Opinião: A Noite de Todas as Almas, de Deborah E. Harkness

A Noite de Todas as Almas
de Deborah E. Harkness
Edição/reimpressão: 2011
Páginas:704
Editor: Casa das Letras
Resumo: 
Num final de tarde de Setembro, quando a famosa historiadora de Yale, Diana Bishop, abre casualmente um misterioso manuscrito medieval alquímico há muito desaparecido, o submundo mágico de Oxford desperta. Vampiros, bruxas e demónios farão tudo para possuir o manuscrito que se crê conter poderes desconhecidos e pistas misteriosas sobre o passado e o futuro dos humanos e do mundo fantástico. Diana vê a sua pacata vida de investigadora invadida por um passado que sempre tentou esquecer: ela é a última descendente da família Bishop, uma longa e distinta linhagem de bruxas de Salem, marcada pela morte misteriosa dos pais quando era criança. E do meio do turbilhão de criaturas mágicas despertadas pela redescoberta do manuscrito surge Matthew Clairmont, um vampiro geneticista de 1500 anos de idade, apaixonado por Darwin. Juntos vão tentar desvendar os segredos do manuscrito e impedir que caia em mãos erradas. Mas a paixão que cresce entre ambos ameaça o frágil pacto de paz que existe há séculos entre humanos e criaturas fantásticas... e o mundo de Diana nunca mais voltará a ser o mesmo...
Uma história arrebatadora que mistura História, magia, aventura e romance. Para os leitores de Dan Brown, J.K. Rowling, Stephenie Meyer e Elizabeth Kostova.

Rating: 3/5 
Opinião:
 Este livro é daqueles que me desenvolve uma relação de amor ódio que não tem explicação. Mas já devia saber. A contracapa apresenta-o como sugestão por parte da Publishers Weekly, a todos os que gostaram de "A Historiadora" e "A Sombra do Vento". Ora eu desisti de um e nunca tive interesse pelo segundo, de modo que esta enunciação deveria ter sido o suficiente para me colocar de pé atrás. Mas gosto de dar oportunidades, e nunca ligo nenhuma às citações de contracapa, quando provenientes de revistas e não de críticos/ autores a título pessoal. Se calhar é um bocado snobe, mas fiquemos-nos por aqui, porque esse não é o foco deste texto. E aviso já que a crítica que se segue pode não ser tão isenta de spoilers como habitualmente. Quase de certeza que não o será.

Em primeiro lugar, tenho que dizer que gosto da forma como a Deborah escreve. Esse é o grande impulsionador que me fez ler as 700 páginas numa semana. No entanto, este livro deveria ter tido outro trabalho de preparação, porque muitas vezes vi palha que não interessava e os clichés são sucessivos e aparentemente inevitáveis.

Acho que começa bem, capta o leitor, gera interesse e passa-se no mundo moderno, actual, real, com as respectivas repressões do sobrenatural. Pareceu-me interessante e manteve-se curiosa. Mas depois passamos cerca de 200 páginas onde exactamente NADA acontece, a não ser a contar e recontar os dias enfadonhos que Diana passa a executar na biblioteca e as pesquisas que efectua. Percebo a necessidade de contextualização, mas tinha mesmo que decorrer de forma tão prolongada onde os acontecimentos foram semelhantes, onde os ciclos eram iguais, sem qualquer tipo de evolução? Confesso que por vezes fui saltando páginas, porque já não queria saber as qualidades sensoriais de mais nenhum vinho, porque, enfim, não pretendo seguir carreira como enóloga.

Temos por fim uma nova alteração que pode despertar o interesse. Fê-lo comigo quando estava prestes a desistir do livro. Mas depois é aqui que entram os clichés todos que me fizeram revirar os olhos umas quantas vezes. Ainda assim, consegui aguentá-los, dado que o livro é de 2011 a tipologia das situações apresentadas representa em pouco o que estava na moda há dois anos para o género literário em causa. Acho que podia ter sido melhor aproveita a sucessão de informação sem fim e os momentos de acção para criar uma maior interligação entre ambos. Mas a grande maioria das coisas apresentadas geraram interesse e quis saber mais sobre elas, pelo que acho que essa foi a fase do livro em que avancei mais rápido.

O fim não foi de todo inesperado, mas o que mais me divertiu. O elemento da mudança de cenário para outro mais divertido ajudou a quebrar a monotonia da leitura e a abrir portas para o próximo volume, através do aumento do suspense.

Finalizando a minha opinião com uma análise breve das personagens, acho que está composto um óptimo quadro. As tias de Diana são hilariantes e um dos pontos fortes desta narrativa. Gostei do génio do Hamish e da perspicácia de Miriam e Marcus, sem negar a aura de mulheres guerreiras de Marthe e Ysebeau. Com personagens tão interessantes, bem que algumas páginas podiam ter sido dedicadas a desvendá-las de forma mais eficaz, do que a saber em pormenor o que dizia o livro X que a Diana utilizaria na sua apresentação da conferência de Novembro....

Quanto ao casal principal, é sempre a mesma história, e pergunto-me quantas mais vezes teremos de ter o mauzão protector, cheio de segredos não partilhados, perturbado mas profundamente enamorado, que será o "macho-alfa"/comandante (e sim, isto está mesmo escrito no livro) ao qual todos devem de obedecer de olhos fechados e sem questionar. O mesmo para Diana, que sendo tão independente e forte, acaba por fazer tudo o que ele quer, obrigando os que estão em sua volta a submeter-se ao mesmo jugo.

Depois disto, é caso para me perguntarem afinal porque é que dei 3 na opinião? Bem, no fundo porque apesar de tudo, eu até gostei de o ler. E pretendo ler o próximo, de uma forma nada masoquista. Aguardo que a narrativa melhore, que a acção se desenvolva de forma mais fluída, e que não tenhamos sempre de andar a apanhar os pedaços de informação que a autora nos dá, para compor o puzzle que ela não soube transcrever completamente para o papel.


Cláudia
Sobre a autora:
 
Maratonista de bibliotecas e bookcrossing, a Cláudia ainda consegue estudar e fazer o seu mestrado enquanto lê nos transportes públicos. Defensora da sustentabilidade e do voluntariado é tão fácil encontrá-la numa biblioteca como na Rota Jovem em Cascais. É uma sonhadora e gosta de boas histórias, procurando-as em cada experiência que vive.

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