à vossa procura.
Não me revi nesta adolescente, mas sim em muitos dos seus pensamentos quando tinha a sua idade. É uma das características da Becky Albertalli: lembrar-nos que também um dia já fomos adolescentes (ou no caso dos leitores ainda o serem, de que há por aí outros iguais). Molly é intensa, e com um coração enorme, amada e capaz de reagir nos momentos indicados aos problemas que lhe assistem, mas também nervosa, insegura, ciumenta, engraçada, melhor amiga, irmã, filha, namorada. Mas é essencialmente a Molly.
Claro que não posso descurar ou passar em branco o romance. A autora sabe sempre tocar-nos no ponto fraco e trazer histórias ternurentas e cheias de palpitações, sonhos, agitação e desejo. Desejo que seja desta que a personagem tenha o seu final feliz, que dê tudo certo, que a vulnerabilidade dê recompensa. Que prevaleça a coragem, o amor, a amizade e o respeito mútuo. Que os adolescentes aprendam com bons exemplos. Que se revejam nos seus pares. E a Molly, no seu percurso lento, estudado, arriscado, e sempre sonhador, traz-nos todas as boas sensações sobre o que é estar apaixonado e ser-se correspondido, mesmo que o seu coração ande aos altos e baixos. Só me apetece relê-lo de novo. Como já disse ao início, deito-me de coração cheio.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O que fazemos com os seus dados?



Sim, calculamos que já deitem pelos olhos emails e notas informativas sobre a nova directiva europeia para a Protecção de Dados que entra e vigor amanhã. 

Apesar de geralmente não ser necessária nenhuma partilha de dados pessoais com o Encruzilhadas Literárias, acabamos por ter acesso a alguns dados pessoais quando provenientes de passatempos. Sendo assim, apesar de não termos uma Política de Privacidade formal, e porque queremos ser o mais transparentes possível com a parca informação que recolhemos, saibam que:

-Para efeitos de passatempo em formulário criado para o efeito, solicitamos apenas o nome completo, email e localidade.
-Aquando a selecção do vencedor/a, enviamos email a avisar a comunicar o resultado. Após confirmação do/a receptor/a, o formulário utilizado para o efeito é apagado. Não guardamos os seus dados pessoais para além do tempo estritamente necessário para apurar resultados.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados directamente pelo blogue - consta somente nos emails trocados com a quem se destinam os exemplares. Esses dados, embora expressos nos emails que guardamos para registo da nossa actividade, não são utilizados com qualquer outro propósito, nem partilhados com terceiros. A qualquer altura poderá solicitar que os apaguemos.
-A informação sobre moradas, necessárias para o envio dos exemplares - quando enviados pelas editoras - são reencaminhados pela gestão do blogue à pessoa responsável de contacto para que proceda ao envio. Cada editora, também sujeita à regulamentação GDPR apresenta na sua página uma secção dedicada à política de privacidade por eles exercida, a qual deve ser consultada directamente. Em qualquer momento, poderão solicitar que os dados em causa deixem de constar nas suas bases de dados, ou registo informático, devendo solicitar por escrito ao blogue a sua intenção, de forma a que a possamos comunicar directamente.

Qualquer dúvida ou esclarecimento necessário deverá ser remetido para o nosso contacto de email: encruzilhadas (@) gmail.com

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quarta-feira, 2 de maio de 2018

Porto Editora na Feira do Livro: Primeiras Novidades

 Os 20 anos do Nobel de Saramago, lançamentos de livros, atividades para toda a família e workshops são alguns dos destaques do espaço Autores Que Nos Unem


  
O Grupo Porto Editora volta a marcar presença em mais uma edição da Feira do Livro de Lisboa que, este ano, decorre de 25 de maio a 13 de junho, no Parque Eduardo VII.

 A preparação decorre há vários meses e são muitos os autores convidados para este encontro anual com os leitores, sob o mote Autores Que Nos Unem . Lançamentos, sessões de autógrafos, atividades para crianças, tertúlias, showcookings , workshops e várias outras ações vão, tal como nas edições anteriores, levar milhares de leitores ao espaço Autores Que Nos Unem para conhecer os seus escritores portugueses e estrangeiros de eleição e celebrar o livro e a leitura.

 A programação será divulgada ao longo das próximas semanas através do site www.autoresquenosunem.pt , redes sociais e outros meios.

 Para celebrar os 20 anos da atribuição do Nobel da Literatura a José Saramago , o espaço Autores que nos Unem vai ser palco de várias iniciativas e terá um pavilhão especial dedicado ao autor e à sua obra.

 Os leitores que visitarem o espaço Autores Que Nos Unem vão encontrar vários escritores portugueses, entre eles os que estão agora a lançar os seus livros mais recentes: Mário de Carvalho ( Burgueses somos nós todos ou ainda menos ), Richard Zimler ( Maria e Danilo e o Mágico Perdido ) e Jacinto Lucas Pires ( A gargalhada de Augusto Reis ) são alguns dos exemplos. Os visitantes vão também poder conhecer as novas obras e coleções da renovada Sextante Editora , que surgirá já este mês para uma nova década de bons livros. 

 No dia 4 de junho, o mestre espiritual brasileiro, Sri Prem Baba , estará na Feira para lançar Propósito e, a 13 de junho, será apresentada a obra António Variações: Entre Braga e Nova Iorque , assinada por Manuela Gonzaga .

Outras inicitivas:
  • Revisitação ao Caderno Diário da Memória com Mário Augusto (26 de maio e 2 de junho);
  • Sessão prática de Shinrin-Yoku (banhos de floresta), orientada por Alex Gesse, guia certificado da Shinrin Yoku Portugal (27 de maio);
  • Sérgio Godinho , José Riço Direitinho e Filipa Melo falam sobre Sexo na literatura , com destaque para as suas obras recentes dos autores (31 de maio);
  • Passeio noturno pela Lisboa desconhecida e insólita , guiado pelo autor, Anísio Franco (1 de junho);
  • O Poder dos seus gestos , workshop com a autora, Irina Golovanova (2 de junho);
  • Descãoplicar , ação pet friendly com o autor, Pedro Emanuel Paiva (10 de junho);
  • Evocação a Aquilino Ribeiro, com o lançamento de uma nova edição de Cinco Réis de Gente (10 de junho);
  • Sessões infantis com Luísa Ducla Soares (27 de maio e 2 de junho) e Álvaro Magalhães (3 de junho).

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Opinião: Reino de Feras, de Gin Phillips



Reino de Feras
de Gin Phillips

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 272
Editor: Suma de Letras Portugal
  


Sinopse: 
Lincoln é um bom menino. Aos quatro anos, é curioso, inteligente e bem-comportado. Lincoln faz o que a mãe diz e sabe quais são as regras.
«As regras hoje são diferentes. As regras são que temos de nos esconder e não deixar que o homem da pistola nos encontre.»
Quando um dia comum no Jardim Zoológico se transforma num pesadelo, Joan fica presa com o seu querido filho. tem de reunir todas as suas forças, encontrar a coragem oculta e proteger Lincoln a todo o custo – mesmo que isso signifique cruzar a linha entre o certo e o errado, entre a humanidade e o instinto animal.
É uma linha que nenhum de nós jamais sonharia cruzar.
Mas, por vezes, as regras são diferentes.
Um passeio de emoção magistral e uma exploração da maternidade em si – desde os ternos momentos de graça até ao poder selvagem. Reino de Feras questiona onde se encontra o limite entre o instinto animal para sobreviver e o dever humano de proteger os outros. Por quem deve uma mãe arriscar a sua vida?

