sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Expresso de Cantão, de Giuliano da Empoli



Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Bertrand Editora

"1503: Giovanni da Empoli, um jovem mercador florentino, embarca nos navios que conduzem pela primeira vez o grande Afonso de Albuquerque ao continente indiano.
Trata-se do início de uma aventura que haveria de durar quinze anos, durante os quais Giovanni da Empoli participaria nos eventos mais importantes da sua época e conheceria os seus protagonistas: de Savonarola a Magalhães, de Maquiavel a Leão X.

2008: Giuliano da Empoli, descendente do mercador florentino, decide seguir o trilho do seu ousado antepassado.

Numa altura em que o baricentro do mundo começa a deslocar-se novamente para o Oriente, o autor oferece-nos um relato de viagens encantador que descreve duas fases cruciais da globalização através do olhar de dois testemunhos ligados por um fio invisível que percorre cinco séculos de História."

Para quem gosta de história, da possibilidade de sonhar, comparar realidades temporais numa mesma dinâmica territorial e conhecer novas perspectivas culturais, e para quem tem curiosidade e fome de conhecimento do mundo global, Expresso de Cantão é o livro indicado.
Ainda que o prólogo e os dois primeiros capítulos se tornem por vezes aborrecidos, a verdadeira narrativa da viagem dos dois Empoli é completamente viciante. Não é um livro para consumo imediato, apelando mais a reflexões sobre as diferentes realidades territoriais e culturais que se vão descobrindo, os movimentos de vanguarda, os pensamentos de novas personagens implicadas no funcionamento do seu país natal ou de coração, os pequenos rasgos de revolta de pessoas não acomodadas com aquilo que a história anteriormente lhes ditou. Para quem gosta ou para quem nunca conheceu nenhum país asiático, é um rasgo de clarividência, em muitas formas.
Historicamente, apesar de ter perfeita noção de que os livros de história do ensino obrigatório são muito simplistas, acho que nunca mais vou olhar para Afonso de Albuquerque da mesma forma.
Recomendo vivamente, embora seja preciso interesse e alguma concentração.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Crónicas da Sala de Espera


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 160
Editor: Difel

"Pedro Beça Múrias, tem 47 anos e é jornalista. Em Dezembro de 2008 foi-lhe diagnosticado um cancro no recto. E logo se lhe colocaram no horizonte tratamentos de quimioterapia e radioterapia, antecipando uma operação para remover o tumor. Essa operação aconteceu a 27 de Abril de 2009. Motivado pelos colegas do programa Janela Aberta, emitido todas as tardes no Rádio Clube Português, passou a assinar umas crónicas diárias - "Crónicas da Sala de Espera" - nas quais contava o seu dia-a-dia como jornalista, e como doente de cancro, nos hospitais onde fez os tratamentos. Chegou mesmo a fazer alguns directos da sala de tratamentos de Quimioterapia, usando o braço que tinha livre para falar ao telefone.
Quando, na Gala do Rádio Clube, realizada em 2009, foi aplaudido de pé por dois mil ouvintes, durante vários minutos, sentiu que todo o seu esforço, pois disso se tratou, estava a valer a pena.
Estava a chegar às pessoas.
Enquanto isso, não parou de receber e-mails de ouvintes, ora a agradecer-lhe por existir uma voz mediática com quem se podiam identificar, alguém que estava a passar e a sentir o mesmo que eles, ora a incentivá-lo a continuar.
Mesmo depois da operação, fez mais alguns directos deitado na cama do hospital. E no dia em que teve alta, entrou em directo no programa Janela Aberta, tendo passado pelos estúdios antes até de ir para casa, após dois meses e meio de internamento.
Hoje, passado um ano desde o início da sua luta contra a doença, pode dizer-se que a levou de vencida, apesar de alguns sobressaltos ocorridos no pós-operatório.
Quanto ao futuro, se o Cancro voltar, "cá estarei de novo para lhe dar luta! "…



O livro "Crónicas da Sala de Espera" foi adquirido para oferta, embora confesse que o fiz contra vontade. As expectativas centravam-se em "Avó, é apenas mais um livro para chorar". Contudo, revelou-se uma verdadeira lição de vida.

