domingo, 25 de novembro de 2018

Passatempo: Uma História Negra, de Antonella Lattanzi


 Boa noite! Há muito tempo que não oferecíamos um livro por aqui, e como recebemos este thriller que parece bastante intrigante, mas fora da nossa área de gosto pessoal, optámos por sorteá-lo no blogue. 

O passatempo vai estar no ar até 15 de Dezembro e as regras são as do costume.

Deixamos desde já o nosso agradecimento à Suma de Letras Portugal e desejamos-vos boa sorte!



Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 15 de Dezembro de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) Todos os dados pessoais guardados para efeitos de passatempo serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.

Sinopse: Roma, um agosto quente. A seguir à festa de aniversário da sua filha mais nova, Vito Semeraro desaparece sem deixar rasto.

Carla e Vito casaram-se muito novos. Foram o grande amor um do outro. Amavam-se muito, mas o amor de Vito era obsessivo e violento. Um sorriso no rosto de Carla ou um vestido curto eram o suficiente para fazê-lo perder a cabeça e levantar-lhe a mão.
Assim que os filhos mais velhos, Nicola e Rosa, saem de casa, Carla consegue divorciar-se e muda-se com Mara, a filha mais nova, para um bairro nos subúrbios. No entanto, Vito continua a atromentá-la, a persegui-la e a ameaçá-la. No terceiro aniversário de Mara, cedendo à insistência da filha, Carla convida Vito para o jantar. Depois de muito tempo a família está reunida e a noite corre surpreendentemente bem. Na sequência, Vito desaparece...


terça-feira, 6 de novembro de 2018

Opinião: Os Provocadores de Naufrágios, de João Azambuja



Os Provocadores de Naufrágios
João Nuno Azambuja
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Guerra e Paz
  




 
Sinopse: 
Baseada em factos reais, esta é a história de Klaus Kittel, um alemão portuense que combateu na Segunda Guerra Mundial. Um homem mergulhado numa época de pesadelo, de guerra, morte e ditaduras. Uma Europa destroçada, de onde surge uma história improvável, mas verdadeira, feita de viagens e fintas ao destino.
Kittel foi sempre perseguido pela crueldade humana. Em criança, expulsaram-no de Portugal. Em adulto, viveu os bombardeamentos aliados e fugiu ao Exército Vermelho. Passou pela grande depressão, assistiu à ascensão de Hitler e discursou para a elite do Partido Nazi. Depois da guerra, é preso. Sobrevive aos campos de prisioneiros, onde milhares de homens encontraram a morte. Mas consegue fugir, com o que talvez seja uma misteriosa ajuda de Álvaro Cunhal.
Foi escravo, soldado, marido. Um romance escrito pela pena de uma das mais promissoras vozes das Letras portuguesas, vencedora do Prémio Literário UCCLA, sobre a qual disse o poeta Fernando Pinto do Amaral ser «capaz de exprimir um intenso sentido de revolta em face do mundo contemporâneo»..