Rating: 3/5
Comentário: Este livro é daqueles que têm como função dividir águas e grupos, com muitas opiniões diversificadas, o que para um primeiro romance para adultos (a autora é maioritariamente conhecida pelos seus livros infantis) é o melhor chamariz possível.
Depois de ter tido a oportunidade de o discutir com leitoras bem mais rápidas do que eu, tive curiosidade de saber o que esta leitura faria por mim, mesmo sabendo de antemão um ou outro pormenor.
Como enuncia a sinopse, Joan encontra-se no Jardim Zoológico com o seu filho Lincoln, quando se depara com o inesperado e se vê obrigada a esconder-se para proteger a sua vida e a do seu filho.
Com a infeliz frequência com que se vão sucedendo casos de tiroteios e sequestro pelos Estados Unidos, Gin Phillips poderia dar-nos uma visão resultante de uma fórmula que continua a ser frequente mas ainda assim aterradora. No entanto, vai mais longe e enuncia-nos uma caçada inexplicável e incoerente, que me relembrou o massacre de Anders Behring Breivik na Noruega em 2001. As razões do mesmo não são muito exploradas para além de umas breves nuances em jeito de explicação, mas cumprem o propósito de denotar que existe uma multiplicidade na perversidade alheia, que não se termina nos casos mais conhecidos; até porque também o fanatismo tem várias tonalidades de cinzento.
O cenário seleccionado é precisamente alvo dessa intenção premeditada e através de alguns momentos onde a abordagem se direcciona para um dos atiradores, conseguimos ter acesso a essa alegoria.
De qualquer forma, precisamente por se tratar de um jardim zoológico, senti que faltavam duas coisas: a primeira passa pela criação de um desenho esquemático em género de planta do Zoo, porque nem sempre foi fácil construir uma imagem mental para as deslocações dos personagens. Do ponto de vista do próprio espaço, a narrativa é pautada por muitos silêncios. Embora seja explicado em parte o motivo dessa ausência de ruído, estando num lugar repleto de animais, seria de esperar que uma situação avessa causasse não só um enorme impacto nos bichos, como estes se tornassem também imprevisíveis e mais um elemento de perigo.
A abordagem narrativa leva-nos em várias direcções, ao termos como companhia não só Joan e o seu filho, como um dos assassinos e algumas personagens secundárias. Estes permitiram que fosse tendo acesso a outros elementos da acção, de forma a compor um cenário mais exigente do que as narrativas individuais transmitiam ao longo da leitura.
Por falar em ritmo narrativo, admito que para os habitué no mundo do thriller este romance possa não parecer muito dinâmico, já que são somente dois ou três elementos a pontuar os momentos de maior acção, que nunca chega a ser verdadeiramente vertiginosa. Ainda assim, a acção faz sentido, o contexto está explicado e existe capacidade de encaixe e curiosidade para perceber o desvendar do conflito.
Relativamente às personagens, nem Joan nem o filho são companhias fáceis de suportar, ele porque sendo criança tem necessidades constantes, ela porque nem sempre é a mais inteligente nas decisões que toma. Ainda assim, é o facto de passarmos o tempo maioritariamente com eles que evidencia o real ponto forte da narrativa: o poder do amor maternal e todas as vertiginosas correntes que ele acarreta. Talvez esse amor não se evidencie tanto pelas acções mas pelas considerações que a personagem vai fazendo sobre o seu papel enquanto mãe e o crescimento do filho, quase que numa lembrança constante de que aquele menino terá de sair vivo daquela situação porque tem muito por viver e desenvolver.                           
É aqui que surge a controvérsia, por duas ou três decisões tomadas pela personagem. Posso dizer-vos que todas pessoas que são mães com quem falei deste momento, torceram o nariz à credibilidade do enredo e questionaram se a autora seria mãe na vida real. Não tendo acesso a essa informação, e não sabendo portanto se é isso que nos divide, uma vez que não tenho filhos também, a verdade é que uma das acções de Joan, por muito que chocante ao início (e algo que eu julgo nunca ser capaz de fazer), acabou por fazer sentido: a verdade é que o acompanhamento do raciocínio dela tornou-a plausível, especialmente porque também a personagem não está em paz com o seu comportamento, e isso em parte"desculpa-a".
Quanto à representação do mal, a análise das motivações primordiais deste grupo é algo fugidia para permitir grandes considerações, mas o tipo de discurso do elemento com o qual temos contacto, levou-me a crer que talvez se tratasse de alguém com algum défice de aprendizagem, o que traria uma abordagem bastante interessante sobre o perigo de reunir vários elementos explosivos no mesmo cocktail (especialmente pela capacidade de manipulação e promoção da maldade por parte do mundo exterior) .
O desfecho não foi surpreendente, mas cumpriu o seu propósito na totalidade. Algumas pontas são deixadas soltas ou por resolver, o que no contexto de um livro não traz grande nível de satisfação para o leitor. Da minha parte, tendo estado maioritariamente no papel de Joan, porque esta é a companhia mais regular da narrativa, optei por considerar que o facto desta decorrer ao momento, fez com que a personagem tivesse exactamente as mesmas dúvidas, as quais só veria esclarecidas posteriormente ao último momento do livro.
No geral, não é de todo um romance de ritmo acelerado. Muitas das situações relatadas foram provocadas de forma algo incisiva somente para que se pudessem desencadear os elementos perfeitos de uma perseguição de risco, levando o leitor sempre a crer que na ausência de uma decisão pouco inteligente, talvez nenhuma das personagens como potenciais vítimas fosse ameaçada.
Ainda assim, o facto que os pormenores estarem lá (mesmo que mais ou menos explorados), da escrita ser fluente e estar estruturada de forma interessante, leva-me a crer que Gin Phillips poderá trabalhar melhor os seus pontos fracos e trazer-nos um thriller em cheio muito em breve. Li-o em dois dias e quis muito conhecer o desfecho desta história. Podendo não ser o que os fãs do género procuram, é uma boa porta de entrada para leigos e curiosos do thriller.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 31 de março de 2018

Opinião: Boneca de Trapos, de Daniel Cole



Boneca de Trapos
de Daniel Cole

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 472
Editor: Suma de Letras Portugal
  




Sinopse: 
O teu nome está na lista. Conseguirás salvar-te?

William Fawkes, um controverso detetive conhecido por «Wolf», acabou de ser reintegrado no seu posto após ter sido suspenso por agressão a um suspeito. Ainda sob avaliação psicológica, Fawkes regressa ao ativo, ansioso por um caso importante. se encontra com a sua antiga colega e amiga, a inspetora Emily Baxter, num local de crime, tem a certeza de que é aquele o grande caso: o corpo que encontram é formado pelos membros de seis vítimas, suturados de modo a formar uma marioneta, que ficou conhecida como «Boneca de Trapos». Fawkes é incumbido de identificar as seis vítimas, mas tudo se complica quando a sua ex-mulher, que é repórter, recebe uma carta anónima com fotografias do local do crime, acompanhada de uma lista na qual constam os nomes de seis pessoas e as datas em que o homicida tenciona assassiná-las. O último nome da lista é o de Fawkes. A sentença de morte com data marcada desperta as memórias mais sombrias de Wolf. O detetive teme que os assassinatos tenham mais a ver com ele — e com o seu passado — do que qualquer um possa imaginar.

 

Rating: 4/5
Comentário: Todos sabem que a melhor parte dos policiais e dos thrillers é a tensão crescente e a necessidade de adivinhar o que é que vai acontecer a seguir. É por isso que os leio pouco, nunca aguento e fico maluca enquanto os leio. Adoro assistir séries e filmes do género, mas é certo que uma vez ou outra escondo a cara entre os dedos em antecipação. É uma tontice, mas que uma leitura impossibilita porque temos de ler todas as linhas para que o enredo faça sentido. Isso não me impede de gostar do género, e de tanto em tanto tempo seleccionar uma história para descobrir.
Daniel Cole trabalhou na produção de séries de acção e policial como 24 e como tal, é perito em reunir os ingredientes necessários para criar uma trama que prenda o leitor. Mas também sem esquecer que as personagens devem ser carismáticas e que algumas deverão ter o condão de nos pautar com muito momentos humorísticos, mesmo que de humor negro, como acontece neste livro.
Julgo que foi fácil para o autor reunir todos estes ingredientes, porque de facto dei por mim por diversas vezes a visualizar a acção como num episódio televisivo.
Daniel Cole fornece-nos uma personagem principal com os seus próprios mistérios, várias personagens secundárias com protagonismo e histórias individuais (o que num enredo de um policial nem sempre é fácil de surgir, assim como de manter o equilíbrio) fornecidas em pequenos pormenores que abrem o apetite para saber mais, e um criminoso que parece sempre estar à frente do departamento da polícia e do leitor.
Os crimes são desenhados com mestria e surpresa e não dão indícios ao leitor de que os mesmos irão acontecer e no formato em causa. Por outro lado, um ponto alto deste livro para mim passa pela descrição dos crimes e dos actos do criminoso. São claros, bem distintos, mas sem excesso de pormenores e imagens gráficas, as quais eu dispenso de sobremaneira.
É bastante claro, desde início, que existe uma relação entre o momento inicial narrado e o caso que está a ser discutido posteriormente e que dá nome ao livro, e este quebra-cabeças acompanha o leitor e fá-lo tentar descortinar pistas ao longo de cada momento da narrativa.
Adorei a interacção das personagens, as piadas sarcásticas, a acção interrupta e o estilo corriqueiro que fizeram as páginas voar a um ritmo acelerado.
O desfecho é completamente inesperado e alguns pontos causaram estranheza, que se explica por este ser o primeiro livro de uma série, com elementos a serem explorados em próximos volumes.
No total, destaco principalmente esta equipa de polícias que para mim foi o ponto forte da narrativa, mais até do que o crime em causa, e cuja estrutura se assemelha mesmo à das séries televisivas.
Vou estar atenta aos próximos livros e desafios de Wolf, até porque gostaria de saber qual o ponto de partida de um próximo volume atendendo ao desfecho de "Boneca de Trapos".

