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segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Resultado do Passatempo: Nix, Fantasmas do Passado

Ainda bem que estão atentos e não deixaram escapar esta oportunidade de passar as férias a ler!

Sem mais demoras, queremos agradecer à Editorial Presença mais uma colaboração e parabenizar Nélia Rosa de Ponta Delgada por ter ganho um exemplar de "Nix - Fantasmas do Passado"! Boas leituras e muitos mergulhos!

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Passatempo: Nix- Fantasmas do Passado, de Nathan Hill


Com a colaboração da Editorial Presença, temos para oferecer um dos exemplares do livro "NIX - Fantasmas do Passado", de Nathan Hill. 

Este foi um dos livros mais falados no mundo literário dos Estados Unidos e chegou a Portugal em Maio. Para se habilitarem a ganhar um exemplar, basta que preencham o formulário em baixo com os dados solicitados. 

Sinopse: Estamos em 2011. Há décadas que Samuel Andresen, professor universitário e escritor falhado, não vê Faye, sua mãe. Mas eis que ela reaparece, depois de ter cometido um crime que não só captou a atenção dos media mas que veio incendiar um país politicamente dividido. Faye é descrita como uma hippie radical com um passado sórdido. 

Contudo, tanto quanto Samuel sabe, Faye era uma rapariga comum que casou com o namorado do seu tempo do liceu. Que versão da sua mãe será a verdadeira? Mas duas coisas são evidentes: ela enfrenta acusações graves e precisa da ajuda de Samuel. 

Para a salvar, ele terá de embarcar na sua própria viagem, à descoberta de segredos há muito enterrados sobre a mulher que ele julgava conhecer - segredos que se arrastam ao longo de gerações e que têm origem na Noruega. À medida que empreende essa viagem, Samuel irá confrontar não só as perdas de Faye, mas também o seu próprio amor perdido, e irá reaprender tudo o que julgava saber sobre a mãe e sobre si próprio.

Desde o Midwest suburbano até à cidade de Nova Iorque e aos motins de 1968 que abalaram Chicago e outras cidades norte-americanas, Nix - Fantasmas do Passado explora - com um humor subtil e uma grande sensibilidade - a resiliência do amor, mesmo num tempo de mudanças radicais.

Bestseller do New York Times, vencedor do Los Angeles Times Book Prize para primeira obra de ficção e Finalista do National Book Critics Circle Award. Considerado o LIVRO DO ANO pelos principais meios de comunicação social internacionais. Meryl Streep e J.J. Abrams associam-se à Warner Bros TV na produção de uma série de TV baseada neste livro.

Primeiras Páginas aqui.

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 30 de julho de 2018.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.




«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Opinião: Uma Estranheza em Mim, de Orhan Pamuk


 
Uma Estranheza em Mim
de 
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 640
Editor: Editorial Presença
  



Sinopse: 
O novo romance de Orhan Pamuk combina uma história de amor marcante com um retrato muito pessoal de Istambul e das profundas mudanças aí ocorridas entre 1969 e 2012.

Mevlut viu-a apenas uma vez e foi o suficiente para se apaixonar. Após 3 anos de cartas enviadas em segredo, decidem fugir. A escuridão da noite auxilia a fuga mas a luz de um relâmpago revela um engano terrível que os marcará para sempre.

Chegados a Istambul, Mevlut decide aceitar o seu destino seguindo os passos do pai. Todas as noites vende boza, uma bebida tradicional turca, esperando um dia enriquecer. Durante 4 décadas acompanhamos Mevlut pelas ruas de Istambul, o seu olhar face às alterações que ocorrem e as diferentes pessoas com quem se cruza.

Uma Estranheza em Mim, do autor Prémio Nobel da Literatura, foi candidato ao Man International Book Prize 2016.  Excerto
 
Rating: 3,5/5
Comentário:  "Uma Estranheza em Mim" foi a minha estreia com Orhan Pamuk. Deixei-me inicialmente ser envolvida pelo título, tão peculiar, e depois pela sinopse. Quem nos segue há uns tempos já sabe que é fácil deixar-me seduzir por sagas familiares, especialmente quando passadas em países diferentes dos que habitualmente aparecem retractados.
Pamuk traz-nos a transformação de um mundo visto pelo olhar de homem simples ao longo de três gerações, enquanto que simultaneamente nos arrasta pela transformação estrutural que sofre Istambul - a cidade, mas que também se torna em Istambul - a personagem, ao longo de quatro décadas.
Melut é um rapaz simples, sonhador, mas também muitas inconstâncias, que parte para Istambul com o pai, de forma a dar seguimento ao negócio familiar de venda ambulante de Boza, que lhes permite sustentar a família que se mantém na aldeia natal.
É a partir deste momento que se denotam os contrastes, da vivência de uma aldeia para a cidade, da cidade em si e das suas diversas regiões, dos actores que nela residem e que determinam o seu comportamento e desenvolvimento.
O enredo é transmitido paralelamente na primeira pessoa, mas também como sendo uma crónica, um relato documental do que foi a vida desta família. Todas as personagens que a determinada altura assumem o papel de narrador interpelam directamente quem as lê, rompendo a quarta dimensão. É um elemento original, que contrasta com os romances do género, trazendo-nos a verdadeira essência de uma família: a mesma história, várias versões, atropelos na narrativa, várias versões, segredos e intrigas.
Alguns dos dilemas existenciais destas personagens acompanham-nos desde a primeira à última página, ao longo de todos os anos da sua existência. São instâncias que fazem parte da sua personalidade e definem o ADN que lhes dá voz. Sem estas problemáticas, o que cada uma representa e as suas relações interpessoais não seriam as mesmas. Há os direitos de propriedade de um terreno, há umas cartas direccionadas a uma irmã (que poderia ou não ser a destinatária original), há o futuro dos vendedores de rua, do ser um bom muçulmano e/ou um bom turco, de respeitar a moral e a ordem familiar, do que é estar vivo e ter uma certa estranheza em nós.
Como já tive oportunidade de referir, a cidade de Istambul ganha um destaque bastante relevante, ao ponto de por vezes não se entender bem se lemos uma história que se passa pela cidade ou se vemos a história da cidade a ser representada pelos que vivem nela. As alterações dos bairros, os movimentos sociais que as impulsionaram, a ida e vinda de grupos minoritários à medida que as relações diplomáticas do país se vão alterando, a diminuição do espaço de vivência da rua como era, a proliferação exótica dos vendedores de boza tradicionais, são todas marcas da mesma moeda, que realçam o fervilhar que conduz esta narrativa.
Foi uma história em que gostei de emergir e descobrir aos poucos, já que o facto de não se evidenciar realmente uma parte dos elementos neste cenário complexo e diversificado, por vezes dificultou a criar uma conexão mais próxima durante a leitura.
Ainda assim, foi uma estreia brilhante com este autor, e já tenho mais uns três na calha para dar continuidade a esta exploração de Istambul perante o olhar acutilante e a consciência moral de Orhan Pamuk.



