quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Passatempo: As Trevas de Baltar, de Henrique Anders

Boa noite comunidade literária!

Como prometido, trazemo-vos um novo passatempo, mesmo a tempo do Natal. Fomos contactadas pelo autor Henrique Anders que não poderia estar mais entusiasmado com a sua experiência enquanto autor publicado. E quis presentar um leitor ou uma leitora de fantasia ao oferecer um exemplar autografado de  "As Trevas de Baltar" para ofertarmos no blogue. Como tal, metam os dedinhos a mexer, que após preencherem o formulário estarão mais próximos de serem o felizardo ou felizarda.


Sinopse:

EMBARQUE NESTA AVENTURA E DESCUBRA UM MUNDO ONDE TER ESPERANÇA É O MAIOR PECADO E ESTAR VIVO A PIOR DAS MALDIÇÕES.
Os antigos doze Reinos há muito colapsaram e as terras eram agora regidas por um novo soberano que decidiu destruir tudo e todos. Movido por vingança e sede de sangue, Baltar rodeou-se de poderosas forças negras e construiu-se a si mesmo. Sem misericórdia, transformou a fé e a esperança em lamentos e descrença e mergulhou o mundo no mais opaco breu. Porém, os dias e as noites são cheios de segredos e até no meio da escuridão e da secura uma vida pode nascer. Os desígnios dos deuses são misteriosos e Dutsan nasceu com algo especial.

Para protegê-lo, a sua família foi obrigada a fugir e ele cresceu no meio dos Canimatas, uma raça conhecida por não gostar de humanos e a quem chamavam de os guardiões de dragões. O jovem Dutsan terá de enfrentar os seus medos e descobrir as suas próprias verdades. Na companhia dos seus amigos estranhos vai embarcar numa aventura que poderá mudar as suas vidas.


Voltaremos depois do Natal para vos trazer os resultados! As regras são as do costume:

1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 26 de dezembro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

Vencedor: Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo



Estavam a aguardar o resultado deste passatempo tão ansiosamente como nós? 

Depois do blogger nos tramar durante uns dias, finalmente conseguimos cinfirmar a nossa lista de seguidores e verificar se o random.org tinha acertado na mouche! Assim sendo, vamos tornar o Natal mais colorido no Lavradio. Parabéns Pedro Reis! Vai receber um exemplar autografado muito em breve.


domingo, 20 de novembro de 2016

Passatempo: Reunião de Heróis, de Ricardo Formigo

 Boa tarde a todos/as!

Acabámos de anunciar os resultados de um passatempo e já estamos a anunciar outro. Que não vos falte nada! ;)

Desta vez, são os leitores de fantasia a serem presenteados. "Reunião de Heróis" é o primeiro de uma trilogia que se quer épica e cheia de reviravoltas e aventuras. Como fomos contactadas directamente pelo autor, o vencedor ou vencedora terá direito a um exemplar autografado! Participem e boa sorte!



Sinopse:

Estes são tempos difíceis para os habitantes de Morlômbia!
Depois de meio século de guerra, o Rei Travis morre em batalha e é sucedido pelo seu primo Fallow, um tirano que apenas se preocupa com o poder, devastando tudo e todos em busca do que quer.
Annabelle, irmã de Travis, fica em perigo de vida e escapa da cidade de Madrasis rumo ao imponente Elmo do Martelo, uma fortaleza escondida nas montanhas, para proteger os Morlombos dos invasores Ingols.
Com a chegada iminente da guerra civil, cada um dos lados esforça-se por reunir aliados e conquistar a sua lealdade. Mas quem serão os heróis dispostos a lutar por cada um dos pretendentes ao trono de Morlômbia?


  
Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 30 de novembro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) Gostar da página oficial do autor: https://www.facebook.com/ricardoformigoescritor
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou o autor não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.


Vencedor: A Célula Adormecida, de Nuno Nepomuceno

 Boa tarde leitores e leitoras!

Estavam ansiosos/as pelos resultados do nosso último passatempo? Aqui vai ele. Há uma célula a ser despertada em São Martinho da Sardoura. Parabéns Jorge Martins! Aguardem desse lado que podemos ter novos passatempos a surgir em breve. Estejam atentos ;)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Vencedores: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula, de Rita Vilela (Clube do Autor)

Já sorteamos os vencedores do nosso passatempo "Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula", de Rita Vilela (Clube do Autor)

1) Filomena Maria [...] de Sousa de Vila Nova de Gaia 

2) Ana [...] Domingos de Agualva 

3)Diana [...] de Brito de Vila Nova de Anha 

Parabéns às vencedoras! A editora já foi notificada e os vossos livros seguirão em breve pelo correio!

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Review: The Frog In The Tree by Paul Waters

The Frog in the Tree
by Paul Waters 
Edition: 2015
Pages: 34
Editor: First Edition Design Publishing
Summary:
Reminiscent of The Wind in the Willows, The Frog in the Tree is a journey of discovery for both a frog and a baby crow who help each other overcome their fears and doubts. It is a tale of friendship and bravery and finally a family’s love at the end. 
Beautifully illustrated, the lilting storyline will carry the reader from beginning to end in a joyous melody of sight and sound.

Rating: 4/5


Review:
Sweet and caring this story revolves around family and being lost while keeping a magical perceptive of live. Froggy has been living on the trees for the past 100 days because he believes his family just doesn't care about him, he knows frogs shouldn't live in trees but that doesn't seem to mind him. He's adapted into his new world until a young crow falls into the river and he goes to help knowing that she will drown if he doesn't intervene. 
Seeing himself through the eyes of his new friend will help him understand that now all is what it seems and that family is a strong a bond. The pictures are beautiful and I am just sad they aren't all in color, I think it would be a marvelous addiction if they were so. 
The verses are clean and easy to read and this book would be wonderful to read at bedtime for children.




 Cat / Ki
Known bookaholic and writer on every other weekend Cat loves books and everything that's related to them. Sometimes she has feelings and opinions about books and the world and she writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Opinião: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August, de Claire North


As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
de Claire North

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 432
Editor: Saída de Emergência




Resumo: Harry August não é um homem normal. Porque os homens normais, quando a morte chega, não regressam novamente ao dia em que nasceram, para voltarem a viver a mesma vida mas mantendo todo o conhecimento das vidas anteriores. Não interessa que feitos alcança, decisões toma ou erros comete, Harry já sabe que quando morrer irá tudo voltar ao início. Mas se este acumular de experiências e conhecimento podem fazer dele um quase semideus, algo continua a atormentar Harry: qual a origem do seu dom e será que há mais pessoas como ele?
A resposta para ambas as perguntas parece chegar aquando da sua décima primeira morte, com a visita de uma menina que lhe traz uma mensagem: o fim do mundo aproxima-se.
Esta é a história do que Harry faz a seguir, do que fez anteriormente, e ainda de como tenta salvar um passado que não consegue mudar e um futuro que não pode deixar que aconteça.
Rating: 3,5/5