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 6 de março de 2018

Opinio: A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da, de Mark Manson



A Arte Subtil de Saber Dizer Que Se F*da
de Mark Manson

 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas: 208
Editor: Desassossego
  


Sinopse: 
Uma abordagem que nos desafia os instintos e nos força a questionar tudo o que sabemos sobre a vida
Durante décadas convenceram-nos de que o pensamento positivo era a chave para uma vida rica e feliz. Mas esses dias chegaram ao fim. Que se f*da o pensamento positivo! Mark Manson acredita que a sociedade está contaminada por grandes doses de treta e de expectativas ilusórias em relação a nós próprios e ao mundo.
Recorrendo a um estilo brutalmente honesto, Manson mostra-nos que o caminho para melhorar a nossa vida requer aprender a lidar com a adversidade. Aconselha-nos a conhecer os nossos limites e a aceitá-los, pois no momento em que reconhecemos os nossos receios, falhas e incertezas, podemos começar a enfrentar as verdades dolorosas e a focar-nos no que realmente importa.
Recheado de humor e experiências de vida, A Arte Subtil De Saber Dizer Que Se F*da é o soco no estômago que as novas gerações precisam para não se perderem num mundo cada vez mais fútil.

Rating: 3/5
Comentário: Quem já nos acompanha há uns tempos, sabe que não tenho por hábito ler livros de auto-ajuda e/ou desenvolvimento pessoal; mas este título sobressaiu no meio das novidades editoriais do início do ano e achei que era uma lufada de ar fresco necessária no que tocava ao meu panorama de leituras.
De qualquer forma, não acho que este livro de Mark Manson se encaixe verdadeiramente em nenhuma destes géneros. Isto porque o autor nos apresenta, acima de tudo, o que é a sua visão do mundo e o que fazer para enfrentá-lo, visão essa que advém (embora o mesmo se tenha especializado no assunto através do ganho de competências ao longo dos anos a escrever colunas sobre a temática) de uma base empírica, e que como tal, pouco ou nenhum fundamento científico tem. Mas também sou apologista que na maioria dos casos, não são os estudos ou as intervenções científicas que se adaptam melhor às nossas necessidades do dia a dia, mas os mecanismos de resposta que vamos adquirindo através da experiência e das coisas que nos correm melhor ou pior. Dito isto, é a partir deste pressuposto que o autor nos apresenta um conjunto de acções/ projecções de vida por si adquiridas e que, fazendo-lhe sentido e tendo-lhe trazido um maior nível de bem-estar, este decide partilhá-lhas connosco.
Não há como começar a escrever sobre elas sem referir o título. Quando o vi em português, quis ir descobrir o original (já que sabemos que as traduções nunca são fáceis, especialmente pela impossibilidade literal de comportar os mesmos significados e intenções para um público socio- culturalmente diferente). A aproximação entre ambos está deliciosa, embora no fundo não compreenda o alcance que o autor lhe quis transmitir. Se a expressão "que se f*da" se prende mais com a intenção de embora pesando as consequências e as responsabilidades dos nossos pensamentos e acções, decidimos avançar, pensando que logo se vê no que é que vai dar (e mandando-as para trás das costas), verbalizar um "not giving a f*ck", transmite mais a ideia de que as coisas deixam, efectivamente, de ter importância (isto, claro, no meu entender). Ainda assim, ambos cumprem o propósito de chamar a atenção do leitor para a necessidade de equacionar o que é que anda a fazer e quanto tempo perde preocupado com coisas que, a acontecer, não merecem o tempo que lhes dispensamos.
Compreendendo o que é que os críticos indicam como uma abordagem contra intuitiva, os princípios com os quais o autor se rege não me eram desconhecidos (alguns até os coloco em prática, na minha medida) e portanto não posso dizer que contenham o factor "uau" que poderá ter para muitas outras pessoas. Ainda assim, não posso negar que foi um prazer encontrar outro semelhante naquelas páginas porque, como o autor enuncia a determinada altura, não somos assim tão especiais nem diferentes uns dos outros.
É um livro que cria uma abordagem crítica ao egocentrismo e antropocentrismo que rege a maioria das sociedades (especialmente as ocidentais, sendo as que o autor naturalmente conhece mais de perto), e que esparrama as suas fragilidades diante dos olhos do leitor. Mas também reforça com contra indicativos formatos para contrariar as ratoeiras por elas criadas.
Podendo ser ligeiramente provocador a determinadas alturas, reconheço que Mark Manson sofre de um dos mal por si enunciados, já que contrariando o que disse anteriormente, o seu posicionamento quando nos apresenta quais os mecanismos ditos contra intuitivos, é precisamente numa lógica dourada, como se a sua metodologia fosse A certa e devesse ser adoptada por todos, não fosse verdade que ao não o fazerem, a responsabilidade dos seus problemas será somente sua.
Falando em responsabilidade, um dos capítulos que achei mais interessantes passa precisamente pela relação dinâmica entre culpa e responsabilidade, segundo uma abordagem que já pratico no meu dia a dia, embora considere algo perigosa pela aura de plenitude que o autor transmite. A título de exemplo, ele relata um caso de um pai que perdeu um filho e refuta a sua teoria. Diz ter-se sentido inicialmente culpado, mas que no fundo depois de ponderar o assunto considera estar correcto. No meu entender, esta análise a todos os níveis e esferas da nossa vida pode desenvolver outros sentimentos de culpa e inadaptabilidade, precisamente porque acontecimentos mais trágicos nem sempre nos permitem reagir segundo um plano de acção e que não acho, de todo, que alguém se deva culpar e responsabilizar por isso (Leiam o livro e venham discutir esta teoria comigo mais tarde!).
O segundo capítulo que mais ocupou a minha atenção tratou das relações tóxicas e de dependência, e neste caso acho que o autor acertar na mouche.
No fundo, não concordando na totalidade com as várias indicações transmitidas pelo autor, considero que "A Arte Subtil de Saber Dizer Que se F*da" não deixa de ser uma lufada de ar fresco e de remexer algumas mentes que nunca se tenham debruçado sobre as temáticas abordadas pelo autor segundo este prisma. São provocadoras, mas não se imiscuem no universo dos leitores, já que o livro está montado quase que numa lógica de story telling, evidenciando precisamente os desafios sentidos pelo autor ao longo da sua vida, e as respostas que teve de dar para vencer um obstáculo, tornando-as depois mantras para vencer numa vida mais simples e feliz.
Merece ser lido e discutido, já que os posicionamentos enunciados pelo autor pretendem acima de tudo servir como alavancas para o despertar de consciências. E se no final aprendermos todos a dizer "que se f*da" ou "not giving a f*ck" mediante uma série de circunstâncias da nova vida, o livro cumprirá o seu propósito.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Opinião: As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do Ministério do Tempo



As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do 
Ministério do Tempo

 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 448
Editor: Manuscrito
  



Sinopse: 
Será que Viriato foi mesmo o primeiro grande herói de Portugal?
Conhece a história do rei que foi casado com duas mulheres?
Sabia que o infante D. Henrique, o Navegador, fundador da Escola de Sagres, pouco ou nada andou de barco?

Com base na série de ficção histórica da RTP que conquistou os portugueses - Ministério do Tempo -, As Curiosidades da História de Portugal no Arquivo do Ministério do Tempo reúne 64 episódios curiosos da História de Portugal. Partindo desde os tempos mais remotos, atravessando a Idade Média e a Idade Moderna, para chegar à época contemporânea, vamos reviver nestas páginas a nossa História pelo seu lado mais curioso, inusitado e divertido, pondo em causa alguns dos factos que os livros de História sempre nos deram como certos.

Na mesma época em que os marinheiros portugueses davam novos mundos ao mundo, D. João II ficou a conhecer o incrível segredo das Portas do Tempo. Para as gerir criou o Ministério do Tempo. E atribuiu-lhe uma única missão: garantir que ninguém viaja ao passado para alterar o presente. O Ministério do Tempo mantém-se aberto até aos nossos dias. É o grande segredo do Estado Português. A sua existência passa da boca de uns poucos eleitos para os ouvidos de outros. Apenas os melhores e mais úteis são chamados para trabalhar no Ministério do Tempo.