Deixa-nos a pensar como o nosso tempo de vida é tão fugaz e incerto...que com ele voam todos os momentos bons e permanece tanto do que queríamos fazer. A verdade é que nunca iremos conseguir fazer tudo. Mas, nestes momentos, como o retratado no livro, o nosso cérebro invade-nos com a palavra "aproveita" e aí surgem tantas frases, pessoas, pensamentos, interrogações...um verdadeiro torbulhão de emoções. Este jornalista encara a sua doença com um sorriso, tudo culmina num sorriso nos lábios e num aperto no peito. Medo e Coragem. Força e Fraqueza. A vida é o Tudo e o Nada. Mas ele ensina a não desistir. Não vou contar como termina o livro, para deixar a curiosidade a pairar no ar, mas a verdade é que, seja qual for o seu fim, deixa-nos com um nó na garganta e com a certeza de que somos frágeis mas também somos capazes de alcançar emoções que mais nenhum Ser consegue. E o mundo grita-nos "Vive"!

sábado, 27 de março de 2010

Coração do Mar, de Nora Roberts


 Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 288
Editor: Edições Chá das Cinco
 
"Darcy Gallagher sempre acreditou na importância da fé, na força da tradição... e no poder do dinheiro. Sonha em encontrar um homem rico que a apresente a um mundo repleto de glamour e aventura, que acredita ser o seu destino. Trevor Magee, um homem de negócios com antepassados irlandeses, chega a Ardmore com a intenção de construir um teatro... e descobrir os segredos dos seus antepassados. Há muito que não acredita no amor, mas Darcy Gallagher tenta-o como nenhuma mulher alguma vez fez. Ela é maravilhosa, inteligente, sabe o que quer... e ele está mais do que disposto a dar-lho. Mas quando a sua atracção mútua se transforma em paixão, olham para os seus corações e descobrem que numa terra antiga como a Irlanda, o amor tem raízes na própria magia. "



Já por várias vezes me vi em livrarias com livros de Nora Roberts nas mãos, pelas capas sempre apelativas que eles costumam ter. No entanto, a sinopse sempre me deixa muito a desejar, pela componente um tanto ou quanto parecida com a da escrita literária de Nicholas Sparks e que não é, de todo, das da minha preferência. Decidi mesmo assim ler "Coração do Mar" porque fui atraída para o cenário proposto para contar a história. E devo dizer que no decorrer das páginas, esse é definitivamente o ponto forte do livro: a vivência de uma família irlandesa proprietária de um pub numa pequena aldeia junto ao mar, as noites passadas ao som de música e do tilintar de inúmeras canecas de cerveja, o espírito endiabrado e impulsivo de irlandeses cabeça de fogo, mas no fundo no fundo, simples demonstrações de afecto e carinho uns pelos outros. Toda a componente retractada pela composição secundária do livro é aquilo que poderíamos esperar de uma obra decorrente neste sentido. Confesso no entanto que fiquei ligeiramente desiludida com a composição que a autora atribuiu à componente fantasista e lendária das tradições celtas. Por outro lado, e tendo em conta a acção principal, é difícil de negar que infelizmente acertei no que me esperava e a previsibilidade da mesma, até certo ponto, fez-me saltar numa frustração imensa umas dezenas de páginas, deixando de sentir prazer em lê-las. De qualquer forma, é um livro ligeiro, de leitura fácil e com capacidade de entretenhimento para amantes de Nora Roberts.

quinta-feira, 18 de março de 2010

O Dilema de Shakespeare por Harry Turtledove

O Dilema de Shakespeare
por Harry Turtledove

Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 480
Editor: Saída de Emergência
  
Ser livre ou não ser livre... Eis a questão!