Comentário: O tempo é e tem sido desde sempre um dos grandes mistérios da vida. Procuramos conhecer o passado e sonhar com o futuro, aprender com os que já viveram e conjunturar sobre as inovações que nos trarão os homens e mulheres de amanhã. A literatura nunca se esqueceu desta caixa de pandora, e a imortalização de "A Máquina do Tempo" de H. G. Wells é um exemplo disso, marcando toda uma corrente literária que tem vindo a explorar a temática sob as mais diversas formas. Claire North seguiu a tendência e trouxe-nos uma abordagem diferenciada à ideia da viagem no tempo. Harry August não se movimenta no espaço temporal segundo a sua vontade, mas num ritmo cíclico marcado por uma mesma origem e vivência, se assim por si determinada (pelo menos esta última, uma vez que a sua âncora é precisamente o acto do seu nascimento).
A sinopse já me tinha deixado curiosa por diversas vezes, pelo que fiquei entusiasmada com a publicação deste livro em Portugal. E não estava à espera de gostar tanto, mas acabei agradavelmente surpreendida.
O tempo está no centro da acção deste livro, mas o enredo vai muito além disso e centra-se principalmente na vida (ou vidas) de Harry August. É portanto um livro para apreciadores e contadores de histórias, centrando-se no percurso existencial desta personagem, que se revela bastante rica, complexa, humana e com uma sensibilidade especial, limada ao longo de todas as vidas derivadas da sua experiência.
Nascimento na década de 1920 e tendo uma esperança média de vida que invariavelmente garante a sua morte por volta de 1990, a personagem acaba por se inserir num contexto histórico bastante interessante, juntando elementos de ficção histórica com ficção científica, de uma forma bastante equilibrada e envolvente, que transforma um movimento cíclico num percurso mais interessante para o leitor. 
Tratando-se de uma narrativa assente numa perpectiva singular, a estrutura do livro acaba por facilitar uma maior dinâmica, ao não nos ser apresentada uma versão linear da sua existência, intercalando acontecimentos e "vidas" consoante os assuntos de relevo a apontar, que se fundamentam com uma estrutura narrativa de base, que acompanha a acção principal, que acabará por ganhar uma maior força a partir do meio do livro.
Gostei especialmente da confluência de pequenas observações e elementos para a construção do puzzle final, para além dos registos filosóficos e de reflexão sobre as viagens do tempo e as suas implicações para a estrutura temporal. Por vezes, e ainda que seja um livro muito diferente dos que irei mencionar, senti alguns elementos que me relembraram de "O Mundo de Sofia" e "A Mulher do Viajante do Tempo". Acho que tem um pouco do espírito de ambos se atentarmos às análises frequentes sobre a representação e consequências destas viagens num sentido mais vasto (dando azo a pequenos momentos quase que filosóficos), mas também pela influência que várias personagens catalisadoras acabam por ter na construção da trama final e na "colagem" deste personagem de forma a que a sua identidade não se perca. A abordagem desta personagem ao passar do tempo é também bastante interessante, especialmente porque, se o leitor assim quiser e estiver com alguma atenção, conseguirá detectar pequenas reflexões que se adaptam ao nosso presente, acelerado, repentino e corrido, que por vezes não nos deixa com muito espaço para aproveitar experiências, consolidá-las e torná-las parte de nós.
Não obstante, em "As Primeiras Quinze Vidas de Harry August" contamos também com uma trama de mistério e acção, um exercício que pede para ser desvendado e que nos leva para um plano para além do conto do passado, puxando o leitor para o centro da movimentação e criando desejo de atingir o desfecho.
Acabou por ser uma abordagem diferente do que esperava, mas bastante completa, pormenorizada, e com poder de envolver o leitor na história de um homem que foi quinze diferentes e um só ao longo de 400 páginas.
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Opinião: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula", de Rita Vilela


Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula
de Rita Vilela


Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 432
Editor: Clube do Autor




Resumo:
Depois de muitas aventuras e descobertas protagonizadas pelo grupo que já conhecem dos livros Os Guardiães dos Manuscritos Mágicos, A Dama do Lago e Heróis do Mar, eis mais um desafio que transportará Lina e os seus três fiéis amigos para outras eras. Mas será que têm coragem para iniciar mais esta viagem?
Muitas são as surpresas que estão reservadas àqueles que invadem as terras do Conde Drácula em busca de respostas mas só os verdadeiros guerreiros serão capazes de seguir em frente.



Rating: 2,75/5

Comentário: Aventuras e adolescentes representam a fórmula mágica dos livros da minha infância, ou não me tivesse iniciado no mundo da leitura através d' Os Cinco. Uma Aventura, Clube das Chaves, Os Super Quatro, o Bando dos Quatro, Detective Maravilha, Viagens do Tempo.. li-os todos e todos engrandeceram muitas horas entre aulas e nas férias. E é por esse motivo que me entusiasmei por ver mais um livro de Rita Vilela publicado. O facto de haver continuadamente novas histórias a surgirem no mercado para os mais novos só pode ser benéfico, especialmente porque estas acompanham um toque de modernidade que as insere no seu tempo actual.
"A Lenda do Conde Drácula" é o quarto volume da colecção "Os descendentes de Merlin", que em cada volume acaba por abordar quase que uma aventura temática. Optei por lê-lo por altura do Halloween, exactamente quando este me chegou a casa, por não ter nada mais indicado para celebrar a ocasião.
Há uma série de pequenos elementos que me agradaram neste volume. Uma viagem atribulada que desmistifica uma Europa de há 20 anos para a presente, um grupo de miúdos com personalidade própria e diferenciada e curiosidades sobre diversas temáticas são os pontos fortes em que se baseia este exemplar. No entanto, julgo que a autora terá de acertar no discurso incutido à narrativa. Sendo juvenil, mas já com personagens na universidade a aproximarem-se da idade para o fazer, muitas vezes ouvi nas suas vozes jovens de 14 anos e essa discrepância fez-me alguma confusão na leitura do panorama geral. Há outros pequenos pormenores respeitante à narrativa que acompanha todos os livros e se mantém constante que por vezes se torna peculiar. Julgo que os jovens hoje em dia são cada vez mais difíceis de convencer, mesmo quando se trata do mundo fantástico e as respostas para as suas perguntas poderão ficar um pouco mais claras ao longo dos próximos volumes e à medida que se for desvendando o mistério. E julgo que os adultos terão de ter uma voz mais adequada futuramente, uma vez que surgem pouco credibilizados.
A narrativa do Drácula, ainda que confesso que não foi a que esperava, foi a que me divertiu ao longo de toda a narrativa, e o livro poderia ter sido somente dedicada a ela. Com um toque de mistério e aventura, despertou a curiosidade para o desenrolar da acção até ao fim e manteve-me atenta aos próximos procedimentos das personagens.
Julgo que estão plantadas as sementes que poderão reforçar uma narrativa de sucesso nos próximos volumes, e aguardo por ver estas personagens amadurecerem à medida que são confrontadas com os próximos desafios e o com o que eles possam ou não comprometer na protecção nos descendentes de Merlin!
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Passatempo: A Célula Adormecida, Nuno Nepomuceno (TopBooks)

Amuado/a com o final do feriado? Temos um bom remédio para torná-lo menos penoso ;)

O passatempo há muito prometido com a "A Célula Adormecida", de Nuno Nepomuceno finalmente vai dar entrada no blogue!