Rating: 4/5
Comentário: Não sei quanto a vocês, mas sempre fui uma enorme fã de História, desde miúda. O prazer de assistir a "O Ministério do Tempo" proveio precisamente do facto da série trazer de uma forma divertida, vários contextos de época que se introduziam na História de Portugal, sem correr o risco de efectivamente a contar e entrar em incongruências. A parte mais engraçada passou precisamente pela entrada de personagens históricas, que enlaçadas por um sentido de humor bastante inteligente, lançavam vários comentários que só o ouvido mais atento e algo conhecedor poderia entender na totalidade, sem estragar no entanto a visualização para o público vasto.
Nesse sentido, e porque sempre tive curiosidade sobre factos menos conhecidos da História de Portugal, quis muito ler este lançamento da Manuscrito.
Começo por dizer que da série do "Ministério do Tempo", só herda o título, pelo que os fãs da mesma que não forem acérrimos da História de Portugal podem não divertir-se por aí além. Julgo que, embora cumpra o seu propósito, já que o mesmo acaba por utilizar a referência à série, poderia ter um capítulo introdutório que incidisse mais na lógica da ficção, do género de um relatório de missão ou nem que fosse um apanhado que contextualizasse a série.
Seguidamente, confesso que me assustei com o primeiro capítulo, porque esperava algo mais leve e a linguagem pareceu-me demasiado enciclopédica para o que pretendia ser uma colectânea de episódios curiosos da História de Portugal.
Felizmente, essa situação compreendeu somente o capítulo inicial e permitiu-me desfrutar em pleno dos restantes do modo que esperava: uma redacção episódica, simples, fácil de acompanhar e com algum sentido de humor envolvido, nem que fosse pelo tipo de casos seleccionados.
O livro está organizado por ordem cronológica, acompanhando todos os períodos da História do nosso país até ao 25 de Abril, sendo que os casos seleccionados se inserem em narrativas menos conhecidas sobre a nossa História para cada um desses períodos.
Outra questão interessante, para além das pertinentes chamadas de atenção, passou pela apresentação de referências e datas-chave em quadros de chamada de atenção, que facilitam ainda situar os enredos narrados não só no plano nacional, mas também europeu.
Várias personalidades, já de todos conhecidas pela intervenção dos manuais escolares ganham assim uma nova cor, com destaque para situações menos exploradas ou de total desconhecimento da maioria das pessoas. A título de exemplo, poderão descobrir que Vasco da Gama não era santinho nenhum, que a expressão "Deus, Pátria e Família" pode não ser tão lusa como o esperado ou que o romance de D. Fernando com D. Leonor Teles podia não ser tão afogueado como nós pensamos. A tão fantástica polémica de D. Afonso Henriques e D. Teresa? Claro que não poderia faltar.
Os episódios são curiosos, interessantes, sucintos e capazes de captar a atenção do leitor, para além de virem relatados em capítulos breves.
Eu optei por vir descobrindo estes e outros momentos um de cada vez, para saborear em pleno cada novo momento descoberto. É um óptimo livro para relaxar ao final do dia e descansar a cabeça após um dia de trabalho. Fica a recomendação.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Uma Mulher Desnecessária, de Rabih Alameddine



Uma Mulher Desnecessária
de  Rabih Alameddine
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 264
Editor: Porto Editora
  


Sinopse: 
Aaliya Saleh vive sozinha no seu apartamento em Beirute, rodeada por pilhas e pilhas de livros. Sem Deus, sem pai, sem filhos e divorciada, Aaliya é o «apêndice desnecessário» da sua família. Todos os anos, ela traduz um novo livro para árabe, e depois guarda-o. Os trinta e sete livros que Aaliya já traduziu nunca foram lidos por ninguém. Depois de ouvir as vizinhas, as três «bruxas», a criticar a extrema brancura do seu cabelo, Aaliya tinge-o… de azul.

Neste assombroso retrato da crise de idade de uma mulher solitária, os leitores seguem a mente errante de Aaliya, à medida que ela vagueia pelas visões do passado e do presente da capital do Líbano: reflexões coloridas sobre literatura, filosofia e arte são invadidas por memórias da guerra civil libanesa e do próprio passado volátil de Aaliya. Ao tentar superar o envelhecimento do corpo e as inoportunas explosões emocionais que o acompanham, Aaliya é confrontada com um desastre impensável que ameaça estilhaçar a quietude da vida que ela escolheu para si mesma.

Rating: 4/5
Comentário: Reconheço que este possa não ser um livro para qualquer leitor ou leitora, mas foi dos mais bonitos que li ultimamente. Rabih Alameddine traz-nos a história de uma mulher que à luz da sociedade que a acolhe é precisamente aquilo que o título enuncia: uma mulher desnecessária. Uma mulher que não cumpre os preceitos societais através da sua vida pessoal nem constribui activamente com uma actividade profissional que seja compreendida e aceite pela população em geral. Para além disso, e mesmo que seja de desconhecimento geral, o seu passatempo de tradução acaba por se assemelhar a uma pequena ocupação inglória, atendendo a que o resultado dessa tradução acaba arrumado em caixas espalhadas pela sua casa. Ou será que a sua produção vale pela acção e tempo investido, independentemente do resultado? Até que ponto os nossos interesses são válidos só porque nos dão prazer?
Esta é uma das questões que fica latente ao longo da narrativa e a qual vai sendo abordada e desvendada ponto por ponto, especialmente com reflexões mais aprofundadas e acutilantes sobre a arte da tradução e todos os preceitos que a cobrem.
Simultâneamente, os singelos acontecimentos da vida quotidiana são elucidações e pontes de transposição para outras partes da vida passada desta mulher, que não fossem esses momentos e quase que validações da sua presença e existência, teria passado a vida em branco.
São também os pequenos acontecimentos do presente que lhe atribuem uma certa dimensão corpórea, que desfaz a ilusão de que Aaliya só vive no passado e não tem existência no mundo actual. E esses pequenos momentos, tão caricatos, são também aqueles que reforçam um carácter mais ligeiro a um livro carregado de melancolia, despreendimento e alguma dose de luto pelo mundo já vivido, pelas personagens que passaram pela sua vida e já não estão presentes e por aquilo que Aaliya foi e/ou poderia ter sido.
"Uma Mulher Desnecessária" é também uma ode à arte, com inúmeras reflexões filosóficas e abordagens artísticas, desde a música clássica à, naturalmente, literatura. São mencionados vários autores e autoras, com muitas citações e até desconstruções sobre o que foi por estes/as referenciado. E em variados momentos mais corriqueiros, talvez porque estes/as sejam os companheiros e companheiras que mais a acompanham (mesmo que no campo metafórico) ao longo de toda a sua vida, as análises por estes/as produzida quase que justificam ou valorizam os seus pensamentos.
Não tenho a certeza de tratar-se de liberdade de tradução, mas a referência constante à obra de Fernando Pessoa pareceu-me a determinada altura como excessiva. Percebo a necessidade de aproximar a leitura à realidade do leitor, mas sem que esta deturpe o original quanto ao seu enquadramento geográfico.
No geral, este é um livro muito especial e cheio de nuances, com uma abordagem sensível e sublime ao que é ser mulher na Líbia, sem tomar as dores e as percepções de todo um género mas recriando uma história que facilmente se enquadra na temática. É um enredo que conjuga subtileza, estética, filosofia e poesia, assim como representações multiculturais que não podem nem devem ser desmerecidas.
É um óptimo livro, com um ritmo lânguido que pede para ser lido com prazer e calma. Recomendo.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Opinião: Os Falsários, de Bradford Morrow



Os Falsários
de  Braford Morrow
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 264
Editor: Clube do Autor
  





Sinopse: 
Na tradição dos policiais de Agatha Christie e Arthur Conan Doyle, um romance misterioso e profundo sobre o fascínio do colecionismo e o lado sombrio do comércio de livros raros.

O que acontece quando mentimos tão bem que perdemos a noção do que é real? Numa prosa magnificamente cuidada, Bradford Morrow traça uma linha débil entre o devaneio e a intuição, a memória e a ficção autoilusória, entre o amor verdadeiro e o falso.

Uma comunidade bibliófila é abalada com a notícia de que Adam, um colecionador de livros raros, foi atacado e as suas mãos decepadas. Sem suspeitos, a polícia não consegue avançar no caso, e a irmã procura desesperadamente uma pista.

Ao longo das páginas repletas de mistério e simbologias, escritores famosos e citações brilhantes, Will, cunhado e colega de profissão de Adam Diehl, tenta obter uma resposta e, ao mesmo tempo, escapar às ameaças do misterioso «Henry James». Consciente do simbolismo do caso, ele sabe que um homem sem mãos se vê privado do instrumento mais precioso quando se trata de imitar a caligrafia de William Faulkner, James Joyce, Conan Doyle e outros que tais. Na verdade, Will, ele próprio genial falsário, talvez saiba demais.