Em 1588, a invencível armada de Filipe, rei de Espanha e Portugal, zarpou de Lisboa para conquistar Inglaterra. Mas uma série de tormentas e o génio de Francis Drake desbarataram-na, salvando assim Inglaterra. O que aconteceria se essas tormentas nunca tivessem acontecido e Francis Drake não tivesse a sorte do seu lado? É isso que descobrimos neste fabuloso romance de Harry Turtledove. Onde dez anos depois do desembarque dos espanhóis, os ingleses vivem subjugados pela inquisição que atira os heréticos para a fogueira. E com a rainha Isabel encarcerada na torre de Londres, os ingleses não têm qualquer símbolo que os una contra os invasores. William Shakespeare é apenas mais uma vítima. Não tendo qualquer interesse na política, a sua paixão é escrever para o teatro onde as suas palavras provocam gargalhadas e lágrimas na população oprimida. Mas agora é dada a Shakespeare a oportunidade de escrever a sua maior obra... Um drama que incite os ingleses a levantarem-se contra os opressores e a mudar o curso da história.
Rating: 3,5/5

Comentário:
Nunca fui fã de literatura histórica. Mas o facto desta Inglaterra nunca ter existido cativou-me, como aqueles "ses" que brincam na parte de trás da nossa mente. Se isto tivesse acontecido, se aquilo não se tivesse passado. Como me ofereceram o livro pouco tempo depois, fiquei curiosa e quis começar a ler, como sempre a vida pôs-se pelo meio, e só agora tive tempo para o fazer.
Adorei o livro, segui Shakespeare em cada passo da sua revolução, suspirei com ele e suei com ele. Fui cúmplice, devo admitir desta revolta. Por isso aconselho-o vivamente a todos!

sábado, 13 de março de 2010

Pela China Dentro



Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 302
Editor: Dom Quixote

Recentemente interessei-me pela Literatura de Viagens. E deixem-me dizer que nem sempre é fácil achar livros sobre o assunto nas Bibliotecas Municipais, minhas principais fornecedoras nestes últimos tempos. De qualquer forma, ainda se conseguem encontrar algumas obras bastante interessantes lá para o meio. É o caso de "Pela China Dentro - Uma Viagem de 12 anos" de António Caeiro.
"António Caeiro viveu, entre 1991 e 2003, uma experiência única: a partir do lugar privilegiado de correspondente da Agência Lusa em Pequim, pôde observar as tremendas mutações por que passou e continua a passar o país mais populoso do mundo. (...) Sobre essa experiência, António Caeiro escreveu um livro onde mistura toda a sua oficina e talento de jornalista com os dons do diarista e do cronista. [...] Para os que se sentem apaixonados pelo que se passa na China, os que procuram entender o que é difícil explicar - designadamente uma forma de viver e uma cultura radicalmente diferentes das ocidentais -, o livro de António Caeiro é precioso, pois casa o olhar experiente do jornalista com a capacidade de se surpreender do curioso insaciável e tem, por fim, algo do aroma inconfundível dos bons livros de viagens. "

Este livro de António Caeiro, sendo um relato pessoal e vivido dos pressupostos de uma nova China, abalada por uma enchente de transformações nos últimos anos, capta de forma bastante fidedigna e observadora acontecimentos que talvez não estivessem tão despidos de entendimento para um olho menos treinado. Vale-lhe a experiência profissional, que não põe em causa em algum momento a sua opinião pessoal. Mais que um livro de descrição ou de vivência pessoal, é uma amálgama dos dois, de onde sobressaem estórias pessoais de pessoas que de outra forma não as veriam contadas; e que reproduzem a vida de tantas outras para sempre incógnitas.