Quem por aqui anda há uns tempos já percebeu que temos um carinho especial por este autor, e que portanto não somos muito isentas no que lhe diz respeito (com excepção para as opiniões construtivas aos seus livros que possam ir surgindo aqui no blogue), porque ao longo destes últimos anos os contactos frequentes foram criando uma relação de proximidade entre nós e o autor que nos permite, mesmo sem que tenhamos algum mérito para o caso, ficar orgulhosas e muito felizes com o seu sucesso.
O seu novo romance foi uma surpresa completa, escrito a sete-chaves e muito bem recebido pela comunidade da blogosfera literária e livrólica mal ouvimos falar nele.

Esta "Célula Adormecida" é um sinal positivo de que a aposta em autores portugueses continua a crescer e que muitos estão atentos ao mundo contemporâneo e pretendem reflectir sobre ele. A primeira edição deste livro esgotou logo após 4 dias de publicação tamanha foi a procura e já se encontra uma nova em impressão. Se isto não é motivo para ficar curioso com este livro, a sinopse será certamente!:

"Em plena noite eleitoral, o novo primeiro-ministro português é encontrado morto. Ao mesmo tempo, em Istambul, na Turquia, uma reputada jornalista vive uma experiência transcendente. E em Lisboa, o pânico instala-se quando um autocarro é feito refém no centro da cidade. O autoproclamado Estado Islâmico reivindica o ataque e mostra toda a sua força com uma mensagem arrepiante.
O país desperta para o terror e o medo cresce na sociedade. Um grande evento de dimensão mundial aproxima-se e há claros indícios de que uma célula terrorista se encontra entre nós. Todas as pistas são importantes para o SIS, sobretudo, quando Afonso Catalão, um conhecido especialista em Ciência Política e Estudos Orientais, é implicado.
De antecedentes obscuros, o professor vê-se subitamente envolvido numa estranha sucessão de acontecimentos. E eis que uma modesta família muçulmana refugiada em Portugal surge em cena.
A luta contra o tempo começa e a Afonso só é dada uma hipótese para se ilibar: confrontar o passado e reviver o amor por uma mulher que já antes o conduziu ao limiar da própria destruição"

E sem mais demoras, preencham o formulário e habilitem-se a ganhar um exemplar (que muito suspeitamos, estará autografado ;) )

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 11 de novembro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.



domingo, 30 de outubro de 2016

Review: The Bear and The Nightingale by Katherine Arden

The Bear and The Nightingale 
by Katherine Arden
Edition: 2017
Pages: 480
Publisher: Random House UK, Ebury Publishing
Summary:
A young woman's family is threatened by forces both real and fantastical in this debut novel inspired by Russian fairy tales.
In a village at the edge of the wilderness of northern Russia, where the winds blow cold and the snow falls many months of the year, a stranger with piercing blue eyes presents a new father with a gift - a precious jewel on a delicate chain,intended for his young daughter. Uncertain of its meaning, the father hides the gift away and his daughter, Vasya, grows up a wild, willfull girl, to the chagrin of her family. But when mysterious forces threaten the happiness of their village, Vasya discovers that, armed only with the necklace, she may be the only one who can keep the darkness at bay. Atmospheric and enchanting, with an engrossing adventure at its core, 
The Bear and the Nightingale is perfect for readers of Naomi Novik's Uprooted, Erin Morgenstern's The Night Circus, and Neil Gaiman.

Rating: 4/5 stars

Review:
I received this ARC from Netgalley in exchange for a honest review.

If you only read a YA fantasy book in 2017 make it The Bear and the Nightingale. Why? Because this book has it all; for a start it’s a fairytale retelling (which gives it bonus points), it’s a Russian fairytale, it involves a “war” between church and pagan beliefs (triple points) and it’s whimsicaly written. 
So if this has captivated you already I am sure you will like Vasya’s story. A brief on-line search will tell you that the fairytale in question is commonly known as Vasilia the brave (or beautiful it depends) and that Catherynne M.Valente has already re-told it in her book Deathless (which is in my to-read pile). So when I first requested it I was unsure if I had made the right decision, I have read Valente’s work before and though that it might have been a better idea to just read her retelling. However I also wanted to try new authors and had read very good reviews of The Bear and the Nightingale so I though it was worth the risk. 
 I have to say that I was lucky and this book was so worth the risk. Wonderfully written and full of promise this is one of the few books I have ever read that lives up to expectation. As we follow Vasya from her birth to her adventurous teenage years we create a very close relationship with her that keeps the readers engaged in the story. Even though sometimes it seems like a slow burn I think the long look at Vasya’s formative years actually helps us understand better where she comes from and why she does/ reacts the way she does. 
 As I had never read the original fairytale I had no idea where the story was going or who the characters were. The author also choose to leave Russian words for the entities and places which helps set the mood and it was easy to find myself in the northern Russian forest. I think it also helped that I started to the read the book as the seasons where changing and autumn weather was becoming winter weather as the chill that was felt really help set the mood. 
 I used to read the book before going to bed but after part 3 I had to stop doing it as I was getting scared. The book takes a turn and becomes slightly darker with things roaming in the night and whispering in the shadows. Strange knocks on doors and blood splattered in the white snow. I have to admit I was not ready for it but it kept me engaged (even if with all my lights on). 
 The Bear and the Nightingale leaves the blog with a five star review and the certainty that it was one of the bets books I read in 2016.
 Cat / Ki
Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Review: Pretending to Be Erica by Michelle Painchaud

Pretending to Be Erica
by Michelle Painchaud
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 272
Editor: Viking Books for Young Readers
Resumo:
We Were Liars meets Heist Society in a riveting debut!

Seventeen-year-old Violet’s entire life has revolved around one thing: becoming Erica Silverman, an heiress kidnapped at age five and never seen again.
Violet’s father, the best con man in Las Vegas, has a plan, chilling in its very specific precision. Violet shares a blood type with Erica; soon, thanks to surgery and blackmail, she has the same face, body, and DNA. She knows every detail of the Silvermans’ lives, as well as the PTSD she will have to fake around them. And then, when the time is right, she “reappears”—Erica Silverman, brought home by some kind of miracle. 
But she is also Violet, and she has a job: Stay long enough to steal the Silverman Painting, an Old Master legendary in the Vegas crime world. Walking a razor’s edge, calculating every decision, not sure sometimes who she is or what she is doing it for, Violet is an unforgettable heroine, and Pretending to be Erica is a killer debut.

Rating: 3.5/5

Review:
I will start by confessing that it was the comparison with Heist Society that drew me to this book, that and the fact that I like a good con books. (It's not by change that Leverage is one of my favorite TV shows ever!)
I read a lot of bad reviews about this book but I have to say that I enjoyed it and loved the way that the author keep Erica "present" throughout the book. I do understand why some people were disappointed as this isn't much of a con book as it could be but I think it was an interesting dive into the mind of a young con artist and what goes through a person's mind when she has to pretend to be someone she is not to everyone else; and how though that can be when you encounter people you truly connect with, people you never though you would ever meet. 
I loved the way the author kept giving you insights about how Violet was struggling with being Erica even though she had been trained her whole life to do so. After all Violet had been trained with very little and almost completely off the grid, so she had a very basic phone and almost no access to the internet or social media. So she is discovering herself as teenager not only as Violet but also as Erica.
Violet is a very interesting character and her relationships are also interesting as she tries to keep Erica group of friends but also finds a group of friends of her own.
For me this was a very interesting and sometimes intense book and the ending was unexpected and made the book linger which is always a plus. If the con bit had been better it would have reached easily the 4 star mark.

