O Pacto de Gemma Malley

O Pacto
O crime de ter nascido 
de Gemma Malley
Edição/reimpressão: 2009
Páginas: 288
Editor: Editorial Presença
Resumo:
Planeta Terra, ano 2140. A ciência oferece aos humanos a possibilidade de se tornarem imortais, mas, dada a escassez de recursos, a imortalidade só é garantida à custa da renúncia à descendência. O Pacto é o compromisso que sela tal decisão. Quebrá-lo é ir contra as leis da Natureza, e as consequências são aterradoras. Anna conhece-as demasiado bem. É uma Excedente, uma criança que não deveria ter nascido. Desde bebé que está em Grange Hall, a instituição que prepara todos os Excedentes para o terrível destino que os espera no mundo exterior. Mas um dia recebe a visita de Peter, um jovem Excedente que vem revolucionar para sempre a sua visão de si própria e do mundo…

Rating: 4/5

Resumo:
O Pacto de Gemma Malley parte de uma grande premissa que, na minha opinião, é o que o mantêm interessante do inicio ao fim. A história não é particularmente original tendo apenas uma ou outra reviravolta, mas a ideia de um mundo como este é cativante e puxa as pessoas. Creio que puxa exactamente porque deixa uma pergunta no ar: Se eu pudesse escolher entre a imortalidade e ter filhos, o que escolheria?
Talvez para maior parte das pessoas a dúvida não seja imediata. Talvez maior parte escolhesse a Imortalidade, mas esta não é fácil e vem com alguns inconvenientes. Como a ciência ainda não evoluiu ao ponto de restaurar os órgãos, a pele das pessoas estica e tem de ser rpesa por pinças para parecer que ainda está direita. Há senhas que ajudam no racionamento de luz e comida, porque ter um planeta cheio de pessoas que não morrem significa que os recursos naturais se irão eventualmente esgotar. Daí ter aparecido o pacto, o pacto no qual as pessoas abdicam de ter descendência para poderem viver para sempre.
Mas valerá a eternidade o suficiente para uma pessoa viver de senhas, toda a vida? Uma vida eterna mas sofrida, carregada de compridos e maquinetas para as pessoas parecerem eternamente jovens, quando não o são?
Anna foi formatada pelo poder instaurado, os seus pais assinaram o pacto mas tiveram-na na mesma. Ela aprendeu que esta atitude é considerada egoísta e que penalizada com a perda destes da custódia de Anna que foi parar a um "orfanato" de Excedentes. A vida no orfanato não podia ser pior, todas as crianças que lá se encontram não deveriam sequer ter nascido e são todas tratadas como peças extras de uma sociedade que já funciona bem com as peças que tem.
O livro acompanha a luta de Anna para aprender a ver-se de outra maneira e que só porque algo nos foi dito ser correcto, não significa que assim o seja. É aqui que Peter entra, ele vem por em causa tudo aquilo em que Anna acredita, virando para sempre o mundo desta de pernas para o ar.
A escrita de Gemma Malley é fluída e a história segue-se rapidamente. Apesar de me ter dado alguns nervos ao inicio por estar excessivamente formatada, acabei por aprender a gostar da Anna e segui a sua história com muito interesse. Sem dúvida um dos primeiros livros distópicos a chegar a Portugal e um dos meus favoritos por obrigar o leitor a pensar.
O Pacto é o primeiro livro de uma trilogia, chamada "The Declaration", é seguido pelo livro a A Resistência, editado também pela Editorial Presença e pelo livro O Legado, de momento ainda não disponível em português.

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