Um grito de amor desde o centro do mundo


Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 200
Editor: ALFAGUARA

Ganhei recentemente um passatempo levado a cabo pelo blog Páginas Desfolhadas , que me galardoou com este mimo de Kyoichi Katayama.
“Sakutarô e Aki conhecem-se na escola. Ele é um jovem engenhoso e sarcástico. Ela é uma rapariga bonita e popular. O que de início é uma amizade cúmplice torna-se numa paixão arrebatadora. Um acontecimento trágico vem pôr à prova a força do amor que os une. Este é o romance japonês mais lido de todos os tempos no Japão, com mais de três milhões de exemplares vendidos.”

Uma simples sinopse não faz jus à obra que nos é apresentada. Num estilo literário bastante ligeiro, “Um grito de amor desde o centro do mundo” revela-se uma história doce, como deveriam ser todas as paixões adolescentes. De forma muito subtil, mas incutida, pequenos aspectos da cultura japonesa e das suas tradições sociais vão sendo demonstradas ao longo do enredo. Por outro lado, nota-se uma tentativa de não incidir de forma agressiva sobre um tema sério como as doenças terminais, concentrando-se a história numa directriz de opiniões e filosofias sobre o que é o verdadeiro amor e até onde se pode lutar por ele. É de realçar a originalidade do autor ao colocar como narrador uma personagem masculina, quebrando a barreira de que o que é sensível tem apenas de ser relatado por mulheres. É emotivo, simples e uma leitura simpática, que nos coloca um sorriso no rosto em vários momentos. No entanto, e porque é considerado um dos livros mais lidos de sempre no Japão, depreendo que parte da mágica que o caracteriza tenha ficado perdida na tradução.

domingo, 7 de março de 2010

África Acima, de Gonçalo Cadilhe




Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 234
Editor: Oficina do Livro

 "A magia de África nas palavras do autor de Planisfério Pessoal.


 África Acima recolhe crónicas semanais que Gonçalo Cadilhe foi escrevendo e publicando no jornal Expresso ao longo de vários meses. Como é seu hábito, Gonçalo Cadilhe recusou o transporte aéreo. Em autocarros e comboios, em balsas e bicicletas de ocasião, à boleia em camiões ou a pé com a mochila às costas, o viajante atravessou África desde o cabo da Boa Esperança, no extremo Sul, até ao Estreito de Gibraltar, no extremo Norte. Oito meses, quinze países, 27 000 quilómetros e 50 000 palavras resultaram num livro sincero e deslumbrado, em que as amizades, o humor, a tolerância e a humildade conseguem vencer a miséria, a corrupção, as estradas desfeitas e o calor brutal de uma viagem épica por um continente impressionante. Na sua mais recente viagem, Gonçalo Cadilhe redescobre a magia e os mistérios de uma África que continua a fascinar os grandes viajantes.


Excerto«Começo hoje uma longa e imprevisível travessia do continente africano, um devaneio orientado por um simples objectivo: regressar a casa. É este o meu projecto: atravessar África. Prosseguir do Sul para o Norte utilizando as estradas do continente, recorrendo aos transportes públicos, aos autocarros maltratados pelos anos, aos comboios que ainda andam, pedindo boleia, viajando com as pessoas da terra - em terra onde estiver, farei como vir fazer. Excluo o transporte aéreo, voar sobre África não é viajar por África. Aliás, voar não é viajar.» "




Como é explicado em cima, o livro de Gonçado Candilhe resulta de uma colectânea de crónicas publicadas pelo Jornal Expresso ao longo da sua epopeia pessoal pelo continente africano. Não sendo um grande livro, resulta de pequenos momentos de descontração e reflexão pessoal. Acima de tudo, o autor ultrapassa a dinâmica da complexidade da viagem em si, tornando-se num contador de histórias. Para todos os que gostavam de cometer a loucura de colocar mochila às costas e partir sem destino, África Acima revela-se uma tentação e leva-nos para bem longe, colocando-nos em locais inesquecíveis.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O Dia do Perdão por Ursula Le Guin