Rating: 3.5/5
Comentário: Hoje em dia já me começo a questionar se o interesse crescente da sociedade do séc. XXI perante a 2ª Guerra Mundial se prende com a necessidade de conhecimento e reconhecimento do nível de maldade até onde as pessoas podem ir ou se é puro voyeurismo da desgraça alheia e degradação do ser humano. Julgo que inadvertidamente acabámos por cair num meio termo, e daí a crescente no mundo literário de ficção e não ficção sobre a temática, que nunca passa de "moda", mas que peca por incidir precisamente nas mesmas análises, nos mesmos níveis de desgraça e calamidade, sem aprofundar ou obedecer minimamente a um espírito crítico que vá para além da emissão de um juízo de valor ou outro, já muito pobre e gasto.
Nesse sentido, obrigo-me a ter um olhar mais crítico e a realizar uma selecção mais cuidada sobre o que pretendo ler sobre este período (embora, e mea culpa me confesso, ainda me deixe resvalar na outra direcção quando um romance ou outro me puxam pela sinopse). Acima de tudo, o que procuro são abordagens diferentes, leituras diferentes, e uma leitura da realidade segundo uma manta de retalhos mais vasta.
Em seguimento dessa análise, "Os Provocadores de Naufrágios" pareciam-me uma leitura indicada.
Ao fim ao cabo, não é todos os dias que enveredamos na história de um alemão que ingressa na guerra sem necessidade e por sentido patriótico, patriotismo esse acerbado pelas raízes saudosistas e familiares de uma história não vivida. O que em última instância nem é assim tão verdade, já que para todos os efeitos, Klaus Kittel cresceu e viveu em Portugal, sendo mais português do que alguma vez foi alemão, mas é arrastado por força das circunstâncias para um momento em que não é considerado pelos seus pares nem uma coisa nem outra: nem tão português que seja bem-vindo nos seus circuitos familiares enquanto a nação que lhe deu origem ocupa lentamente toda a Europa, nem tão alemão que se reveja em funcionalismos culturais criados por um povo longe do qual sempre viveu.
Este livro é escrito em jeito de reconto memorial, com alternâncias entre um período em que Klaus se encontra como prisioneiro de guerra na Alemanha e posteriormente em França, com momentos episódicos da sua vida, e que compõem o seu tecido cronológico. É acima de tudo o relato de uma vivência de um homem real, com inspiração em pedaços de uma memória relatada em diário, e imaginados por João Azambuja de forma a compor todo o seu historial.
Daí advém a aplicação de vários provérbios populares, de uma sensatez e ligação às raízes muito portuguesa e também de um certo distanciamento - quase observacional e não vivencial - na descrição de momentos que seriam muito difíceis de superar e observar. Não há de facto um reforço empático ao nível das emoções, porque toda a narrativa é tida como um relato algo distanciado, mas torna-se um troféu quase que corriqueiro e esperado de um homem em final de vida, que não se sente vítima do que viveu e aceita-o em pleno como um momento da sua História. É uma abordagem peculiar e original de um relato que poderia ser algo polémico, mas também muito humana e sensível, atenta aos detalhes e à representação do ser humano no seu todo.
Não me senti comovida, porque não é esse o sentimento que o livro incute, mas fui agradavelmente surpreendida pela narrativa. "Os Provocadores de Naufrágios" revelou-se uma leitura peculiar mas que me deu bastante prazer.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

Opinião: Passagem para o Ocidente, de Mohsin Hamid



Passagem para o Ocidente
Mohsin Hamid
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 208
Editor: Saída de Emergência




 
Sinopse: 
Num cenário de guerra, é possível o amor e a esperança.
A história do amor furtivo de Nadia e Saeed tem lugar numa cidade não nomeada cheia de postos de controlo e de bombas, um labirinto humano à beira da rutura. Quando a guerra civil rebenta, surgem estranhos rumores sobre a existência de portas clandestinas que levam a outros países. À medida que a violência aumenta, os dois jovens sabem que têm de deixar para trás a vida que sempre conheceram, embarcando numa viagem sem regresso, vertiginosa e cheia de surpresas.
Numa mistura singular de realismo e magia, Passagem para o Ocidente é um belíssimo romance sobre refugiados, que nos leva a questionar em que mundo queremos viver.

Rating: 3.5/5
Comentário:  Só me apercebi que "Passagem para o Ocidente" era o tão aclamado "Exist West" quando já ia a meio da narrativa, ainda que na capa estivesse bem explícito que este livro de Mohsin Hamid tinha sido nomeado para o Man Booker Prize.
Da minha parte, fiquei agarrada pela sinopse e queria redescobrir mais sobre esta relação num ambiente nada frutífero ao amor e ao despoletar das emoções humanas que associamos aos períodos em que estamos mais relaxados e em paz connosco.
Não podia deixar de começar por referir que Mohsin Hamid criou uma história muito humana e cheia de nuances, que tentou captar a essência do Ser Humano sem sem paternalista nem desonesto, sem dourar pílulas nem apimentar processos.
Embora em nenhum momento se diga que esta seria a realidade da Síria, nenhum leitor deixa de ajustar este país sem nome à realidade macabra que nos entrou em casa pelas televisões nos últimos 4 anos. E é também uma lembrança constante, agora que os media já não consideram notícia uma desgraça que é vigente e que infelizmente se tornou quase que estrutural da sociedade do séc. XXI e neste caso particular, da Europa - a crise dos refugiados.
O que o autor nos traz é de facto um romance que começa num período em que facções diferenciadas num país se começam a guerrear, obrigando a uma intervenção também não pacífica por parte do Estado.
A forma como as relações humanas se vão adaptando e reconstruindo com derivadas criadas pelo contexto social e político que se vive na posição geográfica onde as personagens se encontram é transmitida com enorme sensibilidade mas também sem receio de tocar na ferida.
Por sua vez, a condensação de emoções, sensibilidades, nuances narrativas tendo por base o objetivo de descrever o quanto uma guerra pode destituir as pessoas daquilo que são e têm sido até ao momento é poderosíssimo.
Com um toque alegórico e metafórico, quase que a roçar o fantástico, suplantam-se os processos de travessia associados às rotas de fuga dos refugiados. Mas este elemento insere-se no enquadramento geral com enorme mestria.
Outro dos pontos positivos pela narrativa é precisamente o facto de o autor não se assumir como defensor de uma outra situação quando o tratamento dos países ocidentais, optando por evidenciar as diversas áreas cizentas que circundam o espectro do certo e errado nestas situações. Tratando-se de personagens muito humanas, não poderiam deixar de existir momentos de tensão, defeitos e envolvimentos benéficos e várias óptimas de leitura para um mesmo acontecimento.
Mohsin Hamid não torna os refugiados num único grupo sem rosto nem cor, valorizando as suas personagens por aquilo que elas são e atribuindo-lhes a humanidade que elas merecem.
Mas também não desvaloriza as várias reacções e envolvimentos que são expectáveis e facilmente desenvolvidos nos países que passam a albergar milhares de migrantes resultantes de conflitos armados.
Com uma análise bastante real, assim como crua, o autor pretende não chocar nem sensibilizar mas contar as coisas pelo que elas são, repensando as respostas da Europa e dos Estados Unidos num modelo de resposta preditivo e funcional. "Passagem para o Ocidente é, no fundo, uma educação para os Direitos Humanos num contexto universal e complexo, sem análises dúbias e simplistas.
Vale a pena ler.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Opinião: O Silêncio da Chuva de Verão, de Dinah Jefferies