You can get a copy of this book here..

 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Opinião: Uma Mulher Respeitável, de Célia Correia Loureiro


Uma Mulher Respeitável,  
de Célia Correia Loureiro

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 320
Editor: Marcador






Resumo: No Portugal das guerras liberais e na irlanda ferida pela cólera, duas mulheres lutam para cumprir os seus sonhos e vingar as suas ofensas.

1831. Pouco depois de se casar, a sorte do conde de Cerveira sofre um revés. Uma série de infortúnios deixam-no à beira da ruína financeira, e não demora muito para que comece a desconfiar dos intentos da estranha de beleza intrigante que desposou. Perante a dúvida, decide enviar Leonor Sanches para um exílio temporário junto do tio, que ensina na prestigiada Trinity College, em Dublim. Conforme a epidemia de cólera vai ceifando as vidas de cristãos e anglicanos na Irlanda, também o coração de Leonor Sanches se oferece à tragédia.

1857. Cinquenta anos depois de perder o seu bem mais precioso para as tropas de Napoleão, Mariana Turner sente que está a um passo de descobrir toda a verdade sobre os acontecimentos de Março de 1809. Novas revelações apontam para que a condessa de Cerveira, encarcerada no Porto, seja a chave para resolver o mistério. Munida de uma determinação inabalável, tudo fará para conseguir deslindar o passado de Leonor Sanches - fidalga e anjo caído.

Uma Mulher Respeitável é o novo romance histórico da autora de A Filha do Barão.
 
Rating: 3,75/5

Comentário: Tenho acompanhado o percurso literário da Célia Loureiro há já algum tempo, embora "Uma Mulher Respeitável" tenha sido a minha estreia com a autora. Este livro segue a história originalmente trazida para os leitores em "A Filha do Barão", o que decerto pode tornar a leitura deste segundo volume mais rica, embora não impeça que seja lido como romance independente.
Conhecer os autores de um livro de antemão pode ser um desafio acrescido, mais não seja porque temos algumas expectativas sobre eles e porque há sempre elementos das suas personalidades que se derramam pelos trabalhos desenvolvidos (nem que seja pelo cuidado e pelo tratamento narrativo), pelo que criamos expectativas à luz da imagem que temos das pessoas (mesmo que possa ser um exercício incoerente e incorrecto).
Para mim, a Célia é uma mulher de alma antiga num corpo jovem, que se coaduna com uma narrativa que nos traz uma certa melancolia transfigurada em construções agridoce, mas ricas em pormenores, pensamentos, ilustrações de um quadro de época e de uma enorme humanidade.
Ainda assim, e talvez por já ter lido excertos de outras obras suas, ou mesmo desta (mediante frases que a autora ia partilhando aqui e ali online), faltou-me um certo arrebatamento mais premente que me fizesse sentir parte de uma narrativa dilacerante. Porque o enredo não deixa de o ser, de facto.
Escrito sobre forma de um mosaico temporal, em constantes analepses e saltos temporais, há uma manta de retalhos reconstruída passo a passo para decifrar um mistério, sob a forma de uma figura feminina, com várias facetas e momentos de descoberta.
A interação de todas as personagens, com discursos tidos como aproximados à época, transportam o leitor para o séc. XIX num ápice, numa pequena imensidão de momentos e histórias pessoais. No entanto, esta personagem principal, esta mulher respeitável, nunca deixa de brilhar em cada página, levando-nos a querer descobri-la um pouco mais.
Confesso que apesar de tudo, as revelações não me foram uma surpresa (com a excepção da última, de facto completamente inesperada), pelo que não consigo discernir se porque a construção do enredo o facilitou para o leitor porque não estar bem desenvolvido, se por acção propositada da autora para causar um maior choque com o final.
Há um certo deslumbramento definido pela crónica de costumes, pelas interacções de duas realidades culturais trazidas por Portugal e pela Irlanda, pelos segredos e mistérios de personagens secundárias, e pelas referências históricas que situam as acções num tempo e espaço real que contribuem para uma leitura bastante agradável e algo compulsiva.
Faltou-lhe talvez um momento final mais premente, ainda que exista outro livro que se deverá seguir a esta narrativa, uma vez que a dimensão do passado acaba por ficar bem resolvida e encerrada, esfumaçando a presente para um nível inferior.
Ainda assim, "Uma Mulher Respeitável" tem a vantagem de ser um livro bastante comercial, capaz de agradar a leitores de romance feminino e de ficção histórica, mas também de romances contemporâneos, pois a maior evidência, e o que realmente se destaca neste livro, são as reacções e as relações humanas, entre pares, e todos os sentimentos e consequências que cada uma delas acarreta. Terei de inverter o processo e procurar "A Filha do Barão" em breve! ;)
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Review: Kissing the Witch by Emma Donoghue

Kissing the Witch 
by Emma Donoghue
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 288
Editor: Picador
Resumo:
Thirteen tales are unspun from the deeply familiar, and woven anew into a collection of fairy tales that wind back through time. Emma Donoghue reveals heroines young and old in unexpected alliances - sometimes treacherous, sometimes erotic, but always courageous. Told with luminous voices that shimmer with sensuality and truth, these age-old characters shed their antiquated cloaks to travel a seductive new landscape, radiantly transformed. Cinderella forsakes the handsome prince and runs off with the fairy godmother; Beauty discovers the Beast behind the mask is not so very different from the face she sees in the mirror; Snow White is awakened from slumber by the bittersweet fruit of an unnamed desire.

Rating: 4.5/5

Review:
As soon as I heard about this book I knew I had to get it! As you know I love fairytales and I love reading new takes on then, unfortunately most dark twists on fairytales tend to involve a lot of sex which is really not what I am looking for, however Emma Donoghue crafts an amazing chain of tales that are familiar and yet new.
The stories are linked because as each one finish one of the characters (usually the love interest) will then go on to tell their own backstory which then links to another story. This keeps the book flowing and better still gives you a new perspective on these late showing characters as suddenly they aren't just part of the main characters tale but have a tale of their own.
I really liked the way the tales linked together and the stories picked were both known and unknown specially the last one which I think is an original as I don't recall ever reading a fairytale remotely similar to it (this was also one of my favorites!).
I loved the way Emma Donoghue writes and will keep myself in the loop of her future fairytale related books, as I tend to do with authors I love. Emma Donoghue is mostly known for her book Room that was recently turned into a movie.
Kissing the Witch is also a LGBT friendly book and we get a lot of lady love (which is really not surprising I mean it's in the title).
This is a book I would recommend for fairytale lovers without a second though. I give it 4 stars in GoodReads but it's a 4.5 stars book at heart!


 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Opinião: Os Inovadores, de Walter Isaacson



Os Inovadores, de Walter Isaacson

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 616
Editor: Porto Editora







Resumo: Quais as capacidades que permitiram a certos inventores e empreendedores transformar as suas ideias visionárias em realidade? O que provocou os seus saltos criativos? Por que razão alguns foram bem-sucedidos e outros fracassaram? Em Os Inovadores, Walter Isaacson dá resposta a estas questões, oferecendo-nos a mais completa história da revolução digital, uma narrativa fascinante acerca daqueles que criaram o computador e a Internet. Numa escrita empolgante e ágil, Isaacson organiza um roteiro minucioso que começa com Ada Lovelace, filha de Lord Byron e pioneira da programação na década de 1840, passa pela fundação do mítico Silicon Valley e segue até aos nossos dias, com Steve Jobs ou Bill Gates.