Edição/reimpressão: 2004
Páginas: 240
Editor: Editorial Presença


Resumo:
"Ursula K. Le Guin é uma genial criadora, hoje considerada uma verdadeira lenda viva, tal a sua importância para a ficção científica e o género fantástico. Entre as suas mais conhecidas criações estão inquestionavelmente a tetralogia Terramar. "O Dia do Perdão" é uma sequência de quatro contos ligados à epopeia da libertação de seres humanos. São histórias em torno de dois mundos, Werel, uma oligarquia esclavagista, e o seu satélite, Yeowe, onde mão-de-obra escrava trabalha incessantemente para os seus «donos» - assim se autodesignam - a fim de preencher todas as necessidades inerentes a um sistema económico desumano. O Ecuménio, imensa Liga Planetária, intervirá em sua ajuda. Mas uma vez abolida a escravatura neste sistema binário, outras formas de opressão permanecem por superar…"
Rating: 3,5/5

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Gosto de Ti


Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 32
Editor: Editorial Presença
 

Resumo:
"Gosto de Ti" é um livro mimoso que conta a história de Rosa, uma menina a quem um diga o colega Hugo diz gostar mais do que qualquer outra pessoa do mundo. Isto provoca dúvidas a Rosa, será que o Hugo gosta mais dela do que pai, a mãe e avó? Assim a menina decide embarcar numa "viagem" de perguntas e descobrir a verdade.

Comentário:
O livro é sem dúvida amoroso, os desenhos são um mimo e a história simples. A dúvida sobre quão grande pode ser o amor não tem idade e tal como Rosa, todos nós já nos questionamos sobre quem nos ama mais. Como de costume neste género de história a avó resolve todos os mistérios e ajuda Rosa a descobrir a verdade.

Se gostaram deste livro recomendamos o livro "Apaixonados".

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Trilogia Mundos Paralelos, de Philip Pullman



A trilogia Mundos Paralelos foi uma boa companhia para mim aqui há uns anos, continuando a ser dos meus livros preferidos e que de tempos a tempos releio. Concebido para um público mais velho, foi inicialmente publicado em Portugal como pertencente à colecção Estrela do Mar, direccionado portanto a um público juvenil; provavelmente porque o mundo fantasista criado veio emblemáticamente, de forma diferente claro, arrebatado pela euforia criada em torno de Haary Potter na altura.. No entanto, e pelas temáticas envolventes surgiu posteriormente publicado numa outra colecção direccionada a um público alvo mais adulto.



Tal como o nome indica, os livros Os Reinos do Norte, A Torre dos Anjos e o Telescópio de Âmbar; retratam a existência de mundos paralelos, onde há uma coexistência de pessoas que podem ou não ser semelhantes. Demonstra também que alterações a nível do campo magnético, que podem dar origem (juntamente com outros factores) ao surgimento de brechas entre os diferentes mundos.

Relativamente ao enredo, a trilogia dá-nos conta de uma história criada em volta de uma rivalidade entre a religião e a ciência, a crença e a inovação, dando especial ênfase a um acontecimento muito importante: a transformação da infância para a adolescência (e às transformações que ocorrem ao Pó, algo que os cientistas crêem estar relacionado com o destino e as decisões que tomamos a partir do momento em que se atinge a puberdade).