O Silêncio da Chuva de Verão
Dinah Jefferies
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 352
Editor: Topseller
  




 
Sinopse: 
Rajputana, Índia, 1930. Desde a morte do marido que a jovem inglesa Eliza vive para a fotografia. Determinada a estabelecer o seu nome, ela aceita um convite do governo britânico para retratar a vida da família real indiana no Estado de Juraipore, de forma a enaltecer a influência da Coroa Britânica.
No palácio real, Eliza conhece Jayant, irmão mais novo do marajá, que a leva a conhecer uma terra marcada por contrastes: de um lado, paisagens de beleza incomparável e uma cultura rica e vibrante, e do outro, a mais devastadora das misérias.
Durante a viagem, Eliza desperta Jayant para a pobreza do povo indiano, ao mesmo tempo que ele lhe mostra a face negra do domínio britânico na Índia. Até que, numa revelação quase kármica, os dois descobrem que estão profundamente ligados e apaixonam-se.
Mas com a família real e os britânicos a oporem-se à sua relação, conseguirão Eliza e Jayant libertar-se das obrigações e cumprir o seu destino?
Uma história sobre um amor genuíno que enfrentará o peso dos costumes e da tradição no coração da Índia colonial.
Primeiras páginas aqui.

Rating: 3.5/5
Comentário: Sempre tive uma paixão enorme pela História e pelo Mundo em geral e dou por mim muitas vezes a ler ficção e relatos que abordem as vivências dos países colonizados e das contradições e contrastes entre ocupantes e ocupados. As sensibilidades culturais, as nuances narrativas e as ópticas de abordagem aos mesmos problemas, assim como a capacidade de envolvimento de pessoas de diferentes realidades mas com os mesmos valores e emoções é sempre uma descoberta e uma aprendizagem imensa. É especialmente por gostar de História que também tenho ciente que muitas vezes só surge uma compreensão de momentos e factos quando todas as versões são analisadas, porque as versões que perduram no tempo são sempre as dos vencedores ou dos mais hábeis a comunicar.
Estes foram alguns dos factores que me fizeram escolher "O Silêncio da Chuva de Verão". Já conhecia a autora desde "A Mulher do Plantador de Chá", e embora tenha sentido falta de um maior relato da vivência local do país onde passava a narrativa (naquele caso, o Ceilão) quis dar uma nova oportunidade à autora.
De facto, neste livro a Índia é também uma personagem por si, e ganha o destaque devido, onde não lhe falham as crenças e as idiossincrasias de um país que quer crescer mas também se vê subjugado a uma potência imperial que se julga e actua como superior. É um relato com cheiros, cor, magia e sons, misticismo e debates político-sociais, com apresentações dos dois lados da mesma moeda e das diferenças que uma coexistência forçada podem trazer.
Quanto ao enredo principal, não há como negar que se trata de um romance feito para deliciar e entreter os leitores, com toques certeiros entre mistério e paixão, descrições e momentos intensos, e que trazem uma história completa que balança obrigações familiares com vontades pessoais, necessidade de auto crescimento com obstáculos estruturais, tentativas de superação e compreensão do papel do Ser Humano no ecossistema global que gere as ligações entre Homem, Natureza, País e Crença.
Dinah traz-nos personagens interessantes, com profundidade q.b., que se completam através do meio em que vivem e no qual interagem, que as incorporam de maior significado.
Ainda assim, há espaço para o seu desenvolvimento de forma a que não representem só modelos societais, mas que se governem por personalidades individualizadas. Faltou espaço de crescimento de algumas, especialmente num ambiente rico como o do palácio, o qual não foi explorado devidamente. Mesmo a Índia, que se assume quase como um ser de vontade e força maior, é descrita e enunciada frequentemente, embora só seja explorada de forma ligeira com pequenas explorações pontuais por parte das personagens.
Um dos momentos mais idílicos que consta neste romance é precisamente o período da Monção, para o qual é despertado constantemente o interesse do leitor e das personagens e quando chega em pleno, ocupa espaço de narrativa que lhe é adequado. Faltava uma maior força das descrições para que a sua punjança fosse mais certeira, mas permitiu uma conjugação enternecedora e de desfecho.
Dinah Jefferies gosta de viajar pela Ásia e de abordar vários países que lhe falem ao coração. Sinto que a autor nos quer colocar a suspirar por aquele canto do Globo e que mesmo com algumas falácias pelo meio, vai conseguindo cativar o leitor para as paisagens, a vivência e os olhares que, não sendo seus, passam a brilhar também no seu imaginário.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Opinião: A Ilha dos Segredos, Nadia Marks