                                          Foto: Editorial Presença



 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Opinião: O Grito do Corvo, de Sandra Carvalho



 
O Grito do Corvo
de Sandra Carvalho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 256
Editor: Editorial Presença
  




Sinopse: 
Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá-la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?

Rating: 4/5
Comentário: Fiquei super contente quando soube que o volume final da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar" seria publicado em plena época da Feira do Livro de Lisboa. O segundo volume tinha saído em Abril e despertado a curiosidade dos leitores e leitoras para o desfecho que se avizinhava. De facto, as últimas páginas do volume anterior deixaram uma série de sequências narrativas em aberto e com a promessa de ser exploradas, e foram estas as que mais captaram a minha atenção desde as primeiras páginas.
Desvendo o segredo que as encobertou durante grande parte da narrativa Leo e Guida vêem-se expostas a novos desafios e aventuras, junto aos companheiros de sempre, mas com outra visão sobre o seu posicionamento a bordo. A promessa de aventura não foi esquecida e a autora contemplou os leitores com mais cenas agitadas e perfeitamente enquadradas no enquadramento prévio. Guida mostra-se preocupada com a amiga, Leo mostra-se continuadamente guerreira e corajosa (em todas as frentes) e o mundo místico ganha força novamente e debruça-se sobre vários acontecimentos mais ou menos improváveis.
Não posso dizer que tenha ficado excepcionalmente surpreendida com este último volume (com a excepção de um ou outro momento), mas correspondeu totalmente às minhas expectativas e ao desfecho quem julgo, muitos leitores também esperavam.
Tendo esta trilogia sido a minha estreia com a autora, não tenho como pautar notas comparativas perante os os seus outros trabalhos, mas posso confessar-me agradavemente surpreendida. Com uma linguagem corrente, mas o mais adequada possível ao tempo histórico mas também ao público-alvo, Sandra Carvalho traz-nos diálogos vívidos, cenas descritas com classe e pormenor quando este é necessário, uma teia de enredos perfeitamente encadeados e todos com o seu desfecho merecido.
Confesso que esperava algo mais quanto à questão do Tomás Rebelo, que me pareceu facilmente resolvida perante tamanhas patranhas já por si executadas. Ainda assim, a forma como esse momento foi desenvolvido foi também credível, permitindo dar continuidade à história onde esta ainda tinha o que explorar.
Os Açores, finalmente alcançados, trouxeram a paisagem verde e o rebuliço de uma comunidade local próspera e capaz, conduzida por prescritos e piratas que a tornaram no paraíso almejado por muitos. As descrições, ainda que breves, permitiram que mesmo os que nunca pisaram terrenos vulcânicos e areias sedimentares pudessem sentir-se próximos das paisagens já vistas em postais e fotografias.
Por outro lado, a evolução das personagens perfez uma condução suave que permitiu o desenvencilhar de vários nós e a colocação de sementinhas para novas aventuras. A verdade é que, não sabendo se outra história neste universo pode ou não estar a caminho, a intenção da autora não passou certamente despercebida aos seus mais fiéis fãs, que estão tão ou mais curiosos do que eu.
O que também não passou despercebido foi a mensagem preliminar de cada uma das capas, assim como dos títulos selecionados, todos com muita intenção, e bastará que percam alguns segundos a analisá-las, que depois de terminarem a história concordarão comigo!
Foi um livro que me deu imenso prazer ler, tanto que o terminei em dois dias. É leitura perfeita para o verão: fresca, leve, desconstraída e enredo envolvente, totalmente apropriada para a praia ou jardim.
Fiquei agradavelmente surpreendida com o trabalho da autora, e vou estar atenta aos próximos trabalhos da mesma.
Resta-me somente agradecer à Sandra Carvalho e à Editorial Presença o carinho com que este volume foi enviado e esperar que o mesmo chegue a muitos leitores e leitoras este Verão!

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Resultado: "O Grito do Corvo", de Sandra Carvalho

Boa noite caros leitores e leitoras, 

Eu sei, estivemos demoradas mas foi por uma boa causa. Agora que decidimos fazer um intervalo ao trabalho, já poderemos anunciar o vencedor do último passatempo com apoio da Editorial Presença. 

"O Grito do Corvo" é o último volume da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar" e promete fechar o enredo iniciado em "O Olhar do Açor" em grande. Por esse motivo, e sem mais demoras, estamos muito felizes por enviar um exemplar directamente para Esmoriz. Parabéns Maria Quintas!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Passatempo: "O Grito do Corvo", de Sandra Carvalho (Editorial Presença)

Caros leitores e leitoras,

Continuamos a querer mimar quem não pode deslocar-se à Feira do Livro de Lisboa. E já agora, todos os fãs da Sandra Carvalho que não puderam estar presentes no lançamento do livro "O Grito do Corvo", terceiro e último das "Crónicas da Terra e do Mar", e um dos mais recentes lançamentos da Editorial Presença.

Para quem só agora trava conhecimento com esta trilogia, podem consultar as opiniões aos precedentes "O Olhar do Açor" e "Os Filhos do Vento e do Mar" aqui no blogue. Ainda vão a tempo de lê-los todos e candidatarem-se ao passatempo!