Rating: 3/5
Comentário: Vamos começar pelo elementar: não acho que "Os Falsários" seja um livro para todos. Mas quem gostar do género, vai deixar-se embrenhar pelo enredo, não tanto pela acção mas mais pela teia que é montada.
Nunca li Agatha Christie, por isso não tenho elemento de comparação, mas o que posso dizer é que embora esta história se inicie com um crime, rapidamente se transforma num livro de memórias do narrador, que utiliza o crime como ponto de partida para enunciar a sua história, assim como definir os caminhos que o ligam a esse acontecimento (neste caso, pelo facto de conhecer a vítima).
Ainda assim, há sempre a nuance de mistério porque o crime, por si bastante estranho, vai sendo alvo de debate e exploração fugidia ao longo de todo o romance. É certo que a determinada altura há uma quase certeza da origem e razão do seu desfecho, mas ainda assim aguarda-nos sempre um elemento que induz a insegurança de se estar a ser precipitadamente rápido a julgar a evidenciar juízos de valor.
Outra coisa de renome é o amor aos livros, que é evidenciado de diversas formas e por diferentes personagens, o que só transmite que este é também um objecto de apreço para o autor.
O mundo das falsificações das obras de arte é sempre interessante para quem gosta de livros e que, ainda que não sendo bibliófilo no sentido mais lato, tem interesse em perceber o objecto e colecção e qual a sua validade e interesse no seio do mercado dos livros raros.
Existe na mesma o misto de mistério e de uma certa latência lânguida que o arrasta, o coloca num sfumato que nunca o tira de cena mas também não o traz para o plano principal da acção, e cujo desenvolvimento é paralelo, contínuo, e explorado quanto baste até que a terminologia da cadência narrativa traga novamente o crime para a ribalta.
Sendo um livro de quase memória e com um cunho tão pessoal, "Os Falsários" contam uma história passada, completa, sem grandes sobressaltos ou composições rápidas como as dos thrillers actuais. Mas traz a capacidade de desvendar um mistério ao decompô-lo por partes, de forma a analisar o todo, e de descobrir a lógica por detrás da engrenagem. É assim um livro muito mais intelectual ou de análise crítica, mas óptimo para quem se julga à altura de um bom mistério.


 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Resultado do Passatempo: Limões na Madrugada

A Cultura Editora começou a sua actividade no ano passado, e desde então não pára de mandar cartas. Desde uma série de escritores e escritoras de mão cheia até livros com imensa qualidade! É por isso um prazer seguir de perto o seu trabalho, e estejam atentos ao que poderá vir no futuro, porque a lista de novos autores só pode vir a crescer (já agora, quem é que anda de olhos no novo livro do Nuno Nepomuceno, "Pecados Santos"? ;)). 

Mas é para falar da Carla M. Soares que aqui estamos. Acompanho o trabalho da autora desde o início e estes últimos trabalhos em particular têm um gosto especial porque pude acompanhar o seu processo de concretização de perto. Nesse seguimento, por um enorme prazer conseguir trazer-vos um passatempo com o mais recente livro da autora, "Limões na Madrugada". O passatempo teve imensas participações, o que só demonstra que este livro é uma aposta ganha. Aos não vencedores, não deixem de o procurar numa livraria perto de vocês! 

Mas sem mais conversa, porque o que querem é descobrir quem é o vencedor, aqui fica o resultado: parabéns Mazé Moura, o livro segue para Ermesinde muito em breve! Aos restantes, obrigada por se manterem desse lado nos últimos 8 anos, e espero que continuemos a partilhar opiniões e novas leituras em conjunto durante muito mais tempo! 


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Novidades 20| 20 no primeiro semestre de 2018!


***
ELSINORE (Ficção Literária)
Dos Estados Unidos à Indonésia, da Argentina a Israel, não esquecendo Espanha, França e o Reino Unido, o mundo inteiro cabe dentro das páginas dos lançamentos do primeiro semestre da Elsinore. Literatura de hoje e do agora, que parte em busca de novos territórios literários e de ensaios que tentam compreender os dias que atravessamos. Ficções e não ficções de Daniel Mendelsohn, Eka Kurniawan, João Reis, Julie Lekstrom Himes, Maggie O' Farrell, Marina Perezagua, Michel Rio, Paul Beatty, Samanta Schweblin, Viet Thanh Nguyen e Zeruya Shalev. No final do ano, a muito aguardada autobiografia de David Lynch. Entre nós e as palavras, grandes livros. 

FEVEREIRO
A Tempestade- Contos Reunidos, de Marina Perezagua
Foi através do conto que Marina Perezagua se revelou nas letras espanholas, conquistando automaticamente um singular lugar na ficção contemporânea. Esta antologia reúne contos dos livros Criaturas Abisales (2011) e Leche (2013). Nascida em Sevilha, em 1978, Marina Perezagua é autora ainda dos romances Yoro e Don Quijote de Manhattan.
Na Elsinore: Yoro.

Homem-Tigre, de Eka Kurniawan
Nascido na Indonésia, em 1975, e autor de romances e antologias de contos, Eka Kurniawan é uma das mais recentes e fulgurantes revelações da literatura mundial. Com a tradução inglesa das suas obras, o seu peculiar universo literário chegou a um número ainda mais vasto de leitores, num êxito acompanhado pela crítica. Homem-Tigre integrou a longlist do prestigiado Man Booker Internacional Prize, em 2016, e tem vindo a ser traduzido um pouco por todo o mundo. Trata-se do segundo romance de Eka Kurniawan, publicado na Indonésia em 2004 e com tradução inglesa em 2015. Passado numa pequena cidade costeira da Indonésia, Homem-Tigre conta a história de duas famílias. No centro do enredo está Margio, um homem comum a tantos outros, exceto no facto de esconder dentro de si um tigre branco. As intrigas e as traições entre as duas famílias vão agitar este ser mágico, rumo a um final arrebatador. Lírico, experimental, político e jocosamente escandaloso, Homem-Tigre é um dos romances mais marcantes dos últimos anos.

MARÇO
A Dança do Rapaz Branco, de Paul Beatty
Romance de estreia de Paul Beatty, autor do consagrado O Vendido, vencedor do Man Booker Prize de 2016. Neste primeiro romance do escritor norte-americano já estão presentes os ingredientes que o têm evidenciado no contexto da Literatura de Língua Inglesa: escrita versátil, do erudito ao calão, humor subtil e inesperado, e uma atenção especial aos temas da raça e da condição afro-americana. Num passe de dança, um rapaz muda-se de Santa Monica para Los Angeles e do anonimato para a fama. Mas como se sabe, a boa música e a boa dança não duram para sempre. Na Elsinore: O Vendido.  

ABRIL
A Devastação do Silêncio, de João Reis
O terceiro romance de João Reis, o segundo publicado pela Elsinore, é passado na Primeira Guerra Mundial, da qual se assinala, em 2018, o centenário do armistício. O romance não é uma recriação da presença portuguesa no conflito, nem da batalha mais famosa em que o Corpo Expedicionário Português esteve envolvido. Mas evoca o ambiente da Grande Guerra, tendo como protagonistas alguns sobreviventes de um batalhão português desbaratado pelos alemães. Mordaz, irónico e torrencial, A Devastação do Silêncio é uma deambulação pela humanidade que até nas situações limite, como a guerra, emerge. Na Elsinore: A Avó e a Neve Russa.

O Gato, o Anku e o Maori, de Michel Rio
O mais recente livro de uma das mais surpreendentes vozes da literatura francesa atual. Nascido na Bretanha, em 1945, Michel Rio é autor de uma vasta obra, já distinguida com vários prémios. O Gato, o Anku e o Maori, ilustrado por Marie Belorgey, conta as aventuras burlescas de Jules Joseph Chamsou, gato de curiosidade infinita.

I am I am I am, de Maggie O' Farrell
Não foi uma, nem duas, nem três, mas 17 visões da morte que a escritora Maggie O’Farrell colecionou até agora. Do parto às complicações da idade, sem esquecer as doenças crónicas, a vida ensinou-lhe a ouvir o corpo, a relativizar a desgraça e a ter esperança no futuro. Ensinou-lhe, também, que para falar na primeira pessoa o melhor é esquecer a ficção. Foi o que fez. Ao fim de sete romances, a escritora irlandesa, nascida em 1972 e vencedora de uma edição do Costa Book Awards, abriu o livro das suas memórias. Em 17 capítulos trata de outras tantas partes do corpo que estiveram na origem de um susto e de um sobressalto (sistema circulatório, pescoço, crânio, intestinos, etc.). A vida como ela é.  
MAIO
Mikhail e Margarita, de Julie Lekstrom Himes
Um romance sobre um romance. De um lado, a história por detrás de um dos grandes clássicos do século XX, Margarida e o Mestre, de Mikhail Bulgakov. Do outro, o ambiente político e a perseguição aos escritores na URSS. Uma história apaixonante sobre personagens de papel e de carne e osso.

Pássaros na Boca, de Samanta Schweblin
Nova edição, a primeira na Elsinore, da mais popular recolha de contos de Samanta Schweblin, escritora argentina nascida em 1978. Herdeira dos grandes contistas do seu país, nomeadamente Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, os seus contos são histórias moldadas por quotidianos inquietos e delirantes, onde o inesperado e o fantástico quebram a rotina do dia a dia. Na Elsinore: Distância de Segurança.
JUNHO
The Refugees, de Viet Thanh Nguyen
Depois do sucesso de O Simpatizante, a estreia mais aclamada dos últimos tempos, distinguida com o Pulitzer Prize for Fiction, entre outros galardões, Viet Thanh Nguyen regressa com um volume de contos. O que interessa ao escritor norte-americano de ascendência vietnamita são as personagens divididas entre dois mundos, duas culturas, dois destinos. Como ele. Na Elsinore: O Simpatizante.