Explorando mais as personalidades desconcertantes destes génios do que as suas invenções, Os Inovadores é o guia indispensável para o modo como nasce a inovação e para se compreender o mundo digital que é hoje o nosso.

Rating: 4/5

Comentário: Para alguém nascido na década de 90, alguns registos evolucionários não me passaram despercebidos ao longo da adolescência. Resta lembrar as disquetes, os walkmans ou uma televisão com poucos canais para gravar a diferença. E acetatos! Há jovens que já nem saberão o que são e eu ainda passei pelo processo de preparar alguns para apresentações no secundário.
Estes pequenos registos que diferenciam em grande parte muitas das vivências tidas nos últimos 15 anos justificam o cenário rápido, acelerado, inconstante e constantemente mutável que representa a nossa sociedade contemporânea na qual a dita Revolução Digital tem a maior preponderância.
E foi esse o pretexto para mergulhar nesta colectânia de história científica trazida por Walter Isaacson. 
Trazendo-nos um apanhado dos séculos XIX e XX, o autor consegue reproduzir um conjunto de informação que contextualiza e enquadra cada pequeno momento de evolução científica, com as explicações devidas sobre o seu funcionamento e consequências para  processo evolutivo que conduziu à Revolução Digital, mas também com um notável detalhe para os apontamentos biográficos e para a análise multidisciplinar e complementar entre os vários momentos da História.
Desde a concepção e sonho de construção de máquinas automatizadas que conduziram aos primeiros computadores e às máquinas de calcular, ao movimento hacker (com uma conotação bem mais simpática e abrangente do que a comumente conhecida) e à importância dos contextos sociais e históricos, assim como políticos que despoletaram o aparecimento de vários momentos propensos à inovação, este livro acaba por ser uma colecção de momentos para leigos e curiosos que se  procuram informar sobre este segmento de transformação social e tecnológica que continuamos a atravessar.
As apropriações históricas não saem descontextualizadas e servem como bónus aos apontamentos de reflexão sobre a definição do que serão as mentes inovadoras e quais os seus modos de procedimento. É quase que uma abordagem sobre a tipologia de cultural laboral propensa ao aparecimento do espírito livre para criação e da cooperação colaborativa.
Julgo que a leitura deste volume poderá ser realizada segundo duas vertentes, uma mais ligeira e de entretenhimento puro e outra direcionada para o prazer das instrução. O meu processo acabou por pender pelos dois movimentos, pelo que acabou por ser um livro que vim a deliciar aos poucos, especialmente nos capítulos iniciais onde a inserção de conceitos de engenharia, química e eletromecânica, ainda que bem explicados, me exigiram algum tempo de assimilação por querer de facto compreendê-los (e que acabaram por me suscitar momentos de pesquisa extra) para acompanhar com maior presença todo o processo evolutivo.
Enquanto contexto histórico, gostei de acompanhar e conhecer alguns momentos cuja segmentação me era desconhecida. Ressalvo a formação da estrutura de transformação económica e tecnológica de Silicon Valley, o processo de construção colaborativa da rede que esteve por base da Internet, ou a importância dos movimentos anti governamentais e pacifistas (acompanhados do LSD) que tornaram propenso o aparecimento do computador pessoal tal como o conhecemos hoje. E ainda, porque não referir, o papel fundamental que as mulheres representaram no aparecimento e evolução do software, tido como de menor importância em tempos idos (e que injustiças se cometeram perante alguns nomes sonantes nestas áreas).
Quanto aos momentos biográficos, julgo que quase todos tiveram um factor comum, especialmente ao nível de escolaridade dos progenitores destes revolucionários digitais, mas também de uma série de factores de personalidade comuns que relembram e emancipam o leitor para o mote mais simples para dar origem a um momento evolutivo, seja qual for: nunca parar, e acreditar que o impossível é concretizável.
A um nível mais pessoal, uma vez que a maioria dos nomes dos intervenientes me eram desconhecidos, acabei por tirar um prazer maior na leitura sobre aqueles que não me eram estranhos e através dos quais pude ver revelados mais aspectos sobre si que até então me eram estranhos. Julgo que de todos, o que mais me surpreendeu foi o Bill Gates, provavelmente por nunca me ter debruçado ou interessado pela personalidade para além do que é geralmente conhecido sobre o empresário.  Não obstante, todos os outros me trouxeram vários apontamentos biográficos que os tornaram menos nomes e mais pessoas aos olhos analíticos da História.
Há ainda que referir que o livro, ainda que bem segmentado por "processos evolutivos", atendendo ao que estava em análise em cada capítulo, se preocupa em criar pontes de uns para outros, de modo a que o leitor subentenda que embora explicador segundo um padrão evolutivo, muitos destes passos foram dados em simultâneo, com o cruzamento dos diversos intervenientes em diversas "realidades".
É sem dúvida um livro abrangente, completo para o que se propõe e com uma atenção ao detalhe (vista também pelo cuidado em evidenciar quais as fontes utilizadas para suportar várias afirmações e constatações) que se esforça por acompanhar todas as esferas do processo evolutivo da revolução industrial, sem esquecer a cronologia história e a sua contextualização social, que retiram estes processos do vazio e os inserem em momentos conclusivos e de real proporção.
Uma a não perder!
                                          

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

Passatempo: Os descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula, de Rita Vilela (Clube do Autor)

 
Sinopse
Depois de muitas aventuras e descobertas protagonizadas pelo grupo que já conhecem dos livros Os Guardiães dos Manuscritos Mágicos, A Dama do Lago e Heróis do Mar, eis mais um desafio que transportará Lina e os seus três fiéis amigos para outras eras. Mas será que têm coragem para iniciar mais esta viagem?
Muitas são as surpresas que estão reservadas àqueles que invadem as terras do Conde Drácula em busca de respostas mas só os verdadeiros guerreiros serão capazes de seguir em frente.



Com a parceria do Clube do Autor, vamos voltar a animar as leituras dos mais novos! "Os Descendentes de Merlin - A Lenda do Conde Drácula" é o 4º volume de uma saga bastante agitada de Rita Vilela, que aborda as aventuras de um grupo de amigos ao longo dos mais variados cenários. Do universo dos Templários, agora passamos para as terras do Conde Drácula e vamos ter a oportunidade de vos ofertar não um, não dois, mas três exemplares  deste livro. Para que os mais novos possam relaxar entre testes e actividades curriculares, não deixem de concorrer! Boa sorte!


 Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 31 de outubro de 2016.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor/a) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa.
 4) O/A vencedor/a será sorteado/a de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por email.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.




domingo, 9 de outubro de 2016

Review: The Art of Living Other People´s Lives: Stories, Confessions and Memorable Mistakes, by Greg Dybec

The Art of Living Other People's Lives: Stories, Confessions and Memorable Mistakes
by Greg Dybec

Edition: 2017
Pages: 234
Publisher: Perseus Books Group, Running Press




Summary: Elite Daily managing editor Greg Dybec worries about rent, sex, love, family, and—the most millennial topic of them all—a desire to leave a legacy. In The Art of Living Other People’s Lives, Greg delivers a funny, brash, and insightful collection of twenty never-before-published stories on becoming a pick-up artist to get over an ex-girlfriend, late-night adventures with his Uber driver, having a Twitter-induced panic attack, picking up a gig writing about men’s underwear, and more.
Greg’s writing is all at once candid, honest, and unapologetic, and his hilariously neurotic and self-analytical journey will strike a chord with anyone struggling to balance their IRL selves with their virtual ones.