É também em colaboração com a Editorial Presença que vos trazemos a oportunidade de descobrir o desfecho da trilogia que envolve piratas, magia e História de Portugal.  Os Açores e a paisagem verde e atlântica, a magia e a aventura nunca deixam estas personagens que já nos são queridas, e que finalmente vão descobrir o que lhes está reservado.


"Os piratas do Rouxinol veem-se cada vez mais longe de saquear o ouro da galé castelhana Niña del Mar devido aos estragos causados pela violenta tempestade que se abateu sobre o barinel. A descoberta da identidade de Leonor faz com que Corvo queira regressar de imediato aos Açores, para entregá -la à guarda do pai. Porém, a tripulação discorda e o caos instala-se a bordo. O que Leonor mais deseja é lutar ao lado dos companheiros e recuperar a confiança de Corvo. No entanto, Tomás Rebelo continua a precisar dela para alcançar o propósito funesto que o levou a assenhorear-se de Águas Santas. Conseguirá Leonor chegar incólume à misteriosa ilha das Flores, conhecer o Açor e abraçar a irmã, ou acabará abandonada por Corvo, à mercê dos caprichos do abominável Tomás Rebelo?"
 
Não percam mais tempo, preencham o formulário e aguardem pelos resultados!

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 23 de junho de 2017.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo abrange todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.
7) Todos os dados pessoais guardados, para efeitos de passatempo, serão eliminados após entrega do prémio ao vencedor ou vencedora.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Opinião: E as Montanhas Ecoaram, de Khaled Hosseini

 
E as Montanhas Ecoaram
de Khaled Hosseini
 
Edição/reimpressão: 2013
Páginas: 392
Editor: Editorial Presença 
  




Sinopse:
1952. Em Shadbagh, uma pequena aldeia no Afeganistão, Saboor é um pai que um dia se vê obrigado a tomar uma das decisões mais difíceis da sua vida: vender a filha mais nova, Pari, a um casal abastado em Cabul e assim poder continuar a sustentar a restante família. A separação é particularmente devastadora para Abdullah, o irmão mais velho que cuidou de Pari desde a morte da mãe de ambos. Nenhum dos dois imaginava que aquela viagem até à capital iria instalar um vazio nas suas vidas que seria capaz de atravessar décadas e quilómetros e condicionar os seus destinos...

Neste seu terceiro romance, "E as Montanhas Ecoaram", Khaled Hosseini traz-nos uma belíssima e comovente saga familiar que reflete sobre como os laços que nos unem sobrevivem aos obstáculos que a vida nos impõe.


Rating: 3/5
Comentário: Esta deveria ter sido a primeira leitura do ano, a estrear o projecto do World Book Tour. No entanto, várias opiniões e comentários sobre os livros do autor colocaram-me algo reticente, na medida em que me apetecia começar o ano com leituras mais leves e desdramatizadas. Nesse sentido, só agora em Março tive vontade de escolher esta leitura. Confesso que o motivo pelo qual escolhi este livro se prendeu não somente pela sinopse mas porque me parecia dos três o menos denso no que toca a violência ou agressividade. Tinha razão, mas também julgo compreender quando as pessoas dizem ser o menos bem conseguido dos três já publicados em Portugal, uma vez que a comparação da sinopse perante a narrativa do livro deixa um pouco a desejar.
De facto, a premissa do enredo parte exactamente desse ponto enunciado, mas estamos muito pouco em contacto com os irmãos, cuja trama passa para segundo plano sem que o leitor esteja à espera. "E as Montanhas Ecoaram", cujo título reflecte mais os preâmbulos e resquícios da cultura afegã pelo Mundo - disseminado por diversas personagens e formatos - do que o enquadramento paisagístico pelo qual o país é conhecido, procura dar voz a vários intervenientes, tanto directos como indirectos, num país em constante mudança politico-social, criando uma crónica de costumes e vivências, reflectindo os diversos agentes passíveis de modificar assim como de ser mudados pela histórica: influenciadores de locais, criminosos e corruptos, população subjugada, intervenientes em causas humanitárias, emigrantes de 1ª geração, emigrantes de 2ª geração cujas raízes afegãs há muito se perderam, os que procuram voltar e rever-se num país que já não é seu e os que fogem dele e das suas idiossincrasias como se a sua vida dependesse disso (e às vezes depende mesmo).
É uma crónica narrada capítulo a capítulo, cujos actores (ainda que remotamente ligados à trama inicial) acabam por servir de linha condutora a esta análise sociocultural,  que através de muitos saltos temporais nos proporciona janelas fotográficas para determinados momentos da história.
Ainda assim, a tentativa de englobar uma série de temáticas no único contexto acabou por defraudar o autor, na medida em que esse manto de retalhos acaba por ser cedido em segundo plano para narrativa pessoal de casa personagem, que por vez acaba por se remeter para o enredo enunciado na sinopse ainda em menor dimensão. Julgo que esse encadeamento constante e a frequência dos saltos temporais, que nos fornecem uma imagem menina e depois uma amadurecida de uma série de personagens, sem grandes explicações para as variâncias e transformações senão pela sucessão factual de diversas enunciações, acaba por deixar uma sensação de ausência e vazio a descoberto, que o autor não soube preencher da melhor maneira. É um quase que nunca chega a ser, e que pouco contribui para embrenhar o leitor na narrativa e torná-la também um pouco sua.
Ainda assim, apaixonei-me por várias das personagens, e talvez daí advenha em parte a desilusão de não as poder descobrir com maior cuidado e minúcia, assim como às suas histórias. As que me cativaram mais compreenderam a infância de Pari e Abdullah, mas também a da madrasta de ambos e do seu irmão. Não obstante, o que me levou a crer na capacidade de Khaled Hosseini ser um grande contador de histórias, foi a narrativa de um pequeno menino cujo olhar de amor filial se irá transformar perante a perda do manto de inocência e ingenuidade com que sempre cobriu o seu pai. 
Não tenho muito interesse em ler as obras prévias do autor, apesar do mar de elogios que lhes tenho visto ser atribuídos, mas por causa desta última personagem estarei atenta a próximos trabalhos do mesmo.