Uma Odisseia - Um Pai, um Filho e um Épico, de Daniel Mendelsohn
Um livro surpreendente sobre a união (e oposição) entre pai e filho. Quando o pai de Daniel Mendelsohn, matemático reformado de 81 anos, se inscreveu no seu curso sobre a Odisseia, de Homero, este especialista em estudos clássicos estava longe de imaginar o quanto ia aprender sobre a sua família. Segredos revelados por um épico.

Dor, de Zeruya Shalev
Sexto romance de Zeruya Shalev, nome destacado da literatura israelita atual. Uma história de família que espelha a longa viagem de um país.

E no segundo semestre…
Vinte e Uma lições para o século XXI, de Yuval Noah Harari
O muito aguardado novo ensaio de Yuval Noah Harari, autor dos best-sellers mundiais Sapiens e Homo Deus. Depois de ter olhado para o passado e tentado antever o que reserva o futuro, o historiador israelita foca-se nos desafios do presente. Em vários capítulos, Yuval Harari aborda temas como a imigração ou o terrorismo, assim como a vida contemporânea. Na Elsinore: Sapiens e Homo Deus.
Room to Dream: A Life, de David Lynch
A muito aguardada autobiografia do realizador norte-americano. Como os seus filmes, este livro também não cabe numa sinopse. 

CAVALO DE FERRO (Ficção Literária)
De todas as proveniências e em todos os géneros, teremos, no primeiro semestre de 2018, romances, contos e ensaios de Joseph Roth, Shirley Jackson, Julio Cortázar, Elias Canetti, Czesław Miłosz, Dino Buzzati ou Magda Szabó.

JANEIRO
Confissão de um Assassino - Relato de uma noite, de Joseph Roth
Um dos romances mais famosos de Joseph Roth, jornalista e escritor austríaco, nascido em 1894 e falecido em 1939. Judeu, combateu na Primeira Guerra Mundial e denunciou os avanços sanguinários do regime nazi. Nas suas obras encontramos um admirável fresco da Europa das primeiras décadas do século XX. Como diz o subtítulo, Confissão de um Assassino é o relato de uma noite, de uma fuga, de um crime.

FEVEREIRO
A Maldição de Hill House, de Shirley Jackson
Publicado em 1959, A Maldição de Hill House é uma revisitação (e atualização) das histórias de fantasmas. De resto, nos seus contos e romances, a escritora norte-americana (1916-1965) sempre procurou ambientes e personagens assombrados. Na Cavalo de Ferro: Sempre Vivemos no Castelo.

MARÇO
As Dezassete Pequenas Histórias, de AA. VV.
Antologia de 17 contos de autores sul-americanos, numa parceria com o Centro de Estudos Comparatistas da Universidade de Lisboa.

Os Prémios, de Julio Cortázar
Publicado originalmente em 1960, Os Prémios é o primeiro romance de Julio Cortázar e, em muitos aspetos, um verdadeiro percursor de O Jogo do Mundo – Rayuela, lançado três anos mais tarde. Tem como protagonistas os vencedores de uma lotaria que recebem como prémio uma viagem num cruzeiro sem destino conhecido. O mistério adensa-se ainda mais, a meio da viagem, quando os passageiros são informados de que houve um problema no navio e que não podem sair de uma área de segurança. Encarando o problema como um jogo, todos tentam perceber o que aconteceu, ao mesmo tempo que o passado (os pequenos dramas quotidianos) e o futuro (as ansias por cumprir) emergem com uma força incontrolável. Até agora inédito em Portugal.
Na Cavalo de Ferro: As Armas Secretas, Bestiário, Final do Jogo, Gostamos Tanto da Glenda, Octaedro, Todos os Fogos o Fogo, O Jogo do Mundo – Rayuela, A Volta do Dia em 80 Mundos, Papéis Inesperados e Aulas de Literatura.

ABRIL
A Língua Resgatada - História de uma Juventude, de Elias Canetti
Dando sequência à publicação em Portugal das obras de Elias Canetti, a Cavalo de Ferro edita a monumental autobiografia de Elias Canetti, Prémio Nobel de Literatura em 1981. Três volumes a lançar em 2018: A Língua Resgatada - História de uma Juventude e O Archote na Orelha - História de uma vida 1921-1931, ambos no primeiro semestre, e O Jogo de Olhares - História de Vida 1931 – 1937, no segundo.
Na Cavalo de Ferro: Auto-de-Fé, A Consciência das Palavras e Massa e Poder.

A Mente Aprisionada, de Czesław Miłosz
«O tema em discussão é a vulnerabilidade da mente do século XX perante as doutrinas sociopolíticas e a sua predisposição para aceitar o terror do totalitarismo em nome de um futuro hipotético. Assim sendo, o livro transcende limitações de tempo e lugar ao explorar as causas mais profundas do atual anseio por uma qualquer certeza, por mais ilusória que seja.». Eis como Czesław Miłosz apresentava este seu livro escrito logo em 1951/52. Um estudo visionário sobre a violência política e ideológica.

60 contos, de Dino Buzzati
Recolha clássica dos melhores contos de Dino Buzzatti. Inclui histórias curtas nunca publicadas em Portugal.
Na Cavalo de Ferro: O Deserto dos Tártaros, Os Sete Mensageiros, A Derrocada da Baliverna, Pânico no Scala, O Segredo do Bosque Velho e O Grande Retrato.

MAIO
A Lã e a Neve, de Ferreira de Castro
Continuação da publicação da obra de Ferreira de Castro, um dos mais destacados escritores portugueses do século XX. Publica-se agora A Lã e a Neve, lançado inicialmente em 1947. Um poderoso retrato dos habitantes da Serra da Estrela durante a II Guerra Mundial.
Na Cavalo de Ferro: A Experiência, A Missão, A Selva, A Tempestade, Emigrantes e Terra Fria.

JUNHO
Rua Katalin, de Magda Szabó
Toda a delicadeza e genialidade da escritora húngara, nascida em 1917 e falecida em 2007, em mais um romance inesquecível. Rua Katalin, de 1962, foi lançado antes de A Porta e da proibição de publicar a que Magda Szabó foi sujeita pelo regime comunista. Retrata as vidas desfeitas pela Segunda Guerra Mundial e o ambiente que se seguiu ao conflito.
Na Cavalo de Ferro: A Porta.

O Archote na Orelha - História de uma vida 1921-1931, de Elias Canetti
Segundo volume da autobiografia de Elias Canetti.
Na Cavalo de Ferro: Auto-de-Fé, A Consciência das Palavras e Massa e Poder.


***

TOPSELLER (Ficção)

Thrillers, Ficção Romântica e Erótica e Literatura Fantástica. Um cocktail de géneros para todos os gostos e sentidos. Eis alguns dos destaques dos primeiros meses do ano onde novos autores se apresentam aos leitores portugueses e séries bem-sucedidas conhecem novos títulos.

APOSTA: Da mesma equipa internacional (editora e marketing) que trabalhou as obras A Rapariga no Comboio e Escrito na Água, de Paula Hawkins, chega a Portugal Anatomia de Um Escândalo, de Sarah Vaughan. Esta será a grande aposta da Topseller para o primeiro semestre.

JANEIRO
Julianne Donaldson, autora num género apreciado sobretudo pelo público feminino, o romance feminino de época, estreia-se nas livrarias nacionais, em janeiro, com Verão em Edenbrooke. Com uma excelente classificação de 4.8 na Amazon, e 4,34 no Goodreads, este livro oferece ao leitor, como descreveu a Publishers Weekly, «Uma história que irá aquecer os corações».  Às livrarias chega também Quase Adulta, de Jami Attenberg.

FEVEREIRO
Em fevereiro, Sabrina Jeffries apresenta-se igualmente aos leitores nacionais. Autora bestseller norte-americana, conta com mais de 50 romances e contos publicados, 9 milhões de livros vendidos em 20 línguas. Estreia-se agora em Portugal com A Verdade sobre o Lorde Stoneville. E, porque este é o mês dos namorados, Melissa Pimentel traz-nos uma história romântica e divertida: Procura-se Homem (sem Compromisso). Do romance ao erotismo, O Prof, de Vi Keeland, está de volta para aumentar a temperatura da leitura.

Do Romance para o Thriller, C.L Taylor, autora de A Fuga, regressa com Desaparecido: No Rasto de Billy, enquanto K.L. Slater, autora de A Salvo Comigo, repete presença com Sem Rasto.