Aviso: SPOILERS
Edição/reimpressão: 2001
Páginas: 368
Editor: Editorial Presença


Reinos do Norte: A história decorre num mundo muito idêntico ao que nós vivemos, embora o ambiente criado nos dê a sensação que que a época histórica corresponde há uns séculos atrás. Cada pessoa possui um génio, sob a forma de um animal, que faz parte de si (sendo que longas distancias entre ambos causam dores muito agoniantes). Os génios têm a capacidade de se transformar, atingindo a sua forma definitiva ao mesmo tempo que as pessoas atingem a puberdade.
A personagem principal deste livro é Lyra, uma rapariga que vive num colégio de universitários, sendo ensinada nas horas livres pelos professores. Ao ouvir uma conversa do seu tio, Lord Asriel, com o responsável pelo colégio, fica curiosa quanto a vida existente no Norte, onde sempre faz muito frio. Com a aproximação da idade da adolescência, Lyra recebe um convite para ir viver com uma senhora da alta sociedade, Sra. Coulter, que pretende educá-la. No entanto, ao descobrir uma verdade macabra sobre essa senhora de sorriso afável e actuação fria e racional, Lyra foge e, juntamente com os ciganos, parte para o Norte para salvar várias crianças, incluindo o seu melhor amigo Roger, de um futuro horrível. Ao longo de toda a aventura, Lyra irá travar conhecimento com várias personalidades fortes que estarão a seu lado para protegê-la e fazer cumprir uma profecia escrita sobre si há muito tempo atrás.

Excerto: “ -Querida, nunca ninguém sonharia fazer uma operação numa criança sem a testar primeiro. E ninguém em mil anos tiraria simplesmente o génio a uma criança! A única coisa que acontece é um pequeno corte e então tudo fica calmo. Para sempre! Percebes, o teu génio é um amigo e um companheiro maravilhoso. Quando se é novo, mas na idade a que chamamos puberdade, uma idade a que tu chegaras muito em breve, querida, os génios trazem todo o tipo de pensamentos e sentimentos problemáticos e é isso que deixa o Pó penetrar. Uma pequena e rápida operação antes dessa fase e nunca mais se tem problemas. E o teu génio fica contigo, só que…não ligado. Como se fosse um…um maravilhoso animal de estimação, se quiseres. O melhor animal de estimação do mundo! Não gostavas disso?”Página 264

Edição/reimpressão: 2002
Páginas: 292
Editor: Editorial Presença

A Torre dos Anjos: Inicialmente, a história passa-se no nosso mundo, dando a conhecer Will, um rapaz que vive com a mãe, que tem algumas perturbações mentais. Ao começar a receber ameaças de homens desconhecidos que pretendem obter algo relacionado com o seu pai, dado como morto ao ter desaparecido numa expedição ao Norte, Will deixa a mãe ao cargo de uma antiga professora de piano e foge, com medo da segurança social e da policia. Mais tarde, ao encontrar uma brecha para outro mundo, decide esconder-se. Aí, trava conhecimento com Lyra, que decide ajuda-lo a encontrar o seu pai. Entretanto, depois do Lord Asriel abrir uma brecha para outro mundo com as suas próprias mãos, a Igreja declara-lhe guerra aberta.

Excerto: “ Will saiu do quarto e inspeccionou os outros: uma pequena casa de banho, um quarto com cama de casal.
Algo fez com que a sua pele se arrepiasse antes de abrir a ultima porta. O coração disparou. Não tinha a certeza se tinha ouvido um som lá dentro ou se algo lhe disse que aquele quarto não estava vazio. Pensou como era estranho que aquele dia tivesse começado com alguém do outro lado do quarto escuro, com ele lá dentro, e agora a posição se tivesse invertido…
Ficou por um momento interrogando-se até que, de repetente, a porta se abriu e algo se lançou sobre ele como se fosse um animal selvagem.
Porém, a recordação da sua própria experiência tinha-o posto de sobreaviso e não estava suficiente perto para ser derrubado. Lutou violentamente; joelho, cabeça, punhos, a força dos seus braços contra ele, ela, aquela coisa…
Uma rapariga, mais ou menos da sua idade, feroz, rosnando, com roupas andrajosas e braços e penas nus.
Ela percebeu o que Will era ao mesmo tempo que ele e afastou-se violentamente daquele peito nu, para se acocorar no canto escuro da escada como uma gata acossada.”
Páginas 27 e 28


Edição/reimpressão: 2003
Páginas: 470
Editor: Editorial Presença

O Telescópio de Âmbar: Dra. Malone, uma cientista do mundo de Will que conheceu Lyra, parte em busca de novas pistas sobre o Pó, encontrando os Mulefa, criaturas pacificas que tem a capacidade de ver o Pó sem recorrer a nenhuma técnica. Por sua vez, um padre é encarregue de a matar, para evitar que ela descubra o que procura e desencadeie o processo da serpente sobre a nova Eva. Enquanto isso, cada um com as suas razões, Lyra e Will decidem abrir uma fenda para o mundo dos mortos, não sabendo se alguma vez irão regressar, e vivos.
A guerra entre a Igreja e a Ciência está prestes a começar.