 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sábado, 1 de abril de 2017

Resultado do Passatempo: Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho


Boa noite Encruzilhad@s! Depois de uma semana com mais uma óptima leitura em companhia da Sandra Carvalho (consultem a nossa opinião aqui), chegou a ver de oferecer a mesma experiência de leitura a um felizardo. 
Desta feita, depois de sortearmos aleatoriamente o vencedor, temos o prazer de anunciar que um exemplar de "Filhos do Vento e Mar", o segundo volume das Crónicas da Terra e do Mar irá seguir para Santo Tirso. Muitos parabéns Arnaldo Santos!

Opinião: Os Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho (Editorial Presença)


 

Filhos do Vento e do Mar
de Sandra Carvalho
 
Edição/reimpressão: 2017
Páginas: 328
Editor: Editorial Presença 
  





Resumo:
Forçadas a fugir de Águas Santas para escapar à fúria de Tomás Rebelo, Leonor e Guida chegam ao porto de Lisboa e confrontam-se com Corvo, o famoso pirata sobre o qual se contam tantas lendas. Horrorizada com a descoberta de que é filha de Diogo, o Açor, Leonor decide disfarçar-se de rapaz quando Corvo a obriga a embarcar no seu navio, protegendo-se assim dos impulsos masculinos. Inconformada com o seu destino, Leonor resolve fazer tudo para escapar aos piratas. Porém, com o passar do tempo, sente a herança do Açor a despertar dentro dela. O segredo que ensombra o passado de Corvo começa a inflamar a sua curiosidade, enquanto estabelece amizade com os homens que tanto temia. Conseguirá ela regressar a Águas Santas e desmascarar a perversidade de Tomás Rebelo, ou o apelo da liberdade e da aventura, conjugado com a vontade de conhecer o seu verdadeiro pai, tornar-se-á irresistível?

Rating: 4/5
Comentário: "Com os Filhos do Vento e do Mar", Sandra Carvalho chegou ao cerne da temática já enunciada para a trilogia sobre a descoberta dos Açores.
Foi um prazer retornar ao universo de Leonor e Guida, especialmente depois de as ter deixado há dois anos num momento crucial de mudança nas vidas das suas jovens. "O Olhar do Açor", o primeiro volume desta saga, foi uma leitura de descoberta (sendo o primeiro livro que da autora em causa) de um novo universo, e tenho para mim que, apesar de ser uma leitura da qual gostei bastante (podem ler a minha opinião aqui), constituiu um esforço de longo alcance, quase que à semelhança de uma prequela, para chegar ao início de "Filhos do Vento e do Mar". Proventura a autora já terá iniciado a redacção da série com uma narrativa em mente, que justifica  o processo narrativo até agora, mas talvez por causa do chamariz da sua promoção (a descoberta dos Açores) assim como uma capa que apelava desde início a mar e a aventura, lembro-me que passei a narrativa anterior a ansiar pelos "barcos". E é precisamente nesse ponto que a autora nos deixou no final do volume passado: numa chegada atribulada ao porto de Lisboa.
Para quem não leu ou já não tem muito presente a história do primeiro volume, não é fácil captaro rumo narrativo, embora possa se possa sentir alguma falta de sustento na compreensão das sequências motivacionais das personagens. Diria, no entanto, que sendo quase que paralela perante a trama inicial, com uma panóplia que personagens novas que preenchem as páginas e as emoções desta continuedade narrativa, não será o impedimento se quiserem saltar o primeiro livro (embora não o aconselhe) directamente para este.
A realidade aristocrática de "O Olhar do Açor" é substituída pelo pragmatismo e pela venturança de "Filhos do Vento e do Mar", onde as duas jovens que incutem o rumo ao enredo se vêem perante novos desafios e necessidades, que as obriga a repensar os seus valores, certezas e meios de sobrevivência. Naturalmente, e tratando-se de um enredo que se quer inserido num tempo histórico, os posicionamentos das personagens estão adaptados à época e pretendem dar voz a considerações consonantes. Como tal, nem sempre é fácil associar-nos à Leonor e gostar dela enquanto personagem, mas tal como as restantes com quem ela interage, existe um prazer em vê-la desabrochar e tornar-se mais real e menos caricatura. É ainda curioso que a realção entre ela e Guida seja repleta de dualidades e subterfúgios, onde a oscilação entre uma e outra contrabalança a postura do par perante o resto do Mundo, mesmo quando estão mais afastadas.
Quando ao novo leque de personagens, Corvo e a sua tripulação criam um conjunto vivo da vida em alto mar, cheio de prestações acutilantes, rápidas e de acção de continuidade, mas também descobertas, aventura, pujança e muita camaradagem de alto mar. O contraste de realidades assim como a constantação de que as necessidades sentidas poderão não ser colmatadas junto dos contextos que lhes são familiares trazem um confronto entre o passado e o presente, as atracções superficiais são substituídas por anseios mais profundos e o encadeamento da acção deixa tudo em aberto para o desfecho do terceiro livro, que se espera que chegue em breve!
A dinâmica do fantástico continua presente, mas desta vez não tão preponderante, e confesso que me atraiu mais esta dinâmica, aliando-se dons sobrenaturais às personagens e não brilhando na sua vez. 
Por fim, não posso deixar de mostrar entusiasmo por finalmente começarmos a desvendar o véu que cobre a vida de Açor, e começar a escortinar quem é o homem de quem todos falam mas com o qual ainda convivemos pouco.
Esperam-se mais aventuras para o próximo volume, sobre o qual estou bastante expectante, e ainda que várias pistas tenham já desvendado alguns dos acontecimentos que de certeza irão suceder-se, faltam ainda uma série de nós para unir toda a trama. Será que finalmente chegamos aos Açores? Espero que sim! Há um certo encontro familiar que vai agitar as águas marítimas por aqueles lados!
Em jeito de curiosidade, e depois de recordar o nome da trilogia, "Crónicas de Terra e Mar", cheguei à conclusão de que o primeiro volume se focou em Terra, o segundo no Mar, e que o terceiro será provavelmente uma mescla de ambos. E com esta conclusão termino esta opinião, em jeito de piscadela de olho.