Na Topseller#Bliss, uma das autoras preferidas do público jovem adulto, Jenny Han, traz-nos um novo romance, o último da série Todos os Rapazes que Amei: Agora e para Sempre. Emily Barr, autora de A Única Memória de Flora Banks, está de regresso com uma história, tocante e dramática, passada nas ruas do Brasil. «Para conseguirmos realizar sonhos, perceber quem somos e estarmos em paz com o mundo, podemos ter de percorrer caminhos tortuosos. Mas com sorte (muita sorte!), chegamos lá!»

MARÇO
Da mesma equipa internacional (editora e marketing) que trabalhou as obras A Rapariga no Comboio e Escrito na Água, de Paula Hawkins, chega a Portugal Anatomia de Um Escândalo, de Sarah Vaughan. Esta será a grande aposta da Topseller para o primeiro semestre. Elogiado pela crítica que teve previamente acesso ao texto, Vaughan oferece-nos uma perspetiva
fascinante sobre as maquinações escondidas num escândalo político e sobre o conflito entre justiça e privilégio. Um romance notável arrebatador.

— “A strong choice for book clubs. Former political correspondent Vaughan makes an impressive debut with this savvy, propulsive courtroom drama.”Kirkus Reviews (starred review)

— “Vaughan offers gripping insight into a political scandal’s hidden machinations and the tension between justice and privilege…Absorbing, polished.”Booklist (starred review)

— “Skillfully interweaving the story of the unfolding scandal, Vaughan gradually reveals just how shockingly high the stakes are…Sinewy…engrossing, twist-filled.” Publishers Weekly (starred review)

A Rapariga Alemã marca nova estreia em Portugal, agora de Armando Lucas Correa, jornalista espanhol multipremiado e Editor da versão espanhola da revista People. Esta é a história emocionante de duas raparigas, cujas vidas, separadas por mais de 50 anos de história, se encontram marcadas pelo peso da memória e pelo impacto de dois dos eventos mais traumáticos da história moderna: a 2.ª Guerra Mundial e o 11 de setembro. “Fascinating . . . a brilliant entrée into the terrors, ardors, endeavors, hopeless valor, and souls of those who have been written off. . . . Now, in a new age of people in peril and adrift on the world’s seas, this magnificent novel—and the unexpected and intricate tragedies of its powerfully imagined characters—bespeaks this eternal injustice.” — Thomas Keneally, autor de A Lista de Schindler

Ainda em Março, chegam às livrarias Batman: Vigilante Noturno, da DC Icons Series, e Às Cegas: Num Mundo Enlouquecido em Quem Podes Confiar?, de Josh Malerman, ambos de literatura fantástica, e o thriller Sem Saída, de Taylor Adams.

ABRIL 
Em abril, o islandês Ragnar Jónasson regressa com um novo thriller, Blackout, depois dos já publicados Noite Cega e Neve Cega. Ginny Moon, livro de estreia de Benjamin Ludwig, chega a Portugal com múltiplos elogios da crítica internacional (Amazon Best Book of May 2017). Uma história tocante sobre a jornada de uma jovem especial em busca da mãe biológica.

"Ludwig's novel recalls Mark Haddon's The Curious Incident of the Dog in the Night-Time in the singular way it filters domestic tensions through the hyper-alert yet skewed viewpoint of a special-needs child.... He also succeeds in locating a plangent, unpatronizing humor in Ginny's literalness and deadpan certitude." - The New York Times Book Review

Ainda em Abril, eis alguns titulos que vão chegar às livrarias: Wicked Grind, J. Kenner, The Rogue Not Taken, de Sarah MacLean (Romance), Ginny Moon, de Benjamin Ludwig (Literatura Traduzida) e Sem Saída, de Taylor Adams (Thriller). Julie Buxbaum, Anna Snoekstra, Nick Clark Windo, Valerie Bowman são alguns dos autores que terão, também, obras publicadas. Na Topseller#Bliss, chega às livrarias o segundo volume de The Call, de Peadar O'Guilin.

MAIO
Ainda a tempo das férias de verão, ótimas para pôr a leitura em dia, chega o mais recente livro de Matt Haig, Humans, o elogiado autor de Como Parar Tempo, obra que chegará ao cinema com Benedict Cumberbatch como protagonista. Depois de A Próxima Vítima e O Olhar da Mente, o sueco Hakan Nesser regressa com… The Return.

Com presença prevista para a Feira do Livro de Lisboa, a dinamarquesa Sara Blædel traz consigo um entusiasmante thriller: The Night Women. "Crime-writer superstar Sara Blaedel's great skill is in weaving a heartbreaking social history into an edge-of-your-chair thriller while at the same time creating a detective who's as emotionally rich and real as a close friend."―Oprah.com; "One of the best I've come across."―Michael Connelly

Chris Carter, Philippa Greggory, Cass Green, Mark Lawrence, Jean E. Pendziwol, Karin Tidbeck, Susanne Jansson, Laura Marshall e Barbara Taylor Bradford, são alguns dos autores publicados até ao final de Julho e que, entre ação e muita emoção, vão preencher os dias e noites com excelentes histórias.

VOGAIS (Não-ficção)

JANEIRO
Pensar como Nelson Mandela, de Adam Smith
Um dos mais respeitados líderes dos tempos modernos, Nelson Mandela inspirou gerações de políticos, pensadores e cidadãos comuns um pouco por todo o mundo. No ano do centenário da sua morte, a Vogais edita Pensar como Nelson Mandela, um livro que reúne os seus ideais e filosofias, revelando como estes podem ser aplicados a todas as áreas da vida. Vai ficar a saber o que Nelson Mandela e conhecer a história extraordinária da vida e obra de Mandela, que o fez chegar ao epíteto de pai da moderna nação sul-africana.

FEVEREIRO
Amon: O Meu Avô Poderia Ter-me Matado, de Jennifer Teege com Nikola Sellmair
Há uma infinidade de pequenas e tocantes histórias dentro da grande História da II Guerra Mundial, mas poucas tão surpreendentes como a que Jennifer Teege conta neste livro. Um dia, na Biblioteca Central de Hamburgo, Jennifer deparou-se com um livro que captou de imediato a sua atenção. Chama-se A História de vida de Monika Göth, filha do comandante do campo de concentração de A Lista de Schindler (papel que valeu a Ralph Fiennes a nomeação para os óscares). Era uma curiosa coincidência, já que a sua mãe também se chamava Monika e Jennifer, antes de ser adotada, também usava o apelido de Göth. Anos antes, a sua mãe, incapaz de criar a filha, dera-lhe para adoção, e um manto de silêncio caiu sobre o seu passado. Mas esse livro devolveu-lhe tudo, de uma só vez, sem filtros, nem avisos. A Monika Göth era mesmo a sua mãe. E Amon, o tenebroso comandante do campo de concentração de Cracóvia, o seu… avô. Para quem estudou em Israel, tem imensos amigos judeus e é Tom Gates, cileção premiada da autoria da btritâniuca Liz Pichon Liz Pichon
filha de pai nigeriano (logo não totalmente ariana), foi um choque. «O meu avô poderia ter-me matado», foi uma das suas primeiras conclusões. Mas foi também um encontro consigo mesma, com as depressões constantes da mãe, com as suas próprias recaídas. Foi, ao fim e ao cabo, uma redenção pessoal, que teve como última etapa a publicação deste poderoso relato, escrito a meias com a jornalista Nikola Sellmair.

Tudo bem aí em baixo? As respostas de um urologista às perguntas que não temos coragem de fazer, de Oliver Gralla
Enquanto para as mulheres uma ida ao ginecologista já se tornou uma rotina, os homens ainda sentem alguma vergonha em consultar um especialista quando precisam de uma vistoria ao «andar de baixo». De modo a combater a ignorância, prevenir experiências de autocura e esquecer inibições, o Dr.Gralla aborda, num tom descontraído, assuntos como a infertilidade, a disfunção erétil, a ejaculação precoce, os níveis de testosterona e a contraceção, explicando-os de forma clara e com bases científicas. Tudo Bem aí em Baixo? não é o típico guia médico com receitas, mas sim um manual explicativo e divertido, apelando a curiosos e a todos os que ainda têm vergonha de consultar um especialista. Além de conselhos médicos, o Dr. Gralla oferece uma grande dose de humor, ao relatar uma série de episódios anedóticos passados no seu consultório. E este livro não é só para homens. Também as mulheres poderão aprender muito. Afinal, o que se passa na cabeça deles nem sempre é tão simples quanto parece.