Rating: 3/5

Review: 
I will start this review by saying that I received an online copy of this book through NetGalley in exchange of a honest review.

I don't read essays quite often so I can't consider myself an expert and give a proper opinion on that subject. Despite that, I think a good essay collection should give us interesting and thoughtful subjects as well as a good dose of humor and daily basis moments in order to stand the author and the reader at the same level as human beings struggling to find their pace and their place on the world. 
Reading this collection by Greg Dybec was a complete blast to me. I usually don't consider myself a millennial on a proper sense, not because I refuse what defines this new generation but because sometimes I'm a bit outside of the general trends and don't embrace all the foundations of it. However, Greg Dybec brought a new perspective about it, since I think he is much more a typical millennial (no judgments here, just simple observations) and his approach to many subjects made me reflect and think that even if he has a different life from my own, we have the same struggles, doubts, fulfillment thoughts, and expectations and fears. And like many others of our generation, we want jobs that serve us not only to get payments but to make us more capable and with a purpose, we want to travel, to meet new people, to have different hobbies (and time to take them all), we want to be citizens of the world, informed, free and responsible for our future. On that though, it doesn't matter if I live in Europe and he at the United States of America. In our different, we try to reach the exact same spots. Following this first observations I was taken to reflect much more about me and my connection with people from my own age. 
The book is organized in a careful balance between enlighten texts and comical statements that make it very easy going and tasteful to almost every reader. 
I enjoyed the majority of the texts, either because they thought me something about myself or because they were very entertaining. Therefore, if I had to choose some favorites, I would mark the trip to Italy (and all the identity questionings or the reflections of the foreigners in our own livings) and the Uber evaluations (and our need to be recognized but also liked by others). But I couldn't also forget the laughs caused by a devilish small mouse or some crazy job interview, but also the sweet memories originated by amazing grandparents or the efforts of a mother who try to keep connected with their suns . 
In the end, it's a very easy book to read that many youngsters between their 20's and 30's can relate to. Give it a try!


Cláudia
About the author:
 
Addicted to the library Claudia loves to read on the move and we can usualy find her sitting in a train or bus reading while commuting to and from work. But don't be fooled she is also keeping an eye on the landscape and all around her. She is an avid defender of sustainability and volunteering and it's as easy to find her starting a new project as it is to find her chatting with her friends. She is a dreamer and loves good stories so she keeps looking for them in her personal life.

sábado, 8 de outubro de 2016

Opinião: O Projecto Rosie, de Graeme Simsion



O Projecto Rosie, de Graeme Simsion

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 272
Editor: Editorial Presença






Resumo: Don Tillman decide que está na hora de casar. Só falta escolher a mulher perfeita.
Don é um professor de Genética brilhante mas, por ser pouco sociável, considera que a forma mais simples de encontrar uma companheira consiste em elaborar um questionário. Cria o algoritmo perfeito que permite excluir as candidatas inapropriadas e, assim, evitar incidentes como os que viveu no passado.
Rosie Jarman, apesar de bonita e inteligente, tem todas as características que Don desaprova e é desqualificada de imediato. No entanto, Rosie procura Don por outros motivos e este aceita ajudá-la.
Divertido e comovente, O Projeto Rosie demonstra que o amor desafia toda a racionalidade.
O Projeto Rosie é um bestseller do New York Times, que vai ser adaptado para o cinema. Uma história de amor como não há igual!

Rating: 4/5

Comentário:  Estava há muito tempo tentada com este livro (anteriormente editado pela Divina Comédia Editores, e presentemente pela Editorial Presença) e como está na altura de começar a acabar com livros por ler cá por casa, achei que era o momento ideal. O enredo é exactamente o que esperava e diverti-me imenso numa leitura animadora e casual, mas repleta de momentos singulares que a tornaram mais minuciosa do que parecia inicialmente.
Don é a personagem que assume o papel de narrador, o que torna tudo mais desafiante. De um momento para o outro, passamos a ver o mundo através de um olhar masculino, objectivo e incapacitada de ler sentimentos. É factual, objectivo mas também curioso, constante e acutilante. A parte mais interessante do exercício do leitor passa mesmo por ver além do que nos é inicialmente fornecido, de saber além das ilações desta personagem particular e construir o cenário mais vasto que lhe escapa ao olhar. Adorei fazer esta transposição constante, tanto aquando da sua análise enquanto individuo como derivada das confusões e mal entendidos do contacto com terceiros.
É esta objectividade que o leva na demanda de procurar uma mulher, num processo tão escrutino e opressivo para o sexo feminino (embora naturalmente lhe passe despercebido) que naturalmente lhe trará diversas peripécias. São depois as suas interpretações do processo, assim como dos conselhos dos amigos que os encaminham numa avalanche de hilariantes situações, muitas delas sucedâneas e com consequências imprevisíveis.
Já Rosie é exactamente o oposto: mais rebelde e disruptiva ao seu olhar (de Don, leia-se) do que realmente é, com um coração doce mas assertiva e destemida, acaba por furar uma certa carapaça à incompreensão social que sempre o assistiu. É portanto um prazer ver o florescer desta relação, muito longe de qualquer objectivo romântico, e a compreensão de que o amor nunca é o esperado e nem nos apaixonamos por quem queremos, mas por quem apela ao melhor de nós.
E é a junção destas duas personagens com uma série de outras, que acabam por se assumir como impulsos constantes para bem da narrativa principal, que tornam toda a construção mais fluída, mas inconstante, a pulular de pequenas novas ideias e com uma enorme capacidade de criar um enredo mais denso e apropriado a uma leitura que não se quer somente unidimensional. 
É uma narrativa com vários momentos caricatos, desafios constantes conduzidos pela mente acutilante desta personagem maravilhosa e uma leitura que se torna doce, sem ser melosa, romântica sem clichés, divertida sem exagero e com um toque muito especial de originalidade.


                                         

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 1 de outubro de 2016

Review: Serafina and the Black Cloak by Robert Beatty

Serafina and the Black Cloak
de Robert Beatty
Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 293
Editor:  Disney•Hyperion
Resumo:
"Never go into the deep parts of the forest, for there are many dangers there, and they will ensnare your soul."
Serafina has never had a reason to disobey her pa and venture beyond the grounds of the Biltmore estate. There’s plenty to explore in her grand home, although she must take care to never be seen. None of the rich folk upstairs know that Serafina exists; she and her pa, the estate’s maintenance man, have secretly lived in the basement for as long as Serafina can remember.
But when children at the estate start disappearing, only Serafina knows who the culprit is: a terrifying man in a black cloak who stalks Biltmore’s corridors at night. Following her own harrowing escape, Serafina risks everything by joining forces with Braeden Vanderbilt, the young nephew of the Biltmore’s owners. Braeden and Serafina must uncover the Man in the Black Cloak’s true identity . . . before all of the children vanish one by one.