Livro cedido pela Editorial Presença em troca de uma opinião honesta sobre a experiência de leitura. A editora não se responsabiliza nem detém qualquer influência no conteúdo apresentado na opinião.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui»
 
Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

#On my shelf booktag 3

Este será o meu último post do desafio #onmyshelf que vimos no canal da Booktuber Ariel Bissett. Podem ler as partes um e dois aqui.

Regras:
1. Escolher uma combinação aleatória de dois números, o primeiro para prateleira, o segundo para o livro. Este passo foi realizado com a vossa ajuda na nossa página de Facebook!
2. Apresentar o livro.
3. Falar um pouco dele (se é dos favoritos, se ainda não o leram, porque foi comprado, etc)

4-36
O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman
Editado em Portugal pela Editorial Presença

Um dos meus livros favoritos de 2014. Podem ler a minha opinião aqui.







5-38
Mistletoe and Murder de Robin Stevens

Este é o último livro que saiu da saga A Murder Most Unladylike e o único que ainda não li. Estou super animada para o ler mas ao mesmo tempo o próximo livro da saga só sai em Janeiro de 2018. Percebem o meu problema?




8-30
Anna e o Beijo Françês de Stepanie Perkins
Editado em Portugal pela Quinta Essência

Um livro ao qual demos 4 estrelas e um dos nossos favoritos. Leiam as nossas opiniões a esta fofura aqui.





7-38
A Analfabeta Que Era Um Génio dos Números de Jonas Jonasson
Editado em Portugal pela Relógio d'Água

Este livro foi-me oferecido pela Cláudia. Ainda não o li mas parece ser divertido e espero um dia, quando a pilha de livros para ler diminuir (AHAHAHAH!) que o consiga ler.





5-20
The Last Hero de Terry Pratchett (ilustrado por Paul Kidby)

Este é um livro ilustrado passado no infame Discworld de Terry Pratchett. Sou fã da série e de momento faltam-me uns 5 livros para ter todos os volumes (que admito coleccionei em várias línguas, formatos e feitios!).
Está na minha lista de livros para ler este ano e espero chegar a ele em breve!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Passatempo: Filhos do Vento e do Mar, de Sandra Carvalho (Editorial Presença)

Estavam com saudades da Sandra Carvalho?


A autora portuguesa já conhecida pela "Saga das Pedras Mágicas" (Editorial Presença) e que acompanhou muitos jovens adultos nos últimos anos. "Filhos do Vento e do Mar" é a continuação da trilogia "Crónicas da Terra e do Mar", que se aventura pela descoberta dos Açores. História, magia e acção, num único livro!

Habilitem-se a ganhar um exemplar deste livro e preencham o formulário que se segue.


 Resumo: Forçadas a fugir de Águas Santas para escapar à fúria de Tomás Rebelo, Leonor e Guida chegam ao porto de Lisboa e confrontam-se com Corvo, o famoso pirata sobre o qual se contam tantas lendas. Horrorizada com a descoberta de que é filha de Diogo, o Açor, Leonor decide disfarçar-se de rapaz quando Corvo a obriga a embarcar no seu navio, protegendo-se assim dos impulsos masculinos. Inconformada com o seu destino, Leonor resolve fazer tudo para escapar aos piratas. Porém, com o passar do tempo, sente a herança do Açor a despertar dentro dela. O segredo que ensombra o passado de Corvo começa a inflamar a sua curiosidade, enquanto estabelece amizade com os homens que tanto temia. Conseguirá ela regressar a Águas Santas e desmascarar a perversidade de Tomás Rebelo, ou o apelo da liberdade e da aventura, conjugado com a vontade de conhecer o seu verdadeiro pai, tornar-se-á irresistível?
Sandra Carvalho é uma das autoras portuguesas mais conceituadas do romance fantástico. A Saga das
Pedras Mágicas, que a Presença publicou também na coleção «Via Láctea», e que é constituída pelos títulos A Última Feiticeira, O Guerreiro Lobo, Lágrimas do Sol e da Lua, O Círculo do Medo, Os Três Reinos, A
Sacerdotisa dos Penhascos, O Filho do Dragão e Sombras da Noite Branca, conquistou um vasto número de fãs entre os apreciadores do género. Depois de O Olhar do Açor, Filhos do Vento e do Mar é o segundo volume das Crónicas da Terra e do Mar, ao qual se seguirá o terceiro e último volume.

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Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 26 de março de 2017.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só será aceite uma participação por pessoa.
4) O passatempo funciona para todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
5) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
6) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

sábado, 8 de outubro de 2016

Opinião: O Projecto Rosie, de Graeme Simsion



O Projecto Rosie, de Graeme Simsion

Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 272
Editor: Editorial Presença






Resumo: Don Tillman decide que está na hora de casar. Só falta escolher a mulher perfeita.
Don é um professor de Genética brilhante mas, por ser pouco sociável, considera que a forma mais simples de encontrar uma companheira consiste em elaborar um questionário. Cria o algoritmo perfeito que permite excluir as candidatas inapropriadas e, assim, evitar incidentes como os que viveu no passado.
Rosie Jarman, apesar de bonita e inteligente, tem todas as características que Don desaprova e é desqualificada de imediato. No entanto, Rosie procura Don por outros motivos e este aceita ajudá-la.
Divertido e comovente, O Projeto Rosie demonstra que o amor desafia toda a racionalidade.
O Projeto Rosie é um bestseller do New York Times, que vai ser adaptado para o cinema. Uma história de amor como não há igual!