MARÇO
Em Busca da Memória: A Luta Contra a Doença de Alzheimer, de Joseph Jebelli
A Organização Mundial de Saúde estima que em todo o mundo existam 47,5 milhões de pessoas com demência, número que pode atingir os 75,6 milhões em 2030 e quase triplicar em 2050 para os 135,5 milhões. Em Busca da Memória, da autoria do neurocientista britânico de 31 anos Joseph Jebelli, é sobre o passado, o presente e o futuro da doença de Alzheimer. Desde o primeiro caso registado há mais de cem anos até à inovadora investigação que está em curso, numa história capaz de rivalizar com qualquer romance policial, onde os heróis são os cientistas do mundo inteiro e os corajosos pacientes e as suas famílias. Um relato em que o autor dá rostos à doença para revelar uma pandemia que demorou séculos a detetar, lembrando a todos de que nunca devemos tomar a memória — o nosso bem mais precioso — como garantida. «A pesquisa clara, abrangente e vividamente escrita da procura por uma cura. O cerco está a apertar-se e a doença de Alzheimer já não tem onde se esconder.» THE TIMES

MAIO
O Carisma de Hitler, de Laurence Rees
Movido pelo ódio e incapaz de estabelecer relacionamentos humanos normais, Adolf Hitler foi um líder improvável. Neste novo livro, o aclamado historiador Laurence Rees explica como foi possível Hitler tornar-se uma figura tão atraente e mobilizadora, traçando então um retrato revelando a importância que o “carisma” desempenhou no seu sucesso enquanto mobilizador de multidões e egos. O Carisma de Hitler sucede à recente obra editada pela Vogais, Holocausto (2017).


JUNHO
The Good Mothers, Alex Perry
Já ouviu falar da 'Ndrangheta? E da Cosa Nostra? Pois, é natural. As duas são associações mafiosas, mas a primeira, a 'Ndrangheta, tem um código de silêncio quase impenetrável e de lealdade absoluta. «Kill or go to your grave before betraying The Family». Com atuação no sul de Itália, na região da Calábria, nos últimos anos tornou-se uma das mais poderosas organizações criminosas. Dominada por homens, a intolerância da 'Ndrangheta, sobretudo face ao papel das mulheres, virou-se contra ela e abriu uma brecha de informação que pode ser determinante para levar os seus responsáveis a tribunal. Em The Good Mother’s, Alex Perry, jornalista com colaborações na TIME e agora na Newsweek, revela a demanda por Liberdade de três mulheres. Apoiadas pela procuradora Alessandra Cerreti, elas fugiram, falaram, denunciaram. Nem todas sobreviveram.


***


NASCENTE

DESTAQUE
Cozinha Verde, de Filipa Range (Prefácio de André Silva, deputado e porta-voz do PAN)
Mais do que uma moda, a alimentação vegetariana tem vindo a tornar-se, para milhares de portugueses, num estilo de vida. São já mais de 120 mil os vegetarianos em portugal, e muitos mais são os curiosos que tem adaptado ideias do vegetarianismo para disfrutar de uma alimentação mais saudável. Filipa Range, autora do blogue, agora título do seu primeiro livro, A Cozinha Verde, é uma das responsáveis por este crescimento. Ser vegan não significa comer apenas couves e quinoa, ou gastar todo o dinheiro em ingredientes caros e extravagantes com nomes que nem consegue pronunciar. E, sobretudo, não significa comer menos ou pior. Com 60 receitas deliciosas e simples, A Cozinha Verde é também um guia prático para descobrir todos os conceitos da alimentação vegan, quais os seus benefícios, segredos e curiosidades.

FÁBULA (Infantojuvenil literária)

FEVEREIRO
Civilização e Outros Contos, de Eça de Queirós
Também na coleção Tesouros da Literatura, uma seleção dos melhores contos de Eça de Queirós. São eles: Civilização, A Aia, O Tesouro, O Suave Milagre, Outro Amável Milagre, Singularidades de Uma Rapariga Loura, Frei Genebro, A Perfeição e José Matias. Prefácio de Maria do Rosário Pedreira.

Começa numa Semente, de Laura Knowles
Uma delicada e visualmente deslumbrante viagem pelas estações que mostra aos mais pequenos como uma única semente se transforma numa árvore grandiosa, sem esquecer todas as criaturas que fazem dela a sua casa.

MARÇO
Sem Rede, de Margarida Fonseca Santos
Novo volume da coleção A Escolha é Minha, na qual Margarida Fonseca Santos, uma das mais destacadas escritoras da Literatura infantojuvenil, aborda os desafios que todos os jovens têm de enfrentar. O tema, agora, é como enfrentar uma situação de urgência e perigo iminente, como um grande incêndio.

Vinte Fábulas de La Fontaine
O maravilhoso mundo das fábulas de La Fontaine, com seleção e reescrita de José Jorge Letria. Volume integrado na coleção Pé de Pato.

Franklin e a Livraria Voadora, de Jen Campbell
Ele é um dragão, ela gosta muito de ler. Ele assusta toda a gente, ela não tem medo de ninguém. Ele surge em muitas histórias, ela anda sempre à procura de novas. Assim são as personagens, amigos improváveis e inseparáveis, deste deslumbrante álbum ilustrado de Jean Campbell.

Matilde: Mas Que Grande Constipação!, de Mary Katherine Martins e Silva
Novo volume da série Matilde, personagem criada por Mary Katherine Martins e Silva. A Matilde é uma menina que gosta muito da família, dos amigos, de brincar e... de já conseguir fazer várias coisas sozinha! Está a descobrir o mundo e tem muitas histórias para contar.

ABRIL
Malvina, A Bruxa Malvada, de Miguel Borges
Uma Bruxa Malvada, mas muito animada, com vassoura mágica e vida pouco trágica, em busca da aventura e da alegria que perdura. Assim é Malvina, figura central do álbum ilustrado de Miguel Borges.

Matilde: Vasco Este É o Bacio!, de Mary Katherine Martins e Silva
Novo volume da série Matilde, que terá agora de ensinar o irmão a usar o bacio.

MAIO As Aventuras de Huckleberry Finn, de Mark Twain (Tesouros da Literatura)
O clássico de Mark Twain em mais um volume da coleção Tesouros da Literatura.  

O Jardim Secreto, de Frances Hodgson Burnett (Tesouros da Literatura)
Um dos romances mais conhecidos de Frances Hodgson Burnett, um dos nomes centrais da literatura infantojuvenil da língua inglesa do final do século XIX e inícios do XX. Um clássico intemporal inserido na coleção Tesouros da Literatura.

JUNHO
Lendas de Portugal, de José Viale Moutinho
Algumas das mais famosas lendas de Portugal, com seleção e reescrita de José Viale Moutinho. Volume integrado na coleção Pé de Pato.


BOOKSMILE (Infantojuvenil)

Líder no segmento infantojuvenil, a Booksmile terá em 2018 um catálogo rico em livros de qualidade a pensar no desenvolvimento dos mais pequeninos e no incentivo à leitura desde o pré-escolar. Clássicos da literatura infantojuvenil, contos de fadas que atravessam gerações e narrativas aparentemente simples para temas complexos.

DESTAQUES
Tom Gates, coleção multipremiada da autora britânica Liz Pichon, soma mais um volume, o 9.º. Tom Gates 9: No TOP da Turma (Quase) chega às livrarias em fevereiro.
Ultrapassados os 250 mil livros editados, a coleção O Bando das Cavernas, escrita e ilustrada pelo português Nuno Caravela, já se impôs no mercado editorial português e é já uma das favoritas das crianças entre os 6 e os 10 anos. E O Bando das Cavernas 20: O Rebelde chega às livrarias em março com uma surpresa associada: uma das personagens saltou da imaginação de uma criança, num desafio lançado nas redes sociais e escolas. De Maria Inês de Almeida, também a coleção Simão, pensada para crianças a partir dos 4 anos, soma e segue com dois novos exemplares: Simão, o Pequeno Leão 6: O Circo Chegou!; Simão, o Pequeno Leão 7: Vamos Acampar!.
Abril é mês de licenças importantes entrarem em campo. Editora dos livros oficias LEGO® em Portugal, a Booksmile lança quatro livros da Série DC LEGO® DC Super Heroes, onde as estrelas são alguns dos super-heróis preferidos de miúdos e graúdos. Série de enorme sucesso na Cartoon Network, as aventuras de Ben 10 vão saltar do ecrã para os livros (leitura e atividades) — mais livros destas duas licenças serão lançados em maio e junho.
James Patterson, autor que dispensa apresentações, mantém as aventuras de Rafe Khatchadorian bem vivas. O 9.º volume da série Escola chega às livrarias em maio e promete divertir os jovens leitores.
Depois de A Sexualidade Explicada às Crianças, do Dr. Manuel Mendes da Silva, e d’O Livro dos Dentes, do Dr. Hugo Madeira, a coleção Educação para a Saúde irá crescer em 2018. O cardiologista João Paisana Lopes vai ensinar tudo às crianças sobre o órgão mais importante do nosso corpo, o coração. Já a Dr.ª Maria do Céu Machado foi convidada para explicar aos mais novos como funciona um hospital.