A Ilha dos Segredos
Nadia Marks
 
Edição/reimpressão: 2018
Páginas 304
Editor: Clube do Autor (Noites Brancas)
  




Sinopse: 
Muitas vezes, a vida corre ao contrário do planeado. Anna sabe-o melhor do que ninguém. Por isso, a viagem até à ilha onde estão as suas raízes promete dar-lhe a força de que tanto precisa. Na Grécia, Anna irá enfrentar a história desconhecida da sua família e descobrir mistérios enterrados há mais de cinquenta anos.
Nessa ilha paradisíaca do mar Egeu e à sombra dos limoeiros da casa de família, Anna irá confrontar-se com segredos dolorosos, histórias antigas e sensações adormecidas.
A Ilha dos Segredos é um romance sobre como o passado, o afeto pelos outros e a liberdade podem curar as feridas mais profundas.
«O grego antigo tem quatro palavras distintas para amor: agápe, eros, philía e storgé. Poderá afinal existir uma?»

Rating: 2.5/5
Comentário: Este ano estive com um apetite imenso por livros de verão, e a capa da "Ilha dos Segredos" chamou por mim desde que a vi. Acabei por ler as primeiras páginas e achei que poderia ser uma leitura muito interessante.
Ia iniciar a minha leitura no momento em que se deu a tragédia dos incêndios florestais na Grécia, e senti-me inibida de aproveitar estas paisagens por prazer, sabendo a dor e a dificuldade que estavam a viver os gregos ao momento.
Nesse sentido, optei por esperar mais umas semanas até pegar nele. Infelizmente, as minhas esperanças saíram algo defraudadas, porque contrariamente ao esperado, este livro não se enquadra nada nos clichés (que geralmente pedem-se para ser evitados, mas que curiosamente os procurava desta vez).
Ao iniciar-se num de tom de reconto do passado, esperamos por uma redenção das personagens ao descobrirem novos caminhos e desafios para além dos que a vida já premeditou. Esperamos também que esse tom seja circunscrito à contextualização do inicio da história e permita espaço para as personagens crescerem. Infelizmente, Nadia Marks não o concretizou da melhor forma. Uma narrativa cheia de potencial ficou balizada por uma escrita que me pareceu quase infantil e mais facilmente encontrada no reconto das histórias e das lendas do que num romance que pretende intuir profundidade e criar empatia com o leitor. As histórias das personagens foram sobejamente tratadas com leviandade, até as que exigiam uma maior preocupação e análise por parte do leitor. Não consegui, por isso, entregar-me à narrativa em nenhum momento nem torcer ou sentir as dores de nenhuma delas.
Não obstante, dou pontos à autora ao tentar incutir uma lógica narrativa diferenciada, por querer trazer conteúdo e não validar o enredo somente como uma história de amor. E julgo que teria sido muito bem conseguida se esta a tivesse trabalho de melhor forma. Não o tendo feito, e por tratar e levar a história toda pela rama, senti que mais valeria manter-se no registo tradicional dos romances femininos e levar à conclusão de uma história envolvente e emocionante. Infelizmente, "A Ilha dos Segredos" não me encheu as medidas.



Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.