Rating: 4/5

Comentário:  Estava há muito tempo tentada com este livro (anteriormente editado pela Divina Comédia Editores, e presentemente pela Editorial Presença) e como está na altura de começar a acabar com livros por ler cá por casa, achei que era o momento ideal. O enredo é exactamente o que esperava e diverti-me imenso numa leitura animadora e casual, mas repleta de momentos singulares que a tornaram mais minuciosa do que parecia inicialmente.
Don é a personagem que assume o papel de narrador, o que torna tudo mais desafiante. De um momento para o outro, passamos a ver o mundo através de um olhar masculino, objectivo e incapacitada de ler sentimentos. É factual, objectivo mas também curioso, constante e acutilante. A parte mais interessante do exercício do leitor passa mesmo por ver além do que nos é inicialmente fornecido, de saber além das ilações desta personagem particular e construir o cenário mais vasto que lhe escapa ao olhar. Adorei fazer esta transposição constante, tanto aquando da sua análise enquanto individuo como derivada das confusões e mal entendidos do contacto com terceiros.
É esta objectividade que o leva na demanda de procurar uma mulher, num processo tão escrutino e opressivo para o sexo feminino (embora naturalmente lhe passe despercebido) que naturalmente lhe trará diversas peripécias. São depois as suas interpretações do processo, assim como dos conselhos dos amigos que os encaminham numa avalanche de hilariantes situações, muitas delas sucedâneas e com consequências imprevisíveis.
Já Rosie é exactamente o oposto: mais rebelde e disruptiva ao seu olhar (de Don, leia-se) do que realmente é, com um coração doce mas assertiva e destemida, acaba por furar uma certa carapaça à incompreensão social que sempre o assistiu. É portanto um prazer ver o florescer desta relação, muito longe de qualquer objectivo romântico, e a compreensão de que o amor nunca é o esperado e nem nos apaixonamos por quem queremos, mas por quem apela ao melhor de nós.
E é a junção destas duas personagens com uma série de outras, que acabam por se assumir como impulsos constantes para bem da narrativa principal, que tornam toda a construção mais fluída, mas inconstante, a pulular de pequenas novas ideias e com uma enorme capacidade de criar um enredo mais denso e apropriado a uma leitura que não se quer somente unidimensional. 
É uma narrativa com vários momentos caricatos, desafios constantes conduzidos pela mente acutilante desta personagem maravilhosa e uma leitura que se torna doce, sem ser melosa, romântica sem clichés, divertida sem exagero e com um toque muito especial de originalidade.


                                         

Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Opinião: Ready Player One, de Ernest Cline

Ready Player One
de Ernest Cline
 
Edição/reimpressão: 2016
Páginas: 416
Editor: Editorial Presença 
  






Resumo:
Em 2044 o mundo tornou-se um lugar triste, devastado por conflitos, escassez de recursos, fome, pobreza e doenças.

Wade Watts só se sente feliz na realidade virtual conhecida como OASIS, onde pode viver, jogar e apaixonar-se sem constrangimentos.

Quando o criador do OASIS morre, deixa a sua imensa fortuna e o controlo da realidade virtual a quem conseguir resolver os enigmas que aí escondeu. Os utilizadores têm apenas como pistas a cultura pop dos anos 1980.

Começa assim uma frenética e perigosa caça ao tesouro. Nos primeiros anos, milhares de jogadores tentam solucionar o enigma inicial sem sucesso. Até que Wade por acaso desvenda a primeira chave.

De um momento para o outro, vê-se numa corrida desesperada para vencer o prémio, uma corrida que rapidamente continua no mundo real e que põe em risco a sua vida.

Ready Player One vai ser adaptado ao cinema por Steven Spielberg.

