Opinião: O Labirinto Perdido, de Kate Mosse


 

  O Labirinto Perdido
de Kate Mosse
Edição/reimpressão: 2006
Páginas: 680

Editora: Dom Quixote

 Resumo: Uma empolgante história de coragem, destino e traição passada na Carcassonne medieval e contemporânea.
Em Julho de 1209: em Carcassone, uma rapariga de dezassete anos recebe do pai um livro misterioso que ele afirma conter o segredo do verdadeiro Graal. Embora Alaïs não consiga perceber as palavras e os estranhos símbolos no seu interior, sabe que o seu destino é protegê-lo. Será necessário sacrifício e fé para manter em segurança o segredo do labirinto - um segredo que remonta a milhares de anos e tem origem nos desertos do Antigo Egipto... Em Julho de 2005: Alice Tanner descobre dois esqueletos durante uma escavação arqueológica nas montanhas perto de Carcassonne. No interior da sepultura onde se encontram os ossos, ela pressente uma avassaladora sensação de malevolência e constata assustada que, por mais impossível que pareça, é capaz de compreender as misteriosas palavras antigas que estão gravadas na rocha. Alice apercebe- se demasiado tarde que desencadeou uma assustadora sequência de acontecimentos que é incapaz de controlar e que o seu destino se encontra inexplicavelmente ligado ao dos cátaros, oitocentos anos antes.

Rating: 4/5

Comentário:
Perto do Natal ouvi falar de uma mini-série que ia estrear no TVSéries, e que se referia a uma aventura tanto no presente como no passado, no tempo das cruzadas, e numa demanda pelo Graal - um romance histórico com a dose certa de acção e mistério portanto. Curiosamente deixei passar mas lá a conseguir resgatar e ao fim das 4 horas de exibição, quando fiquei a saber que era baseado num romance, decidi que tinha mesmo de ir à procura do livro. Trouxe-o da biblioteca recentemente e foi exactamente o que estava à espera!
Confesso que a um primeiro nível que foi dificil entrar no enredo, como muitas vezes acontece quando vemos uma série/filme que teve alteração de cenas para que se pudesse encaixar numa sessão cinematográfica. Neste caso, porque adoro a actriz que representou Alais senti a personagem inicialmente fraca e não tão desafiadora como o esperava. A partir do momento em que ignorei a série e entrei no livro a fundo, fiquei rendida. 
O estilo de Kate pareceu-me algo entravado ao início. Muias frases curtas, muitas descrições, muitos pontos finais que cortavam uma certa fluidez esperada à obra, o que me colocou de pé atrás porque quase 700 páginas daquilo seriam um pesadelo. No entanto, acho que passado o trauma de iniciar o livro começou a ganhar força e levou-nos a bom porto.
Kate traz-nos uma série de personagens brilhantemente entrecruzadas, aliando pormenores históricos e outros tantos ficcionais de uma forma bastante subtil, implementando uma estória com suspense, que nos fez sempre querer acompanhar o desenrolar dos acontecimentos.
Não sei porquê, mas neste género de livros tenho sempre tendência a render-me principalmente às partes narradas no tempo mais antigo e neste caso não foi excepção. As partes dedicadas ao século XIII conseguiram então levar a melhor de mim, não tanto por causa da vida de Alais ou do segredo que o seu pai lhe encarregou de guardar, mas pela aventura de um tempo já passado, assim como pelas considerações históricas em torno dos Cátaros, e do que eles tiveram de encarar em plena altura das Cruzadas, quando foram acusados de heresia e chacinados pelos grupos que actuariam em primeira mão na Terra Santa.
A autora soube ainda criar de forma bastante inteligente as interligações entre o passado e o presente. Não nos trouxe lições de História que o tornassem maçudo mas cobriu-o com os pormenores certos para nos captar a atenção até ao fim. Quanto ao tempo presente, Alice é uma rapariga esperta, com um enorme sentido de autopreservação (ainda bem!), o que lhe valeu a minha consideração. Ao acompanharmos o seu percurso iremos deparar-nos com um sem número de inimigos que farão de tudo para a apanhar e resgatar parte do segredo que agora lhe pertence. Mas que segredo é esse realmente? E o que é que significa a demanda do Graal? Poderia contar-vos mas não teria piada. De qualquer forma, à medida que a acção prossegue vamos captando as suas nuances e percebendo qual a ligação que move estas duas mulheres com 800 anos de separação, e o quanto as suas atitudes serão ou não promotoras do desenrolar da acção.
O sem número de inimigos é intenso, deixa-nos sem fôlego e expectantes de um momento para simplesmente respirar. Fez-me vibrar e fará a qualquer pessoa que goste de mistério, acção e História. Aconselho que vejam a série e leiam o livro, ou vice-versa. Vale a pena.

Aqui fica o trailer para os interessados:




Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

6 leitores reagiram:

  1. Tenho vontade de ler este livro. Aqui no Brasil saiu com o nome de "O Labirinto". Parece ser realmente muito bom, profundo. Também gosto de narrações no tempo antigo, são tão gostosas, alguns livros, quando bem narrados, nos transportam de verdade para a época. =)

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  2. Olá,

    Infelizmente, não li o livro, só vi a mini-série e devo dizer, que fiquei completamente arrebatada! Sem dúvida, uma excelente história :)
    Mas, agora, depois de ler a tua fantástica opinião, vou fazer como tu e requisitar o livrinho na biblioteca e pôr mãos à obra :D

    Beijinhos e boas leituras!

    http://acortedoslivros.blogspot.pt

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  3. Eu quero muito este livro, mas é bem caro mesmo. Sepulcro eu consegui por 9,90 em uma promoção, mas este tá difícil de encontrar!! e para tablet encontrei este, mas nao encontrei os outros da trilogia! help??

    p.s. este encontrei aqui: http://portugues.free-ebooks.net/ebook/Labirinto
    de nada! :D

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    Respostas
    1. Olá Gladis,

      Em ebook não tenho mas há imensos grupos no Facebook de partilha. Algum há-de ter.

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