Excerto: “-Tenho fome – disse Will.
-Eu também - acrescentou Lyra, embora estivesse a sentir muito mais que fome, algo reprimido e pressionando, meio feliz e meio doloroso, de modo que Lyra não tinha a certeza do que sentia.
Desdobraram o pano e comeram um pouco de pão e queijo. Por qualquer razão as suas mãos estavam lentas e desajeitadas e mal saborearam a comida apesar de o pão estar farinhento e estaladiço devido às pedras quentes onde era cozido, e de o queijo ser macio, salgado e muito fresco.
Então Lyra pegou num daqueles pequenos frutos vermelhos. Com o coração batendo depressa, virou-se para Will e chamou:
-Will…
E levou, meigamente, o fruto aos lábios dele."

Páginas 419 e 420

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Lavinia por Ursula Le Guin


Lavinia por Ursula Le Guin

Edição/reimpressão: 2010
Páginas: 248
Editor: Editorial Presença

 "Ela escolheu o seu homem e o seu destino.
O preço que pagou foi a guerra."


Resumo:
Como leitora da Eneida, de Virgílio, Ursula Le Guin escolheu esta figura silenciosa, a segunda mulher de Eneias, para protagonizar este romance que é a sua homenagem à epopeia que Virgílio. Lavínia passa a narradora deste romance, contando-nos a sua infância e juventude idílicas num mundo pré-helénico e pré-romano, cheio dos ritmos e dos ritos que o sagravam, fala-nos dos homens que a cortejaram até que Eneias chegasse e, como em Tróia por Helena, uma guerra começasse, por ela. Um romance de uma rara qualidade poética que tem tanto de histórico como de mítico 

Rating: 5/5

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Frágil por Jodi Picoult

FRÁGIL por Jodi Picoult
 

Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 498
Editor: Livraria Civilização Editora

 "Tudo pode quebrar.
Mas algumas coisas doem mais do que outras."


" Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita - uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência - por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido... " 

Rating: 4/5

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Irmãs de Sangue, de Barbara e Stephanie Keating


Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 672
Editor: Edições Asa
 

Resumo:

Irmãs de Sangue de Barbara e Stephanie Keating é o livro que estou a reler de momento. Passado num Quénia dos anos 60, aborda questões políticas e de sobrevivência segundo o ponto de vista de três adolescentes, amigas desde a infância, cada uma com as suas vivências e pressupostos." Quénia, 1957. Durante a infância, três meninas de meios sociais muito diferentes tornam-se irmãs de sangue: a irlandesa Sara Mackay, a africânder Hanna van der Beer e a britânica Camilla Broughton Smith juram que nada nem ninguém quebrará o laço que as une. Mas o que o futuro lhes reserva vai pôr à prova os seus sonhos e certezas. Separadas pela distância e pelas obrigações familiares, as três jovens são atiradas para um mundo de interesses em conflito. Camilla alcança o sucesso como modelo na animada Londres da década de 1960; Sarah Mackay é enviada para a universidade na sua Irlanda natal, uma experiência penosa que apenas fortalece a sua determinação de voltar para África; e a família de Hannah Van der Beer esforça-se para manter a fazenda que os seus antepassados africânderes erigiram na viragem do século. Os seus laços serão constantemente postos à prova e, a par do exotismo de África, a sua amizade será pano de fundo para interesses amorosos cruzados e promessas quebradas."

Rating: 5/5