Rating: 3.5/5 stars

Review:
I would like to start this review by saying that I got a copy of this book from NetGalley in exchange for an honest review,

Serafina and the Black Cloak was one of the most anticipated Disney titles from last year. it was everywhere in the Disney Books media and it promised adventure and mystery so it obviously got my attention. In May of this year I applied to read the book as it was hitting the shelves in the UK and I was lucky enough to get a copy. I read Serafina quite swiftly as it is a book that pulls you in quite easily and keeps you hooked to try and find out more.
Dear Serafina lives in the basement of a great mansion and has been told that she can never be seen. In itself this is quite curious because it makes you wonder what is so wrong with Serafina or with her being in the mansion that her existence has to be a secret. However as we get to know Serafina it starts to become obvious that there's something different about her, not only physical but also about the way she thinks and acts.
The book takes us through the house and we get a gist of the life in the manor (a bit Downton Abbey style, but funnily enough Biltmore actually exists and the author used the house because they grew up near it), specially the life of Braeden Vanderbilt, nephew of the Biltmore’s owners as he is more or less Serafina's age and she finds that interesting as he is the one with more potential to be her friend.
The mystery of the cloak keeps the readers interested and it was a very bold move of the author to make sure it made an appearance on the first few pages. The reader is pulled into the action as soon as the story starts and then we taken through the house and it's inhabitants from Serafina's point of view as she has to unravel who is the owner of the cloak.
I have to admit that it was easy to me to find that part out but I do realize the book is for younger readers who might not be so quick to guess. However I was taken by surprise about Serafina's backstory which ends up opening way for book 2 in the series, Serafina and the twisted staff.
All in all a fund adventure and an interesting world that I am curious to go back to.

 Cat / Ki

Known bookaholic and writer at weekends. Cat loves books and everything that's related to them. From time to time she has very strong feelings and opinions about books and the world and she likes writes about them (mostly in her blog Encruzilhadas Literárias). She also has a personal GoodReads account and she believes the world is a better place for it (AKA no more repeated books from relatives as gifts). She lives in the UK and can often be found either in Waterstones or the Charity Shops.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Opinião: O Rouxinol, de Kristin Hannah

 
O Rouxinol, de Kristin Hannah

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 504
Editor: Bertrand Editora







Resumo: Na tranquila vila de Carriveau, Vianne despede-se do marido, Antoine, que parte para a frente da batalha. Ela não acredita que os nazis vão invadir a França… mas é isso mesmo que fazem, em batalhões de soldados em marcha, em caravanas de camiões e tanques, em aviões que enchem os céus e largam as suas bombas por cima dos inocentes. Quando um capitão alemão reclama a casa de Vianne, ela e a filha passam a ter de viver com o inimigo, sob risco de virem a perder tudo o que têm. Sem comida, dinheiro ou esperança, e à medida que a escalada de perigo as cerca cada vez mais, é obrigada a tomar decisões impossíveis, uma atrás da outra, de forma a manter a família viva. Isabelle, a irmã de Vianne, é uma rebelde de dezoito anos, que procura um objetivo de vida com toda a paixão e ousadia da juventude.

Enquanto milhares de parisienses marcham para os horrores desconhecidos da guerra, ela conhece Gäetan, um partisan convicto de que a França é capaz de derrotar os nazis a partir do interior. Isabelle apaixona-se como só acontece aos jovens… perdidamente. Mas quando ele a trai, ela junta-se à Resistência e nunca olha para trás, arriscando vezes sem conta a própria vida para salvar a dos outros. Com coragem, graça e uma grande humanidade, a autora best-seller Kristin Hannah capta na perfeição o panorama épico da Segunda Guerra Mundial e faz incidir o seu foco numa parte íntima da história que raramente é vista: a guerra das mulheres.

O Rouxinol narra a história de duas irmãs separadas pelos anos e pela experiência, pelos ideais, pela paixão e pelas circunstâncias, cada uma seguindo o seu próprio caminho arriscado em busca da sobrevivência, do amor e da liberdade numa França ocupada pelos alemães e arrasada pela guerra. Um romance muito belo e comovente que celebra a resistência do espírito humano e em particular no feminino. Um romance de uma vida, para todos.

Rating: 5/5

Comentário: Foram precisos alguns dias para conseguir consertar e discernir uma opinião coerente e que expressasse correctamente o quanto este livro me tocou. Atrevo-me a dizer que é dos melhores, senão o melhor que li nos últimos dois anos, composto por uma narrativa extremamente bonita e melódica, mas não menos crua ou despejada de potência. "O Rouxinol" pode ser uma versão fantasiada pela imaginação, sustentando-se em factos históricos e elementos e datas precisas para construir uma narrativa. Mas é também um murro no estômago, uma lembrança constante que por mais que exploremos, por mais que nos informemos e procuremos nunca esquecer o período tão negro, obscuro, dilacerante a que correspondeu a II Guerra Mundial, ele existiu e tem de ser falado e explorado até mais não, para que não se repita, para que não possamos fechar os olhos às evidências do passado e para nunca mais negar que o ser humano tanto pode ser belo e generoso como cruel, monstruoso, e paradoxalmente inumano. Este livro foi uma memória constante sobre o que sabemos e o que ainda desconhecemos - e que provavelmente nunca chegaremos a saber - sobre este período: resultante da vergonha e de memórias escondidas, do ressentimento, da necessidade das testemunhas de primeira mão esquecerem muito do que vivenciaram e que vai bem além do Holocausto e da perseguição aos judeus. Neste livro de Kristin Hannah, é a visão de um país ocupado que nos inunda a mente ao longo de 500 páginas, mostrando-nos o que foi viver sob o jugo nazi, denunciar a derrota, e ainda ter de lidar com os simpatizantes do regime, que se mostraram anti-patriotas e pouco defensores do seu país, muitas vezes entusiastas das oportunidades perfeitas a agarrar, ou simplesmente com o sofrimento e a degradação alheia.
A componente temporal  dá-nos uma perspectiva vasta e complementar sobre o período de ocupação em França, desde a descida das tropas alemãs pelo país, até o momento final de libertação. No centro desse período, são registadas as transformações sociais, físicas, psicológicas e de morais sofridas pela população ocupada, que vê em cada cruz suástica um inimigo (ou uma oportunidade), camuflado numa massa de colunas humanas que vão devastando com a sua presença cada canto de França.
Kristin Hannah traz-nos duas personagens femininas fortes, mesmo nas suas inseguranças e fragilidades, e procura, pelo olhar de cada uma, trazer-nos as várias facetas deste país ocupado. Desde as senhas de racionamento, ao movimento de Resistência, às rotas de evacuação de pilotos perdidos, à ocupação forçada das propriedades francesas, deixando mulheres e crianças a lidar à sua maneira com um inimigo confrontado nas frentes pelos maridos, irmãos e filhos há muito deslocados para fora do país (e posteriormente presos em campos de concentração), este é um registo completo, que nos conta uma história vasta da devassidão que uma guerra pode trazer. É complementar, tem várias personagens fortes, complexas, singulares, que atribuem uma voz múltipla e testemunhos diversos a um livro único.
Não quero desvendar o enredo, nem a direcção que toma a narrativa, mas só posso dizer-vos que surpreende, agarra e arranca páginas umas atrás das outras para se colarem à vossa retina e reterem-se na vossa mente. Um livro a juntar à lista dos preferidos certamente!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Opinião: Guia Astrológico para Corações Partidos, de Silvia Zucca