Rating: 4,5/5

Comentário:  "Ready Player One" acabou por se revelar uma das surpresas do ano e um dos que mais prazer tive em ler ao longo de 2016!
Eu confesso. Este livro não me era desconhecido quando chegou a Portugal. Já tinha ouvido várias pessoas a elogiarem o quão bom ele era, tanto a nível nacional como internacional. Recordo que gostei especialmente da opinião da Linda Inês do canal Marilyn Kidman (Youtube), mas que apesar de tudo não me convenceram a imergir nesta experiência. Foi o lançamento da Editorial Presença que voltou a despertar-me a atenção a este livro, atendendo a que se aproxima uma adaptação cinematográfica a cargo do Steven Spielberg. Para além disso, uma leitura mais atenta da sinopse denunciou a existência de uma série de referências aos anos 80 e foi a ignição necessária para querer saltar de cabeça para este livro.
O enredo é bem explicado na sinopse: num mundo desfeito e onde a esperança já não é vigente, existe o OASIS, uma iniciativa que começou como jogo de computador para prestação coletiva e que acabou por se transfigurar numa real experiência imersiva. Para melhor compreenderem este cenário, arrisco-me a fazer uma pequena descrição para contextualizar.  OASIS acaba por ser uma porta aberta de oportunidades e de alternativas. Mais do que um substituto do mundo real, muitos vêem o contexto alterado e o mundo digital torna-se mais verdadeiro do que aquele onde o seu corpo existe. O OASIS permite ainda que algumas acções do mundo real passem a ser executadas através da plataforma: ir à escola online, trabalhar online, conhecer pessoas, sair à noite, casar online. Digamos que seria uma versão SIMS aumentada, onde cada um possuiu um avatar, o qual comanda em todas as funções que forem necessárias. De facto, a experiência desta plataforma é tão imersiva que numa escola os cacifos continuam a ser necessários para guardar material, o teletransporte paga-se como uma deslocação real, as salas de chatroom surgem como salas privadas para lazer onde se pode jogar videojogos, é possível contratar assistentes pessoais para apoiarem a gestão da vida pessoal online.
Isto só alguns exemplos mas que retratam o nível de pormenor e cuidado que Ernest Cline dedicou na construção deste mundo digital. Os pormenores, a estruturação do universo e o cuidado atribuído na sua construção tornam-se por vezes tão intensos que até o leitor se esquece que aquele não é de facto o mundo dito real, porque verdadeiro é certamente o outro.
Só por esse motivo, este livro foi capaz de captar a minha atenção e de me entusiasmar. Já pouco é novidade no mundo da literatura Young Adult, especialmente no que toca a universos distópicos, e é sempre um prazer imenso ser surpreendida e deparar-me com um vira-páginas, como não acontecia há muito.
A construção deste mundo vai ainda mais longe, levando-nos a imergir também, desculpem-me a redundância, na mentalidade daquela sociedade contemporânea. Deste modo, também o leitor dá por si a desvalorizar a realidade alternativa, o tal mundo desfeito do qual os seres humanos fogem. Não que o autor se tenha isentado de qualquer pormenor. Eles estão lá e ainda que não muito detalhados, são os suficientes para o enquadramento da narrativa. Mais do que isso, a transposição de um mundo para outro leva a que o leitor deixe para segundo plano o universo menos explorado, exactamente como qualquer ser humano neste livro.
Não posso deixar de referir a caça ao ovo, naturalmente, atendendo que esse é um dos pontos altos de toda a trama e que está extremamente bem constituída: tem acção, tem mistério e desafios, tem contratempos, tem aventuras que cheguem para um novo almanaque e adorei acompanhar par e passo estes momentos. Em jeito de sugestão tardia, ainda seria mais interessante se a narrativa criasse espaço para o leitor também pudesse equacionar e tentar adivinhar. No entanto, a personagem do James Halliday foi um mistério do início ao fim, propositadamente (para comprovar a dificuldade da caçada para os jogadores), pelo que o leitor é então remetido a mero espetador.
Uma das coisas que adorei foi o facto de não sermos efetivamente poupados a referências aos anos 80. Nascida na década seguinte, não conhecia todas e como tal fiquei interessada em procurar uma série delas. Naturalmente, e porque o tempo não se cinge na mudança de um calendário, vários dos ícones de 1980 acabaram por passar para a década seguinte e portanto foi interessante encontrar estes pontos de referência e saber exactamente sobre o quê se estava a falar e também o que estava em causa em cada momento quando essas indicações eram relevantes para o decorrer da narrativa.
Só estes elementos referidos já seriam suficientes para criar um enredo mais que preenchido. No entanto, e mais do que isso, este é um livro que coloca algumas questões de reflexão sobre a construção e vivência desta sociedade moderna futurista, sem no entanto ser moralista. De qualquer forma, são criadas condições para pensar no mundo real vs. mundo digital, no potencial das relações humanas e da confiança, na solidão inerente de viver somente atrás de um ecrã, na capacidade de ser altruista mesmo num mundo que pediria o contrário, no facto que não se existe realmente sem um suporte humano, sem o núcleo duro que nos faz reger emoções, sem alguém que nos potencie o melhor que temos mas que também chame a atenção quando precisamos de um puxão de orelhas, na força que uma crença em nós, a confiança ditada por outrem, tem para nos fazer sonhar e ir mais longe.
"Ready Player One" é um livro completo, onde não faltam referências aos videojogos, ao mundo dos anos 80, à amizade e à aventura, aliando-se a todos os aspectos já enumerados. Foi uma espectacular surpresa e deixou-me rendida. Aconselho vivamente a darem-lhe uma oportunidade.

Livro cedido pela Editorial Presença em troca de uma opinião honesta sobre a experiência de leitura. A editora não se responsabiliza nem detém qualquer influência no conteúdo apresentado na opinião.

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Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Opinião: Virus Mortal, de James Dashner





Virus Mortal
de James Dashner
 
Edição/reimpressão: 2015 
Páginas: 126
Editor: Editorial Presença 
  



Resumo:
Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade.

Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal. Ninguém parece ser imune. Porém, Mark e Trina estão convencidos de que existe uma maneira de travar a pandemia e estão determinados a encontrá-la. O futuro dos sobreviventes pode estar nas suas mãos…

Vírus Mortal é a prequela de Maze Runner e um livro indispensável para todos os fãs da série.

Rating: 3/5

Comentário: Quem lê uma trilogia de que goste muito, invariavelmente não quer sair dela. E por isso sempre que nos surgem prequelas, novelas e estórias adicionais, qualquer fã lhes salta em cima. Foi o que aconteceu com "Vírus Mortal", de James Dashner. Tendo ficado rendida à trilogia Maze Runner devido ao segundo livro da mesma, tinha muita curiosidade com este volume, especialmente tratando-se de uma narrativa de antecede em vários anos os acontecimentos que nos são apresentados no primeiro volume da trilogia. Após uma leitura frenética e bastante rápida (uma vez que a escrita do autor continua fluída, corrente e intuitiva como sempre), tenho a dizer-vos que pode ser necessário reajustar as expectativas perante este volume.
A verdade é que toda a estrutura se aproxima mais de uma novela do que de um livro no sentido apropriado, pelo que a abordagem das temáticas é por vezes breve e superficial, assim como a estrutura não é a mais eficaz e complexa. Por esse motivo, este é um livro extremamente focado nas suas personagens principais, dando-lhes nuances mas nunca aprofundando como esperado, através das quais experimentamos o mundo envolvente (sendo esse o único ponto de contacto com a contextualização criada). Existem alguns momentos que, embora perceptíveis para o leitor sobre o que poderá ter acontecido, ficam de certa forma em aberto, o que num livro com uma construção ditada para tal, não aconteceria também.
Neste cerco, gostava de ter obtido uma visão mais clara do mundo de Mark e Trina, uma vez que fica claro que mesmo antes dos Fulgores e de tudo o que aconteceu, a realidade base não é semelhante à do nosso mundo atual, faltando uma contextualização que o justifique e/ou pelo menos explique de forma mais fundamentada.
Ainda assim, as passagens em prolepse foram bastante pertinentes para o enquadramento desde o aparecimento dos Fulgores até ao momento corrente corrente da narrativa, criando um bom complemento.
Não obstante, é um livro que constitui uma narrativa interessante à luz do que já conhecemos como respeitante à trilogia, e que obriga o leitor a todo o instante a procurar os tais elementos de ligação que justiquem/ enquadrem as conexões já existentes ou que possam vir a existir entre esta prequela e o universo da trilogia.
Quanto às persoangens, Mark e Trina são dois adolescentes que já passaram por muito. As sua interligação, a forma como interagem com outros semelhantes e que passaram pelas mesmas situações ou outras parecidas é bem interligada. Demonstram preocupações de quem já passou por muito e que encara a realidade simultaneamente como um milagre mas possivelmente uma maldição, atendendo à falta de respostas, motivações e razões para que um mar de desgraças constantes os tenha levado a reagir nos últimos tempos. Os poucos elementos do acampamento que também acabamos por conhecer assim o demonstram, não esquecendo no entanto que continuam a ser adolescentes e que, como tal, a maturidade emocional e a inteligência por vezes a esta associada possa não ser das mais desenvolvidas. No entanto, são estas dúvidas da adolescência que de alguma forma apoiam a necessidade de estabelecer a normalidade no caos, que os torna mais humanos e capazes, e que atribui a esperança de um futuro mais risonho.
No fundo, Virus Mortal é um bom livro de entretenimento quando visto segundo a perspetiva atrás indicada. Não considero que seja preponderante ou necessário para a leitura da trilogia, mas os seus fãs poderão querer dar-lhe uma vista de olhos.

