Médicos prescrevem livros

Esta notícia não é nova e já a divulgamos no nosso facebook com o link para a reportagem do The Guardian. No entanto, ainda não satisfeitas com isso, eu e a Cláudia decidimos ir em busca de mais para podermos dar a nossa opinião sobre o assunto.
Claro que nem vou tentar esconder que acho a ideia simplesmente genial, essa é a verdade, afinal para mim os livros sempre foram terapêuticos e são uma alternativa muito mais saudável que comprimidos.
Apesar da ideia ter sido posta em prática pela primeira vez em 2005 no País de Gales, graças a uma ideia do Psicólogo Clínico Prof. Neil Frude em 2003, só agora em 2012 chega a Inglaterra.
Assim, a Inglaterra junta-se ao País de Gales, Dinamarca e Nova Zelândia como um dos primeiros países nos quais os médicos receitam livros para doenças do foro psicológico como raiva, ansiedade, depressão, obsessão, compulsões, pânico, fobias e auto-estima.
A ideia nasceu de uma junção de situações entre as quais a alarmante verdade de que pelo menos seis milhões de pessoas, residentes no Reino Unido, sofrem de depressão e ansiedade e que desses seis milhões dois terços não recebem qualquer tipo de tratamento.
Quando testes sugeriram que os livros poderiam ser poderosos aliados na cura destas doenças mas ainda existiam muitas pessoas que desconheciam a existência destes livros ou simplesmente não tinham acesso aos mesmos. Frude diz que no fundo o que faltou foi a conexão  "os médicos já lá estavam, os livros já lá estavam e as bibliotecas também. Só necessitamos de os juntar.". E assim, em Gales onde a iniciativa começou, 30 mil livros de auto ajuda são requisitados todos os anos da biblioteca, e três e dez dos livros mais requisitados são de auto-ajuda.
Livros estes que também podem ser requisitados em Portugal das nossas bibliotecas, facto que eu desconhecia e fiquei a saber no inicio deste ano. Não sei porquê mas sempre achei que as bibliotecas não facultavam livros de auto-ajuda, talvez porque ache que maior parte das pessoas se sentem um pouco envergonhada quando é apanhada a lê-los, mas as Bibliotecas de Lisboa tem vários no seu catalogo, incluído Paul McKenna e Louise Hay. (Convido-vos a requisitarem livros de um e outro, para quem gosta são os melhores do género.)
Existe uma lista de 30 livros, para começar, que foi enviada já para as bibliotecas. Estes trinta livros não foram escolhidos ao acaso, e incluem os melhores livros de auto-ajuda actualmente disponíveis. Frude explica que nos Estados Unidos América, a classificação deste género de livro vai de cinco estrelas a "de espetar um punhal no peito", que é a classificação mais baixa que se pode atribuir a um livro deste género e que significa que o livro em vez de ajudar as pessoas está a fazer exactamente o contrário


Para o próximo ano, a Books on Prescription espera chegar a crianças e jovens também. Uma lista de 30 livros já foi enviada para as bibliotecas que, ao abrigo do programa, serão obrigadas a disponibilizar os títulos para que os pacientes os possam levantar na sua biblioteca local.
Esta iniciativa acaba por ser benéfica para as bibliotecas também, especialmente em Inglaterra, onde várias bibliotecas municipais se encontravam em risco de fechar por não terem leitores e movimento suficientes. Os especialistas acreditam que esta medida irá dar nova vida às bibliotecas, o que já se provou ser verdade nos países onde este esquema já está implementado.
A meu ver estamos com uma solução fantástica em mãos que resolve dois problemas de uma vez: além de manter bibliotecas abertas, e quem sabe garantir a criação de mais, a Books on Prescription ajudará também as pessoas com doenças psicológicas mais leve a sentirem-se bem e acabará por evitar que os problemas se tornem mais complexos. Além do mais, já se sente uma onda de mudança nas pessoas em relação aos medicamentos, já existe um número considerável de pessoas contra a medicação, especialmente a forte, que sem dúvida acolherá este novo meio de tratamento.
Mesmo assim, o criador do projecto, o Prof. Frude já veio relembrar que este género de alternativa só é válida quando a doença é ainda muito leve e não em casos crónicos. Creio que contudo podemos também dizer que estes livros acabam por actuar também como prevenção, quando são lidos antes das pessoas sentirem os sintomas. É um género de literatura fantástica para a auto-descoberta e para a realização de exercícios práticos somos quem somos exactamente.
Fazendo as contas, tal como dizia no início, é uma iniciativa que apoio mas creio que há mais livros do que os de auto-ajuda que podem ajudar uma pessoa. Afinal, quem nunca encontrou uma mensagem profunda num livro considerado banal? É a maneira como o livro nos fala que nos chama a ouvir, e se há pessoas que precisam de ler A Cabana ou O Segredo para encontrar uma verdade interna há também quem o consiga fazer lendo livros como Irmãs de Sangue ou Harry Potter. Por isso, acredito que aumentar o leque de livros seleccionados seria, talvez numa segunda fase, uma óptima maneira de continuar o tratamento.

Curiosidades:

2 leitores reagiram:

  1. Seria interessante adotar esta medida em Portugal. Parece-me que se podia pensar num projeto para consciencializar a comunidade médica para esta questão.

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