Guia Astrológico para Corações Partidos, de Silvia Zucca

Edição/reimpressão: 2015
Páginas: 538
Editor: Suma de Letras

Resumo: As estrelas não mentem… Os homens sim. A comédia romântica do ano.Com 30 anos, solteira (não por escolha) e com um emprego que oferece poucas perspectivas, Alice encontra um jovem actor convencido que conhece o secreto para o sucesso: a astrologia. Ainda que céptica, decide tentar e começa a sair com homens de signos do zodíaco compatíveis com o seu. Pouco a pouco, Alice descobre que talvez o verdadeiro amor não esteja sempre escrito nas estrelas…




Rating: 2,75/5

Comentário: Romance ligeiro e situações tragico-cómicas apelam a leituras de verão, sendo assim que se traduziu a leitura de Guia Astrológico para Corações Partidos!
Alice é a típica personagem feminina deste género literário, com a nuance de que, para variar, lhe deram o sucesso profissional merecido. A verdade é que me chateia sempre a fórmula de miúda carente, com um emprego miserável, à espera do cavaleiro andante, que infelizmente se repete com frequência por muitos livros do género feminino (em que este acaba por se encaixar). Alice é portanto bem sucedida no trabalho dela, ainda que esta imagem apareça camuflada nas suas inseguranças perante um novo cenário a ocorrer no seu local de trabalho, que não explorarei para não estragar o enredo a alguém.
Valem-lhe também duas amizades inusitadas e uma série de peripécias, assim como perspectivas diferenciadas, para a colocarem num sem fim de situações arrojadas, complicadas e desconcertantes, as quais ela alimenta com muita imaginação e jogo de cintura arrojado. Ou não tivesse alma latina e soubesse dançar ao som da corrente.
O local de trabalho centraliza cerca de 80% da acção do livro, pelo que os seus colegas e chefes acabam por ganhar protagonismo. É de resto uma abordagem original e ao longo das páginas temos certos lampejos do que é o quotidiano de uma estação de televisão, assim como da produção de conteúdos televisivos.
No que respeita ao assunto principal do livro, o qual está espelhado no título, digamos que Alice se torna obcecada com o horóscopo e pretende que seja este a determinar os seus próximos passos, tanto profissionais como amorosos, mas especialmente amorosos!
O facto de não ouvir os seus instinctos, saber ler os sinais e ouvir vozes mais sensatas, leva-a numa espiral de contratempos que começam por ser divertidos mas que, com a extensão injustificada para um livro deste género, acabam por se tornar aborrecidos a determinada altura. Menos 200 páginas teriam sido suficientes para contar esta história, sem a estragar e evitando que se tornasse aborrecida. Até porque a sucessão de acontecimentos insólitos em cadência acelerada acabou por desvirtuar o potencial cómicos de algumas secções do livro, embora não deixe de ser um romance bem-disposto.
Como elemento de destaque, tenho de referir o início de cada capítulo, onde é feita uma pequena abordagem a cada signo do zodíaco (um diferenciado de cada vez) sob a perspectiva masculina, de forma a indicar qual o melhor parceiro ou o que teria uma maior compatabilidade com cada leitora, consoante os aspectos que esta preze mais (sendo leiga no assunto, depreendo que os leitores masculinos possam simplesmente trocar o pronome e receber na mesma o aconselhamento "matrimonial").
Por fim, e porque há alguma moral ou lição a reter, diria que "Guia Astrológico para Corações Partidos" relembra-nos que por vezes temos de arriscar e ver em diante, ignorar os preconceitos e elementos pré-concebidos e descobrirmos por nós o que nos faz feliz e se como podemos alcançá-lo.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Opinião: Cartas por um Sonho, de Ángeles Donate


 Cartas por um Sonho, de Ángeles Donate

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 376
Editor: Suma de Letras

Resumo: O Inverno chega a Porvenir e traz com ele uma má notícia: a estação de correios vai fechar e o pessoal vai ser transferido para a cidade. Quem precisa de um carteiro num mundo onde já não se escrevem cartas?
Cartas Por Um Sonho é um livro comovente, encantador e cheio de ternura, onde, através da corrente de cartas, vão desfilando personagens do nosso quotidiano, todas elas com os seus sonhos, a sua história, mais ou menos triste, as suas frustrações.





Rating: 3/5

Comentário: Este livro é uma pequena delícia. Adoro cartas, recebê-las, escrevê-las, lê-las e encontrá-las no correio. Nos dias mais cinzentos, chegar a casa e encontrar um pedaço de alguém que agora também é nosso transposto para o papel pode fazer milagres. É uma delicadeza especial, que valoriza o tempo gasto por quem a escreveu e a atenção em fazê-lo de uma forma memorável. Aposto que não se lembram do que dizia um email escrito ontem, mas a carta recebida no mês passado ainda está presente nas vossas mentes!
É precisamente este amor à escrita epistolar que fundamente este pequeno livro, que se passa na pequena aldeia de Porvenir.
Num processo continuado e ao qual já nos habituámos, Porvenir é uma memória de outros tempos, abandonada pelos mais novos e aventureiros à procura de uma vida melhor já não encontrada nas profundezas de uma terreola simpática mas sem oportunidades, com registos do tempo nas paredes antigas, nas ruas empredredadas e na memória dos que ficaram para trás, por opção (muito poucos) ou porque a vida se encaminha para um fim recostado, onde não existe melhor lugar para descansar que o espaço da infância e das memórias embaladas.
Ao grupo dos teimosos (ou persistentes) junta-se Sara, a carteira local que vê a sua resiliência ameaçada pela necessidade de fechar o posto de correios locais e deslocar o seu posto de trabalho para uma das cidades na envolvência.
É então que uma iniciativa levada a cabo por uma aldeã promove uma cadeia de cartas peculiar e anónima, que gera uma ligação entre vários membros da aldeia (e visitantes ocasionais) numa cadeia  ternurenta, cuidada, com intenção de surpreender e também libertadora.
Reunindo pessoas tão diferentes nesta experiência inesquecível, as razões que levam a que cada um se junte ao processo, muito mais do que o lado solidário que a motiva, são bocadinhos a descobrir. Sentimentos de pertença, solidão, desejos de comunicar, necessidade de desabafar e criar ligações (mesmo que efémeras) são algumas das motivações de cada elemento desta série. E que ainda se tornam mais especiais ao longo de todo o livro, onde não só a sua carta é demarcada, como é possível ter acesso a mais elementos da vida de cada personagem e que tornam o processo escrito ainda mais especial.
Paralelamente, a vida na aldeia continua e algumas personagens tornam-se mais visíveis, assim como as suas interações com os restantes que por lá habitam, criando uma mescla de situações típicas de uma localidade pequena, mas sempre num espírito de entreajuda, companheirismo e procura da felicidade nos mais pequenos pormenores.
Angeles Donate traz-nos um livro pequenino e enternecedor, cheio de momentos de embalo que nos colocam um sorriso no rosto e nos lembram de que ainda há pureza nas pessoas e que esta merece ser protegida das desavenças e da maldade alheia. Gostei bastante!

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.