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Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas, a Cláudia lê nos transportes públicos enquanto observa o Mundo pelo canto do olho. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado, é tão fácil encontrá-la envolvida num novo projeto como a tagarelar sobre tudo e mais alguma coisa. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Resultado Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)

Boa noite Encruzilhad@s,

Já temos os resultados do nosso passatempo em parceria com a Editorial Presença no qual sorteamos um exemplar de Vírus Mortal de James Dashner.

Depois de termos eliminado todas as respostas erradas e com a ajuda do Mr Random podemos dizer que a nossa vencedora desta vez foi a Daniela Gonçalves de Castelo Branco.

Parabéns! Os teus dados já seguiram para a editora e em breve receberás o livro em tua casa.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Passatempo: Virus Mortal, de James Dashner (Editorial Presença)



Boa noite Encruzilhad@s!


Há muito tempo que não vos trazíamos um passatempo e por isso hoje estamos muito contentes com esta surpresa. A Editorial Presença mais uma vez alia-se ao Encruzilhadas Literárias e traz-vos uma óptima novidade deste outono!

Virus Mortal é a prequela da trilogia Maze Runner (com o segundo filme agora nos cinemas não têm desculpa para não ler!!) e um dos livros muito esperados pelos fãs do autor. Com 4,1 estrelas na Amazon, viu os seus direitos vendidos para cerca de 43 países.

Habilitem-se a este livro espectacular e preenchar o formulário que se segue (sem esquecer o cumprimento das "regras")!


Resumo: Antes de a CRUEL existir, de a Clareira ser construída e de Thomas ter entrado no Labirinto, os fulgores do Sol atingiram a Terra, arrasando o planeta e dizimando grande parte da humanidade. Mark e Trina estão entre os sobreviventes que agora lutam por uma existência em condições precárias nas pequenas comunidades que se formaram nas montanhas. Mas se eles achavam que a situação em que se encontravam não podia piorar, estavam enganados. Um inimigo surge, infetando a população com um vírus altamente contagioso e mortal…

James Dashner nasceu no estado norte-americano da Georgia, em 1972. Concluiu a licenciatura na Brigham Young University e em 2003 publicou o seu primeiro livro, A Door in the Woods. É também autor, entre outros títulos, da série The 13th Reality e da aclamada série Maze Runner que é bestseller do New York Times e que se encontra publicada em mais de 40 países. Os dois primeiros volumes da série foram adaptados ao grande ecrã. Vírus Mortal é a prequela que os fãs da série aguardavam.

«Estas e outras novidades no site da Editorial Presença aqui» 

Regras do passatempo
1) O passatempo decorre até às 23h59 do dia 18 de outubro de 2015.
2) Todos os dados solicitados (incluindo Nick de Seguidor) devem ser devidamente preenchidos e completos.
3) Só serão aceites uma participação por pessoa e morada, em todo o território português (Portugal Continental e Ilhas).
4) O/A vencedor/a será sorteado de forma aleatória (random.org), sendo o resultado anunciado na página do blog e o contacto efectuado por e-mail.
5) O Encruzilhadas Literárias e/ou a Editora não se responsabilizam pelo extravio ou danos causados pelos CTT nas encomendas enviadas.

sábado, 18 de julho de 2015

domingo, 5 de julho de 2015

Novidade Editorial Presença: Conversas com a Minha Gata, Eduardo Jauregui




GATA FALANTE EM ROMANCE CONTEMPORÂNEO
Sibila não é uma gata vulgar. Possui uma característica que a distingue dos restantes da sua espécie: é uma gata falante que entra através de uma janela na vida de Sara, uma mulher à beira da depressão.

  • 5 estrelas na amazon.com
  • 4 estrelas no Goodreads
  • Direitos vendidos para Itália, Brasil, Alemanha e França

Em vésperas do seu 40.º aniversário, Sara Léon, uma espanhola emigrante em Londres, dá-se conta de que não é uma mulher feliz. O trabalho na empresa já não a entusiasma. A relação com Joáquin está próxima do fim. Em Espanha, a crise económica afeta de forma irreversível a sua família. E como se isto não bastasse eis que entra na sua vida, através de uma janela, Sibila, uma elegante e misteriosa gata abissínia falante que prova conhecer mais sobre a vida de Sara do que a própria. De olhar penetrante, um sentido de humor peculiar e uma sabedoria milenar, Sibila dispõe-se a ajudar Sara a enfrentar os desafios e a acreditar novamente nos seus sonhos. Contudo, há um problema: Sara receia que Sibila não seja mais do que um sintoma precoce de perturbação mental. Desde quando é que os gatos falam? Há muitos caminhos para chegar à felicidade, mas os gatos conhecem todos os atalhos.

Eduardo Jáuregui nasceu em 1971, em Oxford, e passou uma infância feliz entre esta cidade, Madrid e Los Angeles. Psicólogo formado pela London School of Economics, doutorado em Ciências Políticas e Sociais pelo Istituto Universitario Europeo di Firenzi e especializado na área do Humor e Psicologia Positiva, é professor na Saint Louis University, em Madrid. É também cofundador da consultora Humor Positivo. Tem vários livros publicados e escreve para vários jornais e revistas.

Mais sobre o autor: